20 de novembro de 2015

Capítulo 30

Matt tinha desistido das pistas. Pelo o que podia dizer, alguma coisa tinha feito Elena ignorar completamente a casa dos Dunstan e o celeiro, mancando até chegar a uma amassada e rasgada cama de finas trepadeiras. Elas pendiam moles nos dedos de Matt, mas o lembraram, inquietantemente, da sensação dos tentáculos do inseto em seu pescoço.
E a partir daí, não havia nenhum sinal de movimento humano. Era como se um OVNI a tivesse levado.
Agora, depois de fazer incursões por todos os lados até ter perdido do entrelaçado de trepadeiras, ele estava perdido no profundo bosque. Se quisesse, poderia fantasiar que todos os tipos de ruídos estavam em torno dele. Se quisesse, poderia imaginar que a luz da lanterna não era mais tão brilhante como era antes, que tinha um tom amarelado doentio...
Todo esse tempo, enquanto procurava, ele tinha se mantido o mais quieto possível, percebendo que poderia estar tentando se deslocar sobre algo que não queria servir de capacho. Mas agora, em algum lugar dentro dele, algo estava inchando, crescendo e sua capacidade de se conter foi enfraquecendo a cada segundo.
Quando isso explodiu para fora de si, surpreendeu-o tanto como qualquer pessoa que pudesse ouvi-lo.
 Ellleeeeeeeeeeeeeeenaaaa!
Desde quando criança, Matt tinha sido ensinado a fazer suas orações noturnas. Não sabia muita coisa sobre a igreja, mas tinha uma sensação profunda e sincera de que havia Alguém ou Alguma coisa lá fora, que cuidava de pessoas. Que em algum lugar e de alguma forma tudo fazia sentido, e que havia razões para tudo.
Essa crença foi severamente testada durante o ano anterior.
Mas a volta de Elena dos mortos tinha varrido todas as suas dúvidas. Isso parecia ter provado tudo o que ele sempre quis acreditar.
Você não nos devolveria por apenas alguns dias, e depois a levaria novamente, levaria? pensou, se perguntando se essa era realmente uma forma de rezar. Não faria, faria?
Porque o pensamento de um mundo sem Elena, sem o seu brilho, sua força de vontade, seu jeito de se envolver e loucas aventuras, e em seguida, sair delas, ainda mais loucamente – bem, isso era demais para perder. O mundo seria pintado em tons de cinza monótono e castanhos escuros novamente sem ela. Não haveria o vermelho dos bombeiros, nenhum lampejo do periquito verde, nenhum azul celeste, nenhum narciso, nenhuma prata – e nenhum dourado. Nenhum rastro de ouro nos intermináveis olhos azuis lápis-lazúli.
 Eleeeeeeenaaaa! Droga, me responda! É Matt, Elena! Eleeeeee...
Ele parou de repente e ouviu. Por um momento, seu coração deu um pulo e todo o seu corpo ficou em alerta. Mas então decifrou as palavras que podia ouvir.
 Eleeeeeenaaa? Maaaatt? Onde vocês estão?
 Bonnie? Bonnie! Estou aqui!  wle virou a lanterna para cima, girando lentamente em um círculo. ― Você pode me ver?
 Você pode nos ver?
Matt girou lentamente. E – sim – havia raios de uma lanterna, duas lanternas, três!
Seu coração saltou ao ver três raios de luz.
 Estou indo em sua direção ― ele gritou, e partiu para a ação da palavra. A ocultação havia sido deixada para trás há muito tempo. Ele estava correndo para elas, puxando os cipós que tentavam agarrar seus tornozelos, mas gritando o tempo todo, ― Fique onde está! Estou indo para você!
E então as luzes da lanterna estavam bem na frente dele, cegando-o, e de alguma forma ele tinha Bonnie em seus braços, e Bonnie estava chorando. Isso, pelo menos, deixava a situação parecida com a normalidade. Bonnie estava chorando em seu peito e ele estava olhando para Meredith, que sorria ansiosamente, e para... a Sra. Flowers? Tinha que ser, ela estava usando um chapéu de jardinagem com flores artificiais, bem como o que parecia ser cerca de sete ou oito blusas de lã.
 Sra. Flowers? ― perguntou, sua boca finalmente se alinhando com seu cérebro. ― Mas... onde está Elena?
Houve uma súbita inclinação nas três pessoas observando-o, como se estivessem esperando na ponta dos pés pela notícia, e agora elas tinham caído em desapontamento.
 Nós não a vimos ― Meredith disse calmamente. ― Você estava com ela.
 Eu estava com ela, sim. Mas então Damon veio. Ele a machucou, Meredith ― Matt sentiu os braços de Bonnie apertarem sobre ele. ― Ele a manteve rolando no chão tendo convulsões. Eu acho que ele vai matá-la. E... me feriu. Acho que apaguei. Quando acordei, ela tinha desaparecido.
 Ele a levou embora?  Bonnie perguntou ferozmente.
 Sim, mas... não entendo o que aconteceu depois.
Dolorosamente, ele explicou sobre Elena aparentemente saltando para fora do carro e as pistas que o levaram a lugar nenhum.
Bonnie tremeu em seus braços.
 E então algumas outras coisas estranhas aconteceram ― disse Matt.
Lentamente, titubeante às vezes, ele fez o seu melhor para explicar sobre a Kristin, e as semelhanças com Tamra.
 Isso é simplesmente... estranho ― disse Bonnie. ― Pensei que tinha uma resposta, mas se Kristin não teve qualquer contato com qualquer das outras meninas...
 Você estava pensando provavelmente em algo sobre as bruxas de Salém, querida ― disse a Sra. Flowers. Matt ainda não conseguiu se acostumar com a Sra. Flowers conversando com eles. Ela continuou. ― Mas você realmente não sabe com quem Kristin tem estado nos últimos dias. Ou com quem Jim tem estado, por falar nisso. As crianças têm bastante liberdade nestes dias e nessa idade, e ele poderia ser... como vocês chamariam? – um portador.
 Além disso, mesmo se isso for uma possessão, pode ser um tipo totalmente diferente de possessão ― apontou Meredith. ― Kristin vive na floresta. Aqui é cheio desses insetos – esses malach. Quem sabe se isso aconteceu quando ela simplesmente pisou fora de sua porta? Quem sabe o que estava esperando por ela?
Agora Bonnie tremia nos braços de Matt. Eles desligaram todas as lanternas, exceto uma, para conservar energia, mas isso fazia com que o ambiente ficasse assustador.
 Mas e a respeito da telepatia? ― Matt perguntou à Sra. Flowers. ― Quero dizer, não acredito por um minuto que havia bruxas de verdade atacando as meninas de Salém. Acho que elas eram garotas reprimidas que entraram em histeria em massa quando todas se uniram, e de alguma forma tudo ficou fora de mão. Mas como Kristin poderia saber como me chamar – com o mesmo apelido que Tamra usou?
 Talvez todos nós tenhamos entendido tudo errado ― disse Bonnie, com sua voz enterrada em algum lugar do peito de Matt. ― Talvez não seja como em Salém enfim, onde a... a histeria se espalhou horizontalmente, se entendem o quero dizer. Talvez haja alguém aqui em cima, que está espalhando isso para onde quiser.
Houve um breve silêncio, e então Sra. Flowers murmurou:
 Fora da boca dos pequeninos e crianças de peito...
 Você quer dizer que acha que está certo? Mas então quem é que está no topo? Quem está fazendo tudo isso? ― Meredith exigiu. ― Não pode ser Damon porque ele salvou Bonnie duas vezes – e me salvou uma vez. ― Antes que alguém pudesse juntar palavras para questionar diante disso, ela estava continuando. ― Elena tinha certeza de que algo estava possuindo Damon. Então quem pode ser?
 Alguém que não conhecemos ainda ― Bonnie murmurou ameaçadoramente. ― Alguém de quem não vamos gostar.
Com um timing perfeito, houve o crepitar de um ramo por trás deles. Como uma pessoa, como um corpo, eles se viraram para olhar.


 O que eu realmente quero ― Damon disse a Elena ― é aquecê-la. E isso significa cozinhar algo quente para você se aquecer de dentro para fora ou colocá-la na banheira para te aquecer de fora para dentro. E considerando o que aconteceu da última vez...
 Eu... não sinto que posso comer alguma coisa...
 Vamos, é uma tradição americana. Sopa de maçã? Torta caseira de galinha da mamãe?
Ela riu apesar de tudo, em seguida fez uma careta.
 É uma torta de maçã e sopa caseira de galinha da mamãe. Mas não foi tão mal, para começar.
 Bom? Prometo não misturar as maçãs e as galinha juntas.
 Eu poderia tentar uma sopa  Elena falou lentamente.  E, oh, Damon estou tão sedenta apenas por água pura. Por favor.
 Eu sei, mas se você beber muito, começará as dores. Vou fazer uma sopa.
 Elas vêm em pequenas latas de rótulo vermelho. Você puxa a aba na parte superior para tirá-lo... ― Elena parou quando ele atravessou a porta.
Damon sabia que ela tinha sérias dúvidas sobre todo o projeto, mas ele também sabia que se trouxesse alguma coisa bebível, ela beberia. A sede fez isso com você.
Ele era a prova não-viva do exemplo.
Quando atravessou a porta houve um súbito ruído horroroso, como um par de facas de cozinha se batendo. Ele quase tapou as orelhas por causa do som.
 Damon!  Uma voz chorosa fracamente através da porta. ― Damon, você está bem? Damon! Responda-me!
Em vez disso ele se virou, estudou a porta, que parecia perfeitamente normal, e a abriu. Qualquer um que o visse abrindo a porta teria se perguntado por que ele colocou a chave na porta destrancada, disse “quarto de Elena” e, em seguida, destrancou e abriu a porta.
Quando chegou lá dentro, ele correu.
Elena estava deitada em um emaranhado impossível de lençóis e cobertores no chão. Ela estava tentando se levantar, mas seu rosto estava azul e branco com a dor.
 O que empurrou você para fora da cama? ― ele perguntou.
Ele mataria Shinichi lentamente.
 Nada. Eu ouvi um som horrível assim que a porta fechou. Tentei chegar até você, mas...
Damon olhou para ela.
 Eu tentei chegar até você, mas...  esta criatura partida, machucada, esgotada tentou salvá-lo? Tentado tão veemente que havia caído de sua cama?
 Sinto muito ― ela falou, com lágrimas nos olhos. ― Não consigo me acostumar com a gravidade. Você está machucado?
 Não tanto quanto você ― ele respondeu, propositadamente mantendo sua voz áspera, os olhos afastados. ― Fiz uma coisa estúpida, deixando o quarto e a casa... lembrou-me.
 Do que você está falando? ― perguntou a aflita Elena, vestida apenas em lençóis.
 Essa chave ― Damon segurou-a no alto para ela ver. Era de ouro e podia ser usada como um anel, mas duas asas podiam ser dobradas para fora e formar uma bela chave.
 O que há de errado com isso?
 A forma que usei. Esta chave tem o poder do kitsune, e ela pode desbloquear tudo e levá-la a qualquer lugar, mas a maneira como funciona é você colocá-la na fechadura, dizer aonde você quer ir, e depois virar a chave. Me esqueci de fazer isso quando saí do seu quarto.
Elena pareceu intrigada.
 Mas o que acontece se a porta não tiver uma fechadura? A maioria das portas dos quartos não têm fechaduras.
 Essa chave vai em qualquer porta. Você poderia dizer que ela faz a sua própria fechadura. É um tesouro kitsune – que tomei de Shinichi quando eu estava com tanta raiva por você ter se machucado. Ele vai querer de volta logo ― os olhos de Damon se estreitaram e ele sorriu levemente. ― Me pergunto quem de nós vai acabar ficando com ela. Eu notei outra na cozinha – uma reposição, é claro.
 Damon, tudo isso sobre chaves mágicas é interessante, mas você poderia me ajudar a sair do chão...
Ele ficou arrependido por um momento. Então veio a questão de saber se iria colocá-la na cama ou não.
 Eu vou tomar banho ― Elena disse em voz baixa. Ela desabotoou o botão de seu jeans e tentou se livrar deles.
 Espere um minuto! Você pode desmaiar e se afogar. Deite-se e eu prometo te deixar limpa, se você estiver disposta a tentar comer ― ele tinha novas reservas sobre a casa. ― Agora dispa-se na cama e puxe o lençol sobre você. Faço uma massagem incrível ― acrescentou ele, virando-se.
 Olha, você não tem que não olhar. É algo que não entendi desde que... eu voltei  disse Elena.  Tabus de modéstia. Não vejo por que alguém deveria ter vergonha de seu corpo. ― Isto veio para ele com uma voz um pouco abafada. ― Quero dizer, qualquer um que diz que Deus nos fez, Deus nos fez sem roupa, mesmo depois de Adão e Eva. Se isso é tão importante, por que ele não nos fez com fraldas?
 Sim, realmente, o que você está dizendo me lembra o que falei uma vez à rainha viúva da França ― disse Damon, determinado a deixá-la se despindo enquanto ele olhava para uma rachadura em um dos painéis de madeira da parede. ― Eu disse que se Deus era onipotente e onisciente, então Ele certamente sabia de antemão os nossos destinos, e o porquê dos justos terem sido condenados a nascer pecadoramente nus como os condenados?
 E o que ela disse?
 Nem uma palavra. Mas deu uma risadinha e tocou-me três vezes nas costas da minha mão com seu leque, que mais tarde tomei como um convite para uma atribuição. Ai de mim, eu tinha outras obrigações. Você ainda está na cama?
 Sim, e eu estou debaixo de um lençol ― disse Elena, cansada. ― Se ela era uma rainha viúva, espero que estivesse feliz ― acrescentou numa voz meio perplexa. ― Elas não são mães de idade?
 Não, Anne da Áustria, Rainha da França, manteve sua beleza notável até o fim. Ela foi a única ruiva que... ― Damon parou, procurando freneticamente as palavras quando ele a encarou na cama.
Elena tinha feito como ele havia pedido. Ele só não percebera o quanto ela se pareceria com Afrodite surgindo do oceano. Os babados brancos do lençol se aproximavam do quente branco-leite da sua pele. Ela precisava se limpar, sem dúvida, mas apenas saber que abaixo daquele fino lençol ela estava magnificamente nua era o suficiente para fazê-lo perder o fôlego.
Ela havia enrolado suas roupas em uma bola e jogado no canto mais distante da sala. Ele não a culpou. Ele nem mesmo pensou. Não se deu tempo para isso. Simplesmente estendeu as mãos e disse:
 Caldo de galinha, tomilho, limão, quente, em uma xícara de porcelana – e óleo de flor de ameixa, bem quente, em um frasco.
Depois que o caldo foi devidamente consumido e Elena estava deitada de costas novamente, ele começou a massagem suave com o óleo. Flor de ameixa sempre era um bom começo. Ela adormece a pele e as sensações de dor, e serve de base para outros, mais exóticos, óleos que ele planejava usar nela.
De certa forma, era muito melhor do que mergulhá-la em uma moderna banheira Jacuzzi. Ele sabia onde estavam seus ferimentos; podia aquecer o óleo a uma temperatura adequada para qualquer um deles. E em vez de uma terrível Jacuzzi jorrando água contra uma contusão, ele poderia evitar qualquer coisa demasiado sensível – no sentido doloroso.
Começou com os cabelos, adicionando uma muito leve camada de óleo que faria o pior dos emaranhados se tornar fácil para pentear. Após a lubrificação, seu cabelo brilhava como ouro contra sua pele – mel e creme. Então começou com os músculos do seu rosto: pequenos traços com o seu polegar sobre a testa para alisá-la e relaxá-la, forçando-a a relaxar junto com seus movimentos. Lentos redemoinhos circulares nas têmporas, com apenas uma leve pressão. Ele podia ver as finas veias azuis traçadas ali, e sabia que a pressão profunda poderia colocá-la para dormir.
Então passou para os braços, antebraços, mãos, levando-a para além dos traços antigos e com as antigas essências corretas para ir com eles, até que ela não era nada além de uma coisa solta, sem ossos sob um lençol: lustrosa, macia e resistente. Ele piscou o seu sorriso incandescente, por um momento, puxando um dedo até que ele estralou – e então o sorriso se tornou irônico. Ele poderia ter o que quisesse dela agora. Sim, ela não estava disposta a recusar qualquer coisa. Mas ele não contava com o que o maldito lençol faria com ele. Todos sabiam que um pedaço de cobertura, não importa o quão simples fosse, sempre chamava atenção para a área de tabu como a nudez pura não fazia. E ao massagear Elena centímetro por centímetro desta forma, ele só estava focado no que estava por baixo do tecido nevado.
Depois de um tempo Elena disse sonolenta:
 Você não vai contar o fim da história? Sobre Anne da Áustria, que foi a única ruiva que...
 ... que, ah, continuou a ser uma ruiva natural até o fim de sua vida ― Damon murmurou. ― Sim. Dizia-se que o Cardeal Richelieu era seu amante.
 Não é o cardeal malvado dos Três Mosqueteiros?
 Sim, mas talvez não tão mau quanto ele foi retratado ali, e, certamente, um político capaz. E, dizem alguns, o verdadeiro pai de Louis... agora acabou.
 É um nome estranho para um rei.
 Hum?
 Louis Agora Acabou  Elena disse, virando-se e mostrando um lampejo de sua coxa creme, enquanto Damon tentava olhar várias outras partes da sala.
 Depende da tradição de nomeações do país de origem do indivíduo ― disse Damon descontroladamente.
Tudo o que ele podia ver eram replays daquele vislumbre da coxa.
 O quê?
 O quê?
 Eu estava te perguntando...
 Você está quente agora? Tudo feito ― disse Damon e, imprudentemente, deu um tapinha na maior curva sob a toalha.
 Ei! ― Elena se empinou, e Damon – encarando um corpo inteiramente rosa dourado pálido, perfumado e elegante – e com músculos de aço abaixo da pele de seda, fugiu precipitadamente.
Ele voltou depois de um intervalo adequado com uma calma oferta de mais sopa. Elena, digna em seu lençol, que tinha feito de toga, aceitou. Ela nem sequer tentou golpeá-lo no traseiro quando ele estava virado de costas.
 Que lugar é esse? ― ela perguntou de vez. ― Não pode ser os Dunstan – são uma antiga família, com uma casa velha. Costumavam ser agricultores.
 Oh, vamos chamar-lhe apenas de minha pequena pied-à-terre na floresta.
 Ha ― disse Elena. ― Eu sabia que você não estava dormindo nas árvores.
Damon encontrou-se tentando a não sorrir. Ele nunca esteve com Elena quando a situação não estava relacionada com vida ou morte. Agora, se ele disse que tinha descoberto que amava sua mente depois de tê-la massageado nua debaixo de um lençol – não... Ninguém nunca iria acreditar nele.
 Sentindo-se melhor? ― perguntou.
 Tão quente como uma sopa de galinha-maçã. Nunca vou ouvir o final da história, vou?
Ele a fez ficar na cama enquanto pensava em camisolas, todos os tamanhos e estilos, e roupões, também – e chinelos, tudo no momento em que caminhava para onde tinha estado o banheiro, e ficou satisfeito ao descobrir que ele era agora um grande closet com tudo o que alguém poderia desejar em termos de traje de noite. Desde lingerie de seda às boas e velhas camisolas de dormir à noite e chapéus, esse guarda-roupa tinha tudo. Damon surgiu com os braços cheios e deu para Elena fazer sua escolha.
Ela escolheu uma camisola de gola alta branca feita de um tecido modesto.
Damon encontrou-se acariciando um vestido azul-celeste majestoso arrematado com o que parecia uma verdadeira renda Valenciennes.
 Não é meu estilo ― disse Elena, aconchegando-se rapidamente em algumas outras vestes.
Não é o seu estilo em torno de mim, Damon pensou, divertido. E uma moça um sábia você é, também. Não quer me tentar a fazer qualquer coisa que de que possa se arrepender amanhã.
 Tudo bem, e então você pode ter uma boa noite de sono...  ele parou, ela estava de repente olhando para ele com espanto e aflição.
 Matt! Damon, estávamos procurando por Matt! Acabei de me lembrar. Estávamos procurando por ele e eu... eu não sei. Me machuquei. Lembro-me de cair e então eu estava aqui.
Porque eu te carreguei até aqui, Damon pensou. Porque esta casa é apenas um pensamento na mente de Shinichi. Porque a única coisa permanente dentro dela somos nós dois.
Damon respirou profundamente.

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