8 de novembro de 2015

Capítulo 2

Elena estava cercada no instante em que pisou no estacionamento da escola. Todos estavam lá, a multidão toda que ela não via desde o fim de junho, além de quatro ou cinco parasitas que esperavam ganhar popularidade por associação. Aceitou um por um os abraços acolhedores de seu próprio grupo.
Caroline tinha crescido pelo menos dois centímetros e estava mais magra e mais parecida do que nunca com uma modelo da Vogue. Ela cumprimentou Elena friamente e recuou novamente com seus olhos verdes estreitados como os de um gato.
Bonnie não tinha crescido nada, e seu cabelo vermelho encaracolado veio até o queixo de Elena enquanto ela lançava seus braços seu redor. Espere um minuto — cachos? Pensou Elena. Ela empurrou a garota menor para trás.
— Bonnie! O que você fez com o seu cabelo? 
— Você gostou? Acho que me faz parecer mais alta.
Bonnie afofou a já macia franja e sorriu, seus olhos castanhos brilhando com excitação, seu rosto em formato de coração iluminado.
— Meredith. Você não mudou nada — prosseguiu Elena.
Esse abraço foi igualmente caloroso em ambos os lados. Tinha sentido mais falta de Meredith do que de qualquer outro, Elena pensou, olhando para a garota alta. Meredith nunca usava maquiagem; mas também, com uma pele azeitonada perfeita e grossos cílios negros, ela não precisava. Nesse momento ela estava com uma elegante sobrancelha levantada enquanto estudava Elena.
— Bem, seu cabelo está dois tons mais claros por causa do Sol... Mas aonde está o seu bronzeado? Achei que você estivesse aproveitando a Riviera Francesa.
— Você sabe que eu nunca me bronzeio.  Elena ergueu suas mãos para sua própria inspeção. A pele estava impecável, como porcelana, mas quase tão branca e translúcida quanto a de Bonnie.
— Só um minuto; isso me lembra...  Bonnie interrompeu, pegando uma das mãos de Elena.  Adivinha o que eu aprendi com a minha prima esse verão?  Antes que qualquer um pudesse falar, ela os informou triunfantemente:  Leitura das mãos! 
Houve lamentações, e algumas risadas.
— Riam enquanto podem  disse Bonnie, nem um pouco perturbada.  Minha prima disse que eu sou vidente. Agora, deixe-me ver...  ela olhou na palma de Elena.
— Apresse-se ou vamos chegar atrasados  disse Elena, um tantinho impaciente.
— Certo, certo. Agora, essa é a sua linha da vida — ou é a sua linha do coração?  Na multidão, alguém abafou o riso.  Quieto; estou alcançando o vácuo. Eu vejo... Eu vejo…
De uma só vez, o rosto de Bonnie ficou vazio, como se ela estivesse alarmada. Seus olhos castanhos arregalaram-se, mas ela já não mais parecia estar encarando a mão de Elena. Era como se estivesse olhando através dela  para algo assustador.
— Você conhecerá um estranho alto e moreno  Meredith murmurou atrás dela. Houve um alvoroço de risadinhas.
— Moreno, sim, e um estranho... mas não alto  a voz de Bonnie estava abafada e distante. — Apesar  ela continuou depois de um momento, parecendo confusa — de que ele foi alto, uma vez.  Seus arregalados olhos castanhos se levantaram para Elena com perplexidade. — Mas isso é impossível... não é?  Ela largou a mão de Elena, quase arremessando-a para longe. — Eu não quero mais ver.
— Está bem, o show acabou. Vamos!  Elena disse aos outros, vagamente irritada. Sempre achara que truques psíquicos eram justamente aquilo — truques. Então por que estava aborrecida? Só porque naquela manhã tinha quase ficado fora de si...
As garotas começaram a andar em direção ao prédio da escola, mas o ruído de um motor primorosamente ajustado parou todas em suas trajetórias.
— Ora, ora  Caroline disse, encarando. — Mas que carro. 
— Mas que Porsche.  Meredith corrigiu secamente.
O reluzente Turbo 911 preto ronronou pelo estacionamento, procurando por um espaço, movendo-se tão preguiçosamente quanto uma pantera perseguindo uma presa.
Quando o carro parou, a porta abriu, e elas vislumbraram o motorista.
— Oh, meu Deus!  Caroline sussurrou.
— Você pode dizer isso novamente!?  exalou Bonnie.
De onde estava, Elena pôde ver que ele tinha um corpo magro e músculos lisos. Jeans desbotados que provavelmente tinha que tirar à noite, camiseta apertada, e uma jaqueta de couro com um corte incomum. Seu cabelo era ondulado — e escuro.
Ele não era alto, porém. Somente uma estatura mediana.
Elena deixou seu fôlego escapar.
— Quem é aquele homem mascarado?  disse Meredith.
E a observação era apropriada — óculos de sol escuros cobriam completamente os olhos do garoto, escondendo seu rosto como uma máscara.
— Aquele estranho mascarado.  alguém disse, e um murmúrio de vozes elevou-se.
— Você está vendo a jaqueta? É italiana, tipo de Roma. 
— Como você saberia? Você nunca foi mais longe do que Nova York na sua vida!
— Oh-ou. Elena está com aquele olhar novamente. O olhar de caça.
— É melhor que o Baixo-Moreno-e-Lindo tenha cuidado.
— Ele não é baixo; ele é perfeito!
Através da tagarelice, a voz de Caroline repentinamente soou bem alto.
— Oh, vamos lá, Elena. Você já tem o Matt. O que mais você quer? O que você pode fazer com dois que não pode com um?
— A mesma coisa, só que por mais tempo — Meredith respondeu lentamente, e o grupo se dissolveu em risadas.
O garoto havia trancado seu carro e estava andando em direção à escola. Casualmente, Elena seguiu atrás dele, as outras garotas logo atrás dela em um grupo intimamente ligado. Por um instante, aborrecimento borbulhou dentro dela. Ela não podia ir à lugar algum sem um desfile em seu calcanhar? Mas Meredith percebeu seu olhar, e ela sorriu apesar de si mesma.
— Obrigações da nobreza — Meredith comentou suavemente.
— O quê? 
— Se você vai ser a rainha da escola, tem que aturar as consequências.
Elena franziu por causa disso enquanto elas entravam no prédio. Um longo corredor se esticava em frente a elas, e uma figura de calça jeans e jaqueta de couro desaparecia pela porta do escritório em frente. Elena diminuiu seu ritmo à medida que passava pelo escritório, finalmente parando para olhar ponderadamente para as mensagens no quadro de avisos de cortiça perto da porta. Havia uma ampla janela aqui, através do qual o escritório inteiro ficava visível.
As outras garotas estavam espiando abertamente através da janela, e dando risadinhas.
— Bela visão traseira.
— Aquela é definitivamente uma jaqueta Armani.
— Você acha que ele é de fora dos Estados Unidos?
Elena estava esticando suas orelhas tentando ouvir o nome do garoto. Parecia haver algum tipo de problema lá: a Sra. Clarke, a secretária de admissão, olhava para uma lista e balançava a cabeça. O garoto disse alguma coisa, e a Sra. Clarke levantou suas mãos em um gesto que dizia “O que eu posso fazer?” Ela correu um dedo pela lista e balançou sua cabeça novamente, conclusivamente. O garoto começou a se afastar, então se virou. E quando a Sra. Clarke olhou para ele, sua expressão mudou.
O óculos de sol do garoto estava agora na mão dele. A Sra. Clarke pareceu assustada com algo, Elena pôde vê-la piscar diversas vezes. Seus lábios abriram e fecharam como se ela estivesse tentando falar.
Elena desejou poder ver mais do que apenas a parte detrás da cabeça do garoto. A Sra. Clarke remexia em pilhas de papéis agora, parecendo estupefata. Enfim ela achou um formulário de algum tipo e escreveu nele, então virou-se e o empurrou em direção ao garoto.
O garoto escreveu brevemente no formulário — assinando-o, provavelmente — e o devolveu. A Sra. Clarke encarou-o por um segundo, então remexeu em uma nova pilha de papéis, finalmente entregando o que parecia com um horário de aulas para ele. Seus olhos nunca deixaram o garoto enquanto ele pegava o papel, inclinava a cabeça em agradeicimento e se virava para porta.
Elena estava louca de curiosidade agora. O que havia acabado de acontecer ali? E como o rosto do estranho era? Mas à medida que ele emergia do escritório, colocava seus óculos de sol no lugar novamente.
Desapontamento fluiu através dela.
Ainda assim, ela pôde ver o resto de seu rosto enquanto ele parava na entrada. O escuro cabelo encaracolado enquadrava traços de rosto tão belos que poderiam ter sido tirados de uma velha moeda ou medalha romana. Maçãs do rosto altas, clássico nariz reto... e uma boca para mantê-la acordada à noite, Elena pensou. O lábio superior era belamente esculpido, um pouco delicado, bastante sensual. A tagarelice das garotas no corredor havia parado como se alguém tivesse desligado um interruptor.
A maioria delas estava se virando para longe do garoto agora, olhando para qualquer lugar menos para ele. Elena ficou em seu lugar perto da janela e fez um meneio de cabeça, puxando a fita do cabelo para que ele caísse ao redor de seus ombros.
Sem olhar para nenhum lado, o garoto continuou andando pelo corredor. Um coro de suspiros e sussurros irrompeu no momento em que ele estava fora do alcance de voz.
Elena não ouviu nada disso.
Ele tinha passado diretamente por ela, ela pensou, estupefata. Diretamente por ela sem olhar.
Vagamente, ela percebeu que o sinal estava tocando. Meredith estava puxando seu braço.
— O quê?
— Eu disse: aqui está seu horário. Nós temos trigonometria no segundo andar agora. Vamos!
Elena permitiu que Meredith a levasse pelo corredor, por uma escadaria, e para dentro da sala de aula. Ela sentou automaticamente em um assento vazio e fixou seus olhos na professora sem realmente estar vendo-a. O choque ainda não tinha passado.
Ele tinha passado diretamente por ela. Sem um olhar. Ela não conseguia se lembrar de quanto tempo fazia desde que um garoto havia feito isso. Todos eles olhavam, ao menos. Alguns assobiavam. Alguns paravam para conversar. Alguns simplesmente encaravam.
E isso nunca foi um problema para Elena.
Afinal de contas, o que era mais importante que garotos? Eles eram a marca do quão popular você é, do quão bonita você é. E eles podiam ser úteis para todo o tipo de coisas. Às vezes eram excitantes, mas geralmente isso não durava muito. Às vezes eram repugnantes desde o começo.
A maioria dos garotos, Elena refletiu, era exatamente como filhotinhos. Adoráveis nos seus lugares, mas dispensáveis. Uns pouquíssimos podiam ser mais do que isso, podiam se tornar amigos de verdade. Como Matt.
Oh, Matt. Ano passado ela tivera esperanças de que ele era aquele por quem ela estivera procurando, o garoto que a faria sentir... bem, algo mais. Mais do que um ataque de triunfo por ter feito uma conquista, o orgulho em mostrar sua nova aquisição para as outras garotas. E ela tinha sentido uma forte afeição por Matt. Mas conforme o verão passava, e ela tivera tempo para pensar, percebera que era a afeição de uma prima ou irmã.
A Srta. Halpern estava passando os livros de trigonometria. Elena pegou o seu mecanicamente e escreveu seu nome dentro, ainda envolta em pensamentos.
Ela gostava de Matt mais do que qualquer outro garoto que conhecera. E era por isso que teria que dizer a ele que estava acabado.
Ela não sabia como contar por carta. Não sabia como contar a ele agora. Não era por medo de ele fazer escândalo; ele simplesmente não entenderia. Ela mesma não entendia muito.
Era como se ela estivesse sempre querendo alcançar... alguma coisa. Só que, quando achava que havia conseguido, não estava lá. Nem com Matt, nem com qualquer dos outros garotos com quem esteve.
E então tinha que começar tudo de novo. Felizmente, havia sempre material novo. Nenhum garoto havia tido sucesso em resistir a ela, e nenhum garoto a havia ignorado. Até agora.
Até agora. Lembrando-se daquele momento no corredor, Elena descobriu que seus dedos estavam apertados ao redor da caneta que ela segurava. Ainda não podia acreditar que ele havia passado por ela daquela maneira.
O sinal tocou e todo mundo saiu da sala de aula, mas Elena parou na entrada. Ela mordeu seu lábio, fazendo uma varredura pelo mar de estudantes que fluía no corredor. Então avistou uma das parasitas que estavam no estacionamento.
— Frances! Venha aqui. 
Frances veio avidamente, seu rosto comum iluminando-se.
— Escute, Frances, lembra-se do garoto dessa manhã? 
— Com o Porsche e as – er – posses? Como eu poderia esquecer?
— Bem, eu quero o horário de aulas dele. Pegue-o do escritório se puder, ou copie do dele se tiver que fazê-lo. Mas faça-o!
Frances pareceu surpresa por um momento, então forçou um sorriso e concordou.
— Está bem, Elena. Eu vou tentar. Te encontrarei no almoço se conseguir pegá-lo.
— Obrigada. — Elena observou a garota ir embora.
— Sabe, você realmente é maluca. — A voz de Meredith disse em seu ouvido.
— Qual é a vantagem de ser a rainha da escola se você não pode abusar da sua posição às vezes?  Elena retornou calmamente. — Para onde eu vou agora?
— Negócios Gerais. Aqui, pegue-o você mesma — Meredith empurrou uma tabela de horário para ela. — Eu tenho que correr para a aula de química. Até depois! 
Negócios Gerais e o resto da manhã passou como um borrão. Elena tivera esperança de ver outra vez de relance o novo estudante, mas ele não estava em nenhuma de suas aulas. Matt estava em uma, e ela sentiu uma pontada de dor quando os olhos azuis dele encontraram os dela com um sorriso.
Com o sinal do almoço, ela fez cumprimentos com a cabeça a torto e a direito à medida que entrava na lanchonete. Caroline estava do lado de fora, repousada casualmente contra uma parede com o queixo levantado, os ombros para trás, o quadril para frente. Os dois garotos com quem ela estivera falando ficaram em silêncio e cutucaram um ao outro quando Elena se aproximou.
— Oi. — Elena disse brevemente aos garotos; e para Caroline: — Pronta para entrar e comer? 
Os olhos verdes de Caroline mal pestanejaram na direção de Elena, e ela empurrou seu brilhoso cabelo castanho para longe do rosto.
— O que, na mesa da realeza? — ela perguntou.
Elena foi pega de surpresa. Ela e Caroline eram amigas desde o jardim de infância, e elas sempre competiram uma contra a outra de maneira afável. Mas ultimamente alguma coisa havia acontecido com a Caroline. Ela tinha começado a levar a rivalidade cada vez mais a sério. E agora Elena estava surpreendida pela amargura na voz da outra garota.
— Bem, não é como se você fosse uma plebeia — ela respondeu levianamente.
— Ah, você está tão certa sobre isso. — Disse Caroline, virando-se para encarar Elena plenamente.
Aqueles olhos verdes de gata estavam abertos por uma pequena brecha e fumegantes, e Elena ficou chocada pela hostilidade que viu ali. Os dois garotos sorriram desconfortavelmente e foram para longe.
Caroline não pareceu notar.
— Muita coisa mudou enquanto você estava fora nesse verão, Elena — ela continuou. — E talvez seu tempo no trono esteja acabando.
Elena corou; podia sentir isso. Ela lutou para manter sua voz firme.
— Talvez. Mas eu não compraria um cetro tão cedo se fosse você, Caroline.
Ela se virou e foi para a lanchonete.
Foi um alívio ver Meredith e Bonnie, e Frances atrás delas. Elena sentiu suas bochechas se esfriarem à medida que selecionava seu almoço e ia se juntar à elas. Não deixaria Caroline chateá-la; não pensaria em Caroline de modo algum.
— Eu consegui — disse Frances, agitando um pedaço de papel enquanto Elena se sentava.
— E eu tenho coisas boas a contar! — Disse Bonnie de modo importante.
— Elena, escute isso. Ele está na minha aula de biologia, e eu sento bem na frente dele. E seu nome é Stefan, Stefan Salvatore, ele é da Itália, está hospedado com a velha Sra. Flowers no limite da cidade. — Ela suspirou. — Ele é tão romântico. Caroline derrubou seus livros, e ele os pegou para ela.
Elena fez uma cara de repulsa.
— Que desastrada a Caroline é. O que mais aconteceu?
— Bem, foi isso. Ele não falou com ela, na verdade. Ele é mu-i-to misterioso, veja só. A Sra. Endicott, minha professora de biologia, tentou fazer com que ele tirasse seus óculos, mas ele não tirou. Ele tem um problema médico.
— Que tipo de problema médico?
— Eu não sei. Talvez seja terminal e seus dias estejam contados. Isso não seria romântico?
— Oh, muito — comentou Meredith.
Elena estava olhando por sobre a folha de papel de Frances, mordendo seu lábio.
— Alguém mais tem essa aula?
— Eu tenho. — Disse Bonnie. — E eu acho que Caroline também tem. Oh, e talvez Matt; ele disse uma coisa ontem sobre como tinha sorte, ficando com o Sr. Tanner.
Maravilha, Elena pensou, pegando um garfo e apunhalando seu purê de batata. Parecia que a sétima aula seria extremamente interessante.


Stefan estava feliz que o dia na escola estivesse quase acabando. Ele queria sair dessas salas e corredores lotados, só por alguns minutos.
Tantas mentes. A pressão de tantos padrões de pensamentos, tantas vozes mentais cercando-o, estavam-no deixando tonto. Fazia anos desde que estivera no meio de uma multidão de pessoas desse jeito.
Uma mente em particular se destacou das outras. Ela estivera entre aqueles que o estiveram observando no corredor principal do prédio da escola. Ele não sabia como era sua aparência, mas sua personalidade era poderosa.
Ele tinha certeza de que a reconheceria novamente.
Até agora, pelo menos, havia sobrevivido ao primeiro dia da farsa. Havia usado os Poderes somente duas vezes, e depois moderadamente. Mas ele estava cansado, admitiu com melancolia, e com fome. O coelho não fora o suficiente.
Preocupe-se com isso depois.  Achou sua última sala de aula e se sentou. E imediatamente sentiu a presença daquela mente de novo.
Ela incandescia na margem da consciência dele, uma luz dourada, suave e ainda assim vibrante. E, pela primeira vez, ele pôde localizar a garota da qual ela vinha. Estava sentada bem na frente dele.
No momento em que ele pensou isso, ela se virou e ele viu seu rosto. Tudo o que ele pôde fazer foi não arfar com choque.
Katherine! Mas é claro que não poderia ser. Katherine estava morta; ninguém sabia disso melhor do que ele.
Ainda assim, a semelhança era excepcional. O pálido cabelo dourado, tão belo que parecia quase brilhar. Aquela pele cremosa, que sempre o havia feito pensar em cisnes, ou alabastro, ruborizando um leve rosa nas bochechas. E os olhos... os olhos de Katherine eram de uma cor que ele nunca tinha visto antes; mais escuros do que o azul do céu, tão ricos quanto a pedra celestial em sua tiara cravada de pedras preciosas.
Essa garota tinha os mesmos olhos.
E eles estavam fixados diretamente nos dele a medida que ela sorria.
Ele desviou o olhar de seu sorriso rapidamente. De todas as coisas, ele não queria pensar em Katherine. Não queria olhar para essa garota que o lembrava dela, não queria mais sentir sua presença. Manteve seus olhos na mesa, bloqueando sua mente tão fortemente quanto pôde. E por fim, lentamente, ela se virou novamente.
Ela ficou magoada. Até mesmo através dos bloqueios, ele pôde sentir isso. Ele não ligava. De fato, estava feliz por isso, e esperava que isso a mantivesse afastada dele. Fora isso, não tinha sentimentos algum por ela.
Ele continuou dizendo isso a si mesmo enquanto se sentava, a voz monótona do professor fluindo por ele sem ser ouvida. Mas ele podia sentir um indício sutil de perfume – violetas, ele pensou. E seu esguio pescoço branco estava curvado sobre seu livro, o belo cabelo caindo dos dois lados dele.
Com raiva e frustração ele reconheceu o sedutor despontar em seus dentes – mais como cócegas ou formigamento do que uma dor. Era fome, uma fome específica. E não uma que ele estava prestes a ceder.
O professor estava marchando na sala como um furão, fazendo perguntas, e Stefan deliberadamente fixou sua atenção no homem. A princípio ele ficou intrigado, pois embora nenhum dos estudantes soubesse as respostas, as perguntas continuavam. Então ele percebeu que esse era o propósito do homem. Envergonhar os estudantes com o que eles não sabiam.
Nesse instante ele havia achado outra vítima, uma garota pequena com uma penca de cachos vermelhos e um rosto em formato de coração. Stefan observou à distância enquanto o professor a atazanava com perguntas. Ela parecia miserável a medida em que ele se afastava dela para se dirigir à turma toda.
— Estão vendo o que quero dizer? Vocês acham que são os maiorais; são veteranos agora, prontos para se formarem. Bem, deixem-me dizer isso, alguns de vocês não estão prontos para se formarem nem no jardim-de-infância. Como essa!  Ele gesticulou em direção à garota de cabelo vermelho. — Não faz ideia sobre o que seja a Revolução Francesa. Acha que Maria Antonieta era uma estrela de filme mudo. 
Os estudantes ao redor de Stefan se mexeram de maneira desconfortável. Ele pôde sentir o ressentimento nas mentes deles, e a humilhação. E o medo. Estavam todos com medo desse pequeno homem magro com olhos como o de uma doninha, até mesmo os garotos atléticos que eram mais alto do que ele.
— Tudo bem, vamos tentar outra era.  O professor virou-se de volta para a mesma garota que havia questionado.  Durante a Renascença...  Ele parou abruptamente. — Você sabe o que é a Renascença, não sabe? O período entre os séculos treze e dezessete, no qual a Europa redescobriu as grandes ideias da Grécia e da Roma Antigas? O período que produziu muitos dos maiores artistas e pensadores da Europa?  Quando a garota concordou de modo confuso, ele continuou. — Durante a Renascença, o que os estudantes da sua idade estariam fazendo na escola? Bem? Alguma ideia? Algum palpite?
A garota engoliu em seco. Com um fraco sorriso ela disse:
 Jogando futebol?
Com a subsequente risada, o rosto do professor se endureceu.
— Dificilmente! — Ele repreendeu, e a sala de aula aquietou-se. — Você acha que isso é uma piada? Bem, naqueles dias, os estudantes da sua idade já seriam proficientes em várias línguas. Eles também dominariam lógica, matemática, astronomia, filosofia e gramática. Também já estariam prontos para ir à uma universidade, na qual todos os cursos seriam ensinados em latim. Futebol seria absolutamente a última coisa na...
— Com licença.
A voz baixa parou o professor no meio de seu longo discurso. Todos se viraram para encarar Stefan.
— O quê? O que você disse? 
— Eu disse, “com licença” — Stefan repetiu, removendo seus óculos de sol e se levantando. — Mas você está errado. Estudantes da Renascença eram encorajados a participar de jogos. Eles eram ensinados que um corpo saudável combina com uma mente saudável. E eles certamente jogavam esportes de grupo, como críquete, tênis  e até mesmo futebol  Ele se virou para a garota de cabelo vermelho e sorriu, e ela sorriu de volta com gratidão. Para o professor, ele acrescentou,  Mas as coisas mais importantes que eles aprendiam eram boas maneiras e cortesia. Estou certo de que seu livro lhe dirá isso.
Os estudantes estavam dando risada. O rosto do professor estava vermelho de sangue, e ele estava emitindo faíscas. Mas Stefan continuou a sustentar o olhar, e depois de mais um minuto foi o professor que desviou o olhar.
O sinal tocou.
Stefan colocou seus óculos rapidamente e juntou seus livros. Ele já tinha atraído mais atenção para si mesmo do que deveria, e não queria ter que olhar para a garota loira novamente. Além do mais, precisava sair de lá rapidamente; havia uma familiar sensação de queimadura em suas veias.
À medida que ele alcançava a porta, alguém gritou:
— Ei! Eles realmente jogavam futebol naquele tempo?
Ele não pôde evitar dar um sorriso por sobre o ombro.
— Oh, sim. Algumas vezes com as cabeças decepadas dos prisioneiros de guerra. 


Elena observou-o enquanto ele saía. Ele havia deliberadamente virado as costas para ela. Ele a tinha desprezado de propósito, e na frente de Caroline, que estivera observando como um falcão. Lágrimas queimaram em seus olhos, mas naquele momento somente um pensamento queimou em sua mente.
Ela o teria, mesmo que isso a matasse. Se isso matasse a ambos, ela o teria.

21 comentários:

  1. se acha ela tao chata porque ta lendo?

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    1. vdd né? esse povo gosta de uma coisa

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    2. Eu gosto muito mais do Damon ♡

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    3. O Damon é o melhor do livro

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    4. Eu adorei o Damon

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  2. Na serie de TV a meredithi não existe e a Elena é o contrario dessa garota que vemos no livro.
    O livro e legalzinho mas a serie e perfeita

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    1. Verdade principalmente o ator que faz o personagem do Damon

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    2. Concordo a série é perfeita. Elena aqui parece chata mesmo :(

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  3. affe por favor uma protagonista metidinha ninguém merece..rsrs o stefan subiu no meu conceito rsrs ignorou ela pra largar de ser a última coca no deserto rsrs

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  4. A série é MT melhor! Mas vou ler e comparar neh?! Na serie a Elena eh totalmente diferente e a Meredith eh a Caroline( em personalidade)e a Bonnie nn eh ruiva. E o Stefan Jah conhecia a Elena, eh por isso q ele estah ai! Vai q o livro melhora neh? Vamos ver

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  5. Estou no segundo capítulo e já não gosto da Elena, não assisti a serie por tanto não tenho como compara-las mais vou cont pq quem sabe não melhora? de ante mão o Stefan é um fofo.

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  6. Gabrielly no mundo do Olimpo30 de janeiro de 2016 16:09

    esta ficando cada vez mais interesante

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  7. Perfeito ninguém merresse todas protagonista serem dempre como anjo o Stefan e Damon é que são os principais Elena é consequência mais é gata kkkk massa a história

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  8. Alguns de vcs nem leram a história inteira e já dizem que a série é melhor ;-; os livros são perfeitos 😍 muitos detalhes, bem escrito, uma história e personagens completamente diferentes da série ,mas ainda sim, pft 😍 na minha opinião C:
    A série é msm muito legal. Mesmo cm as mudanças, mas os livros são o ápice 😌😍😍

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  9. Não sei qual é melhor a serie ou o livro. O livro da mais detalhes. Ja a serie você nao precisa ficar imaginando como os personagens são.

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  10. Mtooo bom os livros e a serie todos são perfeitos amuuu...

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  11. muitoooooo legal,ameiiii

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