29 de novembro de 2015

Capítulo 2

Elena soltou-se em questão de segundos. Quando saiu, tudo continuava igual — embora se perguntasse como ela não havia cortado sua própria garganta letalmente com a faca.
Sabia que a bandeja com os pratos e o copo havia voado pela escuridão no instante em que não pôde evitar levantar seus braços. Mas agora ela reconhecia aquele aperto, reconhecia aquele cheiro, e compreendeu a razão para a faca. Ela estava feliz por ter compreendido, pois estava prestes a se orgulhar de fraquejar, assim como Sage teria feito. Ela não era uma fraca!
Ela relaxou nos braços de Damon, exceto onde a faca estava. Para mostrar-lhe que não era uma ameaça.
— Oi, princesa. — Uma voz como veludo preto disse em seu ouvido.
Ela sentiu um arrepio interior — mas não de medo. Não, era mais como se o seu interior estivesse derretendo. Mas ele não mudou o modo de segurá-la.
— Damon... — Disse roucamente — Estou aqui para ajudá-lo. Por favor, me deixe te ajudar. Para o seu bem.
Tão abruptamente quanto tinha chegado, o punho de ferro foi retirado de sua cintura. A faca parou de ser pressionada contra sua carne, embora aquele pressentimento, aquela dor em sua garganta foi o suficiente para lembrá-la de que Damon a tinha deixado preparada para uma próxima vez. Presas substitutas.
Houve um click, e de repente o quarto estava muito brilhante.
Lentamente, Elena virou-se para olhar Damon. E mesmo agora, mesmo quando estava pálido, abatido e desfigurado por não comer, ele estava tão lindo que seu coração parecia cair na escuridão. Seu cabelo preto, caindo em todas as direções sobre a testa; suas características perfeitas e esculpidas, sua boca arrogante e sensual agora comprimida em uma linha de condescendência...
— Onde está, Elena? — Ele perguntou brevemente.
Não o que é. Onde está. Ele sabia que ela não era idiota, e, claro, sabia que os humanos na pensão estavam escondendo a Esfera Estelar dele deliberadamente.
— Isto é tudo que você tem a me dizer? — Ela sussurrou.
Ela viu o amolecer indefeso em seus olhos, e ele deu um passo em sua direção como se não pudesse evitar, mas no instante seguinte, parecia triste.
— Diga-me, e então talvez eu diga mais.
— Eu... Compreendo. Bem, fizemos um sistema, dois dias atrás — Elena disse calmamente — Todos tiram um papel. Então, a pessoa que receber o papel com o X leva-o da mesa da cozinha e todos vão para seus quartos e permanecem lá até que a pessoa com a Esfera Estelar a esconda. Não tive sorte hoje, então sei onde ela está. Mas você pode me testar.
Elena pôde sentir seu corpo se encolhendo quando ela disse as últimas palavras, sentindo-se mole, indefesa e fácil de ser ferida.
Damon esticou o braço e lentamente deslizou a mão sob seus cabelos. Ele poderia bater a cabeça dela contra a parede, ou jogá-la por todo o cômodo. Poderia simplesmente apertar a faca sobre seu pescoço até que sua cabeça caísse. Elena sabia que ele estava com vontade de desligar suas emoções de ser humano, mas ela não fez nada. Não disse nada. Apenas se levantou e olhou em seus olhos.
Lentamente, Damon inclinou-se sobre ela roçou seus lábios suavemente contra os dela. Os olhos de Elena se fecharam. Mas no momento seguinte, Damon estremeceu e deslizou sua mão para fora de seu cabelo.
Foi aí que Elena se tocou no que aconteceu com a comida que ela estava trazendo para ele. O café quase escaldante espirrou sobre sua mão e braço e molhou seu jeans em uma das coxas. A xícara e o pires estavam em pedaços no chão. A bandeja e os biscoitos tinham saltado para detrás de uma cadeira. O prato de bife tártaro, no entanto, pousou milagrosamente no sofá, virado para cima. Havia diversos talheres por toda parte.
Elena sentiu a cabeça e ombros se inclinarem de medo e dor. Aquele era o seu universo, naquele momento — cheio de dor e medo. Esmagando-a. Ela não era uma chorona, mas não pôde evitar as lágrimas lhe encherem os olhos.
Mas que droga! Damon pensou.
Era ela. Elena. Ele estava tão certo que era um adversário a espioná-lo, que um de seus inimigos o havia seguido e estava montando uma armadilha... Alguém que tivesse descoberto que ele estava tão fraco quanto uma criança agora. Não tinha sequer lhe ocorrido que poderia ser ela, até que ele estava segurando seu corpo macio com um braço, e cheirando o perfume de seus cabelos enquanto segurava uma lâmina lisa em sua garganta com a outra. E então ele acendeu a luz e viu o que ele já tinha adivinhado.
Inacreditável! Ele não a havia reconhecido. Estava lá fora, no jardim, quando viu a porta do armazém escancarada e soube que lá havia um intruso. Mas, com seus poderes reduzidos, não foi capaz de dizer quem estava lá dentro.
Não havia desculpas que pudessem cobrir os fatos. Ele havia machucado e aterrorizado Elena. A havia machucado. E, ao invés de se desculpar, ele havia forçado-a a dizer a verdade para os seus próprios desejos egoístas.
E agora, sua garganta...
Seus olhos foram atraídos para a linha fina de gotículas vermelhas na garganta de Elena, onde a faca a havia cortado quando ela se apavorou antes de ir a encontro a ele. E se ela tivesse desmaiado? Poderia ter morrido naquele momento, em seus braços, se ele não tivesse sido rápido o bastante para arremessar a faca para longe.
Ele continuava dizendo a si mesmo de que não tinha medo dela. Que estava apenas segurando a faca distraidamente. Ele não havia se convencido.
— Eu estava lá fora. Você sabe que nós, humanos, não podemos enxergar muito bem. — Disse, sabendo que soava indiferente, sem arrependimento. — É como estar em volta de um algodão o tempo todo, Elena: não podemos enxergar, não podemos cheirar, não podemos ouvir. Meus reflexos são como os de uma tartaruga, e estou faminto.
— Então, porque você não experimenta meu sangue? — Elena perguntou, soando inesperadamente calma.
— Não posso. — Damon disse, tentando não olhar para o delicado colar de rubi que descia pela garganta fina e branca de Elena.
— Eu já me cortei. — Elena disse, e Damon pensou: cortou a si mesma? Sim, Deus, a garota era impagável. Como se ela tivesse tido um pequeno acidente de cozinha. — Assim, poderíamos saber o gosto que o sangue humano tem para você agora.
— Não.
— Você sabe que quer. Eu sei que você sabe. Mas não temos muito tempo. Meu sangue não vai se derramar para sempre. Oh, Damon... Depois de tudo... Na última semana...
Ele estava olhando para ela tempo demais, ele sabia. Não só por causa do sangue. Sua gloriosa beleza dourada, como se uma criança que emanava raios solares e lunares tivesse entrado em seu quarto e, inofencivamente, tinha-o banhado em luz.
Com um assobio, estreitando os olhos, Damon segurou os braços de Elena. Ele esperava um recuo automático como quando a agarrou por trás. Mas não houve nenhum recuo. Em vez disso, era algo como um salto ansioso à chama naqueles olhos grandes e lindos. Os lábios de Elena se estreitaram involuntariamente.
Ele sabia que havia sido involuntário. Havia tido muitos anos para estudar o comportamento de garotas adolescentes. Ele sabia o que significava quando ela olhou primeiro para seus lábios antes de seguir para seus olhos.
Eu não posso beijá-la novamente. Não posso. O modo como ela o afetava, era uma fraqueza humana. Ela não percebia o que é ser tão jovem e tão impossivelmente bonita. Mas aprenderia; algum dia. Na verdade, eu poderia ensiná-la agora mesmo.
Como se ela pudesse ouvi-lo, Elena fechou seus olhos. Deixou sua cabeça cair para trás e, de repente, Damon se pegou meio que segurando seu corpo. Ela estava entregando todos os seus pensamentos, mostrando a ele que ainda confiava nele, que ainda...
... O amava.
O próprio Damon não sabia o que ia fazer quando se inclinou sobre ela. Estava faminto. A fome rasgava-o como garras de lobo. Ela fazia com que se sentisse confuso, tonto e fora do controle. Meio milênio deixou-o acreditando que a única coisa que lhe aliviaria a fome era a fonte carmesim de uma artéria cortada. Uma voz sombria que poderia ter vindo da própria Corte Infernal sussurrou que ele poderia fazer o que alguns vampiros faziam, rasgando uma garganta como um lobisomem. Carne fresca poderia aliviar a fome de um humano. O que ele poderia fazer, estando tão perto dos lábios de Elena, tão perto de sua garganta sangrenta?
Duas lágrimas saíram dos cílios negros e deslizaram um pouco por seu rosto antes de cair no cabelo dourado. Damon pegou-se experimentando uma antes que pudesse pensar.
Ainda uma donzela. Bem, isto era de se esperar; Stefan era fraco demais para dar conta do recado. Mas, por cima deste pensamento cínico veio uma imagem, e algumas palavras: um espírito tão puro quanto à neve.
Ele, de repente, conheceu uma fome diferente, uma sede diferente. O único lugar que aliviaria isto estava bem próximo. Desesperadamente, com urgência, ele procurou e encontrou os lábios de Elena. E então, se viu perder todo o controle. O que ele mais precisava estava ali; e Elena poderia tremer, mas não chegou a afastá-lo.
Assim, tão perto, ele foi banhado em uma aura tão dourada quanto o cabelo que estava tocando gentilmente nas pontas. Ele estava satisfeito consigo mesmo quando ela tremeu de prazer, e percebeu que podia sentir seus pensamentos. Ela era um projetor forte, e a telepatia dele fora o único Poder que restara. Ele não fazia ideia de como ainda o tinha, mas continuava lá. E neste momento, ele queria se sintonizar com Elena.
Porcaria! Ela não estava pensando em nada! Elena havia oferecido sua garganta, entregando-se totalmente, abandonando todos os pensamentos, menos aquele em que ela queria ajudá-lo, que os desejos dele eram os dela.
Ela está apaixonada por você, uma pequena parte dele que ainda podia pensar disse.
Ela nunca disse isso! Ela está apaixonada por Stefan! Agora visceral respondeu.
Ela não precisa dizer. Ela está demonstrando. Não finja ao dizer que você nunca percebeu isto antes!
Mas Stefan...!
Ela está pensando em Stefan agora? Ela abriu seus braços para a fome de lobo que há em você. Isso não é pouca coisa, como uma refeiçãozinha, ou um doador constante. Era a própria Elena.
Então, eu estive me aproveitando disto. Se ela está apaixonada, não tem como se proteger. Ela é só uma criança. Tenho que fazer alguma coisa.
Os beijos chegaram a certo ponto que até mesmo a pequena voz da razão estava desaparecendo. Elena tinha perdido a capacidade de ficar em pé. Ele teria que colocá-la em algum lugar, ou dar a ela a chance de voltar ao normal.
Elena! Elena! Mas que droga, eu sei que você pode me ouvir. Responda!
Damon? fracamente. Oh, Damon, agora você entende?
Perfeitamente bem, minha princesa. Eu Influenciei você, eu devia saber.
Você...? Não, você está mentindo!
Porque eu mentiria? Por algum motivo, minha telepatia está forte como sempre. Ainda consigo o que quero. Mas você deveria pensar por um minuto, donzela. Sou humano e neste momento estou faminto. Mas não por essa porcaria de hambúrguer sangrento que você me trouxe.
Elena soltou-se dele. Damon, deixe-a ir.
— Acho que você está mentindo. — Ela disse, encontrando diretamente seus olhos, sua boca inchada por causa do beijo.
Damon trancou aquela visão dela dentro da pedra cheia de segredos que ele carregava consigo. Ele deu seu melhor olhar vazio.
— Porque eu mentiria? — Repetiu. — Só achei que você merecia a chance de fazer a sua escolha. Ou você já decidiu abandonar meu maninho. Enquanto ele está fora de campo?
A mão de Elena ergueu-se, mas logo ela a deixou cair.
— Você usou Influência sobre mim. — Disse ela amargamente. — Esta aqui não sou eu. Eu nunca abandonaria Stefan... Principalmente quando ele precisa de mim.
Aí esta, o fogo de essência em seu núcleo, e a verdade de fogo dourada. Agora, ele poderia sentar e deixar a amargura lhe corroer, enquanto este espírito puro seguia com sua consciência.
Ele estava pensando nisso, já sentindo a perda de sua luz reluzente recuando quando percebeu que já não mais segurava a faca. Um instante depois, o medo tomou conta de sua mão, ele tirou a faca da garganta dela. Sua explosão telepática foi inteiramente reflexiva:
O que diabos você está fazendo? Matar-se só por causa do que eu disse? Essa lâmina é igual uma navalha!
Elena vacilou.
— Estava fazendo só um corte...
— Você quase fez um corte que jorrasse a um metro de distância. — Pelo menos, ele foi capaz de falar novamente, apesar do aperto em sua garganta.
— Eu disse que sabia que você sabia que você teria que experimentar sangue antes de comer. Parece que está jorrando de novo de meu pescoço. Desta vez, não vamos desperdiçar.
Ela simplesmente dizia a verdade. Pelo menos, não havia se ferido letalmente. Ele podia ver que o sangue fresco fluía do novo corte que, imprudentemente, ela fez. Desperdiçar seria idiotice.
Agora, totalmente desapaixonado, Damon pegou seus ombros novamente. Inclinou seu queixo para olhar a garganta, macia e arredondada. Vários novos cortes de rubi estavam fluindo livremente.
Meio milênio de instinto dizia a Damon que aquele era o néctar e a ambrosia. Só lá havia sustância, repouso e euforia. Só aqui, onde seus lábios estavam enquanto ele inclinava-se sobre ela uma segunda vez... E ele teria apenas que experimentar — que beber...
Damon recuou, tentando forçar-se a engolir, determinado a não cuspir. Não era... Não era totalmente revoltante. Ele entendia como os humanos, com seus sentidos desgraçados, podiam fazer uso das variedades de sangue dos animais. Mas essa coisa coagulante, com gosto de minério, não era sangue ... Não tinha nenhum buquê perfumado, riqueza inebriante, o doce aveludado e provocador que dá vida, atributos indispensáveis de sangue.
Parecia uma piada de mau gosto. Ele foi tentado a morder Elena, apenas roçando um canino numa carótica comum, para que pudesse experimentar a pequena explosão em seu paladar, para comparar, para ter certeza que aquela realidade não estava dentro dele, em algum lugar. Na verdade, ele foi mais que tentado; ele que fez isto acontecer. Mas nenhum sangue estava saindo.
Sua mente parou no meio de um pensamento. Ele havia feito um arranhão bem... Superficial. Ainda não havia quebrado a camada externa da pele de Elena.
Dente cego.
Damon pegou-se pressionando um canino contra sua língua, desejando entender, dispondo toda sua alma frustrada em afiá- lo.
E... Nada. Nada. Mas ele havia passado o dia inteiro fazendo a mesma coisa. Lastimosamente, deixou com que a cabeça de Elena voltasse ao seu lugar.
— Só isso? — Ela disse com voz trêmula.
Ela estava se esforçando para ser bravo com ele! Pobre alma condenada com seu amante demoníaco.
— Damon, você pode tentar de novo. — Ela lhe disse. — Pode morder mais forte.
— Isso não é bom. — Ele retrucou. — Você é inútil.
Elena quase escorregou para o chão. Ele a manteve de pé, enquanto rosnava em seu ouvido:
— Você sabe o que eu quis dizer. Ou você prefere ser meu jantar, ao invés de ser minha princesa?
Elena simplesmente balançou a cabeça em silêncio. Ela descansou em seu braço, sua cabeça contra seu ombro. Não era de se admirar que ela precisasse descansar depois de tudo o que ele a fez passar. Mas, por enquanto, ela encontrou em seus ombros um conforto... Bem, isso ia além dele.
Sage! Damon enviou furioso pensamento acima de todas as frequências que ele podia acessar; como ele havia feito o dia inteiro. Se ao menos pudesse encontrar Sage, todos seus problemas seriam resolvidos. Sage, ele exigiu, cadê você?
Sem resposta. Tudo que Damon sabia era que Sage havia operado o Portal da Dimensão das Trevas que agora estava parado, sem poderes e inútil no jardim da Sra. Flowers. Deixando Damon aqui. Sage sempre fora rápido quando decolava.
E por que ele havia decolado?
Uma Convocação Imperial? Às vezes, Sage as recebia. Dos Anjos Caídos, que viviam na Corte Infernal, aos confins da Dimensão das Trevas. E quando as recebia, ele era esperado naquela dimensão, saindo no meio de alguma palavra, no meio de alguma carícia, no meio de... Qualquer coisa. Por enquanto, Sage sempre havia comprido seu prazo, Damon sabia disto. Sabia, porque Sage ainda estava vivo.
Na tarde da catastrófica investigação do buquê de Damon, Sage havia deixado uma nota em cima da lareira, agradecendo à gentil Sra. Flowers por sua hospitalidade, deixando seu cachorro gigantesco, Sabber, e seu falcão, Talon, para protegerem a casa. Sem dúvida a nota havia sido pré-preparada. Ele havia ido embora como sempre fazia, tão imprevisível quanto o vento, e sem dizer adeus. Sem dúvida, pensava que Damon o encontraria para resolver o problema facilmente. Havia muitos vampiros em Fell's Church. Sempre houve. As linhas de Poder no solo os chamavam, mesmo nos tempos normais.
O problema era que, agora, todos esses vampiros estavam infestados com malach — parasitas controlados pelos malignos espíritos-raposa. Eles não poderiam estar mais abaixo na hierarquia dos vampiros.
E é claro que Stefan estava fora de questão. Mesmo se ele não estivesse fraco demais para transformar Damon em um vampiro, podendo matá-lo; mesmo que sua ira por Damon ter "roubado sua humanidade" pudesse ser amenizada, ele simplesmente nunca concordaria, pois sentia que o vampirismo era uma maldição.
Os humanos não sabiam da hierarquia dos vampiros porque isso não era de suas contas, até que de repente, sabiam, pois tinham transformados a si mesmos em vampiros. A hierarquia dos vampiros era rigorosa, desde o inútil até o aristocrata. Os Antigos se encaixavam nesta categoria, assim como outros que foram particularmente ilustres ou poderosos.
O que Damon queria era se transformar em um vampiro a partir de uma mulher que Sage conhecia, e ele estava determinado a fazer Sage encontrar uma vampira de qualidade para ele, uma que valesse a pena.
Outras duas coisas atormentavam Damon, que gastou dois dias inteiros sem dormir pensando nisto. Seria possível que o kitsune branco, que havia dado a Stefan o buquê, havia engenhado uma rosa que tornasse a primeira pessoa que a cheirasse em um humano permanentemente? Este teria sido o maior sonho de Stefan.
A raposa branca havia ouvido dia após dia as divagações de Stefan, não tinha? Tinha visto Elena chorando sobre Stefan. Havia visto os dois pombinhos juntos, Elena alimentando um Stefan quase morto com sua mão através de arame farpado. Só Deus sabia que ideias haviam passado pela cabeça branca e peluda da raposa quando ele preparou a rosa que "curou" Damon de sua "maldição". Se isso se tornasse em uma "cura" irreversível...
Se Sage se tornasse inalcançável...
De repente, veio à mente de Damon que Elena estava fria. Isso era estranho, pois a noite estava quente, mas ela estava tremendo violentamente. Precisava de sua jaqueta ou...
Ela não está com frio, à pequena voz em algum lugar dentro dele disse. E não está tremendo. Ela está agitada por causa de tudo que você pôs em sua mente.
Elena?
Você se esqueceu completamente de mim. Você estava me segurando, mas esqueceu-se completamente de minha existência...
Somente por... Pensou amargamente. Você está marcada em minha alma.
Damon, subitamente, ficou furioso. Mas era diferente do ódio pelo kitsune, por Sage e pelo mundo. Era o tipo de raiva que fazia sua garganta fechar e fazia com que seu peito parecesse muito apertado.
Era uma raiva que o fez pegar a mão queimada de Elena, rapidamente aparecendo manchas vermelhas, e as examinou. Sabia o que teria feito se ainda fosse um vampiro: acariciaria as queimaduras com a língua de seda fria, gerando produtos químicos para acelerar a cura. E agora... Não havia nada que ele pudesse fazer a respeito.
— Não dói. — Elena disse.
Agora, ela era capaz de ficar em pé por si só.
— Você está mentindo, princesa. — Ele disse. — Suas sobrancelhas estão erguidas. Isso é dor. E seu pulso está acelerado...
— Você pode sentir isso sem me tocar?
— Eu posso ver, através de suas têmporas. Vampiros ...
Com ênfase, para mostrar que ainda era um, na essência.
—... Notam coisas como essas. Eu fiz você se machucar. E não posso fazer nada para ajudar. Também — encolheu os ombros — você é uma bela mentirosa. Refiro-me à Esfera Estelar.
— Você sempre pode sentir quando estou mentindo?
— Anjo, — Ele disse cansado — é fácil. Você é a sortuda que guardou a Esfera Estelar hoje... Ou sabe quem é.
De novo, a cabeça de Elena despencou de pavor.
— Ou então, — Damon disse ligeiramente — toda essa história de papelzinho com X é uma mentira.
— Pense o que quiser. — Elena disse, com um pouco de seu fogo de sempre. — E você pode arrumar essa bagunça, também.
Quando ela se virou para ir embora, Damon revelou:
— A Sra. Flowers! — Ele exclamou.
— Errado. — Elena estalou.
Elena, eu não me referia à Esfera Estelar. Dou a você minha palavra. Você sabe como é difícil mentir telepaticamente...
Sim, eu sei disso, portanto, se há algo neste mundo que você... Praticaria...
Ela não conseguia terminar. Não podia dizer o discurso. Elena sabia o quanto a palavra valia para Damon.
Nunca te direi onde está! Ela enviou telepaticamente para Damon. E juro que a Sra. Flowers também não.
— Eu acredito em você, mas ainda vamos lá vê-la.
Ele pegou Elena facilmente e pisou em cima do copo e pires quebrados. Elena, automaticamente, pegou seu pescoço com as duas mãos para se equilibrar.
— Querido, o que você está fazendo? — Elena gritou, e então parou, com os olhos arregalados e dois de seus dedos queimados voaram para seus lábios.
Parada na porta, a menos de dois metros deles, estava à pequenina Bonnie McCullough, uma garrafa de vinho Black Magic, não alcoólico, mas misteriosamente emocionante, erguida em sua mão. Mas, como Elena observara. A expressão de Bonnie mudara por um instante. Tinha sido uma alegria triunfante. Mas agora era choque. Descrença que ela não conseguia conter. Elena sabia exatamente o que ela estava pensando. Toda casa havia dedicado-se a fazer com que Damon ficasse confortável, enquanto roubava o que pertencia por direito a Stefan: Elena. Além disso, ele tinha mentido sobre não ser mais um vampiro. E Elena não estava lutando com ele. Ela o estava chamando de "querido".
Bonnie largou a garrafa e foi embora, correndo.

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