25 de novembro de 2015

Capítulo 2

Elena saltou para fora do banco traseiro do Jaguar, e correu um para longe do carro, virando para ver o que tinha caído em cima dele.
O que tinha caído, era Matt. Ele estava tentando se levantar.
— Ai, meu Deus! Matt! Você está bem? Está machucado? — Elena chorava ao mesmo tempo em que Matt falava com uma voz angustiada:
— Elena – Ai meu Deus! O Jag está bem? Ele está estragado?
— Matt, você enlouqueceu? Bateu a cabeça?
— Ele está arranhado? Será se o teto solar ainda funciona?
— Sem arranhões. E o teto solar está bem — Elena não tinha ideia se o teto solar ainda funcionava, mas percebeu que Matt estava delirando, ele estava fora de si. Estava tentando descer sem sujar o Jag de lama, mas acabou não adiantando nada, pois suas pernas e seus pés estavam cobertos de lama. Descer do carro sem usar os pés era difícil.
Enquanto isso, Elena estava olhando ao seu redor. Ela mesma tinha caído do céu uma vez, sim, mas estava morta a seis meses, e chegou nua, e Matt, não fez nenhuma coisa nem outra. Ela tinha em mente uma explicação mais plausível. E lá estava, encostado em uma árvore de madeira amarela olhando a cena, com um pequeno sorriso perverso no rosto.
Damon.
Ele era baixo. Não tão alto quanto Stefan, mas com uma indefinível aura de ameaça, que compensava em muito a sua altura. Estava impecavelmente vestido, como sempre: Jeans Armani, pretos, jaqueta de couro preto, botas pretas, tudo combinando com seu cabelo liso, voando com o vento, e com os seus olhos escuros.
Ele fez com que Elena tomasse consciência de que estava usando uma longa camisola branca, que tinha trago como propósito de trocar as roupas íntimas, caso fosse necessário quando estivessem acampando. E o problema era que, ela sempre fazia isso de madrugada, e hoje ela tinha se distraído escrevendo em seu diário. Enfim, uma camisola não era a roupa ideal para brigar com Damon, logo ao amanhecer. Não era transparente, parecendo mais flanela do que nylon, mas era rendada, especialmente em volta do pescoço. Um pescoço bonito – Damon disse para ela – era como um manto vermelho balançando na frente de um touro furioso.
Elena cruzou os braços sobre o peito. Se certificou também de segurar o poder de sua aura.
— Você parece a Wendy — disse Damon, com um sorriso maléfico, piscando, realmente apreciando. Ele inclinou a cabeça, persuasivamente.
Elena se recusou a ser persuadida.
— Que Wendy?  ela disse, no momento que se lembrava da garota em Peter Pan, e tremeu por dentro. Elena sempre foi um bom exemplo desse tipo. O problema era que Damon, era melhor.
— Por que, Wendy... querida — Damon disse, sua voz uma carícia.
Elena sentiu um arrepio interno. Damon havia prometido não Influenciá-la – de não usar poderes telepáticos para manipular a sua mente. Mas às vezes, Elena se sentia, como se ele tivesse quase ultrapassado essa promessa. Sim, Damon definitivamente é o culpado, pensou Elena. Bem, ela não tinha nenhum afeto por ele - a não ser o de irmã. Mas Damon, nunca desistiu, não importa quantas vezes Elena o rejeitou.
Atrás de Elena um baque de esborrachar pisando que sem dúvida significava Matt tinha finalmente descido do teto do Jaguar. Ele pulou para o meio da briga imediatamente.
— Não chame Elena de querida! — gritou, virando-se para Elena,  Wendy provavelmente era o nome de sua ultima namorada, E... e... e você sabe o que ele fez? Como me acordou essa manhã? — Matt tremia de indignação.
— Ele o jogou em cima do carro?  Elena arriscou. Falou por sobre o ombro de Matt, pois a brisa fraca da manhã ameaçava levantar a camisola de seu corpo. Ela não queria Damon atrás dela, justo agora.
— Não! Quero dizer, sim! Sim e não! Mas quando fez isso, ele sequer se preocupou em usar as mãos dele! Ele só fez assim — Matt balançou seu braço — e daí eu primeiro, caí em um buraco de lama, e depois a única coisa que em lembro é eu ter caído sobre o Jag! Ele poderia ter quebrado o teto solar, ou me quebrado! E agora estou todo sujo de lama — Matt acrescentou, se examinando com nojo, como se apenas com ele isso tivesse acontecido.
Damon falou:
— E o que me levou a tirar você do chão e te descer de novo? O que você realmente estava fazendo quando eu coloquei uma certa distância entre nós?
Matt passou a mão em seus cabelos loiros. Seus olhos azuis, normalmente calmos, estavam em chamas.
— Eu estava segurando um pedaço de madeira — ele disse, em um tom ameaçador.
— Um pedaço de madeira. Um pedaço de madeira, do tipo, que você encontra na beira estrada? Esse tipo de pedaço de madeira?
— Sim, eu achei na beira da estrada! — disse ainda ameaçador.
— Mas em seguida algo estranho parece ter acontecido com isso — Em só agora Elena pode ver, Damon de repente fez uma estaca muito longa e forte, com uma extremidade que tinha sido reduzida a uma ponta extremamente afiada. Era definitivamente feita de madeira rígida: era obviamente carvalho.
Enquanto Damon examinava a sua estaca de todos os ângulos, com uma aguda perplexidade, Elena voltou-se para um bravejante Matt.
— Matt! — disse ela, reprovadoramente. Isso era definitivamente um ponto baixo na guerra fria entre os dois garotos.
— Eu apenas pensei— continuou Matt, teimosamente, — que isso poderia ser uma boa ideia. Já que estou dormindo ao ar livre, à noite, e outro vampiro podia aparecer...
Elena estava se voltando para Damon, quando Matt estourou de novo.
— Conte a ela, como é que você realmente me acordou! — disse ele, explodindo. E em seguida, sem dar a chance de Damon responder, disse: — Eu estava abrindo os olhos quando ele jogou isso em cima de mim! — Matt, em silêncio, passou algo a Elena, que segurou, e tornou a devolvê-lo. Parecia um toco de lápis raspado, que antes era de uma cor castanho-avermelhado.
— Ele jogou isso em mim e disse 'funcionou com dois' — disse Matt.  Ele tinha matado duas pessoas, e estava se gabando disso!
Elena, de repente não queria mais segurar o lápis.
— Damon! — ela disse em meio a um grito angustiado, quando tentou fazer algo fora da expressão dele de sem-expressão. — Damon, você não... realmente não...
— Elena, não peça a ele. A única coisa que temos que fazer...
— Se alguém me deixar dizer pelo menos uma palavra — disse Damon, aparentemente exasperado. — Eu poderia dizer, que antes mesmo que eu pudesse explicar sobre o lápis, alguém tentou meter uma estaca em mim, antes mesmo de eu sair do saco de dormir. E o que eu iria dizer em seguida, é que eles não eram pessoas. Eram vampiros, bandidos, musculosos e contratados, mas estavam possuídos por Malachs do Shinichi. E estavam na nossa trilha. Eles tinham se distanciado até Warren, no Kentucky, provavelmente fazendo perguntas sobre o carro. Então nós definitivamente teremos que nos livrar dele...
— Não! — gritou Matt, defensivamente.  O carro... o carro significa muito para Stefan e Elena ...
— Esse carro significa algo para você— Damon corrigiu.  E eu deveria dizer que tive que deixar a minha Ferrari em um riacho, para que pudéssemos levar você nesta expedição...
Elena ergueu a mão. Ela não queria ouvir mais nada. Tinha sentimentos pelo carro. Era grande, vermelho brilhante e chamativo, e vivo – e expressa o jeito que ela e Stefan estavam se sentindo no dia em que ele o comprou para ela, celebrando o início de sua nova vida juntos. Só de olhar para ele, fazia ela lembrar do dia, o peso do braço de Stefan em torno de seus ombros, e do jeito que ele olhou para ela – quando ela olhou para ele – seus olhos verdes brilhando com malícia e alegria de dar algo que ela realmente queria.
***
Para vergonha, e fúria de Elena, ela percebeu que estava tremendo um pouco, e que seus olhos tinham se enchido de lágrimas.
— Viu?  disse Matt olhando para Damon.  Agora você está fazendo-a chorar...
— Eu? Não fui eu que mencionei meu querido irmãozinho desaparecido — disse Damon.
— Para! Agora! Os dois! — Elena gritou tentando se recompor.  E eu não quero esse lápis, se você não se importa — ela acrescentou, cruzando os braços.
Quando Damon o pegou, Elena limpou suas mãos na camisola, sentindo a cabeça um pouco mais leve. Estremeceu, ao pensar nos vampiros no rastro deles.
Então de repente, havia um braço quente e forte em torno dela, e a voz de Damon ao lado dela, dizendo: — O que ela precisa é de ar fresco, e eu darei isso para ela...
Abruptamente, ela estava nos braços de Damon, e eles iam mais alto.
— Damon, será que, por favor, você poderia me pôr no chão?
— Agora, meu bem? É uma longa distância...
Ela continuou a protestar contra Damon, mas podia dizer que isso a fazia bem. E o ar fresco da manhã limpava um pouco a sua mente, embora, também a fazia estremecer um pouco.
Ela tentou parar de tremer, mas não conseguia. Damon olhou para ela, e para a sua surpresa, com olhar sério, começou a tirar o seu casaco. Elena disse rapidamente, — Não, não, apenas dirija... Voe... eu quero dizer... Posso suportar
— E prestar atenção, para não colidir com gaivotas — disse Damon, solenemente, mas com um leve sorriso no canto do rosto. Elena teve que virar seu rosto, por que ela corria um sério risco de cair na gargalhada.
— Então, quando aprendeu a pegar as pessoas e a jogá-las em cima de carros? — ela questionou.
— Ah, apenas recentemente. Isso é que nem voar: um desafio. E você sabe que eu amo desafios
Ele estava olhando-a com malícia nos seus olhos negros, com seus cílios longos e negros lindos demais para serem desperdiçados em um garoto. Elena se sentiu como luz, como se ela fosse um dente-de-leão, mas também um pouco tonta, quase como se estivesse bêbada.
Estava muito mais quente agora por que — ela percebeu – Damon tinha envolvido-a em sua aura, que estava quente. Não só na temperatura, tão pouco, quente, como uma apreciação inebriante, quase embriagada, quando ele a envolveu, os olhos dela, seu rosto, e seus cabelos flutuando como uma nuvem de ouro, sem peso ao seu redor. Elena não pôde se impedir de corar, e ela praticamente ouviu o seu pensamento, que o rubor lhe convinha muito bem, rosa contra a sua pele clara e pálida.
E assim como o rubor foi sua resposta física involuntária ao seu calor e apreciação, Elena sentiu no seu coração uma resposta involuntária de gratidão pelo o que ele tinha feito, de gratidão por sua apreciação, e da apreciação não intencional de Damon por si mesmo. Ele salvou a vida dela esta noite, se ela sabia algo sobre vampiros possuídos por Malachs do Shinichi, que eram vampiros bandidos, só para começar. Ela sequer podia imaginar o que essas criaturas iriam fazer para ela, e ela não queria imaginar. Só poderia ficar grata por Damon ter sido inteligente o bastante, e sim, cruel o bastante para cuidar deles, antes que eles a pegassem.
E teria que ser cega e simplesmente estúpida para não apreciar o fato de que Damon estava maravilhoso. Depois de ter morrido duas vezes, um fato que não a afetava como afetaria a maioria das outras garotas – mas ainda era fato que, Damon estava pensativo, ou dando um daqueles sorrisos genuínos, que parecia pertencer somente a Elena.
O problema era que Damon era um vampiro, e ele poderia ler a sua mente, ainda mais com eles estando tão próximos, e com suas áureas entrelaçadas. E Damon apreciava a apreciação de Elena, e isso se tornou em um pequeno ciclo de experimentações, tudo por conta própria. Antes que ela conseguisse se concentrar, estava derretendo, o corpo com uma sensação de peso maior, uma vez que se moldava aos braços de Damon.
O outro problema era que Damon não estava Influenciando-a; ele estava preso no ciclo de experimentações, do jeito que Elena estava – mais ainda, pois ele não encontrou barreiras contra isso. Elena tinha, mas elas foram se ofuscando, se dissolvendo. Ela não conseguia raciocinar direito. Damon a estava contemplando com um olhar maravilhado, que ela estava acostumada ver, mas não se lembrava aonde.
Elena tinha perdido o seu poder de analisar. Estava simplesmente dominada pelo calor, na honra de ser estimada, a ser realizada, amada e protegida com uma intensidade de sacudir até os ossos.
E quando Elena deu de si mesma, ela se deu completamente. Quase sem esforço consciente, virou a cabeça para trás para expor sua garganta, olhos fechados.
Damon gentilmente segurou sua cabeça de outra forma, segurando-a com uma mão, e a beijou.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

• Não dê SPOILER!
• Para comentar sem conta, escolha a opção Nome/URL. Escreva seu nome/apelido e deixe URL em branco

Os comentários estão demorando alguns dias para serem aprovados... a situação será normalizada assim que possível. Boa leitura!