15 de novembro de 2015

Capítulo 2

— E isso é tudo o que lembro — disse Bonnie quando ela e Meredith caminharam até a Rua Girassol entre as filas de altas casas vitorianas.
— Mas, era definitivamente Elena?
— Sim, e ela tentava me dizer algo. Mas essa é a parte que não estava clara, mas era importante, muito importante. O que você acha?
— Sanduíches de rato e tumbas abertas? — Meredith arqueou elegantemente uma sobrancelha. — Acho que está conseguindo misturar Stephen King com Lewis Carroll.
Bonnie achou que ela tinha razão. Mas o sonho ainda a incomodava; a incomodara o dia todo, o bastante para ocupar sua mente desde cedo. Agora, quando se aproximavam da casa de Caroline, as antigas lembranças voltavam com a vingança.
Eu realmente devia ter contado a Meredith sobre a festa, disse a si mesma, enquanto lançava um olhar à garota mais alta. Simplesmente não devia permitir que Meredith andasse por aí desprevenida...
Meredith procurava as janelas acesas da Rainha Anne House com um suspiro.
— Você realmente precisa desses brincos hoje à noite?
— Sim, preciso deles; sim, absolutamente — agora era tarde demais. Podia ter feito tão bem isso. — Você vai amar quando os vir — acrescentou enquanto escutava a nota de esperança e o desespero em sua própria voz.
Meredith fez uma pausa e seus olhos escuros perspicazes investigaram o rosto de Bonnie curiosamente. Então bateu na porta.
— Espero que Caroline não esteja em casa hoje esta noite. poderíamos terminar presas com ela. 
— Caroline em casa em um sábado à noite? Não seja ridícula — Bonnie estava prendendo sua respiração por muito tempo; estava começando a se sentir tonta. Seu riso tiritante saiu quebrado e falso. — Isso é impossível — continuou um pouco histérica quando Meredith observou:
— Acho que não tem ninguém em casa — e girou os calcanhares. 
Possuída por um leve impulso louco, Bonnie emendou:
— Tcharam... 
Com a mão na maçaneta da porta, Meredith se deteve e virou para olhá-la.
— Bonnie — murmurou — você inalouy ozônio? 
— Não — sem entusiasmo, Bonnie agarrou o braço de Meredith e buscou seus olhos urgentemente. A porta estava se abrindo. — Ah, Deus, Meredith, por favor não me mate...
— Surpresa! — gritaram três vozes.
— Sorria — Bonnie sussurrou, empurrando o corpo repentinamente resistente de sua amiga através da porta até a sala iluminada cheia de ruídos e chuva de confetes. Disse ferozmente com os dentes apertados: — Me mate depois, eu mereço, mas agora sorria.


Havia balões do tipo mais caro, Mylar, e uma montanha de presentes na frente da mesa de café. Inclusive um arranjo de flores, que Bonnie notara que parecia com as orquídeas do lenço de pescoço de Caroline. Era um Hermes de seda com o fundo de videiras e folhas.
“Aposto que ela tem uma dessas orquídeas em seu cabelo”, pensou Bonnie. 
Os olhos azuis de Sue Carson estavam um pouco ansiosos, e seu sorriso vacilante.
— Espero que você não tenha planos para esta noite, Meredith — disse.
— Nada que não possa quebrar com um pé de cabra — respondeu Meredith.
Mas ela sorriu e Bonnie relaxou. Sue tinha sido a Princesa do Regresso na corte de Elena, junto a Bonnie, Meredith e Caroline. Era a única garota na escola, além de Bonnie e Meredith, que apoiaram Elena quando todos os outros viraram as costas para ela. No enterro de Elena, dissera que Elena sempre seria a única rainha da Robert E. Lee, e cedera sua própria nomeação para Rainha da Neve em memória à Elena. Ninguém podia odiar Sue. “O pior já passou”, pensou Bonnie.
— Quero uma foto nossa no sofá — disse Caroline enquanto se posicionava atrás do arranjo de flores. — Vickie, tire sim? 
Vickie Bennett tinha estado de pé e em silêncio, sem ser notada.
— Ah, claro — respondeu, e nervosamente ajeitou o cabelo castanho longo e leve para afastá-lo de seus olhos quando pegou a câmera.
“Como se fosse uma amável servente”, pensou Bonnie, e então o flash a cegou.
Com a foto impressa, Sue e Caroline riram e falaram sobre a cortesia seca de Meredith. Bonnie notou algo mais. Era uma foto boa; Caroline parecia atordoada com seu cabelo castanho avermelhado e brilhante e o verde pálido das orquídeas diante dela. E Meredith, com um olhar resignado, irônico e obscuramente belo, e uma cabeça mais baixa que as outras estava ela, com seus cachos vermelhos bagunçados e uma expressão tímida no rosto. Mas a coisa estranha era a figura ao lado dela no sofá. Era Sue, claro que era Sue, mas por um momento o cabelo loiro e os olhos azuis pareceram pertencer a alguém mais. Olhando-a urgentemente, a ponto de dizer algo importante. Bonnie franziu o cenho para a fotografia enquanto pestanejava rapidamente. A imagem nadou na frente dela, e um calafrio inquietante percorreu suas costas.
Não, era apenas Sue na foto. Ela deveria estar ficando louca, ou por um minuto aceitou o desejo de Caroline de “Todas juntas outra vez”.
— Eu vou tirar agora — disse ela enquanto saltava de pé. — Sente-se, Vickie, se ajeite. Não, mais longe, longe... aí!
Todos os movimentos de Vickie eram rápidos e leves e nervosos.
Quando o flash se foi, ela se comportava como um animal assustado pronto para fugir. 
Caroline deu uma olhada na foto, se levantou e se dirigiu até a cozinha.
— Estamos fazendo um substituto de bolo — disse. — Estou fazendo minha própria versão de morte por chocolate. Venham, vocês tem que me ajudar a derreter o doce de chocolate.
Sue a seguiu, e depois de uma pausa incerta, Vickie também.
Os últimos rastros da expressão agradável de Meredith se evaporaram quando ela se virou para Bonnie.
— Devia ter me contado. 
— Eu sei — Bonnie abaixou sua cabeça docilmente por um minuto. Então sorriu abertamente. — Mas aí você não teria vindo e não estaríamos tendo a morte por chocolate.
— E isso faz com que tudo valha a pena? 
— Bem, ajuda — disse Bonnie, com um ar razoável. — E realmente não é ruim. Caroline está tentando ser agradável, e é bom para Vickie sair ao menos uma vez de casa...
— Não parece agradá-la nem ser bom para ela — Meredith respondeu bruscamente. — Parece que ela vai ter um ataque cardíaco.
— Bem, é provável que simplesmente esteja nervosa — na opinião de Bonnie, Vickie tinha razão para estar nervosa. Passara quase todo o outono anterior catatônica, sem ser dona de sua vontade, já que sua mente era controlada por um poder que não entendia. Ninguém esperava que saísse do transe tão rápido.
Meredith tinha o olhar frio.
— Pelo menos — Bonnie acrescentou consoladoramente — não é seu aniversário real.
Meredith pegou a câmera e negou com a cabeça. Ainda com o olhar distante, olhou para suas mãos e disse:
— Mas é.
— O quê? — Bonnie a olhou fixamente e então perguntou, estremecida: — O que disse? 
— Disse que é meu aniversário de verdade. A mãe de Caroline deve ter dito a ela; ela e minha mãe são amigas há muito tempo. 
— Meredith, do que está falando? Seu aniversário foi na semana passada, 30 de maio.
— Não, não foi. É hoje, 6 de junho. É verdade; está na minha carteira de motorista e tudo. Meus pais começaram a comemorar uma semana antes porque 6 de junho também era perturbador para eles. Foi o dia em que meu avô foi atacado e ficou louco — como Bonnie abriu a boca, incapaz de falar, ela serenamente continuou. — Ele tentou matar minha avó, você sabe. Também tentou me matar — Meredith pôs a câmera cuidadosamente no centro exato da mesa de cadê. — Devemos ir para a cozinha — disse quietamente. — Sinto cheiro de chocolate. 
Bonnie ainda estava paralisada, mas sua mente estava começando a trabalhar de novo. Vagamente, lembrou que Meredith falara sobre isso antes, mas não havia lhe contado toda a verdade antes. E não tinha dito quando tudo acontecera.
— Atacar, quer dizer como Vickie foi atacada — Bonnie conseguiu dizer. Não podia dizer sobre o mundo dos vampiros, mas soube que Meredith a havia entendido.
— Como atacaram Vickie — confirmou Meredith. — Venha — continuou mais baixo. — Elas estão esperando por nós. Não quis perturbar você.
“Meredith não quer que eu fique perturbada, então não vou ficar”, pensou Bonnie, o doce de chocolate quente sendo jogado em cima do bolo de chocolate e sorvete de chocolate. “Mesmo tendo sido amigas desde pequenas ela nunca me contou esse segredo antes.”
Por um momento, sua pele se esfriou e as palavras flutuaram para fora dos cantos escuros de sua mente. Ninguém é o que parece. Tinha sido advertida no ano passado pela voz de Honoria Fell que falava através dela, e a profecia acabara se tornando horrivelmente real. E se ainda não tivesse acabado?
Então Bonnie agitou sua cabeça de forma determinada. Não podia pensar naquilo agora; tinha que pensar na festa. “Eu me assegurarei de que será uma boa festa e que todas nós fiquemos bem de algum modo”, pensou.
Era estranho, mas não difícil. Meredith e Vickie não falavam muito no começo, mas Bonnie foi gentil com Vickie, e Meredith não pôde resistir ao monte de presentes brilhantemente embalados na mesa. Quando abriu o último, todas falavam e riam. O humor de trégua e tolerância continuou quando passaram para o quarto de Caroline para examinar as roupas, CDs e álbuns de fotografias. Perto da meia-noite, se deitaram nos sacos de dormir, e ainda conversavam. 
— O que está acontecendo com Alaric esses dias? — Sue perguntou a Meredith.
Alaric Saltzman era namorado de Meredith. Era um estudante graduado da Universidade Duke que se especializou na parapsicologia e fora trazido a Fell’s Church no ano anterior quando os ataques de vampiro começaram. Mesmo tendo iniciado como inimigo, terminou como um aliado e amigo.
— Ele está na Rússia — disse Meredith. — A Perestroica, sabe? Está lá investigando o que estavam acontecendo com os psíquicos durante a Guerra Fria.
— O que você vai falar para ele quando ele voltar? — perguntou Caroline.
Era uma pergunta que Bonnie teria gostado de fazer a Meredith. Porque Alaric tinha quase quatro anos a mais, Meredith lhe dissera que esperariam até depois da graduação para falar sobre o futuro. Mas agora Meredith fazia dezoito anos, lembrou-se Bonnie, e a graduação seria em duas semanas. O que aconteceria depois disso?
— Eu não decidi — disse Meredith. — Alaric quer que eu vá para Duke e eu fui aceita lá, mas não estou certa. Tenho que pensar.
Bonnie estava feliz. Queria que Meredith fosse para a Universidade Boone Junior com ela, e não que fosse se casar ou mesmo se comprometer. Era bobo decidir isso sendo tão jovem. A própria Bonnie estava contente nesse campo de conhecimento com um garoto ou outro. Conseguiu relacionamentos sem dificuldades e os superou facilmente.
— Até agora nunca vi um que permanecesse fiel — disse ela agora.
Todas a olharam rapidamente. O queixo de Sue descansava em seus pulsos quando perguntou:
— Nem mesmo Stefan? 
Bonnie deveria saber. Com a única luz da lâmpada ao lado da cama e o único ruído era o sussurro das novas folhas nos salgueiros chorões do lado de fora, era inevitável que a conversa não se voltasse a Stefan... e a Elena.
Stefan Salvatore e Elena Gilbert já eram um tipo de lenda na cidade, como Romeu e Julieta. Quando Stefan viera para Fell’s Church, cada garota o queria. E Elena, a garota mais bonita, mais popular, mais inacessível da escola, o queria também. Só depois que o tinha conseguido, compreendeu o perigo. Stefan não era o que parecia, ele tinha um segredo mais sombrio do que se podia supor. E tinha um irmão, Damon, ainda mais misterioso e perigoso que ele. Elena se envolvera com os dois irmãos – enquanto amava Stefan, sentia-se irresistivelmente atraída pela rusticidade de Damon. No fim morreu para salvá-los, e para redimir seu amor.
— Talvez Stefan... se você for Elena — murmurou Bonnie enquanto reforçava seu argumento.
A atmosfera tinha mudado. Foi silenciosa no momento, um pouco triste, simplesmente correto para confidências tarde da noite.
— Ainda não posso acreditar que ela se foi — disse Sue suavemente enquanto balançava a cabeça e fechava seus olhos. — Ela tinha mais vida que as outras pessoas.
— Sua chama era a mais luminosa — Meredith concordou enquanto olhava fixamente as formas no teto emitidas pela lâmpada cor-de-rosa e dourado. Sua voz era suave, mas intensa, e pareceu a Bonnie que essas palavras descreviam bem Elena, algo que ela jamais escutou.
— Houve tempos em que a odiei, mas nunca pude ignorá-la — disse Caroline, seus olhos verdes se estreitando ante à memória. — Não era alguém que se podia ignorar.
— Uma coisa que aprendi com a morte dela — Sue falou — é que pode acontecer com qualquer uma de nós. Não podemos perder tempo na vida porque nunca sabemos quanto tempo temos.
— Podia ser sessenta anos ou sessenta minutos — Vickie concordou em voz baixa. — Qualquer uma de nós podia ter morrido naquela noite.
Bonnie se remexeu, perturbada. Mas antes que pudesse dizer algo, Sue repetiu:
— Ainda não posso acreditar que ela realmente se foi. Às vezes sinto que está em algum lugar por perto. 
— Ah, também sinto isso — disse Bonnie, distraída. Uma imagem de Warm Springs lhe veio à mente, e por um momento parecia mais vívido que o quarto escuro de Caroline. — Ontem à noite sonhei com ela, e realmente tive a sensação de que era ela e que estava tentando me dizer algo. Ainda tenho essa sensação — falou para Meredith.
As outras a olharam fixamente e em silêncio. Há algum tempo, todas teriam rido se Bonnie falasse sobre algo sobrenatural, mas não agora. Seus poderes psíquicos eram indiscutíveis, imponentes, e um pouco assustadores. 
— É verdade? — perguntou Vickie.
— Você acha que ela estava tentando dizer algo? — indagou Sue.
— Não sei. No fim estava tentando manter contato comigo, mas era difícil, e não conseguiu. 
Houve outro silêncio. Por fim Sue disse vacilantemente, com a voz mais fraca:
— Acha... acha que pode vê-la? 
Era o que todas elas estavam se perguntando. Bonnie olhou para Meredith. Antes, Meredith ignorara o sonho, mas agora encontrou os olhos sérios de Bonnie.
— Não sei — Bonnie respondeupausadamente. — As visões do pesadelo continuaram rodopiando ao redor dela. Por segurança, não quero entrar em uma catalepsia e me abrir ao resto ou a qualquer coisa que possa estar aí fora.
— Essa é a única maneira de se comunicar com as pessoas mortas? O que acha sobre uma tábua Ouija ou algo assim? — perguntou Sue.
— Meus pais tem uma tábua Ouija — disse Caroline entusiasmada.
De repente se quebrou o silêncio e o humor discreto enquanto uma tensão indefinível encheu o ar. Todas se sentaram mais eretas e se olharam, especulando. Inclusive Vickie parecia intrigada em seu saco de dormir.
— Funcionaria? — Meredith perguntou a Bonnie.
— Deveríamos? — Sue refletiu em voz alta.
— Nos atreveríamos? É a pergunta certa — apontou Meredith.
Mais uma vez Bonnie viu que todas a olhavam. Duvidou um momento e, no fim, se encolheu de ombros. A excitação estava revirando seu estômago.
— Por que não? O que temos a perder? 
Caroline olhou para Vickie.
— Vickie, tem um armário no fundo das escadas. A tábua Ouija deve estar lá, em cima da estante com um tabuleiro de outros jogos. 
Ela nem sequer disse não.
— Por favor, pode pegá-lo? — Bonnie franziu o cenho e notou a voz oca, mas Vickie já estava porta a fora. — Você podia ser um pouco mais educada — disse a Caroline. — Isso dá a impressão de madrasta da Cinderela. 
— Ah, vamos, Bonnie — Caroline respondeu com impaciência. — Ela tem sorte de ter sido convidada. E você sabe.
— Pensei que ela simplesmente tivesse superado por nosso esplendor — disse Meredith secamente.
— E além do mais... — Bonnie começou quando foi interrompida.
O ruído era fraco e barulhento e diminuiu fracamente no final, mas não havia erro. Era um grito. Se seguiu o silêncio, e então subitamente o estrondo de gritos penetrantes.
Em um instante as garotas se puseram de pé e saíram do quarto. Então foram para o vestíbulo e desceram as escadas.
— Vickie! — com suas pernas longas, Meredith foi a primeira a alcançar o fundo.
Vickie estava de pé diante do armário com os braços estendidos como se protegesse seu rosto. Agarrou Meredith enquanto ainda continuava gritando.
— Vickie, o que aconteceu? — Caroline exigiu, parecendo mais chateada que assustada. As caixas estavam espalhadas pelo chão, marcadores de Monopoly e cartões de Trivials Pursuit espalhados por todos os lados.
— O que foi o grito?
— Me agarrou! Eu estava alcançando acima da estante e algo me agarrou pela cintura!
— Pelas costas?
— Não! Dentro do armário.
Sobressaltada, Bonnie olhou dentro do armário aberto. Os casacos invernais se mantinham em seu lugar, a capa impermeável e alguns casacos estavam no chão. Soltando-se suavemente de Vickie, Meredith pegou o guarda-chuvas e começou a mexer nos casacos.
— Ah, não faça isso... — disse Bonnie involuntariamente, mas o guarda-chuva só encontrou a resistência dos tecidos. Meredith o usou para empurrar os casacos para o lado e revelar a parede do armário.
— Viu? Não há ninguém aí — disse rapidamente. — O que há são essas mangas de casacos. Se você se aproximar demais, aposto que pode sentir como se alguém passasse os braços ao seu redor.
Vickie caminhou para frente fazendo balançar no ar uma manga de casaco da estante. Pôs o rosto entre suas mãos, e o cabelo de seda longo o cobriu. Por um horrível momento, Bonnie pensou que ela estivesse chorando, mas então ouviu risadinhas.
— Ah, Deus! Realmente pensei... ah, sou tão boba! Vou recolher isso tudo — Vickie falou.
— Depois — disse Meredith firmemente. — Vamos para a sala. 
Bonnie deu uma última olhada para o armário quando saíram.
Todas se reuniram ao redor da mesa do café com várias luzes apagadas, para dar efeito, e Bonnie pôs seus dedos levemente no pequeno ponteiro de plástico. Nunca tinha usado Ouija, mas sabia como fazer. O ponteiro se moveria apontando para as letras e expressando uma mensagem; se os espíritos quisessem falar, assim seria.
— Todas nós temos que estar tocando — disse ela, e então viu como as garotas obedeciam.
Os dedos de Meredith eram longos e finos, Sue tinha unhas finas e ovaladas. As unhas de Caroline estavam pintadas na cor cobre brilhante. A de Vickie estava roída.
— Agora fechamos nossos olhos e nos concentramos — Bonnie instruiu suavemente. Havia suspiros de antecipação e as garotas obedeciam; a atmosfera era a certa. — Pensem em Elena. A imaginem. Se ela estiver aí fora, nós queremos reproduzi-la aqui. 
A sala estava em silêncio. No fundo escuro, com os olhos fechados, Bonnie viu o ouro pálido dos cabelos e os olhos azuis lápis-lazúli.
— Vamos, Elena — sussurrou. — Fale comigo. 
O ponteiro começou a se mover.
Nenhuma delas podia estar movendo-o; todas aplicavam pressão de diferentes pontos. Mas o pequeno triângulo de plástico deslizava facilmente e com confiança. Bonnie manteve os olhos fechados até quando o ponteiro parou, e então olhou. O indicador apontava a palavra "sim".
Vickie soltou como um soluço suave.
Bonnie olhava para as outras. Caroline tinha olhos rápidos, verdes e respirava pausadamente. Sue era única entre elas que ainda tinha seus olhos totalmente fechados. Meredith parecia pálida.
Esperaram que ela soubesse o que fazer.
— Continuem com a concentração — Bonnie ordenou a elas. Se sentia irreal e um pouco tonta ao se dirigir diretamente ao vazio. Mas ela era a expert; tinha que fazer alguma coisa.
— É Elena? — perguntou. 
O indicador fez um leve circulo e voltou ao “sim”.
De repente o coração de Bonnie começou a bater rápido e ela teve medo de mexer os dedos. O plástico debaixo da ponta de seu dedo estava diferente, quase elétrico, como se alguma energia sobrenatural estivesse fluindo através dele. Já não se sentia tonta. As lágrimas vieram aos seus olhos e podia ver os olhos de Meredith que também estavam brilhando. Meredith acenou com a cabeça.
— Como podemos ter certeza? — perguntou Caroline, ruidosamente e suspeitosamente.
“Caroline não sente”, compreendeu Bonnie; “não se dá conta de nada que faço. Psiquicamente falando, ela não tem energia.”
O indicador estava se movendo de novo, para as letras agora, tão rapidamente que Meredith tinha tempo apenas para escrever a mensagem. Até mesmo a pontuação estava correta.

CAROLINE, NÃO SEJA TÃO IDIOTA, disse. VOCÊS TEM SORTE DE ESTAREM FALANDO COMIGO.

— Essa é Elena, tudo bem — Meredith disse secamente.
— Isso se parece com ela, mas... 
— Ah, silêncio, Caroline — disse Bonnie. — Elena, estou tão feliz... — sua garganta se fechou como com chave e tentou de novo. 

BONNIE NÃO HÁ TEMPO DE CHORAMINGOS E VAMOS LOGO AO QUE INTERESSA.

E isso também era Elena. Bonnie respirou e continuou.
— Tive um sonho com você esta noite.

CHÁ

— Sim — o coração de Bonnie estava fazendo o ruído mais surdo e rápido que em toda a sua vida. — Quis falar com você, mas as coisas ficaram estranhas e então nós perdemos o contato. 

BONNIE, NÃO ENTRE EM TRANSE, NÃO ENTRE EM TRANSE, NÃO ENTRE EM TRANSE.

— Tudo bem — isso respondeu sua pergunta, e ela a relevou para ouvir.

INFLUÊNCIAS CORRUPTORAS DISTORCEM NOSSA COMUNICAÇÃO HÁ COISAS RUINS MUITO RUINS VINDO POR AÍ

— Como o quê? — Bonnie se colocou mais próxima da tábua. — Como o quê?

NÃO HÁ TEMPO!

O ponteiro parecia querer acrescentar mais pontos de exclamação. Estava dando voltas violentas de letra a letra como se Elena mal pudesse conter sua impaciência.

ELES ESTÃO OCUPADOS ENTÃO POSSO FALAR AGORA MAS NÃO HÁ MUITO TEMPO ESCUTEM QUANDO NÓS PARARMOS VÃO PARA FORA DA CASA RÁPIDO VOCÊS ESTÃO CORRENDO PERIGO

— Perigo? — repetiu Vickie parecendo como se fosse saltar da cadeira e correr.

ESPEREM ESCUTEM PRIMEIRO A CIDADE TODA ESTÁ EM PERIGO

— O que fazemos? — Meredith perguntou no instante.

VOCÊS PRECISAM AJUDAR FORA DE SUA LIGA INACREDITAVELMENTE FORTE AGORA ESCUTEM E SIGAM AS INSTRUÇÕES VOCÊS TEM QUE FAZER UM FEITIÇO E O PRIMEIRO INGREDIENTE É C...

Aquecendo, a seta deu outras voltas nas letras e voaram ao redor da borda ferozmente. Apontou a figura estilizada da lua então para o sol então para Parkers Brothers, Inc.
— Elena.
O indicador mexeu atrás das letras.

OUTRO RATO OUTRO RATO OUTRO RATO

— O que está acontecendo? — Sue choramingou, olhando em volta agora.
Bonnie estava assustada. O indicador estava pulsando com a energia, uma energia escura e feia como se fervesse alcatrão negro em seus dedos. Mas ela também podia sentir o fio de prata tremeluzente que era a presença de Elena lutando.
— Não a deixem ir! — chorou desesperadamente. — Não a soltem!

RATOPODEMATARVOCE, a tábua divagou. SANGUE SANGUE SANGUE. E então... BONNIE FORA DAÍ CORRA CORRA CORRA CORRA CORRA.

O indicador deu voltas furiosas, formigando abaixo dos dedos de Bonnie e mais além de seu alcance. A tábua voou pelo ar como se alguém a tivesse atirado. Vickie gritou. Meredith já estava de pé. 
E então todas as luzes se apagaram enquanto a casa era mergulhada na escuridão.

13 comentários:

  1. Só eu que estou lendo isso ou todo mundo aqui já assistiu a série e não se importa com o livro?

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    1. A maioria se importa só com a série mesmo heuaheaue e tem aqueles que leram e não gostaram dos livros por causa das diferenças...

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  2. Eu amo o livro a série é ridícula não gostei dos atores e mudaram muita coisa quem lê primeiro o llivro como eu odeia a série

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  3. o livro está espetacular . . . . não preciso ver a série porque com certeza não vai ser a mesma emoção

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  4. Só eu que estou odiando o livro agora? Ninguém tá entendendo? A elena morreu! Como o principal da historia pode morrer?

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  5. to revoltada elena e istefan.......kkk nen tiveran uma noite romatica

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  6. Eu amo a serie e o livro,os dois sao interessantes pra mim,diferentes mas os dois sao muito bons

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  7. Pessoal não estou entendendo mas nada,Elena não tinha virado vampira? E pq agora tá se comunicando como espírito?

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    1. Hum, este é o quarto livro de Diários do Vampiro, vc sabe, né, Juliana? Elena morreu :x

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  8. Amo os livros, e amo a série, amo os dois... diferentes mas bons, gosto da série e sou apaixonado pela personalidade deles nos livros, gosto da Elena menos indefesa e mais controladora... é legal ver a diferença de tudo.

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  9. A Elena não podia ter morrido.
    E agora como fica o stefan e o Damon???
    Karina posso te perguntar uma coisa.
    Vala apena continuar lendo???

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    1. Hey leia sim... Na próxima série fica tudo mais foda. :X

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