10 de novembro de 2015

Capítulo 2

Um crepúsculo sobrenatural suspendia-se por sobre o cemitério abandonado. Neve embaçava os olhos de Elena, e o vento dessensibilizava seu corpo como se ela tivesse entrado numa correnteza de água gelada. No entanto, teimosamente, não retornou para o cemitério novo e para a estrada além dele. Considerando o melhor que pôde, a Ponte Wickery estava logo à sua frente. Ela se dirigiu para lá.
A polícia achou o carro abandonado de Stefan na Estrada Old Creek. Isto significava que ele o havia deixado em algum lugar entre o Riacho Drowning e a floresta. Elena tropeçou no caminho que seguia através do cemitério, mas continuou se movendo, a cabeça baixa, os braços apertando seu suéter fino sobre si. Conhecia este cemitério por toda a sua vida, e poderia achar seu caminho através dele mesmo cega.
No momento em que cruzou a ponte, seus tremores tinham tornado-se dolorosos. Não estava nevando tão forte agora, mas o vento estava ainda pior. Ele cortava através de suas roupas como se elas fossem de papel, e dificultava sua respiração.
Stefan, ela pensou, e virou-se para a Estrada Old Creek, marchando para o norte. Não acreditava no que Damon tinha dito. Se Stefan estivesse morto, ela saberia. Ele estava vivo, em algum lugar, e ela tinha que achá-lo. Ele poderia estar em qualquer lugar fora desta claridade rodopiada; poderia estar ferido, congelando. Vagamente, Elena sentiu que já não estava sendo racional. Todos os seus pensamentos tinham se restringido em apenas uma ideia. Stefan. Encontrar Stefan.
Estava se tornando mais difícil continuar pela estrada. À sua direita estavam os carvalhos, à esquerda, as águas rápidas do Riacho Drowning. Ela vacilou e desacelerou. O vento não parecia mais tão forte, mas ela se sentia muito cansada. Precisava se sentar e descansar, por apenas um minuto.
Enquanto desfalecia ao lado da estrada, de repente percebeu o quanto tinha sido boba saindo para procurar Stefan. Stefan viria a ela. Tudo o que precisava fazer era sentar e esperar. Ele provavelmente estava vindo agora mesmo.
Elena fechou os olhos e inclinou sua cabeça contra os joelhos esticados. Sentia-se muito mais aquecida agora. Sua mente deixava-se levar e ela viu Stefan, o viu sorrindo para ela. Os braços dele em volta dela eram fortes e seguros, e ela relaxou contra ele, feliz por deixar o medo e a tensão. Estava em casa. Estava aonde pertencia. Stefan não deixaria nada machucá-la.
Mas então, em vez de abraçá-la, Stefan estava sacudindo-a. Ele estava arruinando a bela tranquilidade de seu descanso. Viu o seu rosto, pálido e urgente, seus olhos verdes escurecidos com o sofrimento. Ela tentou falar para acalmá-lo, mas ele não a ouvia. Elena, levante-se, ele dizia, e ela sentiu a força naqueles olhos verdes querendo que ela fizesse isto. Elena, levante-se agora...
— Elena, levante-se!  a voz estava alta, fina e amedrontada. — Vamos lá, Elena! Levante-se! Nós não podemos carregar você!
Piscando, um rosto entrou em foco na visão de Elena. Era pequeno e tinha formato de coração, com uma pele bela e quase translúcida, constituída por massas de cachos macios e vermelhos. Grandes olhos castanhos, com flocos de neve nos cílios, olhavam preocupados para ela.
— Bonnie — ela falou lentamente. — O que você está fazendo aqui?
— Me ajudando a procurar por você  falou uma segunda e mais baixa voz do outro lado de Elena. Ela se virou ligeiramente para ver elegantes sobrancelhas arqueadas e pele azeitonada. Os olhos escuros de Meredith, normalmente tão irônicos, estavam aflitos agora, também. — Levante-se, Elena, a menos que você queira se tornar uma princesa do gelo de verdade.
Havia neve por cima dela toda, como um casaco de pele branco. Duramente, Elena ficou em pé, apoiando-se fortemente nas duas outras garotas. Elas a carregaram até o carro de Meredith.
Deveria estar mais quente dentro do carro, mas as terminações nervosas de Elena estavam voltando à vida, fazendo-a tremer, dizendo para ela o quanto estava fria. O inverno é uma estação rancorosa, pensou enquanto Meredith dirigia.
— O que está acontecendo, Elena?  disse Bonnie do banco de trás. — O que você pensava que estava fazendo, fugindo da escola desse jeito? E como você pode vir aqui? 
Elena hesitou, então sacudiu sua cabeça. Não queria mais nada além de contar tudo para Bonnie e Meredith. Contar a elas toda a terrível história sobre Stefan e Damon e o que realmente tinha acontecido na noite passada com o Sr. Tanner... e sobre depois. Mas não podia.
Mesmo que elas acreditassem, não era um segredo dela para contar.
— Todo mundo saiu para procurar você — Meredith falou. — A escola toda estava transtornada, e sua tia estava quase frenética.
— Desculpe — falou Elena de forma apática, tentando parar sua tremedeira violenta.
Elas viraram na Rua Maple e pararam na casa dela.
Tia Judith estava esperando lá dentro com um cobertor quente.
— Eu sabia que se elas te encontrassem, você estaria quase congelada  ela disse numa voz alegre e determinada enquanto alcançava Elena. — Neve no dia depois do Dia das Bruxas! Eu mal posso acreditar. Onde vocês, garotas, encontraram-na?
— Na Estrada Old Creek, depois da ponte — disse Meredith. 
O rosto fino de tia Judith perdeu cor.
— Perto do cemitério? Onde os ataques aconteceram? Elena, como você pôde...?  a voz dela se arrastava para fora enquanto ela olhava para Elena. — Nós não vamos falar mais nada sobre isso agora — ela disse, tentando readquirir sua maneira alegre. — Vamos tirar essas roupas molhadas.
— Tenho que voltar assim que estiver seca — disse Elena.
Seu cérebro estava funcionando de novo, e uma coisa estava clara: não tinha visto realmente Stefan lá fora; fora um sonho. Stefan ainda estava perdido.
— Você não tem que fazer nada do tipo — ressaltou Robert, o noivo de tia Judith. Elena praticamente não o tinha notado parado em um dos lados até então. Mas seu tom não tolerava nenhum argumento. — A polícia está procurando por Stefan; deixe que eles façam o seu trabalho.
— A polícia acha que ele matou o Sr. Tanner. Mas ele não matou. Vocês sabem disso, não sabem? — enquanto tia Judith retirava sua encharcada blusa fina, Elena olhou de um rosto para o outro buscando por ajuda, mas todos estavam iguais. — Vocês sabem que ele não fez isso — ela repetiu, quase desesperadamente.
Houve um silêncio.
— Elena — Meredith falou por fim — ninguém quer pensar que ele fez. Mas... Bem, isso parece ruim, ele fugindo dessa forma. 
— Ele não fugiu. Não mesmo! Ele não...
— Elena, acalme-se — falou tia Judith. — Não fique tão agitada. Acho que você deve estar ficando doente. Estava tão frio lá fora, e você teve apenas poucas horas de sono na noite passada... — Ela colocou uma mão na bochecha de Elena. 
De repente tudo era demais para Elena. Ninguém acreditava nela, nem suas amigas e sua família. Neste momento, se sentiu rodeada de inimigos.
— Não estou doente — ela respondeu, afastando-se. — E não estou louca também... o que quer que vocês pensem. Stefan não fugiu e não matou o Sr. Tanner, e não me importo se nenhum de vocês acredita em mim... — ela parou, engasgando.
Tia Judith estava preocupada em volta dela, apresando-a escada acima, e ela deixou-se ser levada. Mas não foi para cama quando tia Judith sugeriu que deveria estar cansada. Em vez disso, uma vez que tinha tomado banho, sentou-se no sofá da sala de estar perto da lareira, com cobertores amontoados em volta de si. O telefone tocou a tarde toda, e ela ouviu tia Judith falando com amigos, vizinhos, a escola. Afirmou para todos que Elena estava bem. A... a tragédia da noite passada a havia inquietado um pouco, era tudo, e ela parecia um pouco febril. Mas ficaria boa como nova depois de um descanso.
Meredith e Bonnie sentaram do lado dela.
— Você quer conversar? — Meredith falou numa voz baixa.
Ela balançou a cabeça, olhando para o fogo. Estavam todos contra ela. E tia Judith estava errada, ela não estava bem. Não estaria bem até que Stefan fosse encontrado.
Matt passou por lá, neve cobrindo seu cabelo louro e sua parca azul escura. Enquanto entrava no cômodo, Elena olhou para ele, esperançosa. No dia anterior Matt tinha ajudado a salvar Stefan, quando o resto da escola queria linchá-lo. Mas hoje retornou seu olhar esperançoso com sério pesar, e a preocupação nos seus olhos era apenas para ela.
O desapontamento era insuportável.
— O que você está fazendo aqui?  Elena demandou. — Mantendo sua promessa de “tomar conta de mim”?
Houve um tremular de mágoa em seus olhos. Mas a voz de Matt estava nivelada.
— É parte disto, talvez. Mas eu tentaria tomar conta de você de qualquer forma, não importa o que eu tenha prometido. Tenho estado preocupado com você. Ouça, Elena...
Ela não estava com humor para ouvir ninguém.
— Bom, eu estou bem, obrigada. Pergunte a qualquer um aqui. Então você poderá parar de se preocupar. Além disso, não sei porque você deveria manter uma promessa para um assassino.
Surpreendido, Matt olhou para Meredith e Bonnie. Então balançou a cabeça.
— Você não está sendo justa.
Elena não estava com humor para ser justa também.
— Eu te disse, você pode parar de se preocupar comigo, e com os meus problemas. Eu estou bem, obrigada.
A dispensa era óbvia. Matt se virou para a porta no mesmo momento em que tia Judith apareceu com sanduíches.
— Desculpe, eu tenho que ir — ele murmurou, apressando-se para a porta. Saiu sem olhar para trás.
Meredith, Bonnie, tia Judith e Robert tentaram conversar enquanto comiam uma refeição cedo perto da fogueira. Elena não podia comer e não falava. A única que não estava péssima era a irmã de Elena, Margaret. Com o otimismo de quatro anos, se aconchegara à Elena e oferecera alguns de seus doces do Dia das Bruxas.
Elena abraçou sua irmã fortemente, sua face imprensada no cabelo loiro claro de Margaret por um momento. Se Stefan pudesse ter ligado para ela ou enviado uma mensagem, já teria feito nesse momento. Nada no mundo o teria impedido, a menos que estivesse gravemente ferido, ou preso em algum lugar, ou...
Ela não se deixaria pensar sobre o último “ou”. Stefan estava vivo; tinha que estar. Damon era um mentiroso.
Mas Stefan estava com problemas, e ela tinha que achá-lo de algum jeito. Preocupou-se com isto durante a noite, tentando desesperadamente pensar num plano. Uma coisa estava clara; ela estava por sua própria conta. Não podia confiar em ninguém.
Ficou escuro. Elena moveu-se no sofá e forçou um bocejo.
— Estou cansada  ela murmurou. — Talvez eu esteja doente afinal. Acho que vou para a cama.
Meredith estava olhando para ela intensamente.
— Eu estava pensando, senhorita Gilbert — ela disse, virando-se para tia Judith, — que talvez Bonnie e eu devêssemos ficar. Para fazer companhia à Elena.
— Que ideia ótima  disse tia Judith, agradecida. — Contanto que seus pais não se importem, eu ficaria feliz em ter vocês aqui.
— É um longo caminho de volta à Herron. Acho que vou ficar também — Robert disse. — Posso ficar aqui no sofá.
Tia Judith protestou dizendo que havia muitos quartos de hóspedes no andar superior, mas Robert foi inflexível. O sofá estaria bom, ele disse.
Depois de olhar uma vez do sofá para o corredor onde a porta da frente estava claramente no seu campo de visão, Elena ficou impassível. Eles tinham planejado entre si, ou pelo menos estavam todos nisto agora. Estavam tendo certeza de que ela não sairia de casa.
Quando saiu do banheiro um pouco mais tarde, envolvida em seu quimono de seda vermelha, ela encontrou Meredith e Bonnie sentadas em sua cama.
— Bem, olá, Rosencrantz e Guildenstern — ela falou amargamente. 
Bonnie, que tinha estado depressiva, agora parecia alarmada. Olhou de relance para Meredith duvidosa.
— Ela sabe quem nós somos. Quer dizer que acha que nós somos espiãs de sua tia — Meredith interpretou. — Elena, você deveria perceber que não é isso. Não pode confiar na gente mesmo?
— Não sei. Posso?
— Sim, pois somos suas amigas — antes que Elena pudesse se mover, Meredith pulou da cama e fechou a porta. Então se virou para encarar Elena. — Agora, pelo menos uma vez na sua vida, me ouça, sua pequena idiota. É verdade que nós não sabemos o que pensar sobre Stefan. Mas, você não vê, é tudo sua culpa. Desde que ficaram juntos, você tem excluído a gente. Coisas têm acontecido que você não tem contado para nós. Ou pelo menos não tem contado toda a história. Mas apesar disso, apesar de tudo, nós ainda confiamos em você. Nós ainda nos preocupamos com você. Nós ainda estamos do seu lado, Elena, e queremos te ajudar. Se você não vê isso, então é uma idiota.
Lentamente, Elena olhou do escuro e intenso rosto de Meredith para o pálido de Bonnie. Bonnie inclinou a cabeça afirmativamente.
— É verdade — ela confirmou, piscando forte como se para conter as lágrimas. — Mesmo que não goste de nós, ainda gostamos de você.
Elena sentiu seus próprios olhos se enchendo de lágrimas e sua expressão severa cair. Então Bonnie estava fora da cama, e elas estavam todas abraçadas, e Elena descobriu que não podia deter as lágrimas que escorriam pelo seu rosto.
— Desculpem-me se não tenho falado com vocês — ela disse. — Eu sei que vocês não entendem, e não posso nem explicar porque não posso contar tudo. Apenas não posso. Mas tem uma coisa que posso contar a vocês — Elena recuou, enxugando suas bochechas, e olhou para elas seriamente. — Não importa o quanto as evidências contra Stefan pareçam ruins, ele não matou o Sr. Tanner. Sei que não, porque sei quem matou. E foi a mesma pessoa que atacou Vickie, e o velho embaixo da ponte. E...  ela parou e pensou por um momento — ... e, oh, Bonnie, acho que ele matou Yangtze, também.
— Yangtze? — Os olhos de Bonnie alargaram-se. — Mas por que ele mataria um cachorro?
— Não sei, mas ele estava lá naquela noite, na sua casa. E estava... bravo. Desculpe-me, Bonnie.
Bonnie sacudiu a cabeça confusamente.
— Por que você não conta para a polícia? — Meredith perguntou.
A risada de Elena foi ligeiramente histérica.
— Não posso. Não é algo que eles possam enfrentar. E isto é outra coisa que eu não posso explicar. Vocês disseram que ainda confiam em mim; bem, vocês terão apenas que confiar em mim sobre isto.
Bonnie e Meredith olharam uma para a outra, então para a colcha, onde os dedos nervosos de Elena puxavam os fios do bordado.
Finalmente, Meredith disse:
— Tudo bem. No que nós podemos ajudar?
— Não sei. Nada, a menos que...  Elena parou e olhou para Bonnie. — A menos que — disse, numa voz diferente  você possa me ajudar a achar Stefan.
Os olhos castanhos de Bonnie estavam genuinamente perplexos.
— Eu? Mas o que posso fazer?  Então, com o ofegar de Meredith, ela percebeu. — Oh. Oh.
— Você sabia onde eu estava no dia em que fui para o cemitério  falou Elena. — E você até previu que Stefan estava vindo para a escola.
— Pensei que não acreditasse em toda essa coisa psíquica — Bonnie falou fracamente.
— Aprendi uma coisa ou duas desde então. Em todo caso, estou disposta a acreditar em qualquer coisa se isto ajudar a encontrar Stefan. Se houver alguma chance realmente, isto irá ajudar.
Bonnie foi se curvando, como se tentasse fazer a sua já minúscula forma a menor possível.
— Elena, você não entende — ela disse, infeliz. — Não sou treinada; não é algo que eu possa controlar. E... e não é um jogo, não mais. Quanto mais você usa estes poderes, mais eles usam você. Eventualmente, eles podem acabar usando você toda hora, você querendo ou não. É perigoso.
Elena levantou-se e andou até a cômoda com espelho de madeira de cerejeira, olhando para ela sem realmente ver. Enfim, se virou.
— Você está certa, não é um jogo. E acredito em você sobre o quão perigoso isto pode ser. Mas não é um jogo para Stefan, também. Bonnie, acho que ele está lá fora, em algum lugar, terrivelmente ferido. E não há ninguém para ajudá-lo; ninguém nem ao menos procurando por ele, exceto seus inimigos. Ele pode estar morrendo agora mesmo. Ele... ele pode até estar...  Sua garganta fechou. Ela curvou a cabeça sobre a cômoda e fez a si mesma tomar um longo suspiro, tentando firmar-se. Quando olhou para cima, viu que Meredith estava olhando para Bonnie.
Bonnie endireitou seus ombros, postando-se o mais alto que podia. Seu queixo empinado e sua boca comprimida. E nos seus olhos normalmente castanhos, uma luz sinistra brilhou quando encontraram os de Elena.
— Nós precisamos de uma vela — foi tudo o que disse.


O fósforo raspou e jogou faíscas na escuridão, e então a chama da vela queimou forte e clara. Ela emprestou um brilho dourado à face pálida de Bonnie enquanto se curvava sobre a vela.
— Precisarei que ambas me ajudem a focar  ela disse. — Olhem para a chama, e pensem em Stefan. O imaginem nas suas mentes. Não importa o que aconteça, continuem a olhar para a chama. E não importa o que vocês façam, não falem nada.
Elena concordou com a cabeça, e então o único som no cômodo era a de suas respirações suaves. A chama cintilava e dançava, jogando desenhos de luz sobre as três garotas sentadas de pernas cruzadas em volta. Bonnie, com os olhos fechados, respirava profunda e lentamente, como alguém se deixando levar pelo sono.
Stefan, pensou Elena, olhando para a vela, tentando derramar todo o seu desejo dentro do pensamento. Ela o criou em sua mente, usando todos os seus sentidos, conjurando-o para ela. A aspereza de seu suéter de lã sob sua bochecha, o cheiro de sua jaqueta de couro, a força de seus braços em volta dela. Oh, Stefan...
Os cílios de Bonnie vibraram e sua respiração acelerou, como uma pessoa dormindo e tendo pesadelos. Elena resolutamente manteve seus olhos na chama, mas quando Bonnie quebrou o silêncio, um arrepio percorreu a sua espinha.
Primeiro, era apenas um gemido, o som de alguém em sofrimento. Então, enquanto Bonnie atirava sua cabeça para trás, sua respiração vindo em curtas rajadas, tornou-se palavras.
— Sozinho...  ela falou e parou. As unhas de Elena afundaram em sua mão. — Sozinho... no escuro  falou Bonnie. Sua voz estava distante e torturada.
Houve outro silêncio, e então Bonnie começou a falar rapidamente.
— Está escuro e frio. E estou sozinho. Há alguma coisa atrás de mim... pontuda e dura. Pedras. Elas costumavam me machucar... mas não agora. Estou sem sensibilidade, por causa do frio. Muito frio...  Bonnie se mexeu, como se para se afastar de alguma coisa, e então ela riu, uma risada medonha quase como um soluço. — Isso é... engraçado. Eu nunca pensei que eu gostaria tanto de ver o Sol. Mas é sempre escuro aqui. E frio. Água até o meu pescoço, como gelo. Isto é engraçado também. Água em todo o lugar... e eu morrendo de sede. Tanta sede... dói...
Elena sentiu algo apertado em volta de seu coração. Bonnie estava dentro dos pensamentos de Stefan, e o que ela poderia descobrir lá? Stefan, diga-nos onde você está, ela pensou desesperadamente. Olhe em volta; diga-nos o que você vê.
— Sede. Eu preciso de... vida? — a voz de Bonnie soava duvidosa, como se não estivesse certa de como transcrever algum conceito. — Estou fraco. Ele disse que eu sempre serei o mais fraco. Ele é forte... um matador. Mas isto é o que eu sou também. Eu matei Katherine; talvez eu mereça morrer. Por que apenas não deixar?...
— Não! — Elena falou antes que pudesse se parar. Neste momento, ela se esqueceu de tudo menos o sofrimento de Stefan. — Stefan...
— Elena! — Meredith exclamou abruptamente no mesmo momento. Mas a cabeça de Bonnie caiu para frente, o fluxo de palavras cortado. Horrorizada, Elena percebeu o que tinha feito.
— Bonnie, você está bem? Pode achá-lo de novo? Eu não queria...
A cabeça de Bonnie se ergueu. Seus olhos estavam abertos agora, mas eles não olhavam nem para a vela nem para Elena. Eles fitavam mais além, inexpressíveis. Quando ela falou, sua voz estava distorcida, e o coração de Elena parou. Não era a voz de Bonnie, mas era uma voz que Elena reconhecia. Ela ouviu a mesma vindo dos lábios de Bonnie uma vez antes, no cemitério.
— Elena — a voz falou — não vá para a ponte. É a Morte, Elena. Sua morte está esperando lá.
Então Bonnie caiu para frente.
Elena segurou os ombros dela e sacudiu.
— Bonnie! — ela quase gritou. — Bonnie!
— O que... oh, não. Deixe — a voz de Bonnie estava fraca e abalada, mas era a sua voz. Ainda dobrada, colocou uma mão na sua testa.
— Bonnie, você está bem?
— Eu acho... sim. Mas foi tão estranho — o tom de sua voz elevou-se e ela olhou para cima, piscando. — O que foi isso, Elena, sobre ser um matador?
— Você se lembra disso?
— Eu me lembro de tudo. Não posso descrever, foi terrível. Mas o que isso significa?
— Nada — disse Elena. — Ele estava alucinando, é tudo.
Meredith se intrometeu.
— Ele? Então você realmente acha que ela sintonizou em Stefan?
Elena balançou a cabeça em sinal de positivo, seus olhos violentos e ardentes enquanto ela olhava para longe.
— Sim. Eu acho que era Stefan. Tinha que ser. E acho que ela até mesmo contou-nos onde ele está. Embaixo da Ponte Wickery, na água.

7 comentários:

  1. God!! I am so happy, for learn a linguage portuguesa!! And can undesrtand... ahhh thanks everybody

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    1. Mds até os gringos passa por aqui !

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    2. Kkkkkkkkkkkkkkkkkkk de tão bom que é hahahaha

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  2. Até os gringos kkkkkkkk

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  3. Karina, vc é d+ mesmo!!rsrsrs
    O que ela quis dizer com "será sua morte"? Hum.... Mais mistério, cada vez melhor!!!

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