29 de novembro de 2015

Capítulo 29

— Oi! — Damon gritou do lado de fora da liteira. — Alguém mais está vendo isso?
Elena estava. Tanto Stefan quanto Bonnie estavam com seus olhos fechados; Bonnie estava embrulhada em cobertas e se aninhara próximo à Elena. Eles haviam fechado todas as cortinas da liteira, exceto uma.
Mas Elena tinha visto através da única janela, e viu como o nevoeiro tinha começado a se formar aos poucos, como pequenos pedaços de névoa, mas, em seguida, ao longe, como véus mais cheios e, finalmente, como cobertores, engolindo-os por completo. Parecia que eles estavam sendo expulsos da perigosa Dimensão das Trevas, que estavam passando por uma fronteira de um lugar onde eles não deviam conhecer, muito menos entrar.
— Como vamos saber que estamos indo na direção certa? — Elena gritou para Damon depois de Stefan e Bonnie acordarem.
Ela estava feliz por ser capaz de falar novamente.
— Os thurgs sabem. — Damon gritou de volta. — Você os coloca em linha reta e eles andam nesta direção até que alguém os pare, ou...
— Ou o quê? — Elena berrou para a abertura.
— Ou até que cheguemos a um lugar como este.
Essa, obviamente, devia ter sido a palavra-chave, pois nem Stefan ou Elena poderiam insistir em não entendê-la... Especialmente quando os thurgs começaram a parar.
— Fica aqui. — Elena disse à Bonnie.
Ela fechou uma cortina e encontrou-se olhando para baixo, para o chão branco.
Nossa, esses thurgs eram mesmo grandes.
No próximo segundo, porém, Stefan estava no chão, com os braços abertos.
— Pule!
— Você não pode vir aqui e me flutuar para baixo?
— Desculpe. Algo neste lugar inibe Poder.
Elena ficou muito tempo pensando. Ela lançou-se no ar e Stefan a pegou perfeitamente. Espontaneamente, ela se agarrou a ele e sentiu o conforto familiar em seu abraço.
Então ele disse:
— Vem ver isso.
Eles chegaram a um lugar onde a terra acabava e a névoa tomava conta, como cortinas em todos os lugares. Bem na frente deles tinha um lago congelado. Um lago prateado congelado, quase perfeitamente redondo.
— Lago do Espelho? — Damon disse, inclinando a cabeça para um lado.
— Eu sempre pensei que fosse um conto de fadas. — Stefan disse.
— Sejam bem-vindos aos contos de fadas de Bonnie.
Lago do Espelho formava um vasto conjunto de águas na frente deles, congeladas em uma camada de gelo abaixo de seus pés, ou era assim que parecia. Ele parecia um espelho — um espelhinho de bolsa após ter sido suavemente baforado por alguém.
— Mas e os thurgs? — Elena disse, ou meio que suspirou. Ela não pôde evitar de suspirar.
O lago silencioso pressionou-se sobre ela, assim como a falta de qualquer tipo de som natural: não houve o canto dos pássaros, nem o ruído dos arbustos. Sem arbustos! Sem árvores! Ao invés disso, apenas havia a névoa em torno da água gelada.
— Os thurgs — Elena repetiu em uma voz ligeiramente mais alta. — Eles não poderão passar por cima disso!
— Depende da espessura do lago — Damon disse, radiando seu velho sorriso de duzentos e cinquenta quilowatts para ela. — Se for espesso o bastante, vai ser igual andar sobre a terra para eles.
— E se não for?
— Hm... Thurgs boiam?
Elena deu-lhe um olhar exasperado e virou-se para Stefan.
— O que você acha?
— Eu não sei — Ele disse hesitantemente. — Eles são animais muito grandes. Vamos perguntar para a Bonnie sobre as crianças no conto de fadas.
Bonnie, ainda envolta em cobertas de pele, que começaram a ganhar pequenos pedaços de gelo enquanto desciam ao chão, olhava para o lago severamente.
— A história não entra em detalhes. — Ela disse. — Só disse que eles andaram, andaram e andaram, e que tiveram de passar por testes para provarem sua coragem... E... E... Perspicácia... Antes de chegarem lá.
— Felizmente — Damon disse, sorrindo —, eu tenho o bastante de ambos para compensar a falta destas qualidades em meu irmão...
— Para com isso, Damon! — Elena explodiu.
No momento em que tinha visto o sorriso, ela virou-se para Stefan, puxando-o para mais perto de si, e começou a beijá-lo. Ela sabia o que Damon veria quando ele virasse em direção a eles: ela e Stefan, presos em um abraço, Stefan mal notando o que se estava sendo dito. Pelo menos eles ainda podiam se tocar com suas mentes.
E isso era intrigante, Elena pensou, a boca de Stefan está quente quando todo o resto do mundo está frio.
Ela olhou rapidamente para Bonnie, para ter certeza que ela não estava chateada, mas Bonnie parecia bem alegre.
Quanto mais eu pareço me afastar de Damon, mais feliz ela fica, Elena pensou. Ai, Deus... Isso é um problema.
Stefan falou quietamente:
— Bonnie, você deve escolher o que devemos fazer. Não tente usar a coragem ou perspicácia, somente seus sentimentos internos. Aonde vamos?
Bonnie deu uma olhadinha de volta nos thurgs, então olhou para o lago.
— Por aqui — Bonnie disse, sem hesitar, e ela apontou direto para o lago.
— É melhor levarmos as pedras pré-aquecidas, comida e mochilas com ração dentro. — Stefan disse. — Assim, se o pior acontecer, ainda teremos suprimentos básicos.
— Além disso — Disse Elena —, isso aliviará a carga dos thurgs... Pelo menos um pouco.
Parecia um crime colocar uma mochila na Bonnie, mas ela insistiu. Finalmente, Elena distribuiu para todos as roupas de pele quente e curiosamente leves. Todo mundo carregava peles, alimentos e esterco — esterco seco de animais que de agora em diante seria o único combustível.
Foi difícil no começo. Elena tinha pouca experiência com gelo — isso era mais um motivo para ela ser cautelosa —, e uma dessas poucas vezes quase havia sido desastroso para Matt. Ela estava pronta para pular e rodopiar a qualquer sinal de rachadura... Qualquer sinal de gelo sendo quebrado. Mas não houve rachaduras; nem água fluindo para molhar suas botas.
Os thurgs é que pareciam serem feitos para andarem sobre águas geladas.
Seus pés eram pneumáticos, e podiam crescer para quase metade do seu tamanho original, evitando colocar demasiada pressão sobre qualquer ponto de gelo.
A travessia do lago foi demorada, mas Elena não viu nada de muito letal nisso. O gelo era o mais suave e mais liso que ela já tinha visto. Suas botas queriam patinar.
— Hey, pessoal!
Bonnie estava patinando, exatamente como se estivesse em um rinque, para frente, para trás e para os lados.
— Isso é divertido!
— Não estamos aqui para nos divertir! — Elena gritou de volta.
Ela queria experimentar, mas tinha medo de fazer cortes ou até mesmo arranhões no gelo. E, além disso, Bonnie estava gastando duas vezes mais energia do que o necessário. Ela estava prestes a dizer isso a Bonnie, quando Damon, em uma voz de irritação, disse tudo o que ela estava pensando, e um pouco mais.
— Não estamos aqui para fazer um cruzeiro agradável — Ele disse lentamente. — É para evitarmos o destino da sua cidade.
— Como se você se importasse. — Elena murmurou, dando-lhe as costas e tocando a mão da infeliz Bonnie, tanto para dar-lhe conforto quanto para poder deixá-la na altura da sua. — Bonnie, você sente algo mágico em relação ao lago?
— Não.
Mas então a imaginação de Bonnie parecia voar em alta velocidade.
— Mas talvez aqui seja o lugar onde os místicos de ambas as dimensões se juntam para trocar feitiços. Ou, talvez, onde usam o gelo como um verdadeiro espelho mágico para ver lugares e coisas distantes.
— Talvez ambas as coisas. — Elena disse, secretamente se divertindo, mas Bonnie concordara solenemente.
E foi aí que chegou. O som que Elena estava esperando.
Nem era um ruído distante que poderia ser ignorado ou discutido. Eles estavam andando separados por um comprimento de um braço para evitar a perturbação do gelo, enquanto os thurgs andavam para todos os lados — como um bando de gansos sem líderes.
Esse ruído era uma rachadura terrivelmente próxima, como o tiro de uma arma. Imediatamente, soou novamente, como uma chicotada e, em seguida, houve uma rachadura.
E estava no lado esquerdo de Elena, ao lado de Bonnie.
— Patine, Bonnie — Ela berrou. — Patine o mais rápido que puder. Grite se vê terra.
Bonnie não fez nenhuma pergunta. Ela partiu como uma patinadora olímpica na frente de Elena, e Elena virou-se rapidamente.
Era Biratz, o thurg sobre o qual Bonnie havia perguntado à Pelat. Ela tinha sua perna monstruosa afundada no gelo, e enquanto se debatia, mais gelo se partia.
Stefan! Você pode me ouvir?
Vagamente. Estou indo até você.
Sim... Mas chegue o mais próximo possível para que você possa Influenciar a thurg.
Influenciar a...?
Acalme-a, tire-a de lá, sei lá. Ela está quebrando o gelo e isso só vai tornar mais difícil de ajudá-la!
Dessa vez houve uma pausa antes que a resposta de Stefan viesse. Ela sabia, porém, pelos leves ecos, que ele estava falando com outro alguém telepaticamente.
Certo, amor, eu farei isso. Cuidarei da thurg, também. Você deve seguir a Bonnie.
Ele estava mentindo. Ou não, mas mantinha algo escondido dela.
A pessoa para quem ele esteve mandando pensamentos era Damon. Eles estavam sendo indulgentes com ela. Nem ao menos queriam ajudar.
Nesse momento ela ouviu um grito estridente, não muito longe dali. Se Bonnie estivesse com problemas... Não! Bonnie havia achado terra!
Elena não perdeu nem mais um segundo. Deixou sua mochila no gelo e patinou direto para a thurg.
Lá estava ela, tão grande, tão patética, tão impotente. A mesma coisa que os mantinha a salvo dos outros monstros Chefões da Dimensão das Trevas — em sua maioria —, agora estava se voltando contra ela.
Elena sentiu seu peito apertar como se estivesse usando um espartilho. Mesmo quando observava, porém, o animal tornava-se mais calmo. Ela parou de tentar tirar sua perna para fora da água, o que significa que ela parou de fazer esforço.
Agora Biratz estava em uma espécie de posição de agachamento, tentando arrastar suas três pernas secas. O problema era que ela estava tentando muito, e não havia nada para se empurrar exceto o gelo quebradiço.
— Elena! — Stefan estava ao alcance da voz agora. — Não chegue mais perto!
Mas enquanto ele dizia isso, Elena viu um Sinal. Apenas a poucos metros de distância, deitada sobre o gelo, estava a vara de fazer cócegas que Pelat tinha usado para fazer com que os thurgs andassem.
Ela a pegou, enquanto patinava até lá, e viu outro Sinal. Feno vermelho e o revestimento original para o feno — uma lona gigante — estavam deitados atrás da thurg. Juntos, formavam um largo caminho que não era nem molhado, nem escorregadio.
— Elena!
— Isso vai ser fácil, Stefan!
Elena tirou um par de meias secas de seu bolso e colocou-as embaixo suas botas. Ela prendeu a vara de cócegas em seu cinto. E então começou a correr pra caramba.
Suas botas eram de pele com algo a mais por baixo, e com as meias para ajudá-las, elas se prenderam na lona, ajudando-a a seguir em frente. Ela se inclinou para a lona, vagamente desejando que Meredith estivesse ali, para que ela pudesse fazer aquilo em seu lugar, mas o tempo todo ela estava chegando mais perto. E então viu sua meta: o fim da lona e, além dela, pedaços flutuantes de gelo.
Mas a thurg parecia estar em uma posição de escalada. O final de suas costas estava inclinado, parecendo um dinossauro no meio de um poço de piche, mas, subido em sua espinha dorsal, fazia uma curva. Se ela ao menos tivesse um meio de chegar até lá...
Dois passos até saltar. Um passo até saltar.
SALTE!
Elena pulou com o pé direito, voou pelo ar por tempo interminável e... Atingiu a água.
Imediatamente ela estava encharcada da cabeça aos pés, e o choque térmico da água gelada era inacreditável. Isso a agarrou como se fosse um monstro com um punhado de fragmentos de gelo. Isso a cegou com seu próprio cabelo, tirando todo o som do universo.
De alguma forma, arranhando seu rosto, ela conseguiu tirar os cabelos de seus olhos e boca. Percebeu que estava a poucos metros abaixo da superfície da água, e isso foi tudo que ela precisou para empurrar-se para cima até que sua boca chegasse à superfície e ela pudesse sugar aquele ar delicioso, e depois ter um ataque de tosse.
Primeira vez, ela pensou, lembrando-se da velha superstição de que uma pessoa que estava prestes a se afogar subia à superfície três vezes antes de afundar para sempre.
Mas o estranho era que ela não estava afundando. Havia uma dor em sua coxa, mas ela não estava indo para baixo.
Lentamente, bem lentamente, ela percebeu o que havia acontecido. Ela havia errado a parte de trás da thurg, mas pousou em sua espessa cauda reptiliana. Uma parte pontiaguda da cauda a havia cortado, mas a manteve estável.
Então... Agora... Tudo o que tenho que fazer é subir na thurg, ela arquitetou lentamente.
Tudo parecia estar mais lento porque havia icebergs flutuando ao redor de seus ombros.
Ela ergueu uma mão forrada com luvas e alcançou a próxima barbatana. A água, após sua imersão, deixou suas roupas mais pesadas, e seu corpo deu um pouco de apoio. Ela conseguiu puxar-se até a barbatana seguinte. E na seguinte. E então estava na garupa, e ela tinha que tomar cuidado: não havia mais pontos de apoio. Em vez disso, ela pegou algo com sua mão esquerda. Uma alça quebrada da transportadora de feno.
Não foi uma boa ideia, pensando bem.
Durante uns minutos, que ela qualificou como os piores de sua vida, choveu feno em cima dela, ela fora abatida por pedras e sufocada pela poeira do esterco velho.
Quando finalmente terminou, ela olhou ao redor, espirrando e tossindo, para descobrir que ainda estava na thurg. A vara de cócegas havia sido quebrada, mas o suficiente permaneceu para ela usá-la. Stefan estava perguntando freneticamente, tanto em voz alta quanto por telepatia, se ela estava bem. Bonnie estava patinando para frente e para trás como a fada Sininho, e Damon estava xingando Bonnie para que ela voltasse a terra e permanecesse lá.
Enquanto isso, Elena estava avançando na garupa da thurg. Ela conseguiu por causa da cesta de alimentos esmagada. Finalmente atingiu o cume da thurg, e se estabeleceu logo atrás da cabeça redonda, no banco onde o condutor vai sentado.
E então ela fez cócegas atrás da orelha da thurg.
— Elena! — Stefan gritou.
E então:
Elena, o que você está tentando fazer?
— Eu não sei! — Ela gritou de volta. — Tentando salvar a thurg!
— Você não pode — Damon interrompeu a resposta de Stefan em uma voz tão fria e quieta quanto o lugar em que eles estavam.
— Ela pode conseguir! — Elena disse ferozmente, precisamente, pois ela mesma tinha dúvidas se o animal conseguiria. — Vocês podem ajudar puxando as rédeas.
— É inútil — Damon gritou, deu meia-volta e andou rapidamente em meio à névoa.
— Eu tentarei. Jogue aqui na frente dela — Stefan disse.
Elena jogou as rédeas o mais longe que pôde. Stefan teve de correr quase até a borda do gelo para agarrá-las antes que elas caíssem dentro da água.
Em seguida, ele a segurou no ar triunfantemente.
— Consegui!
— Ok, puxe! Dê a ela uma direção para seguir.
— Farei isso.
Elena bateu novamente atrás da orelha direita de Biratz. Houve um barulho vindo do animal e depois nada. Ela pôde ver Stefan fazendo esforço nas rédeas.
— Vamos lá — Elena disse, e bateu fortemente com a vara.
A thurg levantou um pé gigante, colocando-o mais adiante, no gelo, se esforçando. Assim que ela fez isso, Elena bateu mais forte atrás da orelha esquerda.
Esse era um momento crucial. Se Elena pudesse evitar com que Biratz esmagasse todo o gelo em suas pernas traseiras, eles poderiam ter uma chance.
A thurg timidamente levantou a perna esquerda e esticou-a até que ela fizesse contato com o gelo.
— Boa, Biratz! Agora! — Elena gritou.
Agora, se Biratz fosse mais para frente...
Houve uma grande revolução embaixo dela. Por vários minutos Elena pensou que talvez Biratz tivesse quebrado o gelo com todas as suas quatro patas. Em seguida, o jogo virou e, de repente, estonteantemente, Elena soube que tinha vencido.
— Calma, agora, calma. — Ela disse para o animal, dando-lhe uma cosquinha gentil com a vara.
E lentamente, pesadamente, Biratz avançou. Sua cabeça abobadada caiu algumas vezes enquanto ela ia, e ela afundou em outra área da névoa, quebrando novamente o gelo. Mas só afundou alguns centímetros antes de descobrir que era, na verdade, lama.
Mais alguns passos e elas estavam em terra firme. Elena tinha que sugar a respiração para abafar um grito enquanto a cabeça abobadada da thurg despencava, dando-lhe um passeio curto e assustador enquanto ela passava próximo às presas recurvadas. De alguma forma, ela deslizou direto entre elas e saiu rapidamente do corpo de Biratz.
— Fazer isso foi inútil, sabia? — Damon disse de algum lugar dentro da névoa ao lado dela. — Arriscar sua própria vida.
— O q-que você quer dizer com i-inútil? — Elena exigiu.
Ela não estava com medo; estava congelando.
— Os animais vão morrer, de qualquer forma.
— Eles não vão conseguir passar pela próxima prova e, mesmo se conseguissem, este lugar não floresce nada. Em vez de uma morte rápida e limpa na água, eles morrerão de fome, lentamente.
Elena não respondeu. A única resposta que ela podia pensar era: “Por que você não me contou isso mais cedo?” Ela havia parado de tremer, o que era uma boa coisa, pois um minuto atrás seu corpo parecia que tremeria até que se partisse em dois.
Roupas, ela pensou vagamente.
Esse era o problema. Certamente não poderia estar tão frio aqui no ar quanto estava lá na água. Eram suas roupas que faziam com que ela sentisse tão frio.
Ela começou, com os dedos dormentes, a tirá-las. Primeiro, soltou sua jaqueta de couro. Não havia zíperes aqui, só botões. Isso foi um grande problema. Seus dedos pareciam cachorros-quentes congelados, fazendo coisas com dificuldade. Mas de uma forma ou de outra ela conseguiu desabotoar e o couro caiu no chão com um baque surdo — havia formado uma camada de pele em seu interior. Eca. O cheio de pelo molhado. Agora, agora ela tinha que...
Mas ela não podia. Não podia fazer nada por que alguém estava segurando seus braços. Queimando seus braços. Aquelas mãos eram irritantes, mas por fim ela soube a quem elas pertenciam. Eram firmes e bem gentis, mas bem fortes. Tudo isso era coisa de Stefan.
Lentamente, ela levantou a cabeça que ainda pingava para pedir a Stefan que parasse de queimar seus braços.
Mas não pôde. Porque no corpo de Stefan estava a cabeça de Damon. Agora, isso era estranho. Ela havia visto muitas coisas que vampiros podiam fazer, mas não esse lance de troca de cabeças.
— Stefan-Damon... Por favor, para. — Ela engasgou entre gritos histéricos de riso. — Dói. Está muito quente!
— Quente? Você está congelando, isso sim.
As hábeis mãos esfregavam e iam de cima para baixo em seus braços, empurrando sua cabeça para trás para massagear suas bochechas. Ela deixou isso acontecer, pois mesmo que fosse a cabeça de Damon, ainda eram as mãos de Stefan.
— Você está gelada, mas não está tremendo? — Uma voz sombria de Damon disse de algum lugar.
— Sim, como pode ver, eu devo estar me aquecendo.
Elena não se sentia muito aquecida. Percebeu que ainda tinha uma peça de roupa de pele, que atingia os joelhos dela. Ela se atrapalhou com cinto.
— Você não está se aquecendo. Está indo para o próximo estágio da hipotermia. E se você não se secar e se aquecer neste instante, morrerá.
Sem mais nem menos, ele inclinou seu queixo para que ele olhasse em seus olhos.
— Você está delirando agora... Consegue me entender, Elena? Você realmente precisa se aquecer.
Calor era um conceito tão vago e distante quanto sua vida antes de ela conhecer Stefan.
Mas, delirantemente, ela entendeu. Isso não era uma boa coisa. O que se podia fazer a não ser rir?
— Certo. Elena, só espere um minute. Deixe-me achar...
Rapidamente ele estava de volta.
Não rápido o suficiente para impedi-la de tirar a pele por debaixo da cintura, mas voltou antes que ela pudesse retirar a camisola.
— Aqui. — Ele tirou a pele úmida e a envolveu em uma seca e quente, sobre sua camisola.
Depois de um minuto ou dois, ela começou a tremer.
— Essa é minha garota. — A voz de Damon disse. Seguido de: — Não lute comigo, Elena. Estou tentando salvar sua vida. Isso é tudo. Não farei nada mais. Dou minha palavra.
Elena estava confusa. Por que ela deveria pensar que Damon — isso é, se fosse realmente o Damon, ela decidiu — queria machucá-la?
Embora ele pudesse ser um idiota às vezes...
E ele estava tirando suas roupas.
Não. Isso não devia estar acontecendo. Definitivamente não. Especialmente quando Stefan devia estar por aqui perto.
Mas agora, Elena estava tremendo demais para falar.
E agora que estava com sua roupa íntima, ele estava fazendo com que ela deitasse sobre as peles, enfiando outras peles ao seu redor. Elena não entendeu nada do que estava acontecendo, mas tudo começou a não parecer importante. Ela estava flutuando em algum lugar fora de si, assistindo sem nenhum interesse.
Em seguida, outro corpo deslizou para dentro das peles. Ela retornou do lugar em que estava flutuando.
Muito brevemente, deu uma olhada no peito nu. E então, um corpo quente e compacto deslizou para o saco de dormir improvisado, para junto dela. Braços quentes e rígidos foram em torno dela, mantendo-a em contato com todo aquele corpo.
Através da névoa, ela vagamente ouviu a voz de Stefan:
— O que diabos você está fazendo?

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