20 de novembro de 2015

Capítulo 28

Matt não tinha a mínima ideia de que horas eram, só que estava profundamente escuro sob as árvores. Ele estava deitado ao lado do carro novo de Elena, como se tivesse sido jogado ali e esquecido. Seu corpo inteiro estava dolorido.
Desta vez, acordou e pensou imediatamente, Elena. Mas ele não podia ver o branco da sua camisola em parte alguma, e quando chamou primeiro baixinho, depois gritou, não obteve resposta.
Então passou a tatear ao redor da clareira com as mãos e joelhos.
Damon parecia ter ido embora, o que lhe deu uma centelha de esperança e coragem que iluminou sua mente como um farol. Encontrou a camisa xadrez descartada – consideravelmente amassada. Mas quando percebeu que não encontraria outro corpo suave e quente na clareira, seu coração despencou para algum lugar perto de suas botas.
E então se lembrou do Jaguar. Procurou freneticamente nos bolsos pelas chaves, e não encontrou, até que finalmente descobriu que, inexplicavelmente, elas estavam na ignição.
Passou por um momento angustiante enquanto tentava ligar o carro, e depois ficou espantado com a claridade ao ver o brilho dos faróis. Ficou brevemente amedrontado sobre como dar a volta com o carro tendo certeza de que não estaria atropelando o corpo desmaiado de Elena, então procurou dentro do porta-luvas, escavando entre os manuais e pares de óculos de sol. Ah, e um anel de lápis-lazúli. Alguém estava mantendo um de reserva aqui, por precaução. Ele o colocou, e serviu bem o suficiente.
Por último, seus dedos se fecharam em uma lanterna, e ele poôde procurar pela clareira tão intensamente quanto queria.
Nada de Elena. Nem Ferrari, sequer. Damon a tinha levado pra algum lugar.
Tudo bem então, ele iria encontrá-los. Para fazer isso, deveria deixar o carro de Elena para trás, ele já tinha visto o que aqueles monstros podiam fazer com automóveis, então isso não ajudaria muito.
Ele teria que ter cuidado com a lanterna também. Não sabia quanto de carga as baterias tinham.
Desesperadamente, tentou ligar para o celular de Bonnie e, em seguida para seu telefone de casa, e então para a pensão. Sem sinal, ainda que de acordo com o visor do próprio telefone deveria ter. Não havia necessidade de questionar porque isso acontecia – era a floresta antiga brincando com coisas como de costume. Ele nem sequer se perguntou por que tentara o número de Bonnie em primeiro lugar, quando o de Meredith provavelmente seria o mais sensato.
Achou facilmente as trilhas da Ferrari. Damon tinha voado pra fora daqui como um morcego... Matt sorriu sombriamente quando terminou a frase em sua mente.
E então tinha dirigido no pelo caminho que levava pra fora da floresta. Era fácil de perceber, estava claro que Damon estava dirigindo rápido demais para ter o controle adequado ou Elena estava lutando, porque em vários lugares, principalmente ao redor, as marcas de pneus apareciam claramente contra o chão macio ao lado da estrada.
Matt teve cuidado especial em não pisar em nada que pudesse ser uma pista. Poderia ter que voltar atrás em algum ponto. Foi cuidadoso também ao ignorar os ruídos da calada da noite em torno dele. Sabia que o malach estava lá, mas se recusou a deixar-se pensar sobre ele.
E nunca se perguntou por que estava fazendo isso, deliberadamente se pondo em perigo, em vez de fugir dele, em vez de tentar dirigir o Jaguar para fora da floresta antiga. Afinal, Stefan não o tinha deixado de guarda-costas.
Mas então, você não pode confiar em nada do que Damon diz, pensou. E, além disso, bem, ele sempre manteve um olho atento em Elena, antes mesmo de seu primeiro encontro. Podia ser desajeitado, lento e fraco em comparação com os seus inimigos agora, mas sempre tentaria.
Estava escuro como breu agora. Os últimos resquícios do crepúsculo tinham deixado o céu, e se Matt olhasse para cima, poderia ver as nuvens e as estrelas, com árvores inclinando-se sinistramente de ambos os lados.
Ele estava chegando ao fim da estrada. A casa dos Dunstans devia aparecer logo à direita. Ia perguntar-lhes se tinham visto... Sangue.
No início sua mente voou para alternativas ridículas, como uma tinta vermelha escura. Mas sua lanterna tinha iluminado manchas marrons avermelhadas na beira da estrada exatamente quando a estrada fazia uma curva acentuada. Aquilo ali na estrada era sangue. E não apenas um pouquinho.
Tendo o cuidado de andar longe das manchas castanho avermelhadas, iluminando com sua lanterna diversas vezes a parte mais distante da estrada, Matt começou pensar sobre o que deveria ter acontecido.
Elena tinha saltado.
Isso ou Damon a empurrara para fora de um carro em alta velocidade – e depois de todos os problemas que ele tinha arrumado para pegá-la, isso não fazia muito sentido. Claro, já poderia ter bebido o sangue dela até estar satisfeito – os dedos de Matt foram até seu pescoço dolorido instintivamente – mas então, por que levá-la no carro afinal de contas?
Para matá-la, empurrando-a para fora?
Um jeito estúpido de fazê-lo, mas talvez Damon estivesse contando com seus animaizinhos de estimação para cuidar do corpo.
Possível, mas não muito provável.
O que era provável?
Bem, a casa dos Dunstans estava chegando deste lado da estrada, mas não se podia vê-la daqui. E seria a cara de Elena saltar de um carro em alta velocidade assim que ele fizesse a curva. Ela teria cérebro, coragem, e uma superconfiança na sorte que tinha para que isso não a matasse.
A lanterna de Matt lentamente traçou a devastação de uma longa faixa de arbustos de rododendros logo depois da estrada.
Meu Deus, foi isso o que ela fez. Sim! Saltou e tentou rolar. UAU! Teve sorte de não quebrar o pescoço. Mas continuou rolando, agarrando-se em raízes e cipós para tentar parar. É por isso que eles estão todos quebrados.
Uma bolha de euforia estava crescendo em Matt. Ele estava conseguindo. Estava seguindo Elena. Podia acompanhar sua queda como se tivesse estado lá.
E então atingiu a raiz da árvore mudando de curso, pensou enquanto continuava a seguir seu rastro. Isso deve ter machucado. E ela atingiu o chão e rolou num pouco no concreto – isso deve ter sido agonizante, ela havia deixado uma grande quantidade de sangue ali, e depois voltou para os arbustos.
E depois? Os rododentros não mostraram mais sinais de sua queda. O que aconteceu aqui? Damon tinha voltado com a Ferrari rápido o bastante e a pegado de volta?
Não, Matt decidiu, examinando cuidadosamente a terra. Havia apenas um par de pegadas aqui, e era de Elena. Elena tinha levantado aqui – apenas para cair novamente, provavelmente devido aos machucados. E então conseguiu se levantar de novo, mas as marcas eram estranhas, uma pegada normal de um lado e uma marca pequena, mas profunda de outro.
Uma muleta. Ela arrumou uma muleta. Sim, e essa marca arrastada era a marca de seu pé machucado. Ela andou até esta árvore e então deu volta em torno dela – ou pretendia dar, era o que parecia. E então foi para a casa dos Dunstans.
Menina inteligente. Provavelmente estava irreconhecível agora, e de qualquer maneira, quem se importava se eles notariam a semelhança entre ela e a antiga grande Elena Gilbert? Ela poderia ser uma prima de Elena da Filadélfia.
Então, deu um, dois, três... oito passos, e lá estava a casa dos Dunstans. Matt podia ver luzes. Podia sentir o cheiro dos cavalos.
Animadamente, correu o resto do caminho – sofrendo algumas quedas que não fizeram nenhum bem ao seu corpo dolorido, mas ainda assim indo em direção à luz da varanda dos fundos. Os Dunstans não eram pessoas de varanda da frente.
Quando chegou à porta, bateu quase freneticamente. Ele a tinha encontrado. Tinha encontrado Elena!
Pareceu se passar um longo tempo antes de se abrir uma fenda na porta.
Matt automaticamente enfiou o pé na fenda, enquanto pensava, sim, bom, vocês são pessoas cautelosas. Não são do tipo que deixam um vampiro entrar depois de ter visto uma menina coberta de sangue.
Sim? O que você quer?
Sou eu, Matt Honeycutt — ele falou para o olho que podia ver olhando para fora da fenda da porta entreaberta. — Vim buscar Elen... a garota.
De que garota você está falando? — a voz perguntou rispidamente.
Olha, você não precisa se preocupar. Sou eu – Jake me conhece da escola. E Kristin me conhece também. Vim para ajudar.
Algo na sinceridade de sua voz pareceu tocar a pessoa atrás da porta. A porta foi aberta revelando um grande homem de cabelos escuros que usava uma camiseta velha e precisava fazer a barba. Atrás dele, na sala, estava uma mulher alta, magra, quase esquelética. Ela parecia estar chorando. Atrás de ambos estava Jake, que estava um ano adiantado do que Matt na Robert E. Lee High.
Jake — disse Matt. Mas ele não obteve resposta, exceto um olhar aborrecido de angústia.
O que há de errado? — Matt exigiu, apavorado. — Uma menina veio aqui um tempo atrás, ela estava ferida... mas... mas.... você deixou-a entrar, certo?
Nenhuma menina passou por aqui — Dunstan respondeu categoricamente.
Ela tem que ter passado. Segui seu rastro, ela deixou um rastro em sangue, você entende, quase até sua porta — Matt não estava permitindo-se pensar.
De alguma forma, era como se ele dissesse os fatos alto o suficiente, eles produziriam Elena.
Mais problemas — disse Jake, com uma voz monótona que combinava com sua expressão.
Sra. Dunstan pareceu mais simpática.
Ouvimos uma voz vinda da noite, mas quando olhei, não havia ninguém lá. E temos os nossos próprios problemas.
Foi então, bem na deixa que Kristin invadiu a sala, Matt olhou para ela com uma sensação de déjà vu. Ela estava vestindo algo parecido com Tamra Bryce.
Ela havia cortado as pernas de seus shorts jeans até que eram praticamente inexistentes. Em cima ela estava usando um biquíni, mas com – Matt desviou o olhar as pressas – dois grandes buracos redondos cortados com apenas duas peças redondas de papelão coladas. E ela tinha se decorado com cola glitter.
Deus! Ela tem apenas o que, doze anos? Treze? Como poderia estar agindo dessa forma?
Mas no momento seguinte, seu corpo inteiro estava vibrando em choque.
Kristin tinha agarrado-se a ele e estava arrulhando:
Matt Honey-butt! Você veio me ver!
Matt respirou com cuidado para se recuperar do choque ao som do Honey-butt. Ela não poderia saber disso. Nem sequer frequentava a mesma escola que Tamra. Por que Tamra teria ligado pra ela pra lhe contar algo assim?
Ele balançou a cabeça, como se para clareá-la. Então olhou para a Sra. Dunstan, que parecia mais amável.
Posso usar seu telefone? — perguntou. — Eu preciso – realmente preciso fazer alguns telefonemas.
O telefone está mudo desde ontem — disse o Sr. Dunstan asperamente. Ele não tentou tirar Kristin de cima de Matt, o que era estranho, porque estava claramente irritado. — Provavelmente uma árvore caída. E você sabe que os celulares não funcionam aqui.
Mas... — a mente de Matt girava em supervelocidade. Você realmente quer dizer que nenhuma adolescente veio à sua casa pedindo ajuda? Uma menina de cabelos loiros e olhos azuis? Eu juro, não sou quem quer machucá-la. Juro que eu quero ajudá-la.
Matt Honey-butt? Estou fazendo uma tatuagem, só para você.
Ainda pressionada às costas de Matt, Kristin estendeu seu braço esquerdo. Matt olhou para ele, horrorizado. Ela obviamente tinha usado agulhas ou um alfinete para picar furos em seu antebraço esquerdo, e depois abriu um cartucho de tinta de caneta para pintar de azul escuro. Era uma tatuagem básica de prisão tipo, feita por uma criança. Os rabiscos MAT estavam visíveis, junto com uma mancha de tinta que era provavelmente, ou ia ser o outro T.
Não me admira eles não estarem felizes em me deixar entrar, Matt pensou aturdido. Agora Kristin estava com os dois braços em volta da sua cintura, o que tornou difícil respirar. Estava na ponta dos pés, falando com ele, sussurrando rapidamente algumas das coisas obscenas que Tamra tinha dito.
Ele olhou para a Sra. Dunstan.
De verdade, não vejo Kristin faz quase um ano. Tivemos festival de encerramento de ano, e Kristin ajudou com os passeios de pônei, mas...
A Sra. Dunstan estava acenando devagar.
Não é culpa sua. Ela está agindo da mesma forma com Jake, seu próprio irmão. E com, com o pai. Mas estou lhe dizendo a verdade, não vimos qualquer outra garota. Ninguém além de você chegou à porta hoje.
Certo — os olhos de Matt estavam enchendo de água. Seu cérebro, sintonizado em primeiro lugar em sua própria sobrevivência, estava dizendo a ele para poupar seu fôlego, para não discutir. Dizendo-lhe para falar: — Kristin, eu realmente não consigo respirar...
Mas eu amo você, Matt Honey-butt. Não quero que você me deixe jamais. Especialmente por aquela vagabunda velha. Aquela vagabunda velha com vermes nos buracos dos olhos...
Novamente, Matt sentiu a sensação de que o mundo estava tremendo. Mas não podia suspirar. Não tinha o ar. Com os olhos arregalados, voltou-se impotente para o Sr. Dunstan, que estava mais próximo.
Não consigo respirar...
Como alguém de treze anos de idade poderia ser tão forte? Foi necessária a ajuda do Sr. Dunstan e Jake para arrancá-la dele. Não, nem mesmo os dois estavam conseguindo. Ele estava começando a ver pontos cinza pulsando diante de seus olhos. Precisava de ar.
Houve um estalo, que terminou com um som de carne. E depois outro. De repente, ele pôde respirar novamente.
Não, Jacob! Já chega! — a Sra. Dunstan chorou. — Ela já o largou – não bata mais!
Quando a visão de Matt voltou, o Sr. Dunstan estava tirando seu cinto. Kristin estava gemendo:
Apenas espereeee – ódiooo! Apenas espere – Ódddiooo! Você vai se arrep-peender! — Então ela saiu correndo da sala.
Não sei se isso ajuda ou piora — Matt falou assim que recuperou seu fôlego — mas Kristin não é a única menina agindo desta forma. Há pelo menos outra na cidade...
Tudo o que me interessa é a minha Kristin — a Sra. Dunstan disse. — E aquela... Coisa não é ela.
Matt concordou. Mas havia algo que precisava fazer agora. Ele tinha que encontrar Elena.
Se uma menina loira chegar até sua porta e pedir ajuda, você, por favor, a deixa entrar? — ele pediu à Sra. Dunstan. — Por favor? Mas não deixe nenhum homem entrar, nem mesmo eu se você não quiser.
Por um momento seus olhos e os olhos da Sra. Dunstan encontraram-se, e ele sentiu uma conexão. Então, ela concordou e se apressou tirá-lo da casa.
Tudo bem, Matt pensou. Elena passou por aqui, mas não o bastante para chegar até aqui. Então procure pistas.
Ele procurou. E o que conseguiu decifrar foi que, a poucos metros da propriedade dos Dunstans, ela inexplicavelmente virou bruscamente à direita, entrando profundamente na floresta.
Por quê? Algo a tinha assustado? Ou ela – Matt sentiu-se enjoado – de alguma forma tinha sido enganada para continuar mancando mais e mais, até que finalmente tivesse deixado toda a ajuda humana para trás?
Tudo o que ele podia fazer era segui-la pela floresta.

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