29 de novembro de 2015

Capítulo 26

— Agora, você sabe como isto é feito? — Elena perguntou à Meredith. — Você coloca a chave na fechadura e diz aonde você quer ir. Então, abra a porta e entre. É isso.
— Vocês três vão na frente — Stefan adicionou. — E rápido.
— Eu giro a chave. — Meredith disse a Matt. — Você toma conta da Sra. Flowers.
Só então Elena pensou em algo que não queria dizer em voz alta, somente para Stefan. Mas ele estava fisicamente próximo, então ela sabia que ele entenderia.
Sabber! Ela pensou para Stefan. Não podemos deixá-lo com esses malach!
Não vamos, ela ouviu a voz de Stefan dizer em sua mente. Mostrei para ele o caminho até a casa de Matt, e disse para que ele fosse lá, levasse Talon e protegesse as pessoas que estão a caminho.
Na mesma hora, Matt estava dizendo:
— Ai, meu Deus! Sabber! Ele salvou minha vida… Não posso simplesmente deixá-lo.
— Já cuidei disso. — Stefan lhe assegurou e Elena deu um tapinha nas costas de Matt. — Ele estará na sua casa em um instante, e se você for a algum outro lugar, ele seguirá seu rastro.
Elena transformou seus tapinhos em pequenos empurrões.
— Sejam bonzinhos!
— Quarto de Matt Honeycutt, em Fell’s Church. — Meredith disse, enfiando a chave na fechadura e abrindo a porta.
Ela, a Sra. Flowers e Matt atravessaram-na. A porta se fechou.
Stefan virou-se para Elena.
— Eu vou primeiro — Ele disse, sem rodeios. — Mas estarei me segurando em você. Não vou deixá-la.
— Nunca me deixe, nunca me deixe. — Elena sussurrou em uma imitação do “Ter pesadelos” de Misao.
Então, ela se lembrou.
— Braceletes de escravos!
— O que? — Stefan disse.
Então:
— Ah, eu me lembro, você me contou. Mas como é que a aparência deles?
— Iguais a quaisquer outros braceletes, mas que combinem, se possível. — Elena estava procurando pelo fundo da sala, onde os móveis foram empilhados, abrindo e fechando gavetas. — Apareçam, braceletes! Apareçam! Era para esta casa ter de tudo!
— Que tal essas coisas que você está usando em seu cabelo? — Stefan perguntou.
Elena olhou para trás e ele jogou para ela um pacote com marias-chiquinhas.
— Você é um gênio! Elas nem ao menos vão machucar meus pulsos. E aqui tem duas brancas, então dá pra combinar! — Elena disse, feliz.
Eles organizaram-se em frente á porta, com Stefan à esquerda de Elena para que ele pudesse ver o que estivesse do outro lado, antes que adentrassem. Ele também apertava firmemente braço esquerdo de Elena.
— Onde quer que esteja a nossa amiga Bonnie McCullough — Stefan disse, e enfiou a chave na fechadura, girando-a.
Então, depois de dar a chave à Elena, ele cuidadosamente abriu a porta.
Elena não tinha certeza no que ela estava esperando. Um clarão de luz, talvez, enquanto viajavam entre dimensões. Algum tipo de túnel em espiral, ou estrelas cadentes. Por fim, uma sensação de movimento.
O que ela conseguiu foi vapor. Isto embebedou sua camiseta e seu cabelo umedecido.
E então, começou o barulho.
— Elena! Eleeeeeeeeeeeeeeena! Você está aqui!
Elena reconheceu a voz, mas não pôde localizar quem gritava dentro daquele vapor.
Então ela viu uma banheira imensa feita com peças de malaquita, e uma menina com olhar assustado cuidando do braseiro ao pé da banheira, enquanto outras duas serventes, que seguravam escovas de cabelos e púmices, se encolhiam contra a outra parede.
E dentro da banheira estava Bonnie! Era óbvio que a banheira era profunda, pois Bonnie não era capaz de alcançar o fundo e então ela ficava meio que saltitando na água como um golfinho em uma apresentação para chamar atenção.
— Aí está você. — Arfou Elena.
Ela caiu de joelhos sobre um espesso tapete azul e macio.
Bonnie deu um salto espetacular e só por um momento Elena pôde sentir um corpo ensaboado e espumoso dentro de seus braços.
Então, Bonnie afundou novamente e começou a rir.
— E aquele é o Stefan? É o Stefan! Stefan, olá! Oláááá!
Stefan deu uma olhadela para trás, como se tentasse avaliar a situação da espuma. Ele pareceu satisfeito, virou-se ligeiramente e acenou.
— Ei, Bonnie — Ele perguntou, a voz abafada por causa do som de pingos contínuos —, onde estamos?
— É a casa de Lady Ulma! Você está seguro... Todos estão seguros! — Ela virou o rostinho cheio de esperança para Elena. — Cadê a Meredith?
Elena balançou sua cabeça, pensando em todas as coisas sobre Meredith que Bonnie ainda não sabia.
Bem, ela decidiu, não é hora para mencioná-las.
— Ela teve de ficar para trás, para proteger Fell’s Church.
— Ah — Bonnie olhou para baixo, incomodada. — As coisas ainda estão mal, não estão?
— Você não acreditaria. É sério, é... Indescritível. É lá onde Matt, a Sra. Flowers e Meredith estão. Sinto muito.
— Não, eu só estou feliz por ver você! Ai, meu Deus, mas você está ferida.
Ela estava olhando para as feridas de pequenos dentes no braço de Elena, e o sangue em sua camiseta rasgada.
— Eu vou sair e... Ei, não, você deve entrar! A sala é grande, há muita água quente e... Muitas roupas! Lady Ulma até mesmo criou algumas para nós, para “quando voltássemos”!
Elena, sorrindo tranquilizadoramente para as serventes, já estava se despindo o mais rápido que podia.
A banheira, que era grande o bastante para seis pessoas nadarem, parecia luxuosa demais para se desperdiçar, ela raciocinou, e fazia sentido estar limpa quando cumprimentassem sua anfitriã.
— Vá se divertir — Ela gritou para Stefan. — Damon está aqui? — Ela adicionou em um sussurro ao lado de Bonnie, que concordou.
— Damon está aqui, também. — Elena cantarolou. — Se você encontrar Lady Ulma, diga que Elena já está indo, mas que está se lavando primeiro.
Ela não chegou a mergulhar na água rosa perolada e fumegante, mas deu um passo para frente e ficou deslizando a partir daí.
Imediatamente, ela foi imersa em um calor delicioso que se infiltrou direto em seu corpo, que fez com que seus músculos relaxassem ao mesmo tempo. Perfumes impregnavam o ar. Ela jogou o cabelo para trás e viu Bonnie rindo dela.
— Então você saiu daquele buraco e esteve aqui, mergulhada em luxúria, enquanto fazíamos o trabalho duro? — Elena não pôde deixar de ouvir a forma como sua voz subiu ao final, tornando-se uma pergunta.
— Não, eu fui raptada por umas pessoas, e... — Bonnie parou. — Bem... Os primeiros dias foram difíceis, mas deixa pra lá. Graças a Deus que chegamos à casa de Lady Ulma, no final. Quer uma escova de banho? Sabão que cheira a rosas?
Elena estava olhando para Bonnie com os olhos ligeiramente apertados. Sabia que Bonnie faria qualquer coisa por Damon. Isso incluía dar-lhe cobertura.
Delicadamente, durante o tempo em que apreciava as escovas, unguentos e muitos outros tipos de sabonetes colocados em uma prateleira para fácil acesso, ela começou sua investigação.
Stefan saiu da sala cheia de vapor antes que ficasse encharcado. Bonnie estava a salvo e Elena estava feliz. Ele descobriu que havia entrado em outro quarto, no qual havia um grande número de sofás feitos de um material macio e esponjoso. Para secarem cabelo? Fazer massagem? Quem saberia?
A próxima porta que ele entrou tinha lanternas a gás que estavam acesas o bastante para dar luz ao local. Aqui havia mais três sofás — ele não tinha ideia para quê serviam —, um espelho comprido e prateado, e mais espelhos em frente a cadeiras. Obviamente, um lugar para maquiagem e embelezamento.
Este último quarto se abria para um corredor. Stefan deu um passo para fora e hesitou, espalhando pequenas partes de seu Poder em direções diferentes, na esperança de encontrar Damon antes que Damon o encontrasse.
A Chave Mestra havia provado que superava o fato de que ele não havia sido convidado ali. Isso significava que ele poderia...
Naquele instante, ele teve uma resposta e retirou a sonda imediatamente, assustado. Olhou para o longo corredor. Ele podia ver Damon, passeando dentro de um quarto, no final do corredor, falando com alguém que Stefan não pôde ver por detrás da porta.
Stefan rastejou silenciosamente pelo corredor, à espreita. Chegou à porta, sem que seu irmão notasse, e lá viu que a pessoa com quem Damon estava falando era uma mulher que vestia o que parecia ser uma calça de camurça e camiseta, grudada ao corpo, e uma aura que parecia englobar toda a cidade, não somente aquele quarto.
Damon estava dizendo:
— Certifique-se de que há roupas quentes o suficiente para a garota. Ela não é do tipo fortinha, você sabe...
— Então, para onde você está levando ela... E por quê? — Stefan perguntou, encostando-se ao batente da porta.
Ele teve sorte — desta vez — de ter pegado Damon de guarda-baixa. Seu irmão olhou para cima, e então retraíu-se como um gato assustado. Damon tentou se recompor, até que decidiu usar a máscara de amabilidade ausente.
Stefan deduziu que ninguém nunca tinha colocado tanto esforço para caminhar até uma cadeira, sentar-se e se forçar a relaxar.
— Ora, ora! Maninho! Você veio dar uma visitinha! Que... Legal. É uma pena, porém, que eu esteja praticamente saindo pela porta em uma jornada, e não há quartos para você.
Então, a mulher com roupa colada, que estava fazendo anotações — e que levou um susto quando Stefan entrou no quarto —, falou:
—Ah, não, meu lorde. Os thurgs não vão se importar com o peso extra deste cavaleiro. Provavelmente, eles nem notarão. Se a mala dele estiver pronta até amanhã, você pode começar de manhã cedinho, como planejado.
Damon deu o seu melhor olhar de “cale a boca ou morra”.
Ela se calou.
Com os dentes cerrados, Damon conseguiu dizer:
— Esta é Pelat. Ela é a coordenadora da nossa pequena expedição. Olá, Pelat. Adeus, Pelat. Você pode ir.
— Como quiser, meu lorde.
Pelat inclinou-se e saiu.
— Você não está levando esta coisa de “meu lorde” um pouquinho longe demais? — Stefan perguntou. — E o que é esta fantasia que você está vestindo?
— É o uniforme de capitão da guarda da Madame le Princess Jessalyn D’Aubigne. — Damon disse friamente.
— Você tem um emprego?
— É uma posição . — Damon arreganhou os dentes. — E nada disto é da sua conta.
— Conseguiu seus caninos de volta, também, posso ver.
— E isso também não é da sua conta. Mas se você quiser que eu pise sobre o seu corpo de morto-vivo, eu o farei com prazer.
Algo estava errado, Stefan pensou. Damon já devia ter passado da fase dos insultos e ido pisar nele neste instante. Só fazia sentido se...
— Eu já conversei com Bonnie. — Ele disse. E falou mesmo, para perguntar onde ele estava.
Mas para uma mente culpada, muitas vezes a presciência fazia maravilhas.
Damon apressadamente disse o que Stefan esperava que ele não dissesse.
— Eu posso explicar!
— Ai, Deus. — Stefan disse.
— Se ela tivesse feito o que eu dissera para ela...
— Enquanto você esteve fora, virando capitão da guarda de uma princesa?E ela estava... Onde? 
— Ela estava a salvo, pelo menos! Mas, não, ela tinha que sair na rua e então entrar naquela loja...
— Impressionante! Ela saiu na rua?
Damon rangeu os dentes.
— Você não sabe como são as coisas por aqui… Ou como funciona o comércio de escravos. Todo dia...
Stefan bateu as duas mãos sobre a mesa, agora verdadeiramente zangado.
— Ela foi pega por traficantes de escravos? Enquanto você estava curtindo com uma princesa?
— A Princess Jessalyn não é deste tipo. — Damon disse friamente. — Nem eu. E, de qualquer forma, tudo acabou bem, pois agora sabemos onde os Sete Tesouros Kitsune estão.
— Que tesouros? E quem se importa com tesouros quando há uma cidade sendo destruída por kitsune?
Damon abriu sua boca, fechou-a, então olhou estreitamente para Stefan.
— Você disse que falou com Bonnie a respeito de tudo isso.
— Eu falei mesmo com a Bonnie. — Stefan disse, sem rodeios. — Eu disse olá.
Os olhos de Damon queimaram. Por um momento, Stefan pesou que ele estava prestes a rosnar ou começar uma briga. Mas então, com os dentes cerrados, ele disse:
— Isso tudo é por causa daquela maldita cidade, não entende? Aqueles tesouros incluem a maior Esfera Estelar já preenchida com Poder. E aquele Poder pode ser o suficiente para salvar Fell’s Church. E acabar de uma vez por todas com aquela aniquilação. Talvez, até matar cada malach que existe e destruir Shinichi e Misao, só com um sopro. É nobre o suficiente para você, maninho? É motivo o suficiente?
— Mas levar Bonnie...
— Você pode ficar aqui com ela se quiser! Vivam suas vidas aqui! Devo mencionar que sem ela eu não teria sido capaz de fazer essa expedição, e que ela está determinada a ir. Além disso, não vamos voltar da mesma forma. Tem que ter uma rota mais fácil da Casa de Portais até a Terra. Não sobreviveríamos se tentássemos voltar, então é melhor rezarmos para que haja um jeito.
Stefan estava surpreso. Ele nunca havia ouvido seu irmão falar com tanta paixão sobre algo que envolvesse humanos. Ele estava prestes a responder, quando atrás dele veio um grito de pura raiva. E estava com medo... E preocupado, também, por que Stefan reconheceria aquela voz em qualquer lugar, a qualquer hora. Era a voz de Elena.

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