26 de novembro de 2015

Capítulo 26

 Temos que manter nosso foco no resgate de Stefan — dizia Elena na sala que Damon tomara para si, a antiga biblioteca da mansão de Lady Ulma.
— Onde mais minha mente estaria? — disse Damon, sem tirar os olhos do pescoço de Elena, com seus enfeites de madrepérola e diamantes. De algum modo, o vestido branco realçava o pescoço magro e macio de Elena, e ela sabia disso.
Elena suspirou.
— Se achássemos que realmente é o que pretende, então podíamos todas relaxar.
— Quer dizer relaxar como você está fazendo agora? — Elena tremeu um pouco por dentro. Damon podia parecer completamente absorto em uma coisa e apenas nela, mas seu senso de autopreservação cuidava para que ele estivesse constantemente em guarda, e vendo não só o que queria ver, mas tudo o que o cercava.
E era verdade que Elena estava quase insuportavelmente animada. Que os outros pensem que era o vestido maravilhoso. — E era o vestido maravilhoso.
E Elena estava profundamente grata a Lady Ulma e suas ajudantes por conseguirem fazê-lo a tempo. O que realmente a animava, porém, era a oportunidade — não, a certeza, disse ela a si mesma com firmeza — de que esta noite encontraria a metade da chave que lhes permitiria salvar Stefan. A lembrança do rosto dele, a ideia de vê-lo em carne e osso era...
Era apavorante. Pensando no que Bonnie dissera enquanto dormia, Elena estendeu a mão, procurando conforto e compreensão, e de algum modo descobriu que em vez de segurar a mão de Damon estava nos braços dele.
A verdadeira pergunta é: o que Stefan dirá sobre aquela noite no hotel com Damon? O que Stefan diria? O que poderia ser dito?
— Estou com medo — ela ouviu, e um minuto tarde demais reconheceu a própria voz.
— Ora, não pense nisso — disse Damon. — Só vai piorar as coisas.
Mas eu menti, pensou Elena. Você nem se lembra disso, ou também estaria mentindo.
— O que quer que tenha acontecido, prometo que fica com você — disse Damon com brandura. — Já lhe dei a minha palavra, aliás.
Elena podia sentir a respiração dele perto de seus cabelos.
— E manter o foco na chave?
 Sim, sim, mas não me alimentei bem hoje. — Elena se sobressaltou, depois puxou Damon para mais perto. Por um instante ela sentiu não apenas uma fome voraz, mas uma dor aguda que a confundiu. Mas agora, antes que pudesse localizá-la no espaço, a dor passara e sua ligação com Damon foi abruptamente interrompida.
 Damon.
— Sim?
 Não me isole.
— Não estou isolando você. Apenas disse tudo o que há para dizer, é só. Você sabe que vou procurar a chave.
 Obrigada. — Elena tentou novamente. — Mas não pode passar fome...
Quem disse que estou passando fome? Agora a ligação telepática de Damon voltara, mas faltava algo. Ele estava deliberadamente escondendo alguma coisa, concentrando-se em atacar os sentidos de Elena com outra coisa — a fome.
Elena podia senti-la grassando nele, como se ele fosse um animal selvagem que andasse havia dias — havia semanas — sem matar.
A sala girou lentamente em volta de Elena.
— Está... tudo bem — sussurrou ela, surpresa por Damon ser capaz de ficar firme e abraçá-la, com seu íntimo se dilacerando daquele jeito. — O que você... precisar... tomar...
E ela sentiu a sonda mais delicada no pescoço, de dentes afiados como navalha.
Elena cedeu, rendendo-se às sensações.
***
Enquanto se preparavam para o baile da Rouxinol de Prata, onde iriam procurar a primeira metade da chave dupla de raposa para libertar Stefan, Meredith lera algo no impresso que enfiara na bolsa. A informação era fruto do que descobrira pesquisando na internet. Ela fez o máximo que pôde para descrever a Elena e aos outros tudo o que conseguira descobrir. Mas como podia ter certeza de que não deixara de fora uma pista essencial, alguma informação imensamente importante que faria toda a diferença entre o sucesso e o fracasso desta noite? Entre encontrar uma maneira de salvar Stefan e voltar derrotados para casa, enquanto ele padecia na prisão?
Não, pensou ela, parada diante do espelho de prata, quase com medo de olhar a beleza exótica que se tornara. Não, não podemos pensar na palavra fracasso. Pela vida de Stefan, temos de conseguir. E temos de conseguir sem que sejamos apanhados.

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