29 de novembro de 2015

Capítulo 25

— Dormir no armazém com a todas as paredes cobertas com Post-It. — Meredith acrescentou sombriamente. — Se tiver o bastante. Eu tenho outro pacote, mas não servirá se você está tentando cobrir um quarto.
— Ok. — Elena disse. — Quem está com a chave de Shinichi?
Matt ergueu sua mão.
— Está no meu...
— Não me diga! — Exclamou Elena. — Eu estou com a dela. Não podemos perdê-las. Stefan e eu somos uma equipe; vocês dois são outra.
Eles meio empurraram e meio que deram suporte para que Misao saísse do quarto de Stefan e descesse as escadas. Misao não tentou correr deles, confrontá-los, ou falar com eles. Isso fez com que Matt suspeitasse ainda mais dela. Ele viu Stefan e Elena dando olhadelas um para outro e soube que eles sentiam a mesma coisa.
Mas o que mais se podia fazer com ela? Não havia outro jeito, humana ou desumanamente, de contê-la durante alguns dias.
Eles tinham a sua Esfera Estelar e, de acordo com os livros, isso permitiria que a controlassem, mas ela estava certa, parecia um jeito obsoleto, pois não funcionara. Eles haviam tentado, fazendo com que Stefan e Meredith a segurassem firmemente, enquanto Matt pegava a Esfera Estelar de onde ele a escondera: em uma caixa de sapatos, na prateleira superior, acima das roupas de seu armário.
Ele e Elena haviam tentado fazer com Misao fizesse coisas enquanto seguravam a esfera quase vazia: fazer Misao contar onde a Esfera Estelar de seu irmão estava, e assim vai. Mas simplesmente não funcionara.
— Talvez, quando há tão pouco Poder dentro dela, ela não seja capaz de fazer isso. — Elena disse finalmente.
Mas isto era um pequeno consolo, na melhor das hipóteses.
Enquanto levavam Misao à cozinha, Matt pensou que aquele havia sido um plano kitsune estúpido: imitar Stefan duas vezes. Fazer isso uma segunda vez, quando os humanos estavam em guarda, havia sido burrice. Misao não parecia ser assim tão burra.
Matt teve um pressentimento ruim.
Elena tinha um pressentimento muito ruim sobre o que estavam fazendo. Enquanto ela olhava para os rostos ao seu redor, via que eles também tinham. Mas ninguém veio com uma ideia melhor. Eles não podiam matar Misao. Eles não eram assassinos que matavam a sangue frio uma garota fraca e doente.
Ela imaginou que Shinichi deveria ter uma audição muito forte, e já tinha os ouvido caminhar sobre o piso da cozinha que rangia. E ela deduziu que ele sabia — via ligação mental, lógica ou qualquer outra coisa — que ela estava acima dele.
Eles não tinham nada a perder em gritar através da porta:
— Shinichi, estamos com sua irmã aqui! Se você a quiser de volta, deve ficar quieto para que não precisemos jogá-la escada abaixo.
Houve silêncio da dispensa.
Elena escolheu pensar nisso como silêncio de submissão. Pelo menos Shinichi não estava gritando ameaças.
— Ok. — Elena sussurrou. Ela se colocou em posição bem atrás de Misao. — Quando eu contar até três, nós a empurramos o mais forte que pudermos.
— Espera! — Matt disse em um miserável meio-sussurro. — Você disse que não a jogaríamos escada abaixo.
— A vida não é justa. — Elena disse sombriamente. — Você acha que ele não tem uma surpresinha para nós?
— Mas...
— Deixa pra lá, Matt. — Disse Meredith quietamente.
Ela tinha a estaca preparada em sua mão esquerda e a direita estava preparada para apertar o painel que abriria a porta.
— Todos prontos?
Todos concordaram. Elena sentiu pena por Matt e Stefan, que eram os mais honesto e sensíveis de todos eles.
— Um — Ela sussurrou levemente. —, dois, três.
No três, Meredith acertou o interruptor oculto na parede. E então, as coisas começaram a acontecer de um jeito bem devagar.
No “dois”, Elena já se começou a empurrar Misao para a porta. No “três”, os outros a acompanharam.
Mas pareceu que a porta demorou uma eternidade para abrir. E antes do fim da eternidade, tudo se complicou.
A vegetação ao redor do cabelo de Misao espalhou galhos em todas as direções. Um deles disparou e agarrou Elena em torno do pulso. Ela ouviu um grito de indignação de Matt e soube que outro galho havia chegado nele.
— Empurre! — Meredith gritou e, em seguida, Elena viu que a estaca havia aparecido para ela.
Meredith bateu com a estaca na vegetação que estava ligada à Misao. O galho que estava cortando o pulso de Elena caiu no chão.
Quaisquer dúvidas restantes sobre lançar Misao escada abaixo desapareceram. Elena entrou no meio da multidão, tentando empurrá-la para a porta. Mas havia algo errado na dispensa. Por um lado, eles estavam empurrando Misao para a escuridão total... Mas algo também estava se mexendo.
A dispensa estava cheia de... Coisas. Coisas.
Elena olhou para seu tornozelo e ficou horrorizada ao ver uma larva gigante que parecia ter se arrastado para for a da dispensa.
Ou, pelo menos, uma larva foi à primeira coisa que ela pôde comparar com aquilo... Talvez fosse uma lesma sem cabeça. Era translúcida, preta e tinha cerca trinta centímetros de comprimento, mas era muito gorda para ela ter colocado a mão em torno daquilo. Parecia ter duas maneiras de se mover: uma pelo modo de rastejar familiar e a outra simplesmente se juntando às outras larvas, que foram chegando até a cabeça de Elena como uma horrível explosão de uma fonte.
Elena olhou para cima e desejou não ter feito isso.
Havia uma cobra-naja rastejando acima deles, saindo da dispensa e indo à cozinha. Era uma cobra-naja preta translúcida com larvas grudadas, e de vez uma caía no chão entre o grupo e logo haveria gritos.
Se Bonnie estivesse com eles, teria gritado até que os copos de vinho nos armários se quebrassem, Elena pensou freneticamente.
Meredith estava tentando atacar a cobra-naja com a estaca e alcançar em seus jeans alguns Post-It ao mesmo tempo.
— Eu pego os Post-It. — Elena arfou, e contorceu sua mão no bolso de Meredith.
Seus dedos se fecharam em maço pequeno de cartões e ela os puxou para fora triunfantemente.
Só então o primeiro verme brilhante e gordo caiu sobre sua pele nua. Ela queria gritar de dor enquanto seus pezinhos ou dentes ou presas — ou o que quer que fossem — a queimavam e picavam. Retirou um pequeno cartão do feixe, no qual não era um Post-It, mas um pequeno cartão com os mesmos símbolos, apesar de mais frágeis, e bateu-o contra a coisa que parecia uma larva.
Nada aconteceu.
Meredith estava enfiando a estaca no meio da cobra agora.
Elena viu outra das criaturas quase caírem em seu rosto virado pra cima e conseguiu se mover, fazendo com que algumas delas caíssem em seu colarinho. Ela tentou outra carta do maço quanto este simplesmente saiu de sua mão — os vermes pareciam ser pegajosos, mas não eram — e então ela deu um grito primordial e tirou com ambas as mãos aquelas coisas feias que estavam atacando-a. Elas deram lugar a uma pele coberta com manchas vermelhas e sua camiseta rasgada no ombro.
— Os amuletos não estão funcionando. — Ela gritou para Meredith.
Meredith estava acima da cabeça balançante da cobra-verme, esfaquiando-a e apunhalando-a até que chegasse ao centro. Sua voz estava abafada:
— Não temos amuletos o suficiente, de qualquer forma! Há muitas dessas larvas. É melhor corrermos.
Um instante mais tarde, Stefan gritou:
— Todos saíam daqui! Há alguma coisa sólida lá dentro!
— É isso o que eu estou tentando dizer! — Meredith gritou de volta.
Freneticamente, Matt berrou:
— Cadê a Misao?
A última vez que Elena a havia visto, ela estava tremendo e mergulhando na massa escura e segmentada.
— Se foi. — Ela gritou de volta. — Cadê a Sra. Flowers?
— Na cozinha. — Disse uma voz atrás dela.
Elena deu uma olhadela para trás e viu a velha senhora com ervas em ambas as mãos.
— Ok. — Stefan gritou. — Todo mundo dê alguns passos para trás. Vou acertá-los com Poder. Façam isso... Agora!
Sua voz parecia uma chicotada. Todo mundo deu um passo para trás, até mesmo Meredith, que estava examinando a cobra com sua estaca.
Stefan fechou a mão em torno do nada, em torno do ar, e virou-se para a luz de energia brilhante e cintilante. Ele atirou à queima-roupa na cobra feita de vermes.
Houve uma explosão, e então, de repente, estava chovendo vermes. Elena tinha seus dentes fechados, de modo a evitar que gritasse. Os corpos ovais e translúcidos dos vermes se abriram no chão da cozinha como ameixas duras, ou coisa pior. Quando Elena se atreveu a olhar para cima novamente, viu uma mancha preta no teto.
Embaixo dela, sorrindo, estava Shinichi.
Meredith, rápida com um relâmpago, tentou enfiar-lhe a estaca. Mas Shinichi foi mais rápido, saindo de seu caminho, esquivando de sua estocada, e das outras que vieram.
— Vocês, humanos — Ele disse. —, são todos iguais. Todos estúpidos. Quando a Meia-Noite finalmente chegar, verão o quão idiotas foram.
Ele disse “Meia-Noite” como se estivesse dizendo “o Apocalipse”.
— Fomos espertos o bastante para descobrirmos que vocês não eram o Stefan. — Matt disse por detrás de Shinichi.
Shinichi revirou os olhos.
— E me colocaram em um cômodo cheio de madeira. Vocês nem ao menos conseguem lembrar que os kitsune controlam todas as plantas e árvores? As paredes estão cheias de larvas malach agora, saibam disso. Completamente infestadas.
Seus olhos brilharam... E ele deu uma olhadela para trás, Elena percebeu, olhando para a porta aberta da dispensa.
Seu medo aumentou ao mesmo tempo em que Stefan gritou:
— Saíam daqui! Vamos para fora da casa! Para algum lugar seguro!
Elena e Meredith encararam-se, paralisadas. Elas eram de equipes diferentes, mas não pareciam ser capazes de se separarem. Então, Meredith se esqueceu disso e virou-se de volta para a cozinha para ajudar a Sra. Flowers. Matt já estava lá, fazendo a mesma coisa.
E então, Elena se encontrou arrastando seus pés e movendo-se rapidamente. Stefan estava com ela e ambos corriam para a porta da frente.
À distância, ela ouviu Shinichi gritar:
— Me tragam os ossos deles!
Um dos vermes que Elena tirou de seu caminho explodiu e Elena viu algo rastejar, tentando sair dali.
Aqueles eram os verdadeiros malach, ela percebeu. Pequenas versões daquele que havia engolido o braço de Matt e deixou aqueles grandes e profundos arranhões quando ele o puxou de volta.
Ela percebeu que havia um preso nas costas de Stefan.
Ousada e furiosa, pegou aquilo próximo aos pés e o puxou, arrancando-o implacavelmente apesar de Stefan ofegar de dor. Quando aquilo se soltou, ela teve o vislumbre do que parecia ser dezenas de dentes de criancinha no lado inferior. Ela jogou aquilo contra uma parede enquanto alcançavam a porta da frente.
Lá, eles quase colidiram com Matt, Meredith e a Sra. Flowers, que saíram da escuridão. Stefan escancarou a porta e, quando todos passaram, Meredith bateu-a com força. Alguns malach — larvas gosmentas e alguns voadores — saíram junto com eles.
— Onde é seguro? — Debateu Meredith. — Quero dizer, realmente seguro, seguro por alguns dias?
Nem ela nem Matt haviam impulsionado a Sra. Flowers em relação a sua velocidade, então Elena deduziu que ela devia ser quase tão leve quanto uma palha.
Esta continua a dizer:
— Meu Deus! Ai, gracioso!
— Minha casa? — Matt sugeriu. — O quarteirão está bem ruim, mas estava tudo bem desde a última vez em a vi, e minha mãe se foi junto com a Dr.ª Alpert.
— Ok, a casa do Matt... Usando as Chaves Mestras. Mas vamos fazer isso no armazém. Eu não quero abrir esta porta da frente novamente, não importando o motivo. — Elena disse.
Quando Stefan tentou pegá-la no colo, ela sacudiu a cabeça.
— Estou bem. Corra o mais rápido que puder e destrua qualquer malach que você ver.
Eles chegaram até o armazém, mas agora um som parecido com vipvipvip — um zumbido agudo que só poderia ser produzido por malach — os seguia.
— E agora? — Matt ofegou, ajudando a Sra. Flowers a se sentar na cama.
Stefan hesitou.
— Você acha que a sua casa é realmente segura?
— Algum lugar é seguro? Mas lá está vazio, ou deve estar.
Enquanto isso, Meredith chamou Elena e a Sra. Flowers para um canto. Para o horror de Elena, Meredith estava segurando uma daquelas larvas menores, agarrando-a de forma que sua parte inferior estava virada para cima.
— Ai, Deus...
Elena protestou, mas Meredith disse:
— Se parecem muito com dentes de criança, não parecem?
De repente, a Sra. Flowers ficou animada.
— De fato, parecem! Está dizendo que aquele fêmur que encontramos na mata...
— Sim. Aquilo era certamente humano, mas talvez não fora mastigado por humanos. Por crianças humanas. — Meredith disse.
— E Shinichi gritou para que os malach trouxessem para ele os nossos ossos… — Elena disse e engoliu em seco.
Então, ela olhou para a larva novamente.
— Meredith, se livre logo desta coisa! Isso vai se transformar em um malach voador.
Meredith olhou ao redor do armazém sem expressão.
— Ok... Solte-o e eu o esmagarei. — Elena disse, segurando sua respiração para conter sua náusea.
Meredith soltou a coisa preta, translúcida e gorda, que explodiu com o impacto. Elena colocou seu corpo contra aquilo, mas o malach interior não foi esmagado. Em vez disso, quando ela levantou o pé, aquilo tentou escorregar para debaixo da cama. A estaca o cortou perfeitamente em dois pedaços.
— Garotos — Elena disse bruscamente para Matt e Stefan —, temos que ir agora . Lá fora há muitos malach voadores!
Matt virou-se para ela.
— Como aquele que...
— Menores, mas idênticos àquele que te atacou, eu acho.
— Ok, aqui vai o que nós achamos — Stefan disse de um jeito que imediatamente fez com Elena ficasse inquieta. — Alguém tem que ir à Dimensão das Trevas verificar como está Bonnie. Acho que sou o único que pode fazer isso, desde que sou um vampiro. Vocês não poderiam entrar...
— Sim, poderíamos. — Meredith. — Com essas chaves, podemos simplesmente dizer “Nos leve até a casa de Lady Ulma na Dimensão das Trevas”. Ou “Nos leve até onde Bonnie está”. Por que isto não funcionaria?
Elena disse:
— Ok. Meredith, Matt e a Sra. Flowers podem ficar aqui e tentarem descobrir o que é “Meia-Noite”. Pelo modo como Shinichi disse, parece ser coisa ruim. Enquanto isso, Stefan e eu vamos à Dimensão das Trevas e encontramos a Bonnie.
— Não! — Stefan disse. — Eu não vou levá-la naquele lugar horrível novamente.
Elena olhou para ele diretamente nos olhos.
— Você prometeu. — Ela disse, indiferente quanto as outras pessoas na sala. — Você prometeu nunca ir novamente a uma busca sem mim. Não importasse o tempo que levasse, não importasse o motivo. Você prometeu.
Stefan olhou para ela desesperadamente. Elena sabia que ele queria mantê-la a salva — mas qual mundo estava realmente a salvo agora? Ambos estavam cobertos de horror e perigo.
— De qualquer forma — Ela disse com um sorriso malicioso —, sou eu quem está com a chave.

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