26 de novembro de 2015

Capítulo 25

 Ah, eu só queria dar uma espiadinha — gemeu Bonnie, olhando o caderno proibido, aquele em que Lady Ulma desenhara as roupas de alta-costura das três para a primeira festa, o baile que aconteceria naquela noite. Ao lado dele, havia algumas amostras quadradas de tecido em cetim brilhante, seda ondulante, musselina transparente e veludo macio e luxuoso.
— Vocês farão a última prova daqui a uma hora... Desta vez de olhos abertos! — Elena riu. — Mas não podemos nos esquecer de que esta noite não é para nos divertirmos. Teremos de dançar algumas músicas, é claro...
— É claro! — repetiu Bonnie, extasiada.
— Mas estaremos lá para encontrar a chave. A primeira metade da chave dupla de raposa. Tudo o que a gente precisava era de uma esfera estelar que mostrasse o interior da casa esta noite.
— Bom, todos sabemos muito sobre isso; podemos conversar e tentar imaginar — disse Meredith.
Elena, que estivera mexendo na esfera estelar da outra casa, agora baixou o globo levemente embaçado e disse:
— Tudo bem. Vamos pôr a cabeça para funcionar.
— Posso participar também? — uma voz baixa e contida perguntou da soleira da porta. As meninas se viraram, levantando-se ao mesmo tempo para receber uma Lady Ulma sorridente.
Antes de se sentar, ela deu um abraço e um beijo particularmente afetuosos em Elena e esta não conseguiu deixar de comparar a mulher que tinham visto na casa do Dr. Meggar com a dama elegante que a agora estava na sua frente. Antes, ela mal passava de pele e ossos, com os olhos de uma criatura selvagem e assustada sob grande tensão, usando um vestido largo e comum, com chinelos de homem. Agora fazia Elena se lembrar de uma dama, romana, com o rosto tranquilo e começando a se encher sob uma coroa de tranças pretas e reluzentes, presas atrás por grampos cravejados de pedras preciosas. O corpo também havia sido preenchido, especialmente a barriga, embora ela conservasse sua elegância natural ao se sentar em um sofá de veludo. Estava com um vestido de seda pura, cor de açafrão, com uma anágua damasco cheia e reluzente.
— Estamos tão animadas com a prova de roupa desta noite — disse Elena, assentindo para o caderno de desenho.
— Também estou animada como uma criança — admitiu Lady Ulma. — Só queria poder fazer por vocês um décimo do que fizeram por mim.
— A senhora já fez — disse Elena. — Se conseguirmos encontrar as chaves de raposa... Será apenas porque nos ajudou. E isso... Nem imagina o quanto isso significa para mim — concluiu quase aos sussurros.
— Mas nunca passou pela sua cabeça que eu podia ajudá-la quando infringiu a lei por uma escrava arruinada. Simplesmente quis me salvar... E sofreu muito por isso — respondeu Ulma voz baixa.
Elena se remexeu, pouco à vontade. O corte que descia pelo rosto deixou apenas uma leve cicatriz branca e fina pela face. Antigamente — assim que ela voltou à Terra, vinda do além teria eliminado a cicatriz com um simples toque de Poder. Mas agora, embora pudesse canalizar seu Poder pelo corpo e usá-lo para aprimorar seus sentidos, por mais que tentasse, não conseguia obrigá-lo a obedecer a sua vontade.
E antigamente, pensou, imaginando a Elena que se postava no estacionamento da Robert E. Lee School e babava por um Porsche, ela teria considerado a marca em seu rosto a maior calamidade da vida. Mas com todos os elogios que recebera, com Damon a chamando de "marca branca da honrae sua certeza de que significaria tão pouco para Stefan quanto uma cicatriz no rosto dele significava para ela, Elena descobrira que não devia se preocupar muito com ela.
Não sou a mesma de antigamente, pensou. E estou feliz com isso.
— Não importa — disse ela, ignorando a perna dolorida que às vezes latejava. — Vamos falar da Rouxinol de Prata e do baile de gala.
— Muito bem — disse Meredith. — O que sabemos sobre ela? Como era mesmo a dica, Elena?
— Misao disse: "Se eu dissesse que uma das metades estaria dentro do instrumento de prata do rouxinol, isso lhe daria alguma ideia?"... ou rouxinol de prata, ou coisa assim — repetiu Elena obedientemente. Todas elas sabiam as palavras de cor, mas fazia parte do ritual sempre que discutiam o assunto.
— E "Rouxinol de Prata" é o apelido de Lady Fazina Darley, e todos na Dimensão das Trevas sabem disso! — exclamou Bonnie, batendo as mãozinhas de puro deleite.
— Decerto, este é seu apelido há tempos, desde quando ela chegou aqui e começou a cantar e tocar sua harpa com cordas de prata — acrescentou Lady Ulma com gravidade.
— E as cordas de harpa precisam ser afinadas, e são afinadas com chaves — continuou Bonnie, animada.
— Sim. — Meredith, por sua vez, falava devagar e pensativamente. Mas não é uma chave de afinação de harpa que estamos procurando. Elas são mais ou menos assim. — Numa mesa ao lado, ela colocou um objeto feito de bordo, claro e liso, que parecia um T muito pequeno ou, se virasse de lado, uma árvore que se curvava graciosamente com um galho curto e horizontal.
— Consegui esta com um dos menestréis que Damon contratou.
Bonnie olhou imponente a chave de afinação.
— Mas pode ser uma chave de afinação de harpa que estamos procurando — insistiu ela. — Pode ser usada para as duas coisas, de alguma maneira.
— Não sei como — disse Meredith, obstinada. — A não ser que mudem de forma de alguma maneira quando as duas metades são unidas.
— Ah, meu Deus, sim — disse Lady Ulma, como se Meredith tivesse acabado de dizer algo muito óbvio. — Se são metades mágicas de uma única chave, elas provavelmente mudarão de forma quando forem unidas.
— Viu? — disse Bonnie.
— Mas se podem assumir qualquer forma, então como diabos vamos saber quando as acharmos? — perguntou Elena com impaciência. Só o que lhe importava era encontrar o que fosse preciso para salvar Stefan.
Lady Ulma se calou e Elena se sentiu mal. Odiava usar um linguajar ríspido ou até demonstrar irritação na frente da mulher que teve uma vida de tanta submissão e horror desde o início da adolescência. Elena queria que Lady Ulma se sentisse segura, que fosse feliz.
— De qualquer maneira — disse rapidamente, — de uma coisa temos certeza. Está no instrumento da Rouxinol de Prata. Então o que estiver dentro da harpa de Lady Fazina, tem que ser a chave.
— Ah, mas... — começou Lady Ulma, depois se deteve quase antes de pronunciar as palavras.
— O que foi? — perguntou Elena com gentileza.
— Ah, nada — disse Lady Ulma, apressadamente. — Quero dizer, vocês gostariam de ver os vestidos agora? Esta última prova é só para ter certeza de que cada costura está perfeita.
— Ah, adoraríamos! — exclamou Bonnie, ao mesmo tempo mergulhando para o caderno, enquanto Meredith tocou sino, fazendo uma criada entrar correndo e seguir apressadamente para a sala de costura.
— Só queria que o amo Damon e Lorde Sage concordassem em me deixar criar alguma coisa para eles vestirem — disse Lady Ulma com tristeza para Elena.
— Ah, Sage não vai. E tenho certeza que Damon não se importaria... Desde que desenhasse para ele uma jaqueta de couro preta, uma camisa preta, jeans pretos e botas pretas, idênticos ao que ele usa todo dia, ele ficaria feliz em usar essas roupas.
Lady Ulma riu.
— Entendi. Bem, nesta noite haverá estilos fantásticos o bastante para ele escolher caso mude de ideia no futuro. Agora vamos fechar as cortinas de todas as janelas. O baile de gala acontecerá dentro da casa, apenas com a iluminação de lâmpadas a gás, assim veremos as cores como realmente são.
 Ah, é por isso que os convites diziam "interior" — disse Bonnie. — Achei que talvez fosse por causa da chuva.
 É por causa do sol — disse Lady Ulma com seriedade. — àquela luz carmim abominável, que muda todo azul para roxo, todo amarelo para marrom. Veja você, ninguém usaria azul-claro ou verde numa soirée ao ar livre... Nem mesmo você, com esse cabelo arruivado que ficaria ótimo com isso.
— Entendi. Dá para perceber que ter esse sol pairando aqui todo dia deixa a gente deprimida depois de algum tempo.
— Será que percebe mesmo? — murmurou Lady Ulma, depois acrescentou rapidamente: — Enquanto esperamos, posso mostrar o que criei para sua amiga alta que duvida de mim?
 Ah, por favor, sim! — Bonnie estendeu o caderno. Lady Ulma folheou até uma página que pareceu agradá-la. Pegou canetas e lápis de cor como uma criança ansiosa para mexer novamente em seus brinquedos favoritos.
— Aqui está — disse ela, usando os lápis de cor para acrescentar uma linha aqui e um traço ali, segurando o livro para que as meninas pudessem ver o desenho.
 Ai, meu Deus! — exclamou Bonnie, visivelmente atônita, e Elena sentiu os olhos se arregalarem.
A menina no desenho era sem dúvida Meredith, com metade do cabelo presa e metade solta, mas com um vestido... Que vestido! Preto como ébano, sem alças, colava-se na longa figura magra perfeitamente desenhada na imagem, destacando as curvas, aprimorando-as por cima do que Elena aprendera se chamar decote coração, pois fazia com que a frente do vestido de Meredith lembrasse exatamente isso. Era justinho até os joelhos, onde de repente se abria de novo, dramaticamente cheio.
— Um vestido de "sirena" — explicou Lady Ulma, enfim satisfeita com o desenho. — E aqui está — acrescentou ela quando várias costureiras entraram, segurando com reverência o milagroso vestido entre elas. Agora as meninas podiam ver que o tecido era um veludo preto e macio, pontilhado de retângulos dourados e metálicos. Era preto como a noite em nosso mundo, pensou Elena, com mil estrelas cadentes no céu.
— E com isso, você usará esses brincos de ônix negro e ouro bem grandes, esses grampos de ouro e ônix negro para prender o cabelo no alto e algumas lindas pulseiras e anéis do conjunto que Lucen fez para esta roupa — continuou Lady Ulma. Elena percebeu que em algum momento, nos últimos minutos, Lucen entrou na sala. Ela sorriu, depois os olhos de Lady Ulma caíram na bandeja que ele trazia. Por cima, contra um fundo marfin, havia duas pulseiras de ônix negro e diamantes, assim como um anel com um diamante que quase a fez desmaiar.
Meredith olhava a sala como se tivesse numa discussão particular e não soubesse como sair. Depois olhou do vestido para as jóias e para Lady Ulma.
Meredith não era de perder a compostura com facilidade. Mas depois de um instante, simplesmente foi até Lady Ulma e a abraçou com força, depois foi a Lucen e muito gentilmente pôs a mão em seu braço. Estava claro que ela não conseguia falar.
Agora Bonnie examinava o desenho com os olhos de connoisseur.
— Essas pulseiras do conjunto foram feitas especialmente para este vestido, não foram? — perguntou ela com um ar de conspiração.
Para surpresa de Elena, Lady Ulma ficou pouco à vontade. Depois disse lentamente.
— A verdade é que... Bem, que a Srta. Meredith é... uma escrava. É obrigatório que todos os escravos usem uma espécie de pulseira simbólica quando saem de suas casas. — Ela baixou os olhos para o piso de madeira encerado. Seu rosto estava corado.
— Lady Ulma... Ah, por favor, não vê que isso não tem importância para nós?
Os olhos de Lady Ulma lampejaram enquanto ela erguia a cabeça.
— Não importa?
— Bem — disse Elena com orgulho, — não importa mesmo... Porque não há nada que se possa fazer a respeito disso, não agora. — É claro que as criadas não sabiam dos segredos da relação entre Damon, Elena, Bonnie e Meredith. Nem Lady Ulma conseguia entender por que Damon não libertara as três meninas para o caso de alguma coisa acontecer. Que os Guardiões Celestes nos livrem disso. Mas as meninas tinham formado uma falange sólida contra isso; seria como trazer má sorte a todo o empreendimento.
— Bom, de qualquer forma — Bonnie tagarelava, — achei as pulseiras lindas. Quero dizer, ela não pode achar nada mais perfeito para o vestido, não é? — continuou, afagando a sensibilidade profissional do ourives.
Lucen sorriu com modéstia e Lady Ulma o olhou amorosamente.
Meredith ainda estava radiante.
— Lady Ulma, não sei como agradecer. Vou usar esse vestido... E à noite serei alguém que nunca fui na vida. É claro que a senhora desenhou meu cabelo preso no alto, ou parte dele. Em geral não o uso assim — Meredith terminou com a voz fraca.
— Esta noite... usará no alto, por cima desses lindos olhos castanhos que você tem. Este vestido é para mostrar as curvas encantadoras de seus ombros e braços. É um crime cobri-los, seja dia ou noite. E o penteado é para expor seu rosto exótico, e não para escondê-lo! — disse Lady Ulma com firmeza.
Que bom, pensou Elena. Elas saíram do assunto da escravidão simbólica.
— Vai usar um pouco de maquiagem também... Ouro claro nas pálpebras e kohl para aperfeiçoar e alongar seus cílios. Um toque de batom dourado, mas sem ruge; acho que não funciona, para jovens. Sua pele morena completará a imagem de uma donzela sensual com perfeição.
Meredith olhou indefesa para Elena.
— Eu também não costumo usar maquiagem nenhuma — disse ela, mas as duas sabiam que ela não tinha como escapar. A visão de Lady Ulma ganharia vida.
— Não chame de vestido de sirena; ela será uma sereia — disse Bonnie com entusiasmo. — Mas é melhor colocarmos um feitiço nele para afastar todos os marinheiros vampiros.
Para surpresa de Elena, Lady Ulma assentiu com solenidade.
— Minha amiga costureira mandou uma sacerdotisa hoje para abençoar todas as roupas e evitar que vocês sejam vítimas de vampiros, é claro. Isso tem a sua aprovação? — Ela olhou Elena, que assentiu.
— Desde que deixem Damon fora disso — acrescentou brincando, e sentiu o tempo paralisar enquanto Meredith e Bonnie de imediato lhe voltaram os olhos, buscando qualquer na expressão de Elena que a entregasse.
Mas Elena continuou com a expressão neutra, e Lady Ulma prosseguia:
— Naturalmente, as restrições não se aplicariam a seu... ao amo Damon.
— Naturalmente — disse Elena, séria.
— E agora tratemos de como a linda baixinha irá ao baile de gala. — Lady Ulma se dirigia a Bonnie, que mordeu o lábio, corando. — Tenho uma coisa muito especial para você. Não sei quanto tempo esperei para trabalhar com esse tecido. Eu o namorava nas vitrines ano após ano, roendo-me para comprar e criar algo com ele. Está vendo? — E em seguida o grupo de costureiras avançou, segurando um vestido menor e mais leve, enquanto Lady Ulma erguia o desenho. Elena já olhava maravilhada. O tecido era glorioso, inacreditável, mas foi especialmente inteligente como tinha sido costurado.
O tecido era azul-esverdeado, com o mais maravilhoso bordado representando as plumas com olhos de um pavão se abrindo a partir da cintura.
Os olhos castanhos de Bonnie se arregalaram de novo.
— Isso é para mim? — sussurrou ela, quase temerosa de tocar o tecido.
— Sim, e vamos prender seu cabelo para trás até que você fique sofisticada como sua amiga. Ande, experimente. Acho que vai gostar. — Lucen havia se retirado e Meredith já estava sendo cuidadosamente colocada no vestido de sereia.
Bonnie começou a tirar a roupa, feliz.
E viu-se que Lady Ulma tinha razão. Bonnie adorou ver como ficaria naquela noite. Agora recebia os últimos retoques, como um borrifo delicado de citrus e água de rosas; uma fragrância feita especialmente para ela. Ela ficou diante de um espelho imenso de moldura prateada, minutos antes de partirem para o baile dado por Fazina, a Rouxinol de Prata em pessoa.
Bonnie virou-se um pouco, olhando, encantada, o vestido em alças e de saia rodada. Seu corpete era feito — ou parecia ser feito — inteiramente com penas de pavão, organizados num leque que se unia na cintura, mostrando como era magra. Havia outro leque de plumas maiores que apontavam para baixo a partir da cintura, na frente e nas costas. As costas na realidade tinham uma pequena cauda de penas de pavão contra a seda esmeralda. Na frente, abaixo da rama maior que apontava para baixo, um desenho em prata e ouro, de plumas ondulantes estilizadas, todas invertidas, abria caminho para a bainha do vestido, debruada com um brocado de ouro fino.
Como se não bastasse, Lady Ulma tinha um leque feito de pluma de pavão verdadeiras incrustados em um punho de jade esmeralda, com uma franja de jade que se tinia suavemente, e pingentes de esmeraldas e citrinos na base.
No pescoço de Bonnie havia um colar também de jade, incrustado com esmeraldas, safiras e lápis-lazúli. E em cada pulso havia várias pulseiras de jade esmeralda que estalavam sempre que ela se mexia, o símbolo de sua escravidão.
Mas os olhos de Bonnie mal se demoraram nelas e ela não conseguia odiar as pulseiras. Pensava em como um cabeleireiro especial viera "alisar" os cachos arruivados de Bonnie até que, escurecidos até o vermelho verdadeiro, ficaram colados no crânio e presos com grampos de jade e esmeralda. Sua carinha de coração nunca pareceu tão madura, tão sofisticada. Às pálpebras esmeralda e aos olhos escurecidos com kohl, Lady Ulma acrescentara um batom vermelho vivo e tinha a um só tempo quebrado as regras e a sensatez, portando ela mesma a escovava, retocando aqui e ali o blush para que a pele quase transparente de Bonnie desse a impressão de estar constantemente corando com algum elogio. Brincos de jade de lapidação delicada com sinos de ouro por dentro completavam o conjunto, e Bonnie se sentia uma princesa do Antigo Oriente.
— É mesmo um milagre. Em geral, pareço um duende tentando me fantasiar de líder de torcida ou dama de honra — confidenciou ela, beijando Lady Ulma sem parar, deliciada ao descobrir que o batom ficava nos lábios, e não transferido para o rosto de sua benfeitora. — Mas esta noite eu pareço uma mulher verdade.
Ela continuaria tagarelando, incapaz de se conter, embora Lady Ulma já tentasse discretamente enxugar as lágrimas dos olhos. Mas nesse momento Elena entrou e Bonnie arfou.
O vestido de Elena tinha ficado pronto à tarde e só o que Bonnie conseguira ver dele foi o desenho. Mas de algum modo ele não transmitia o que este vestido realmente fazia por Elena.
Bonnie no fundo se perguntava se Lady Ulma estava deixando demais para a beleza natural de Elena, e tinha esperanças de que a amiga ficasse animada com o próprio vestido como todas estavam com os de Bonnie e Meredith. Agora Bonnie entendia.
— O modelo é chamado de vestido da deusa — explicou Lady Ulma no silêncio que pairou na sala enquanto Elena entrava, e Bonnie pensava perplexa que se as deusas tivessem mesmo vivido no Monte Olimpo, certamente iam querer um vestido daqueles.
O truque do vestido estava em sua simplicidade. Era feito de seda branca leitosa, com uma cintura pregueada delicada (Lady Ulma chamava de pregueado irregular "em fita") que sustentavam duas tiras simples de corpete formando uma gola em V, mostrando a pele de pêssego de Elena entre eles e atrás. Essas tiras, por sua vez, eram mantidas nos ombros por dois fechos entalhados — de ouro cravejado de diamantes e madrepérolas. A partir da cintura, a saia caía reta em dobras graciosas e sedosas até as sandálias delicadas de Elena — também desenhadas em ouro, madrepérolas e diamantes. Nas costas, as duas tiras que se prendiam nos ombros transformavam-se em alças e se cruzavam, reunindo-se na cintura pregueada.
Um vestido simples, que ficava magnífico na menina certa. No pescoço de Elena, um colar feito de ouro e madrepérolas, na forma estilizada de uma borboleta e cravejado de tantos diamantes que parecia reluzir com um fogo multicor sempre que ela se movia e a luz batia neles. Ela estava com o pingente de lápis-lazúli e diamante que Stefan lhe dera, uma vez que se recusou terminantemente a tirá-lo. Não importava. A borboleta cobria inteiramente o pingente.
Em cada braço Elena usava uma pulseira larga de ouro e madrepérola cravejada de diamantes, criações que elas acharam na sala secreta das jóias, obviamente feitas para combinar com o colar.
E era só. O cabelo de Elena foi escovado e escovado e escovado até que formou uma cascata sedosa e dourada de ondas que pendiam nas costas abaixo dos ombros, e havia um toque de batom rosado. Mas seu rosto, com os cílios pretos e grossos e as sobrancelhas arqueadas mais claras — e agora seu olhar de empolgação que separava os lábios cor-de-rosa e trazia uma cor viva às faces — ficara inteiramente por conta própria. Brincos que caíam como cascatas de diamantes espiavam através das mechas douradas.
Ela ia enlouquecer a todos esta noite, pensou Bonnie, olhando o lindo vestido com inveja, mas no bom sentido, em vez de se alegrar com a ideia da sensação que Elena criaria. Ela estava com o vestido mais simples das três, mas ainda conseguia ofuscar Bonnie e Meredith completamente.
No entanto, Bonnie nunca vira Meredith mais bonita — nem mais exótica. Também nunca vira o corpo deslumbrante de Meredith, apesar do amplo sortimento de roupas de grife da amiga.
Meredith deu de ombros quando Bonnie lhe disse isso. Estava com um leque também, de laca preta, que dobrou. Agora o abriu e o fechou de novo, batendo no queixo pensativamente.
— Estamos nas mãos de um gênio — disse ela simplesmente.
— Mas não podemos esquecer o que viemos fazer aqui.

Um comentário:

  1. Cara, só pela descrição já dá pra imaginar que os vestidos são UM LUXO!!!!

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