20 de novembro de 2015

Capítulo 25

Matt lançou-se para Damon em uma corrida que demonstrava claramente as habilidades pelas quais ele tinha adquirido uma bolsa de estudos de futebol na universidade. Ele acelerou de um silêncio absoluto para um borrão de movimento, na tentativa de chegar até Damon, para derrubá-lo.
 Corra ― gritou, no mesmo instante.  Corra!
Elena ficou parada, tentando bolar um Plano A depois deste desastre. Ela tinha sido forçada a assistir a humilhação de Stefan nas mãos de Damon na pensão, mas não achava que pudesse suportar assistir isso.
Mas quando olhou de novo, Matt estava de pé a cerca de onze metros de distância de Damon, com o rosto pálido e amargo, mas vivo e de pé. Ele estava se preparando para avançar em Damon novamente.
E Elena não conseguia correr. Ela sabia que provavelmente seria a melhor coisa – Damon poderia punir Matt brevemente, mas a maior parte de sua atenção estaria voltada para caçá-la.
Mas não podia ter certeza. E não podia ter certeza de que a punição não mataria Matt, ou que ele seria capaz de fugir antes que Damon a tivesse capturado e tivesse o seu tempo livre para pensar nele novamente.
Não, não este Damon, impiedoso e implacável como ele era.
Deve haver alguma maneira – ela quase podia sentir as engrenagens trabalhando em sua própria cabeça.
E então ela viu.
Não, não isso...
Mas o que mais havia a ser feito?
Matt estava, de fato, correndo em direção a Damon novamente, e desta vez enquanto ia para cima dele, ágil e impossível de parar e rápido como uma serpente em disparada, ela viu o que Damon fez. Ele simplesmente deu um passo para o lado no último instante, bem quando Matt estava prestes atingi-lo com um ombro. O impulso de Matt o fez continuar correndo, mas Damon simplesmente virou-se em seu lugar e encarou-o novamente. Então pegou seu maldito ramo de pinheiro. Estava quebrado na ponta onde Matt tinha pisado.
Damon franziu o cenho para o galho, então deu de ombros, levantando-o – e, em seguida, tanto ele e como Matt pararam congelados. Algo veio flutuando pela lateral até parar entre eles no chão. E lá ficou, balançando com a brisa.
Era uma camisa de Pendleton marrom e azul marinha.
Ambos os meninos lentamente viraram em direção a Elena, que vestia uma camisola branca com laços. Ela estremeceu ligeiramente e envolveu seus braços em volta de si. Parecia excepcionalmente frio para esta hora da noite.
Muito lentamente, Damon abaixou o ramo do pinheiro.
 Salvo pela sua inamorata  disse a Matt.
 Eu sei o que isso significa e não é verdade  disse Matt.  Ela é minha amiga, não minha namorada.
Damon apenas sorriu, distante. Elena podia sentir seus olhos sobre seus braços nus.
 Então... para a próxima etapa — ele falou.
Elena não ficou surpresa. Doente, mas não surpresa. Não ficou surpresa nem ao ver, quando Damon virou-se para olhar dela para Matt e de volta, um lampejo de vermelho. Parecia estar refletido no interior dos seus óculos de sol.
 Agora  disse a Elena.  Acho que vamos colocá-la ali naquela pedra, meio que inclinada parcialmente. Mas primeiro – outro beijo  ele olhou de volta para Matt.  Comece a acompanhar, Matt, você está perdendo tempo. Para começar, talvez você beije o cabelo dela, então ela joga a cabeça para trás e você beija seu pescoço, enquanto ela coloca os braços em volta de seus ombros...
Matt, pensou Elena. Damon dissera Matt. Tinha escapado tão facilmente, tão inocentemente. De repente, seu cérebro inteiro, e seu corpo inteiro, também, parecia vibrar em uma única nota de música, parecia ter sido lavada por um banho de chuveiro gelado. E o que dizia a nota era algo que ela já sabia...
Esse não é Damon.
Esta não era a pessoa que ela tinha conhecido há – realmente tinham se passado apenas nove ou dez meses? Ela o tinha visto quando era uma garota humana, e o tinha desafiado e o desejado nas mesmas proporções – e ele parecia tê-la amado mais quando ela o desafiava.
Ela o tinha visto quando era uma vampira e tinha sido atraída por ele com todo o seu ser, e ele cuidou dela como se fosse uma criança.
Ela o tinha visto quando era um espírito, e da pós-vida tinha aprendido muita coisa.
Ele era um mulherengo, poderia ser insensível, derivava através das vidas de suas vítimas como uma quimera, como um catalisador, mudando outras pessoas enquanto ele mesmo permanecia imutável e inalterado. Ele mistificava humanos, os confundia, os usava – deixando-os confusos, porque ele tinha o charme do demônio.
E ela nem por uma vez o tinha visto quebrar sua palavra. Ela tinha um sentimento estremecedor de que isso não era um tipo de decisão, era muito mais uma parte de Damon, cravada tão profundamente em seu subconsciente que nem mesmo ele podia fazer nada para mudar isso. Ele não poderia quebrar sua palavra.
Ele morreria antes disso.
Damon ainda conversava com Matt, dando-lhe ordens.
 ... e depois tirar sua...
E a respeito de sua palavra de ser seu guarda-costas, de mantê-la longe do perigo?
Ele estava falando com ela agora.
 Então você sabe quando jogar a cabeça para trás? Depois que ele...
 Quem é você?
 O quê?
 Você me ouviu. Quem é você? Se você tivesse realmente visto Stefan partir e tivesse prometido cuidar de mim, nada disto teria acontecido. Oh, você poderia estar brincando com Matt, mas não na minha frente. Você não é... Damon não é estúpido. Ele sabe o que é um guarda-costas. Sabe que assistir a dor de Matt me doeria também. Você não é Damon. Quem... é ... você?
A força e a velocidade de uma cobra de Matt não tiveram efeito algum.
Talvez uma abordagem diferente fosse funcionar. Enquanto falava, Elena tinha muito lentamente movido sua mão em direção ao rosto de Damon. Agora, com um movimento, ela tirou seus óculos escuros.
Olhos vermelhos como sangue fresco brilhavam para ela.
 O que você fez?  ela sussurrou.  O que você fez com Damon?
Matt estava fora do alcance de sua voz, mas estava avançando ao redor, tentando obter sua atenção. Ela desejava ardentemente que Matt simplesmente corresse e salvasse sua própria vida. Aqui, ele era apenas outra maneira para esta criatura chantageá-la.
Sem parecer se mover rapidamente, a coisa – Damon abaixou a mão e tirou os óculos de sol da mão de Elena. Foi rápido demais para que ela pudesse resistir.
Então ele tomou seu pulso em um aperto doloroso.
 Isso seria muito mais fácil se ambos colaborassem  ele falou casualmente.  Vocês não parecem perceber o que pode acontecer se me irritarem.
Seu aperto a forçava para baixo, forçando-a a ajoelhar-se. Elena decidiu não permitir isso. Mas, infelizmente, seu corpo não queria colaborar; ele enviava mensagens urgentes de dor para sua mente, de agonia, de queimação, agonia devastadora. Ela pensou que poderia ignorar, poderia aguentar deixá-lo quebrar seu pulso. Mas estava errada. Em algum momento, algo em seu cérebro apagou completamente, e a próxima coisa que soube foi que estava de joelhos com um pulso que parecia ter três vezes seu tamanho e que queimava ferozmente.
 Fraqueza humana  disse Damon desdenhosamente.  Isso te pega todas as vezes... A essa altura, você deveria saber melhor antes de me desobedecer.
Damon não, Elena pensou, de forma tão veemente que ela ficou surpresa de o impostor não ouvi-la.
 Tudo bem — a voz de Damon continuou acima dela tão alegremente como se tivesse simplesmente dado a ela uma sugestão. — Você vai sentar-se sobre a rocha, inclinando-se para trás, e Matt, você virá até aqui, de frente para ela.
O tom era de comando educado, mas Matt o ignorou e já estava ao lado dela, olhando para as marcas dos dedos no pulso de Elena como se não acreditasse no que via.
 Matt se levanta, Elena se senta, ou o outro receberá o tratamento completo. Divirtam-se, crianças.
Damon tirara a câmera-portátil outra vez.
Matt consultou Elena com os olhos. Ela olhou para o impostor e disse, enunciando com cuidado:
 Vá para o inferno, seja você quem for.
 Já estive lá, já o fiz, e te trouxe enxofre — a criatura não-Damon recitou.
Ele lançou ao Matt um sorriso que era ao mesmo tempo luminoso e terrível. Então, sacudiu o ramo do pinheiro.
Matt o ignorou. Esperou, seu rosto inabalável, pela dor que o atingiria.
Elena lutou pra ficar ao lado dele. Lado a lado, poderiam desafiar Damon.
Que pareceu por um momento estar descontrolado.
 Vocês estão tentando fingir que não tem medo de mim. Mas vocês terão. Se tivessem alguma consciência, vocês estariam com medo agora.  Beligerante, ele deu um passo em direção a Elena. — Por que não está com medo de mim?
 Seja você quem for, você é apenas um grande valentão. Você machucou Matt. Me machucou. Tenho certeza de que pode nos matar. Mas não temos medo de valentões.
 Você vai ter medo — agora, a voz de Damon caiu para um sussurro ameaçador. — Espere só.
Mesmo enquanto algo soava nos ouvidos de Elena, dizendo-lhe para ouvir aquelas últimas palavras, para fazer uma ligação – com quem issparecia? – a dor a atingiu.
Seus joelhos cederem por causa dela. Mas ela não estava apenas se ajoelhando agora. Estava tentando se enrolar em uma bola, tentando se enrolar em torno da agonia. Todo pensamento racional foi varrido de sua cabeça. Ela sentiu Matt ao seu lado, tentando segurá-la, mas não podia se comunicar com ele mais do que podia voar. Ela estremeceu e caiu de lado, como se estivesse tendo um ataque. Seu universo inteiro era dor, e ela só ouvia vozes como se viessem de muito longe.
 Pare! — Matt parecia frenético. — Pare com isso! Você está louco? Esta é Elena, pelo amor de Deus! Você quer matá-la?
E então a coisa-não-Damon aconselhou-o suavemente:
 Eu não tentaria isso de novo.
Mas o único som que Matt fez foi de um grito de raiva primordial.


 Caroline! — Bonnie grasnava, andando de um lado pra outro no quarto do Stefan enquanto Meredith fazia outra coisa no computador. — Como ela ousa?
 Ela não ousa tentar atacar Stefan ou Elena declaradamente – por causa do juramento  disse Meredith.  Então ela pensou nisso para atingir a todos nós.
 Mas Matt...
 Oh, Matt é acessível  falou Meredith, sombria.  E, infelizmente, há a questão da prova física em ambos.
 O que você quer dizer? Matt não...
 Os arranhões, minha querida — disse a Sra. Flowers tristemente — do seu inseto de dentes afiados. O emplastro que coloquei o terá curado o suficiente para que se pareça com arranhões de unha de garota a essa altura. E a marca que aquilo deixou em seu pescoço... — a Sra. Flowers tossiu delicadamente. — Parece com o que nesses tempos é chamado de chupão”. Talvez um sinal de um encontro que terminou em força? Não que seu amigo fosse capaz de fazer algo assim.
 E lembra-se como Caroline parecia quando a vimos, Bonnie? — Meredith disse secamente. — Não o fato de andar rastejando por aí – aposto qualquer coisa que ela está andando muito bem agora. Mas o rosto dela. Ela tinha um olho ficando roxo e uma bochecha inchada. Perfeita para o período de tempo.
Bonnie sentiu como se todos tivessem dois passos a sua frente.
 Que período de tempo?
 Na noite em que o inseto atacou Matt. Foi na manhã depois desta noite que o xerife ligou e conversou com ele. Matt admitiu que sua mãe não o tinha visto a noite toda, e aquele cara da Vigilância do Bairro viu Matt dirigir até sua casa e, basicamente, desmaiar.
 Isso foi por causa do veneno do inseto. Ele tinha acabado de lutar contra o malach!
 Nós sabemos disso. Mas dirão que ele tinha acabado de atacar Caroline. A mãe de Caroline dificilmente estará apta a testemunhar, você viu como ela estava. Então, quem pode dizer que Matt não estava na casa de Caroline? Especialmente se ele estivesse planejando o ataque.
 Nós podemos dizer! Podemos nos responsabilizar por ele... — Bonnie parou a frase de repente. — Não, acho que foi depois que ele saiu daqui que isso aconteceu. Mas, não, tudo isso é errado! — Ela recuperou o ritmo novamente. — Eu vi um desses insetos de perto e era exatamente da maneira como Matt descreveu...
 E o que resta desse inseto agora? Nada. Além disso, dirão que você falaria qualquer coisa por ele.
Bonnie não podia mais suportar simplesmente continuar andando de um lado pra outro. Ela tinha que achar Matt, tinha que avisá-lo – isso se pudessem ao menos encontrá-lo ou a Elena.
 Pensei que você fosse quem não podia esperar mais nem um minuto para encontrá-los  ela falou acusatoriamente para Meredith.
 Eu sei; era eu. Mas eu tinha que procurar uma coisa – e além do mais, eu queria tentar mais uma vez enxergar aquela página que só os vampiros supostamente conseguem ler. O tal Shi no Shi. Mas alterei a tela de todas as maneiras que pude pensar, e se há algo escrito aqui, certamente não posso encontrá-lo.
 Melhor não desperdiçar mais tempo com ela, então — Sra. Flowers disse. — Vamos, vista sua jaqueta, minha querida. Devemos ir com o Wheeler Amarelo ou não?
Por apenas um momento Bonnie teve uma louca visão de um veículo puxado por um cavalo, uma espécie de carruagem da Cinderela, mas não em forma de abóbora. Então lembrou-se de ter visto o antigo carro da Sra. Flowers, um Ford modelo T – pintado de amarelo – estacionado dentro do que deveria ser o estábulo antigo pertencente à pensão.
 Nós nos demos melhor a pé do que de carro — Meredith apontou, dando um odioso clique final nos controles da tela do computador.  Estávamos mais livres para nos movimentar do que... oh, meu Deus! Consegui!
 Conseguiu o quê?
 O site. Venham ver isto.
Tanto Bonnie quanto a Sra. Flowers foram para o computador. A tela estava verde brilhante com uma escrita verde escura fina e fraca.
 Como você fez isso? — Bonnie perguntou enquanto Meredith se dobrava para pegar um caderno e uma caneta para anotar o que viam.
 Eu não sei. Só apertei os botões das configurações de cores uma última vez – eu já tinha tentado mudar na Economia de Energia, Bateria Baixa, Alta Resolução, Alto Contraste, e todas as combinações que poderia imaginar.
Elas olharam as palavras.

“Cansado deste lápis-lazúli?
Quer tirar umas férias no Havaí?
Cansado daquela mesma velha culinária líquida?
Venha visitar Shi no Shi.”

Depois disso tinha um anúncio da “Morte da Morte”, um lugar onde os vampiros poderiam ser curados de seu estado amaldiçoado e tornar-se humanos novamente. E então havia um endereço. Apenas uma estrada, nenhuma menção de que estado, e, a propósito, nem mesmo de que cidade. Mas era uma pista.
 Stefan não mencionou um endereço  disse Bonnie.
 Talvez ele não tenha querido assustar Elena — Meredith falou sombriamente. — Ou talvez, quando olhou para a página, o endereço não estivesse lá.
Bonnie estremeceu.
 Shi no Shi – não gosto de como isso soa. E não ria de mim  ela adicionou para Meredith defensivamente.  Lembra-se do que Stefan disse sobre confiar na minha intuição?
 Ninguém está rindo, Bonnie. Temos que achar Elena e Matt. O que sua intuição diz sobre isso?
 Diz que vamos nos meter em problemas, e que Matt e Elena já estão em apuros.
 Engraçado, porque isso é exatamente o que meu julgamento me diz.
 Estamos prontas agora? — Sra. Flowers distribuiu lanternas.
Meredith testou a dela e descobriu que tinha uma luz firme e forte.
 Vamos então — disse, automaticamente apagando a lâmpada de Stefan novamente.
Bonnie e a Sra. Flowers a seguiram pelas escadas, para fora da casa, e pela rua pela qual tinham corrido não muito tempo atrás. O pulso de Bonnie estava acelerado, os ouvidos prontos para o mais leve som de whipwhip. Mas, exceto pelos feixes de suas lanternas, a antiga floresta estava completamente escura e estranhamente silenciosa. Nem mesmo o som do canto dos pássaros quebrava a noite sem lua.
Elas entraram, e em minutos estavam perdidas.


Matt acordou de lado e por um momento não sabia onde estava. Do lado de fora. Chão. Piquenique? Escalada? Adormeceu?
E depois tentou mover e a agonia queimou como um gêiser de fogo, e ele lembrou-se de tudo. Aquele bastardo, torturando Elena, pensou.
Torturando Elena.
Isso não fazia sentido. Não com Damon. O que era aquilo que Elena tinha dito a ele no final que o deixara tão irritado?
O pensamento o atormentava, mas era apenas outra pergunta sem resposta, como o recado de Stefan no diário de Elena.
Matt percebeu que podia se mover, mas muito lentamente. Olhou ao redor, movendo a cabeça cautelosamente até que viu Elena, deitada perto dele como uma boneca quebrada. Ele estava ferido e desesperadamente sedento. Ela devia se sentir da mesma forma. A primeira coisa seria levá-la a um hospital; o tipo de contrações musculares provocadas por esse grau de dor poderia quebrar um braço ou mesmo uma perna. Elas certamente eram fortes o suficiente para causar uma torção ou luxação. Sem mencionar Damon torcendo seu pulso.
Isso era o que a parte prática e sensata dele estava pensando. Mas a pergunta que continuava girando em sua mente ainda o deixava em completa surpresa.
Ele machucou Elena? Da mesma maneira que machucou a mim? Não acredito nisso. Eu sabia que ele era doentio, perturbado, mas nunca ouvi falar dele machucando as meninas. E nunca, nunca Elena. Nunca. Mas eu... se ele me tratar da maneira como trata Stefan, ele vai me matar. Não tenho capacidade e a resistência de um vampiro. Tenho que tirar Elena dessa antes que ele me mate. Não posso deixá-la sozinha com ele.
Instintivamente, de alguma forma, ele sabia que Damon ainda estava por perto. Isto foi confirmado quando ouviu um pequeno barulho, virou a cabeça muito rapidamente, e deparou-se encarando um borrão de uma bota preta em movimento.
O borrão e o movimento foram o resultado do movimento muito rápido, mas tão rapidamente quanto se virava, ele de repente sentiu seu rosto pressionado contra a terra e as folhas dos pinheiros do chão da clareira.
Nesse mesmo instante, a bota levantou-se. Exatamente, percebeu, no momento em que ele estava cansado demais para levantar sua própria cabeça. Ele fez um esforço supremo e levantou a cabeça poucos centímetros.
E a bota o pegou sob o queixo e levantou seu rosto um pouco mais.
 Que pena  disse Damon com um furioso desprezo.  Vocês humanos são tão fracos. Não é nada divertido brincar com vocês.
 Stefan... vai voltar  Matt colocou para fora, olhando para Damon, de onde ele estava involuntariamente rastejando no chão. — Stefan vai te matar.
 Adivinha? — Disse Damon em tom de conversa.  Seu rosto está todo ferrado de um lado – arranhões, sabe. Você meio que parece com o Fantasma da Ópera ou coisa assim.
 Se ele não te matar, eu mato. Não sei como, mas mato. Eu juro.
 Cuidado com o que você jura.
Bem quando Matt conseguiu fazer seu braço aguentar o peso de seu corpo – exatamente então, no mesmo milissegundo – Damon estendeu a mão e agarrou-o dolorosamente por um punhado de cabelo, levantando sua cabeça.
 Stefan — Damon falou, olhando diretamente para o rosto de Matt e forçando-o a olhar para ele, não importando o quanto Matt se esforçasse para virar o rosto pra longe — só foi poderoso por alguns dias porque ele estava bebendo o sangue de um espírito muito poderoso, que ainda não estava adaptado à Terra. Mas olhe para ela agora — ele torceu o aperto no cabelo de Matt de novo, mais dolorosamente. — Grande espírito. Deitada ali no chão. Agora, o Poder está de volta aonde deveria estar. Você me entendeu? Entendeu, garoto?
Matt apenas olhou Elena.
 Como você pôde fazer isso? — ele sussurrou, finalmente.
 Uma lição objetiva sobre o que significa me desafiar. E certamente você não iria querer que eu fosse machista e a deixasse de fora? — Damon brincou. — Você tem que acompanhar a evolução dos tempos.
Matt não disse nada. Ele tinha que tirar Elena fora dessa.
 Preocupado com a garota? Ela está apenas brincando. Esperando que eu a ignore e me concentre em você.
 Você é um mentiroso.
 Então vou me concentrar em você. Falando em acompanhar a evolução dos tempos, sabe – exceto pelos arranhões e essas coisas, você é um jovem bem bonito.
No início as palavras não significaram nada para Matt. Quando ele as entendeu, Matt pode sentir seu sangue congelando em seu corpo.
 Como vampiro, posso dar uma opinião fundamentada e honesta. E, como vampiro, estou ficando com muita sede. Há você. E então há a garota que ainda está fingindo dormir. Tenho certeza de que você pode ver onde estou querendo chegar.
Eu acredito em você, Elena, Matt pensou. Ele é um mentiroso, e vai ser sempre um mentiroso.
 Tome o meu sangue,  disse, cansado.
 Você tem certeza? — Agora Damon parecia solícito. — Se você resistir, a dor é horrível.
 Apenas termine logo com isso.
 Como desejar.
Damon fluidamente se apoiou em um joelho, ao mesmo tempo torcendo seu aperto no cabelo de Matt, fazendo Matt estremecer. O novo aperto arrastou a parte superior do corpo de Matt por cima do joelho de Damon, de modo que sua cabeça ficasse jogada para trás, com o pescoço arqueado e exposto.
Na verdade, Matt nunca se sentiu tão exposto, tão impotente, tão vulnerável em sua vida.
 Você sempre pode mudar de ideia  Damon zombou dele.
Matt fechou os olhos, teimosamente sem dizer nada.
No último momento, porém, quando Damon inclinava-se com suas presas expostas, os dedos de Matt quase involuntariamente, quase como se seu corpo estivesse agindo separadamente de sua mente, apertaram-se em um punho e, de repente, de forma imprevisível, ele levou o punho balançando-o para desferir um golpe violento na têmpora de Damon. Mas – com a velocidade de serpente – Damoestendeu a mão e pegou o golpe quase com indiferença em uma mão aberta, e prendeu os dedos de Matt em um aperto esmagador – exatamente enquanto os dentes afiados abriam uma veia no pescoço de Matt e a boca aberta prendia-se em sua garganta exposta, sugando e bebendo o sangue que pulsava para fora.
Elena – acordada, mas incapaz de se mover de onde tinha caído, incapaz de fazer um som ou virar a cabeça – foi obrigada a ouvir todo o ato, obrigada a ouvir os gemidos de Matt enquanto seu sangue era levado contra sua vontade, enquanto resistia até o fim.
E então ela pensou em algo que, tonta e assustada como ela estava, quase a fez desmaiar de medo.

2 comentários:

  1. Não mata ele Damon que não é o Damon!

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  2. Não confio naquele Shinishi, e lembro que o Damon pensou que viu um vislumbre de vermelho no olho do shinishi e disse que os malash eram controlados por uma criatura poserosa então pode ser o shinishi que pode estar fazendo todas essas coisas e também controlando o Damon através do malach que tem dentro dele, Slá, só acho que é o shinishi possuindo o Damon. Shshs

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