20 de novembro de 2015

Capítulo 24

Nenhum selinho na boca satisfaria Damon, Elena pensou. Por outro lado, Matt precisaria de sedução total antes de se render. Felizmente, Elena tinha decifrado o código de Matt Honeycutt há muito tempo. E pretendia ser implacável em usar o que aprendera sobre o seu corpo enfraquecido e suscetível.
Mas Matt podia ser muito teimoso para seu próprio bem. Ele permitiu que Elena colocasse seus lábios macios contra os dele, permitiu que ela colocasse seus braços ao redor dele. Mas quando Elena tentou fazer algumas das coisas que ele mais gostava – como correr suas unhas por sua coluna, ou tocar levemente a ponta da sua língua nos lábios fechados dele – ele fechou os dentes apertados. Não colocava um braço em volta dela.
Elena o soltou e suspirou. Então sentiu um formigamento entre suas omoplatas, como se estivesse sendo observada, mas cem vezes mais forte. Ela olhou para trás para ver Damon parado a uma distância com a sua vara de pinheiro da Virgínia, mas não conseguiu encontrar nada incomum. Ela olhou para trás mais uma vez – e teve que enfiar o punho em sua boca.
Damon estava lá; logo atrás dela; tão perto que não se poderia colocar dois dedos entre eles. Ela não sabia por que seu braço não tinha batido nele. Seu giro na verdade a havia prendido entre os corpos de dois homens.
Mas como ele tinha feito isso? Não havia tido tempo para percorrer a distância da clareira onde Damon estava até centímetros atrás dela no segundo em que ela desviou o olhar. Nem tinha havido qualquer tipo de som enquanto ele atravessava as folhas de pinheiro na direção deles; assim como a Ferrari; ele estava apenas... ali.
Elena engoliu o grito que estava desesperadamente tentando sair de seus pulmões e tentou respirar. Seu próprio corpo estava rígido de medo. Matt estava tremendo ligeiramente atrás dela. Damon estava inclinado para dentro, e tudo o que ela podia sentir era o cheiro da doçura da resina de pinheiro.
Algo está errado com ele. Algo está errado.
 Você sabe de uma coisa ― disse Damon, inclinando-se mais para perto de forma que ela teve que se inclinar para trás contra o Matt, para que, mesmo ficando prensada contra o corpo tremendo de Matt, ela estivesse olhando diretamente para os Ray-Bans a uma distância de oito centímetros. ― Isso te dá um D-.
Agora Elena estava tremendo, assim como Matt. Mas ela tinha que assumir o controle de si mesma, tinha que responder a esta agressão de cabeça erguida. Quanto mais passivos ela e Matt fossem, mais tempo Damon tinha para pensar.
A mente de Elena estava em um modo febril de conspiração. Ele pode não estar lendo as nossas mentes, pensou, mas certamente percebe se estamos dizendo a verdade ou mentindo. Isso é normal para um vampiro que bebe sangue humano. O que podemos fazer a respeito? O que podemos fazer com isso?
 Esse foi um beijo de saudação  ela falou corajosamente.  É para identificar a pessoa que você está encontrando, assim você sempre a reconhecerá depois. Até mesmo... até mesmo hamsters fazem isso. Agora... por favor... podemos nos mover só um pouco, Damon? Estou ficando esmagada.
E esta é exatamente uma posição muito provocativa, ela pensou. Para todos os envolvidos.
 Mais uma chance  disse Damon, e desta vez ele não sorriu. ― Quero ver um beijo – um beijo de verdade – entre vocês. Ou então...
Elena se virou no espaço apertado. Seus olhos procuraram os de Matt. Eles tinham, afinal, sido namorados por um bom tempo no ano passado.
Elena viu nos olhos azuis de Matt: ele queria beijá-la, tanto quanto poderia querer qualquer coisa depois daquela dor. E ele percebeu que ela tinha que fazer todos esses movimentos extravagantes para salvá-lo de Damon.
De alguma forma, nós vamos sair, Elena pensou para ele. Agora, você vai cooperar? Alguns garotos não tinham botões na área de sensações egoístas de seu cérebro. Alguns, como Matt, tinham botões rotulados como HONRA ou CULPA.
Agora Matt ficou parado enquanto ela colocou o rosto dele entre as suas mãos, inclinando-o para baixo e ficando na ponta dos pés para beijá-lo, por que ele tinha crescido muito. Ela pensou em seu primeiro beijo de verdade, no carro dele, no caminho de casa depois de um pequeno baile da escola secundária. Ele tinha ficado aterrorizado, suas mãos úmidas, seu interior todo trêmulo. Ela tinha sido legal, experiente, gentil.
E assim ela foi agora, deslizando a ponta quente da língua para derreter e afastar seus lábios congelados. E para o caso de Damon estar escutando os seus pensamentos, ela os manteve rigorosamente em Matt, em sua aparência radiante e sua amizade calorosa, na cortesia que ele sempre tinha mostrado a ela, mesmo quando ela rompeu com ele. Ela não estava consciente quando os braços dele passaram em volta de seus ombros ou quando ele assumiu o controle do beijo, como uma pessoa que está morrendo de sede e finalmente encontra água. Ela podia ver isso claramente em sua mente: ele nunca pensou que beijaria Elena Gilbert dessa forma de novo.
Elena não sabia quanto tempo durou. Finalmente ela desenrolou os seus braços que estavam em volta do pescoço de Matt e recuou.
E então percebeu algo. Não era por acaso que Damon parecia um diretor de cinema. Ele estava segurando uma câmera de vídeo portátil, olhando para o visor. Ele gravou a coisa toda.
Com Elena claramente visível. Ela não tinha ideia do que havia acontecido com o disfarce do boné de beisebol e com os óculos escuros. Seu cabelo estava desordenado e sua respiração estava rápida, involuntária. O sangue subira para a superfície de sua pele. Matt não parecia muito mais recomposto do que ela se sentia.
Damon ergueu os olhos do visor.
 O que você quer com isso?  Matt resmungou em um tom completamente diferente da sua voz normal. O beijo o tinha afetado, também, Elena pensou. Mais do que a ela.
Damon pegou o seu ramo de novo e de novo agitou o seu final como se fosse um leque japonês. O aroma de pinho soprou por Elena. Ele pareceu considerar, como se fosse pedir para refilmar, então mudou de ideia, sorriu brilhantemente para eles e enfiou a câmera de vídeo no bolso.
 Tudo o que vocês precisam saber é que ficou uma cena perfeita.
 Então vamos embora  o beijo parecia ter dado a Matt uma nova força, mesmo que fosse para dizer o tipo errado de coisas. ― Agora.
 Oh, não, mas mantenha essa atitude dominante e agressiva. Enquanto você tira a camisa dela.
 O quê?
Damon repetiu as palavras em um tom de diretor dando a um ator instruções complicadas.
 Abra os botões da camisa dela, por favor, e tire-a.
 Você está louco.
Matt virou e olhou para Elena, parou horrorizado ao ver a expressão em seu rosto, uma única lágrima escorrendo do olho que não estava escondido.
 Elena...
Ele se moveu para ela, mas ela se moveu para trás também. Ele não conseguia fazê-la olhar em seu rosto. Por fim, ela parou, ficou com os olhos abaixados e lágrimas escapando. Ele podia sentir o calor irradiando de suas bochechas.
 Elena, vamos lutar contra ele. Não se lembra de como você lutou contra as coisas más no quarto de Stefan?
 Mas isso é pior, Matt. Nunca senti algo tão ruim assim antes. Isso é forte. Isso está... me pressionando.
 Você não quer dizer que devemos ceder a ele...?  Isso foi o que Matt disse e ele soou como se estivesse à beira de ficar doente. O que os seus claros olhos azuis diziam era mais simples. Eles diziam: Não. Não se ele me matar por recusar.
 Quero dizer...  Elena virou repentinamente para Damon. ― Deixe-o irIsso é entre você e eu. Vamos resolver isso nós mesmos.  Diabos, ela salvaria Matt, mesmo que ele não quisesse ser salvo.
Eu vou fazer o que você quer, ela pensou o mais forte que podia para Damon, esperando que ele pudesse captar alguma coisa. Afinal, ele tomara o seu sangue contra a sua vontade – pelo menos inicialmente – antes. Ela poderia sobreviver a ele fazendo isso de novo.
 Sim, você vai fazer tudo que eu quero  disse Damon, provando que ele podia ler seus pensamentos ainda mais claramente do que ela havia imaginado.  Mas a questão é, depois de quanto?  Ele não disse a que esse quanto se tratava. Não precisava. ― Agora, eu sei que acabei de lhe dar uma ordem  acrescentou, dando meia-volta para Matt, mas com os olhos ainda em Elena ― por que eu ainda posso vê-la imaginando isso em sua mente. Mas...
Então Elena viu o olhar nos olhos de Matt, e a chama em suas bochechas, e ela sabia – e imediatamente tentou esconder o conhecimento de Damon – o que ele ia fazer.
Ele ia cometer suicídio.


 Se não podemos convencê-la do contrário, não podemos convencê-la do contrário  Meredith disse para Sra. Flowers. ― Mas... há coisas lá fora.
 Sim, querida, eu sei. E o sol está se pondo. É uma má hora para se estar lá fora. Mas como a minha mãe sempre dizia, duas bruxas são melhores do que uma ― ela deu a Bonnie um sorriso ausente. ― E como você gentilmente não disse antes, eu estou muito velha. Ora, posso me lembrar de dias antes dos primeiros carros e aviões. Eu talvez tenha conhecimentos que ajudariam vocês em sua busca por seus amigos – e por outro lado, sou dispensável.
 Você certamente não é  Bonnie disse fervorosamente. Elas estavam usando o guarda-roupas de Elena agora, vestindo roupa atrás de roupa. Meredith havia pegado a mochila com as roupas de Stefan e as jogado na cama dele, mas na primeira vez que pegou uma camisa, a deixou cair de novo.
 Bonnie, você podia levar alguma coisa de Stefan com você quando sairmos  ela disse. ― Veja se você consegue alguma impressão delas. Hum, talvez a senhora também, Sra. Flowers? ― acrescentou.
Bonnie entendeu. Uma coisa era deixar alguém a chamar de bruxa; outra coisa era chamar alguém muito mais velha de uma.
A última camada de roupa de Bonnie era uma camisa de Stefan, e a Sra. Flowers colocou uma de suas meias em seu bolso.
 Mas eu não vou sair pela porta da frente  disse Bonnie, inflexível. Ela não podia sequer suportar imaginar a bagunça.
 Tudo bem, então vamos pelos fundos ― disse Meredith, desligando a lanterna de Stefan. ― Vamos.
Elas estavam realmente saindo pela porta dos fundos quando a campainha da frente tocou.
Todas as três trocaram olhares. Então Meredith virou.
 Podem ser eles!
E correu de volta para a escura frente da casa. Bonnie e a Sra. Flowers seguiram mais lentamente.
Bonnie fechou os seus olhos quando ouviu a porta abrir. Quando não houve exclamações imediatas sobre a bagunça, ela abriu uma fenda.
Não havia nenhum sinal de que algo incomum tivesse acontecido fora da porta. Nenhum corpo de inseto esmagado – nenhum inseto morto ou morrendo na varanda da frente.
Os pelos da nuca de Bonnie se levantaram. Não que ela quisesse ver o malach. Mas queria saber o que tinha acontecido com ele.
Automaticamente, uma mão foi para o seu cabelo, para sentir se uma mecha de cabelo encaracolado havia sido deixada para trás. Nada.
 Estou procurando por Matthew Honeycutt ― a voz cortou o devaneio Bonnie como uma faca quente na manteiga, e os olhos de Bonnie estalaram totalmente abertos.
Sim, era o xerife Rich Mossburguer e ele estava completamente ali, das botas lustradas até a gola engomada
Bonnie abriu a boca, mas Meredith falou primeiro.
 Esta não é a casa de Matt  ela falou, seu tom tranquilo, sua voz regular.
 De fato, já estive na casa dos Honeycutt. E na casa dos Sulez e na dos McCullough. Cada uma delas, de fato, sugeriu que se Matt não estivesse em nenhum desses lugares, ele poderia estar aqui com vocês.
Bonnie quis chutá-lo nas canelas.
 Matt não estava roubando os sinais de trânsito! Ele não faria, nunca, nunca, nunca algo desse tipo. E eu queria, por Deus, saber onde ele está, mas não sei. Nenhuma de nós sabe!  ela parou, com um pressentimento de que talvez ela tivesse falado demais.
 E os seus nomes são?
Sra. Flowers assumiu.
 Esta é Bonnie McCullough, e Meredith Sulez. Eu sou a Sra. Flowers, a dona desta pensão, e acredito que eu possa apoiar o comentário de Bonnie a respeito dos sinais de trânsito...
 De fato isso é mais sério do que os sinais de trânsito desaparecidos, senhora. Matthew Honeycutt é suspeito de abusar de uma jovem garota. Há uma considerável evidência física para dar suporte à história dela. E ela afirma que eles se conhecem desde que eram pequenos, então não pode haver um engano ao identificá-lo.
Houve um momento de silêncio surpreendente, e então Bonnie quase gritou:
 Ela? Ela quem?
 Senhorita Caroline Forbes é a autora da denúncia. E eu gostaria de sugerir, de fato, se qualquer uma de vocês três por acaso encontrar com o Sr. Honeycutt, que o aconselhasse a se entregar. Antes que ele seja levado à força sob custódia.
Ele deu um passo em direção a elas como se estivesse ameaçando entrar pela porta, mas a Sra. Flowers silenciosamente barrou o caminho.
 De fato  disse Meredith, recuperando sua compostura. ― Tenho certeza de que o senhor sabe que precisa de uma ordem judicial para entrar neste lugar. O senhor tem uma?
O xerife Mossberg não respondeu. Ele fez uma pequena curva acentuada para a direita, desceu o caminho para seu carro de xerife, e desapareceu.

Um comentário:

  1. Ai o único personagem que você gosta na história quer se suicidar.Vida cruel.

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