26 de novembro de 2015

Capítulo 23

Naquela noite‖ eles se mudaram, escolhendo a hora vem que as outras casas por onde passassem estivessem escuras e silenciosas. Elena, Meredith e Bonnie ficaram em quartos vizinhos no segundo andar.
Perto havia um luxuoso banheiro, com um piso de mármore azul-claro e branco e uma banheira na forma de uma rosa gigante, tão grande que parecia uma piscina, aquecida a carvão. Na casa havia uma criada de aparência animada, pronta para servi-los.
Elena ficou deliciada com o que aconteceu em seguida, Damon comprou discretamente vários escravos numa venda privativa de um negociante respeitável, depois prontamente os libertou e lhes ofereceu salários e horas de folga. Quase todos ex-escravos gostaram da proposta e concordaram em ficar, nas alguns preferiram ir embora ou fugiram, principalmente as mulheres que estavam em busca de suas famílias. Os outros continuaram lá e logo seriam a criadagem de Lady Ulma depois que Damon, Elena, Bonnie e Meredith partissem para libertar Stefan.
Lady Ulma ficou com o melhor quarto do primeiro andar, embora Damon quase tivesse de usar a força bruta para instalá-la ali. Ele mesmo escolheu um quarto que, durante o dia, era usado como escritório, uma vez que não passava muito tempo da noite na casa.
Houve um leve constrangimento em relação a isso. A maioria da criadagem sabia como os senhores vampiros viviam, e as jovens meninas e mulheres que iam costurar ou as que moravam e trabalhavam na propriedade pareciam esperar uma espécie de rodízio, no qual cada uma delas se revezaria para ser doadora.
Damon explicou isso a Elena, que vetou a ideia antes que pudesse ser implementada. Ela sabia que Damon contava com um fluxo constante de meninas, daquelas em botão às rechonchudas de cara rosada, que ficariam felizes em ser "bebidas" como se fossem barris de cerveja em troca das pulseiras e bugigangas que tradicionalmente recebiam.
Elena também descartou a ideia de caça de aluguel. Segundo Sage, havia até boatos de uma possível ligação com o mundo exterior: um curso de treinamento muito avançado de SEALs da Marinha, o corpo de Mergulhadores de Combate.
— E eles só podem sair deste mundo com um selo vampiro — disse Elena sarcasticamente, desta vez diante de um grupo de escravos homens. — Depois vão poder morder uns tubarões. Certamente vocês, homens, podem sair e caçar os humanos como um par de corujas caça camundongos... Mas não se dêem ao trabalho de voltar para casa, porque as portas estarão trancadas... Permanentemente. — Ela sustentou o olhar de Sage até que sua expressão tornou-se uma encarada vítrea, e ele se foi, em busca de algo para se ocupar.
Elena não se importava com a movimentação informal de Sage entre eles.
E depois de saber que ele salvara Damon da multidão que o emboscara a caminho do Ponto de Reunião, ela decidira que se Sage quisesse o sangue dela, o daria sem hesitar. Depois de alguns dias, ele tinha ficado na casa perto da do Dr. Meggar e se mudou com eles para a propriedade de Lady Ulma — Elena se perguntou se sua aura reduzida e a relutância de Damon não o estavam privando de algo que ele devia saber. Então ela começou a provocá-lo até que uma vez, depois dele ter se dobrado de rir e com lágrimas nos olhos (será que eram apenas de riso?), ele se aproximou dela e disse que os americanos tinham um ditado... Pode levar um cavalo para a água, mas não pode obrigá-lo a beber. Neste caso, disse ele, você podia levar uma pantera negra e furiosa — a imagem mental icônica que Elena tinha de Damon — à água, se tivesse estimuladores elétricos de gado e ankusha para elefante, mas que depois disso seria uma tola em dar as costas a ele. Elena riu até começar a chorar também, mas ainda insistira que, se ele quisesse, uma parcela razoável de seu sangue seria dele.
Agora ela simplesmente estava feliz por tê-lo por perto. Seu coração já estava cheio, com Stefan, Damon e até Matt, apesar de sua aparente deserção — para ela correr o risco de se apaixonar por outro vampiro, por mais bem-apessoado que ele fosse. Ela gostava de Sage como amigo e protetor.
Elena ficou surpresa com o quanto passou a depender de Lakshmi a cada dia. Lakshmi começou como uma espécie de faz tudo, mas aos poucos tornou- se a dama de companhia de Lady Ulma e a fonte de informações de Elena sobre este mundo. Lady Ulma ainda estava oficialmente de cama e ter Lakshmi pronta para mandar recados a qualquer hora do dia e da noite era maravilhosamente conveniente. Além disso, ela era alguém a quem Elena podia fazer perguntas que fariam com que outras pessoas a olhassem como se fosse louca. Eles precisavam usar pratos ou a comida era servida em um grande naco de pão seco, que fazia as vezes de guardanapo para dedos gordurosos? (Os pratos foram introduzidos há pouco tempo, junto com garfos, que agora estavam na moda.) Quanto os homens e as mulheres da casa deveriam receber de salário? (Que tinha de ser calculado do zero, uma vez que nenhuma casa pagava a seus escravos um geld que fosse, apenas os vestiam com um uniforme padrão, permitindo que eles tivessem um ou dois "dias de festa" por ano.) Embora fosse jovem, Lakshmi era ao mesmo tempo sincera e ousada, e Elena a preparava para ser o braço direito de Lady Ulma, depois que ela estivesse pronta para ser a dona da casa.

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