29 de novembro de 2015

Capítulo 22

— Mama disse que ele não está em Fell’s Church. — A Sra. Flowers repetiu para Stefan. — Isso significa que ele não está no bosque.
— Tudo bem. — Stefan disse. — Se ele não está aqui, então onde está?
— Bem — Elena disse devagar. —, deve estar com a polícia, não? Eles devem tê-lo capturado.
Parecia que seu coração estava em seu estômago.
A Sra. Flowers suspirou.
— Suponho que sim. Mama deve ter me dito isso, mas a atmosfera estava cheia de influências estranhas.
— Mas o departamento de polícia é em Fell’s Church. O que sobrou dele. — Elena protestou.
— Então — A Sra. Flowers disse. —, que tal uma polícia de outra cidadezinha próxima? Tipo aquela que veio procurar por ele antes...
— Ridgemont — Elena disse fortemente. — É de lá que aqueles policiais que procuraram na pensão vieram. É de lá que aquele Mossberg veio, Meredith me disse. — Ela olhou para Meredith, que nem ao menos murmurava. — E é de lá que o pai de Caroline tem amigos poderosos... Assim como o pai de Tyler Smallwood. Eles pertencem àqueles clubes só para homens, com apertos de mão secretos e esses tipos de coisa.
— E temos algum tipo de plano para quando chegarmos lá? — Stefan perguntou.
— Eu meio que tenho um Plano A. — Elena admitiu. — Mas não sei se vai funcionar... Você deve saber melhor do que eu.
— Me conte.
Elena contou. Stefan ouviu e teve que reprimir uma risada.
— Eu acho — Ele disse sobriamente depois. — que isso pode funcionar.
Elena imediatamente começou a pensar em Planos B e C, assim eles não ficariam emperrados no lugar caso o Plano A falhasse.
Tiveram que dirigir por Fell’s Church para chegar à Ridgemont. Elena viu, através de suas lágrimas, casas queimadas e árvores enegrecidas. Essa era sua cidade, a cidade na qual, como espírito, ela havia olhado e protegido. Como isso pôde acontecer?
E, pior, como tudo poderia voltar ao normal?
Elena começou a tremer incontrolavelmente.

* * *

Matt sentou tristemente na sala de reuniões do júri. Ele a havia explorado há muito tempo atrás, e havia descoberto que a janelas foram fechadas por tábuas pelo lado de fora. Não estava surpreso, já que todas as janelas de Fell’s Church estavam assim, e além disso, ele havia experimentado essas tábuas e sabia que poderia sair dali se quisesse.
Ele não quis.
Era hora de enfrentar seus problemas pessoais. Ele teria encarado isso antes, na época em que Damon levou as garotas à Dimensão das Trevas, mas Meredith havia conversado com ele sobre isso.
Matt sabia que o Sr. Forbes, pai de Caroline, tinha todos os seus amigos da polícia e do sistema político aqui. Assim como o Sr. Smallwoord, o pai do verdadeiro culpado.
Era pouco provável que eles lhe dessem um julgamento justo. Mas, em qualquer tipo de julgamento, em algum momento teriam ao menos que ouvi-lo.
E o que eles ouviriam era a plena verdade. Poderiam não acreditar nele agora. Mas mais tarde, quando os gêmeos de Caroline tivessem um pouco de controle sobre sua forma de lobisomem e tivessem sua fama por suas presas... Bem, aí pensariam em Matt e no que ele dissera.
Ele estava fazendo a coisa certa, assegurou a si mesmo. Mesmo quando, neste momento, suas entranhas pareciam serem feitas de chumbo.
Qual a pior coisa que eles podem fazer comigo? Se perguntou.
“Eles podem te colocar na prisão, Matt. Numa prisão de verdade, já que você tem mais de dezoito anos. E enquanto isso possa ser uma boa notícia para os antigos e verdadeiros criminosos, viciados, enormes, com tatuagens caseiras e bíceps que parecem galhos de árvore, não será uma boa notícia para você.”
E depois de algumas horas na internet:
“Matt, aqui na Vírginia, isso pode dar prisão perpétua. Ou no mínimo cinco anos. Matt, por favor, eu imploro, não deixe que façam isso com você! Às vezes, a discrição é a melhor parte da coragem, é verdade. Eles têm todas as cartas e nós estamos andando de olhos vendados, no escuro...”
Ela tinha trabalho bastante nisso, misturando suas metáforas e tudo o mais, Matt pensou desanimado. Mas não é exatamente como se eu estivesse me oferecendo para fazer isso. E aposto que eles sabem que essas tábuas são bastante frágeis, e se eu sair, serei perseguido daqui até Deus-sabe-onde. E se eu ficar parado, poderei dizer a verdade, pelo menos.
Por um bom tempo, nada aconteceu. Matt pôde ver o Sol pelas fendas das tábuas e viu que já era de tarde. Um homem veio e ofereceu uma visita ao banheiro e uma Coca-Cola. Matt aceitou a ambos, mas também exigiu seu advogado e o seu telefonema.
— Você terá um advogado. — O homem resmungou enquanto Matt saía do banheiro. — Um será designado para você.
— Eu não quero isso. Quero um advogado de verdade. Um que eu escolha.
O homem olhou enojado.
— Crianças como você não têm dinheiro algum. Você terá o advogado designado a você.
— Minha mãe tem dinheiro. Ela iria querer um advogado contratado, e não um garoto de faculdade de Direito.
— Own. — O homem disse. — Que lindinho. Você quer que a Mamãe cuide de você. E aposto que ela esteja fora de Clydesdale neste instante, com aquela doutora negra.
Matt congelou.
Trancado de volta na sala de reuniões do júri, ele tentou pensar freneticamente. Como sabiam onde sua mãe e a Drª. Alpert tinham ido?
Ele tentou pronunciar “aquela doutora negra” com sua língua e descobriu que soava ruim, algo como coisa de velho mundo e simplesmente bem estranho. Se a médica fosse homem e caucasiano, soaria algo bobo de se dizer.
“… vá com aquela médica branquela.”
Meio que parecido com um filme antigo de Tarzan.
Uma grande raiva estava crescendo em Matt. E junto com isso, um grande medo. Palavras deslizaram por sua cabeça: vigilância, espionagem, conspiração e acobertamento. E enganação.
Ele deduziu que eram cinco horas, depois de todos que normalmente trabalhavam na corte saírem, e então ele foi levado para a sala de interrogatório.
Eles estão apenas brincando, pensou.
Os dois policiais tentaram falar com ele em um quarto apertado com uma pequena câmera de vídeo em um canto da parede, perfeitamente óbvia, embora fosse minúscula.
Eles fizeram turnos, um gritando que ele devia confessar tudo, o outro simpatizou e disse coisas como:
— As coisas saíram um pouco do controle, não é? Temos uma foto do chupão que ela te deu. Ela é uma coisinha linda, né? — Duas piscadelas. — Eu entendo. Mas então ela começou a te dar sinais confusos...
Matt alcançou o ponto que queria.
— Não, não estávamos em um encontro; não, ela não me deu um chupão, e quando eu disser ao Sr. Forber que você a chamou de “coisinha linha”, dando piscadelas, ele vai te demitir , senhor. Posso ouvir “não” tão bem quanto você, e imagino que “não” signifique “ não ”!
Depois disso, eles bateram um pouco nele.
Matt estava surpreso, mas considerando o modo como ele os havia tratado, sendo insolente, não ficara mais tão surpreso.
E então eles pareceram desistir dele, deixando-o sozinho na sala de interrogatório, que, ao contrário da sala do júri, não havia janelas.
Matt disse repetidas vezes para a câmera de vídeo:
— Eu sou inocente e estão se negando a me darem meu telefonema e um advogado. Sou inocente...
Por fim, vieram e o buscaram. Ele foi empurrado pelo o policial bom e pelo ruim para um tribunal completamente vazio.
Não, não está vazio, ele percebeu. Na primeira fileira estavam alguns repórteres, um ou dois com cadernos de rascunho preparados.
Quando Matt viu isso, assim como num julgamento de verdade, imaginou as fotos que eles tinham esboçado — exatamente como ele havia visto na TV. O chumbo em seu estômago se transformou em um sentimento de pânico vibrante.
Mas era isso que queria, não era? Para que a história se espalhasse?
Ele foi levado a uma mesa vazia. Havia outra mesa, com muitos homens bem vestidos, todos com pilhas de papéis em suas frentes.
Mas a coisa que prendeu a atenção de Matt foi que na mesa estava Caroline. Ele não a havia reconhecido na primeira vez. Ela estava usando um vestido de algodão cinza. Cinza! Sem nenhum tipo de joia, e com maquiagem sutil. A única cor estava em seu cabelo: um castanho bronze. Parecia com o seu antigo cabelo, e não aquela cor malhada que havia sido quando ela estava começando a se tornar um lobisomem. Ela havia conseguido controlar sua forma, afinal? Isso era más notícias. Bem ruins.
E finalmente, com ar de quem pisa em ovos, entrou o júri.
Eles deviam saber o quão irregular isto era, mas continuaram entrando, só doze deles, o bastante para preencher os assentos do júri.
Matt de repente percebeu que havia um juiz sentado na mesa mais alta em sua frente.
Ele esteve aí o tempo todo? Não...
— Todos de pé pela presença de Justice Thomas Holloway. — Disparou um oficial da justiça.
Matt levantou e se perguntou se o julgamentio iria realmente começar sem o seu advogado.
Mas antes que todos pudessem se sentar, portas se abriram e grandes pernas com toneladas de papéis entraram no tribunal, transformando-se em uma mulher nos seus vinte e poucos anos; e então ela jogou os papéis sobre a mesa ao lado dele.
— Gwen Sawicki aqui... Presente. — A jovem mulher arfou.
O pescoço do Juiz Holloway disparou como o de uma tartaruga, trazendo-a para o seu campo de visão.
— Você foi designada em nome da defesa?
— Se for de seu agrado, Meritíssimo; sim, Meritíssimo... Há pouco menos de meia-hora. Não fazia ideia de que fazíamos sessões à noite, Meritíssimo.
— Não seja atrevida comigo! — O Juiz Holloway rebateu.
Enquanto ele passava a permitir que os advogados de acusação se apresentassem, Matt ponderou sobre a palavra “atrevida”.
Essa era outra daquelas palavras, ele pensou, que nunca eram usadas para homens. Um homem atrevido seria engraçado. Já uma mulher atrevida soava bem. Mas por quê?
— Me chame de Gwen. — Uma voz sussurrou ao seu lado, e Matt olhou para ver uma garota com olhos castanhos e cabelos da mesma cor presos num rabo de cavalo.
Ela não era exatamente linda, mas parecia honesta e íntegra, o que fez com que ela fosse a coisa mais linda da sala.
— Sou Matt... Bem, é óbvio. — Matt disse.
— Essa é sua namorada? Carolyn?
Gwen estava sussurrando, mostrando uma foto da velha Caroline em alguma festa, com pernas bronzeadas que subiam até quase ir de encontro com uma minissaia preta e rendada. Ela usava uma blusa branca tão apertada em seu busto que dificilmente continha seus bens naturais. Sua maquiagem era exatamente o oposto do sutil.
— Seu nome é Caroline e ela nunca foi minha namorada, mas esse é... O seu verdadeiro eu. — Matt sussurrou. — Antes de Klaus chegar e fazer algo com seu namorado, Tyler Smallwood. Mas preciso te contar o que aconteceu quando ela descobriu que estava grávida... Ela enlouqueceu, foi isso que aconteceu. Ninguém sabia onde Tyler estava... Morto, provalmente, depois da luta final contra Klaus, ou só se transformou em lobisomem e fugiu; que seja. Assim, Caroline tentou se firmar comigo... Até que Shinichi apareceu e virou seu namorado.Mas Shinichi e Misao estavam fazendo um joguinho cruel, fingindo que Shinichi se casaria com ela. Foi depois que ela percebeu que Shinichi não dava a mínima que Caroline havia se transformado em algo basilístico, e tentou fazer com que Matt tampasse o buraco em sua vida.
Matt fez o seu melhor para explicar isso à Gwen para que ela pudesse explicar ao júri, até a voz do juiz o interrompeu.
— Vamos dispensar os argumentos de abertura — Disse o Juiz Holloway —, já está bem tarde. A acusação chamará sua primeira testemunha?
— Espera! Objeção! — Matt gritou, ignorando os puxões de braço de Gwen e seu silvo.
— Você não pode se opor às decisões do juiz!
— E o juiz não pode fazer isso comigo. — Matt disse, tirando sua camiseta que estavam entre os dedos dela. — Eu ainda nem tive a chance de conhecer o meu defensor público!
— Talvez você devesse ter aceito um defensor público mais cedo. — Replicou o juiz, bebendo um copo d’água.
Ele então virou sua cabeça para Matt e rebateu:
— E então?
— Isso é ridículo — Gritou Matt. — Vocês não me deixaram dar um telefonema para eu ter um advogado!
— Você chegou a pedir por um telefonema? — O Juiz Holloway rebateu, seus olhos viajando pela sala.
Os dois oficiais que haviam batido em Matt se levantaram solenemente e sacudiram suas cabeças. Nisso, o oficial de justiça, a quem Matt de repente reconheceu como o cara que havia mantido ele na sala do júri por cerca de quatro horas, começou a abanar a cabeça negativamente. Todos os três balançavam, quase como que em uníssono.
— Então, você perdeu esse direito. — O juiz rebateu. Parecia que esse era o único jeito de se falar. — Você não pode exigir isso no meio de um julgamento. Agora, como eu estava dizendo...
— Objeção! — Matt gritou ainda mais alto. — Eles estão mentindo! Olhe nas fitas nas quais eles estão me interrogando. Eu sempre continuei dizendo...
— Advogada — O juiz rebateu para Gwen. —, controle o seu cliente ou você será presa por desacato ao tribunal.
— Você tem que calar a boca. —Gwen sibilou para Matt.
— Você não pode me calar a boca! Não pode ganhar esse julgamento enquanto vocês estiverem quebrando as regras!
— Calado! — O juiz cantou a palavra em um volume surpreendente. — A próxima pessoa que fizer um comentário sem a minha autorização expressa deverá ser presa por desacato e passará uma noite na cadeia, com fiança de quinhentos dólares.
Ele pausou para olhar ao redor para ver se havia sido compreendido.
— Agora — Ele disse. —, acusação, chame sua primeira testemunha.
— Chamamos Caroline Beula Forbes para ficar em pé.
A figura de Caroline havia mudado. Seu estômago era uma espécie de abacate de cabeça para baixo. Matt ouviu murmúrios.
— Caroline Beula Forbes, você jura que seu testemunho conterá a verdade, só a verdade e nada mais que a verdade?
Em algum lugar lá dentro, Matt estava tremendo. Ele não sabia se era mais por raiva, medo ou se era uma combinação de ambos. Mas se sentiu como um gêiser prestes à explodir — não necessariamente por que ele queria, mas porque forças além do seu controle estavam tomando conta dele. O Gentil Matt, o Quieto Matt, o Obediente Matt... Ele havia deixado tudo isso para trás, em algum lugar. O Furioso Matt e o Violento Matt, isso era o que ele estava prestes a se transformar.
No mundo obscuro lá fora, vozes vinham entrando em seus devaneios. E uma voz o picou como uma urtiga.
— Você reconhece o garoto que nomeou como o seu namorado, Matthew Jeffrey Honeycutt, aqui nesta sala?
— Sim. — A voz de urtiga espinhosa disse suavemente. — Ele está sentado na mesa da defesa, com camiseta cinza.
A cabeça de Matt se ergueu. Ele olhou para Caroline direto nos olhos.
— Você sabe que isso é uma mentira. — Ele disse. — Nunca saímos juntos em um encontro. Nunca.
O juiz, que parecia estar dormindo, agora acordara.
— Meirinho! — Ele rebateu. — Contenha o réu imediatamente.
Matt ficou tenso. Enquanto Gwen Sawicki gemia, Matt de repente encontrou-se sendo segurado e uma fita adesiva fora envolvida em volta de sua boca.
Ele lutou. Tentou levantar. Assim, eles o amarraram na cadeira com a fita em volta de sua cintura. Quando finalmente o deixaram sozinho, o juiz disse:
— Se ele sair da cadeira, você pagará com o seu próprio salário, Srta. Sawicki.
Matt pôde sentir Gwen Sawicki tremendo ao lado dele. Mas não de medo. Ele pôde reconhecer a expressão explosiva e percebeu que ela seria a próxima. Então, o juiz a prenderia com desprezo, e quem falaria por ele?
Ele encontrou seus olhos e sacudiu sua cabeça firmemente para ela. Mas também sacudiu a cabeça para cada mentira que Caroline dizia.
— Tivemos que manter em segredo, a nossa relação. — Caroline estava dizendo modestamente, encarando seu vestido cinza. — Porque Tyler Smallwood, meu antigo namorado, poderia descobrir. Então ele... Quero dizer, eu não queria nenhum tipo de confusão entre eles.
Sim, Matt pensou com amargura. É melhor tomar cuidado... Porque o pai de Tyler, provavelmente, tem tantos bons amigos aqui quanto o seu pai. Ou até mais.
Matt se desligou até que ouviu o promotor dizer:
— E algo incomum aconteceu na noite em questão?
— Bem, saímos juntos em seu carro. Fomos para perto da pensão... Ninguém nos veria ali... Sim, eu... Eu receio que ele… Não entendeu o que eu queria. Mas depois disso eu queria ir embora, mas ele não parou. Tentei lutar com ele. Eu o arranhei com minhas unhas...
— A acusação oferece a Prova 2: uma foto de profundos arranhões no braço do réu...
Os olhos de Gwen, ao encontrar os de Matt, pareciam aborrecidos. Abatidos. Ela mostrou a Matt uma foto e ele se lembrou: as marcas profundas feitas pelo dentes de um grande malach quando ele tirara seu braço de sua boca.
— A defesa irá estipular...
— Admissível.
— Mas não importava o quanto eu gritasse e lutasse... Bem, ele era muito forte e eu... Eu não pude... — Caroline sacudiu a cabeça em uma vergonha agonizante. Lágrimas saíam de seus olhos.
— Meritíssimo, talvez a ré precise de uma pausa para retocar a maquiagem. — Gwen sugeriu amargamente.
— Jovem, você está me dando nos nervos. A acusação pode cuidar de seus próprios clientes... Digo, testemunhas...
— Ela é testemunha. — Disse a acusação.
Matt rabiscou o quanto pôde a verdadeira história em um pedaço de papel branco, enquanto o teatro de Caroline continuava.
Gwen estava lendo agora.
— Então — Ela disse — o seu ex, Tyler Smallwood, não é e nunca foi um... — Ela engoliu em seco. — Um lobisomem.
Através de suas lágrimas de vergonha, Caroline riu ligeiramente.
— Claro que não. Lobisomens não são reais.
— Como vampiros.
— Vampiros também não são reais, se é isso que você quer dizer. Como poderiam ser?
Caroline estava olhando para cada sombra na sala enquanto dizia isso.
Gwen estava fazendo um bom trabalho, Matt percebeu. A máscara de modéstia de Caroline estava começando a cair.
— E pessoas nunca voltam dos mortos... Nos tempos modernos, eu quero dizer. — Gwen disse. 
— Bem, quanto a isto — Malícia penetrou na voz de Caroline —, se você for para a pensão em Fell’s Church, verá que há uma garota chamada Elena Gilbert, que devia ter se afogado ano passado. No Dia dos Fundadores, depois da festa. Ela foi Miss Fell’s Church, é claro.
Houve um murmúrio entre os repórteres. Coisas sobrenaturais vendiam melhor do que qualquer coisa, especialmente se uma linda menina estivesse envolvida. Matt pôde ver sorrisos em cada lado.
— Ordem! Srta. Sawicki, você continuará com os fatos neste caso!
— Sim, Meritíssimo. — Gwen parecia frustrada. — Ok, Caroline, vamos voltar ao dia da suposta agressão. Depois dos eventos que você narrou, você ao menos ligou para a polícia depois?
— Eu estava… Muito envergonhada. Mas quando percebi que poderia estar grávida ou poderia ter uma doença terrível, eu sabia que tinha de contar.
— Mas essa doença terrível não era licantropia... Ser um lobisomem, certo? Porque isso não poderia ser verdade.
Gwen olhou ansiosamente para Matt e Matt olhou sombriamente para ela. Ele tinha esperança de que, caso Caroline fosse forçada a continuar a falar sobre lobisomens, eventualmente começaria a se contorcer. Mas ela aparentava ter o completo controle sobre si mesma agora.
O juiz parecia furioso.
— Jovem, não quero mais que meu tribunal fique fazendo gracinhas sobre coisas sobrenaturais e sem sentido!
Matt olhou para o telhado. Ele iria para a cadeia. Por um longo tempo. Por algo que ele não fizera. Por algo que ele nunca faria. E além disso, agora, haveria repórteres que iriam à pensão incomodar Elena e Stefan. Droga!
Caroline havia conseguido dizer, apesar do juramento de sangue que a proibia de contar o segredo. Damon havia assinado o juramento também. Por um momento, Matt desejou que Damon estivesse de volta, para se vingar dela. Ele não se importaria com todas ás vezes ele o chamara de “Mutt”, se ele ao menos aparecesse. Mas ele não apareceu.
Matt percebeu que a fita adesiva em volta de seu peito estava frouxa o bastante para que ele pudesse bater sua cabeça contra a mesa da defesa. Ele fez isso, fazendo um pequeno boom.
— Se o seu cliente deseja ser imobilizado completamente, Srta. Sawicki, isso poderá ser...
Mas então todos ouviram. Como um eco, só que atrasado. E muito mais alto que uma cabeça batendo contra uma mesa.
BOOM!
E de novo.
BOOM!
E então, o som distante e perturbador de portas sendo abertas, como se elas estivessem sendo atingidas por um aríete.
Neste momento, as pessoas no tribunal ainda podiam se espalhar. Mas para onde iam?
BOOM!
Outra porta mais próxima fora aberta.
— Ordem! Ordem no tribunal!
Passos soavam pelo piso de madeira do corredor.
— Ordem! Ordem!
 Mas ninguém, nem mesmo o juiz, pôde parar as pessoas de resmungar. E sendo tarde da noite, presos no tribunal, depois de conversarem sobre vampiros e lobisomens...
Passos ficavam mais próximos. Uma porta, bem próxima, se abriu e rangeu.
Uma onde de... Alguma coisa... Passava pelo tribunal.
Caroline suspirou, apertando seu estômago saliente.
— Barrem aquelas portas! Meirinho! Tranque-as!
— Barrá-las como, Meritíssimo? E elas só se trancam pelo lado de fora!
O que quer que fosse, estava chegando mais perto...
A porta do tribunal se abriu, rangendo. Matt colocou uma mão calmante no pulso de Gwen, torcendo seu pescoço para ver o que tinha atrás dele.
Parado na porta estava Sabber, parecendo, como sempre, tão grande quanto um poneizinho. A Sra. Flowers andava ao lado dele; Stefan e Elena se encontravam atrás de seu traseiro.
Sabber dava passos pesados enquanto, sozinho, ia em direção à Caroline, que estava ofegante e trêmula.
O mais absoluto silêncio enquanto todo mundo tinha uma visão da besta gigante, de seu casaco preto de ébano, com olhos escuros e úmidos enquanto ele dava um olhar a laser pelo tribunal.
Então, nas profundezas de seu peito, Sabber fez hmmf.
Ao redor de Matt, as pessoas estavam ofegantes e se contorcendo, como se eles se coçassem pelo corpo todo. Ele olhou e viu que Gwen encarava enquanto os ofegos se transformavam em um arquejo.
Finalmente, Sabber inclinou o nariz para o teto e uivou.
O que aconteceu depois não foi nada bonito, pelo ponto de vista de Matt. Ele não viu a boca e o nariz de Caroline se sobressaírem para fazerem um focinho. Não viu seus olhos recuarem em pequenos e profundos buracos.
E suas mãos e seus dedos se encolhendo em patas, difundidas com unhas pretas. Isso não foi nada bonito.
Mas o animal no fim era lindo. Matt não sabia se ela havia absorvido seu vestido cinza, arrancado-o ou algo parecido. Sabia aquele belo lobo cinzento saltara da cadeira do réu e lambera as costeletas de Sabber, rolando pelo chão para brincar ao redor do grande animal, que obviamente parecia ser o lobo alfa.
Sabber fez outro hmmf profundo.
O lobo que havia sido Caroline esfregou seu focinho amorosamente contra seu pescoço.
E isso estava acontecendo em outros lugares na sala. Ambos os promotores, três dos jurados... Até mesmo o juiz...
Eles todos estavam se transformando, não para atacar, mas para forçar laços sociais com aquele grande lobo, um alfa, se é que ali já não houvesse um.
— Já falamos com ele sobre isso. — Elena explicou enquanto xingava a fita adesiva no cabelo de Matt. — Sobre não ser agressivo e não arrancar cabeças... Damon me disse que ele fez isso uma vez.
— Não queremos um monte de mortes. — Stefan concordou. — E sabíamos que nenhum animal poderia ser tão grande quanto ele. Então, nos concentramos em trazer o máximo possível de seu lobo interior... Espera, Elena... Peguei uma pedaço de fita aqui deste lado. Desculpe por isso, Matt.
Um forte puxão de fita o libertou… E Matt colocou a mão em sua boca.
A Sra. Flowers estava soltando a fita adesiva que o prendia à cadeira. De repente, ele estava inteiramente livre e sentia-se como se fosse gritar. Ele abraçou Stefan, Elena e a Sra. Flowers, dizendo:
— Obrigado!
Gwen, infelizmente, estava vomitando numa lata de lixo.
Na verdade, Matt pensou, ela teve sorte em ter um lugar seguro.
Um jurado vomitava em cima da bancada.
— Essa é a Srta. Sawicki. — Matt disse orgulhosamente. — Ela chegou depois que o julgamento começara, e realmente fez um ótimo trabalho.
— Ele disse “Elena” — Gwen sussurrou quando ela pôde falar.
Ela estava olhando para o pequeno lobo, com manchas de queda de cabelo, que veio mancado da cadeira do juiz para ficar em torno de Sabber, que estava aceitando todos esses gestos com dignidade.
— Eu sou Elena. — Disse Elena, enquanto dava abraços poderosos em Matt.
— Aquela que... Devia estar morta?
Elena levou um momento para poder abraçar Gwen.
— Eu pareço estar morta?
— Eu... Eu não sei. Não. Mas...
— Mas tenho uma lápide bem bonita no cemitério de Fell’s Church. — Elena lhe assegurou; então, de repente, com uma mudança de semblante: — Caroline te disse isso?
— Ela disse para a sala toda. Especialmente para os repórteres.
Stefan olhou para Matt e sorriu ironicamente.
— Você deverá viver o suficiente para ter sua vingança contra Caroline.
— Eu não quero mais vingança. Só quero ir pra casa. Quer dizer... — Ele olhou com medo para a Sra. Flowers.
— Se pode pensa em minha casa como seu “lar” enquanto sua amada mãe estiver fora, eu estou feliz. — Disse a Sra. Flowers.
— Obrigado. — Matt disse silenciosamente. — Eu realmente quis dizer isso. Mas Stefan... O que os repórteres vão escrever?
— Se forem espertos, não escreverão nada.

Um comentário:

  1. Tribunal hipócrita! Bradaram que coisas como lobisomens e vampiros não existiam e metade do tribunal era licantrope!!!!!!!

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