26 de novembro de 2015

Capítulo 22

Na tarde seguinte à "disciplina" de Elena, Damon pegou um quarto no prédio onde o Dr. Meggar morava. Lady Ulma ficou na sala do médico até que eles, Sage, Damon e o Dr. Meggar, a curassem completamente.
Ela agora não falava mais sobre coisas tristes. Contou-lhes várias histórias da casa em que cresceu que eles sentiam que poderia andar por ela e reconhecer cada cômodo, por maior que fosse.
— Imagino que a casa agora seja lar de ratos e camundongos— disse ela tristonha ao concluir uma história. — E aranhas e traças.
— Mas por quê? — disse Bonnie, sem ver os sinais que Meredith e Elena lhe faziam para não perguntar nada. Lady Ulma tombou a cabeça para trás e olhou o teto.
— Por causa... do general Verantz. O demônio de meia-idade que me viu quando eu tinha apenas 14 anos. Quando ele mandou o exército atacar minha casa, matou cada ser vivo que encontraram lá dentro... Menos a mim e meu canário. Meus pais, meus avós, minhas tias e tios... Meus irmãos e irmãs mais novos. Até meu gato, que dormia no peitoril da janela. O general Verantz me colocou diante dele, eu ainda pequenina, de camisola e descalça, com o cabelo despenteado, com a trança se desfazendo, e ao lado dele estava meu canário com a cobertura noturna da gaiola. Ainda estava vivo e saltava com a mesma animação de sempre. E isso fez com que todo o resto que aconteceu parecesse pior... No entanto, também parecia um sonho. É difícil de explicar.
 Dois dos homens do general me seguraram e me levaram diante dele. Na verdade mais me escoravam do que me impediam de correr. Eu era jovem demais, entendam, e tudo aparecia e sumia diante de mim. Mas lembro exatamente o que o general me disse. Ele falou: "Mandei esse passarinho para cantar e ele cantou. Disse a seus pais que queria lhe dar a honra de ser minha esposa e eles recusaram meu pedido. Agora pense bem. Você fará como o canário, ou como seus pais?" E ele apontou para um canto escuro da sala, é claro que tudo era iluminado por tochas, e as tochas tinham sido apagadas naquela noite. Mas havia luz suficiente para que eu visse que havia um amontoado de coisas, coberto com palha ou mato de um lado. Pelo menos foi o que imaginei, é verdade. Eu era inocente e creio que o choque fez alguma coisa com minha mente.‖
— Por favor — disse Elena, afagando gentilmente a mão de Lady Ulma.
— Não precisa falar mais nada. Nós entendemos...
Mas Lady Ulma não pareceu ouvi-la.
— Depois um dos homens do general ergueu uma espécie de coco com uma palha muito comprida no alto, com tranças. Ele balançou despreocupadamente... De repente vi o que era aquilo. Era a cabeça de minha mãe.
Elena engasgou involuntariamente. Lady Ulma olhou as meninas com os olhos firmes e secos.
— Vocês devem me achar muito insensível por falar dessas coisas sem cair no choro.
— Não, não... — Elena começou apressadamente. Ela mesma tremia, mesmo depois de baixar os sentidos paranormais ao mínimo. Torcia para Bonnie não desmaiar.
Lady Ulma falava novamente.
— A guerra, a violência fortuita e a tirania são tudo o que conheço desde que minha infância inocente foi destruída naquele momento. Agora é a gentileza que me assombra, que deixa meus olhos ardendo de lágrimas.
— Ah, não chore — pediu Bonnie, abraçando a mulher impulsivamente. — Por favor, não chore. Nós estamos aqui com a senhora.
Enquanto isso Elena e Meredith se olhavam com as sobrancelhas unidas e um dar de ombros rápido.
— Sim, por favor, não chore — intrometeu-se Elena, sentindo-se um tanto culpada, mas decidida a tentar o Plano A. — Mas conte, por que a propriedade de sua família acabou em condições tão ruins?
— Por culpa do general. Ele foi enviado a terras longínquas para travar guerras tolas e insignificantes. Quando partiu, levou a maior parte de seu séquito... Inclusive os escravos preferidos naquela época. Quando partiu de vez, três anos depois de ter atacado nossa casa, eu não era mais uma de suas favoritas e não fui escolhida para ir com ele. Tive sorte. Todo seu batalhão foi eliminado; os criados que foram com ele foras aprisionados ou abatidos. Ele não tinha herdeiros e suas propriedades foram revertidas para a Coroa, que não via utilidade nelas. Permaneceu desocupada por todos esses anos... Foi saqueada muitas vezes, é claro, mas ninguém soube de seu verdadeiro segredo, o segredo das jóias... Até onde eu sei.
— O Segredo das Jóias — sussurrou Bonnie, claramente colocando em maiúsculas, como se fosse uma história de mistério. Ela ainda abraçava Lady Ulma.
 Que segredo das jóias? — perguntou Meredith com mais calma. Elena não conseguia falar, pois sentira arrepios de ansiedade. Era como fazer parte de uma peça mágica.
— Nos tempos de meus pais, era comum esconder sua riqueza em algum lugar em sua propriedade... E só os donos sabiam onde era o esconderijo. É claro que meu pai, como ourives e comerciante de jóias, tinha mais a esconder do que a maioria das pesssoas poderia imaginar. Ele tinha uma sala maravilhosa que me fazia pensar na caverna do Aladim. Era a oficina dele, onde mantinha as gemas brutas e as peças prontas que haviam sido encomendadas, ou as que ele criava e desenhava para minha mãe.
— E ninguém jamais a encontrou? — quis saber Meredith. Havia um leve tom de ceticismo em sua voz.
— Se encontraram, nunca soube disso. É claro que na época eles podiam ter arrancado a informação do meu pai ou da minha mãe.... Mas o general não era um vampiro ou um kitsune meticuloso e paciente, era um demônio rude e impaciente. Matou meus pais enquanto assaltava a casa. Nunca ocorreu a ele que eu, uma criança de 14 anos, podia ter essa informação.
— Mas a senhora sabia... — sussurrou Bonnie, fascinada, estimulando Lady Ulma.
— Mas eu sabia. E ainda sei.
Elena engoliu em seco. Tentava continuar calma, ser mais parecida com Meredith, manter a cabeça fria. Mas assim que abriu a boca para demonstrar tranquilidade, Meredith disse: ― O estamos esperando? — e se colocou de pé.
Lady Ulma parecia ser a pessoa mais tranquila no ambiente. Também parecia um tanto confusa e quase tímida.
— Quer dizer que devemos pedir uma audiência a nosso amo?
— Quero dizer que devemos ir até lá e pegar essas jóias! — exclamou Elena.
— Mas sim, Damon será de grande ajuda se tivermos de levantar alguma coisa pesada. Sage também. — Ela não entendia por que Lady Ulma não estava mais animada.
— Não entende? — disse Elena, a mente disparando. — A senhora pode ter sua casa de volta! Podemos tentar deixá-la do jeito que era em sua infância. Quero dizer, se é o que deseja fazer com o dinheiro. Mas eu adoraria, enfim, ver a caverna de Aladim!
— Mas... Bem... — Lady Ulma de repente ficou angustiada. — Eu teria de pedir outro favor ao amo Damon... Embora o dinheiro das jóias possa ajudar nisso.
— É o que a senhora quer? — disse Elena com a maior gentileza que pôde. — E não precisa chamá-lo de amo Damon. Ele a libertou há alguns dias, lembra?
— Mas certamente foi apenas... o calor do momento, não foi?— Lady Ulma ainda estava confusa. — Ele não oficializou na Chefatura de Escravos nem nada.
— Se não fez isso, foi por que não sabia! — exclamou Bonnie ao mesmo tempo em que Meredith dizia:
— Não sabemos nada desse protocolo. E o que ele precisa fazer?
Lady Ulma pareceu capaz apenas de assentir. Elena ficou mortificada. Imaginou que esta mulher, que havia sido escrava por mais de 22 anos, devia achar difícil acreditar que estava realmente livre.
— Era o que Damon queria quando disse que estávamos todas livres — disse ela, ajoelhando-se perto da cadeira de Lady Ulma. — Ele só não sabia tudo o que precisava fazer. Se nos contar, podemos dizer a ele, depois podemos todos ir para sua antiga propriedade.
Ela estava prestes a se levantar de novo quando Bonnie falou.
— Tem alguma coisa errada. Ela não está feliz como antes. Temos de descobrir o que é.
Ao abrir um pouco sua percepção paranormal, Elena entendeu que Bonnie tinha razão. Ela permaneceu ajoelhada ao lado da cadeira de Lady Ulma.
— O que é? — perguntou. A mulher parecia desnudar ainda mais sua alma quando Elena fazia as perguntas.
— Eu tinha esperanças — disse Lady Ulma lentamente — de que o amo Damon pudesse comprar... — Ela corou, mas continuou com esforço. — Pudesse ter a generosidade de comprar mais um escravo. O... O pai do meu filho.
Houve um momento de completo silêncio, depois as três meninas falaram. As três, pensou Elena, tentando freneticamente fazer o mesmo que ela, não mencionar que achavam que o Velho Drohzne era o pai.
Mas é claro que não podia ser ele, Elena se repreendeu. Ela estava com a gravidez — e quem ficaria feliz por ter um filho de um monstro como o Velho Drohzne? Além disso, ele não tinha a menor ideia de que ela estava grávida — e não se importava.
— Pode ser mais fácil falar do que fazer — disse Lady Ulma, quando a tagarelice para tranquilizá-la e as perguntas tinham esmorecido um pouco. — Lucen é um joalheiro, um homem renomado que cria peças que... que me lembram as de meu pai. Ele será caro.
— Mas temos a caverna de Aladim para explorar! — disse Bonnie alegremente. — Quero dizer, a senhora terá o bastante para isso se vender as jóias, não é? Ou precisa de mais?
— Mas as jóias são do amo Damon — disse Lady Ulma, apavorada. — Talvez ele não tenha se dado conta disso, mas herdou todos os bens do Velho Drohzne, e se tornou meu dono e o dono de tudo que possuo...
— Vamos tratar de sua liberdade e vamos dar um passo de cada vez — disse Meredith em sua voz mais firme e mais racional.


Querido Diário,
Bom, ainda estou escrevendo em você como escrava. Hoje libertamos Lady Ulma, mas decidimos que Meredith, Bonnie e eu devemos continuar como "assistentes pessoais" de Damon. Isto porque Lady Ulma disse que seria estranho e fora de moda se ele não tivesse várias meninas bonitas como cortesãs.
Na verdade há uma vantagem nisso, a de que, como cortesãs, precisamos usar roupas bonitas e jóias o tempo todo. Como estive vestindo a mesma calça jeans desde que o sacana do Velho Drohzne rasgou a calça com que entrei neste lugar, você pode imaginar como estou animada.
Mas não estou animada só por causa das roupas bonitas. Tudo o que aconteceu desde que libertamos Lady Ulma e depois, quando fomos a sua antiga casa, foi um sonho maravilhoso. A casa estava em ruínas e obviamente abrigava animais selvagens. Até achamos rastros de lobos e outros animais no segundo andar, o que nos levou a perguntar se os lobisomens habitavam este mundo. Ao que parece, sim, e alguns em posições muito elevadas sob a tutela de vários senhores feudais. Talvez Caroline gostasse de passar umas férias aqui para aprender sobre os verdadeiros lobisomens — dizem que odeiam tanto os humanos que nem têm escravos humanos ou vampiros (que antigamente eram humanos).
Mas de volta à casa de Lady Ulma. Sua fundação é de pedra e ela é revestida de madeira de lei, então a estrutura básica está ótima. As cortinas e tapeçarias estão arruinadas, é claro, então é meio sinistro entrar com tochas e ver tudo pendurado no alto e em volta da gente. Para não falar das teias das aranhas gigantescas. Odeio aranhas mais do que qualquer coisa no mundo.
Mas entramos, com nossas tochas parecendo versões menores daquele sol carmim gigante que está sempre se pondo no horizonte, tingindo tudo da cor do sangue, fechamos as portas e acendemos um fogo numa lareira imensa no que Lady Ulma chama de Grande Salão. Acho que é onde as refeições são servidas ou se onde dá festas. De um lado, tem uma mesa enorme numa plataforma, e um espaço para menestréis acima do que deve ser a pista de dança. Lady Ulma disse que era onde os criados dormiam à noite também (o Grande Salão, não a galeria dos menestréis).
Depois subimos e encontramos — eu juro — dezenas de quartos com camas de dossel enormes que vão precisar de novos colchões, lençóis, cobertas e cortinas, mas não ficamos para olhar. Havia morcegos dormindo no teto.
Fomos ao ateliè da mãe de Lady Ulma. Era uma sala muito grande onde pelo menos quarenta pessoas podiam se sentar e costurar as roupas que a mãe dela desenhava. Mas aqui vem a parte boa!
Lady Ulma foi a um dos armários da sala e afastou todas as roupas esfarrapadas e roídas por traças que estavam ali. Em seguida, apertou uns lugares diferentes no fundo do armário, e toda aquela parte deslizou para fora! Lá dentro havia uma escada muito estreita que descia direto!
Lembrei-me da cripta de Honoria Fell e me perguntei se algum vampiro sem-teto podia ter morado nesta sala do segundo andar, mas eu sabia que aquilo era tolice, porque havia teias de aranha bem do lado de dentro da porta. Damon ainda insistiu em descer primeiro porque enxergava melhor no escuro, mas acho que a verdade é que ele estava curioso para ver o que havia lá embaixo. Cada um de nós o seguiu, um de cada vez, tentando ter cuidado com as tochas e... Bom, não tenho palavras para descrever o que descobrimos. Por alguns minutos fiquei decepcionada, porque tudo na enorme mesa lá embaixo era poeira, e não brilhava, mas Lady Ulma começou a espanar as jóias delicadamente com um tecido especial e Bonnie achou vários sacos e os virou — e era como despejar um arco-íris! Damon achou um armário cheio de gavetas e mais gavetas de colares, pulseiras, anéis, braceletes, tornozeleiras, brincos, anéis de nariz, grampos e enfeites para cabelo!
Nem acreditei no que vi. Virei uma bolsa e parecia que tinha um punhado imenso de diamantes brancos e gloriosos caindo pelos meus dedos, alguns grandes, do tamanho de meu polegar. Vi pérolas brancas e negras, ambas menores e combinando perfeitamente, e formas imensas e maravilhosas: quase do tamanho de damascos, com um brilho rosado, dourado ou cinza. Vi safiras do tamanho de moedas grandes, com estrelas que podíamos ver quase do outro lado da sala. Segurei punhados de esmeraldas, peridotito, opalas, rubis, turmalinas e ametistas — e muito lápis-lazúli, para um vampiro exigente, é claro.
E as jóias que já estavam prontas eram tão lindas que senti um aperto na garganta.
Lady Ulma soltou um gritinho, mas acho que foi de felicidade enquanto todos elogiávamos por suas jóias. Em apenas alguns dias, deixou de ser uma escrava que nada tinha e passou a ser uma mulher incrivelmente rica, dona de uma casa e de todos os meios necessários para viver em grande estilo. Decidimos que embora ela fosse se casar com o namorado, era melhor que Damon primeiro o comprasse e o libertasse sem alarde, para bancar o "Dono da Casa" pelo tempo que ficássemos aqui. Durante esse tempo, nós trataríamos Lady Ulma como se ela fosse da família e colocaríamos o joalheiro Lucen de volta ao trabalho até que partíssemos. Assim, ele e Lady Ulma, aos poucos, assumiriam o lugar de Damon. Os senhores feudais por aqui não são mais demônios, e sim vampiros, e eles não se opõem tanto a ter humanos como proprietários de terras.
Já contei sobre Lucen? É um artista de jóias maravilhoso! Tem uma necessidade ardente de criar — em seus primeiros dias como escravo, criava com lama e mato, imaginando que fazia jóias. Depois teve sorte e trabalhou como aprendiz de um joalheiro.
Ele lamentou durante muito tempo por Lady Ulma, e a amava há tanto tempo, que é um pequeno milagre eles verdadeiramente ficarem juntos — e mais o importante, como cidadãos livres.
Estávamos com medo de que Lucen não gostasse da ideia de nós o comprarmos como escravo e não o libertarmos antes de irmos embora, mas ele nunca achou que seria libertado — devido ao seu talento. Ele é um homem calmo, gentil e generoso, com uma barba pequena e elegante e olhos cinzentos que me lembram os de Meredith. E ficou tão maravilhado por ser tratado com dignidade e não trabalhar 24 horas por dia que teria aceitado qualquer coisa, só para ficar perto de Lady Ulma. Acho que ele era um aprendiz, quando o pai dela era joalheiro, e se apaixonou por Lady Ulma, mas ele achava que nunca, jamais conseguiria ficar com ela, porque ela era uma jovem dama de estirpe e ele, apenas um escravo. Agora eles são tão felizes juntos!
A cada dia Lady Ulima fica mais bonita e mais jovem. Ela pediu permissão a Damon para tingir o cabelo de preto, e ele disse que ela podia tingir de rosa, se quisesse, e agora ela está incrivelmente bonita. Nem acredito que cheguei a pensar nela como uma bruxa velha, mas é o que a agonia, o medo e a falta de esperança fazem com uma pessoa.
Cada um dos fios grisalhos de seu cabelo estava ali por ela ser uma escrava, sem bens, sem perspectiva de futuro, sem segurança, sem capacidade nem mesmo de sustentar seus filhos, se ela os tivesse.
Esqueci de contar a outra vantagem de Meredith, Bonnie e eu sermos "assistentes pessoais" por um tempo. É que podemos empregar muitas mulheres pobres que ganham a vida costurando, e Lady Ulma na verdade quer desenhar e mostrar a elas como fazer roupas mais refinadas. Dissemos a ela que podia relaxar, mas ela respondeu que a vida toda quis ser costureira como a mãe e agora estava morrendo de vontade de fazer isso — com três tipos completamente diferentes de meninas para vestir. Estou louca para ver o que ela vai aprontar: ela já tinha desenhado alguma coisa e amanhã o vendedor de tecidos virá e ela escolherá o material.
Enquanto isso, Damon contratou umas duzentas pessoas (é sério!) para limpar a propriedade de Lady Ulma, pendurar cortinas novas, renovar o encanamento, polir os móveis que ainda estavam em bom estado e comprar móveis que ainda faltavam. Ah, e plantar flores já crescidas e árvores adultas nos jardins, e instalar fontes e todo tipo de coisas.
Com tanta gente trabalhando, devemos nos mudar em questão de dias.
Tudo isso tinha apenas um propósito, além de fazer Lady Ulma feliz. Para que Damon e suas "assistentes pessoais" sejam aceitas na alta sociedade na temporada de festas que começa este ano. Lady Ulma e Sage podem identificar de imediato as pessoas das charadas que Misao nos deu!
Isso só prova o que pensei antes, que Misao nunca imaginou que realmente chegaríamos aqui, ou que conseguiríamos entrar nos lugares onde esconderam as duas metades da chave de raposa.
Mas há uma maneira muito fácil de conseguir convite para as casas nas quais precisamos entrar. Se formos os mais recentes e mais espalhafatosos nouveau riche (como se faz o plural mesmo?) por aqui, e se espalharmos a história de que Lady Ulma foi recolocada em seu lugar de direito, e se todo mundo quiser saber dela — seremos convidados para as festas! E é assim que vamos entrar nas duas mansões que temos de visitar, à procura das metades da chave que precisamos para libertar Stefan! E temos uma sorte incrível, porque esta é a época do ano em que todo mundo começa a dar festas, e as duas casas que queremos visitar estão promovendo as primeiras comemorações: uma é um baile de gala, e outra uma soirée de primavera para comemorar as primeiras flores.
Sei que agora minha letra está tremida. Eu mesma estou tremendo ao pensar que realmente vamos procurar as duas metades da chave de raposa que nos permitirá libertar Stefan.
Ah, diário, está tarde — e não posso — não posso escrever sobre Stefan. Estar aqui, na mesma cidade que ele, saber onde fica a prisão... E não poder ir lá para vê-lo. Meus olhos estão tão embuçados que nem enxergo o que estou escrevendo. Queria dormir um pouco para me preparar para outro dia de correria, supervisão e ver a casa de Lady Ulma florescer como uma rosa — mas agora tenho medo de ter pesadelos com a mão de Stefan lentamente escorregando da minha.

2 comentários:

  1. na vdd a historia ta muito complicada com tantas pessoas e tals,, tao enrolando mt.. eu amo a serie mais tem mt enrolaçao.

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