29 de novembro de 2015

Capítulo 20

Meredith sempre achava que seus pais eram engraçados, bobinhos e queridos. Eles eram solenes sobre coisas erradas, como: “Certifique-se, querida, que você realmente conhece Alaric... Antes que... Antes que...”
Meredith não tinha nenhuma dúvida a respeito de Alaric, e ele era outro daquelas pessoas bobinhas, queridas e valentes, que falam sobre as coisas sem irem direto ao assunto.
Hoje, ela estava surpresa em ver que não havia fileiras de carros ao redor da casa ancestral. Talvez as pessoas tiveram que ficar em casa para lugar com seus próprios filhos. Ela olhou para o Acura, consciente dos preciosos presentes de Isobel, e tocou a campainha. Seus pais acreditavam em fechaduras.
Janet, a governanta, parecia feliz ao vê-la, mas também aparentava estar nervosa.
Aha, Meredith pensou, descobriram que sua filha tem assaltado o sótão.
Talvez eles queiram a estaca de volta. Talvez eu devesse tê-la deixado lá na pensão.
Mas ela só percebeu que as coisas estavam bem sérias quando entrou e viu que a grande poltrona de descanso La-Z-Boy, versão deluxe, o trono de seu pai, estava vazia.
Seu pai estava sentado no sofá, abraçando sua mãe, que estava soluçando.
Ela havia trago a estaca consigo, e quando sua mãe a viu, rompeu-se em uma explosão de lágrimas.
— Olhem — Meredith disse. —, isso não tem que ser trágico. Eu tenho uma boa ideia do que está acontecendo. Se quiserem me contar como o vovô e eu nos machucamos, seria maravilhoso. Mas eu... Algum dia ia...
Ela parou. Mal pôde acreditar. Seu pai estava com um braço em cima dela, como se o volume de suas roupas não importassem. Ela foi em direção a ele bem devagar, desconfortavelmente, e o deixou abraçá-la sem se importar com seu terno Armani. Sua mãe tinha em sua frente um copo, no qual sobraram algumas gotas, do que parecia ser Coca-Cola, mas Meredith poderia apostar que não havia só Coca lá.
— Esperávamos que aqui fosse um lugar de paz. — Seu pai discursou. Cada sentença que seu pai falava era um discurso. Você meio que se acostumava. — Nunca sonhamos…
E então, ele parou.
Meredith estava aturdida. Seu pai nunca parava no meio de um discurso. Ele não pausava. E, certamente, não chorava.
— Pai! Paizinho! O que foi? Foram as crianças da vizinha, as malucas? Elas machucaram alguém?
— Temos que te contar a história toda, desde o começo. — Seu pai... Disse.
Ele falava com tanto desespero que não parecia nem um pouco um discurso.
— Nós todos fomos... Atacados.
— Por um vampiro. Seu avô. Ou você sabe?
Longa pausa. Então, sua mãe bebeu o resto que havia em seu copo e disse:
— Janet, mais um, por favor.
— Agora, Gabriella...? — Seu pai disse, repreendendo.
— Nando... Eu não posso suportar. Só de pensar em mi hija inocente …
Meredith disse:
— Olhem, acho que posso facilitar para vocês. Eu já sei... Bem, primeiro, que eu tinha um irmão gêmeo.
Seus pais olharam-na horrorizados. Eles se agarraram, arfando.
— Quem te contou? — Seu pai exigiu. — Lá na pensão, como você poderia saber...?
Hora de acalmar as coisas.
— Não, não. Pai, eu descobri... Bem, vovô falou comigo. — Isso era uma meia-verdade. Ele havia falado. Mas não sobre seu irmão. — De qualquer forma, foi assim que consegui a estaca. Mas o vampiro que nos feriu está morto. Era um serial killer, e foi ele que matou Vicki e Sue. Seu nome era Klaus.
— Você pensou que havia só um vampiro ? — Sua mãe se mostrou presente. Ela pronunciou as coisas de modo hispânico, no qual Meredith sempre achou mais medonho.
Vahm-peer.
O universo pareceu se mover mais devagar ao redor de Meredith.
— Foi só um palpite. — Seu pai disse. — Não sabemos se havia realmente mais do que aquele vampiro fortão.
— Mas vocês sabem sobre o Klaus... Como?
— Nós o vimos. Ele era forte. Matou os guardas de segurança no portão com um só fôlego. Nós mudamos para uma nova cidade. Esperávamos que você nunca soubesse que tinha um irmão. — Seu pai limpou seus olhos. — Seu avô falou conosco, logo após o ataque. Mas no dia seguinte... Nada. Ele nem ao menos podia conversar.
Sua mãe colocou seu rosto em suas mãos. Ela só levantou para dizer:
— Janet! Mais um, por favor !
— A caminho, madame.
Meredith olhou para os olhos azuis da governanta à procura da solução do mistério, mas não encontrou nada... Simpatia, talvez, mas nenhum sinal de ajuda.
Janet saiu com o copo vazio, com uma trança à francesinha escorrendo pelas costas.
Meredith voltou a olhar seus pais, com olhos e cabelos escuros, pele da cor de azeitona. Eles estavam abraçados novamente, os olhos grudados nela.
— Mãe, pai, eu sei que isso é bem difícil. Mas caço esses tipos de pessoa que machucaram o vovô, a vovó e o meu irmão. É perigoso, mas eu tenho que fazer.
Ela ficou em posição de Taekwondo.
— Quero dizer, vocês me treinaram.
— Mas contra a sua própria família? Você poderia fazer isso? — Sua mãe gritou.
Meredith sentou. Ela havia alçado o fim de o fim das memórias que ela e Stefan haviam descoberto.
— Então, Klaus não o matou assim como fez com a vovó. Ele levou meu irmão consigo.
— Cristian. — Lamentou sua mãe. — Ele era só un bebê. Três anos! Foi quando encontramos vocês dois... E o sangue... Oh, o sangue…
Seu pai se levantou, não para discursar, mas para colocar as mãos nos ombros de Meredith.
— Pensamos que seria mais fácil não contar a você... Que você não teria qualquer lembrança daquilo que aconteceu quando chegamos aqui. E você não tem, não é?
Os olhos de Meredith estavam cheios de lágrimas. Ela olhou para sua mãe, tentando silenciosamente dizer-lhe que ela entendia.
— Ele bebeu meu sangue? — Ela adivinhou. — Klaus?
— Não! — Gritou seu pai enquanto sua mãe sussurrava orações. — Ele bebeu o de Cristian, na hora.
Meredith estava ajoelhada no chão agora, tentando olhar para o rosto de sua mãe.
— Não! — Gritou seu pai mais uma vez. Ele estava chocado.
— La sangre ! — Arfou sua mãe, cobrindo os olhos. — O sangue!
— Querida... — Seu pai soluçou, e foi até ela.
— Pai! — Meredith foi atrás dele e sacudiu seu braço. — Você foi além das possibilidades! Eu não entendo. Quem estava bebendo sangue?
— Você! Você! — Sua mãe quase gritou. — Do seu próprio irmão! Oh, el aterrorizar!
— Gabriella! — Gemeu seu pai.
A mãe de Meredith se abaixou e chorou.
A cabeça de Meredith estava girando.
— Eu não sou uma vampira! Eu caço vampiros e os mato.
— Ele disse... — Seu pai sussurrou com voz rouca— “Certifiquem-se de que ela tome uma colher de chá por semana. Se querem que ela viva, isso é o bastante. Experimentem um pudim preto.” Ele estava rindo.
Meredith não precisou perguntar se eles haviam obedecido. Em sua casa, tinham salsicha sangrenta ou pudim preto pelo menos uma vez por semana. Ela cresceu comendo isso. Não era nada de especial.
— Por quê? — Ela quem sussurrara com a voz rouca agora. — Por que ele não me matou?
— Eu não sei! Nós ainda não sabemos! Aquele homem com a boca escorrendo sangue... Seu sangue, do seu irmão, não sabemos! E então, no último minuto ele pegou vocês dois, mas você mordeu bem forte sua mão. — Seu pai disse.
— Ele riu... Riu! Com seus dentes à mostra e as suas mãozinhas tentando se afastar dele, e então disse: “Deixarei essa aqui, então, assim poderão se preocupar com o que ela se tornará. O garoto eu levarei comigo.” E então, de repente, parecia que eu havia saído de um feitiço e estava alcançando você novamente, pronto para lutar com ele para ter a ambos. Mas eu não pude. Uma vez que eu tinha você, não pude me mover nem mais um centímetro. E ele saiu da casa ainda rindo... E levou seu irmão, Cristian, consigo.
Meredith pensou: Não é de se imaginar que não queriam guardar nenhuma dessas lembranças nos aniversários nos anos seguintes. Sua avó morrera, seu avô enlouqueceu, seu irmão se perdeu e ela... O que? Não era de se admirar que eles celebrassem seu aniversário uma semana depois.
Meredith tentou ficar calma. O mundo estava se despedaçando em pedaços ao seu redor, mas ela tinha que ficar calma. Ficando calma havia deixado ela viva esse tempo todo. Nem era preciso contar que ela estava respirando profundamente, às vezes pelo nariz, às vezes pela boca. Profundas, profundas e claras respirações. Mandando paz para o seu corpo. Só uma parte sua estava ouvindo sua mãe:
— Viemos mais cedo para casa naquela noite por que tive uma enxaqueca...
— Shh, querida... — Seu pai havia começado.
— Nós chegamos mais cedo. — Sua mãe se ajoelhou. — Ô, Virgen Bendecida, o que teríamos encontrado caso tivéssemos voltado bem tarde? Poderíamos ter perdido você, também! Meu bebê! Meu bebê com sangue em sua boca…
— Mas chegamos em casa cedo o bastante para salvá-la. — O pai de Meredith disse com voz rouca, como se tentasse acordar sua mãe de um feitiço.
— Ah, gracias, Princesa Divina, Virgen pura y impoluto... — Sua mãe parecia não ser capaz de parar de chorar.
— Papai — Meredith disse urgentemente, sentindo as dores de sua mãe, mas precisando de informações. — Vocês nunca mais o viram novamente? Ou ouviram falar dele? Meu irmão, Cristian? 
— Sim. — Seu pai disse. — Ah, sim, nós vimos algumas coisas.
Sua mãe arfou.
— Nando, não!
— Uma hora, ela tem que saber a verdade. — Seu pai disse.
Ele vasculhou entre algumas pastas de arquivos de papelão que estavam sobre a mesa.
— Veja! — Ele disse à Meredith. — Veja isso.
Meredith olhou com descrença absoluta.

* * *

 Na Dimensão das Trevas, Bonnie fechou seus olhos. Havia muito vento do topo da janela daquele prédio alto. Isso era tudo que sua mente pensou quando ela saiu pela janela e entrou novamente; o ogro estava rindo e a voz terrível de Shinichi disse:
— Você não achou que fôssemos deixá-la ir sem que eu terminasse o meu interrogatório, né?
Bonnie ouviu as palavras sem que elas fizessem sentido, e então, de repente, fizeram.
Seus sequestradores iriam machucá-la. Iriam torturá-la. Estavam prestes a levar sua bravura para longe.
Ela pensou que havia gritado algo para ele. Tudo o que sabia, porém, foi que houve uma suave explosão de calor atrás dela, e então — inacreditavelmente —, lá estava ele, vestindo um manto com distintivos que faziam com que ele parecesse um príncipe militar: Damon.
Damon.
Ele estava tão atrasado que ela havia desistido dele há muito tempo. Mas agora, estava dando aquele sorriso de matar para Shinichi, quem estava olhando como se fosse um retardado.
E agora, Damon estava dizendo:
— Temo que a Srta. McCullough tenha outro compromisso no momento. Mas voltarei para acabar com vocês… O mais rápido possível. Andarei pelo quarto e matarei a todos vocês, bem devagar. Obrigado por nos dar o seu tempo e a sua consideração.
E antes que alguém pudesse se recuperar do primeiro choque de sua chegada, ele e Bonnie estavam saindo pela janela. Ele saiu, não recuando para a porta em que havia chegado, mas sim sempre em frente, uma mão na frente de seu corpo, cobrindo-os completamente com o Poder negro e etéreo. Passaram pela janela de duas vias no quarto de Bonnie e já haviam passado por mais da metade do outro quarto antes que a mente de Bonnie o denominasse como “vazio”. Então, estavam passando por uma janela bem elaborada — fazendo com que as pessoas pensassem que tinham uma visão do que estava acontecendo lá de fora —, e voaram acima de alguém que estava deitado sobre uma cama. Então... Houve uma série de destruições, tantas que Bonnie não conseguiu contar. Ela mal tinha um vislumbre do que estava acontecendo em cada quarto. Finalmente...
As destruições pararam. Isso fez com que Bonnie se segurasse em Damon ao estilo coala — ela não era estúpida — e eles foram para bem, bem alto no céu. Na frente deles, e dos lados, pelo o que Bonnie pôde ver, havia mulheres que também estavam voando, mas com a ajuda de máquinas que pareciam a mistura de uma moto com um jet ski. Só que sem a parte debaixo, é claro. As máquinas eram todas douradas, no qual eram da mesma cor que o cabelo de suas motoristas.
Assim, a primeira palavra que arfou para seu salvador, depois dele ter feito um imenso túnel no prédio da dona dos escravos para salvá-la, foi:
— Guardiões ?
— Indispensáveis, considerando o fato de que eu não tinha ideia de onde os vilões tinham te levado e suspeitei que meu tempo estivesse se esgotando. Na verdade, esse foi o último depósito de escravos que eu chequei. Nós finalmente... Reencontramo-nos.
Para alguém que havia tido um reencontro, ele parecia um pouco estranho. Quase... Chocado.
Havia água na bochecha de Bonnie, mas ela havia sumido rápido demais para que pudesse limpá-la. Damon estava segurando-a, assim ela não pôde ver seu rosto, e ele a estava segurando bem, bem próximo ao seu corpo.
Esse era o Damon. Ele havia chamado a cavalaria e, apesar do grande empecilho que ocorria neste momento, ele havia a encontrado.
— Eles te machucaram, não é, passarinho? Eu vi... Vi o seu rosto. — Damon disse em sua nova voz chocada.
Bonnie não sabia o que dizer. Mas, de repente, ela não se importava o quão forte ele a apertava. Ela mesma encontrou-se apertando de volta.
De repente, para o seu choque, Damon se desfez do abraço de coala e a puxou para cima, beijando seus lábios bem gentilmente.
— Passarinho! Estou prestes a voltar lá, e fazer com que paguem pelo o que fizeram contigo.
Bonnie ouviu-se dizer:
— Não, não vá.
— Não? — Damon repetiu, aturdido.
— Não. — Bonnie disse.
Ela precisava dele junto dela. Não se importava com o que aconteceria com Shinichi. Havia uma doçura correndo dentro dela, mas também havia adrenalina em sua cabeça. Era realmente uma pena, mas em alguns minutos ela estaria inconsciente.
Enquanto isso, ela teve três pensamentos e todos eles estavam bem claros. Ela temia que ficassem menos claros mais tarde, depois dela acordar de seu desmaio.
— Você tem uma Esfera Estelar?
— Tenho vinte e oito Esferas Estelares. — Damon disse, e olhou para ela intrigado.
Não foi isso que Bonnie quis dizer; ela queria uma para guardar uma lembrança.
— Você pode se lembrar de três coisas? — Ela disse a Damon.
— Me prenderei nisto.
Desta vez, Damon beijou-a delicadamente em sua testa.
— Primeiro, você arruinou a minha morte digna.
— Podemos voltar e você pode tentar novamente. — A voz de Damon estava menos chocada agora; começando a voltar para a sua normal.
— Segundo, você me deixou lá durante uma semana...
Como se ela pudesse ver dentro de sua mente, ela viu esse lado dele que parecia bem frágil. Ele estava segurando-a tão gentilmente que ela mal podia respirar.
— Eu... Eu não fiz de propósito. Foram só quatro dias, mas eu nunca devia ter feito isso. — Ele disse.
— Terceiro — A voz de Bonnie passou a ser um sussurro: — Não acho que alguma Esfera Estelar tenha sido roubada. O que nunca existiu não pode ser roubada, certo?
Ela olhou para ele. Damon estava olhando sua boca de uma forma que, normalmente, a faria tremer. Ele estava obviamente desestressado. Mas Bonnie mal conseguia se prender consciente.
— E... Quarto... — Ela soltou devagar.
— Quarto? Você disse três coisas. — Damon sorriu, só um pouquinho.
— Eu tenho que dizer isso... — Ela deixou cair sua cabeça em direção ao ombro de Damon, focando toda sua energia, e se concentrou.
Damon soltou o seu abraço um pouquinho. Ele disse:
— Só posso ouvir um barulhinho em minha cabeça. Diga-me normalmente. Estamos longe de todos.
Bonnie continuava insistindo. Ela espremeu todo o seu corpinho e então explodiu uma mensagem. Ela poderia dizer que Damon a captou.
Quarto, eu sei o caminho para os sete tesouros lendários kitsune, Bonnie lhe enviou. Isso inclui a maior Esfera Estelar já feita. Mas se a queremos, teremos que... Ir rápido.
Então, sentindo que havia contribuído o bastante para a conversa, ela desmaiou.

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