4 de novembro de 2015

Capítulo 2

1830, Inglaterra

― Pai, não pode renegar-me e expulsar-me para as Amércias, sou seu filho!
Bryan Lankford, terceiro filho do Conde Lankford, sacudiu sua cabeça e olhou incrédulo para seu pai.
― É meu terceiro filho. Tenho outros quatro, dois mais velhos e dois mais jovens. Nenhum é tão problemático quando você. A sua existência e seu comportamento fazendo com que seja muito simples fazer isto.
Bryan ignorou a comoção e o pânico que tentavam libertar-se de seu interior por causa das palavras do pai. Se forçou a relaxar e curvar-se despreocupadamente contra a porta de madeira próxima enquanto lhe dava um sorriso, aquele encantadoramente belo que as mulheres não resistiam e que fazia os homens desejarem ser como ele.
A expressão fechada e inalterada do Conde dizia que estava consciente do sorriso de Bryan Lankford – e era totalmente indiferente a ele.
― Minha decisão está tomara, garoto. Não se desonre ainda mais com súplicas inapropriadas.
― Súplicar! ― Byan sentiu uma ira familiar agitar-se. Por que seu pai tinha sempre que diminuí-lo? Nunca havia suplicado por nada em sua vida – e não seria agora que iria começar, sem importar as consequências. ― Não te imploro, pai. Simplesmente estou tratando de raciocinar contigo.
― Raciocinar? Novamente me causa vergonha por culpa de seu temperamento e sua espada e pede para raciocinar?
― Pai, foi apenas uma briga, e com um escocês! Nem sequer o matei. Na realidade, feri mais sua vaidade que seu corpo.
Bryan tentou uma risada, mas foi cortado pela tosse que o esteve incomodando o dia todo, só que dessa vez foi seguida por uma onda de fraqueza. Estava tão distraído pela traição de seu corpo que não tentou resistir quando de repente seu pai diminuiu a distância entre eles e com uma mão pegou o lenço que rodeava o pescoço de Bryan e o colocou contra a parede do estábulo com uma força que o pouco ar que lhe restava escapou. Com a outra mão o Conde golpeou a ainda sangrenta espada do débil agarre de Bryan.
― Seu pequeno fanfarrão presunçoso! Esse escocês era um Lorde vizinho! Suas terras fazem fronteiras com as minhas, como você sabe, já que sua filha e sua cama estão a uma curta cavalgada de nossa propriedade!
O rosto do Conde, enrijecido pela fúria, estava tão perto de seu filho que sua saliva choveu sobre Bryan.
― E agora as suas ações impetuosas deram a esse Lorde todas as provas que precisa para ir ao nosso tonto novo rei falante e demande reparações pela perda da virgindade de sua filha.
― Virgindade! ― Bryan conseguiu falar ― a virgindade de Aileene estava perdida muito antes que eu a encontrasse;
― Isso não importa! ― o Conde apertou ainda mais o punho com que sustentava seu filho ― o que importa é que você foi um imbecil atrapalhado e agora esse débil rei tem todas as desculpas que precisa para olhar para o outro lado quando um grupo de ladrões do norte se precipitar até o sul para roubar o gado. Atrás do gado de quem acha que eles irão, meu filho?
Bryan podia apenas arquejar e sacudir sua cabeça.
Com um olhar de desprezo, o Conde Lankford soltou seu filho, permitindo-lhe cair, tossindo violentamente, ao sujo chão do estábulo.
Então o nobre falou aos jaquetas vermelhas, membros de sua guarda pessoal que haviam estado observando suavemente o infortúnio de seu filho, e acenou ao alto comandante, salpicado de varíola, de sua esquadra.
― Jeremy, como te ordenei, amarre-o como o sem-vergonha que é. Escolha mais dois homens para te acompanhar. Levem-no ao porto. Coloquem-no no próximo barco para as Américas. Não quero vê-lo nunca mais. Já não é meu filho.
Então se virou para o rapaz dos estábulos.
― Traga meu cavalo. Desperdicei tempo suficiente de meu precioso tempo com esta estupidez.
― Pai! Espere, eu... ― Bryan começou, mas outro ataque de tosse cortou suas palavras.
O Conde só se deteve para olhar seu filho de cima.
― Como já te expliquei, é substituível e já não é de minha incumbência. Levem-no!
― Não pode deixar-me assim! ― chorou ― como viverei?
Seu pai fez um gesto para a espada de Bryan, que jazia no chão longe dele. Havia sido um presente pelo seu décimo terceiro aniversário, e mesmo na penumbra do estábulo, as joias incrustadas no punho brilhavam.
― Talvez isso seja de melhor uso em sua nova vida do que foi para mim em sua antiga vida. Permitam-lhe levar sua espada ― se dirigiu aos guardas ― e nada mais! Tragam-me o nome do barco e a marca de seu capitão como prova de que deixou a Inglaterra – que tenha ido antes que a manhã chegue, e haverá uma bolsa de prata esperando para ser dividida entre vocês ― falou o velho homem e logo se dirigiu ao cavalo que esperava.
Bryan Lankford tentou gritar a seu pai – para dizer-lhe o quanto se arrependeria depois, quando recordasse que seu terceiro filho era, de fato, o mais problemático, mas também talentoso, inteligente e interessante – mas outro ataque de tosse se apoderou do garoto de dezessete anos tão fortemente que apenas pôde arfar sem fazer nada e ver seu pai galopar para longe. Não pôde nem lutar quando a guarda do Conde lhe amarrou e o arrastou pelo chão do estábulo.
― Já era hora de um pequeno galo de briga como você ser humilhado. Vamos ver o quanto você gosta ser comum.
Rindo bastante, Jeremy, o mais antigo e pomposo dos guardas do pai de Bryan, atirou o garoto na traseira de uma charrete, inclinando-se antes para alcançar a espada de Bryan e, com um olhar ganancioso ao ver a brilhante empunhadura, meteu-a em seu cinto.

* * *

No momento em que Bryan chegou ao porto estava escuro, tanto o céu quanto o seu coração. Não apenas havia sido deserdado por seu pai e expulso de sua família e da Inglaterra, mas também estava tornando-se cada vez mais claro que estava nas garras de uma horrível praga. Quão rápido o mataria? Antes que entrasse num dos fedidos navios, ou morreria depois de ser arrastado para dentro de um dos barcos mercantes que se balançavam nas águas escuras da baía?
― Não vou levar nenhum jovenzinho tossindo como esse a bordo ― o capitão do barco levantou sua lamparina mais acima, examinando o rosto do garoto amarrado que tossia. ― Nó ― franziu o cenho e sacudiu a cabeça ― ele não cruzará o mar comigo.
― Este é o filho do Conde Lankford. Você o levará ou terá que responder ao senhor o porquê de não ter feito ― grunhiu o guarda superior do Conde.
― Não vejo nenhum conde aqui. Vejo um garoto salpicado de merda que tem febre ― o homem do mar cuspiu na areia ― e não responderei a ninguém, especialmente a um conde inexistente, se eu morrer por causa da doença desse moleque.
Bryan tentou sufocar a tosse – não para tranquilizar o capitão, mas para descansar a queimação no peito. Estava segurando sua respiração quando o homem saiu das sombras, alto, magro e vestido de negro, sua pele pálida em contraste com a escuridão que parecia rodeá-lo. Bryan tremeu, perguntando-se se seu olhar febril o estava enganando – aquilo era realmente uma tatuagem de lua crescente no meio de sua testa, rodeada de mais tatuagens? Sua visão estava borrada, mas Bryan estava quase seguro de que as tatuagens luziam como espadas cruzadas.
Então a razão alcançou a visão e Bryan sentiu uma sacudida de reconhecimento. A lua crescente e as tatuagens ao redor só podiam significar uma coisa: o homem não era um homem – era um vampiro! Foi então que a criatura levantou a mão, com a palma virada para cima, apontando diretamente para Bryan. O garoto observou assombrado as espirais que decoravam a palma, e o vampiro falou algumas palavras que alterariam para sempre a sua vida.
― Bryan Lankford! A Noite escolheu a ti. Tua morte será o teu renascimento. A Noite o chama; escute a Sua doce voz. Seu destino o espera na House of Night!
O dedo comprido da criatura apontou para Bryan e seu rosto explodiu em dor enquanto sentia o contorno de uma lua crescente queimar em sua pele. Os homens de seu pai reagiram instantaneamente. Tiraram Bryan e se afastaram dele, mirando com horror o menino vampiro. Notou que o capitão do barco havia deixado sua lamparina balançando na areia e desapareceu na escuridão.
Bryan não viu nem escutou o vampiro chegar perto – viu apenas os guardas moverem-se nervosamente, agrupando atrás de Jeremy, as espadas meio desembainhadas, a indecisão clara em seus rostos e ações. Os vampiros guerreiros tinham uma impressionante reputação. Seus serviços de mercenários eram muito solicitados, porém excetuando a beleza e a força de suas mulheres, e o fato de que adoravam uma deusa escura, a maioria dos humanos sabia pouco de sua sociedade e de seu funcionamento. Bryan observou Jeremy tentar decidir se aquela criatura, que era obviamente o que chamavam de rastreador, era também um perigoso vampiro guerreiro.
Logo sentiu um forte agarre em seu braço, e Bryan foi posto de pé para enfrentar a criatura.
― Regressem de onde vieram. Esse garoto agora é um calouro Marcado, e como tal, já não é sua responsabilidade ― o vampiro falou com um estranho sotaque, falando as palavras languidamente, o que só aumentava o mistério e a sensação de perigo que ele emanava.
Os homens vacilaram, todos olhando seu chefe, que falou rapidamente, chegando a soar arrogante e agressivo ao mesmo tempo.
― Necessitamos de provas para seu pai de que deixou a Inglaterra.
― Suas necessidades não me interessam ― o vampiro disse solenemente ― diga ao pai do garoto que ele estará a bordo de um barco esta noite, embora um mais escuro do que aquele que vocês humanos planejaram. Não tenho nem o tempop nem a paciência para dar-lhes mais provas que minha palavra.
Então o vampiro virou-se para Bryan.
― Venha comigo. Seu futuro de espera.
Com um movimento de seu sobretudo negro, o vampiro girou e começou a andar pelo porto.
Jeremy esperou que a criatura fosse tragada pela escuridão. Então encolheu os ombros e mirou Bryan com desgosto, antes de dizer:
― Nossa missão está completa. O senhor ordenou que puséssemos seu filho doente em um barco, e é para onde ele está indo. Vamos sair deste lugar maléfico e regressar às nossas camas quentes na propriedade Lankford.
Os homens estavam se afastando quando Bryan se ergueu. Ele tomou um instante para respirar fundo e saborear o alívio que sentiu quando a tosse debilitante e asfixiante não veio. Logo, deu um passo a frente e falou com uma voz que era, novamente, forte e firme,
― Devem deixar-me minha espada.
Jeremy se deteve e enfrentou Bryan. Lentamente, sacou a espada de seu cinto. Ignorou Bryan e em seu lugar estudou as pedras preciosas incrustadas no punho. Seu sorriso era ganancioso e seus olhos estavam frios quando finalmente virou para Bryan.
― Tem ideia de quantas vezes seu pai me chamou de minha cama quente para te buscar de alguma briga em que tinha se metido?
― Não, não sei ― Bryan respondeu bruscamente.
― Claro que não sabe. A única coisa que você se preocupa são seus próprios prazeres. Assim, agora que foi deserdado e não é mais da nobreza, ficarei com a espada e o dinheiro que ganhar por vendê-la. Pense nisso como pagamento pela dor no traseiro que você tem sido nesses últimos anos.
Bryan sentiu uma onde de raiva, e com ele veio uma onde calor por todo seu corpo. Agindo por instinto, o garoto diminuiu a distância entre ele e o arrogante guarda. Em alguma parte de seu cérebro, Bryan sabia que seus movimentos eram inexplicavelmente rápidos, mas se manteve centrado na ideia que era uma força impulsiva nele: a espada é minha – ele não tem nenhum direito.
Como um borrão em movimento, Bryan a mão da espada de Jeremy, e com o mesmo movimento a tomou. Quando os outros guardas se adiantaram, ele arremeteu por baixo e cravou a ponta da espada diretamente no pé do homem mais próximo, fazendo o guarda dobrar-se em dois e cair no chão em agonia.
Bryan puxou-a automaticamente e, mudando de direção, golpeou o segundo guarda de um lado da cabeça, deixando-o aturdido. Movendo-se com uma graça mortal, Bryan seguiu o movimento de sua espada, girando ao redor, e terminando com a ponta afiada pressionada tão firmemente contra o pescoço de Jeremy que sua pele pingava gotas de sangue.
― Essa espada é minha. Não tem nenhum direito sobre ela ― Bryan escutou sua voz falando seus pensamentos em voz alta, e estava surpreendido do quão normal soou – não estava sequer respirando com dificuldade.
Não havia maneira de que Jeremy ou algum dos outros guardas caídos pudessem saber que todo o seu interior estava queimando em ira e desejo de vingança.
― Agora diga-me porque não deveria cortar sua garganta.
― Adiante. Golpeie-me. Seu pai é uma víbora, e mesmo deserdado é filho de uma serpente.
Bryan ia mata-lo. Queria – sua raiva e seu orgulho demandavam. E po que não deveria mata-lo? O guarda era apenas um camponês, e um que o havia insultado, ao filho de um conde! Porém antes que Bryan pudesse cortar o pescoço do guarda, a voz do vampiro deslizou no ar entre eles.
― Não desejo ser perseguido e talvez interrogado pela Marinha Britânica. Deixe-o viver. Seu destino, voltar a servir aqueles que deprecia, é um castigo muito maior que uma morte rápida.
Ainda sustentando a ponta da espada no pescoço do guarda, Bryan olhou para trás, para o vampiro.
O vampiro falou com uma voz calma que soou quase zangada, contudo sua atenção estava na garganta do guarda e nas pequenas gotas escarlates que a espada havia libertado. O óbvio desejo do vampiro intrigou tanto quanto horrorizou o jovem. É nisso que me transformei? Bryan empurrou o guarda para longe.
― Ele tem razão. Sua vida é um castigo muito maior que minha espada. Volte a ela e à amargura com que a vive.
Sem olhar ao homem mais uma vez, Bryan lhe deu a espada e caminhou para junto do vampiro. O vampiro inclinou sua cabeça em um pequeno gesto de reconhecimento.
― Tomou a decisão correta.
― Me insultou. Deveria tê-lo matado.
O vampiro inclinou a cabeça para um lado, como se pensasse na solução de um problema.
― Foi um insulto chamá-lo de serpente?
― Bem, sim. Chamar-me de dor no traseiro e roubar-me o que é meu também foi um insulto.
O vampiro riu suavemente.
― Não é um insulto ser chamado de serpente. Há criaturas aliadas com a nossa Deusa, mas não creio que ele estivesse nomeando-o como uma. Vi que venceu esses três homens. Parece mais com um dragão que com uma serpente.
Enquanto Bryan ficava sem palavras em surpresa, ele continuou.
― E os dragões estão por cima dos pequenos insultos que os simples mortais pudessem lançar-lhes.
― Há dragões na América? ― Bryan soltou o primeiro dos confusos pensamentos que enchiam sua mente.
O vampiro riu novamente.
― Não ouviu? A América está cheia de maravilhas.
Então fez um movimento de varrer com a mão, gesticulando para mais ao longe no porto.
― Vamos, temos que marchar para que possamos nos cobrir. Passamos tempo suficiente nestas costas arcaicas. Minhas lembranças da Inglaterra não eram boas, e nada do que encontrei enquanto te esperava fez algo para melhorá-las.
O vampiro começou a descer aos limites do porto com Bryan quase correndo para acompanhar as longas passadas.
― Disse que estava me esperando?
― Sim, estive te esperando ― ele confirmou, ainda movendo-se deliberadamente pelo porto escuro.
― Sabia sobre mim?
O vampiro assentiu, fazendo com que seu longo cabelo castanho cobrisse seu rosto.
― Sabia que havia um calouro que devia esperar mara Marcar ― ele olhou para Bryan e seus lábios se inclinaram em um leve sorriso. ― Você, jovem dragão, é o último novato que Marcarei.
Bryan franziu as sobrancelhas.
― Seu último novato? O que vai acontecer?
Bryan tentou não soar preocupado. Depois de tudo, não conhecia bem o vampiro. E a criatura era um vampiro: misterioso, perigoso e estranhamente convincente. O sorriso do vampiro aumentou.
― Terminei meu serviço como Rastreador de Nyx. Agora posso retornar a minha posição de guerreiro Filho de Erebus a serviço da House of Night de Tower Grove.
― Tower Grove? Isso fica na América?
O estômago de Bryan se tencionou. Quase havia esquecido que sua vida tinha virado de cabeça para baixo em menos de um dia.
― De fato, fica na América. Saint Louis, Missouri, para ser exato.
O vampiro havia chegado ao final do porto – o escuro final, Bryan observou, enquanto ouvia a água chapinhando ao redor de um grande barco, mas não podia ver mais que uma sombra descomunal flutuando na água. Notou que o vampiro havia parado junto a ele e o observava cuidadosamente. Bryan olhou diretamente em seus olhos, embora seu corpo se sentisse mais como uma mola prestes a ser lançada a qualquer momento.
― Eu sou Shaw ― o vampiro apresentou-se finalmente, e estendeu a mão para Bryan.
― Eu sou Bryan Lankford ― Bryan fez uma pausa e esboçou um sorriso que era apenas meio-sarcástico ― sou o ex-filho do Conde Lankford, mas acho que já sabia disso.
Quando Shaw tomou a mão de Bryan, saudou-o à maneira tradicional dos vampiros, agarrando seu antebraço em vez da mão. Bryan imitou seu movimento.
― Merry meet, Bryan Lankford ― Shaw falou. Então soltou o braço do jovem e fez um gesto na direção da escuridão e ao barco que estava escondido nela.
― Este é o Barco da Noite, que levará a mim, e talvez a ti, até a América, para a minha amada House of Night em Tower Grove.
― Talvez a mim? Mas pensei...
Shaw levantou uma mão, silenciando Bryan.
― Deve, de fato, unir-se a uma House of Night, e rápido. Essa Marca – Shaw apontou para o contorno azul-safira de uma lua crescente que ainda doía no centro da testa de Bryan ― significa que deve estar na companhia de vampiros adultos até que complete a Mudança, ou até que... ― Shaw vacilou.
― Ou até que morra ― Bryan completou.
Shaw assentiu solenemente.
― Assim que souber algo acerca do mundo em que está para entrar, jovem dragão, ou completará a transformação em algum momento dos próximos quatro anos ou morrerá. Esta noite começou um caminho da qual não há volta. Agora, os guardas disseram a seu pai que se uniria comigo em minha viagem ao Novo Mundo, mas a verdade é que você não precisa ir para lá. Pode escolher ficar na Inglaterra. Não foi só o seu destino que mudou quando foi Marcado.
― Para melhor ou para pior? ― Bryan perguntou.
― Para exatamente o que fizer dele, e Nyx estará de acordo ― disse enigmaticamente e em seguida continuou: ― não pode controlar de completará ou não a Mudança com êxito, mas pode controlar onde passará os próximos anos. Se deseja permanecer na Inglaterra, posso fazer com que seja levado à House of Night de Londres.
O rastreador descansou brevemente sua mão no ombro de Bryan.
― Não necessita da permissão da sua família para perseguir o futuro que mais deseja.
― Posso escolher ir com você? ― Bryan perguntou.
― Sim, mas antes que tome sua decisão, creio que há algo que deveria ver.
Shaw virou para enfrentar o barco, que para o garoto era uma sombra enorme e escura descansando sinistramente sobre a água, atada por cordas incrivelmente grossas. Como se não tivesse problemas para ver na espessa cobertura da noite, Shaw deu dois passos para a borda do cais e fez algo que desconcertou Bryan totalmente. Girou para enfrentar o sul, levantou as mãos e disse quatro palavras em voz baixa:
― Fogo, venha a mim.
Instantaneamente Bryan ouviu um crepitar e sentiu uma onda de calor no ar ao seu redor. Ficou se ar quando uma bola de fogo tremeluzente se formou entre as mãos estendidas de Shaw.
O vampiro jogou o fogo, como se lançasse um bola, e o que Bryan via agora era uma comprida tocha, a parte superior empapada em óleo se acendeu instantaneamente.
― Demônios! ― Bryan não pôde conter sua surpresa ― como fez isso?
Shaw sorriu.
― Nossa Deusa me abençoou com mais habilidades que as de um guerreiro, mas não era isso que eu queria que visse.
Shaw levantou a tocha e a manteve na frente deles para que a orgulhosa proa do enorme barco, feita de uma madeira tão negra de Bryan pensou que havia sido moldada da própria noite, tornou-se visível de pronto. E logo o garoto ficou surpreendido quando se deu conta do que realmente estava vendo.
― É um dragão ― disse, mirando a figura de proa.
Era verdadeiramente espetacular – um dragão negro com as garras estendidas, mostrando os dentes, ferozmente pronto para tomar o mundo.
― Me parece que, depois dos eventos dessa noite, é um bom agouro ― disse Shaw.
Bryan se pegou mirando o dragão e se encheu com a mais intensa inundação de sentimentos que jamais havia experimentado. Tomou-lhe um momento para compreender o que eram: excitação, antecipação e saudade, todos unidos em seu interior para criar um simples sentido de propósito. Encontrou o olhar do vampiro.
― Escolho o dragão.

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