29 de novembro de 2015

Capítulo 1

Querido diário,
Estou com tanto medo que mal consigo segurar essa caneta. Estou imprimindo ao invés de escrever, pois assim tenho mais controle.
Do que tenho medo, você pergunta? E quando eu digo “do Damon” você não acreditaria na resposta, não se você tivesse visto nós dois há alguns dias atrás. Mas para entender, você precisa saber de alguns fatos.
Você já ouviu falar da frase “ e os dados foram lançados ”?
Quer dizer que qualquer coisa pode acontecer. Há a possibilidade de a pessoa fazer apostas e conseguir seu dinheiro de volta. Porque um coringa entrou no jogo. Você não consegue imaginar a chances de isso acontecer.
É por isso que estou aqui. É por isso que meu coração está batendo na minha garganta, e a minha cabeça, meus ouvidos e as pontas dos meus dedos estão trêmulos.
Os dados foram lançados .
Você pode ver o quão trêmula está a minha impressão. Vamos supor que eu trema assim quando for encontrá-lo? Eu poderia derrubar a bandeja. Poderia evitar ver o Damon, então nada disso aconteceria.
Não estou dizendo coisa com coisa. O que eu deveria dizer é que estamos de volta: Damon, Meredith, Bonnie e eu. Fomos para a Dimensão das Trevas e agora estamos novamente em casa, com uma Esfera Estelar e com Stefan .
Stefan fora enganado ao ir pra lá por Shinichi e Misao, os irmãos kitsune , ou os espíritos-raposa malignos, que haviam lhe dito que se ele fosse para a Dimensão das Trevas poderia remover a maldição de ser um vampiro e virar um humano novamente.
Eles mentiram.
Tudo que fizeram foi deixá-lo em uma prisão fedida, sem comida, sem luz e desanimado... Até que ele estava prestes a morrer.
Mas Damon – que está diferente desde então – concordou em nos levar para tentarmos encontrá-lo. E, oh, eu mal consigo descrever a Dimensão das Trevas. Mas a coisa mais importante é que finalmente encontramos Stefan, e isso porque achamos as Chaves Gêmeas em formato de raposa que precisávamos para libertá-lo. Mas ele estava muito magro, coitadinho. Nós o trouxemos de volta em uma liteira, que mais tarde foi queimada por Matt; ela estava infestada de piolhos. Mas essa noite lhe demos um banho e o colocamos na cama... E então o alimentamos. Sim, com o nosso sangue. Todos os humanos fizeram isso, tirando a Sra. Flowers que estava fazendo cataplasmas para pôr nos ossos fracos dele que quase saíam de sua pele.
Eles o deixaram faminto até chegarem a esse ponto! Eu poderia matá-los com minhas próprias mãos – ou com meus Poderes de Asa – se ao menos eu soubesse usá-las corretamente. Mas não posso. Sei que há um encantamento para as Asas da Destruição, mas não tenho ideia de como convocá-las.
Pelo menos eu posso ver que Stefan está melhorando quando é alimentado com sangue humano. (Admito que tenho lhe dado doses extras do que estava programado, mas eu teria que ser muito idiota em não saber que o meu sangue é diferente do dos outros – é mais rico e tem feito maravilhas com Stefan.)
E na manhã seguinte, Stefan estava tão recuperado que foi capaz de descer as escadas para agradecer a Sra. Flowers por suas poções!
Embora o resto de nós – todos humanos – estarmos completamente exaustos. Nem pensamos no que havia acontecido com o buquê, porque não sabíamos que havia algo especial nele. Nós o ganhamos assim que estávamos saindo da Dimensão das Trevas, por um tipo de kitsune branco que estava na cela da frente de Stefan, antes de termos feito uma rebelião dos presos. Ele era tão lindo! Nunca pensei que um kitsune poderia ser tão gentil. Mas ele havia dado a Stefan essas flores.
De qualquer forma, de manhã Damon estava acordado. É claro, ele não poderia contribuir com seu próprio sangue, mas acho que se ele pudesse, faria. E foi assim que ele voltou ao que era antes.
E é por isso que eu não entendo o medo que estou sentindo nesse exato momento. Como você pode ter medo de alguém que havia lhe beijado tantas vezes... E lhe chamado de “querida”, “amorzinho” e “princesa”? E quem havia rido com você com aqueles olhos travessos e dançantes? Quem lhe havia abraçado quando você estava com medo, e dito que não havia nada a temer, não enquanto ele estivesse ali. Alguém que só de relance sabia o que você estava pensando? Alguém que havia lhe protegido, não importando o que lhe custasse, nos dias que se seguiram.
Eu conheço o Damon, conheço seus erros, mas também o conheço por dentro. E ele não é aquilo que as pessoas pensam. Ele não é frio, arrogante ou cruel. Isso é uma fachada para cobrir o seu verdadeiro eu, como se fosse roupas.
O problema é que não tenho certeza se ele sabe que ele não é nada disso. E agora ele está tão confuso. Deve ter mudado e se transformado no que é hoje por causa disso – porque ele está muito confuso.
O que estou tentando dizer é que nessa manhã, Damon era o único acordado. Foi o único que viu o buquê. E uma coisa que Damon é: curioso.
Ele desamarrou todas as fitas mágicas do buquê e lá no centro havia uma rosa negra. Damon tem procurado uma rosa negra há muitos anos, somente para admirá-la, eu acho. Mas quando ele viu essa, ele a cheirou... E boom ! A rosa desapareceu.
E de repente ele estava doente e tonto, e não conseguia cheirar mais nada, e todos os seus outros sentidos foram entorpecidos também. Foi aí que Sage – oh, eu não mencionei o Sage, mas ele é um vampiro alto, bonito e pálido que tem sido um bom amigo – lhe contou para sugar um pouco de ar e soltá-lo, para aliviar seus pulmões.
Humanos têm que respirar assim, entende?
Não sei quanto tempo demorou para que Damon se tocasse que ele era mesmo um humano, sem brincadeira, e não havia nada que alguém pudesse fazer a respeito. A rosa negra fora feita para Stefan; e ela poderia ter realizado seu sonho de virar um humano novamente. Mas quando Damon percebeu que a magia fez efeito nele...
Foi quando o vi me olhando fixamente, como se só existisse eu ali naquela sala da minha espécie – uma espécie que ele começou a odiar e desprezar.
Desde então, não tenho coragem de encará-lo nos olhos novamente. Sei que ele me amava há alguns dias atrás. Eu não sabia que esse amor poderia se transformar – bem, nas coisas que anda sentindo por ele mesmo.
Você deve pensar que deve ser fácil para Damon se transformar de novo em vampiro. Mas ele quer ser tão poderoso como costumava ser e não há ninguém assim para poder trocar sangue com ele. Até mesmo o Sage sumiu antes mesmo de ele pedir. Então Damon está preso assim até achar algum vampiro forte, poderoso e cheio de prestígio para passar por todo aquele processo de transformá-lo.
E toda vez que olho para os olhos de Stefan, aqueles quentes olhos verde-esmeralda, cheio de confiança e gratidão, eu sinto medo, também. Medo de que, de alguma forma, ele se vá novamente para longe dos meus braços. E... Medo que ele descubra o que estou sentindo por Damon. Eu mesma nunca percebi o quão importante ele havia se tornado para mim. E não consigo... Parar... De me preocupar... Com ele, mesmo com ele me odiando agora.
Oh, por favor, Deus, faça com que ele não me odeie!
Estou sendo egoísta, eu sei, ao falar somente no que está acontecendo comigo e Damon. Quero dizer, as coisas em Fell’s Church estão piores do que nunca. Todo dia crianças estão sendo possuídas e aterrorizando seus pais. Todo dia, pais estão ficando bravos com seus filhos possuídos. Não quero nem pensar no que pode acontecer. Se nada mudar, todo o lugar será destruído assim como o último lugar que Shinichi e Misao haviam visitado.
Ao menos somos sortudos em uma coisa: temos a família Saitou. Lembra-se de Isobel Saitou, aquela que havia colocado piercings nela mesma, de um jeito bizarro, quando estava possuída? Desde que melhorou, ela se tornou uma boa amiga, e sua mãe, a Sra. Saitou, e sua avó, Obaasan, também. Elas nos deram amuletos – encantamentos que afastam o mal, escritos em Post-It. Estamos gratos por esse tipo de ajuda. Algum dia, talvez, nós possamos retribuir.


Elena Gilbert abaixou sua caneta relutantemente. Fechando seu diário, ela teve que encarar as coisas que havia escrito.
De algum jeito, entretanto, se pôs à ativa e desceu as escadas em direção à cozinha para pegar a bandeja de comida da Sra. Flowers, que sorria para ela, encorajando-a.
Assim que saiu para o armazém da pensão, percebeu que suas mãos estavam tremendo tanto que a bandeja de comida balançava. Não havia como acessar o armazém por dentro, então quem quisesse ver Damon teria que sair pela porta da frente e dar a volta pelo jardim da cozinha. Toca do Damon, era assim que todos chamavam aquele lugar.
Assim que passou pelo jardim, Elena olhou de relance para o buraco no meio do campo de angélicas que fora o Portal que lhes trouxera de volta da Dimensão das Trevas.
Ela parou na porta do armazém. Ainda estava tremendo, e sabia que assim não era o jeito certo de encarar Damon.
Relaxe, disse a si mesma. Pense em Stefan.
Stefan teve um desagradável contratempo quando descobriu que não havia sobrado nenhuma rosa, mas logo ele havia recobrado sua humildade e graça de sempre, tocando a bochecha de Elena e dizendo que estava agradecido por estar ali com ela. Essa aproximação foi tudo que ele pediu na vida. Roupas limpas, comida decente – liberdade – não era nada que se valesse a pena lutar, pois Elena era mais importante.
E logo em seguida, Elena tinha chorado.
Por outro lado, ela sabia que Damon não tinha intenção de permanecer assim do jeito que está por muito tempo. Ele faria qualquer coisa, arriscaria qualquer coisa... Para voltar ao que era antes.
Tinha sido Matt quem havia sugerido a Esfera Estelar como uma solução para o problema de Damon. Matt não havia entendido nada sobre a Esfera Estelar ou da rosa até que lhe fora explicado que essa Esfera, provavelmente a de Misao, continha a maioria ou todo o Poder dela, e ela havia se tornado mais brilhante por causa das vidas que ela havia absorvido. A rosa negra provavelmente devia ter sido feita de algum líquido similar à Esfera – mas ninguém sabia o quanto ou quais ingredientes haviam sido combinados. Matt franziu a testa e perguntou:
— Se uma rosa pôde transformar um vampiro em um humano, uma Esfera Estelar poderia transformar um humano em um vampiro?
Elena não fora a única a perceber uma leve inclinação de cabeça vinda de Damon, e o brilho em seu olhar como se ele viajasse por cada comprimento da sala até a Esfera cheia de Poder. Elena, praticamente, ouvia a lógica dele. Matt poderia estar fora do assunto... Mas havia um lugar onde humanos encontrariam vampiros poderosos. Na Dimensão das Trevas – e havia um Portal no jardim do armazém. O Portal estava fechado... Por carência de Poder.
Ao contrário de Stefan, Damon não sentiria vertigem ao pensar no que poderia acontecer se fosse usado todo o líquido da Esfera Estelar, podendo causar a morte de Misao. Antes de tudo, ela fora uma das raposas que tinham abandonado Stefan para ser torturado.
E os dados foram jogados.
Ok, você está com medo, agora se conforme, Elena disse a si mesma ferozmente. Damon tem estado nesse quarto por quase quinze horas, e quem saberia o que ele estaria tramando para pegar a Esfera Estelar? E alguém tinha que levar comida para ele – e quando você diz “alguém”, admita, é você.
Elena havia ficado parada na porta por tanto tempo que seus joelhos começaram a travar. Ela deu um longo suspiro e bateu.
Não houve resposta, e nenhuma luz vinha de lá de dentro. Damon era humano. E já estava bastante escuro lá fora.
— Damon? — Isso era pra ser bem alto, mas saiu como um sussurro.
Sem resposta. Sem luz.
Elena engoliu em seco. Ele tinha que estar ali.
Elena bateu mais forte. Nada. Finalmente, ela tentou a maçaneta. Para seu horror, estava destrancada, e o balançar da porta revelou um lugar tão escuro quanto à noite ao seu redor, como um buraco de um poço.
Os pelos da nuca de Elena se eriçaram.
— Damon, estou entrando. — Disse em um leve sussurro, como que para se convencer de que com aquela quietude não havia ninguém ali. — Vou ficar perto da luz da varanda. Não consigo ver nada, assim você terá uma vantagem. Estou trazendo uma bandeja com café bem quente, biscoitos e bife, sem tempero. Você deve ser capaz de sentir o cheiro do café.
Isso era muito estranho, no entanto. Os sentidos de Elena lhe diziam que não havia ninguém parado na sua frente, esperando para ela correr para ele. Tudo bem, pensou. Comece engatinhando. Primeiro passo. Segundo passo. Terceiro passo – eu devo estar no meio do quarto já, mas ainda estava muito escuro para ver alguma coisa. Quarto passo...
Um forte braço saiu da escuridão e a prendeu em um abraço de ferro em volta de sua cintura, e uma faca fora pressionada contra sua garganta.
Elena viu uma rede cinza lhe cobrir toda, enquanto uma escuridão avassaladora a cobria completamente.

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