20 de novembro de 2015

Capítulo 1

Damon Salvatore estava apoiado no ar, literalmente apoiado por um galho de uma... Quem sabia os nomes das árvores afinal? Quem se importava com isso? Era alta, tanto que lhe permitia ter vista do quarto de Caroline Forbes no terceiro piso, e fazia um confortável encosto. Estava apoiado na bifurcação conveniente dos galhos, mãos cruzadas atrás da cabeça, uma perna balançando sobre o espaço vazio a mais de dez metros do chão.
Estava confortável como um gato, os olhos semicerrados observando.
Estava esperando a chegada do momento mágico das 04h44 da manhã, quando Caroline executaria o seu ritual bizarro. Já tinha visto isso duas vezes e estava encantado.
Então sentiu uma picada de mosquito.
O que era ridículo, porque os mosquitos não se alimentavam de vampiros. O seu sangue não era nutritivo como o sangue humano. Mas certamente sentiu o que parecia uma mordida de mosquito na parte de trás do pescoço.
Virou-se para ver atrás dele, sentindo o calor da noite de verão ao redor, e não viu nada.
Nenhum espinho. Nada voando. Nada pra ser rastreado.
Tudo bem então. Deve ter sido algum espinho. Mas certamente machucou.
E a dor piorava com o tempo, não melhorava.
Uma abelha suicida? Damon tateou tocou a própria nuca com cuidado. Não sentiu veneno, sem ferrão. Apenas um ínfimo furo machucado.
Um momento depois a sua atenção foi chamada de volta para a janela.
Ele não tinha certeza exatamente o que estava acontecendo, mas podia sentir o súbito movimento do Poder ao redor do sono Caroline, como um fio de alta tensão. Alguns dias atrás, isso tinha atraído a atenção dele para aquele lugar, mas quando chegou, não conseguiu encontrar a fonte.
O relógio marcou 04h40min e soou um alarme. Caroline acordou e aquilo se espalhou por todo o quarto.
Garota de sorte, Damon pensou, com ímpios de apreciação. Se eu fosse um mero humano, em vez de vampiro, então a sua virtude, presumindo que você ainda tenha alguma, poderia estar em perigo. Felizmente para você, tive que desistir de todo esse tipo de coisa há quase meio milênio atrás.
Damon abriu um sorriso para o nada, e o manteve por um vigésimo de segundo, em seguida o desfez, seus olhos negros ficando frios. Olhou de volta para a janela aberta.
Sim... Sempre sentiu que o idiota do seu irmão mais novo não tinha usufruído de Caroline Forbes o suficiente. Não havia dúvida de que a menina valia a pena de se ver: corpo alongado e esbelto, com boas proporções e bronzeado, cabelo cor de bronze que caía em torno de seu rosto em ondas.
E depois tinha sua mente. Naturalmente enviesada, vingativa, rancorosa. Deliciosa. Por exemplo, se não estava enganado, ela trabalhava com bonecos de vodu ali mesmo em sua mesinha.
Incrível.
Damon gostava de ver as artes criativas em trabalho. O estranho Poder ainda trabalhava e ele não podia obter uma visão do que era. Seria de dentro da garota? Seguramente não.
Caroline foi apressadamente pegar o que parecia ser um punhado de seda verde. Retirou a blusa, quase rápido demais até para os olhos de um vampiro verem – ela tinha vestido uma lingerie que a fez parecer como uma princesa da selva. Ela olhou atentamente para o seu próprio reflexo em um enorme espelho.
Agora, pelo que você espera menina?, Damon imaginou.
Bem, ele bem que podia manter-se às escuras. Houve um movimento no escuro, uma pena caiu no chão, então não havia nada excepcional, mas um grande corvo estava pousado na árvore.
Damon vigiava atentamente pelos olhos brilhantes de uma ave quando Caroline avançou de repente, como se tivesse levado uma descarga elétrica, seus lábios se abriram, seu olhar sobre aquilo que parecia ser seu próprio reflexo.
Então sorriu para ele em saudação.
Damon pôde identificar a fonte de energia agora. Vinha do interior do espelho. Não na mesma dimensão que o espelho, sem dúvida, mas vinha do seu interior.
Caroline comportava-se estranhamente. Jogou para trás o seu longo cabelo cor de bronze para que ele caísse em um magnífico desalinho para baixo, umedeceu os lábios e sorriu, como se para um amante. Quando falou, Damon podia ouvi-la de forma bem clara.
 Obrigado. Mas você está atrasado hoje.
Não havia ninguém mais além dela no quarto, e Damon não pôde ouvir uma resposta. Mas os lábios da Caroline no espelho não se moviam em sincronia com os lábios reais da menina.
Bravo! Imaginou-se sempre disposto a apreciar um novo truque dos seres humanos. Muito bem, seja lá o que você for!
Com a leitura labial da menina do reflexo no espelho ele apanhou algo como “desculpa” e “adorável”.
Damon levantou a cabeça.
Caroline do reflexo estava dizendo, “... você não tem que... depois de hoje.”
A verdadeira Caroline respondeu roucamente:
 Mas o que acontecerá se eu não puder enganá-los?
E o reflexo: “... ter ajuda. Não se preocupe, descanse...”
 Certo. E ninguém vai ser, assim, fatalmente ferido, certo? Quero dizer, não estamos falando sobre morte – para humanos.
O reflexo: “Por que estaríamos...?”
Damon sorriu interiormente. Quantas vezes ele tinha feito trocas como esta antes? Por experiência própria sabia: primeiro você tem que se aproximar, então a tranquiliza, e antes que ela saiba, você pode ter qualquer coisa dela, até que já não precise mais dela.
E então – seus olhos negros brilharam – já era hora de fazê-lo novamente.
Agora as mãos de Caroline estavam tremendo em seu colo.
 Enquanto que você realmente... você sabe. O que prometeu. Realmente falou sério sobre seu amor?
“... confie em mim. Cuidarei de você – e de seus inimigos também. Eu Já comecei...”
De repente Caroline levantou-se, e foi um movimento que os rapazes na escola Robert E. Lee teriam pagado para assistir.
 É Isso o que eu quero ver — disse ela. — Estou farta de ouvir Elena isso, Stefan aquilo... e que agora vai começar tudo de novo.
Caroline parou abruptamente, como se alguém tivesse desligado o telefone e ela tivesse percebido neste instante. Por um momento seus olhos se estreitaram e seus lábios de apertaram. Então, lentamente, ela relaxou. Seus olhos se mantiveram no espelho, e ela ergueu uma mão até que a deixou descansando sobre sua barriga. Encarou aquilo e devagar parecia que sua expressão se atenuava, para se transformar em uma expressão de apreensão e ansiedade.
Mas Damon não tinha tirado os olhos do espelho nem por um instante.
Espelho normal, espelho normal... lá está! Só no último momento, quando Caroline se afastou e se virou, ele viu um flash de cor vermelha.
Chamas?
Agora, o que poderia estar acontecendo?, pensou preguiçosamente, vibrando quando transformou de um elegante corvo de volta a um fatalmente maravilhoso jovem escorado em um alto ramo da árvore.
Certamente, o espelho-criatura não era ali de Fell’s Church. Mas soava como se pretendesse trazer problemas para seu irmão, e um frágil e belo sorriso tocou os lábios de Damon por um segundo.
Não havia nada que amasse mais do que parar para assistir o hipócrita, Eu-sou-melhor-do-que-você-porque-não-bebo-sangue-humano-Stefan em apuros.
Os adolescentes de Fell’s Church – e alguns dos adultos – consideravam o conto de Stefan Salvatore e de sua linda conterrânea Elena Gilbert como um Romeu e Julieta moderno. Ela dera a vida para salvar seu amado quando ambos foram capturados por um maníaco, e que ele tinha morrido de coração partido depois disso. Havia rumores de que Stefan não era exatamente humano... mas outra coisa. Um amante demônio pelo qual Elena morreu para redimir.
Damon sabia a verdade. Stefan estava morto, tinha sido morto centenas de anos atrás. E era verdade que era um vampiro, mas chamá-lo de demônio era como chamar a Sininho de perigosa.
Entretanto, parece que Caroline não podia parar de falar no quarto vazio.
 Basta você esperar — ela sussurrou, indo em direção às pilhas de papéis e livros que estavam em sua escrivaninha.
Mexeu no meio dos documentos até que encontrou uma câmera de vídeo em miniatura que tinha uma luz verde brilhante virada para ela como um único olho sem piscar. Delicadamente, ligou a câmera ao seu computador e começou a digitar uma senha.
Damon, que tinha a visão muito melhor do que um humano, pôde ver claramente os longos dedos e unhas bronze brilhantes digitarem CFDOMINA.
Caroline Forbes domina, pensou ele. Coitadinha.
Então ela virou, e Damon viu lágrimas em seus olhos. No próximo momento, inesperadamente, ela estava soluçando.
Sentou pesadamente na cama, chorando e balançando para frente e para trás, ocasionalmente, agarrando o colchão com punhos fechados. Mas, principalmente, só chorou e chorou.
Damon estava assustado. Mas então, o pesar assumiu o controle, e ele murmurou:
 Caroline? Caroline, posso entrar?
 O quê? Quem? — ela olhou ao redor freneticamente.
 É Damon. Posso entrar? — ele perguntou, sua voz com pingos escárnio e simpatia, simultaneamente utilizando controle sobre a mente dela.
Todos os vampiros tinham poderes de controle sobre mortais. O tamanho do Poder dependia de muitas coisas: do vampiro, da sua dieta (sangue humano era, de longe, o mais potente), a força de vontade da vítima, a relação entre o vampiro e a vítima, o dia e a noite, e tantas outras coisas que mesmo Damon ainda não entendia. Só sabia que seu próprio poder havia crescido, estava muito forte agora.
E Caroline estava esperando.
 Posso entrar? — ele perguntou, sua voz soando como notas musicais, implorativa e ao mesmo tempo esmagando a força de vontade de Caroline – que já não era muito forte.
 Sim — respondeu ela, esfregando os olhos rapidamente, aparentemente não vendo nada incomum em sua entrada pela sacada do terceiro andar. Seus olhos fixos nos dele. — Entre, Damon.
Ela tinha feito o convite necessário para um vampiro. Com um movimento gracioso, ele pulou sobre o peitoril.
O interior do quarto cheirava a perfume, e não o mais sutil. Ele sentiu uma fome selvagem, era surpreendente a forma como a febre pelo sangue tinha chegado tão subitamente, de forma irresistível. Seus caninos superiores estavam para fora, e suas bordas, afiadas como lâminas.
Estava sem tempo para conversa, para cercá-la de enganações como costumava fazer. Para um gourmet, metade do prazer estava na expectativa, com certeza, mas agora ele estava em necessidade. Usou fortemente o seu poder de controlar o cérebro humano e deu a Caroline um sorriso deslumbrante.
Isso foi tudo o que precisou.
Caroline tinha se movido na direção dele, e agora parou. Seus lábios, parcialmente abertos para fazer uma pergunta, permaneceram abertos, e suas pupilas se dilataram de repente, como se estivesse em uma sala escura, e, em seguida, se contraíram e permaneceram contraídas.
 Eu... eu... — ela tentou falar. — Ohhh...
Então. Ela era dele. Bem fácil.
Seus dentes estavam latejando com um tipo de dor agradável, bastaria um suave movimento e tão rápido como ataque de uma cobra, ele afundaria seus dentes em sua artéria. Estava com fome – não, estava faminto – todo o seu corpo queimava com um desejo muito profundo de beber o quanto desejasse.
Afinal, haveria outros à sua disposição se ele secasse esse corpo até o fim.
Cuidadosamente, nunca tirando seus olhos dos dela, moveu a cabeça de Caroline para expor a garganta, com a doce pulsação em seu pescoço. Isso preencheu todos os seus sentidos: o batimento do seu coração, o cheiro do sangue exótico logo abaixo da superfície: denso, maduro e doce. Sua cabeça girava. Nunca esteve tão animado, tão ansioso...
Tão ansioso que fez uma pausa. Afinal, era uma garota tão boa quanto qualquer outra, certo? O que tinha de diferente nela? Que tinha de errado com ele?
E então soube.
Vou recuperar minha mente de volta, obrigado.
De repente o intelecto de Damon ficou frio gélido, a aura sensual em que foi preso ficou congelada naquele instante. Largou o queixo de Caroline e ficou muito quieto.
Ele quase caíra sob a influência da coisa que estava usando Caroline. Aquilo tinha tentado fazê-lo quebrar sua palavra com Elena.
E de novo, pôde vislumbrar apenas um pouco do vermelho no espelho.
Aquela devia ser uma das criaturas atraídas pela onda de Poder que emanava de Fell’s Church. Ele sabia disso. E tinha usado ele, estimulando-o a drenar Caroline. Para tirar todo o seu sangue, matar um ser humano, algo que não tinha feito desde a volta de Elena.
Por quê?
A fúria o congelou, concentrou-se e em seguida, analisou todas as direções com sua mente para encontrar o parasita. Ele ainda devia estar aqui; o espelho era apenas um portal de viagens para as pequenas distâncias. E se aquela coisa o tinha controlado – ele, Damon Salvatore – tinha de ser muito de perto, de fato.
Ainda assim, não podia encontrar nada. Isso o deixou mais furioso do que antes. Distraidamente, enquanto tateava a parte de trás do seu pescoço, enviou uma mensagem ameaçadora: Vou avisá-lo uma vez, e uma vez só. Fique longe de mim!
Ele enviou o pensamento com uma grande explosão de energia que brilhou como relâmpagos em seus próprios sentidos. O Poder devia ter derrubado qualquer coisa que estivesse perto o suficiente, no telhado, no ar... Talvez até mesmo na casa ao lado. De algum lugar, a criatura deve ter sentido, e deveria ter sido capaz de entender isso.
Mas, embora Damon pudesse sentir nuvens escurecidas acima dele em resposta ao seu humor, e o vento roçar ramos lá fora, não houve resposta alguma, nenhuma tentativa de retaliação.
Ele não pôde encontrar nada perto o suficiente para ter se introduzido em sua mente, e nada a uma distância que poderia ser forte o bastante. Damon podia divertir-se, às vezes fingindo não ligar, mas por baixo tinha uma lógica fria e capacidade de analisar-se. Ele era forte. Sabia disso. Enquanto se mantivesse bem nutrido e livre de enfraquecimento, existiam poucas criaturas que poderiam contra ele, pelo menos, neste plano.
Aqui em Fell’s Church já tiveram dois, uma voz falou em sua mente em escárnio, mas Damon espantou isso pra longe. Certamente não poderia haver outros vampiros anciões por perto, ou ele os teria sentido. Vampiros normais, sim, mas eles já eram. Todos eram demasiado fracos para entrar em sua mente.
Estava certo de que não havia criatura dentro do alcance que poderia desafiá-lo. Ele teria sentido brilhar as ondas do poder mágico e único que emanava do solo sob Fell’s Church.
Olhou para Caroline novamente, ainda imóvel pelo transe que colocou sobre ela. Ela sairia dele gradualmente, não seria nada pior do que a experiência do que quer que fosse tivesse feito com ela, pelo menos.
Ele virou-se e, graciosamente como uma pantera, pulou pela janela até a árvore e depois desceu facilmente os dez metros para o chão.

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