13 de novembro de 2015

Capítulo 1

Elena entrou na clareira.
Abaixo de seus pés, pedaços de folhas do outono se congelavam na neve lamacenta. Havia escurecido, e ainda que o temporal começasse a diminuir, o bosque ficava cada vez mais frio. Elena não sentia o frio.
Tampouco lhe importava a escuridão. Suas pupilas se dilataram completamente, enxergando partículas diminutas de luz que seriam impossíveis para um ser humano. Distinguiu com toda clareza as duas figuras que forçavam uma grande briga.
Uma tinha uma espessa cabeleira escura que o vento havia revirado e se tornado um bagunçado mar de ondas. Era ligeiramente mais alto do que a outra, e ainda que não pudesse ver seu rosto, de um certo modo soube que seus olhos eram verdes.
O outro também tinha uma mata de cabelos escuros, mas os seus eram mais finos e lisos, quase como a pelagem de um animal. Seus lábios estavam tensionados para trás, mostrando os dentes com fúria, e a graça preguiçosa do seu corpo estava posicionada como uma pantera. Seus olhos eram negros.
Elena os observou por vários minutos sem se mover. Havia se esquecido do por que estava ali, porque a haviam arrastado até ali, dos ecos da briga em sua mente. Havia tão pouca distancia do clamor de sua raiva, seu ódio e sua dor que eram quase ensurdecedores, como gritos silenciosos surgindo dos adversários. Estavam enlaçados em um combate de morte.
Pergunto-me qual deles vencerá, pensou. Os dois estavam feridos e sangravam, e o braço esquerdo do mais alto pendia de uma forma não natural. Contudo, acabava de empurrar o outro contra o tronco retorcido de um carvalho, e sua fúria era tão forte que Elena podia senti-la e saboreá-la, assim como ouvi-la, e sabia que lhe estava proporcionando uma força incrível.
E então se lembrou por que fora até ali. Como podia ter esquecido? Ele estava ferido. Sua mente a havia chamado ali, inundando-a com ondas de raiva e dor. Ela estava ali para ajudá-lo, porque ele lhe pertencia.
As duas figuras estavam caídas no solo gelado agora, brigando como lobos, grunhindo. Veloz e silenciosa, Elena foi até eles. O de cabelos ondulados e olhos verdes – Stefan, sussurrou uma voz em sua cabeça – estava em cima, com os dedos procurando desesperadamente a garganta do outro. A cólera inundou Elena, a cólera e uma atitude protetora. Pôs o braço entre os dois para impedir aquela mão que tentava estrangular, para tirá-la até acima dos dedos. 
Nem lhe ocorreu que não seria forte o bastante para fazê-lo. Era muito forte, isso era tudo. Atirou seu peso para um lado, arrancando-o de seu oponente. Por acaso, fez pressão sobre o braço ferido, derrubando o atacante de cara contra a neve lamacenta coberta de folhas. Então começou a asfixiá-lo por trás.
Seu ataque o pegou de surpresa, mas não estava nem de longe vencido. Ele devolveu o golpe, a mão boa buscando astuciosamente a garganta da garota. O polegar se afundou em sua traqueia.
Elena se encontrou abraçando a mão, mordendo-a com seus dentes. Sua mente não compreendia, mas o corpo sabia o que fazer. Seus dentes eram uma arma e desgarraram a carne, fazendo correr o sangue.
Mas ele era mais forte que ela. Com uma violenta sacudida de ombros, libertou-se e a retorceu entre suas mãos, jogando-a no chão. E então ele estave em cima dela, com o rosto contorcido por uma fúria animal. Ela chiou, e pôs-se a atacar seus olhos com as unhas, mas ele se afastou da mão com um golpe.
Ia matá-la. Mesmo ferido, era muito mais forte. Seus lábios tinham se afastado para mostrar os dentes manchados de vermelho. Como uma cobra, estava pronto para atacar. 
Então se deteve, percebendo-a, enquanto sua expressão mudava.
Elena viu que os olhos verdes se arregalaram. As pupilas que haviam estado contraídas em pequenos pontos se ampliaram em um golpe. Olhava-a fixamente, como se realmente a visse pela primeira vez.
Por que a olhava daquele modo? Por que não se limitava a acabar? A mão férrea sobre seu ombro estava afrouxando. O grunhido animal havia desaparecido, sendo agora uma expressão de perplexidade e assombro. Recuou e ajudou-a a sentar, sem deixar de olhar seu rosto nem por um instante.
— Elena — murmurou a voz, quebrando-se. — Elena, é você. 
É essa quem sou?, pensou ela. Elena?
Na realidade, não importava. Lançou um olhar veloz na direção do antigo carvalho. Ele ainda estava ali, de pé entre as raízes que sobressaíam da terra, ofegando, apoiando-se na árvore com uma mão. A olhava com seus olhos infinitamente negros e as sobrancelhas contraídas em uma expressão irritada.
Não se preocupe, pensou ela. Posso me ocupar deste. Ele é estúpido. Logo voltou a se jogar no jovem de olhos verdes.
— Elena! — guinchou enquanto ela o derrubava de costas. 
A mão sã empurrou seu ombro, sustentando-a no alto.
— Elena, sou eu, Stefan! Elena, olhe para mim!
Ela olhava e tudo o que via era o pedaço da pele descoberta de seu pescoço. Voltou a chiar, o lábio superior retrocedendo para mostrar-lhe os dentes.
Ele ficou paralisado.
Sentiu como a comoção reverberava por todo o corpo do jovem, viu que sua expressão se quebrava. O rosto adquiriu a palidez de alguém golpeado no estômago. Sacudiu a cabeça ligeiramente sobre o chão lamacento.
— Não — sussurrou. — Oh, não...
Parecia estar dizendo para si mesmo, como se não esperasse que ela o estivesse ouvindo. Estendeu uma mão até sua bochecha e ela tentou mordê-la.
— Ah, Elena... — murmurou.
Os últimos restos de fúria, de desejo animal de matar, haviam desaparecido de seu rosto. Tinha os olhos atordoados, afligidos e entristecidos.
E estava vulnerável. Elena aproveitou o momento para lançar-se sobre a carne descoberta de seu pescoço. Ele alçou o braço para detê-la, para afastá-la, mas logo voltou a deixá-lo cair.
Olhou-a fixamente por um momento, com a dor de seus olhos alcançando o ápice e logo, simplesmente, se abandonou. Deixou de lutar totalmente.
Ela sentiu como aconteceu, sentiu como a resistência abandonava seu corpo. Ficou estendido sobre o chão gelado com restos de folhas de carvalho no cabelo, olhando mais além dela, para o céu negro e coberto de nuvens.
Acabe com ele, disse uma voz cansada em sua mente. 
Vacilou por um instante. Havia algo naqueles olhos que evocava recordações em seu interior. Estar de pé sob a luz da lua, sentada em um sótão... Mas as recordações eram muito vagas. Não conseguia lembrá-las, e o esforço a atordoava e a enjoava.
E este tinha que morrer, este de olhos verdes chamado Stefan. Porque havia machucado a ele, ao outro, o que era a razão de sua existência. Ninguém podia machucá-lo e continuar vivo.
Cerrou os dentes sobre a garganta dele e mordeu profundamente.
Notou no momento que não fazia como se devia. Não havia alcançado uma artéria ou uma veia. Atacou a garganta, furiosa ante a própria inexperiência. Era satisfatório morder algo, mas não saía muito sangue. Contrariada, levantou a cabeça e voltou a morder, sentindo que o corpo dele dava uma sacudida de dor.
Muito melhor. Havia encontrado uma veia dessa vez, mas não havia desgarrado o suficiente. Um pequeno arranhão como aquele não serviria de nada. O que precisava era arrancá-la por completo, para deixar que o suculento sangue quente saísse em porções.
Sua vítima estremeceu enquanto trabalhava, os dentes arranhando e roendo. Começava a sentir a carne cedendo quando mãos a puxaram de lá, alçando-a para trás.
Elena grunhiu sem soltar a garganta. Mas as mãos eram insistentes. Um braço rodeou sua cintura, dedos se enroscaram em seus cabelos. Forçou a ficar, aferrando-se com unhas e dentes a sua presa.
— Solte-o! Deixe-o!
A voz era seca e autoritária, como uma lufada de vento frio. Elena a reconheceu e parou de se esforçar contra as mãos que a afastavam. Quando a colocaram no chão e levantou os olhos para vê-lo, um nome veio a sua mente. Damon. Seu nome era Damon. Olhou-o fixamente com expressão enfurecida, ressentida por ter sido arrancada se sua presa, mas obediente.
Stefan estava caído do chão, com o pescoço vermelho de sangue, que também corria por sua camisa. Elena lambeu os lábios, sentindo uma pulsada parecida com uma torção de fome mas que parecia provir de cada fibra de seu ser. Voltou a ficar enjoada.
— Acho — disse Damon — que você disse que ela estava morta.
Stefan parecia ainda mais pálido que antes, se é que isso era possível. Aquele rosto branco estava cheio de infinito desespero.
— Olhe-a — foi tudo o que disse.
Uma mão sujeitou o queixo de Elena, erguendo seu rosto. Ela devolveu diretamente o olhar escuro entrecerrado de Damon. Logo, largos e finos dedos tocaram seus lábios, sondando entre eles. Instintivamente, Elena tentou morder, mas não muito forte. O dedo de Damon localizou a afiada curva de uma presa e Elena o mordeu, dando um mordisco parecido com o de um gatinho.
O rosto de Damon era inexpressivo, o olhar, duro.
— Sabe onde está? — perguntou.
Elena olhou ao seu redor. Árvores.
— No bosque — disse com desconsideração, voltando a olhá-lo.
— E quem é esse?
Ela seguiu a direção que indicava seu dedo.
— Stefan — respondeu com indiferença. — Seu irmão.
— E quem sou eu? Sabe quem eu sou?
Ela sorriu, mostrando seus dentes afiados.
— Claro que sei. Você é Damon, e eu te amo.

8 comentários:

  1. Ammmmmmm ? Ta doida muié ?

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  2. KAKAKAKAKAKAKAKKAKAKAKAKAKKAKAKAKAKAKKKAKAKA!
    EU AMEI ISSO! APESAR DELA ESTAR PIRANDO... GENTE... Como isso é possível? Kkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    Adorei! Stefan vai pirar!

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  3. Rsrs simplesmente enlouquecedor esse livro...Eu amo demais e entre Stefn e Damon Eu tbm ficaria com Damon rsrs #Dlc

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  4. Engraçado. No seriado ela também ama a Damon depois de morta.

    O Damon é de morte mesmo. Kkkk

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  5. ADOROOOO A SERIE, TO ADORANDO OS LIVROS, ADORO O DAMON...KKKKK

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  6. Até no livro a Elena ama o Damon depois da morte. Palhaçada!
    Sou mais tefinho!!!

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  7. Até no livro a Elena ama o Damon depois da morte. Palhaçada!
    Sou mais tefinho!!!

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