10 de novembro de 2015

Capítulo 1

Damon!
Um vento gelado espalhou o cabelo de Elena pelo rosto, lágrimas caindo em seu suéter fino. Folhas de carvalho formavam redemoinhos por entre as fileiras de lápides, e as árvores sacudiam juntas, seus galhos em frenesi. As mãos de Elena estavam frias, seus lábios e suas bochechas estavam sem sensibilidade, mas ela se mantinha encarando o vento diretamente, gritando através dele.
Damon!
Esse tempo era uma demonstração do Poder dele, com a intenção de assustá-la. Mas isso não funcionaria. O pensamento deste mesmo Poder sendo usado contra Stefan acordou uma grande fúria fervente dentro dela que queimava contra o vento. Se Damon tiver feito alguma coisa com Stefan, se Damon o tivesse ferido... 
Maldito, me responda! ela gritou para os carvalhos que limitavam o cemitério.
Uma folha morta de carvalho que parecia uma mão marrom e murcha voou até seu pé, mas não houve nenhuma resposta. Acima, o céu estava cinza como vidro, cinza como as lápides. Elena sentiu raiva e frustração ardendo em sua garganta e cedeu. Estava errada. Damon não estava aqui realmente; estava sozinha com o grito do vento.
Ela virou-se – e ofegou.
Ele estava logo atrás dela, tão perto que suas roupas tocaram nele enquanto se virava. Nesta distância, deveria ter sentido outro humano parado lá, deveria ter sentido o calor de seu corpo ou ouvido ele. Mas Damon, é claro, não era humano.
Deu dois passos para trás antes que pudesse se parar. Cada instinto que se encontrava quieto enquanto ela gritava contra a violência do vento estava agora pedindo para correr.
Ela apertou seus punhos.
Onde está Stefan?
Uma linha apareceu entre as sobrancelhas negras de Damon.
Que Stefan?
Elena andou até ele e deu um tapa.
Não havia pensado nisso antes de fazer, e mais tarde mal podia acreditar no que tinha feito. Mas tinha sido um tapa bem forte, com toda a força de seu corpo, e virou a cabeça de Damon para o lado. Sua mão doía. Parou, tentando acalmar sua respiração, e observou-o.
Ele estava vestido como da primeira vez em que se encontraram, de preto. Botas pretas macias, jeans pretos, suéter preto e uma jaqueta de couro. E parecia com Stefan. Ela não sabia como não tinha percebido isso antes. Ele tinha o mesmo cabelo preto, a mesma pele pálida, a mesma boa aparência perturbadora. Mas seu cabelo era liso, não ondulado, seus olhos eram negros como a meia-noite, e sua boca, cruel.
Ele girou sua cabeça de volta lentamente para olhar ela, e ela viu sangue aparecendo na bochecha que acertou.
Não minta para mim disse, sua voz tremendo. Sei quem você é. Sei o que você é. Você matou o Sr. Tanner ontem à noite. E agora Stefan desapareceu.
Ele desapareceu?
Você sabe que sim!
Damon sorriu e parou imediatamente.
Estou te avisando; se você o tiver machucado...
Então o quê? O que vai fazer, Elena? O que você pode fazer contra mim?
Elena caiu em silêncio. Pela primeira vez, percebeu que o vento tinha parado. O dia estava morto e silencioso à sua volta, como se eles estivessem imóveis no centro de algum grande círculo de poder. Parecia que tudo – o céu pesado, os carvalhos e as faias roxas, o próprio solo, estava conectado à ele, como se sugasse Poder de tudo isso. Ele estava com a sua cabeça ligeiramente erguida, seus olhos insondáveis cheios de cores estranhas.
Eu não sei ela sussurrou mas eu vou achar alguma coisa. Acredite em mim.
Ele riu de repente, e o coração de Elena deu uma sacudida e começou a bater rigorosamente. Deus, ele era bonito. Belo era uma palavra fraca para descrevê-lo. Como costume, a risada durou apenas um momento, mas mesmo quando seus lábios já estavam sossegados ficavam traços em seu olhar.
Eu acredito em você — ele respondeu, relaxando, olhando ao redor do cemitério. Então se virou e estendeu a mão para ela. Você é boa demais para o meu irmão disse casualmente.
Elena pensou em bater a mão dele para longe, mas ela não queria tocá-lo novamente.
Diga-me onde ele está.
Depois, possivelmente... Por um preço.
Ele retirou sua mão, e Elena percebeu que nela havia um anel como o de Stefan: prata e de lápis-lazúli. Lembre-se disso, ela pensou ferozmente. É importante.
Meu irmão ele continuou é um tolo. Acha que porque você se parece com Katherine é fraca e facilmente conduzida como ela. Mas ele está errado. Eu podia sentir sua raiva do outro lado da cidade. Posso sentir agora, uma luz branca como o sol do deserto. Você tem força, Elena, como você é. Mas pode ser muito mais forte...
Ela olhou fixamente para ele, sem entender, não gostando da troca de assunto.
Eu não sei do que está falando. E o que isso tem haver com o Stefan?
Estou falando de Poder, Elena — de repente, ele deu um passo para perto dela, seus olhos fixos nos dela, sua voz suave e urgente. Você já tentou todas as outras coisas, e nada a satisfez. É a garota que tem tudo, mas sempre há algo fora do seu alcance, algo de que precisa desesperadamente e que não pode ter. Isto é o que eu estou te oferecendo. Poder. Vida eterna. E sentimentos que nunca sentiu antes.
Agora ela entendia, e bílis subiu até a sua garganta. Ela sufocou-se em horror e repúdio.
Não.
Por que não? — ele sussurrou. Por que não tentar, Elena? Seja honesta. Não tem uma parte de você que quer isto? Seus olhos negros estavam cheios de calor e intensidade que a prendiam, ela era incapaz de olhar para outro lugar. Posso acordar coisas dentro de você que têm estado adormecidas durante toda a sua vida. Você é forte o bastante para viver no escuro, para vangloriar-se nele. Pode se tornar a rainha das sombras. Por que não pegar este Poder, Elena? Deixe-me ajudá-la a consegui-lo.
Não — ela falou, puxando seus olhos para longe dele. Não olharia para ele, não o deixaria fazer isso com ela. Não o deixaria fazê-la esquecer... fazê-la esquecer...
É o segredo final, Elena disse. Sua voz era tão afável quanto as pontas dos seus dedos que tocavam a garganta dela. Você será feliz como nunca antes.
Havia algo terrivelmente importante que ela deveria lembrar. Ele estava usando o Poder para fazê-la esquecer disto, mas ela não o deixaria fazê-la esquecer...
E nós vamos ficar juntos, você e eu — as pontas frias de seus dedos afagaram a lateral do pescoço dela, deslizando sob o colarinho do suéter. Só nós dois, para sempre.
Houve uma pontada repentina de dor quando os dedos dele roçaram duas minúsculas feridas na carne do pescoço dela, e a sua memória clareou.
Fazê-la esquecer de... Stefan.
Isto era o que ele queria tirar da mente dela. As memórias sobre Stefan, sobre seus olhos verdes e seu sorriso que sempre tinha tristeza por trás. Mas nada poderia forçar Stefan para fora de seus pensamentos agora, não depois do que eles compartilharam. Afastou-se de Damon, batendo aqueles dedos frios para longe. Encarou-o diretamente.
Já achei o que eu quero — ela disse brutalmente. E com quem eu quero estar para sempre.
Escuridão brotou nos olhos dele, uma raiva fria que se espalhou pelo ar entre eles. Olhando dentro daqueles olhos, Elena pensou em uma cobra pronta para dar o bote.
Não seja estúpida como o meu irmão, ou terei que tratá-la da mesma forma.
Ela estava assustada agora. Não podia evitar, não com o frio se derramando dentro dela, resfriando seus ossos. O vento estava começando de novo, os galhos sacudindo-se.
Diga-me onde ele está, Damon.
Nesse momento? Não sei. Você não pode parar de pensar nele por um instante?
Não! ela estremeceu, seu cabelo chicoteando na sua face novamente.
E esta é sua resposta final, hoje? Esteja certa sobre jogar este jogo comigo, Elena. As consequências não são para se dar risadas.
Tenho certeza ela teve que interromper antes que ele recomeçasse de novo. E você não pode me intimidar, Damon, ou não notou? No momento em que Stefan me contou o que você era, o que fez, você perdeu qualquer poder que poderia ter sobre mim. Eu te odeio. Você me dá nojo. E não existe nada que possa fazer contra mim, nunca mais.
A face dele se alterou, a sensibilidade torcendo-se e congelando-se, tornando-se cruel e amargamente dura. Ele riu, mas esta risada continuou.
Nada? Posso fazer qualquer coisa com você, e com as pessoas que ama. Você não tem ideia, Elena, do que posso fazer. Mas vai aprender.
Ele deu um passo para trás, e o vento cortou Elena como uma faca. Sua visão pareceu embaçar. Era como se manchas de claridade enchessem o ar na frente de seus olhos.
O inverno está chegando, Elena disse, e sua voz era clara e arrepiante mesmo sobre o uivo do vento. Uma estação rancorosa. Antes dele chegar, você terá aprendido o que posso e não posso fazer. Antes que o inverno chegue aqui, você terá se juntado a mim. Você será minha.
A claridade rodopiada estava cegando-a, e ela não conseguia mais ver o volume escuro da figura dele. Agora até mesmo a voz dele desvanecia-se. Ela se abraçou e curvou a cabeça, seu corpo todo tremendo.
Stefan... — ela sussurrou.
Oh, e mais uma coisa a voz de Damon retornou. Você perguntou mais cedo sobre meu irmão. Não se incomode procurando por ele, Elena. Eu o matei noite passada.
Ela levantou a cabeça, mas não havia nada para ver, apenas a brancura vertiginosa, que queimava seu nariz e suas bochechas e grudava seus cílios. Foi só então, quando os finos grãos caíram em sua pele, que percebeu o que eles eram: flocos de neve.
Estava nevando no primeiro dia de novembro. Acima de sua cabeça, o sol já tinha ido embora.

7 comentários:

  1. KARINA ME DESCULPE A FALTA DE ATENCAO nao vi direito e agora percebi que o q estava lendo nao estava errado era memo a continuacao do primeiro livro .... Obrigado e A proposito amei o blog e gostaria de saber se e possivel fazer parte da equipe da revisao pois sofri um acidente e estou o dia e noite inteirios em casa sem fazer nada a nao ser lendo os livros. Isso seria possivel?

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    1. Vish, não sei se fico feliz ou triste por vc estar inválido aí em casa kkkkkkk
      Me mande um e-mail pra gente conversar melhor: livroson-line@hotmail.com

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