20 de novembro de 2015

Capítulo 19

Matt estava batendo na porta de Bryce, com Elena em seu lado.
Elena havia se disfarçado ao enfiar todo seu cabelo em um boné de beisebol do Virginia Cavaliers e ao usar uns óculos escuros que ela achara em uma das gavetas de Stefan. Também vestia uma camisa xadrez extragrande marrom e azul-marinho de Pendleton doada por Matt, e uma calça jeans de Meredith que ficara pequena demais para ela. Ela tinha certeza de que alguém que tivesse conhecido a velha Elena Gilbert nunca iria reconhecê-la, vestida daquela maneira.
A porta abriu-se muito lentamente, não para revelar o Sr. ou Sra. Bryce, nem Jim, mas Tamra. Ela estava vestindo – bem, quase nada. Usava um biquíni fio dental na parte inferior, mas que parecia feito à mão, como se tivesse cortado um biquíni normal com uma tesoura – e ele estava começando a se desmanchar. Na parte de cima usava duas decorações redondas de papelão com lantejoulas coladas e alguns fios coloridos. Na cabeça, usava uma coroa de papel, que era claramente de onde tinha pego o papel dourado. Ela fez uma tentativa de colar os cordões sobre a parte debaixo do biquíni também. O resultado parecia ser o que era: a tentativa de uma criança de fazer uma roupa de show para uma showgirl ou stripper de Las Vegas. Matt imediatamente se virou e ficou de costas, mas Tamra atirou-se nele e agarrou-se em suas costas.
 Matt Honey-butt — ela falou.  Você voltou. Eu sabia que você voltaria. Mas por que traz essa vagabunda velha feia com você? Como poderemos...
Elena adiantou-se, então, porque Matt tinha levantado a mão para ela. Ela tinha certeza de que Matt nunca havia batido numa mulher em sua vida, especialmente numa criança, mas ele também estava mais sensível sobre um ou dois assuntos. Como ela.
Elena deu um jeito de se meter entre Matt e a surpreendentemente forte Tamra. Teve que conter um sorriso ao contemplar o traje. Afinal, há apenas poucos dias, ela não tinha entendido completamente nada sobre o tabu da nudez humana. Agora já tinha voltado a entender, mas não parecia tão importante quanto parecera há um tempo. Pessoas nasciam com suas próprias peles perfeitamente boas. Não havia nenhuma razão real, em sua mente, para vestir peles falsas sobre aquelas, a menos que estivesse frio ou fosse de alguma forma desconfortável sem elas. Mas a sociedade dizia que era ruim estar despido.
Então Tamra estava tentando ser má, em sua maneira infantil.
 Tire as mãos de mim, sua vagabunda velha  Tamra rosnou quando Elena a segurou longe de Matt, e em seguida acrescentou vários palavrões bastante longos.
 Tamra, onde estão seus pais? Onde está seu irmão?  perguntou Elena. Ela ignorou as palavras obscenas – eram apenas sons – mas viu que Matt tinha ficado branco ao redor dos lábios.
 Você, peça desculpas para Elena agora mesmo! Peça desculpas por falar desta maneira!  exigiu ele.
 Elena é um cadáver fedorento com minhocas no lugar dos olhos  Tamra cantou levianamente.  Mas minha amiga disse que ela era uma vagabunda quando estava viva. Uma verdadeira... — então uma sequência de palavrões que a fez engasgar...  Vagabunda barata. Você sabe. Nada é mais barato do que algo que vem de graça.
 Matt, apenas ignore  Elena falou num sussurro, e então repetiu: — Onde estão seus pais e Jim?
A resposta estava imunda com mais palavrões, mas se somaram à história – verdadeira ou não – de que o Sr. e a Sra.. Bryce tinham saído de férias por alguns dias, e que Jim estava com sua namorada, Isobel.
 Ok, então acho que vou ter que ajudá-la a vestir algumas roupas mais decentes  disse Elena.  Primeiro, acho que você precisa de um chuveiro para tirar esses enfeites de Natal...
 Então teeente-e-e! Então teeente-e-e!  A resposta estava em algum lugar entre o relincho de um cavalo e a fala humana.  Eu os colei com cola Super Bonder!  Tamra completou e então começou a rir uma risada alta e histérica.
 Oh, meu Deus, Tamra, você percebe que, se não houver nenhum solvente para isso, você pode precisar de cirurgia?
A resposta de Tamra foi obscena. Então veio um súbito cheiro fétido. Não, não um cheiro, pensou Elena: um sufocante e asfixiante fedor.
 Oops! — Tamra deu mais uma vez aquela risada histérica. — Pardon moi. Pelo menos é um gás natural.
Matt pigarreou.
 Elena... Não acho que deveríamos estar aqui. Com os pais dela sumidos e tal...
 Eles estão com medo de mim  Tamra riu.  Vocês não estão?
De repente com uma voz que tinha caído várias oitavas.
Elena olhou Tamra nos olhos.
 Não, eu não estou. Só estou com pena de uma menina que estava no lugar errado na hora errada. Mas Matt está certo, eu acho. Temos de ir.
As maneiras de Tami pareceram mudar completamente.
 Desculpem-me... Eu não sabia que tinha convidados desse calibre. Não vá, por favor, Matt — então, acrescentou em um sussurro confidencial para Elena: — Ele é bom?
 O quê?
Tamra acenou para Matt, que imediatamente deu as costas para ela. Ele parecia como se estivesse sentindo um fascínio terrível e repugnante pela aparência ridícula de Tami.
 Matt, olhe para isso — Elena levantou um pequeno tubo de cola. — Acho que ela realmente colou isso em sua pele com Super Bonder. Temos que chamar o serviço protetor da criança ou o que seja, porque ninguém a levou ao hospital ainda. Se os pais dela sabiam sobre esse comportamento, ou não, não deveriam tê-la deixado sozinha em casa.
 Eu só espero que eles estejam bem. A família dela — Matt falou sombriamente, enquanto caminhava porta afora, com Tamra os seguindo tranquilamente até o carro, e gritando detalhes escabrosos sobre “quanta diversão tiveram eles três”.
Elena olhou-o inquieta de seu lugar no banco do passageiro – sem identificação ou carteira de motorista, é claro, sabia que não deveria dirigir.
 Talvez seja melhor levá-la para a polícia primeiro. Meu Deus, aquela pobre família!
Matt não disse nada por um longo tempo. Seu queixo estava travado, sua boca contorcida.
 Eu, de alguma forma, sinto como se fosse o responsável. Quer dizer, eu sabia que havia algo errado com ela – eu deveria ter dito a seus pais.
 Agora você está soando como Stefan. Você não é responsável por todos que encontra.
Matt deu-lhe um olhar agradecido, e Elena continuou:
 Na verdade, vou pedir para Bonnie e Meredith fazerem uma outra coisa, o que vai provar que a culpa não é sua. Vou pedir-lhes para verificar Isobel Saitou, a namorada do Jim. Você nunca teve qualquer contato com ela, mas Tamra talvez tenha tido.
 Quer dizer que você acha que ela tem, também?
 Isso é o que eu espero que Bonnie e Meredith descubram.


Bonnie parou bruscamente, quase perdendo sua posse dos pés da Sra. Forbes.
 Eu não vou entrar naquele quarto.
 É preciso. Não posso carregá-la sozinha  disse Meredith. Então adicionou bajuladoramente, — Olhe, Bonnie, se você entrar comigo, eu te conto um segredo.
Bonnie mordeu o lábio. Então, fechou os olhos e deixou Meredith guiá-la, passo a passo adentro nesta casa de horror.
Sabia onde era o quarto principal – afinal, ela havia brincado aqui desde a infância. Até o fim do corredor, então vire à esquerda. Ficou surpresa quando Meredith parou subitamente depois de apenas alguns passos.
 Bonnie.
 Então? O quê?
 Eu não quero assustar você, mas...
Isto teve o efeito imediato de aterrorizar Bonnie. Seus olhos se arregalaram.
 O quê? O quê?
Antes que Meredith pudesse responder, ela olhou por cima do ombro com medo e viu o que era.
Caroline estava atrás dela. Mas não em pé. Estava engatinhando, não, estava rastejando, do jeito que tinha rastejado no quarto de Stefan. Como um lagarto. Seus cabelos bronze, despenteados, pendiam sobre seu rosto. Seus cotovelos e joelhos estavam voltados para fora em ângulos impossíveis.
Bonnie gritou, mas a pressão da casa pareceu sufocar o grito de volta garganta abaixo. O único efeito que o grito teve foi fazer Caroline olhar para ela, levantando a cabeça com um rápido movimento réptil.
 Oh, meu Deus, Caroline, o que aconteceu com seu rosto?
Caroline tinha um olho roxo. Ou melhor, um olho vermelho-púrpura que estava tão inchado que Bonnie sabia que ficaria roxo sem demora. Em sua mandíbula estava outro hematoma roxo e inchado.
Caroline não respondeu, a menos que você contasse o assobio sibilante que deu enquanto rastejava em frente.
 Corre Meredith! Ela está bem atrás de mim!
Meredith acelerou seu passo, parecendo assustada – o que tornou tudo ainda mais assustador para Bonnie, porque quase nada conseguia abalar sua amiga.
Mas à medida que cambaleavam para frente, com a Sra. Forbes quicando entre elas, Caroline rastejou direto por baixo de sua mãe e pela porta do quarto dos pais, o quarto do casal.
 Meredith, não vou entrar n...
Mas elas já estavam passando tropeçando pela porta. Bonnie lançou rápidos olhares para cada canto. Caroline estava longe de vista.
 Talvez ela esteja no closet  sugeriu Meredith.  Agora, deixe-me ir primeiro para colocar a cabeça do outro lado da cama. Podemos arrumá-la mais tarde.
Ela contornou a cama, quase arrastando Bonnie com ela, e jogou a parte superior do tronco da Sra. Forbes, de modo que sua cabeça repousasse sobre os travesseiros.
 Agora é só puxá-la e colocar as pernas no outro lado.
 Eu não posso fazê-lo. Não posso! Caroline está embaixo da cama, você sabe.
 Ela não pode estar embaixo da cama. A fenda tem apenas doze centímetros de folga — Meredith disse com firmeza.
 Ela está lá! Eu sei. E...  um tanto feroz  você prometeu que ia me contar um segredo.
 Tudo bem! — Meredith deu um olhar cúmplice através dos cabelos escuros desgrenhados. — Eu telegrafei ontem para Alaric. Ele está tão longe e isolado que telegrafar é a única maneira de entrar em contato com ele, e podem se passar dias antes que a minha mensagem chegue até ele. Tive um palpite de que precisaríamos de seus conselhos. Eu me sinto mal, pedindo-lhe para fazer projetos que não são para o doutorado, mas...
 Quem se preocupa com o seu doutorado? Abençoada seja! — gritou Bonnie felizmente. — Você fez muito bem!
 Então venha ajeitar os pés da Sra. Forbes para cima da cama. Você pode fazê-lo se apoiar.
A cama era grande. A Sra. Forbes estava deitada nela, em um ângulo atravessado, como uma boneca jogada no chão. Mas Bonnie parou próximo ao pé da cama.
 Caroline vai me agarrar.
 Não, ela não vai. Vamos Bonnie. Basta pegar as pernas da Sra. Forbes e dar um empurrão...
 Se eu chegar tão perto da cama, ela vai me agarrar!
 Por que ela faria isso?
 Porque ela sabe o que me assusta! E agora que eu disse isso, ela com certeza vai.
 Se ela te agarrar, eu chuto a cara dela.
 Sua perna não é tão longa. Iria bater no trocinho da moldura de metal da cama...
 Ah, pelo amor de Deus, Bonnie! Apenas me ajudeeeeeee!  A última palavra foi um grito a todo pulmão.
 Meredith...  começou Bonnie, e então ela gritou também.
 O que foi?
 Ela está me agarrando!
 Ela não pode! Ela está me agarrando! Ninguém tem braços tão longos!
 Ou tão fortes! Bonnie! Eu não consigo fazê-la me soltar!
 Nem eu!
E então todas as palavras foram afogadas em gritos.


Depois de largar Tamra com a polícia, levar Elena ao bosque conhecido como Fell’s State Park foi... bem, um passeio no parque. Eventualmente eles paravam. Elena dava alguns passos em direção às árvores e ficava de pé, Chamando – como quer que se faça isso. Então, voltava para o Jaguar, parecendo desanimada.
 Eu não tenho certeza de que Bonnie não faria melhor do que isso — disse a Matt.  Se conseguirmos no forçar a fazer isso à noite...
Matt estremeceu involuntariamente.
 Duas noites foram o suficiente.
 Sabe, você nunca me contou sua história daquela primeira noite. Ou pelo menos, não quando eu conseguia entender palavras, palavras pronunciadas.
 Bem, eu estava dirigindo em volta como hoje, exceto que era do outro lado da floresta – perto da área do Carvalho Quebrado pelo Raio...?
 Certo.
 Quando bem no meio do caminho aparece alguma coisa.
 Uma raposa?
 Bem, aquilo era vermelho na parte dianteira, mas não era como qualquer raposa que eu já vi. E venho dirigindo por esta estrada desde sempre.
 Um lobo?
 Como um lobisomem, você quer dizer? Mas não... já vi lobos à luz da lua e eles são maiores. Aquilo estava bem no meio.
 Em outras palavras  disse Elena, estreitando os olhos lápis-lazúli— uma criatura única.
 Talvez. Com certeza era diferente do malach que mastigou o meu braço.
Elena assentiu. Malachs podiam tomar todos os tipos de formas diferentes, pelo que ela sabia. Mas eles eram irmãos de uma maneira: todos utilizavam poder e todos precisavam de uma dieta de Poder para viver. E eles podiam ser manipulados por um poder mais forte do que eles tinham. E eram inimigos venenosos dos humanos.
 Portanto, tudo o que realmente sabemos é que não sabemos nada.
 Certo. Esse era o lugar, onde a coisa apareceu. Ele simplesmente pareceu de repente no meio do... ei!
 Vá para a direita! Bem aqui!
 Exatamente assim! Foi exatamente assim!
O Jaguar guinchou e quase parou, ao virar a direita, não para uma vala, mas para uma pequena viela que ninguém notaria a menos que estivessem olhando diretamente para ela.
Quando o carro parou, ambos olharam para a viela, com a respiração difícil. Ambos não precisaram perguntar se o outro tinha visto uma criatura avermelhada cruzar a estrada, maior do que uma raposa, mas menor do que um lobo.
Eles olharam para a viela estreita.
 A grande questão: devemos ir atrás? — Matt perguntou.
 Sem placas de “MANTENHA A DISTÂNCIA e quase nenhuma casa deste lado do bosque. Do outro lado da rua e para baixo há a casa dos Dunstans.
 Então nós vamos entrar?
 Nós vamos entrar. Basta ir devagar. É mais tarde do que eu pensava.


Meredith, é claro, foi a primeira a se acalmar.
 Tudo bem, Bonnie — disse ela.  Pare com isso! Agora! Isso não vai ajudar em nada aqui!
Bonnie não achou que poderia parar. Mas Meredith tinha aquele olhar especial em seus olhos escuros, que significava que estava falando sério. Era o olhar que ela teve antes de deitar Caroline no chão de Stefan.
Bonnie fez um esforço supremo e descobriu que de alguma forma ela era capaz de segurar os próximos gritos. Ela olhou silenciosamente para Meredith, sentindo a agitação de seu próprio corpo.
 Bom. Bom, Bonnie. Agora... — Meredith engoliu. — Puxar também não ajuda em nada. Então vou tentar... arrancar os dedos dela. Se algo acontecer a mim, se eu for... puxada pra debaixo da cama ou qualquer coisa, então você corre, Bonnie. E se você não puder correr, então chame Elena e Matt. Chame até obter uma resposta.
Bonnie fez algo quase heroico em seguida. Ela se recusou a imaginar a cena da Meredith sendo puxado sob a cama. Não iria deixar-se imaginar como pareceria Meredith lutando com todas as forças, desaparecendo, ou como ela se sentiria, totalmente sozinha depois disso. Ambas tinham deixado suas bolsas com seus celulares na entrada para carregar a Sra. Forbes, então Meredith não estava dizendo para chamá-los no sentido normal. Ela quis dizer Chamar com C maiúsculo.
Uma súbita e radical explosão de indignação varreu Bonnie. Para que as meninas carregam bolsas afinal de contas? Mesmo a eficiente e confiável Meredith muitas vezes o fazia. Claro que as bolsas de Meredith eram geralmente bolsas de mão que combinavam com suas roupas e estavam cheias de coisas úteis, como blocos de anotações e lanternas-chaveiros, mas ainda assim... um menino teria o seu celular no bolso.
De agora em diante, usarei uma pochete, Bonnie pensou, sentindo-se como se estivesse levantando uma bandeira rebelde contra as meninas de todos os lugares, e por apenas um momento o sentimento de pânico também recuou.
Então viu Meredith inclinando-se, uma figura encurvada na penumbra, e no mesmo instante ela sentiu o aperto no seu próprio tornozelo aumentar. Apesar de seu pânico, ela olhou para baixo e viu o contorno dos dedos bronzeados com longas unhas cor de bronze de Caroline contra o branco cremoso do tapete.
Pânico explodiu nela outra vez, com força total. Ela fez um som estrangulado que era um grito sufocado e para o seu próprio espanto, ela espontaneamente entrou em transe e começou a Chamar.
Não foi o fato de que ela estava fazendo isso que a surpreendeu. Foi o que estava dizendo.
Damon! Damon! Estamos presas na casa de Caroline e ela enlouqueceu! Ajude!
Isso fluiu para fora dela como uma corrente de água subterrânea que tinha sido aberta de repente, soltando um gêiser.
Damon, ela me prendeu pelo tornozelo e não vai me soltar! Se ela puxar Meredith para baixo, não sei o que vou fazer! Ajude-me!
Vagamente, porque o transe estava bom e profundo, ela ouviu Meredith dizer:
 Ah-hah! Isso parecem dedos, mas na verdade são ramos. Deve ser um dos tentáculos que Matt nos falou a respeito. Estou... tentando... romper... uma das voltas...
De uma vez só houve um guincho em debaixo da cama. E não apenas de um lugar, tampouco, mas massivas chicotadas e chacoalhadas que realmente agitaram o colchão para cima e para baixo, mesmo com a pobre Sra. Forbes sobre ele.
Deve haver dezenas desses insetos lá embaixo.
Damon, são aquelas coisas! Muitas delas. Oh, Deus, acho que vou desmaiar. E se eu desmaiar... e se Caroline me puxar pra baixo... Ah, por favor, venha e ajude!
 Droga!  Meredith estava dizendo.  Eu não sei como Matt conseguiu fazer isso. É muito apertado, e... e acho que há mais de um tentáculo aqui.
Está tudo acabado, Bonnie enviou em uma quieta conclusão, sentindo-se começar a cair de joelhos. Nós vamos morrer.
 Sem dúvida – esse é o problema com os humanos. Mas não ainda  disse uma voz por trás dela, e um braço forte enrolou-se em torno dela, levantando seu peso facilmente. — Caroline, a diversão acabou. Eu falo sério. Solte!
 Damon? — Bonnie engasgou. — Damon? Você veio!
 Toda aquela choradeira me dá nos nervos. Isso não quer dizer...
Mas Bonnie não estava ouvindo. Ela não estava nem pensando. Ainda estava meio em transe e não era responsável (ela decidiu isso depois) por suas próprias ações. Ela não era ela mesma. Era outra pessoa que entrou em êxtase quando o aperto em seu tornozelo afrouxou, e outra pessoa que girou sob o aperto de Damon e jogou seus braços em volta de seu pescoço e beijou-o na boca.
Era outra pessoa, também, que sentiu o sobressalto de Damon, ainda com os braços em volta dela, e que notou que ele não fez qualquer tentativa para se afastar o beijo. Essa pessoa também percebeu, quando finalmente ela se inclinou para trás, que a pele de Damon, pálida na penumbra, parecia quase como se tivesse corado.
E isso foi quando Meredith endireitou-se lentamente e dolorosamente, do outro lado da cama, que ainda estava pulando pra cima e para baixo. Ela não tinha visto nada do beijo, e olhou para Damon como se não pudesse acreditar que ele estava realmente ali.
Ela estava em uma grande desvantagem, e Bonnie sabia que ela sabia disso. Esta era uma daquelas situações em que qualquer outra pessoa estaria demasiadamente frustrada para falar, ou até mesmo gaguejar.
Mas Meredith apenas respirou fundo e disse baixinho:
 Damon. Obrigada. Você acha que seria muito trabalho fazer o malach me largar também?
Agora Damon parecia seu antigo eu. Ele deu um sorriso brilhante visando algo que ninguém mais além dele podia ver e disse cruelmente:
 E, o resto de vocês ai embaixo, fora!
Ele estalou os dedos.
A cama parou de se mover instantaneamente.
Meredith se afastou, e fechou os olhos por um momento em alívio.
 Obrigada novamente  disse ela, com a dignidade de uma princesa, mas ardentemente.  E agora, você acha que poderia fazer alguma coisa a respeito de Caro...
 Agora — Damon a cortou ainda mais rudemente do que o habitual — eu tenho que correr. — Olhou para o Rolex no pulso. — Já passa das 16:44, e tenho um compromisso para o qual já estou atrasado. Faça a volta aqui e apoie esse pacote vertiginoso. Ela não está completamente firme para ficar de pé sozinha.
Meredith apressou-se em trocar de lugar com ele. Nesse momento, Bonnie descobriu que suas pernas já não estavam balançando.
 Espere um minuto, contudo — Meredith disse rapidamente. — Elena precisa falar com você... desesperadamente...
Mas Damon já tinha ido embora, como se tivesse dominado a arte de simplesmente desaparecer, nem mesmo esperando pelo agradecimento de Bonnie.
Meredith parecia espantada, como se tivesse tido certeza de que a menção do nome de Elena iria impedi-lo de ir, mas Bonnie tinha outra coisa em sua mente.
 Meredith — Bonnie sussurrou, colocando dois dedos na boca em espanto. — Eu o beijei!
 O quê? Quando?
 Antes de você levantar. Eu... nem sequer sei como aconteceu, mas eu fiz isso!
Ela esperava algum tipo de explosão de Meredith. Em vez disso, Meredith olhou pensativa e murmurou:
 Bem, talvez não tenha sido uma coisa tão má a fazer, depois de tudo. O que não entendo é por que ele apareceu em primeiro lugar.
 Uh. Isso fui eu também. Eu o chamei. Não sei como isso aconteceu tampouco...
 Bem, não há nenhum motivo em tentar descobrir isso aqui — Meredith virou-se para a cama. — Caroline, você vai sair daí? Você vai se levantar e ter uma conversa normal?
Houve um silvo ameaçador reptiliano debaixo da cama, junto com o chicotear de tentáculos e outro barulho que Bonnie nunca tinha ouvido antes, mas que a aterrorizou instantaneamente, como o bater de uma pinça gigante.
 Isso é resposta suficiente para mim  disse ela, e pegou Meredith para arrastá-la para fora do quarto.
Meredith não precisava ser arrastada. Mas pela primeira vez naquele dia, ouviram a voz zombeteira de Caroline, infantilmente alta.
 Bonnie e Damon sentados em uma árvore se B-E-I-J-A-N-D-O. Primeiro vem o amor, depois vem o casamento; então vem um vampiro em um carrinho de bebê.
Meredith parou no corredor.
 Caroline, você sabe que isso não vai ajudar no final das contas. Saia daí...
A cama entrou em frenesi, balançando e elevando. Bonnie virou-se e correu, e sabia que Meredith estava bem atrás dela. Mas mesmo assim elas não conseguiram deixar de ouvir as ultimas palavras cantadas:
 Vocês não são minhas amigas, vocês são amigas da vagabunda. Esperem só! Esperem só!
Bonnie e Meredith pegaram suas bolsas e deixaram a casa.
 Que horas são? — Bonnie perguntou, quando estavam em segurança no carro de Meredith.
 Quase cinco.
 Pareceu tão mais!
 Eu sei, mas ainda temos horas de luz do dia restante. E, por falar nisso, recebi uma mensagem de texto de Elena.
 Sobre a Tamra?
 Eu vou te contar. Mas primeiro...  foi uma das poucas vezes que Bonnie viu Meredith parecer embaraçada. E finalmente, ela deixou sair: — Como foi?
 Como foi o quê?
 Beijar Damon, sua boba!

3 comentários:

  1. Eu sempre quis que a Meredith ficasse com o Damon,mas fazer o que né!

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  2. Verdade! Os dois misteriosos. Mas ainda prefiro Delena shshs...

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