20 de novembro de 2015

Capítulo 18

Matt despertou, confusamente, para se encontrar ainda atrás do volante do carro de Elena. Tropeçou até sua casa, quase se esquecendo de trancar o carro, e então tateando as chaves abriu a porta dos fundos. A casa estava escura; seus pais estavam dormindo. Ele chegou até seu quarto e caiu na cama sem nem ao menos tirar os sapatos.
Quando acordou novamente, ficou surpreso ao descobrir que eram nove da manhã, e seu telefone celular estava tocando no bolso da calça jeans.
 Meredith?
 Pensamos que você viria mais cedo esta manhã.
 Eu ia, mas primeiro tenho que descobrir como — Matt falou, ou melhor, grasnou.
Sua cabeça parecia ter o dobro do tamanho normal e seu braço pelo menos quatro vezes maior. Mesmo assim, algo no fundo de sua mente estava calculando como chegar à pensão, sem pegar a Estrada Old Creek.
Finalmente alguns neurônios se iluminaram e mostraram-lhe a resposta.
 Matt? Você ainda está aí?
 Não tenho certeza. Ontem à noite... Deus, não consigo nem me lembrar da noite passada. Mas no caminho de casa – olha, vou contar quando chegar aí. Primeiro eu tenho que chamar a polícia.
 A polícia?
 Sim... olhe... apenas me dê uma hora, ok? Eu estarei aí em uma hora.
Quando ele finalmente chegou à pensão, estava mais perto das onze do que das dez. Mas uma chuveirada clareara a sua cabeça, mesmo que não tivesse feito muito pelo seu braço latejante. Quando apareceu, foi envolvido por preocupação feminina.
 Matt, o que aconteceu?
Ele contou para elas tudo o que conseguiu se lembrar. Quando Elena, com lábios imóveis, desfez a bandagem ortopédica que ele tinha enrolado no braço, todos estremeceram. Os arranhões longos estavam com certeza muito infectados.
 Eles são venenosos, então, estes Malach.
 Sim — disse Elena laconicamente. — Venenosos para o corpo e para a mente.
 E você acha que um desses pode entrar nas pessoas? — Meredith perguntou.
Ela estava rabiscando em uma página do caderno, tentando desenhar algo que parecia com o que Matt havia descrito.
 Sim. — Por apenas um momento os olhos de Elena e Meredith se encontraram – então ambas olharam para baixo. Por fim Meredith disse:
 E como vamos saber se um deles está dentro... de alguém... ou não?
 Bonnie deve ser capaz de nos dizer, em transe  Elena falou uniformemente.  Até eu poderia ser capaz de dizer, mas não vou usar Poder Branco para isso. Nós estamos indo ver a Sra. Flowers.
Ela disse isso dessa forma especial que Matt tinha aprendido a reconhecer há muito tempo, e isso significava que nenhum argumento faria efeito. Ela estava colocando o pé no chão, e era isso.
E a verdade é que Matt não se sentia muito bem para discutir. Odiava queixar-se – ele havia jogado partidas de futebol com uma clavícula quebrada, um joelho torcido, um tornozelo luxado – mas isto era diferente. Seu braço parecia que ia explodir.
A Sra. Flowers estava lá embaixo na cozinha, mas na mesa da sala de estar estavam quatro copos de chá gelado.
 Estarei com vocês em um momento  ela falou através da porta vai-e-vem que dividia a cozinha do local onde eles estavam. — Bebam o chá, especialmente o jovem que está machucado. Isso vai ajudá-lo a relaxar.
 Chá de ervas — Bonnie sussurrou para os outros, como se isso fosse um segredo comercial.
O chá não era de todo ruim, apesar de que Matt teria preferido uma Coca-Cola. Mas quando pensou nele como um remédio, e com as garotas observando-o como falcões, conseguiu beber mais da metade antes que a proprietária chegasse.
Ela estava usando o chapéu de jardinagem – ou, pelo menos, um chapéu com flores artificiais que parecia serutilizado para jardinagem. Mas em uma bandeja de bolinhos, ela tinha uma série de instrumentos, todos brilhando como se tivessem acabado de ser fervidos.
 Sim, querida, eu sou  ela disse para Bonnie, que se levantou na frente de Matt protetora.  Eu costumava ser uma enfermeira, assim como sua irmã. As mulheres não eram incentivadas a se tornarem doutoras. Mas toda a minha vida fui uma bruxa. Fica meio solitário, não é mesmo?
 Não seria tão solitário  disse Meredith, olhando intrigada  se você morasse mais perto da cidade.
 Ah, mas então eu teria pessoas olhando para minha casa o tempo todo, e as crianças desafiando uma a outra a correrem pelo meu jardim, ou a jogarem pedras na minha janela, ou adultos olhando para mim toda vez que eu fosse fazer compras. E como eu poderia manter meu jardim em paz?
Foi o mais longo discurso que qualquer um deles a tinha ouvido fazer.
Pegou-os tão de surpresa que se passou um momento antes de Elena falar.
 Eu não entendo como você pode manter seu jardim em paz aqui. Com todos os veados e coelhos e outros animais.
 Bem, a maior parte dele é para os animais, veja bem — Sra. Flowers sorriu beatificamente e seu rosto pareceu iluminar-se por dentro. — Eles certamente gostam. Mas não gostam das ervas que crescem para ser colocadas em arranhões, cortes e entorses e tal. E talvez eles saibam que sou uma bruxa também, uma vez que sempre deixam um pouco do jardim para mim e talvez para um ou dois hóspedes.
 Por que você está me dizendo tudo isso agora? — Elena exigiu. — Ora, houve várias vezes quando eu estava procurando por você ou por Stefan, quando pensei... bem, não importa o que pensei. Mas nem sempre eu tinha certeza se você era nossa amiga.
 A verdade é que comecei a me tornar solitária e antissocial na minha velhice. Mas agora você perdeu o seu jovem, não é? Eu gostaria de ter acordado um pouco mais cedo esta manhã. Então, poderia ter sido capaz de falar com ele. Ele deixou o dinheiro para o aluguel de um ano do quarto na mesa da cozinha. Eu sempre tive afeição por ele, e essa é a verdade.
Os lábios de Elena tremiam. Matt, apressada e heroicamente, ergueu o braço ferido.
 Você pode ajudar com isso?  perguntou, tirando a bandagem de novo.
 Oh, nossa, nossa. E que tipo de bicho te fez isso?  a Sra. Flowers perguntou, analisando os arranhões enquanto as três meninas estremeceram.
 Achamos que foi um malach — Elena disse calmamente. — Você sabe alguma coisa sobre isso?
 Eu já ouvi a palavra, sim, mas não sei nada específico. Há quanto tempo você conseguiu isso?  ela perguntou Matt.  Eles se parecem mais com marcas de dentes do que de garras.
 E são  disse Matt severamente, e descreveu o malach o melhor que pôde.
Foi em parte para manter-se distraído, porque a Sra. Flowers tinha apanhado um dos instrumentos reluzentes da bandeja de biscoitos e estava começando a fazer alguma coisa em seu braço vermelho e inchado.
 Segure o mais firme quanto você puder nesta toalha  recomendou ela. —Já formaram crostas, mas precisam ser abertos, drenados e limpos de forma adequada. Isto vai doer. Por que uma de vocês garotas não ajuda a segurar a mão dele para manter o braço parado?
Elena começou a se levantar, mas Bonnie foi mais rápida do que ela, quase pulando sobre Meredith para pegar as mãos de Matt em suas próprias.
A drenagem e limpeza foram dolorosas, mas Matt conseguiu suportá-las sem fazer um som, até mesmo dando uma espécie de sorriso doentio para Bonnie enquanto sangue e pus escorriam do seu braço. A punção doeu no início, mas tirar a pressão do machucado o fez se sentir bem melhor, e quando as feridas foram drenadas e limpas e depois cobertas com uma compressa fria à base de plantas, ele se sentiu abençoadamente fresco e pronto para se curar corretamente.
Foi enquanto ele tentava agradecer a velha senhora que notou Bonnie olhando para ele. Em particular, para seu pescoço. De repente, ela riu.
 O quê? O que é engraçado?
 O inseto  disse ela.  Deu-lhe um chupão. A menos que você tenha feito outra coisa na noite passada que não nos contou.
Matt podia sentir-se corando enquanto puxava sua gola mais para cima.
 Eu lhes disse tudo, e foi o malach. Ele tinha uma espécie de tentáculo com ventosas ao redor do meu pescoço. Estava tentando me estrangular!
 Eu me lembro agora  disse Bonnie humildemente.  Sinto muito.
A Sra. Flowers tinha uma pomada à base de plantas para a marca que a ventosa havia deixado – e uma para os arranhões nas juntas da mão de Matt.
Depois que havia aplicado a pomada, Matt se sentiu tão bem que era capaz de olhar timidamente para Bonnie, que estava observando-o com grandes olhos castanhos.
 Eu sei, se parece com um chupão. Eu o vi esta manhã no espelho. E tenho outra mais abaixo, mas pelo menos minha gola cobre um deles.
Ele bufou e esticou sua mão por dentro da sua camisa para aplicar mais pomada. As meninas riram – uma liberação da tensão que todos estavam sentindo.
Meredith tinha começado a voltar para a porta estreita que eles tinham atravessado quando saíram do quarto de Stefan, e Matt automaticamente a seguiu.
Ele não percebeu que Elena e Bonnie ficaram para trás até estar no meio da escada, e em seguida, Meredith lhe acenou para que continuasse.
 Elas estão apenas deliberando,  disse Meredith, em sua voz calma, não agitada.
 Sobre mim? — Matt engoliu. — É sobre essa coisa que Elena viu dentro de Damon, certo? O malach invisível. E se eu tenho ou não um dentro de mim agora.
Meredith, nunca minimizando nada, apenas balançou a cabeça. Mas ela colocou a mão brevemente em seu ombro quando entraram no escuro quarto de teto alto.
Pouco depois, Elena e Bonnie subiram, e Matt pôde afirmar de só uma vez pelos rostos delas que o pior cenário não era verdade. Elena viu a sua expressão e imediatamente foi até ele e o abraçou. Bonnie a seguiu, mais timidamente.
 Sente-se bem?  perguntou Elena, e Matt afirmou.
 Eu me sinto bem — Ccomo se tivesse lutado com jacarés, pensou. Nada era mais agradável do que abraçar garotas macias.
 Bem, o consenso é que não tem nada dentro de você que não deveria estar aí. Sua aura é clara e forte, agora que não está com dor.
 Graças a Deus  disse Matt, e ele falava sério.
Foi nesse momento que seu celular tocou. Ele franziu a testa, perplexo com o número apresentado, mas respondeu.
 Matthew Honeycutt?
 Sim.
 Espere, por favor.
Uma nova voz veio:
 Sr. Honeycutt?
 Uh, sim, mas...
 Aqui é Rich Mossberg do Departamento de Polícia de Fell’s Church. Você ligou esta manhã para relatar uma árvore caída no meio da Estrada Old Creek?
 Sim, eu...
 Sr. Honeycutt, nós não gostamos de trotes desse tipo. Nós os desaprovamos, na verdade. Toma-se um tempo valioso de nossos oficiais e, além disso, é crime fazer um relatório falso à polícia. Se eu quisesse, Sr. Honeycutt, poderia fichá-lo por este crime e fazer você responder por ele a um juiz. Não vejo o que você achará de tão divertido nisso.
 Eu não iria – eu não acharia nada divertido nisso! Olha, ontem à noite... — a voz de Matt sumiu. O que poderia dizer? Ontem à noite fui atacado por uma árvore e um inseto monstro? Uma pequena voz dentro dele acrescentou que os oficiais de polícia de Fell’s Church pareciam passar a maior parte de seu valioso tempo andando em volta do DunkinDonuts na praça da cidade, mas as próximas palavras que ouviu o impediram.
 Na verdade, Sr. Honeycutt, sob a autoridade do Código do Estado de Virgínia, Seção 18.2-461, fazer um relatório policial falso é passível de pena como contravenção de Classe 1. Você poderia ter a sorte de passar um ano na prisão ou pagar vinte e cinco mil dólares de multa. Você acha isso divertido, Sr. Honeycutt?
 Olha, eu...
 Você, de fato, tem vinte e cinco mil dólares, o Sr. Honeycutt?
 Não, eu... eu...  Matt esperava ser interrompido e então ele percebeu que não ser ia. Estava navegando em águas desconhecidas. O que diria? O malach tirou a árvore do caminho – ou talvez ela tenha se movido sozinha? Ridículo.
Finalmente, falou em uma voz chiada.
 Lamento que não tenham encontrado a árvore. Talvez... de alguma forma ela tenha sido movida.
 Talvez de alguma forma ela tenha sido movida  o delegado repetiu sem expressão. — Na verdade, talvez de alguma forma ela tenha se movido da estrada, assim como todos os sinais de pare e siga se moveram dos cruzamentos. Isso te lembra alguma coisa, Sr. Honeycutt?
 Não! — Matt sentiu-se enrubescer. — Eu nunca moveria qualquer tipo de sinalização.
Agora as meninas estavam aglomeradas em torno dele, como se pudesse ajudar de alguma forma aparecendo como um grupo. Bonnie gesticulava vigorosamente, e sua expressão indignada deixou claro que ela queria falar com o xerife pessoalmente.
 Na verdade, Sr. Honeycutt, — o xerife Mossberg o cortou — nós ligamos para o telefone da sua casa primeiro, já que foi o telefone que você usou para fazer a denúncia. E sua mãe nos disse que ela não o viu durante a noite passada.
Matt ignorou a pequena voz que queria dizer, “Isso é um crime?”
 Isso foi porque me atrasei...
 Por uma causa de uma árvore que anda, Sr. Honeycutt? Na verdade nós já tvemos outra chamada a respeito da sua casa na noite passada. Um membro da Vigilância do Bairro relatou a respeito de um carro suspeito na frente de sua casa. De acordo com a sua mãe, você recentemente destruiu completamente o seu próprio carro, não é mesmo, Sr. Honeycutt?
Matt pôde ver onde isso estava indo e não gostou.
 Sim  ele ouviu-se dizendo, enquanto sua mente trabalhava desesperadamente por uma explicação plausível. — Eu estava tentando desviar de uma raposa. E...
 No entanto houve um relato de um modelo novo de Jaguar estacionado na frente da sua casa, mas suficientemente longe da rua para ser... imperceptível. Um carro tão novo que ainda não tinha placas de licença. Este era, de fato, seu carro, Sr. Honeycutt?
 Sr. Honeycutt é meu pai!  disse Matt desesperadamente.  Eu sou Matt. E o carro era do meu amigo...
 E o nome do seu amigo é...?
Matt olhou para Elena. Ela estava fazendo gestos de espera, obviamente tentando pensar. Dizer Elena Gilbert seria suicídio. A polícia, de todas as pessoas, sabia que Elena Gilbert estava morta. Agora Elena estava apontando ao redor da sala e dizendo palavras para ele.
Matt fechou os olhos e disse as palavras:
 Stefan Salvatore. Mas ele deu o carro para sua namorada?  Ele sabia que estava terminando sua frase com uma pergunta, mas mal podia acreditar no que Elena estava indicando para ele.
Agora, o xerife estava começando a soar cansado e irritado.
 Está me perguntando isso, Matt? Então você estava dirigindo o carro novo da namorada do seu amigo. E o nome dela é...?
Houve um breve momento, quando as meninas pareciam discordar e Matt pendurado no limbo. Mas, então, Bonnie jogou seus braços para cima e Meredith avançou, apontando para si mesma.
 Meredith Sulez  Matt disse fracamente. Ele ouviu a hesitação de sua própria voz e repetiu, com voz rouca, mas com mais convicção: — Meredith Sulez.
Agora Elena rapidamente cochichava no ouvido de Meredith.
 E o carro foi comprado onde? Sr. Honeycutt?
 Sim  disse Matt.  Só um segundo...
Ele colocou o telefone na mão estendida de Meredith.
 Aqui é Meredith Sulez — Meredith falou sem problemas, no polido e relaxado tom de uma música clássica de um disk jockey.
 Senhora Sulez, você ouviu a conversa até agora?
 Srta. Sulez, por favor, sargento. Sim, eu ouvi.
 Você, de fato, emprestou seu carro para o Sr. Honeycutt?
 Emprestei.
 E onde está o senhor...  houve um arrastar de papel  Stefan Salvatore, o dono original do carro?
Ele não está perguntando a ela onde comprou, Matt pensou. Ele deve saber.
 Meu namorado está longe da cidade neste momento  respondeu Meredith, ainda na mesma voz, refinada, imperturbável. — Eu não sei quando ele vai estar de volta. Quando voltar, devo pedi-lo para falar com você?
 Isso seria sábio — o xerife Mossberg disse secamente. — Nestes dias poucos carros são comprados em dinheiro vivo, especialmente carros novos do modelo Jaguar. Eu gostaria do número de sua carteira de motorista, também. E, na verdade, eu gostaria muito de falar com o Sr. Salvatore quando ele retornar.
 Isso será muito em breve — Meredith respondeu, um pouco devagar, mas seguindo as ordens de Elena. Então, recitou o número de sua carteira de motorista de memória.
 Obrigado  disse o Xerife Mossberg brevemente.  Isso vai ser tudo por...
 Posso apenas dizer uma coisa? Matt Honeycutt nunca, nunca removeria os sinais de trânsito. Ele é um motorista muito consciente e era líder em sua classe do ensino médio. Você pode falar com qualquer um dos professores da escola Robert E. Lee, ou mesmo a diretora, se ela não estiver de férias. Qualquer um deles vai lhe dizer a mesma coisa.
O xerife não parece estar impressionado.
 Você pode dizer-lhe por mim que estarei de olho nele no futuro. Na verdade, talvez seja uma boa ideia ele passar no departamento de polícia hoje ou amanhã — ele falou, e então o telefone ficou mudo.
Matt explodiu:
 Namorada de Stefan? Você, Meredith? E se o negociante do carro disser que a menina era loira? Como é que vamos resolver isso?
 Nós não vamos  disse Elena simplesmente atrás de Meredith. — Damon vai. Tudo o que temos a fazer é encontrá-lo. Tenho certeza de que ele pode cuidar do xerife Mossberg com um pequeno controle mental – se o preço for justo. E não se preocupem comigo  disse ela suavemente.  Você está franzindo a testa, mas tudo vai ficar bem.
 Você acredita mesmo nisso?
 Eu tenho certeza — Elena deu-lhe outro abraço e um beijo na bochecha.
 Eu tenho que passar no departamento do xerife, hoje ou amanhã, no entanto.
 Mas não estará sozinho! — Bonnie disse, e seus olhos estavam brilhando com indignação. — E quando Damon for com você, o xerife Mossburguer vai acabar se tornando o seu melhor amigo.
 Tudo bem  Meredith falou.  Então o que vamos fazer hoje?
 O problema  Elena se virou, batendo um dedo contra o lábio superior — é que temos muitos problemas de uma vez e não quero que ninguém – e eu digo ninguém – saia sozinho. É claro que existem malachs na floresta, e que eles estão tentando fazer coisas ruins conosco. Matar-nos, por exemplo.
Matt regozijou-se no alívio caloroso de credibilidade. A conversa com o xerife Mossberg o abalara mais do que ele queria mostrar.
 Então vamos formar grupos de trabalho — Meredith disse — e dividiremos as tarefas entre eles. Quais os problemas que precisamos cuidar?
Elena listou os problemas com os dedos.
 Um problema é Caroline. Eu realmente acho que alguém deve tentar vê-la, pelo menos tentar descobrir se ela tem uma dessas coisas dentro dela. Outro problema é Tamra – e quem sabe quem mais? Se Caroline é... contagiosa de alguma forma, poderia ter espalhado isso para outra menina – ou rapaz.
 Tudo bem  concordou Meredith,  e o que mais?
 Alguém precisa entrar em contato com Damon. Tentar descobrir com ele qualquer coisa que ele saiba sobre a partida de Stefan, e também tentar convencê-lo a ir para a delegacia influenciar o xerife Mossberg.
 Bem, é melhor você estar na última equipe, já que é provavelmente a única com quem Damon queira falar  apontou Meredith.  E Bonnie deve ir neste também, para que ela possa manter...
 Não. Nada de Chamados hoje  declarou Bonnie.  Eu sinto muito, Elena, mas simplesmente não posso, não sem um dia de descanso entre eles. E, além disso, se Damon quer falar com você, tudo o que você precisa fazer é andar – não entrar na floresta, mas próximo dela – e chamá-lo você mesma. Ele sabe tudo o que está acontecendo. Ele saberá que você está lá.
 Então eu deveria ir com Elena — Matt argumentou. — Até por que o xerife é problema meu. E eu gostaria de ir até o lugar onde vi as árvores...
Imediatamente, houve um protesto de todas as meninas.
 Eu disse que gostaria  disse Matt.  Não que deveríamos planejar isso. Isso é um ponto que sabemos que é muito perigoso.
 Certo — Elena falou.  Então Bonnie e Meredith vão visitar Caroline, e você e eu procuraremos Damon, tudo bem? Eu preferiria procurar Stefan, mas simplesmente não temos informações suficientes ainda.
 Certo, mas antes de irmos, talvez pudéssemos parar na casa de Jim Bryce. Matt tem uma desculpa para parar lá a qualquer momento – ele conhece Jim. E você pode verificar o progresso de Tamra dessa forma — Meredith sugeriu.
 Isso soa como os planos A, B e C,  disse Elena e, em seguida, espontaneamente, todos riram.
Era um dia claro, com um sol quente brilhando no céu. À luz do sol, apesar do pequeno aborrecimento com a ligação do xerife Mossberg, todos se sentiam fortes e capazes.
Nenhum deles tinha qualquer ideia de que estavam prestes a entrar no pior pesadelo de suas vidas.


Bonnie ficou para trás enquanto Meredith batia na porta da frente da casa dos Forbes.
Depois de um tempo sem resposta e silêncio no interior, Meredith bateu novamente. Desta vez, Bonnie podia ouvir sussurros e a Sra. Forbes assobiando alguma coisa, e a risada distante de Caroline.
Finalmente, no momento em que Meredith estava prestes a tocar a campainha – a maior falta de educação entre os vizinhos em Fell’s Church – a porta se abriu. Bonnie primorosamente escorregou um pé para dentro, impedindo a porta de fechar novamente.
 Olá, Sra. Forbes. Nós apenas... — Meredith vacilou. — Nós só queríamos ver se Caroline está melhor — ela terminou em um som estridente.
A Sra. Forbes olhou como se tivesse visto um fantasma – e tivesse passado a noite toda pensando nele.
 Não, ela não está. Nada melhor. Ela ainda está... doente.  A voz da mulher era oca, distante e os olhos estavam no chão observando o lugar onde estava o pé direito de Bonnie. Bonnie sentiu os pelos finos em seus braços e da parte de trás do seu pescoço ficar em pé.
 Ok, Sra. Forbes. — Até mesmo Meredith soava falsa e oca.
Então, de repente alguém disse: 
 Você está bem? — e Bonnie percebeu que era a sua própria voz.
 Caroline... não está bem. Ela... não está recebendo ninguém — sussurrou a mulher.
Um iceberg pareceu deslizar para baixo na coluna de Bonnie. Ela queria virar e correr dessa casa e de sua aura de maldade. Mas naquele momento, a Sra. Forbes de repente caiu. Meredith mal foi capaz de frear sua queda.
 Ela desmaiou  Meredith disse laconicamente.
Bonnie queria dizer: “Bem, coloque-a lá dentro no tapete e corra!” Mas elas dificilmente poderiam fazer isso.
 Temos que levá-la para dentro, Meredith afirmou categoricamente.  Bonnie, você está pronta para ir?
 Não  Bonnie respondeu categoricamente também — mas que escolha temos?
A Sra. Forbes era pequena, mas pesada. Bonnie controlou seus pés e seguiu Meredith, passo a passo relutante, para dentro da casa.
 Vamos colocá-la em sua cama  disse Meredith. Sua voz era trêmula. Havia algo na casa que era terrivelmente perturbador – como se ondas de pressão estivessem sendo comprimidas sobre elas.
E então Bonnie viu. Apenas um vislumbre quando entraram na sala. Foi no corredor, e poderia ter sido um jogo de luz e sombra lá, mas o que ela viu parecia uma pessoa. Uma pessoa movendo-se como um lagarto – mas não no chão. No teto.

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