29 de novembro de 2015

Capítulo 17

Meredith e Matt estavam sentados na mesa de café da manhã, que parecia bem vazia sem Bonnie. Era incrível como um corpinho como ele parecia preencher tanto espaço, e como todos ficavam mais sérios sem sua presença. Meredith sabia que se Elena tivesse se empenhado mais, poderia ter resolvido isso. Mas também sabia que Elena tinha outra coisa em sua mente, que estava acima de tudo, e essa coisa era Stefan, quem se sentia culpado por ter deixado seu irmão ter levado Bonnie consigo. Entretanto, Meredith também sabia que tanto ela quanto Matt estavam se sentindo culpados também, porque hoje eles estariam deixando a pensão, mesmo que fosse só à noite. Cada um fora convocado pelos seus pais para estarem em casa na hora do jantar.
A Sra. Flowers claramente não queria que se sentissem tristes.
— Com toda a ajuda que me deram, eu poderei fazer nossos jarros. — Ela disse. — Já que Matt achou a parafernália...
— Na verdade, eu não a achei. — Matt disse baixinho. — Ela estava na dispensa o tempo todo e caiu em cima de mim.
—… E como Meredith recebeu as fotos... Junto, eu presumo, com um e-mail do Sr. Saltzman... Talvez ela possa dar zoom nelas ou algo assim.
— Claro; e mostrá-las para as Saitou, também, para termos certeza de que os símbolos significam aquilo de que precisamos. — Meredith prometeu. — E Bonnie pode...
Ela parou no meio da frase.
Idiota! Ela era uma idiota, pensou. E como uma Caçadora, devia ter a mente fresca e sempre manter o controle.
Ela se sentiu horrível quando olhou para Matt e viu que o medo estava presente em seu rosto.
— A amada Bonnie estará logo, logo em casa. — A Sra. Flowers terminou por ela.
E todos sabemos que isso é uma mentira, e não tenho que ser psíquica para detectar isso, Meredith pensou.
Ela percebeu que a Sra. Flowers ainda não havia dito nada como porta-voz de Mama.
— Nós ficaremos a salvo aqui. — Elena disse, finalmente pegando a deixa ao perceber que a Sra. Flowers a olhava com um olhar de angústia. — Vocês dois pensam que somos dois bebezinhos que precisam de cuidados. — Ela disse, sorrindo para Matt e Meredith. — Mas vocês também são! Vazem daqui! Mas tenham cuidado.
Eles se foram, Meredith dando a Elena uma última olhadela. Elena concordou com a cabeça levemente, então se virou bruscamente, como se estivesse segurando uma baioneta. Ela estava em posição de guarda.
Elena deixou Stefan ajudá-la a lavar a louça — todos o deixavam fazer pequenas coisas agora que ele parecia bem melhor. Gastaram a manhã toda tentando entrar em contato com Bonnie, de formas diferentes. Mas então, a Sra. Flowers pediu à Elena se ela poderia pregar as últimas tábuas das janelas do porão, e Stefan não se conteve. Matt e Meredith haviam feito, até agora, coisas bem perigosas.
Eles penduraram duas lonas na viga da casa, cada uma pendurada de um lado de telhado principal. Em cada lona estavam os caracteres que a mãe de Isobel havia colocado em Post-It e lhes dado, escritas em letras grandes e escuras. Stefan fora permitido apenas olhar e dar sugestões pela janela de seu quarto no sótão. Mas agora...
— Pregaremos essas tábuas juntos. — Ele disse firmemente, e saiu para pegar um martelo e pregos.
Não era um trabalho difícil, afinal. Ela segurou os pregos e Stefan manejou o martelo, e ela esperou que ele não acertasse seus dedos, o que significa que eles rapidamente terminariam o serviço.
Era um dia perfeito, limpo, ensolarado, com uma leve brisa. Elena se perguntou o que estaria acontecendo com Bonnie, neste momento, e se Damon estava cuidando dela apropriadamente — ou dando ao menos algum cuidado. Ela parecia ser incapaz de esquecer seus problemas ultimamente: sobre Stefan, Bonnie e até mesmo sobre a cidade. Talvez se ela fugisse...
Por Deus, não! Stefan disse em sua mente.
Quando virou-se, ele estava cuspindo prego e parecia tanto horrorizado quanto envergonhado. Pelo visto, ela esteve conjurando seus pensamentos.
— Sinto muito. — Ele disse antes que Elena pudesse tirar os pregos de sua própria boca. — Mas você sabe melhor do que ninguém o porquê de não poder partir.
— Mas é irritante não saber o que está acontecendo. — Elena disse, depois de ter se livrado de seus pregos. — Não sabemos de nada. O que é que está acontecendo com Bonnie, qual o estado de nossa cidade...
— Vamos terminar isso aqui. — Stefan disse. — E então, deixe-me te abraçar.
Quando terminaram de pregar as tábuas, Stefan ergueu-a, não ao estilo de uma noiva, mas sim ao estilo de uma criança, colocando os dedos do pé dela em cima de seus pés. Dançaram um pouco, rodopiando algumas vezes, e então voltando ao normal novamente.
— Eu conheço o seu problema. — Ele disse sobriamente.
Elena olhou para cima rapidamente.
— Conhece? — Ela disse, alarmada.
Stefan balançou a cabeça, e disse:
— É excesso de amor. Significa que a paciente tem muitas pessoas com que se preocupar, e não fica feliz enquanto cada um deles esteja são e salvo.
Elena deliberadamente saiu de cima de seus pés e olhou para ele.
— Alguns mais do que outros. — Ela disse hesitantemente.
Stefan olhou para ela e segurou seus braços.
— Eu não sou tão bom quanto você. — Ele disse enquanto o coração de Elena batia com vergonha e remorso por já ter tocado em Damon, por ter dançado com ele, por tê-lo beijado. — Se você estiver feliz, é tudo o que eu quero, principalmente depois do que aconteceu naquela prisão. Posso viver; posso morrer... Pacificamente.
— Se nós estivermos felizes. — Elena corrigiu.
— Não vou deixar isso nas mãos dos deuses. Deixarei você decidir.
— Não, você não pode fazer isso! Não entende? Se você desaparecesse novamente, eu me preocuparia demais e o seguiria. Até o Inferno, se fosse preciso.
 — Levarei você comigo onde quer que eu vá. — Stefan disse apressadamente. — Se você fizer o mesmo.
Elena relaxou um pouco. Era isso o que ela poderia fazer, por enquanto. Enquanto Stefan estivesse com ela, poderia suportar qualquer coisa.
Eles se sentaram abraçados, embaixo do céu azul, próximos a um bordo e lindas faias que pareciam estar acenando. Ela estendeu sua aura um pouquinho e sentiu tocar a de Stefan. Paz começou a preenchê-la, e todos os pensamentos sombrios ficaram para trás.
Quase todos.
— Desde a primeira vez que te vi, eu te amei... Mas era um amor errado. Sabe quanto tempo demorei para descobrir isso? — Elena sussurrou no oco de sua garganta.
— Desde a primeira vez que te vi, eu te amei... Mas eu não sabia quem você era. Você parecia um fantasma de um sonho. Mas me pôs no caminho certo rapidamente. — Stefan disse, obviamente feliz por poder gabar-se sobre ela. — E nós sobrevivemos... A tudo. Eles dizem que relacionamentos à longa distância podem ser bem difíceis. — Ele disse, rindo, e então parou, colocando toda a sua atenção nela, parando de respirar para poder ouvi-la melhor.
— Mas então, aconteceu aquilo com Bonnie e Damon. — Ele disse antes que ela pudesse pensar ou dizer alguma coisa. — Temos que encontrá-los logo... E eles ficarão bem, desde que fiquem juntos… Ou que essa seja a escolha de Bonnie.
— Tem esse lance da Bonnie e do Damon.— Concordou Elena, feliz por poder compartilhar seus pensamentos sombrios com alguém. — Eu nem consigo pensar neles. Não posso pensar neles. Temos que encontrá-los, rapidamente... Mas rezo para queestejam com Lady Ulma neste momento. Talvez Bonnie esteja indo para um baile ou uma festa. Talvez Damon esteja caçando enquanto conversamos.
— Desde que ninguém se machuque.
— Sim. — Elena tentou ficar mais perto de Stefan. Ela queria... Se aproximar ainda mais dele, de alguma forma. Daquele jeito que estavam quando ela esteve fora de seu corpo e pôde afundar-se nele.
Mas é claro, com corpos normais, eles não podiam...
Mas é claro que podiam. Agora. Com seu sangue...
Elena não soube qual deles pensou nisso primeiro. Ela olhou para longe, envergonhada por ter pensado nisso — e percebeu que Stefan também estava com o olhar distante também.
— Acho que não temos o direito — Ela sussurrou. — de sermos... Felizes... Quando todos estão extremamente infelizes. Temos que fazer coisas pela cidade, e pela Bonnie.
— Claro que não temos. — Stefan disse firmemente, mas ele teve que engolir em seco primeiro.
— Não. — Elena disse.
— Não. — Stefan disse firmemente, e então, bem no meio deste eco de “nãos”, ele a puxou para mais perto e a beijou, sem fôlego.
E é claro, Elena não podia deixá-lo fazer isso, mesmo ela querendo muito.
Assim, ela mandou, ainda sem fôlego, mas quase com raiva, que ele dissesse “não” novamente, e quando ele disse, ela o segurou e o beijou.
— Você estava feliz. — Ela acusou momentos depois. — Eu senti.
Stefan era cavalheiro demais para acusá-la de estar feliz por qualquer coisa que ela tenha feito. Ele disse:
— Não pude evitar. Aconteceu naturalmente. Senti nossas mentes juntas, e isso me fez ficar feliz. Mas então lembrei da pobrezinha da Bonnie. E...
— Do pobrezinho do Damon?
— Bem, não precisamos ir tão longe assim para chamá-lo de “pobrezinho”. Mas me lembrei dele, sim. — Ele disse.
— Tudo bem. — Elena disse.
— É melhor nós entrarmos.
E então, apressadamente, ele disse:
— Quer dizer, primeiro, vamos descer daqui. Talvez possamos pensar em algo a mais para se fazer por eles.
— Como o quê ? Não há nada que eu possa pensar. Eu tentei meditar e Entrar em Contato via Experiência Fora do Corpo...
— Desde às nove e meia até às dez e meia da manhã. — Stefan disse. — Neste meio tempo, estive tentando todas as frequências telepáticas possíveis. Sem resposta.
— Então, tentamos com uma mesa Ouija.
— Por quase uma hora... Tudo que obtivemos não faziam sentido.
— Ela nos disse que o barro estava chegando.
— Eu acho que aquilo estava me direcionando para o “sim”.
— Então eu tentei entrar em contato com as linhas de Poder que cercam Fell’s Church...
— Das onze até às onze e meia, mais ou menos. — Stefan recitou. — Enquanto eu tentei hibernar para ter um sonho profético...
— Realmente, nós tentamos bastante. — Elena disse severamente.
— E então pregamos os últimos pregos do telhado. — Stefan adicionou. — O que nós trás aqui, pouco mais de meia- noite e meia.
— Você consegue pensar em algum Plano… Devemos estar no G ou H agora... Que nos permita ajudá-los?
— Não, eu não consigo. — Stefan disse.
Então, ele adicionou, hesitantemente:
— Talvez a Sra. Flowers tenha algum serviço doméstico para nós. Ou — Ainda mais exitante, experimentando o terreno — podemos ir até a cidade.
— Não! Não somos fortes o bastante para isso!— Elena disse rispidamente. — E não há mais nenhum serviço doméstico. — Ela adicionou.
Então, jogou tudo ao vento.
Todas as responsabilidades. Toda a racionalidade. Bem assim, desse jeito. Ela começou a rebocar Stefan para dentro de casa, assim eles chegariam mais rápido.
— Elena...
Estou esquecendo um pouco dos outros! Ela disse teimosamente, e de repente não se importava mais.
E se Stefan se importasse, ela o morderia. Mas então, como se um feitiço a atingisse, ela sentiu que morreria sem o seu toque. Queria tocá-lo. Queria que ele a tocasse. Queria ele fosse seu companheiro.
— Elena! — Stefan pôde ouvir o que ela estava pensando.
Stefan era um intrometido, é claro, Elena pensou. Stefan fora um. Mas como ele ousava se intrometer nisto ?
Ela virou-se para encará-lo, com os olhos em chamas.
— Você não me quer!
— Não quero que você faça isso e então descubra que eu a estive Influenciando.
— Você esteve me Influenciando? — Ela gritou.
Stefan ergueu suas mãos para o alto e gritou:
— Como eu posso saber quando eu a desejo tanto?
Ah. Bem, assim estava melhor.
Houve um pequeno brilho no canto do olho de Elena e ela percebeu que a Sra. Flowers havia fechando uma janela silenciosamente.
Elena lançou uma olhadela para Stefan. Ele estava tentando não corar. Ela tentava fazer o mesmo, e tentava também não rir. Então, subiu em seus pés novamente.
— Talvez mereçamos uma hora a sós. — Disse perigosamente.
— Uma hora inteira? — O sussurro de Stefan fez parecer com que uma hora fosse uma eternidade.
— Nós merecemos. — Elena disse, encantada.
Ela começou a rebocá-lo novamente.
— Não. — Stefan a puxou de volta, erguendo-a ao estilo de noiva e então estavam subindo, bem rapidamente.
Eles subiram três andares e um pouquinho mais e pararam na sacada de seu quarto.
— Mas está trancada por dentro...
Stefan deu um pisão na janela com força. A porta desapareceu.
Elena estava impressionada.
Eles desceram para o quarto de Stefan no meio de um feixe de luz e partículas de pó que pareciam vagalumes e estrelas.
— Estou um pouco nervosa. — Elena disse.
Ela descalçou as sandálias e despiu seus jeans e seu top, indo logo em seguida para a cama... Somente para encontrar Stefan já lá.
Eles são rápidos, ela pensou. Mais rápidos do que você pensa, sempre bem mais rápidos.
Ela virou-se para Stefan na cama. Estava usando uma camisola e uma calcinha. E estava com medo.
— Não tenha. — Ele disse. — Eu nem ao menos preciso te morder.
— Faça isso. Só temo por causa desse lance estranho do meu sangue.
— Ah, sim. — Ele disse, como se tivesse esquecido.
Elena poderia apostar que ele não havia esquecido uma palavra a respeito de seu sangue... Que permitia que os vampiros fizessem coisas que eles jamais imaginariam.
Eles são espertos, pensou.
— Stefan, as coisas não deviam ser assim! Eu devia estar desfilando na sua frente com um lingerie dourado desenhado por Lady Ulma, com joias de ouro feitas por Lucen... No qual, não possuo nenhum dos dois. E devia haver pétalas de rosa espalhadas pela cama e pequenas velas de baunilha sobre tigelas pequenas.
— Elena — Stefan disse. —, vem cá.
Ela foi para o seu braço, e respirou seu aroma natural, quente e picante, com um pequeno traço de prego enferrujado.
Você é minha vida, Stefan disse silenciosamente. Não iremos fazer nada esta noite. Mas não temos muito tempo, e você merece a lingerie dourada, as rosas e as velas. Se não for feito por Lady Ulma, que seja pelo estilista mais famoso da Terra, no qual o dinheiro pode providenciar. Mas, por enquanto... Me beija?
Elena o beijou com vontade, feliz por ele querer esperar.
O beijo foi quente e reconfortante e ela não se importou com o leve gosto de ferrugem. Era maravilhoso estar com alguém que providenciava exatamente aquilo que ela precisava, mesmo que fosse via pensamento, mas que a fazia se sentir segura...
E então, uma energia os atingiu. Parecia vir de ambos ao mesmo tempo, e em seguida, involuntariamente, Elena apertou os dentes nos lábios de Stefan, tirando-lhe sangue.
Stefan colocou seus braços em volta dela, e mal esperou que ela se afastasse um pouco antes de tomar-lhe seu lábio inferior com seus próprios dentes e... Depois de um momento de tensão que parecia durar uma eternidade... Mordê-lo com força.
Elena quase chorou. Quase que soltou suas Asas da Destruição em cima dele. Mas duas coisas a pararam. A primeira, Stefan nunca, jamais tinha machucado-a antes. E segunda, ela estava começando a mergulhar em algo antigo e místico que não podia parar agora.
Um minuto depois, Stefan tinha duas feridas alinhadas. Sangue saía dos lábios de Elena, em conexão direta com as feridas menos sérias de Stefan, causando um refluxo. Seu sangue indo até os lábios dele.
E então, o mesmo aconteceu com o sangue de Stefan; um pouco dele, rico em Poder, correu para Elena.
Não era perfeito. Uma gota de sangue ficara brilhando nos lábios de Elena. Mas Elena nem ao menos se importou. Um momento mais tarde, a gota foi para a boca de Stefan e ela sentiu com toda a certeza o quanto ele a amava.
Ela se concentrava neste pequeno sentimento, que vivia dentro daquela tempestade que estavam vivenciando. Esse tipo de troca de sangue — ela tinha certeza disso — era do modo antigo, onde dois vampiros pudessem compartilhar sangue, amor e suas almas. Ela estava começando a mergulhar na mente de Stefan. Sentiu sua alma, pura e livre, turbilhando ao seu redor com milhões de emoções diferente, lágrimas do passado, alegria do presente, todas abertas sem nenhum constrangimento para ela.
Ela sentiu a própria alma neste encontro, nem tão brilhante, mas sem medo. Stefan, há muito tempo atrás, viu egoísmo, vaidade e ambição nela — mas perdoou tudo. Ele havia visto todas as suas faces, e a amava completamente, mesmo com esses lados ruins.
E assim que ela o viu, toda a escuridão, ternura, quietude, gentileza e por aí vai, se projetou como asas negras protetoras ao seu redor...
Stefan, eu...
Amor... Eu sei …
Foi quando alguém bateu na porta.

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