26 de novembro de 2015

Capítulo 17

 O nome dela é Ulma — disse uma voz que fez Elena olhar para baixo e avistar Lakshmi puxando as cortinas da liteira, colocando a mão na cabeça da mulher. — Todo mundo conhece o Velho Drohzne e seus escravos. Ele bate neles até que desmaiem, então espera que peguem o riquixá e saiam levando uma carga. Ele mata cinco ou seis por ano.
— Esta ele não conseguiu matar — murmurou Elena. — Teve o que mereceu. — Ela apertou a mão de Ulma.
Elena ficou imensamente aliviada quando a liteira parou e Damon apareceu, no momento em que ela estava prestes a negociar com um dos carregadores para levar Ulma nos braços até o médico. Sem ligar para a própria roupa, Damon ainda conseguira, de alguma forma, transmitir desinteresse enquanto pegava a mulher — Ulma — e assentia para Elena segui-lo. Lakshmi pulava em volta dele e caminhou na frente, entrando em um pátio de pedra de desenho intrincado, descendo um corredor enviesado com algumas portas sólidas, de aparência respeitável. Por fim, bateu em uma porta e um homem enrugado, com uma cabeça imensa e o mais leve vestígio de barba, abriu-a com cautela.
— Não tenho nenhum ketterris aqui! Nem hexen, nem zemeral! E não gosto de feitiços! — Depois, espiando, com os olhos meio fechados, como se fosse míope, ele pareceu focalizar no pequeno grupo.
— Lakshmi? — disse ele.
— Trouxemos uma mulher que precisa de ajuda — disse Elena pidamente. — E que está grávida. O senhor é médico, não é? Um curandeiro?
— Um curandeiro de capacidade um tanto limitada. Entrem, entrem.
O médico se apressava para uma sala dos fundos. Todos o seguiram, Damon ainda carregando Ulma. Depois de entrar, Elena viu que o curandeiro estava no canto do que parecia um santuário mágico, onde havia vodu e bruxaria de médico.
Elena, Meredith e Bonnie se olharam, nervosas, mas Elena ouviu um barulho de água e percebeu que o médico estava no canto porque havia uma bacia de água ali, onde lavava bem as mãos, enrolando as mangas até os cotovelos e fazendo bastante espuma. Ele podia se considerar "curandeiro", mas entendia os princípios básicos da higiene, pensou Elena.
Damon colocara Ulma no que parecia uma mesa de exames, forrada com um lençol branco e limpo. O médico assentiu para ele. Depois, com um muxoxo, puxou uma bandeja de instrumentos e mandou que Lakshmi pegasse panos para limpar os cortes e estancar o sangue. Também abriu várias gavetas de onde tirou alguns sacos de cheiro forte e subiu numa escada para pegar molhos de ervas medicinais que pendiam do teto. Por fim abriu uma pequena caixa e se serviu de um pouco de rapé.
— Rápido, por favor — disse Elena. — Ela perdeu muito sangue.
— E você não, né? — disse o homem. — Meu nome é Kephar Meggar... E esta é escrava do chefe Drohzne, não? — Ele os olhou como alguém que usava óculos, mas no momento não os tinha. — Vocês também devem ser escravas, não? — Ele olhou a corda que Elena ainda trazia, depois virou-se para Bonnie e Meredith, uma delas com uma corda igual.
— Sim, mas... — Elena parou. Ela era a invasora. Quase disse: "mas não de verdade; apenas para cumprir com as convenções". Em vez disso, contentou-se em dizer: — Mas nosso amo é muito diferente do dela. — Eles eram realmente muito diferentes, pensou Elena. Para começar, Damon não tinha o pescoço quebrado. E depois, por mais cruel e mortal que pudesse ser, ele jamais bateria numa mulher, muito menos faria algo como o que aquele homem fez a Ulma. Ele parecia ter uma espécie de bloqueio interno contra isso — a não ser quando estava possuído por Shinichi e não conseguia controlar os próprios músculos.
— E no entanto Drohzne permitiu que trouxessem esta mulher a um curandeiro? — O homenzinho estava cheio de suspeitas.
— Não, ele não nos deixaria fazer isso, disso eu tenho certeza — disse Elena categoricamente. — Mas por favor... Ela está sangrando e vai ter um bebê...
As sobrancelhas do Dr. Meggar subiram e desceram. Mas sem pedir a ninguém para sair enquanto a tratava, ele pegou um estetoscópio antiquado e auscultou atentamente o coração e os pulmões de Ulma. Cheirou seu hálito, depois gentilmente apalpou seu abdome abaixo da combinação ensanguentada de Elena, tudo com um ar extremamente profissional. Depois colocou uma garrafa marrom nos lábios da mulher, da qual ela tomou alguns goles, e então afundou de novo, de olhos fechados, respirando lentamente.
— Agora — disse o homenzinho — ela vai descansar confortavelmente. Precisará de muitas suturas, assim como você, mas imagino que só se o seu amo quiser. — O Dr. Meggar disse a palavra 'amo' com uma implicação clara de antipatia. — Mas posso praticamente garantir que ela não morrerá. Quanto ao bebê, eu já não sei. Pode nascer marcado como resultado do que acabou de acontecer... Marcas de nascença, talvez... Ou pode ter uma saúde perfeita. Mas com boa alimentação e repouso — as sobrancelhas do Dr. Meggar subiram e desceram novamente, como se o médico quisesse dizer isso na cara do senhor Drohzne —, ela vai se recuperar.
 Cuide de Elena primeiro, então — disse Damon.
— Não, não! — disse Elena, empurrando o médico. Ele parecia um bom homem, mas obviamente, por aqui, os senhores eram os senhores, e Damon era mais senhorial e intimidador do que a maioria.
Mas não neste momento, para Elena. Ela não se importava consigo mesma. Fez uma promessa — as palavras do médico implicavam que ela podia cumpri-la. Era com isso que se importava.
Subindo e descendo diversas vezes, as sobrancelhas do Dr. Meggar pareciam duas lagartas em uma corda elástica. Uma se atrasava um pouco em relação à outra. Não havia dúvida de que o comportamento que ele via era anormal, inclusive passível de ser seriamente punido. Mas Elena só o percebia perifericamente, assim como notava a presença de Damon.
— Ajude-a — disse ela com veemência; e viu as sobrancelhas do médico subirem como se ele mirasse o teto.
Ela deixou sua aura escapar. Não inteiramente, graças a Deus, mas sem dúvida descarregara uma onda, como um clarão de raio na sala.
E o médico, que não era vampiro, apenas um cidadão comum percebeu. Lakshmi percebeu; até Ulma se agitou na mesa de exames, inquieta.
Terei que ser muito mais cuidadosa, pensou Elena. Ela lançou um rápido olhar a Damon, que estava prestes a explodir — ela tinha certeza disso.
Emoções demais, sangue demais na sala e a adrenalina de matar ainda pulsavam em sua corrente sanguínea.
Como Elena sabia disso tudo?
Porque Damon também não estava completamente controlado, percebeu Elena. Ela sentia coisas diretamente da mente dele. Era melhor tirá-lo dali, e bem rápido.
— Vamos esperar lá fora — disse ela, pegando o braço de Damon, para choque evidente do Dr. Meggar. As escravas, mesmo as bonitas, não agiam dessa maneira.
— Esperem no pátio, então — disse o médico, controlando cuidadosamente seu rosto para não se dirigir especialmente a Elena.  Lakshmi, dê umas ataduras para que eles possam estancar o sangramento da jovem. Depois volte; vou precisar de sua ajuda.
— Só uma pergunta — acrescentou ele enquanto Elena e outros saíam da sala. — Como você sabe que esta mulher grávida? Que tipo de feitiço pode afirmar isso?
— Não é feitiço — respondeu Elena. — Qualquer mulher que a visse saberia. — Ela viu Bonnie lhe lançar um olhar ofendido mas Meredith continuou inescrutável.
— Aquele escravagista horrível... Drogsie... sei lá o nome dele... a estava chicoteando perto do abdome — disse Elena. — E veja esses cortes. — Ela estremeceu, olhando dois rasgos que atravessavam o esterno de Ulma. — Qualquer mulher tentaria proteger os seios, mas ela tentava cobrir a barriga. Isso quer dizer que está grávida, e há tempo suficiente para saber disso.
As sobrancelhas do Dr. Meggar desceram, depois ele olhou para Elena, como se espiasse por cima dos óculos, e assentiu devagar.
— Pegue as ataduras e estanque o sangramento — disse ele a Elena, não a Damon. Ao que parecia, escrava ou não, ela havia conquistado o respeito dele.
Por outro lado, Elena parecia ter perdido pontos com Damon — ou, pelo menos, ele desligou sua mente da dela muito deliberadamente, deixando-a de frente para um muro branco. Na sala de espera do médico, ele acenou imperiosamente para Bonnie e Meredith.
— Esperem nesta sala — disse ele, ou melhor, ordenou. — Não saiam antes que o médico venha. Não deixem ninguém entrar pela porta da frente... Tranquem-na agora e a mantenham fechada. Elena virá comigo até a cozinha... Pela porta de trás. Não quero ser incomodado por ninguém, a não ser que uma multidão furiosa ameace incendiar a casa, entenderam? As duas?
Elena podia ver Bonnie prestes a explodir, ― Mas Elena ainda está sangrando!  e os olhos e a testa de Meredith indicavam que estava avaliando se deviam acionar recursos da irmandade velociraptor. Todas sabiam que o Plano A era este: Bonnie se atiraria braços de Damon, chorando copiosamente ou beijando-o com paixão, o que mais combinasse com a situação, enquanto Elena e Meredith se aproximavam pelo lado e... Bom, faziam o que devia ser feito.
Elena, com um olhar sério, vetou categoricamente isto. Era verdade que Damon estava furioso, mas ela podia sentir que era mais com Drohzne do que com ela. O sangue o agitara, sim, mas ele estava acostumado a manter o controle em situações sangrentas. E ela precisava de alguém para ajudá-la a cuidar dos ferimentos, que começaram a doer muito, desde que ouvira que a mulher que tinha resgatado viveria e que até poderia ter o bebê. Mas se Damon estava pensando em alguma coisa, ela queria saber o que era... agora. Com um último olhar reconfortante para Bonnie, Elena seguiu Damon pela porta da cozinha. Havia uma tranca. Damon olhou para ela e abriu a boca; Elena a fechou. Depois olhou para seu amo.
Ele estava parado junto à pia, bombeando água metodicamente, com uma das mãos na testa. O cabelo caía nos olhos e a água espirrava nele, molhando-o todo, mas ele não pareceu se importar.
— Damon? — disse Elena, insegura. — Você está... bem?
Ele não respondeu.
Damon?, tentou telepaticamente.
Eu deixei que você se ferisse. Sou bem rápido, podia ter matado aquele cretino do Drohzne com apenas um golpe de Poder. Mas não imaginava que você poderia se machucar.
Sua voz telepática era ao mesmo tempo cheia do tipo mais sombrio de ameaça que podia existir e uma calma estranha, quase gentil. Como se ele tentasse manter toda a ferocidade e raiva longe dela.
Eu nem mesmo disse a ele... Nem mesmo lhe enviei palavras para dizer o que ele era. Não conseguia pensar. Ele era telepata; teria me ouvido. Mas eu não tinha o que dizer. Só consegui gritar... Em minha mente.
Elena ficou meio tonta — um pouco mais tonta do que já estava. Damon estava angustiado desse jeito... por causa dela? Ele não estava irritado porque ela quebrava todas as regras na frente de uma multidão, talvez estragando seu disfarce? Ele não se importava por ter sido difamado?
— Damon — disse ela. Ele se surpreendeu quando ela falou em voz alta.
— Isso... Isso... não importa. Não é culpa sua. Você jamais teria me deixado fazer...
— Mas eu devia saber que você não pediria! Pensei que você ia atacá-lo, pular nos ombros dele e montar no homem, e estava pronto para ajudá-la nisso, a derrubá-lo como se fôssemos dois lobos pegando um alce. Mas você não é uma espada, Elena. Pense o que quiser, mas você é um escudo. Eu devia saber que você mesma levaria o golpe seguinte. E por minha causa, você recebeu... — Seus olhos vagaram para o rosto de Elena e ele estremeceu. Depois pareceu se recompor um pouco.
— A água está fria, mas é pura. Precisamos limpar esses cortes e estancar o sangramento agora.
— Será que tem algum Black Magic por aqui? — disse Elena, meio de brincadeira. Aquilo ia doer.
Damon, porém, imediatamente começou a abrir armários.
— Tome — disse ele, depois de vasculhar em apenas três, ergendo triunfante uma garrafa de Black Magic pela metade. — Muitos médicos usam isso como remédio e anestésico. Não se preocupe; vou pagar bem por isso.
 Então acho que devia tomar também — disse Elena com ousadia. — Vamos, vai fazer bem a nós dois. E não seria a primeira vez.
Ela sabia que a última frase afetaria Damon. Seria uma forma de recuperar parte do que Shinichi tirara dele.
Ainda não sei como, mas vou recuperar todas as lembranças que Shinichi tirou de Damon, decidiu Elena, fazendo o máximo para esconder seus pensamentos dele com ruído branco. Não sei como, e não sei quando terei essa chance, mas eu juro que vou. Eu juro.
Danon encheu duas taças com o vinho encorpado e de cheiro inebriante e entregou uma a Elena.
 Comece bebericando — disse ele, cedendo ao papel de instrutor — É de uma boa safra.
Elena bebericou, em seguida bebeu o restante de uma só vez. Estava com sede e o vinho Clarion Loess Black Magic não tinha álcool algum.
Certamente o sabor não era de vinho comum. Tinha gosto de uma água de fonte extraordinariamente refrescante e efervescente, aromatizada com uvas doces, escuras e aveludadas.
Damon, pelo que Elena percebeu, também se esquecera de bebericar. E ela aceitou de bom grado quando ele lhe ofereceu uma segunda taça para acompanhá-lo.
A aura de Damon havia se acalmado muito, pensou ela, quando ele pegou um pano molhado e começou, delicadamente, a limpar o corte que quase seguia a linha da maçã do rosto de Elena. Foi o primeiro a parar de sangrar, mas agora ele precisou refazer o fluxo de sangue, para limpá-lo. Com duas taças de Black Magic e sem comer nada desde o café da manhã, Elena se viu relaxando no encosto da cadeira, deixando a cabeça pender um pouco para trás, fechando os olhos. Ela não viu o tempo passar, enquanto ele esfregava o corte suavemente. E ela perdeu o controle estrito de sua aura.
Quando abriu os olhos, não foi em resposta a nenhum som ou estímulo visual. Foi um clarão na aura de Damon, de determinação repentina.
— Damon?
Ele estava de pé ao lado dela. Sua figura escura reluzia atrás dele como uma sombra, alta, larga e quase hipnótica. Sem dúvida assustadora.
— Damon? — disse ela de novo, insegura.
— Não estamos fazendo isso direito — disse ele, e os pensamentos de Elena lampejaram num átimo a sua desobediência como escrava e as infrações menos graves de Bonnie e Meredith. Mas a voz dele era como veludo negro, e o corpo de Elena reagiu com mais precisão do que sua mente. De repente ela testava remendo.
— Como... vamos fazer isso direito? — perguntou ela, depois cometeu o erro de abrir os olhos. Descobriu que ele estava se curvando sobre ela, sentada na cadeira, e afagava, não, apenas tocava seu cabelo com tal suavidade que ela nem havia sentido.
— Os vampiros sabem cuidar de feridas — disse ele confiante, e seus olhos grandes, que pareciam reter todo o universo de estrelas, se fixaram nos dela. — Podemos limpá-las. Podemos recomeçar o sangramento... Ou detê-lo.
Já senti isso antes, pensou Elena. Ele já falou comigo desse jeito, mesmo que não se lembre. E eu... Eu estava assustada demais. Mas isso foi antes... Antes do hotel. Na noite em que ele disse para ela fugir, mas ela se recusou. A noite que Shinichi tirou dele, como tirou a primeira vez que eles dividiram o vinho Black Magic.
— Mostre-me — sussurrou Elena. E ela sabia que algo em sua mente também sussurrava, mas eram palavras diferentes. Palavras que ela jamais diria se, por um segundo que fosse, pensasse em si mesma como escrava.
Eu sou sua...
Foi quando ela sentiu os lábios de Damon roçando de leve os dela.
E depois ela só pensou, Oh e Ah, Damon... Até que ele passou a tocar gentilmente seu rosto com a língua macia e sedosa, manipulando substâncias, primeiro para formar um fluxo sanguíneo de limpeza e, finalmente, quando as impurezas tinham sido varridas com tanta suavidade, conseguiu parar o sangramento e curar a ferida. Ela podia sentir o Poder de Damon, o Poder sombrio que ele usara em mil lutas, infligindo centenas de feridas letais, sendo refreado para se concentrar nesta tarefa simples e humilde, curar a marca de uma chibatada no rosto de uma menina. Elena pensou que aquilo era como ser afagada pelas pétalas daquela rosa Black Magic, as pétalas frias e suaves gentilmente aliviando toda a dor, até que ela tremeu de prazer.
E parou. Elena sabia que, mais uma vez, tinha bebido demais. Mas desta vez não sentiu náuseas. A bebida enganosamente leve subira para sua cabeça, deixando-a embriagada. Tudo tinha um caráter irreal, de sonho.
— Agora vou terminar de curar você — disse Damon, tocando seu cabelo novamente, com tanta suavidade que ela mal sentia. Mas desta vez ela sentiu, porque mandou dedos de Poder para encontrar a sensação e desfrutar cada momento. E uma vez ele a beijou, tão de leve, os lábios mal roçando os dela. Quando a cabeça de Elena tombou para trás, porém, ele não a acompanhou, mesmo quando, decepcionada, ela tentou puxar a nuca dele, Damon simplesmente esperou que Elena desligasse... lentamente.
Não devíamos estar nos beijando. Meredith e Bonnie estão bem aqui do lado. Por que eu só me meto em encrenca? Mas Damon nem está tentando me beijar... E a gente devia... Oh!
As outras feridas.
Elas agora realmente doíam. Que pessoa cruel pensaria em usar um chicote daquele jeito, pensou Elena, com uma ponta fina como navalha, que corta tão fundo que nem dói no começo — ou não dói tanto... Mas fica cada vez pior com o tempo? E não para de sangrar... Temos que estancar o sangramento até que o médico possa me ver...
Mas sua outra ferida, aquela que agora ardia como fogo, atravessava a clavícula em diagonal. E a terceira ficava perto do joelho...
Damon começou a se levantar para pegar outro pano na pia e limpar o corte com água.
Elena o deteve.
— Não.
— Não? Tem certeza?
— Tenho.
— Só quero limpar isso...
— Eu sei. — Ela sabia. A mente de Damon estava aberta a ela, todo o Poder turbulento correndo com clareza e tranquilide. Ela não sabia por que estava aberta desse jeito, mas estava.
— Preste atenção, Elena, não dê seu sangue a nenhum vampiro moribundo; não deixe ninguém prová-lo. Pode ser pior do que Black Magic...
— Pior? — Ela sabia que ele a estava elogiando, mas não entendeu.
— Ele vicia. Quanto mais se tem, mais se quer — respondeu Damon e, por um momento, Elena viu a turbulência que de fato havia causado naquelas águas calmas. — E quanto mais se bebe, mais Poder se pode absorver — acrescentou, sério. Elena percebeu que nunca pensara nisso como um problema, mas era. Ela se lembrou da agonia que foi tentar absorver sua própria aura antes de aprender a mantê-la em movimento com a corrente sanguínea.
— Não se preocupe — acrescentou ele, ainda sério. — Sei em quem está pensando. — Ele fez um movimento para pegar o pano. Mas sem saber, tinha falado demais, presumido demais.
— Você sabe em que estou pensando? — perguntou Elena com brandura, e ficou surpresa ao ver como sua própria voz podia soar perigosa, como o bater suave das patas pesadas de um tigre. — Sem me perguntar?
Damon tentou se safar sutilmente:
— Bom, eu deduzi...
— Ninguém sabe o que estou pensando — disse Elena. — Até que eu diga. — Ela se mexeu e o fez se ajoelhar para olhá-la, indagativamente.
Faminto.
E então, assim como o fizera ajoelhar, foi ela que o puxou para seu ferimento.

3 comentários:

  1. Eu não sei se fico com raiva da Elena por estar traindo Stefan, ou se mudo de de Stelena pra Delena.

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    1. Diários do Vampiro - O Retorno - Almas Sombrias

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