29 de novembro de 2015

Capítulo 16

— Era uma vez — Começou Bonnie. — um casal de garotos...
Ela foi imediatamente interrompida.
— Quais eram os seus nomes?
— Eles eram escravos?
— Onde viviam?
— Eles eram vampiros?
Bonnie quase esqueceu de sua situação e riu.
— Seus nomes eram... Jack e… Jill. Eles eram kitsune, e viviam bem ao norte, na seção kitsune ao redor das Grandes Fronteiras... — E ela continuou, embora houvesse algumas interrupções, contando a história que conseguira da Esfera Estelar.
— Então — Bonnie concluiu nervosamente, enquanto abria seus olhos e percebia que havia atraído a atenção de uma multidão com sua história. —, essa é a história dos Sete Tesouros, e... E acho que moral é: não seja muito ganancioso, ou você acabará terminando sem nada.
Houve muitos risos, alguns risinhos nervosos das garotas e um tipo de risada “Haw! Haw! Haw!” das pessoas atrás delas. No qual, Bonnie percebeu que eram todas de homens.
Uma parte de sua mente começou, inconscientemente, a trabalhar no modo de paquera.
Outra parte desistiu da ideia imediatamente. Esses não eram garotos à procura de uma dança; esses eram ogros, vampiros, kitsunes e até mesmo homens com bigode e queriam comprá-la com o seu vestido preto de bolhas, e por mais bonito que fosse o vestido, não era nada comparado com aqueles longos e preciosos que Lady Ulma fizera para elas. Então, elas viraram princesas, usando jóias que valiam uma fortuna em suas gargantas, pulso e cabelo — além disso, estavam protegidas sempre que as usavam.
Mas agora, ela estava usando algo que lhe caía como uma camisola baby doll e pequenos e delicados sapatos com arcos prateados. E não estava protegida por que essa sociedade diz que você precisa ter um homem para ser protegida, e o pior... Ela era uma escrava.
— Eu me pergunto — disse um homem de cabelos dourados, movendo-se através das meninas ao seu redor, todas saindo de seu caminho rapidamente, exceto por Ratinha e Eren. — se você iria comigo lá em cima e, talvez, me contasse uma história... Em particular.
Bonnie tentou engolir seu suspiro. Agora, ela era a única que estava dependurada em Ratinha e Eren.
— Todos os pedidos devem vir direitamente para mim. Ninguém leva uma garota para fora da sala a menos que eu aprove. — Anunciou uma mulher com vestido de comprimento alto, com uma cara quase idêntica a de uma Madonna simpática. — Isso seria considerado roubo das propriedades de minha patroa. E tenho certeza que ninguém vai querer ser preso por ser pego carregando um troféu. — Ela disse e riu brevemente.
Houve outras risadas breves também, e movimentos em direção à mulher — quase como uma corrida cortês.
— Você conta boas histórias. — Ratinha disse em sua voz delicada. — É mais divertido do que usar uma Esfera Estelar.
— A Ratinha aqui está certa. — Eren disse, sorrindo. — Você conta mesmo boas histórias. Pergunto-me se esse lugar realmente existe.
— Bem, tirei a história de uma Esfera Estelar. — Bonnie disse. — Uma em que a garota... Hmmm, Jill, colocou suas memórias, eu acho... Mas então, como isso foi sair da torre? Como ela sabia o que aconteceu com o Jack? E li uma história sobre um dragão gigante que parecia bem real também. Como eles fizeram isso?
— Ah, te enganaram. — Eren disse, agitando a mão indiferentemente. — Eles tinham alguém que fora para um lugar bem frio para criar o cenário... Um ogro, provavelmente, por causa do tempo.
Bonnie concordou. Ela já havia visto pele de ogro malva antes. Eles só eram diferentes dos demônios no nível de estupidez. E neste nível, eles tendem a ser estúpidos perante a sociedade, e ela ouvira Damon dizer que aqueles que não estavam presentes na sociedade eram contratados por causa de seus músculos. Para serem bandidos.
— E fingiram o resto, de algum jeito... Eu não sei. Nunca pensei a respeito. — Eren olhou para Bonnie. — Você é bem estranha, não é, Bonny?
— Sou? — Bonnie perguntou.
Ela e as duas garotas deram meia-volta, sem soltarem as mãos. Isso deixou um espaço atrás de Bonnie. Ela não gostava disso. Mas também não gostava de ser uma escrava. Estava começando a hiperventilar. Queria Meredith. Queria Elena. Queria sair dali.
— Hmmm… Vocês, meninas, não vão querer mais se associar comigo então. — Ela disse inconfortavelmente.
— Hã? — Disse Eren.
— Por quê? — Perguntou Ratinha.
— Porque vou sair por aquela porta. Tenho que dar o fora. Eu tenho.
— Menina, calma. — Eren disse. — Continue respirando.
— Não, vocês não entendem. — Bonnie abaixou sua cabeça, para esconder-se do mundo. — Não posso pertencer a alguém. Eu vou endoidar.
— Shh, Bonny, eles vão...
— Eu não posso ficar aqui. — Bonnie explodiu.
— Bem, será melhor começarmos. — Uma voz terrível, bem em sua frente, disse.
Não! Ai, Deus. Não, não, não, não, não!
— Quando começamos em um novo negócio, trabalhamos arduamente. — A voz da mulher que parecia a Madonna disse. — Procuramos por clientes em potencial. Não somos rudes, ou somos punidos.
E mesmo que sua voz fosse doce como uma torta de noz, Bonnie soube, de algum jeito, que aquela voz áspera que gritara na noite passada para que elas achassem um palete ainda continua ali; era a mesma mulher.
E agora havia uma mão sobre seu queixo e Bonnie não pôde lutar contra a força do estranho que empurrava sua cabeça para cima, nem pôde cobrir sua boca quando começou a gritar.
Em sua frente, com orelhas delicadas e pontudas de raposa, e uma cauda que varria o chão, mas ainda com parecendo humano, com aparência de uma cara normal vestindo jeans e suéter, estava Shinichi.
E dentro de seus olhos, ela pôde ver uma pequena chama escarlate que só combinava com a ponta de sua cauda e seu cabelo que caía sobre a sobrancelha.
Shinichi. Ele estava ali. É claro que ele podia viajar entre dimensões; ainda tinha uma Esfera Estelar intacta que o grupo de Elena não pôde encontrar, assim como aquelas chaves mágicas que Elena havia contado à Bonnie. Bonnie lembrou-se da noite terrível em que as árvores, árvores de verdade, se transformaram em algo que podiam obedecê-lo. Sobre como agarraram cada braço e perna deles, como se estivessem planejando arrancá-los. Ela pôde sentir lágrimas saindo de seus cílios fechados.
E Old Wood. Ele havia controlado cada parte de lá, cada trepadeira, cada árvore para que caíssem em cima do seu carro. Até que Elena explodiu tudo, menos o matagal em Old Wood; lá estava cheio de criaturas-inseto que Stefan chamada de malach.
Mas então, as mãos de Bonnie estavam em suas costas e ela ouviu algo rápido e muito parecido com um barulho de click.
Não... Ah, por favor, não...
Mas suas mãos estavam algemadas. E então, alguém — um ogro ou um vampiro — a ergueu enquanto a adorável mulher deu a Shinichi uma pequena chave de seu molho cheio de outras chaves idênticas. Shinichi entregou-a para um grande ogro, que tinha dedos tão grandes que eclipsaram a chave. E então, Bonnie, que estava gritando, foi levada rapidamente quatro lances de escada e uma porta pesada fora fechada atrás dela. O ogro que a carregava seguia Shinichi, cuja cauda escarlate elegantemente balançava com alegria de um buraco em seu jeans, para frente e para trás, para frente e para trás.
Bonnie pensou: Que satisfatório. Ele pensa que já ganhou o jogo.
Mas a menos que Damon tivesse realmente se esquecido dela, ele machucaria Shinichi por causa disso. Talvez o matasse. Até que isso era estranhamente reconfortante. Até mesmo ro...
Não, isso não é romântico, sua imbecil! Tem que encontrar um jeito de sair dessa bagunça!
A morte não é romântica, é horrível!
Eles haviam alcançado as últimas portas no fim do corredor. Shinichi virou-se para a direita e andou até o fim. Lá, o ogro usou a chave para abrir a porta.
A sala tinha um abajur a gás ajustável. Estava bem fraquinho e Shinichi disse numa falsa voz educada:
— Podemos ter um pouco de iluminação, por favor?
E o ogro correu e aumentou ao máximo o nível de luminosidade.
A sala era uma espécie de quitinete, do tipo que você deseja obter em um hotel decente. Ela tinha um sofá e algumas cadeiras. Havia uma janela fechada, no lado esquerdo da sala. Havia também uma janela do lado direito, onde todos os quartos restantes deviam estar alinhados. Essa janela não tinha cortinas ou persianas que pudessem ser fechadas e refletia o rosto pálido de Bonnie de volta para ela. Ela soube imediatamente o que aquilo era: um espelho de duas vias, onde pessoas do outro quarto pudessem ver o que acontecia neste aqui sem serem vistas. O sofá e as cadeiras estavam posicionados para encará-la.
Além da sala de estar, à sua esquerda, estava a cama. Não era uma cama muito chique, somente cobertas brancas que pareciam rosas, porque havia uma janela de verdade daquele lado que estava quase em lineamento com o Sol, que como sempre, pendia-se ao horizonte. Neste momento, Bonnie estava odiando isso mais do que nunca por que sempre transformavam as cores do quarto em rosa ou em vermelho. Ela ia morrer saturada com cor de sangue.
Algo nas profundezas de sua mente a disse que ela estava pensando em coisas fúteis, que até mesmo pensar em morrer em cores juvenis era sair do foco em questão: morrer a qualquer momento. O ogro que a carregava a movimentou pela sala como se não pesasse nada, e Bonnie continuou pensando — ou será que aquilo eram premonições? Ai, Deus, tomara que não sejam premonições! — em sair pela aquela janela, jogando-se, o vidro não a impedindo devido à força tremenda. Quantos andares haviam subido? O suficiente, a propósito, para não haver esperanças de cair ao chão sem... Bem, morrer.
Shinichi sorriu, descansando ao lado da janela vermelha, brincando com as cortinas.
— Eu nem ao menos sei o que você quer de mim! — Bonnie encontrou-se dizendo a Shinichi. — Nunca fui capaz de te machucar. Sempre foi você machucando as outras pessoas… Como eu... O tempo todo.
— Bem, há os seus amigos. — Murmurou Shinichi. — Embora eu raramente aplique minha terrível vingança em jovens com cabelos vermelhos e brilhantes.
Ele relaxou ao lado da janela e a examinou, murmurando:
— Cabelos vermelhos e brilhantes; coração puro e corajoso. Talvez, uma rabujenta...
Bonnie sentiu vontade de gritar. Ele não se lembrava dela? Certamente parecia ter se lembrado de seus amigos, já que mencionara vingança.
— O que você quer ? — Ela arfou.
— Temo que você seja um obstáculo. E acho você muito suspeita... E deliciosa. Jovens com cabelos vermelhos sempre são ardilosas.
Bonnie não pôde encontrar nada para se dizer. De tudo que havia visto, sabia que Shinichi era um maluco. Um maluco psicopata e muito perigoso. E tudo que ele gostava de fazer era destruir coisas.
A qualquer momento, ela poderia pular pela janela — e então estaria suspensa no ar. E então começaria a queda. Como seria a sensação? Ou ela já começaria caindo? Ela só esperava que tudo terminasse rapidamente.
— Você aprendeu bastante sobre o meu povo. — Shinichi disse. — Mais do que a maioria.
— Por favor — Bonnie disse desesperadamente. — Se está se referindo à história... Tudo que sei sobre kitsune é que vocês estão destruindo minha cidade. E...
Ela parou no meio da frase, percebendo que não podia deixá-lo saber sobre o que havia acontecido em sua experiência fora do corpo. Então, ela não podia mencionar sobre os jarros ou ele saberia que eles sabiam como capturá-lo.
— E vocês não vão parar. — Ela terminou desajeitadamente.
— E ainda assim, você encontrou uma Esfera Estelar antiga com histórias sobre tesouros lendários.
— Quê? Você quer dizer aquela pequena Esfera Estelar? Olha, se me deixar ir embora, eu a darei a você. — Ela sabia exatamente onde a havia deixado, também, bem ao lado de seu travesseiro.
— Ah, nós a deixaremos ir... No seu devido tempo, posso lhe assegurar. — Shinichi disse com um sorriso enervante.
Ele tinha um sorriso igual ao de Damon, mas aquele não significava “Olá, não vou te machucar.” Estava mais para “Alô! Aí está o meu almoço!”
— Me parece... Curioso. — Shinichi continuou, ainda brincando com as cortinas. — Muito curioso que, no meio de nossa batalha, você venha aqui à Dimensão das Trevas novamente, sozinha, sem nenhum temor, e disposta a barganhar pela Esfera Estelar. Uma esfera que conta a localização de nossos mais preciosos tesouros que foram roubados de nós... Há muito, muito tempo atrás.
Você não se importa com ninguém, apenas consigo mesmo, Bonnie pensou. Age com pose de patriota, mas em Fell’s Church não fingiu se importar com algo além de machucar pessoas.
— Na sua cidadezinha, assim como nas outras ao longo da história, me fora ordenado a fazer o que eu fiz. — Shinichi disse, e o coração de Bonnie mergulhou para os seus sapatos.
Ele era um telepata. Sabia o que ela estava pensando. Ele a ouvira pensar a respeito dos jarros.
Shinichi sorriu maliciosamente.
— Cidadezinhas como Unmei no Shima precisam ser varridas da face da Terra. — Ele disse. — Você não viu o número de linhas Poder embaixo dela?
Outro sorriso malicioso.
— Mas é claro, não estava realmente lá, então provavelmente não viu.
— Se você sabe dizer o que estou pensando, então sabe que a história dos tesouros é apenas um conto. — Bonnie disse. — Estava dentro da Esfera Estelar chamada Quinhentas Histórias Para Crianças. Não é real .
— Que estranha coincidência exatamente com os Sete Portais Kitsune.
— Estava no meio de uma pá de histórias sobre os... Os Düz-Aht-Bhi’iens. Quero dizer, sua história antecessora fora sobre uma criança compra doces. — Bonnie disse. — Então, por que você não vai lá e pega a Esfera Estelar ao invés de tentar me assustar?
Sua voz estava começando a ficar trêmula.
— Está no prédio do outro lado da rua da loja em que eu fui... Detida. Vai lá e pegue-a!
— É óbvio que já tentamos isso. — Shinichi disse impacientemente. — A mulher foi bem cooperativa depois de termos dado a ela... Uma compensação. Não há nenhuma história naquela Esfera Estelar.
— Não é possível! — Bonnie disse. — Onde eu conseguiria essas informações, então?
— É isso que estou perguntando a você.
Com o estômago revirando, Bonnie disse:
— Quantas Esferas Estelares você olhou dentro do quarto marrom?
Os olhos de Shinichi ficaram embaçados por alguns instantes. Bonnie tentou ouvir, mas obviamente ele estava falando telepaticamente com alguém ali perto, em uma frequência particular.
Finalmente, disse:
— Vinte e oito Esferas Estelares, precisamente.
Bonnie sentiu como se tivesse sido espancada. Ela não estava ficando louca... Não estava.
Ela poderia ter vivenciado aquela história. Conhecia cada fissura em cada pedra, cada sombra na neve. As únicas alternativas eram: ou a verdadeira Esfera Estelar tinha sido roubada, ou... Ou, talvez, eles não procuraram o suficiente naquelas que possuíam.
— A história está lá. — Ela insistiu. — Antes, a história é sobre a pequena Marit indo à...
— Nós sondamos cada conteúdo. Há uma história sobre uma criança e... — Ele olhou desdenhoso. — Uma loja de doces. Mas não há outra.
Bonnie simplesmente balançou a cabeça.
— Eu juro que estou dizendo a verdade.
— Por que eu deveria acreditar em você?
— Por que isso importa ? Como eu poderia inventar algo deste tipo? E por que eu contaria uma história que sabia que me colocaria em problemas? Isso não faz sentido.
Shinichi olhou para ela duramente. Então, deu de ombros, suas orelhas abaixadas em sua cabeça.
— Que pena que você continua dizendo isso.
De repente, o coração de Bonnie estava batendo bem forte em seu peito, e em sua garganta apertada.
— Por quê?
— Porque — Shinichi disse friamente, abrindo totalmente as cortinas para que Bonnie fosse abruptamente encharcada pela cor de sangue fresco. — Temo que agora eu tenha que te matar.
O ogro que a segurava foi em direção à janela. Bonnie gritou. Em lugares como este, sabia que gritos não eram ouvidos.
Mas ela não sabia o que mais poderia fazer.

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