20 de novembro de 2015

Capítulo 16

Stefan ficou surpreso ao encontrar a Sra. Flowers esperando por eles quando retornaram de seu piquenique. E, também fora do normal, ela tinha algo a dizer que não envolvia seus jardins.
Há uma mensagem para você lá em cimadisse ela, inclinando a cabeça em direção à escadaria estreita. Veio de um rapaz jovem e moreno. Parecia um pouco com você. Ele não me disse uma palavra. Apenas perguntou onde deixar uma mensagem.
Rapaz moreno? Damon? Elena perguntou.
Stefan balançou a cabeça.
O que ele poderia querer para deixar mensagens para mim?
Ele deixou Elena com a Sra. Flowers e subiu rapidamente a escada ziguezague. No topo achou um pedaço de papel enfiado embaixo da porta.
Era um cartão do tipo Estou pensando em você”, sem envelope. Stefan, que conhecia seu irmão, duvidou que tivesse sido pago – com dinheiro, pelo menos. No interior, escrito em preto com caneta hidrográfica, estavam as palavras:

NÃO PRECISO DISSO.
PORÉM TALVEZ O SANTO STEFAN PRECISE.
ENCONTRE-ME ESTA NOITE NA ÁRVORE
ONDE OS HUMANOS SOFRERAM O ACIDENTE.
NO MAIS TARDAR ATÉ ÀS 4:30.
VOU TE CONTAR O FURO.
D.

Isso era tudo... exceto por um endereço da web.
Stefan estava prestes a jogar o cartão no lixo quando a curiosidade o atacou. Ligou o computador, digitou o endereço correto e observou. Por um instante, nada aconteceu. Então apareceram letras cinza muito escuras em uma tela preta. Para um humano, teria parecido uma tela completamente vazia. Para os vampiros, com sua maior precisão visual, o cinza sobre preto era fraco, mas claro.

Cansado deste lápis-lazúli?
Quer tirar umas férias no Havaí?
Cansado daquela mesma velha culinária líquida?
Venha visitar Shi no Shi.

Stefan começou a fechar a página, mas algo o deteve. Parou e observou o discreto anunciozinho abaixo do poema até que ouviu Elena na porta. Ele fechou rapidamente o computador e foi pegar a cesta de piquenique dela. Não disse nada sobre o bilhete ou o que tinha visto na tela do computador. Mas enquanto a noite passava, ele pensava mais e mais.
Oh! Stefan, você vai quebrar minhas costelas! Está me deixando sem ar!
Desculpe. É só que eu preciso te abraçar.
Bem, eu preciso abraçar você também.
Obrigado, anjo.


Tudo estava calmo no quarto com o teto alto. Uma janela estava aberta, deixando que a luz do luar entrasse. No céu, até a lua parecia se arrastar sorrateiramente, e o feixe de luar seguiu-a no chão de madeira. Damon sorriu. Teve um dia longo e sossegado e agora planejava ter uma noite interessante.
Atravessar a janela não era tão fácil como esperava. Quando chegou como um enorme corvo preto brilhante, esperava equilibrar-se no peitoril e mudar para forma humana para abrir a janela. Mas a janela tinha uma armadilha – ela estava ligada por Poder a um dos adormecidos dentro. Damon empertigou-se com isso, limpando suas penas violentamente, com medo de colocar qualquer tensão naquele frágil elo, quando algo chegou ao seu lado com um bater de asas.
Parecia que nenhum corvo respeitável era registrado no livro de avistamento de qualquer ornitólogo. Era elegante o bastante, mas as suas asas estavam pintadas de escarlate, e tinha olhos dourados brilhantes.
Shinichi?, Damon perguntou.
Quem mais seria? Veio a resposta enquanto um olho dourado fixou-se nele. Vejo que tem um problema. Mas isso pode ser resolvido. Vou aprofundá-los em seu sono de modo que possa cortar o elo.
Não!, Damon disse em um reflexo. Se você apenas tocar em qualquer um deles, Stefan vai...
A resposta veio em tons amenizadores. Stefan é só um menino, lembra? Confie em mim. Você confia em mim, não confia?
E funcionou exatamente como o pássaro demoniacamente colorido disse que funcionaria. Os adormecidos dentro dormiram mais profundamente, e então mais profundamente ainda.
Um momento depois a janela se abriu, e Damon mudou de forma e entrou. Seu irmão e... e ela... aquela que ele sempre tinha que assistir... estavam adormecidos, os cabelos dourados esparramados pelo travesseiro e pelo o corpo de seu irmão.
Damon desviou bruscamente os olhos. Havia um computador de tamanho mediano e ligeiramente ultrapassado sobre a mesa no canto. Foi até ele e sem a menor hesitação o ligou. Os dois na cama nem se mexeram.
Arquivos... aha! Diário. Que nome original. Damon abriu e examinou o conteúdo.

Querido Diário,
Acordei esta manhã e – maravilha das maravilhas – sou eu mesma novamente. Ando, falo, bebo, molho a cama (bem, ainda não molhei, mas tenho certeza de que poderia se eu tentasse).
Estou de volta.
Tem sido uma jornada infernal.
Morri, meu querido diário, realmente morri. E então morri como vampira. E não me peça para descrever o que aconteceu nenhuma das vezes – acredite em mim; você tinha que estar lá.
O importante é que eu tinha ido embora, mas agora estou de volta novamente – e, oh, querido amigo paciente que vem guardando meus segredos desde o jardim da infância... Estou tão feliz por estar de volta.
Pelo lado negativo, nunca poderei viver com a tia Judith ou Margaret novamente. Elas acham que eu estou “descansando em paz” com os anjos. Pelo lado positivo, posso viver com Stefan.
Esta é a compensação por tudo o que passei – não sei como compensar aqueles que foram até os portões do inferno por mim. Ah, estou cansada e – poderia muito bem dizer – ansiosa por uma noite com meu querido.
Estou muito feliz. Tivemos um belo dia, rindo e amando, e vendo os rostos de cada um dos meus amigos ao verem que estou viva! (E não louca, que é como tenho agido nos últimos dias. Honestamente, você pensaria que os Grandes Espíritos do Céu poderiam ter me deixado cair com meus miolos em ordem... Oh, bem.)
Amo você,
Elena

Os olhos de Damon correram sobre essas linhas impacientemente. Ele estava procurando por algo completamente diferente. Ah. Sim. Era bem assim:

Minha querida Elena,
Sabia que você olharia aqui mais cedo ou mais tarde. Espero que você nunca tenha que olhar isso. Se estiver lendo isto, então Damon é um traidor, ou alguma outra coisa deu terrivelmente errado.

Um traidor? Isso pareceu um pouco forte, Damon pensou, ferido, mas também queimando com um intenso desejo de continuar com sua tarefa.

Estou indo para a floresta para conversar com ele hoje à noite – se eu não voltar, você vai saber por onde começar a fazer perguntas.
A verdade é que não compreendo exatamente a situação. Hoje mais cedo, Damon enviou-me um cartão com um endereço de web nele. Coloquei o cartão sob seu travesseiro, amor.

Oh droga, pensou Damon. Ia ser difícil conseguir esse cartão sem acordá-la. Mas ele tinha que consegui-lo.

Elena, siga este link da web. Você terá que mexer nos controles de brilho, porque ele foi criado apenas para os olhos de vampiros. O que o link parece dizer que existe um lugar chamado Shi no Shi – traduzido literalmente, ele significa Morte da Morte, onde podem remover esta maldição que me persegue há quase meio milênio. Eles usam magia e ciência em combinação para restaurar vampiros antigos em homens e mulheres, meninos e meninas simplesmente.
Se realmente podem fazer isso, Elena, podemos ficar juntos durante o tempo que as pessoas comuns vivem. Isso é tudo o que peço da vida.
Quero isso. Quero ter a oportunidade de estar diante de você, como um humano normal que respira e come.
Mas não se preocupe. Eu só estou indo conversar com Damon sobre isso. Você não precisa me pedir para ficar. Nunca iria deixá-la com tudo o que está acontecendo em Fell’s Church agora. É muito perigoso para você, especialmente com o seu novo sangue, sua nova aura.
Percebo que provavelmente estou confiando em Damon mais do que eu deveria. Mas de uma coisa estou certo: ele nunca machucaria você. Ele a ama. Como poderia evitar isso?
Ainda assim, tenho que encontrar com ele pelo menos, em seus termos, sozinho, em um local específico na floresta. Então vamos ver o que acontece.
Como eu disse antes, se você estiver lendo esta carta, significa que algo está terrivelmente errado. Proteja-se, amor. Não tenha medo. Confie em si mesma. E confie em seus amigos. Eles todos podem ajudá-la.
Confio no instinto protetor de Matt por você, no julgamento de Meredith e na intuição da Bonnie. Diga-lhes para lembrarem-se disso.
Espero que você nunca tenha que ler isto.
Com todo meu amor, meu coração, minha alma,
Stefan

PS: Por precaução apenas, há 20.000 dólares em notas de cem embaixo da segunda tábua à partir da parede, em frente à cama. Neste momento, a cadeira de balanço está sobre ele. Você verá a rachadura facilmente se mover a cadeira.

Cuidadosamente, Damon apagou as palavras do arquivo. Então, com um canto da boca se elevando, cuidadosa e silenciosamente digitou novas palavras com um significado um tanto diferente. As leu por cima. Sorriu brilhantemente. Sempre se imaginou como escritor; nenhum treinamento formal, claro, mas sentia que tinha um talento instintivo para isso.
E isso completava o Primeiro Passo, Damon pensou, salvando o arquivo com suas palavras, em vez das de Stefan.
Então, sem ruído, andou até onde Elena estava dormindo, em conchinha atrás de Stefan na cama estreita.
Agora o Segundo Passo.
Lentamente, muito lentamente, Damon deslizou os dedos debaixo do travesseiro em que Elena repousava a cabeça. Podia sentir o cabelo de Elena onde se derramava sobre o travesseiro sob o luar, e a dor que isso despertou estava mais em seu peito do que em seus caninos. Avançando os dedos debaixo do travesseiro, procurou por algo suave.
Elena murmurou em seu sono e de repente se virou. Damon quase pulou de volta para as sombras, mas os olhos de Elena estavam fechados, seus cílios um arco espesso e preto em suas bochechas.
Ela estava de frente para ele agora, mas estranhamente Damon não se pegou rastreando as veias azuis na sua pele bela e lisa. Pegou-se olhando faminto para seus lábios ligeiramente entreabertos. Eles eram... quase impossíveis de resistir. Mesmo durante o sono eram da cor de pétalas de rosa, ligeiramente úmidos, e entreabertos daquela maneira...
Eu poderia fazer isso muito levemente. Ela nunca saberia. Eu poderia, eu sei que poderia. Sinto-me invencível esta noite.
Enquanto se inclinou em direção a ela, seus dedos tocaram o cartão.
Isso pareceu arrancá-lo de seu mundo de sonho. O que ele estava pensando? Arriscando tudo, todos os seus planos, por um beijo? Haveria muito tempo para beijos – e outras coisas, muito mais importantes – mais tarde.
Ele puxou o pequeno cartão de debaixo do travesseiro e colocou-o no bolso.
Então se transformou num corvo e desapareceu pela janela.


Stefan tinha há muito tempo aperfeiçoado a arte de dormir só até certo momento, e então despertar. Fez isso agora, olhando para o relógio sobre a lareira para confirmar que eram 4h, exatamente.
Não queria acordar Elena.
Vestiu-se silenciosamente e saiu pela janela pelo mesmo caminho que seu irmão tomara – mas como um falcão. Em algum lugar, ele tinha certeza que Damon estava sendo feito de bobo por alguém usando malachs para fazer dele seu fantoche. E Stefan, ainda bombeado com o sangue de Elena, sentiu que tinha o dever de detê-lo.
O bilhete que Damon tinha entregado o tinha direcionado para a árvore onde os humanos tinham batido. Damon também gostaria de rever continuamente aquela árvore até que tivesse levado os fantoches malach ao seu titereiro.
Ele desceu, sendo levado pela corrente de ar, e quase deu um ataque cardíaco em rato ao abaixar-se sobre ele de repente antes de disparar para o céu novamente.
E então, no ar, quando avistou evidência da batida de um carro numa árvore, mudou de um falcão glorioso para um jovem homem de cabelos escuros, um rosto pálido e olhos intensamente verdes.
Foi levado pela corrente, leve como um floco de neve, até o chão e olhou em cada direção, utilizando todos os seus sentidos de vampiro para testar a área. Não sentiu nenhuma armadilha; nenhuma animosidade, apenas os sinais inequívocos da luta violenta das árvores. Ele permaneceu humano para escalar a árvore que dava a impressão psíquica de seu irmão.
Não sentiu frio enquanto escalava o carvalho em que seu irmão tinha descansado enquanto o acidente acontecia a seus pés. Tinha muito do sangue de Elena fluindo através dele para sentir o frio. Mas ele estava ciente de que esta área da floresta era particularmente gelada; que algo a estava mantendo dessa forma.
Por quê? Ele já havia declarado os rios e florestas que atravessavam Fell’s Church, então por que ocupar o lugar sem dizer-lhe? Fosse o que fosse, teria de apresentar-se diante dele eventualmente, se quisesse ficar em Fell’s Church. Por que esperar?, ele questionou, enquanto se agachava sobre o ramo.
Sentiu a presença de Damon vindo até ele muito antes do que seus sentidos teriam notado nos dias antes da transformação de Elena, e evitou vacilar. Em vez disso, deu as costas para o tronco da árvore e olhou para fora.
Podia sentir Damon acelerando em direção a ele, mais e mais rápido, mais e mais forte – e então Damon deveria estar lá, de pé diante dele, mas ele não estava.
Stefan franziu a testa.
Sempre vale a pena olhar para cima, irmãozinhoaconselhou uma voz encantadora acima dele, e em seguida Damon, que estivera agarrado à árvore como um lagarto, deu um salto para frente e pousou no mesmo ramo de Stefan.
Stefan não disse nada, limitando-se a examinar o seu irmão mais velho.
Finalmente disse:
Você está de bom humor.
Eu tive um dia suntuosofalou Damon.Devo nomeá-las para você? Teve a atendente da loja de cartões... Elizabeth, e minha querida amiga Damaris, cujo marido trabalha na Bronston, e a jovenzinha Teresa que é voluntária na biblioteca, e...
Stefan suspirou.
Às vezes acho que você poderia se lembrar do nome de cada garota que bebeu em toda sua vida, mas você esquece o meu nome regularmente.
Bobagem... irmãozinho. Agora, já que Elena, sem dúvida, lhe explicou o que aconteceu quando eu tentava resgatar sua bruxa em miniatura – Bonnie – sinto que mereço um pedido de desculpas.
E já que você me enviou um bilhete que só posso interpretar como uma provocação, realmente sinto que eu mereço uma explicação.
Desculpas primeiro Damon colocou para fora. E então, em tom de sofrimento: tenho certeza de que você acha que é ruim o suficiente ter prometido à Elena, quando ela estava morrendo, que cuidaria de mim para sempre. Mas nunca parece perceber que tive que prometer a mesma coisa, e não sou exatamente do tipo guarda-costas. Agora que ela não está mais morta, talvez devêssemos simplesmente esquecer isso.
Stefan suspirou novamente.
Tudo bem, tudo bem. Peço desculpas. Eu estava errado. Não deveria ter te expulsado. É o suficiente?
Não tenho certeza de que você esteja falando sério. Tente mais uma vez, com sentim...
Damon, sobre o que, em nome de Deus, era o site?
Ah. Achei que era bem inteligente: eles deixam as cores tão próximas que apenas vampiros ou bruxas ou coisas assim conseguem ler, enquanto os humanos apenas veriam uma tela preta.
Mas como você descobriu isso?
Vou te dizer em um instante. Mas simplesmente pense nisso, irmãozinho. Você e Elena, em uma perfeita luazinha de mel, apenas mais dois humanos em um mundo de humanos. Quanto mais cedo você for, mais cedo você poderá cantar Ding Dong, o Cadáver está Morto!”
Ainda quero saber como aconteceu de você simplesmente achar este site.
Tudo bem. Eu admito: finalmente fui sugado para a era da tecnologia. Tenho meu próprio site. E um jovem homem muito útil entrou em contato comigo só para ver se eu realmente falava sério sobre as coisas que disse ou se eu era apenas um idealista frustrado. Imaginei que a descrição servia pra você.
Você – um site? Não acredito...
Damon ignorou.
Passei a mensagem adiante porque já tinha ouvido falar do lugar, o Shi no Shi.
A Morte da Morte, dizia.
Assim é como foi traduzido para mim Damon abriu um sorriso de mil quilowatts para Stefan, perfurando-o, até que finalmente Stefan virou-se, sentindo como se tivesse sido exposto ao sol sem o seu anel de lápis-lazúli.
De fatoDamon continuou normalmente convidei meu colega em pessoa para explicar a você.
― Você fez o quê?
― Ele deveria estar aqui às 4:44 exatamente. Não me culpe pelo horário; é algo especial para ele.
E então, com muito pouco barulho, e certamente sem Poder nenhum que Stefan pudesse discernir, algo pousou na árvore acima deles e caiu o galho deles, trocando de forma enquanto o fazia.
Era, realmente, um jovem homem, com cabelos negros de pontas vermelhas como fogo e olhos dourados serenos. Enquanto Stefan virava-se na direção dele, ele levantou as duas mãos em um gesto de paz e rendição.
― Quem diabos é você?
― Sou o diabo Shinichi ― disse o jovem simplesmente. ― Mas, como disse a seu irmão, a maioria das pessoas me chama apenas de Shinichi. Mas é claro isso cabe a você.
― E você sabe tudo sobre o Shi no Shi.
― Ninguém sabe tudo sobre ele. É um lugar – e uma organização. Sou um pouco parcial a ele porque... ― Shinichi pareceu tímido ― bem, acho que simplesmente gosto de ajudar pessoas.
― E agora você quer me ajudar.
― Se você realmente quer se tornar humano... Conheço um jeito.
― Devo simplesmente deixar vocês dois falarem sobre isso, não devo? ― observou Damon. ― Três é demais, especialmente neste galho.
Stefan olhou-o fortemente.
― Se tiver com a menor ideia de passar perto da pensão...
― Com Damaris já a minha espera? Honestamente, irmãozinho.
E Damon mudou de forma para corvo antes que Stefan pudesse pedir a ele para dar a sua palavra em juramento.


Elena virou-se na cama, tateando automaticamente à procura de um corpo quente ao lado dela. O que seus dedos encontraram, no entanto, foi um buraco frio em forma de Stefan. Seus olhos se abriram.
― Stefan?
Que amor. Estavam tão em sintonia que era como ser uma pessoa só – ele sempre sabia quando ela estava prestes a despertar. Provavelmente desceu para preparar o seu café da manhã – a Sra. Flowers sempre tinha água quente à espera dele quando descia (mais uma prova de que ela era uma bruxa do tipo branca) – e Stefan traria uma bandeja.
― Elena ― ela falou, testando a sua velha-e-antiga voz só para ouvir-se falar. ― Elena Gilbert, garota, você tomou café da manhã na cama demais.
Apalpou seu estômago. Sim, definitivamente precisava de exercício.
― Tudo bem, então ― disse ela, ainda em voz alta. ― Comece levantando-se da cama e respirando. E então um alongamento leve.
Tudo isso, pensou, podia ser posto de lado quando Stefan aparecesse.
Mas Stefan não apareceu, mesmo quando ela deitou exausta depois de uma hora de exercício.
E ele não subiu as escadas, trazendo uma xícara de chá, tampouco.
Onde ele estava?
Elena olhou por sua única janela e viu um vislumbre da Sra. Flowers abaixo.
O coração de Elena tinha começado a bater forte durante seu exercício aeróbico e realmente nem chegou a diminuir para o seu ritmo normal apropriado.
Apesar de ser provavelmente impossível iniciar uma conversa com a Sra. Flowers dessa forma, ela gritou:
― Sra. Flowers?
E, maravilha das maravilhas, a senhora parou de pendurar um lençol no varal e olhou para cima.
― Sim, Elena, querida?
― Onde está Stefan?
O lençol balançou em torno da Sra. Flowers e a fez desaparecer. Quando ele endireitou-se, ela tinha ido embora.
Mas Elena tinha os olhos no cesto de roupa. Ainda estava lá. Ela gritou:
― Não vá embora! ― E apressou-se em colocar sua calça jeans e sua nova regata azul.
Então, saltitando escada abaixo enquanto abotoava, invadiu no jardim dos fundos.
― Sra. Flowers!
― Sim, Elena, querida?
Elena só conseguia vê-la de relance entre os metros balançando de tecidos brancos.
― Você viu Stefan?
― Não esta manhã, querida.
― Não mesmo?
― Levantei-me de madrugada, como sempre. O carro dele já não estava mais, e ainda não voltou.
Agora o coração de Elena batia para valer. Ela sempre teve medo de algo assim. Respirou profundamente e correu de volta até a escada sem parar.
Bilhete, bilhete...
Ele nunca a deixaria sem um bilhete. E não havia nenhum sobre o travesseiro dele. Então ela pensou no travesseiro dela.
Suas mãos vasculharam freneticamente sob ele, e então sob o travesseiro dele. No começo não virou os travesseiros, porque queria muito que o bilhete estivesse lá – e porque estava com medo do que ele poderia dizer.
Depois, quando ficou claro que não havia nada sob os travesseiros exceto os lençóis, ela os virou e olhou para o vazio branco por muito tempo. Então puxou a cama pra longe da parede, para o caso de o bilhete ter caído para trás dela.
De alguma forma, sentiu que se simplesmente continuasse procurando, deveria encontrá-lo. No final, tinha sacudido a roupa de cama toda e acabou encarando os lençóis brancos novamente, acusadoramente, muitas vezes passando as mãos sobre eles.
E isso devia ser bom, porque significava que Stefan não tinha ido pra lugar algum – exceto que ela tinha deixado a porta do armário aberta e podia ver, mesmo sem querer, um monte de cabides vazios.
Ele havia levado todas as suas roupas.
E estava vazio no fundo do armário.
Tinha levado cada par de sapatos.
Não que tivesse muitos. Mas tudo que precisava para fazer uma viagem pra longe tinha ido embora – e ele se fora.
Por quê? Onde? Como ele pôde?
Mesmo que ela descobrisse que ele a deixara para descobrir um novo lugar para morarem, como ele pôde? Teria a briga das brigas quando ele voltasse – se ele voltasse.
Gelada até os ossos, consciente de que as lágrimas corriam involuntariamente e quase despercebidas pelo seu rosto, ela estava prestes a chamar Meredith e Bonnie quando pensou em algo.
Seu diário.

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