15 de novembro de 2015

Capítulo 16

Bonnie nunca poderia se lembrar realmente como foram os próximos instantes. Ouviu o choro de Stefan que parecia tremer a terra embaixo dela. Viu Damon indo até ele. E então viu o flash.
Um flash de raios como os de Klaus, mas não só azul-branco. Esse foi dourado. Era tão brilhante que Bonnie pensou que o sol havia explodido na frente de seus olhos. Tudo o que pôde fazer por vários segundos foi olhar o redemoinho de cores. E então viu alguma coisa no meio da clareira, perto da chaminé... Algo branco, da forma de um fantasma, mas era mais sólido. Algo pequeno e distinto, tinha que ser alguma coisa, mas não o que seus olhos estavam dizendo ser.
Porque parecia ser uma menina nua tremendo no chão da floresta. Uma menina com cabelo dourado.
Parecia Elena. 
Não a brilhante Elena do mundo dos espíritos e nem a pálida linda menina inumana que tinha sido Elena, a vampira. Era uma Elena cuja pele cremosa foi ficando rosada sob a água da chuva.
Uma Elena que olhou perplexa levantando a cabeça lentamente e olhando ao seu redor, como se todas as coisas familiares na clareira eram desconhecidas pra ela.
É uma ilusão. Ou é isso, ou eles lhe deram alguns minutos mais para dizer adeus. Bonnie disse a si mesma, mas ela mesma não podia acreditar. 
— Bonnie? — disse uma voz incerta. Uma voz que não era como o soar do vento. Era uma voz de menina assustada.
Os joelhos de Bonnie cederam. Um sentimento selvagem foi crescendo dentro dela. Tentou afastá-lo, não ousaria sequer pensar nisso agora. Ela olhou para Elena.
Elena tocou a grama na frente dela. Hesitante primeiro e, então, mais e mais firme, veloz e mais veloz. Ela pegou uma folha entre os dedos parecendo desajeitada, e a deixou cair no chão. E a pegou novamente. Agarrou um punhado de folhas molhadas, segurando-as, cheirando-as. Olhou para Bonnie, e deixou as folhas se espalharem pro alto. 
Por um momento, elas estavam ajoelhadas e olhando uma para outra numa distância de alguns metros. Em seguida, tremendo, Bonnie estendeu sua mão. Não conseguia respirar. O sentimento foi crescendo e crescendo. 
Elena ergueu sua mão em direção a Bonnie. Seus dedos a tocaram.
Dedos reais. No mundo real. Onde ambas estavam.
Bonnie deu uma espécie de grito e se atirou pra cima de Elena.
Em um minuto estava em um frenesi, com selvageria, desacreditando no encanto. E Elena era sólida. Estava molhada por causa da chuva e estava tremendo e as mãos de Bonnie não a atravessaram. Pedaços de folhas umedecidas e pisadas do chão estavam pregados no cabelo de Elena.
— Você está aqui — ela chorou. — Posso te tocar, Elena!
Elena arfou de volta, — Posso te tocar, eu estou aqui! — Ela agarrou as folhas novamente. — Posso tocar o chão!
— Posso te ver tocando! — Elas poderiam ter ficado assim indefinidamente, mas Meredith interrompeu. Estava a poucos passos de distância, olhando, seus olhos escuros enormes, seu rosto branco. Fez um som abafado.
— Meredith! — Elena virou-se para ela e jogou fora o punhado de folhas. Ela abriu seus braços.
Meredith, que tinha sido capaz de cobrir o corpo de Elena quando encontrado no rio, quando Elena tinha aparecido em sua janela como um vampiro, e quando Elena tinha materializado na clareira como um anjo, ela apenas ficou lá, tremendo. Parecia prestes a desmaiar.
— Meredith, ela é sólida! Você pode tocá-la! Viu? — Bonnie tocou Elena novamente alegremente.
Meredith não se moveu. Ela sussurrou:
— É impossível...
— É verdade! Viu? É verdade! — Bonnie estava ficando histérica. Sabia que estava, mas não se importava. Se alguém tinha o direito de ficar histérica era ela. — É verdade, é verdade, — ela gritou. — Meredith, venha ver.
Meredith, que ficou olhando Elena por todo esse tempo, fez outro som abafado.
— Meredith! — Elena virou-se para ela e jogou fora o punhado de folhas. Abriu seus braços.
Meredith, que ficou olhando Elena por todo esse tempo, fez outro som abafado. Então, com um movimento, se jogou sobre Elena. Ela a tocou, descobrindo que sua mão encontrava resistência na carnalidade dela. Olhou para o rosto de Elena. E então explodiu em lágrimas incontroláveis. 
Ela chorou e chorou, com sua cabeça nos ombros nus de Elena.
Bonnie abraçou ambas, feliz.
— Vocês não acham melhor colocar alguma roupa nela? — disse uma voz, e Bonnie olhou até ver Caroline tirando seu vestido. Caroline estava bastante calma, em seguida já estava colocando seu casaco de poliéster bege, como se fizesse isso o tempo todo. Não era imaginação, Bonnie pensou novamente, mas sem malícia. Obviamente, havia momentos em que a imaginação não era uma vantagem.
Meredith e Bonnie colocaram o vestido longo pela cabeça de Elena. Ela parecia pequena dentro dele, molhada e de alguma forma não natural, como se não fosse para não se vestir mais. Mas era alguma proteção dos elementos, de qualquer forma. 
Então Elena sussurrou:
— Stefan.
Ela se virou. Ele estava lá, com Matt, Damon, um pouco além delas. Ele estava apenas a observando. Como se não só a sua respiração, mas a sua vida estava segura, esperando.
Elena se levantou e deu um passo cambaleante até ele, e depois outro e outro. Magra e frágil dentro daquele vestido recém-emprestado, oscilou e foi até ele. Como a pequena sereia aprendendo a usar as pernas, Bonnie pensou. 
Ele a deixou caminhar quase todo o caminho, apenas a olhando, antes de correr para ela. Eles acabaram em uma corrida, depois caíram no chão juntos, braços fechados em torno de si, se apertando o mais forte que podiam. Nenhum deles disse uma palavra.
Elena pôs a cabeça para trás para olhar Stefan, e ele colocou suas mãos entre seu rosto, apenas contemplando sua volta. Elena riu em voz alta de pura alegria, abrindo e fechando seus dedos e olhando para eles em agrado e depois os enterrou no cabelo de Stefan. Então eles se beijaram. 
Bonnie os assistiu, sentindo algo como uma alegria inebriante, em lágrimas. Sua garganta doeu, mas suas lágrimas eram doces não era o salgado de lágrimas de dor, e ainda estava sorrindo. Estava suja, estava encharcada, mas nunca se sentiu tão feliz em sua vida. Se sentia como quem queria dançar e cantar e fazer todos os tipos de coisas malucas.
Algum tempo depois Elena olhou sobre Stefan para todos, seu rosto quase tão brilhante como quando ela flutuou sobre clareira como se fosse um anjo. Brilhando como se fosse a luz de uma estrela. Ninguém nunca mais vai chamá-la de Princesa do Gelo de novo, Bonnie pensou.
— Meus amigos, — disse Elena. Foi tudo que disse, mas era o bastante, soluçou e estendeu uma mão para eles. Eles estavam ao seu redor, e em um segundo, como se fosse um enxame em cima dela, tentando abraçá-la todos de uma vez. Até Caroline.
— Elena, — Caroline disse. — Eu sinto muito...
— Isso é passado agora, — disse Elena, e a abraçou livremente como qualquer outra pessoa. Então segurou uma mão morena robusta e brevemente ela tocou a sua bochecha. — Matt, — disse ela, e ele sorriu, com os olhos azuis piscina. Mas não com a raiva em vê-la nos braços de Stefan, Bonnie pensou. Só agora o rosto de Matt expressou felicidade.
Uma sombra caiu sobre o pequeno grupo, vindo entre eles e o luar. Elena olhou para cima, e levantou a sua mão novamente.
— Damon, — disse.
À clara luz, o brilho de amor em seu rosto era irresistível. Ou deveria ter sido irresistível, Bonnie pensou. Mas Damon parou perante eles, olhos negros profundos e insondáveis como sempre. Nenhuma das luzes de estrelas que brilhou em Elena se refletiu de volta nele.
Stefan olhou para ele com medo, com o brilho doloroso de Elena, o brilho dourado. Então, num olhar distante, ele segurou sua mão, resistindo.
Damon continuou olhando eles abaixo, duas mãos abertas, assustado, oferecendo sua mão em silêncio. A oferta de ligação, calor, humanidade. Em seu rosto não havia nada, e ele estava completamente imóvel. 
— Vamos, Damon, — Matt disse suavemente. Bonnie olhou para ele rapidamente, e viu que os seus olhos azuis eram intentos como se ele olhasse para a sombra do rosto de um caçador.
Damon falou sem se mover. — Não sou como vocês.
— Você não é tão diferente de nós como você pensa — disse Matt. — Veja, — acrescentou, uma estranha nota de desafio na voz dele — sei que você matou o Sr. Tanner em auto-defesa, porque me contou. E sei que você não veio aqui para Fell´s Church porque Bonnie jogou um encanto em você, porque eu selecionei os cabelos e não cometi nenhum erro. Você é mais como nós do que quer admitir, Damon. A única coisa que não entendi é por que você não foi à casa de Vickie para ajudá-la.
Damon assentiu, quase automaticamente:
— Porque não fui convidado!
Bonnie recordou. Ela do lado de fora da casa de Vickie, Damon do lado dela. A voz de Stefan: "Vickie, me convidou pra entrar, mas o único que não tinha sido convidado foi o Damon.” 
— Mas como Klaus entrou, então? — ela começou, seguindo seus próprios pensamentos.
— Aquele era trabalho de Tyler, tenho certeza — disse Damon elegantemente. — O que Klaus fez em troca para Tyler aprender como recuperar o seu patrimônio. E ele deve ter convidado Klaus antes de nós começarmos a vigiar a casa, provavelmente antes de Stefan e eu virmos para Fell´s Church. Klaus estava bem preparado. Naquela noite, estava na casa e a menina estava morta antes que eu soubesse o que estava acontecendo.
— Por que não chamou Stefan? — Matt perguntou. Não havia nenhuma acusação em sua voz. Era uma pergunta simples.
— Porque não havia nada que ele pudesse ter feito! Eu sabia o que ele era logo que o vi. Um ancião. O que Stefan podia ter feito lá era ter morrido e a garota já tinha morrido, de qualquer maneira.
Bonnie ouviu a frieza em sua voz, e quando Damon se virou para Stefan e Elena, seu rosto tinha endurecido. Era como se alguma decisão tivesse sido feita.
— Como você vê, não sou como vocês — disse ele.
— Não importa — Stefan ainda não tinha retirado sua mão. Nem Elena.
— E, às vezes, os caras bons ganham — disse Matt calmamente, animadoramente. 
— Damon... — Bonnie começou.
Lentamente, quase relutante, ele se virou na direção dela. Ela estava pensando no momento em que eles estavam ajoelhados sobre Stefan e ele parecia tão jovem. Era apenas Damon e Bonnie na borda do mundo.
Ela pensou, por apenas um instante, que havia visto estrelas em seus olhos negros. E podia sentir neles uma comoção de sentimentos como saudade, confusão, medo e raiva todos misturados. Mas depois tudo foi polido e seus escudos voltaram a proteger de novo e os sentidos psíquicos de Bonnie não lhe dizendo nada. E aqueles olhos negros eram simplesmente opacos.
Ele se voltou para o casal no chão. Então retirou o seu casaco e ficou por trás de Elena. Ele colocou a jaqueta nos ombros de Elena, sem tocá-la.
— É uma noite fria — disse.
Os olhos de Stefan ficaram paralisados no momento em que ele resolveu colocar a jaqueta preta ao redor dela.
E então virou-se para andar na escuridão entre os carvalhos. Em um instante, Bonnie ouviu o bater de asas.
Stefan e Elena silenciosamente se deram as mãos novamente, e Elena baixou a cabeça dourada no ombro de Stefan. Sobre o cabelo dela os olhos verdes de Stefan estavam voltados para o canteiro da noite em que seu irmão tinha desaparecido.
Bonnie balançou a cabeça, sentindo um nó na garganta. Algo tocou seu braço e ela olhou para Matt. Mesmo encharcado, ainda coberto de pedaços de musgo e samambaias, era uma bela vista. Ela sorriu para ele, sentindo sua admiração e alegria voltar. Uma excitação irritada lhe ocorreu quando pensou sobre o que tinha acontecido na noite passada. Meredith e Caroline estavam sorrindo também, e num impulsivo Bonnie pegou as mãos de Matt e o girou como numa dança. No meio da clareira chutavam as folhas molhadas e riam. Estavam vivos, e eram jovens, e isto foi o solstício de verão.
— Você queria todas nós juntas novamente! — Bonnie gritou para Caroline, e puxou a garota escandalizada para a dança. Meredith, com a sua dignidade esquecida, se juntou a eles também.
E por um longo tempo na clareira só havia alegria.


21 junho, 7:30
Solstício de Verão
Querido Diário,
Ah, é tudo muito difícil de explicar e você não iria acreditar, de qualquer jeito. Vou para a cama.

4 comentários:

  1. kk e ate engraçado o geito de Damon

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  2. Muito lindooo!!
    É incrivel o jeito como a autora transmite uma mensagem a voce. Ela tenta te mostrar diversas personalidades q juntas se completam!😍😍😍😍😍😍

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  3. jesus! eu não sei de vocês, outros(as) leitores(as), mas eu fiquei chorando de alegria! daí fiquei triste por Damon. mas aí minha prima, que está hospedada aqui em casa em uns dias, resolve invadir meu quarto enquanto eu: chorava/ria/ficava jogando meu pc para os lados frenéticamente, então ela grita 'tiaaaaaa a mia ta doidaaaaa'...
    pensa a reação da família...
    meu deus, eu devo ser digna da sessão de livros do manicômio!
    #PartiuPróximoLivro
    ~MIa

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