10 de novembro de 2015

Capítulo 16

Há muito tempo, nas ruas laterais escuras de Florença, morrendo de fome, assustado, e exausto, Stefan tinha feito um voto a si mesmo.
Diversos votos, de fato, sobre usar os Poderes que sentia dentro de si, e sobre como tratar as criaturas fracas, falhas, mas ainda humanas ao seu redor.
Agora ia quebrar todos eles.
Ele tinha beijado a fria testa de Elena e a deitado sob um salgueiro. Voltaria aqui, se pudesse, para se juntar a ela, depois.
Como pensara, a onda de Poder tinha ignorado Bonnie e Meredith e o seguido, mas recuara novamente, e agora estava em retirada, esperando.
Ele não a deixaria esperar muito.
Livre do peso do corpo de Elena, partiu em um galope de predador na estrada vazia. A chuva de neve gelada e o vento não o incomodavam muito. Seus sentidos de predador o perfuraram.
Ele os ligou todos na tarefa de localizar a presa que queria. Nada de pensar em Elena agora. Depois, quando isso tivesse acabado.
Tyler e seus amigos ainda estavam no barracão. Ótimo. Eles nunca souberam o que chegava quando a janela explodiu com pedaços de vidro voando e a tempestade soprou adentro.
Stefan queria matar quando agarrou Tyler pelo pescoço e afundou suas presas nele. Essa tinha sido uma de suas regras, não matar, e ele queria quebrá-la.
Mais um dos valentões foi até ele antes que tivesse acabado de drenar o sangue de Tyler.
O cara não estava tentando proteger seu líder caído, só escapar. Foi azar seu que sua rota o levou pelo caminho de Stefan. Stefan jogou-o no chão e espremeu a nova veia avidamente.
O gosto quente de cobre reviveu-o, aqueceu-o, fluiu por ele como fogo. O fez querer mais.
Poder. Vida. Eles tinham isso; ele precisava disso. Com o tumulto glorioso da força que vinha com o que ele já tinha bebido, ele os aturdiu facilmente. Então se moveu de um para o outro, bebendo profundamente e jogando-os para longe. Eram como latas de um pack de seis.
Ele estava no último quando viu Caroline encolhendo-se no canto.
Sua boca pingava enquanto levantava sua cabeça para olhá-la. Aqueles olhos verdes, geralmente tão estreitos, mostravam o branco a toda volta como os de um cavalo assustado.
Os lábios dela eram borrões pálidos enquanto balbuciava pedidos mudos.
Ele a puxou de pé pelo cinto verde em sua cintura. Ela gemia, seus olhos revirando. Ele contorceu sua mão em seu cabelo castanho para posicionar a garganta exposta onde a queria. Sua cabeça recuou para atacar – e Caroline gritou e ficou frouxa.
Ele a largou. Tinha tido o bastante, de qualquer jeito. Estava explodindo com sangue, como um carrapato superalimentado. Nunca tinha se sentido tão forte, tão carregado com poder elemental.
Agora era hora de Damon.
Ele saiu do barracão do mesmo jeito que tinha entrado. Mas não em forma humana. Um falcão predador levantou voo da janela e girou no céu.
A nova forma era maravilhosa. Forte... E cruel. Seus olhos eram aguçados. Levavam-no onde queria, espiando sob as árvores de carvalho da floresta. Estava procurando por uma clareira em particular.
A achou. O vento bateu nele, mas ele girou em espiral para baixo, como um grito fúnebre de desafio.
Damon, em forma humana abaixo, lançou suas mãos para cima para cobrir seu rosto quando o falcão mergulhou em sua direção.
Stefan arrancou tiras sangrentas dos seus braços e ouviu o grito de resposta, dor e raiva de Damon.
Não sou mais o seu irmãozinho fraco. Ele mandou o pensamento para Damon com uma explosão impressionante de Poder. E dessa vez vim pelo seu sangue.
Ele sentiu o efeito do ódio de Damon, mas a voz em sua mente era zombeteira.
Então esse é o agradecimento que consigo por salvar você e sua noiva?
As asas de Stefan se dobraram e ele mergulhou novamente, seu mundo todo estreitado por um objetivo.
Matar. Ele foi na direção dos olhos de Damon, e o graveto que Damon tinha pego zuniu ao lado de seu novo corpo. Suas garras rasgaram a bochecha de Damon e o sangue correu. Ótimo.
Você não devia ter me deixado viver, ele disse a Damon. Devia ter matado nós dois de uma só vez.
Eu ficarei feliz de corrigir o erro! Damon estava despreparado antes, mas agora Stefan podia senti-lo extraindo seu Poder, se armando, ficando pronto. Mas primeiro você deve me dizer quem matei dessa vez.
O cérebro do falcão não conseguia lidar com o tumulto de emoções que a pergunta zombeteira convocava. Gritando sem palavras, ele mergulhou na direção de Damon novamente, mas dessa vez o pesado graveto o acertou. Ferido, uma asa pendendo, o falcão caiu atrás das costas de Damon.
Stefan mudou para sua própria forma de uma só vez, sentindo a dor de um braço quebrado. Antes que Damon pudesse se virar, ele o agarrou, os dedos de sua mão boa afundando no pescoço do irmão e girando-o.
Quando falou, foi quase gentilmente.
— Elena — ele respondeu, sussurrando, e foi para a garganta de Damon.


Estava escuro e muito frio, e alguém estava ferido. Alguém precisava de ajuda.
Mas ela estava terrivelmente cansada.
As pálpebras de Elena sacudiram-se e abriram, isso acabou com a escuridão. Quanto ao frio... Ela estava gelada até os ossos, congelando, tremendo até a medula. E não era para menos; havia gelo a toda sua volta.
Em algum lugar, bem profundamente, sabia que havia mais que isso.
O que tinha acontecido? Estivera em casa, dormindo – não, esse era o Dia do Fundador.
Ela estava no refeitório, depois no placo.
O rosto de alguém parecera engraçado.
Era demais para se lidar; ela não conseguia pensar. Rostos sem corpos flutuavam perante seus olhos, fragmentos de sentenças soaram em seus ouvidos. Estava muito confusa.
E tão cansada.
Era melhor voltar a dormir então. O gelo não era tão ruim assim. Começou a se deitar, e então os gemidos chegaram até ela.
Ela os ouviu, não com os ouvidos, mas com sua mente. Choros de raiva e de dor.
Alguém estava muito infeliz.
Sentou-se muito quieta, tentando entender tudo.
Houve um tiritar de movimento na beirada de sua visão. Um esquilo. Ela conseguia cheirá-lo, o que era estranho porque nunca tinha cheirado um esquilo antes. Ele encarou-a com um olho preto brilhante e então correu para o salgueiro. Elena percebeu que o tentara agarrar somente quando levantou as mãos vazias com suas unhas afundando na casca de árvore.
Agora, isso era ridículo. Por que diabos iria querer um esquilo? Ficou perplexa por um momento, então deitou-se, exausta.
Os choros ainda continuavam.
Ela tentou cobrir suas orelhas, mas isso não adiantou em nada para bloqueá-los. Alguém estava ferido, e infeliz, e lutando. Era isso. Havia uma luta acontecendo.
Certo. Tinha descoberto isso. Agora podia dormir.
Ela não conseguia, contudo. Os choros chamavam-na, puxavam-na na direção deles. Sentiu uma necessidade irresistível de segui-los até sua fonte.
E então podia dormir. Depois que visse... Ele.
Ah, sim, estava voltando agora. Ela se lembrava dele. Ele era aquele que a entendia e a amava.
Era aquele com quem ela queria viver para sempre.
O rosto dele aparecia nas névoas em sua mente. Ela o considerou amável. Certo, então. Por ele, ela levantaria e andaria por essa chuva de neve ridícula até que encontrasse a clareira certa. Até que pudesse se juntar a ele. Então ficariam juntos.
Só pensar nele parecia aquecê-la. Havia um fogo dentro dele que poucas pessoas conseguiam ver. Ela via, contudo. Era como o fogo dentro dela.
Ele parecia estar em algum tipo de confusão no momento. Pelo menos, havia muitos gritos. Ela estava perto o bastante para escutar com suas orelhas tão bem quanto com sua mente agora.
Lá, além daquele velho carvalho. Era de onde o barulho vinha. Ele estava lá, com seus olhos pretos e insondáveis, e seu sorriso secreto. E precisava de sua ajuda. Ela o ajudaria.
Sacudindo cristais de gelo de seu cabelo, Elena entrou na clareira da floresta.

6 comentários:

  1. :( devia ser antes com stefan nao com Damon

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  2. Fala sério, garota estranha. Ela desperta e vai ajudar Damon. Será que foi Katherine que a jogou no Rio

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  3. Garota estranha, acorda e vai ajudar Damon. Será que foi a Katherine q a jogouno rio?

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  5. Essa parte parece muito com o seriado. A única diferença é que o Matt cai junto com ela no seriado e aqui não.

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