8 de novembro de 2015

Capítulo 16

Elena apressou-se para a Robert E. Lee, sentindo como se estivesse longe dela há anos. A noite passada parecia algo de sua infância distante, mal lembrada. Mas ela sabia que hoje haveria consequências a se encarar.
Na noite passada ela teve que enfrentar a tia Judith. Sua tia ficara terrivelmente aborrecida quando os vizinhos contaram-lhe sobre o assassinato, e ainda mais aborrecida que ninguém parecia saber onde Elena estava. Quando Elena chegou em casa quase duas da manhã, já estava frenética com preocupação.
Elena não fora capaz de explicar. Somente pôde dizer que estivera com Stefan, e que sabia que ele fora acusado, sabia que ele era inocente. Todo o resto, tudo o mais que havia acontecido, guardou para si mesma. Mesmo que tia Judith tivesse acreditado naquilo, nunca teria entendido.
Essa manhã Elena dormira até tarde, e agora estava atrasada. As ruas estavam desertas exceto por ela, enquanto se apressava na direção da escola. Acima, o céu estava cinza e um vento estava elevando-se. Queria desesperadamente ver Stefan. Toda a noite, enquanto estivera dormindo tão pesadamente, teve pesadelos com ele.
Um sonho fora especialmente real. Nele ela via o rosto pálido de Stefan e seus olhos raivosos e acusadores. Ele esticou um livro para ela e disse:
— Como pôde, Elena? Como pode?
Então derrubou o livro aos pés dela e se afastou. Chamou-o, implorando, mas ele continuou andando até que desapareceu na escuridão. Quando olhou para o livro, viu que ele estava atado com um veludo azul escuro. Seu diário.
Um tremor de raiva passou por ela enquanto pensava novamente em como o seu diário fora roubado. Mas o que o sonho significava? O que estava em seu diário que deixaria Stefan desse jeito?
Ela não sabia. Tudo o que sabia era que precisava vê-lo, ouvir sua voz, sentir seus braços ao redor dela. Ficar longe dele era como ser separada de sua própria carne.
Ela correu pelos degraus da escola para corredores praticamente vazios. Se dirigiu para a ala de línguas estrangeiras, porque sabia que a primeira aula de Stefan era latim. Se pudesse simplesmente vê-lo por um momento, ficaria bem.
Mas ele não estava na aula. Através da janelinha na porta, viu seu assento vazio. Matt estava lá, e a expressão no seu rosto a fez sentir-se mais aterrorizada do que nunca. Ele ficava olhando para a mesa de Stefan com um olhar de apreensão doentia.
Elena afastou-se da porta mecanicamente. Como um robô, subiu as escadas e andou para sua aula de trigonometria. Enquanto abria a porta, viu cada rosto virar em sua direção, e escorregou afobadamente para a mesa vazia ao lado de Meredith.
A Srta. Halpern parou a lição por um momento e olhou para ela, então continuou. Quando a professora se virou mais uma vez para o quadro-negro, Elena olhou para Meredith.
Meredith esticou-se para pegar a mão dela.
— Você está bem? — ela sussurrou.
— Não sei — Elena respondeu estupidamente. Sentiu como se o próprio ar em volta dela a estivesse sufocando, como se tivesse um peso esmagador a sua volta. Os dedos de Meredith pareciam secos e quentes. — Meredith, você sabe o que aconteceu com Stefan?
— Quer dizer que você não sabe? — os olhos negros de Meredith se arregalaram, e Elena sentiu o peso ficar ainda mais esmagador. Era como estar profundamente debaixo d’água sem uma roupa de pressão.
— Eles não o... prenderam, prenderam? — ela perguntou, forçando as palavras a saírem.
— Elena, é pior do que isso. Ele desapareceu. A polícia foi para a pensão mais cedo essa manhã e ele não estava lá. Eles vieram à escola, também, mas ele não apareceu hoje. Eles disseram que acharam seu carro abandonado perto da Estrada Old Creek. Elena, acham que ele foi embora, saiu da cidade, porque é culpado.
— Isso não é verdade — Elena falou através dos dentes cerrados. Ela viu pessoas se virarem e olharem, mas não estava mais ligando. — Ele é inocente!
— Sei que você pensa que ele é, Elena, mas por que outro motivo ele iria embora?
— Ele não iria. Ele não foi — algo estava queimando dentro de Elena, um fogo de raiva que empurrava o medo esmagador. Estava respirando alardeantemente. — Nunca teria ido embora por sua própria vontade.
— Você quer dizer que algo o forçou? Mas quem? Tyler não ousaria...
— O forçou, ou algo pior — Elena interrompeu. A turma toda estava encarando-as agora, e a Srta. Halpern estava abrindo sua boca. Elena levantou-se subitamente, olhando para eles sem os ver. — Deus o ajude se ele machucou Stefan — ela disse. — Deus o ajude.
Então ela girou e foi para a porta.
— Elena, volte! Elena! — Ela podia escutar gritos atrás dela, de Meredith e da Srta. Halpern.
Continuou a andar, cada vez mais rápido, vendo somente o que estava diretamente a sua frente, sua mente fixa em uma coisa.
Eles achavam que estava indo atrás de Tyler Smallwood. Ótimo. Podiam desperdiçar seu tempo correndo na direção errada. Sabia o que tinha a fazer.
Deixou a escola, mergulhando no ar frio do outono. Moveu-se rapidamente, suas pernas comendo a distância entre a escola e a Estrada Old Creek. Dali se virou na direção da ponte Wickery e do cemitério.
Um vento gelado chicoteou seu cabelo e machucou seu rosto. Folhas de carvalho voavam ao seu redor, girando no ar. Mas o incêndio em seu coração era de um calor abrasador e afastava o frio. Sabia agora o que uma fúria elevada significava. Caminhou pelas faias roxas e pelos salgueiros chorões até o centro do velho cemitério e olhou ao redor de si com olhos febris.
Acima, as nuvens flutuavam junto com um rio cinza-chumbo. Os troncos dos carvalhos e das faias se chicoteavam selvagemente. Uma rajada de vento jogou punhados de folhas em seu rosto. Era como se o cemitério estivesse tentando expulsá-la, como se estivesse lhe mostrando os seus poderes, reunindo-se para fazer algo horrível com ela.
Elena ignorou tudo isso. Girou ao redor, seu olhar penetrante procurando entre as lápides. Então se virou e gritou diretamente para a fúria do vento. Somente uma palavra, mas uma que sabia que o traria.
— Damon!

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