29 de novembro de 2015

Capítulo 15

Bonnie acordou lentamente, e se viu num lugar escuro.
Então, desejou não ter acordado. Ela estava em um lugar sem portas — com paredes que bloqueavam o horizonte onde o Sol pendia-se para sempre. Ao seu redor havia muitas garotas, todas com aproximadamente a sua idade. Isso era intrigante, para começo de tudo. Se você pegasse aleatoriamente uma garota na rua, muitas gritariam por suas mães, e não havia ninguém ali com idade de uma mãe para tomar conta delas. Até que poderia haver de ter algumas mulheres mais velhas por ali. Esse lugar se parecia...
… Ai, Deus, parecia com um daqueles depósitos de escravos que haviam passado na última vez que vieram à Dimensão das Trevas. Aqueles que Elena havia ordenado para que elas não olhassem ou ouvissem ao que estava acontecendo. Mas Bonnie tinha certeza de que estava dentro de um, e não havia como olhar para os rostos, para os olhos amedrontados ou para as bocas trêmulas que estavam ao seu redor.
Ela queria falar, tentar achar um jeito — pois haveria um jeito, Elena insistiria — de sair dali. Mas primeiro, reuniu todo o seu Poder ao seu comando, envolveu-o em um grito, e gritou em silêncio:
Damon! Damon! Socorro! Preciso muito de você!
Tudo que ela ouviu em resposta foi o silêncio.
Damon! É a Bonnie! Estou num depósito de escravos! Socorro!
De repente, ela teve um pressentimento, e abaixou suas barreiras psíquicas. Ela foi imediatamente esmagada. Mesmo ali, na periferia da cidade, o ar estava embargado de mensagens longas e curtas: gritos de impaciência ou de camaradagem, de saudação ou de ajuda. Os mais longos, e menos impacientes, eram conversas, desde instruções e provocações até histórias. Ela não pôde acompanhar. Tornou-se uma onda ameaçadora de sons psíquicos que poderiam quebrar sua cabeça, ou esmagá-la em um milhão de pedacinhos.
E então, de repente, todo o tumulto telepático desapareceu.
Bonnie era capaz de focar seus olhos em uma garota loira, um pouco mais velha que ela e quase quatro centímetros mais alta.
— Eu disse, você está bem? — A garota estava repetindo; obviamente, estava dizendo isso fazia um bom tempo.
— Sim. — Bonnie disse automaticamente.
Não! Bonnie pensou.
— Você deve se preparar para andar. Soaram o primeiro apito para o jantar, mas você parecia meio desligada. Esperarei pelo segundo.
O que eu devo dizer? Obrigada parecia satisfatório.
— Obrigada. — Bonnie disse.
Então, sua boca disse por conta própria:
— Onde estou?
A loira parecia surpresa.
— No depósito de escravos fugitivos, é claro.
Bem, aí está.
— Mas eu não fugi. — Ela protestou. — Estava indo atrás de um bombom.
— Eu não sei de nada. Eu estava tentando fugir, mas eles finalmente me capturaram. — A garota bateu o punho em sua outra mão aberta. — Eu sabia que não devia ter confiado naquele carregador de liteiras. Trouxe-me direto às autoridades, me enganando descaradamente.
— Quer dizer que você havia abaixado a cortina das liteiras? — Bonnie estava perguntando, quando um apito estridente a interrompeu.
A loira pegou seu braço e começou a arrastá-la para longe.
— Esse é o segundo apito para o jantar... Não queremos perder esse, porque depois eles fecham tudo. Sou Eren. Você é?
— Bonnie.
Eren bufou e sorriu.
— Por mim, tudo bem.
Bonnie deixou-se ser levada escada acima, para uma cafeteria suja. A loira, quem parecia se considerar a guardiã de Bonnie, pegou para ela uma bandeja e a puxou consigo. Bonnie não pegou nada do que tinham, nem mesmo vetar sobre o macarrão que se contorcia um pouco, mas no fim ela conseguiu roubar um pãozinho extra.
Damon!
Ninguém havia dito que não podia ficar mandando mensagens, então ela continuava fazendo isso.
Se ela fosse ser punida, pensou desafiadoramente, seria por tentar sair dali.
Damon, estou num depósito de escravos! Ajude-me!
 Eren pegou um garfo, então Bonnie fez o mesmo. Não havia facas. Havia finos guardanapos, o que deixou Bonnie aliviada, pois eram lá que o Macarrão Contorcido terminaria.
Sem Eren, Bonnie nunca teria encontrado um lugar nas mesas, que estavam abarrotas de jovens garotas comendo.
— Vai pra lá, vai pra lá. — Eren continuava dizendo, até que houve espaço para Bonnie e ela.
O jantar era o teste de coragem de Bonnie... E também o quão alto ela poderia gritar.
— Por que você está fazendo isso tudo por mim? — Ela disse em direção ao ouvido de Eren, quando houve uma pausa naquelas conversas ensurdecedoras.
— Ah, bem, por você ser ruiva e tudo o mais… Coloquei na cabeça a mensagem de Aliana, você sabe. Aquela para a Bonny real. — Ela pronunciava estranhamente, meio que engolindo o “y”, mas pelo menos não era Bonna.
— Qual delas? Quero dizer, qual mensagem? — Bonnie gritou.
Eren deu-lhe um olhar de você-está-de-gozação.
— Ajude quando puder, acolha quando tiver um quarto, guie quando você souber aonde ir. — Ela disse numa espécie de canto impaciente, então, envergonhada, acrescentou: — E seja paciente com os mais lentos.
Ela atacou sua comida com ar de quem havia dito tudo que tinha para se dizer.
Ai, Deus, pensou. Alguém devia ter inventado e espalhado por aí.
Elena nunca havia dito algo como isso.
Sim, mas... Mas talvez ela tenha vivenciado tudo aquilo, Bonnie pensou, um formigamento passando por todo o seu corpo. E talvez alguém havia visto e escrito as palavras. Pode ter sido aquele cara com aparência estranha que ela tinha dado seu brinco ou bracelete, ou coisa assim. Ela havia dado seus brincos às pessoas que possuíam cartazes, também. Cartazes que diziam: FAÇO POESIA EM TROCA DE COMIDA.
O resto do jantar foi de pegar a comida com o garfo e não olhar para ela, mastigar uma vez, e então decidir de cuspia no guardanapo ou tentava engolir sem nem ao menos sentir o sabor.
Depois, as garotas foram marchando em direção ao outro prédio, esse cheio de paletes de madeira, pequenos e não tão confortáveis enquanto Bonnie estava deitada sobre eles. Agora, ela tinha medo de tentar sair do quarto. Lá, estava segura, teria comida que se pudesse comer, poderia se divertir — até mesmo os Dustbins eram uma lembrança boa e bonita... E ela teria a chance de Damon encontrá-la. Aqui, ela não tinha nada.
Mas Eren parecia ter alguma influência hipnótica nas garotas ao seu redor, ou todas a consideravam a própria Aliana, pois quando gritou “Onde tem um palete? Tenho uma garota nova no meu quarto. Vocês acham que ela vai dormir neste chão imundo?” logo apareceu um palete poeirento que foi passado de mão em mão até o “quarto” de Eren: um grupo de paletes que tinha suas cabeças próximas uma das outras, no meio da sala. E então, Eren entregou a Bonnie um guardanapo.
— É dando que se recebe. — Ela disse firmemente, e Bonnie se perguntou se ela pensava que Aliana havia dito isso também.
Um apito estridente.
— Dez minutos para as luzes se apagarem. — Gritou uma voz rouca. — Quem não estiver em seu palete em dez minutos, será punida. Amanhã a sessão C subirá.
— Tudo bem! Estaremos surdas antes mesmo de sermos vendidas. — Eren murmurou.
— Antes mesmo de sermos vendidas? — Bonnie repetiu estupidamente, mesmo já sabendo o que aconteceria, desde o primeiro momento em que ela havia reconhecido este depósito de escravos.
Eren virou e cuspiu.
— Sim. — Ela disse. — Assim, você poderá ter outro colapso, e então acabou. Só irão duas por cliente, e amanhã você desejará ser uma delas.
— Eu não ia perguntar isso. — Bonnie disse, com toda sua coragem sob seu controle. — Ia perguntar em como iremos ser vendidas. É um desses horríveis lugares públicos em que temos que ficar na frente de uma multidão?
— Sim, é assim que a maioria de nós estará. — Uma menina jovem, que esteve chorando silenciosamente durante esse tempo todo, disse em uma voz delicada. — Mas aquelas que escolherem como itens especiais terão que esperar. Eles nos darão banho e uma roupa especial, mas é somente para parecermos mais apresentáveis para os clientes. Assim, os clientes podem nos inspecionar bem de perto. — Ela murmurou.
— Você está assustando a garota nova, Ratinha. — Eren repreendeu. — Chamamos ela de Ratinha, porque sempre está com medo. — Disse à Bonnie.
Damon!
Bonnie gritou silenciosamente.

* * *

Damon estava vestindo seu novo terno de capitão da guarda. Estava bom, sendo preto sobre preto, com riscas pretas um pouco mais claras (até mesmo Damon teve que reconhecer a necessidade do contraste). Ele tinha um manto.
E era cem por cento vampiro novamente, tão poderoso e tão cheio de prestígio que jamais chegou a imaginar. Por um momento, ele simplesmente deleitou-se com o trabalho bem feito.
Então, ele flexionou seus músculos de vampiro com mais força, chegando onde estava Jessalyn, vendo que ela se encontrava no andar de cima, em um sono profundo, enquanto liberava seu Poder por toda a Dimensão das Trevas, para ver o que estava acontecendo nos diferentes bairros.
Jessalyn... Aí estava o dilema. Damon sentia que devia deixar-lhe uma nota ou coisa parecida, mas não sabia ao certo o que dizer.
O que poderia dizer a ela? Que ele havia ido embora? Ela veria por si mesma. Que sentia muito? Bem, obviamente ele não sentia muito por ter ido embora. Que tinha deveres em outro lugar? Espera. Isso pode até funcionar. Ele poderia dizer que precisava checar os territórios dela, e ao ficar aqui, ele duvidava que pudesse fazer algo. Poderia dizer que voltaria... Logo. Logo, logo. Bem loguinho.
Damon pressionou sua língua contra um canino e sentiu com nitidez e gratificação o comprimento. Queria muito experimentar aqueles programas de luta vampíricas. Ele queria caçar, essa era a verdade. É claro, havia ali muito vinho Black Magic, bastava ele parar um servo e pedir um pouquinho que logo o servo traria uma garrafa. Damon tinha pegado algumas garrafas, uma vez ou outra, mas o que ele queria mesmo era caçar. Não queria um escravo ou um animal , e não parecia muito justo ficar vagando pelas ruas na esperança de encontrar uma nobre e, assim, conhecê-la melhor.
Foi neste momento que se lembrou de Bonnie.
Em questão de três minutos, ele tinha tudo pronto, incluindo uma entrega anual de rosas para a princesa em seu nome.
Jessalyn havia lhe dado um salário bem vantajoso, e já tinha adiantado o primeiro pagamento.
Em outros cinco minutos, ele estava voando, embora isso fosse um jeito bem mal-educado de se agir na cidade, e parou na área de comércio.
Dentro de quinze minutos, ele tinha em suas mãos o pescoço da dona de onde Bonnie estava, no qual ele havia pagado bastante para que ela esquecesse tudo o que havia acontecido.
Dezesseis minutos depois, a mulher oferecia cruelmente a vida de seu jovem e não tão inteligente escravo como recompensa. Ele ainda estava usando seu uniforme de capitão da guarda. Poderia matar o garoto, torturá-lo, fazer o que quiser... Poderia até ter seu dinheiro de volta...
— Eu não quero o seu escravo imundo. — Ele rosnou. — Quero a minha de volta! Ela vale...
Ele parou, tentando calcular quantas meninas comuns Bonnie valia. Cem? Mil?
—... Ela vale infinitamente mais! — Ele havia começado, quando a mulher o surpreendeu ao interrompê-lo.
— Por que a deixou num lixão como esse, então? — ela disse. — Ah, sim, sei como é a aparência do meu estabelecimento. Se ela é assim tão preciosa, porque a deixou aqui ?
Porque ele a havia deixa neste lugar? Damon não podia pensar nisso agora. Estava em pânico, meio que fora de controle... Isso que dá ser humano outra vez. Ele esteve só pensando em si mesmo, enquanto a Bonniezinha — a frágil Bonnie, o seu passarinho — esteve presa em um lugar imundo. Ele não queria continuar a pensar nisso. Isso fez com que se sentisse quente e frio ao mesmo tempo.
Ele mandou que fizessem uma procura nos prédios vizinhos. Alguém tinha que ter visto alguma coisa.

* * *

Bonnie havia acordado bem cedo, separando-se de Eren e Ratinha. Ela imediatamente teve uma vontade de perder o controle, de ter um colapso, tudo de uma vez. Ela estava se tremendo toda.
Damon! Socorro!
Então, ela viu uma garota que não conseguia levantar de seu palete, e viu uma mulher com braços de homem vindo com uma vara de cinzas brancas para aplicar a punição.
E então, algo pareceu passar pela mente de Bonnie. Elena ou Meredith teriam tentado detê-la, ou até tentado sair deste lugar em que estava presa, mas Bonnie não conseguia. A única coisa que pôde fazer foi não tentar entrar em colapso.
Ela tinha uma música grudada na cabeça, e não era uma que gostava, mas se repetia infinitamente enquanto os escravos eram desumanizados, transformando-se em corpos mecânicos, mas limpos, e sem mentes.
Ela estava sendo limpa impiedosamente por duas mulheres musculosas, cuja toda sua vida, sem dúvida, consistia em esfregar meninas de rua encardidas para parecem bonitas — pelo menos, por uma noite. Mas finalmente seus protestos fizeram com que as mulheres olhassem para ela — para sua limpa e quase translúcida pele — e então elas se concentraram em lavar seu cabelo, mas parecia que estavam sendo arrancado de suas raízes. Finalmente, ela estava pronta e lhe fora dado uma toalha adequada para se secar. A seguir, no que ela percebeu que parecia mais uma linha grande de montagem, gentis mulheres rechonchudas tiraram-na a toalha, colocaram-na em um sofá e começaram uma massagem com óleo. Justo quando ela estava começando a se sentir melhor, foi empurrada para que o óleo fosse removido, exceto o que havia penetrado em sua pele. Mulheres, então, apareciam, chamando cada uma por um número, onde logo Bonnie fora encaminhada para um guarda-roupa, onde três vestidos a esperavam em um cabide. Havia um preto, um verde e um cinza.
Eu vou pegar o verde por causa do meu cabelo, Bonnie pensou sem demonstrar expressão, mas depois de ela ter experimentado os três, uma mulher havia levado o verde e o cinza, deixando Bonnie com aquele vestidinho preto e cheio de bolhas, sem alça, com um toque brilhante de algum tipo de material branco no pescoço.
Logo à frente havia uma grande sala de banheiros, onde seu vestido fora cuidadosamente coberto por um robe. Ela foi levada a uma cadeira com secador de cabelo e vários tipos de maquiagem, no qual uma mulher com roupa branca havia aplicado em excesso no rosto de Bonnie.
Então, enquanto o secador balançava sobre sua cabeça, Bonnie, com um lenço roubado, atreveu-se a tirar um pouco de maquiagem. Não queria parecer bonita, não queria ser vendida. Quando ela terminou, ainda tinha cílios prateados, um toque de blush e batom aveludado rosa-avermelhado que não queriam sair.
Só depois de ela ter penteado seu cabelo com as mãos até que ficassem secos é que a antiga máquina fez o seu ping.
A próxima estação era quase igual ao Dia de Ação de Graças dentro de uma loja de sapatos. As meninas mais fortes ou as mais determinadas conseguiam os melhores sapatos de suas irmãs mais fracas e perdidas, conseguindo colocar somente um só sapato no pé, e assim recomeçava o processo novamente. Bonnie estava com sorte. Viu um pequeno sapato preto que tinha um arco ligeiramente prateado descendo até a rampa e manteve seus olhos nele enquanto passava de menina a menina, até que alguém os deixou cair e mergulhou e os experimentou.
Ela não sabia o que havia feito até que percebeu que o sapato coube. Mas coube, e ela foi para a próxima estação para pegar o próximo par. Enquanto estava esperando, outras garotas estavam experimentando perfumes.
Bonnie viu garotas escondendo dois fracos de perfume em seus espartilhos e se perguntou se iriam vendê-los ou se envenenar com eles. Havia flores também.
Bonnie já estava tonta com tanto perfume e decidiu não usar nenhum, mas uma mulher alta borrifou algo por cima de sua cabeça e uma fragrância de morango silvestre fora fixado em seus cachos, sem ninguém ao menos ter pedido.
A última estação era a mais difícil de suportar. Ela não estava usando nenhuma jóia e teria posto somente um bracelete para combinar com o vestido. Mas foram lhe dado dois braceletes de plásticos finos e inquebráveis, cada um com um número — sua identidade a partir de agora, lhe contaram.
Braceletes de escravos. Ela havia sido lavada, embalada e carimbada, para que pudesse ser convenientemente vendida.
Damon!
Ela gritou sem voz, mas algo dentro dela havia morrido, e soube que suas chamadas não seriam respondidas.

* * *

— Ela foi recolhida como uma escrava fugitiva e foi confiscada. — O homem da loja de doces disse a Damon impacientemente. — E isso é tudo que eu sei.
Damon saiu com um sentimento que ele não experimentava geralmente. Muito medo. Estava começando a acreditar que todo esse tempo fora perdido; que nunca conseguiria salvar o seu passarinho. Que ela veria cenários terríveis antes que ele pudesse salvá-la.
Ele não podia ficar perdendo tempo visualizando tais coisas. O que faria se não a encontrasse a tempo...?
Ele estendeu a mão e sem o menor esforço agarrou a garganta do homem da loja de doces, levantando-o do chão.
— Precisamos bater um papinho. — Disse, mostrando seus olhos ameaçadores para os esbugalhados de sua presa. — Sobre como ela fora confiscada. Nem tente lutar. Se não machucou a menina, não tem o que temer. Caso contrário...
Ele puxou o homem aterrorizado pelo balcão e disse gentilmente:
— Caso contrário, então, teremos problemas. De qualquer forma, não fará diferença alguma no fim... Se é que você me entende.

* * *

As garotas foram postas nas maiores carruagens que Bonnie já vira na Dimensão das Trevas, três magras meninas sentadas em dois bancos estreitos em cada carruagem. Ele teve um sobressalto desagradável, porém, quando percebeu que aquela coisa seria puxada por suados escravos nos cantos. Era liteira gigante e Bonnie imediatamente enterrou seu nariz no aroma de morango silvestre em seus cabelos.
Havia uma função adicional ao fazer isso: esconder suas lágrimas.

* * *

— Você tem alguma ideia em quantas casas, halls, salões de dança e teatros as garotas serão vendidas esta noite? — A Guardiã com cabelo loiro dourado disse para ele ironicamente.
— Se eu soubesse, — Damon disse com seu sorriso frio e sinistro. — Não estaria aqui perguntando a você.
A Guardiã deu de ombros.
— Nosso trabalho é somente manter a paz por aqui... E você pode ver como somos bem sucedidos. É um trabalho para pouco de nós; estamos com falta de pessoal. Mas posso te dar uma lista de locais onde as garotas serão vendidas. Ainda assim, como eu disse, duvido que seja capaz de encontrar sua fugitiva antes de amanhecer. A propósito, estamos de olho em você, por causa desses seus critérios de procura. Se sua fugitiva não for uma escrava, ela será propriedade Imperial... Nenhum humano é livre aqui. Se ela for, e você a libertou, conforme fora reportado pelo padeiro do outro lado da rua...
— Vendedor de doces.
— Que seja. Então, ele teve todo o direito de usar uma arma tranquilizante quando ela correu. Melhor pra ela, verdade, do que ser propriedade Imperial; eles costumam ser rudes, se é que entende. Em níveis cada vez mais baixos.
— Mas se ela fosse uma escrava... Minha escrava…
— Então, você pode levá-la. Mas há uma certa punição obrigatória antes que possa tê-la. Queremos desestimular esse tipo de coisa.
Damon olhou para ela com olhos que a fizeram encolher-se e olhar para o lado, abruptamente perdendo sua autoridade.
— Por quê? — Ele exigiu. — Pensei que você tinha alegado ser da outra Corte. A Celestial, sabe?
— Queremos desencorajar fugas por que houve muitas desde que uma menina chamada Alianna chegou. — A Guardiã disse, sua veia visivelmente em sua têmpora. — E então, são capturados e há mais razões para se tentar novamente... E todas estão ligadas à garota, eventualmente.

* * *

Não havia ninguém no Grande Salão quando Bonnie e as outras garotas foram empurradas das grandes liteiras para o prédio.
— É um prédio novo, então não está nas listas. — Ratinha disse, inesperadamente em seu ombro. — Não haverá muitas pessoas que saberão disso, então só ficará cheio bem mais tarde, quando a música tocar bem alto.
Ratinha parecia estar se agarrando nela em busca de conforto. Isso era bom, mas Bonnie precisava de algum conforto para si só. No minuto seguinte, viu Eren e, trazendo Ratinha consigo, ela se dirigiu em direção à loira.
Eren estava parada com as costas contra a parede.
— Bem, podemos ficar por aí como várias solitárias, — ela disse, enquanto alguns homens se aproximavam. — Ou podemos fingir que estamos nos divertindo muito. Alguém conhece uma história?
— Ah, eu conheço. — Bonnie disse distraidamente, pensando na Esfera Estelar com a Quinhentas Histórias Para Crianças.
Instantaneamente houve um tumulto.
— Conte!
— Sim, por favor, conte!
Bonnie tentou pensar nos contos de fadas que havia experimentado.
É claro. Havia aquela sobre o tesouro kitsune.

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