20 de novembro de 2015

Capítulo 15

Matt assentiu, mas ele estava corando até as raízes de seu cabelo.
― Tamra... pressionou-se contra mim.
Houve uma longa pausa.
Meredith disse levemente:
― Matt, você quer dizer que ela abraçou você? Tipo um abraço enoooooorme? Ou que ela... ― Ela parou, porque Matt já estava balançando a cabeça veementemente.
― Não foi um enooooorme abraço inocente. Estávamos sozinhos, na entrada, e ela apenas... bem, eu não pude acreditar. Ela tem apenas quinze anos, mas agia como uma mulher adulta. Quero dizer... não que uma mulher adulta já tivesse feito isso comigo.
Parecendo envergonhado, mas aliviado por ter conseguido tirar isto de seu peito, o olhar de Matt foi de rosto em rosto.
― Então o que vocês acham? Foi apenas uma coincidência que Caroline estivesse lá? Ou será que ela... disse algo a Tamra?
― Não foi coincidência ― Elena falou simplesmente. ― Seria muita coincidência: Caroline dando em cima de você e em seguida Tamra agindo assim. Eu sei – eu conhecia Tami Bryce. Ela é uma boa garotinha – ou costumava ser.
― Ela ainda é ― concordou Meredith. ― Eu disse a você, saí com Jim algumas vezes. Ela é uma menina muito boazinha, e nem um pouco madura para sua idade. Não acho que ela normalmente faria nada impróprio, a não ser... ― Ela parou, olhando para a meia distância, e depois encolheu os ombros sem terminar a frase.
Bonnie pareceu séria agora.
― Mas temos de parar isto ― disse. ― E se ela fizer isso com um cara que não é legal e tímido como Matt? Ela pode ser agredida!
― Esse é o problema ― disse Matt, ficando vermelho de novo. ― Quero dizer, é bastante difícil... Se tivesse sido alguma outra garota, que eu estivesse saindo – não que eu me encontre com outras garotas... ― ele acrescentou apressadamente, olhando para Elena.
― Mas você devia estar saindo em encontros ― disse Elena, firme. ― Matt, não quero fidelidade eterna de você – não há nada que eu queira mais que vê-lo namorando uma boa garota. ― Como se por acaso, seu olhar vagueou para Bonnie, que agora tentava mastigar um aipo muito calma e primorosamente. ― Stefan, você é o único que pode nos dizer o que fazer ― continuou Elena, voltando-se para ele.
Stefan franzia a testa.
― Eu não sei. Com apenas duas meninas, é muito difícil tirar conclusões.
― Então vamos esperar e ver o que Caroline – ou Tamra – fazem a seguir? ― Meredith perguntou.
― Não simplesmente esperar ― disse Stefan. ― Temos de descobrir mais sobre isso. Vocês podem ficar de olho em Caroline e em Tamra Bryce, e eu posso pesquisar.
― Droga! ― Elena falou, socando o chão. ― Eu quase posso... ― Ela parou de repente e olhou para seus amigos. Bonnie tinha deixado cair seu aipo, arfando, e Matt engasgara com sua Coca, começando um acesso de tosse. Até mesmo Meredith e Stefan olhavam para ela. ― O quê? ― perguntou sem expressão.
Meredith se recuperou primeiro.
― É que ontem você era... bem, anjos muito jovens não xingam.
― Só porque eu morri duas vezes quer dizer que eu tenho que dizer lerda pelo resto da minha vida? ― Elena balançou a cabeça. ― Não. Eu sou eu e vou continuar sendo eu – quem quer que eu seja.
― Ótimo ― disse Stefan, inclinando-se para beijar o alto de sua cabeça.
Matt olhou para longe e Elena deu um tapinha quase desdenhoso em Stefan, mas pensando, “eu te amo pra sempre”, e sabendo que ele conseguia ouvir, mesmo que ela não pudesse ouvir seu pensamento em retorno. Na verdade, ela descobriu que conseguia captar sua resposta geral a isso, um rosa quente parecia pairar ao redor dele.
Era isso que a Bonnie via e chamava de aura? Ela percebeu que na maior parte do dia ela o tinha visto com um tipo de sombra esmeralda leve e fria em torno dele – se sombras pudessem ser leves. E o verde estava retornando agora, enquanto o rosa desbotava.
Imediatamente olhou para o resto dos piqueniqueiros. Bonnie estava cercada por uma cor cereja, indo para um rosa pálido. Meredith era um violeta intenso e profundo. Matt era um azul forte e claro.
Isso a lembrou do dia anterior – ontem? – quando ela tinha visto tantas coisas que ninguém mais podia ver. Incluindo algo de que tinha medo.
O que podia ser? Ela ficava tendo relampejos de imagens – pequenos detalhes que eram assustadores o bastante sozinhos. Poderia ser tão pequeno quanto uma unha ou tão grande como um braço. Textura de uma casca de árvore, pelo menos no corpo. Antenas parecidas com de insetos, mas muitas delas, e se movendo como chicotes, mais velozes do que qualquer inseto já as movera. Ela tinha essa sensação de se esconder sempre quando pensava em insetos. Era um inseto, então. Mas um inseto construído sobre um plano corporal diferente do que qualquer inseto que conhecera. Era mais como uma sanguessuga nesse sentido, ou uma lula. Tinha uma boca completamente circular, com dentes afiados por toda a volta, e tentáculos demais que pareciam grossas vinhas açoitando nas costas.
Podia juntar-se a uma pessoa, ela pensou. Mas tinha uma terrível sensação de que poderia fazer mais que isso.
Poderia ficar transparente e entrar em você e você não sentiria mais que uma picada de agulha.
E então o que aconteceria?
Elena virou-se para Bonnie.
― Acha que se eu lhe mostrar o que algo parece, você poderia reconhecê-lo novamente? Não com os olhos, mas com os seus sentidos psíquicos?
― Acho que depende do que o “algo” é ― Bonnie respondeu cautelosamente.
Elena olhou para Stefan, que deu uma breve mexida de cabeça.
― Então feche os olhos ― disse ela.
Bonnie o fez, e Elena colocou a ponta dos dedos sobre as têmporas de Bonnie, com seus polegares escovando suavemente os cílios de Bonnie. Tentando ativar seus Poderes Brancos – algo que era tão fácil antes de hoje – era como bater duas rochas juntas para fazer uma fogueira e esperar que uma delas fosse sílex.
Finalmente, sentiu uma pequena faísca, e Bonnie foi empurrada para trás.
Os olhos de Bonnie se abriram.
― O que foi isso? ― ela arfou. Estava respirando com dificuldade.
― Isso foi o que vi... ontem.
― Onde?
Elena respondeu lentamente:
― Dentro de Damon.
― Mas o que isso significa? Ele o controlava? Ou... ou... ― Bonnie parou e seus olhos se arregalaram.
Elena terminou a frase para ela.
― Aquilo o controla? Eu não sei. Mas uma coisa que sei, quase com certeza, é que quando ele ignorou o seu Chamado, Bonnie, ele estava sendo influenciado pelo malach.
― A questão é: se não for Damon, quem está controlando então? ― Stefan perguntou, de pé, novamente agitado. ― Eu captei isso, e o tipo de criatura que Elena mostrou a você – não é algo com mente própria. Ele precisa de um cérebro de fora para ser controlado.
― Como outro vampiro? ― Meredith perguntou calmamente.
Stefan deu de ombros.
― Vampiros geralmente simplesmente os ignoram, porque os vampiros podem conseguir o que quiserem sem eles. Teria que ser uma mente muito forte para conseguir que um malach como esse possuísse um vampiro. Forte e do mal.


― Aqueles ― disse Damon com uma mordaz precisão gramatical, de onde estava sentado em um galho alto em um carvalho ― são eles. Meu irmão mais novo e seus... companheiros.
― Maravilhoso ― murmurou Shinichi. Ele havia se esticado ainda mais gracioso e languidamente contra o carvalho do que Damon. Tornara-se um concurso implícito. Os olhos dourados de Shinichi haviam ficado dilatados uma vez ou duas vezes – Damon vira isso – ao ver Elena e à menção de Tamra.
― Nem tente me dizer que você não está envolvido com essas meninas desordeiras ― Damon adicionou secamente. ― De Caroline a Tamra e em diante, esse é o objetivo, não é?
Shinichi balançou a cabeça. Seus olhos estavam sobre Elena e ele começou a cantar uma música folk suavemente.

Com bochechas como rosas florescendo.
E cabelos como trigo dourado...

― Eu não tentaria isso com essas meninas ― Damon sorriu sem humor. Seus olhos estavam estreitos. ― Tudo bem, elas parecem ser tão fortes quanto papel higiênico molhado – mas são mais duronas do que você pensa, e são as mais duronas de todas quando uma delas está em perigo.
― Eu lhe disse, não sou eu fazendo isso ― respondeu Shinichi. Ele pareceu apreensivo pela primeira vez desde que Damon o vira. Então continuou: ― Embora eu possa conhecer o causador.
― Diga ― Damon sugeriu, ainda olhando estreito.
― Bem, mencionei minha irmã gêmea mais nova? O nome dela é Misao ― sorriu vencedor. ― Significa donzela.
Damon sentiu uma agitação automática de apetite. Ele a ignorou. Estava muito relaxado para pensar em caçar, e não estava muito certo se aquele kitsune – um espírito-raposa, como Sinichi havia se chamado – poderia ser caçado.
― Não, você não a mencionou ― Damon disse, distraidamente coçando a parte de trás de seu pescoço. Aquela picada de mosquito tinha sumido, mas havia deixado para trás uma furiosa coceira. ― Você deve ter, de algum modo, se esquecido.
― Bem, ela está aqui em algum lugar. Veio quando eu vim, quando vimos a explosão de Poder que a trouxe de volta... Elena.
Damon tinha certeza de que a hesitação antes da menção do nome de Elena era falsa. Ele inclinou a cabeça no ângulo não ache que você está me enganando e esperou.
― Misao gosta de jogar ― Shinichi falou simplesmente.
― Ah, sim? Como gamão, xadrez, taqui, esse tipo de coisa?
Shinichi tossiu teatralmente, mas Damon pegou o brilho vermelho em seus olhos. Nossa, ele era realmente superprotetor, não era? Damon lançou a Shinichi uns de seus sorrisos mais incandescentes.
― Eu a amo ― o jovem com o cabelo preto lambido pelo fogo disse, e desta vez havia um aviso aberto em sua voz.
― Claro que você a ama ― Damon respondeu em tons suaves. ― Posso ver isso.
― Mas, bem, os jogos dela normalmente têm o efeito de destruir uma cidade. Eventualmente. Não tudo de uma vez.
Damon deu de ombros.
― Esta molécula de cidade não fará falta. Claro, eu tiro as minhas garotas vivas primeiro ― agora era a sua voz que continha um aviso aberto.
― Do jeito que você quiser ― Shinichi estava de volta a seu eu normal e submisso. ― Somos aliados, e manteremos o nosso acordo. De qualquer forma, seria uma vergonha desperdiçar... tudo isso. ― Seu olhar insinuou-se sobre Elena novamente.
― Aliás, não vamos nem discutir o pequeno fiasco com o seu malach e eu – ou os delas, se você insiste. Tenho certeza que vaporizei pelo menos três deles, mas se eu vir outro, a nossa relação comercial acabará. Sou um inimigo mau, Shinichi. Você não quer descobrir quão mau.
Shinichi pareceu adequadamente impressionado enquanto concordava. Mas no instante seguinte encarava Elena de novo, cantando.

“... cabelos como trigo dourado
por seus ombros brancos feito leite;
Minha linda rosa, minha doce...”

― E eu vou querer conhecer essa sua Misao. Para a proteção dela.
― E sei que ela quer te conhecer. Está presa em seu jogo no momento, mas vou tentar arrastá-la para longe dele ― Shinichi se alongou luxuosamente.
Damon olhou para ele por um momento. Então, distraído, também se alongou.
Shinichi o observava. E sorria.
Damon se perguntou sobre aquele sorriso. Ele havia notado que, quando Shinichi sorria, duas pequenas chamas de vermelho podiam ser vistas em seus olhos.
Mas ele estava realmente muito cansado para pensar nisso agora. Simplesmente relaxado demais. De fato, ele de repente sentiu muito sono...


― Então vamos procurar estas coisas malach em meninas como Tamra? ― Bonnie perguntou.
― Exatamente como Tamra ― concordou Elena.
― E você acha ― disse Meredith, observando Elena de perto ― que a Tamra, de algum jeito, pegou da Caroline.
― Sim. Eu sei, eu sei – a pergunta é: onde Caroline conseguiu isso? E isso eu não sei. Mas, novamente, não sabemos o que aconteceu com ela quando foi sequestrada por Klaus e Tyler Smallwood. Não sabemos nada sobre o que ela está fazendo nessa última semana – exceto, é claro, que nunca realmente parou de nos odiar.
Matt segurava sua cabeça entre as mãos.
― E então o que vamos fazer? Sinto como se eu fosse responsável de alguma forma.
― Não – Jimmy é o responsável, se é pra nomear alguém. Se ele – você sabe, deixou a Caroline passar a noite – e, em seguida, deixou-a falar sobre isso com sua irmã de quinze anos de idade... Bem, isso não faz dele culpado, mas certamente ele poderia ter sido um pouco mais sutil ― Stefan apontou.
― E é aí que você se engana ― Meredith lhe disse. ― Matt, Bonnie, Elena e eu conhecemos Caroline há anos e sabemos do que ela é capaz. Se alguém se qualifica como responsável, somos nós. E acho que estamos em grave inadimplência de dever. Eu voto em pararmos na casa dela.
― Eu também ― disse Bonnie tristemente ― mas não estou ansiosa para fazer isso. Além do mais, e se não tiver essas coisas, malach, nela?
― É aí que a pesquisa entra ― respondeu Elena. ― Precisamos descobrir quem é que está por trás disso tudo. Alguém suficientemente forte para influenciar Damon.
― Maravilhoso ― disse Meredith, com um olhar sombrio. ― E dado o poder da localização da cidade, só temos que descobrir de entre todas as pessoas de Fell´s Church.


Quarenta e cinco metros a oeste e nove metros acima, Damon lutava para se manter acordado.
Shinichi esticou seu braço para tirar cabelo fino, cor da noite e de chamas lambendo de sua testa. Sob suas pálpebras abaixadas, ele observava Damon atentamente.
Damon pretendia observá-lo tão atentamente quanto, mas estava simplesmente sonolento demais. Lentamente, imitou o movimento de Shinichi, tirando alguns fios de cabelo preto-seda de sua testa. Suas pálpebras caíram inadvertidamente, um pouco mais do que antes. Shinichi ainda sorria para ele.
― Então temos o nosso acordo ― ele murmurou. ― Tomamos a cidade, Misao e eu, e você não ficará no nosso caminho. Temos direito à energia das linhas de Poder. Você tira as suas garotas de modo seguro daqui... e tem sua vingança.
― Contra o meu irmão hipócrita e aquele... aquele Mula!
― Matt ― Shinichi tinha ouvidos afiados.
― Tanto faz. Só não quero Elena ferida, isso é tudo. Ou a bruxinha de cabelo vermelho.
― Ah, sim, a doce Bonnie. Eu não me importaria de ter uma ou duas como ela. Uma para o Samhain e a outra para o Solstício.
Damon bufou sonolentamente.
― Não há duas dela; não me importo onde você procurar. Não quero vê-la machucada também.
― E quanto à alta, morena e bonita... Meredith?
Damon acordou.
― Onde?
― Não se preocupe; ela não está vindo te pegar ― disse Shinichi tranquilizadoramente. ― O que você quer fazer com ela?
― Ah. ― Damon reclinou novamente em alívio, aliviando seus ombros. ― Deixe- a ir para onde quiser – contanto que seja bem longe de mim.
Shinichi pareceu relaxar deliberadamente contra o seu ramo.
― Seu irmão não será um problema. Portanto resta apenas aquele outro garoto lá ― ele murmurou. Murmurou muito insinuantemente.
― Sim. Mas o meu irmão... ― Damon estava quase dormindo agora, na mesma posição que Shinichi havia tomado.
― Eu disse a você, cuidaremos dele.
― Mm. Quero dizer, bom.
― Então temos um acordo?
― Ahããm.
― Sim?
― Sim.
― Temos um acordo.
Desta vez, Damon não respondeu. Ele estava sonhando. Ele sonhou que os olhos dourados angelicais de Shinichi se abriram de repente para olhar para ele.
― Damon.
Ele ouviu o seu nome, mas em seu sonho era muito trabalhoso abrir os olhos. Ele podia ver sem abri-los, de qualquer maneira.
Em seu sonho, Shinichi inclinou-se sobre ele, pairando diretamente sobre seu rosto, então suas auras estavam misturadas e teriam compartilhado o ar se Damon estivesse respirando. Shinichi ficou desse jeito por um bom tempo, como se estivesse testando a aura de Damon, mas Damon sabia que para alguém de fora, ele pareceria estar desligado de todos os canais e frequências. Ainda assim, em seu sonho, Shinichi pairava sobre ele, como se estivesse tentando memorizar os crescentes cílios escuros nas bochechas pálidas de Damon ou a curva sutil de sua boca.
Finalmente, o Shinichi do sonho colocou a mão sob a cabeça de Damon e acariciou o local onde a picada de mosquito coçava.
― Oh, crescendo para ser um grande rapaz, não é? ― ele disse para algo que Damon não conseguia ver – para algo dentro dele. ― Você poderia quase tomar o controle completo contra a sua própria força de vontade, não poderia?
Shinichi sentou por um momento, como se estivesse observando uma flor de cereja cair, e em seguida fechou os olhos.
― Eu acho ― ele sussurrou, ― que isso é o que vamos tentar, daqui a não muito tempo. Em breve. Muito em breve. Mas primeiro, temos de ganhar a confiança dele; livrar-se de seu rival. Mantê-lo confuso, com raiva, vaidoso, desequilibrado. Deixá-lo pensando em Stefan, em seu ódio por Stefan, que tomou seu anjo, enquanto eu cuido do que precisa ser feito aqui.
Então ele falou diretamente com Damon.
― Aliados, na verdade! ― ele riu. ― Não enquanto eu puder colocar meu dedo em sua alma. Aqui. Você sente isso? O que eu poderia obrigar você fazer...
E então novamente ele parecia se endereçar a qualquer criatura que já estivesse dentro de Damon:
― Mas agora... uma pequena cantiga para ajudar você a crescer muito mais rápido e te tornar muito mais forte.
No sonho, Shinichi fez um gesto e se reclinou, incentivando o malach, antes invisível, a subir nas árvores. Eles se esgueiraram para cima e deslizaram em volta do pescoço de Damon. E então, horrivelmente, escorregaram para dentro dele, um por um, através de um corte que ele não sabia que tinha. A sensação de seus corpos suaves, macios e gelatinosos era quase insuportável... escorregando para dentro dele...
Shinichi cantou baixinho.

“Oh, vinde a mim, ó belas e lindas donzelas
Apressai-vos amadas em meu peito
Venham para mim à luz do sol ou do luar
Enquanto as rosas ainda estão a florescer...”

Em seu sonho, Damon estava irritado. Não por causa do absurdo sobre o malach dentro dele. Isso era ridículo. Ele estava com raiva porque sabia que o Shinichi do sonho estava observando Elena enquanto ela começava a arrumar os restos do piquenique. Estava observando cada movimento que ela fazia com uma proximidade obsessiva.

“Elas florescem onde você pisa
... rosas silvestres sangrentamente vermelhas.”

― Garota extraordinária, a sua Elena ― o Shinichi do sonho acrescentou. ― Se ela viver, acho que será minha por uma noite, mais ou menos. ― Ele acariciou suavemente os fios de cabelo restantes de Damon para longe de sua testa. ― Aura extraordinária, você não acha? Vou me certificar de que a morte dela seja bela.
Mas Damon estava em um daqueles sonhos onde você não podia se mover nem falar. Ele não respondeu.
Enquanto isso, os bichinhos de estimação do Shinichi do sonho continuavam a escalar as árvores e a se despejarem, como gelatina, para dentro dele. Um, dois, três, uma dúzia, duas dúzias deles. Mais.
E Damon não conseguia acordar, mesmo sentindo mais malachs vindo da floresta. Eles não estavam nem mortos, nem vivos, não eram homens nem mulheres, meras cápsulas de Poder que permitiriam a Shinichi controlar a mente de Damon de longe. Sem fim, eles vinham.
Shinichi continuou assistindo ao fluxo, o brilho luminoso dos órgãos internos brilhando em Damon. Depois de um tempo, ele cantou novamente:

“Os dias são preciosos, não vá perdê-los
Flores irão desaparecer assim como você.
Vinde a mim, ó belas jovens donzelas
Enquanto ainda seres jovens e belas.”

Damon sonhou que ouviu a palavra “esqueça” como se fosse sussurrada por uma centena de vozes. E mesmo quando tentava se lembrar do que esquecer, isso foi dissolvido e desapareceu.
Ele acordou sozinho na árvore, com uma dor que preenchia o corpo inteiro.

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