8 de novembro de 2015

Capítulo 15

Assim que deixou Elena em casa, Stefan foi à floresta.
Tomou a Estrada Old Creek, dirigindo sob das nuvens mal-humoradas – através das quais nenhum pedaço do céu podia ser visto, para o lugar onde ele tinha estacionado no primeiro dia de escola.
Deixando seu carro, tentou retraçar seus passos exatamente até a clareira onde tinha visto o corvo. Seus instintos de caçador o ajudaram, relembrando o formato desse arbusto e daquela raiz nodosa, até que ficou de pé em um lugar aberto envolvido por antigas árvores de carvalho.
Aqui. Debaixo daquele cobertor de folhas marrons sujas, podia até restar alguns dos ossos de coelho.
Tomando um longo fôlego para se aquietar, para reunir seus Poderes, lançou um pensamento investigador e exigente.
E pela primeira vez desde que viera para Fell’s Church, sentiu a vibração de uma resposta. Mas parecia fraca e vacilante, não pôde localizá-lo no espaço.
Ele suspirou e virou... e parou bruscamente.
Damon estava perante ele, os braços cruzados sobre o peito, reclinando-se contra o maior carvalho. Parecia como se pudesse ter estado lá por horas.
—Então — falou Stefan decisivamente — é verdade. Faz muito tempo, irmão.
— Não tanto quanto você acha, irmão — Stefan lembrou-se daquela voz, daquela voz aveludada e irônica. — Eu fiquei de olho em você com o passar dos anos. — Damon disse calmamente. Deu um peteleco num pedacinho de casca de árvore que estava na manga de sua jaqueta de couro tão casualmente como uma vez arrumara seus punhos bordados com fios de ouro. — Mas então você não saberia disso, saberia? Ah, não, seus Poderes são tão fracos como sempre.
— Tenha cuidado, Damon — Stefan respondeu suave e perigosamente. — Tenha muito cuidado hoje à noite. Não estou com um humor tolerante.
— O santo Stefan está irritadinho? Imagina. Você está angustiado, presumo, por causa da minha pequena excursão no seu território. Só fiz isso porque queria ficar perto de você. Irmãos deveriam ser próximos.
— Você matou hoje à noite. E tentou me fazer pensar que eu tinha feito isso.
— Tem certeza de que não fez? Talvez tenhamos feito juntos. Cuidado! — ele disse a medida em que Stefan aproximava-se. — Meu humor não está o mais tolerante hoje à noite, tampouco. Eu só tive um fenecido professorzinho de história; você teve uma garota bonita.
A fúria dentro de Stefan coalesceu, parecendo se focar em um ponto brilhante em combustão, como um sol dentro dele.
— Fique longe da Elena — sussurrou com tal ameaça que Damon de fato reclinou sua cabeça ligeiramente para trás. — Fique longe dela, Damon. Sei que você esteve espiando-a, observando-a. Mas não mais. Chegue perto dela de novo e irá se arrepender.
— Você sempre foi egoísta. Sua única falha. Não está disposto a dividir nada, está? — de repente, os lábios de Damon se curvaram um sorriso estranhamente bonito. — Mas felizmente a adorável Elena é mais generosa. Não te contou sobre nosso romancezinho ilícito? Ora, na primeira vez que nos conhecemos ela quase se jogou em mim imediatamente.
— Isso é mentira!
— Ah, não, querido irmão. Nunca minto sobre nada relevante. Ou quero dizer irrelevante? De qualquer jeito, sua linda donzela quase desmaiou nos meus braços. Acho que ela gosta de homens de preto — à medida em que Stefan encarava-o, tentando controlar sua respiração, Damon acrescentou, quase gentilmente: — Está enganado quanto à ela, sabe. Acha que ela é amável e dócil, como Katherine. Ela não é. Não é mesmo o seu tipo, meu santo irmão. Há um espírito e um fogo nela que você não saberia o que fazer.
— E você saberia, creio.
Damon descruzou seus braços e lentamente sorriu de novo. — Ah, sim.
Stefan queria pular nele, esmagar aquele lindo e arrogante sorriso, arregaçar a garganta de Damon. Ele falou, em uma voz mal controlada:
— Você está certo sobre uma coisa. Ela é forte. Forte o bastante para combatê-lo. E agora que sabe o que você realmente é, ela irá. Tudo o que sente por você agora é nojo.
As sobrancelhas de Damon se levantaram.
— Ela sente, agora? Veremos. Talvez ache que a escuridão real é mais do seu gosto que um crepúsculo débil. Eu, pelo menos, posso admitir a verdade sobre a minha natureza. Mas me preocupo com você, irmãozinho. Você está parecendo fraco e malnutrido. Ela é uma tentação, não é?
Mate-o, algo na mente de Stefan exigiu. Mate-o, quebre seu pescoço, rasgue sua garganta em pedaços sangrentos.
Mas sabia que Damon tinha se alimentado muito bem nessa noite. A aura escura de seu irmão estava inchada, pulsando, quase brilhando com a essência de vida que ele tinha tomado.
— Sim, eu bebi profundamente — Damon falou prazerosamente, como se soubesse o que estava na mente de Stefan. Ele suspirou e correu a língua por seus lábios em uma recordação satisfeita. — Ele era pequeno, mas havia uma quantidade surpreendente de essência nele. Não era bonito como Elena, e certamente não cheirava tão bem. Mas é sempre estimulante sentir o sangue novo cantando dentro de você.
Damon respirou expansivamente, afastando-se da árvore e olhando ao redor. Stefan lembrou-se daqueles movimentos graciosos, também, cada gesto controlado e preciso. Os séculos tinham refinado ainda mais o equilíbrio natural de Damon.
— Me faz sentir vontade de fazer isso — disse Damon, movendo-se para uma muda alguns metros de distância. Era da metade do tamanho dele, e quando a agarrou, seus dedos não se encontraram ao redor do tronco. Mas Stefan viu a respiração rápida e o ondular de músculos debaixo da fina camisa preta de Damon, e então a árvore foi dilacerada do chão, suas raízes pendendo. Stefan pôde sentir o cheiro de umidade pungente da terra perturbada.
— Não gostei dela ali de qualquer maneira — disse Damon, e a atirou o mais longe possível que as raízes ainda presas permitiram. Então sorriu sedutoramente. — Também me faz sentir vontade fazer isso.
Houve uma tremulação de movimento, e então Damon se fora. Stefan olhou ao redor mas não pôde ver sinal algum dele.
— Aqui em cima, irmão — a voz veio de cima, e quando Stefan olhou para cima, viu Damon empoleirado entre os galhos estendidos do carvalho. Houve um farfalhar de folhas marrons-amareladas, e ele desapareceu de novo.
— Aqui atrás, irmão — Stefan girou com o tapa em seu ombro, somente para ver nada atrás de si. — Bem aqui, irmão. — Ele girou novamente. — Não, tente aqui.
Furioso, Stefan girou para o outro lado, tentando capturar Damon. Mas seus dedos seguraram somente ar.
Aqui, Stefan. Dessa vez a voz estava em sua mente, e o Poder dela o chacoalhou até seu núcleo. Tomava uma força enorme projetar pensamentos tão claros. Lentamente, se virou mais uma vez, para ver Damon de volta em sua posição original, inclinando-se contra o grande carvalho.
Mas dessa vez o humor naqueles olhos negros tinham se dissipado. Eles estavam negros e...
De que outra prova precisa, Stefan? Eu sou mais forte que você assim como você é mais forte do que esses humanos patéticos. Sou mais rápido, também, e tenho outros Poderes que você dificilmente ouviu falar. Os Poderes Antigos, Stefan. E não tenho medo de usá-los. Se você lutar contra mim, os usarei contra você.
— É por isso que você veio aqui? Para me torturar?
— Fui misericordioso com você, irmão. Muitas vezes eu poderia tê-lo matado, mas eu sempre poupei a sua vida. Mas dessa vez é diferente — Damon afastou-se da árvore novamente e falou em voz alta. — Eu estou avisando-o, Stefan, não confronte comigo. Não importa porque vim aqui. O que quero agora é a Elena. E se você tentar me impedir de tê-la, eu o matarei.
— Você pode tentar — devolveu Stefan.
O ponto quente de fúria dentro dele queimava mais brilhante do que nunca, derramando seu fulgor como uma galáxia inteira de estrelas. Sabia, de algum jeito, que isso ameaçava a escuridão de Damon.
— Você acha que não posso fazer isso? Você nunca aprende, não é, irmãozinho?
Stefan teve tempo o suficiente de notar a esgotada sacudida de cabeça de Damon quando houve outro borrão de movimento e sentiu mãos fortes o segurarem. Ele estava lutando instantaneamente, violentamente, tentando com toda sua força tirá-las de cima dele. Mas eram como mãos de aço.
Atacou selvagemente, tentando acertar a área vulnerável sob a mandíbula de Damon. Não fez bem algum; seus braços foram presos atrás de si, seu corpo imobilizado. Estava desamparado como um pássaro sob as garras de um gato mesquinho e experiente.
Ele ficou frouxo por um instante, fazendo de si mesmo um peso-morto, e então agitou-se repentinamente com todos os seus músculos, tentando se libertar, tentando surpreender. As mãos cruéis simplesmente o apertaram mais, tornando seus esforços inúteis. Patéticos.
Você sempre foi teimoso. Talvez isso o convença. Stefan olhou no rosto pálido de seu irmão, pálido como as janelas foscas da pensão, e naqueles olhos pretos sem fundo. Sentiu dedos agarrarem seu cabelo, puxarem sua cabeça para trás, expondo sua garganta.
Seus esforços redobraram, tornaram-se frenéticos. Não se incomode, veio a voz em sua cabeça, e então sentiu a dor afiada de dentes. Ele sentiu a humilhação e o desamparo da vítima de um caçador, do caçado, da presa. E então a dor do sangue sendo sugado contra sua vontade.
Recusou-se a ceder e a dor ficou pior, uma sensação de que sua alma estivesse desprendendo-se. Isso o apunhalava como lanças de fogo, concentrando suas perfurações em sua carne onde os dentes de Damon tinham se afundado. Agonia queimou sua mandíbula e bochechas, em seu peito e ombros. Sentiu uma onda de vertigem e percebeu que estava perdendo a consciência.
Então, abruptamente, as mãos soltaram-no e ele caiu no chão, numa cama de folhas de carvalho úmidas e mofadas. Arfando por ar, dolorosamente ficou de quatro.
— Veja, irmãozinho, sou mais forte que você. Forte o bastante para tomá-lo, tomar o seu sangue e a sua vida se assim o desejar. Deixe Elena para mim, ou eu irei.
Stefan olhou para cima. Damon estava de pé com a cabeça jogado para trás, as pernas ligeiramente afastadas, como um conquistador colocando seu pé no pescoço do conquistado. Aqueles olhos pretos como a noite estavam quentes com triunfo, e o sangue de Stefan estava em seus lábios.
Ódio encheu Stefan, tanto ódio como nunca conhecera antes. Era como se todo o seu ódio anterior por Damon tivesse sido uma gota d’água desse oceano crescente e espumante. Muitas vezes nos últimos séculos tinha se arrependido do que fizera ao irmão, quando desejara com toda sua alma mudar isso. Agora somente queria fazer isso de novo.
— Elena não é sua — ele persistiu, ficando de pé, tentando não mostrar quanto esforço isso lhe custava. — E ela nunca será.
Concentrando-se em cada passo, colocando um pé na frente do outro, começou a se afastar. Seu corpo inteiro doía, e a vergonha que sentia era ainda maior que a dor física. Havia folhas úmidas e terra aderindo em suas roupas, mas não as removeu. Ele lutou para continuar se movendo, para resistir contra a fraqueza que escapava de seus membros.
Você nunca aprende, irmão.
Stefan não olhou para trás ou tentou responder. Cerrou seus dentes e manteve suas pernas se movendo. De mais uma passo. E outro. E outro passo.
Se ele pudesse apenas sentar-se por um momento, descansar.
Outro passo, e outro passo. O carro não poderia estar longe agora. Folhas estalavam sob seus pés, e então ouviu folhas estalarem atrás de si.
Tentou se virar rapidamente, mas seus reflexos tinham praticamente se esgotado. E então o movimento afiado foi demais para ele.
Escuridão o encheu, encheu seu corpo e sua mente, e ele estava caindo. Caiu para sempre na escuridão absoluta da noite. E então, misericordiamente, não soube de mais nada.

21 comentários:

  1. Cara miserevel aaa mas bunitin mesmo assim miseravel e patetico

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  2. Odiei Damon, mas sinto que vou amá-lo também. Assim, se o Damon fosse menos cruel, me lembraria o Kishan, mas ele era mais fofo, bad boy, mas não tão maligno.

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    1. Chorando dnv ;-; Kishan..

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    2. Ah me lembro o kishan mesmo, amo os livros da saga do tigre 😍😍😍😍

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    3. Kishan <3
      Como não amar esse tigre de ébano? <3

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    4. o kishan era simplesmente perfeito, ja damon mesmo sendo mt bonito nao chega aos pes de kishan

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  3. Nao gostei de damon desde o início nao vou deixar que tome elena de mim

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  4. Nossa só eu tô odiando o livro kkkkkkk isso é resultado de quem assistiu a série até a 7 temporada nada a ve a elena a transformação dela eu sei eu sei q o livro inspirou a série mais cara tô preferindo a série mais como uma boa leitora vamos ler até o final!!!!

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    1. Né! Estou simplesmente odiando o livro! Damon meu amor ♡

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    2. Nossa prefiro mil vezes a serie do q o livro HAHAH

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    3. Pelo que entendi ela a Elena ainda não se transformou. Ela deu o sangue para o Stefan e ele deu o dele pra ela se curar. A pessoa só se transforma quando morre (como foi o caso dele, apunhalado pela espada). Se não morre, depois de um tempo, o sangue vampiro perde potência e volta o sangue humano. Pelo menos foi o q eu entendi que aconteceu com a explicação do stefan

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    4. Gosto muito do personagem do Damonzica especialmente quando ele é mau. Na temporada atual da série, ele está muito patético sem a Elena. Está muito chato o seriado. Levaram a vida pessoal para o setor de filmagem e deu nisso... a gente sem Elena e j mas da minha patético.

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  5. Se for como a série... Se que acha Téfinho... DAMON DLÇ ♡

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  6. Elena loira e de olhos azuis? Never! Só consigo ler imaginando a nina dobrev ♥

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  7. Elena loira e de olhos azuis? Never! Só consigo ler imaginando a nina dobrev ♡

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  8. Gabrielly (vampira)31 de janeiro de 2016 16:47

    Cada vez mais curioso esse livro

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  9. Ai Zeus! 👌 Esse povo que só assistiu a série... Os livros são pfts!
    o Damon é realmente muito mais cruel nos livros do que é na série *---*
    Amo a personalidade de todos os personagens , tanto a mais destemida dos livros como a mais amistosa da série! Amo! <3

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  10. O Damon parece o sabastian de os instrumentos mortais lindo gostoso perigoso e engraçado

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  11. Damon é lindo de um jeito perigoso...
    Stefan é lindo de um jeito cavaleiro...
    Resumindo, AMO os dois já!
    <3 <3 <3

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  12. Nao teve "hello brother" ;-;

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