29 de novembro de 2015

Capítulo 14

Na manhã seguinte, Elena percebeu que Meredith ainda parecia pálida e lânguida, e que seus olhos se afastavam caso acontecesse de Stefan olhar para ela. Mas era um momento de crise, e assim que a louça do café da manhã estava lavada, Elena fez uma reunião na sala. Lá, ela e Stefan explicaram o que Meredith havia perdido durante a visita dos xerifes. Meredith sorriu palidamente quando Elena contou como Stefan os havia banido como se fosse cachorros vira-latas. Então, ela contou a história de sua experiência fora do corpo. Ao menos, provava que Bonnie estava viva e relativamente bem. Meredith mordeu o lábio quando a Sra. Flowers disse isso, o que fez com que ela quisesse ir pessoalmente à Dimensão das Trevas para tirar Bonnie de lá.
Mas, por outro lado, Meredith queria ficar e aguardar as fotografias de Alaric.
Se isso pudesse salvar Fell’s Church...
Ninguém na pensão poderia questionar o que havia acontecido na Ilha da Desgraça. Estava acontecendo aqui, no outro lado do mundo. Até alguns pais em Fell’s Church tiveram seu filhos levados pelo Departamento de Serviços de Proteção a Crianças de Virgínia. As punições e os retalhamentos já haviam começado. Quanto tempo demoraria antes que Shinichi e Misao transformassem todas as crianças em armar letais... Ou será que eles já as haviam transformado? Quanto tempo demoraria até que um pai histérico matasse uma criança?
O grupo sentado na sala discutiu planos e métodos. No fim, decidiram fazer jarros idênticos aos que Elena e Bonnie haviam visto, e rezaram para que pudessem reproduzir a escrita. Esses jarros, tinha certeza, eram onde Shinichi e Misao foram isolados originalmente do resto da Terra.
Portanto, Shinichi e Misao caberiam nas pequenas acomodações dos jarros. Mas o que grupo de Elena faria para atraí-los de volta para dentro?
Poder, eles decidiram. Somente uma boa quantidade de Poder que fosse irresistível para os gêmeos kitsune. É por isso que a sacerdotisa havia tentado atraí-los com seu próprio sangue. Agora, isso significava derramar inteiramente um líquido de uma Esfera Estelar... Ou derramar sangue de um vampiro extraordinariamente poderoso. Ou de dois vampiros. Ou de três.
Todos estavam concentrados, pensando a respeito. Não sabiam o quanto de sangue seria necessário... E Elena temia que fosse mais do que pudessem bancar. Havia sido mais do que a sacerdotisa pôde bancar.
E então, houve um silêncio que só Meredith pôde preencher:
— Tenho certeza que vocês estiveram se perguntando a respeito disso. — Ela disse, produzindo aquela arma do nada, enquanto Elena assistia.
Como ela conseguiu fazer isso? Elena se perguntou. Ela não a tinha há poucos segundos, e agora lá estava.
Todos olharam para a beleza e elegância que a luz do Sol proporcionava para a arma.
— Quem quer que tenha feito isso — Matt disse —, tinha uma grande imaginação.
— Foi um dos meus ancestrais. — Meredith disse. — E não irei contestar isso.
— Tenho uma pergunta — Elena disse. — Se tinha isso desde o começo do seu treinamento; se fora criada neste mundo, você alguma vez tentou matar Stefan? Tentou me matar quando me transformei em uma vampira?
— Queria poder ter uma boa resposta para isso. — Meredith disse, seus olhos acinzentados se entristeceram. — Mas não tenho. Tenho pesadelos a respeito disso. Mas o que posso dizer que teria feito se eu fosse uma pessoa diferente?
— Eu não te perguntei isso. Perguntei, para a pessoa que você é, se você fora treinada...
— O treinamento é uma lavagem cerebral. — Meredith disse severamente.
Sua face composta parecia estar prestes a desmoronar.
— Ok, esqueça. Você teria matado Stefan, se tivesse essa coisa?
— Se chama estaca de combate. E nós somos chamados... Pessoas como minha família, exceto por meus pais que deram pra trás... De caçadores.
Houve uma espécie de suspiro ao redor da mesa. A Sra. Flowers serviu para Meredith mais chá de ervas, que estava próximo a um tripé.
— Caçadores. — Repetiu Matt com certo deleite. Não era difícil de dizer em quem ele estava pensando.
— Vocês podem nos chamar assim. — Meredith estava dizendo. — Ouvi dizer que há Caça-Assassinos lá fora. Mas aqui, seguimos com a tradição.
Elena, de repente, se sentiu como se fosse uma garotinha perdida. Ali estava Meredith, sua irmã mais velha, dizendo essas coisas. A voz de Elena estava quase suplicante.
— Mas você não respondeu quanto a Stefan.
— Não, não respondi. E, não, não acho que teria coragem de matar alguém... A menos que tivesse sofrido uma lavagem cerebral. Mas eu sabia que Stefan te amava. Sabia que ele nunca te transformaria em uma vampira. O problema era que... Não tinha certeza absoluta quanto a Damon. Eu não sabia se você estava brincando com os dois. Acho que ninguém sabia. — A voz de Meredith estava angustiada também.
 — Exceto por mim — Elena disse, corando, com um sorriso torto. — Não fique triste, Meredith. Tudo se resolveu.
— Você chama ter de abandonar sua família e sua cidade, porque todos pensam que está morta, de resolvido?
— Sim. — Elena respondeu desesperadamente. — Se isso significa que eu possa ficar com Stefan.
Ela fez o seu melhor para não pensar em Damon.
Meredith olhou para ela fixamente por um instante, em seguida colocou seu rosto em suas mãos.
— Você quer contar a eles, ou devo fazer as honras? — Ela perguntou, levantando o rosto e encarando Stefan.
Stefan parecia assustado.
— Você se lembra?
— Provavelmente o tanto quanto conseguiu arrancar de minha mente. Alguns pedaços. Coisas que eu não quero lembrar.
— Ok.
Agora, Stefan se sentia aliviado, e Elena sentia-se com medo. Stefan e Meredith tinham um segredo juntos?
— Sabemos que Klaus fez, no mínimo, duas visitas à Fell’s Church. Sabemos que ele era... Completamente maligno... E que na segunda visita que planejava uma matança em série. Ele matou Sue Carson e Vicki Bennett.
Elena interrompeu quietamente.
— Ou, ao menos, ajudou Tyler Smallwood a matar Sue, assim, Tyler pôde ser iniciado como um lobisomem. E então, deixou Caroline grávida.
Matt limpou a garganta, como se algo lhe ocorresse.
— Hm... Caroline tem que matar alguém para ser um lobisomem por completo, também?
— Acho que não. — Elena disse. — Stefan disse que só por ter um bebê lobisomem já é o suficiente. De qualquer forma, sangue foi derramado. Caroline será um lobisomem por completo quando tiver seus gêmeos, mas ela começará a se transformar involuntariamente antes disso. Certo?
 Stefan concordou.
— Certo. Mas voltando ao Klaus: O que ele deve ter feito em sua primeira visita? Atacou... Sem matar... Um senhor que exercia o ofício de Caçador.
— Meu avô. — Meredith sussurrou.
— E ele mexeu tanto com a cabeça do avô de Meredith que esse senhor tentou matar sua esposa e sua neta de três anos. Então, o que há de errado nesta história?
Elena estava realmente apavorada agora. Não queria ouvir o que estava prestes a vir.
Ela pôde sentir o gosto de sua bile, e ficou feliz por ter só comido uma torrada de café da manhã. Se houvesse alguém com que se preocupar, como a Bonnie, ela se sentiria melhor.
— Desisto. O que há de errado? — Matt perguntou abruptamente.
Meredith estava com um olhar distante novamente.
Finalmente, Stefan disse:
— Com o risco de parecer uma novela chata... Meredith tinha, ou tem, um irmão gêmeo.
Um silêncio mortal caiu sobre o grupo na sala. Até mesmo a Mama da Sra. Flowers não havia dito uma palavra.
— Tinha ou tem? — Matt finalmente disse, quebrando o silêncio.
— Como podemos saber? — Stefan disse. — Ele pode ter sido morto. Imagine Meredith tendo que ver isso. Ou ele pode ter sido raptado. Para ser morto mais tarde... Ou para se transformar em um vampiro.
— E você acha mesmo que os pais dela não contariam algo como isso? — Matt exigiu. — Ou tentariam fazê-la esquecer? Quando ela tinha... O que, já três anos?
A Sra. Flowers, que havia estado quieta o tempo todo, agora falava tristemente.
— A própria amada Meredith deve ter decidido bloquear a verdade. Para uma criança de três anos, é difícil de dizer. Se elas não tiverem um ajuda profissional... — Ela dava um olhar questionador à Meredith.
Meredith sacudiu a cabeça.
— Contra o código. — Ela disse. — Quer dizer, estritamente falando, eu não devia estar contando nada disso a vocês, especialmente a Stefan. Mas não pude aguentar mais... Tendo tão bons amigos e, constantemente, os enganando.
Elena levantou-se e abraçou Meredith bem forte.
— Nós entendemos. — Ela disse. — Não sei o que aconteceria no futuro caso você decidisse ser uma Caçadora ativ...
— Posso prometer que meus amigos não estariam na minha lista de vítimas. — Meredith disse. — Aliás — adicionou. — Shinichi sabe. Eu sou a pessoa que manteve um segredo dos meus amigos a minha vida toda.
— Não mais. — Elena disse, e a abraçou de novo.
— Pelo menos, não há mais segredos. — A Sra. Flowers disse gentilmente, e Elena olhou para ela bem nitidamente.
Nada era assim tão simples. E Shinichi havia feito um punhado de previsões.
Então ela olhou para os olhos azuis e suaves da velha mulher, e soube que o que mais importava agora não eram verdades ou mentiras, mas simplesmente dar um conforto à Meredith. Ergueu os olhos para Stefan, enquanto ainda estava abraçando Meredith, e viu o mesmo olhar em seus olhos.
E isso, de alguma forma, fez com que ela se sentisse melhor.
Porque, se fosse verdade esse lance de “sem mais segredos”, então ela teria que descobrir seus sentimentos sobre Damon. E tinha mais medo disso do que de encarar Shinichi, o que era de se esperar, na verdade.
— Pelo menos, temos o instrumento para se fazer cerâmica... Em algum lugar. — A Sra. Flowers estava dizendo. — Eu tenho um fogãozinho também, embora ele esteja coberto de Devil’s Shoestring. Costumava fazer vasinhos e colocá-los no lado de fora da pensão, mas aí vieram as crianças e os destruíram. Acho que posso fazer um jarro igual ao que você viu se puder desenhá-lo para mim. Mas, talvez, seja melhor esperar pelas fotos do Sr. Saltzman.
Matt estava murmurando algo para Stefan.
Elena não pôde entender até que ouviu a voz de Stefan em sua mente.
Ele disse que Damon uma vez lhe contara que essa casa é como uma toca, onde você pode encontrar qualquer coisa se procurar com vontade.
Não foi Damon que descobriu isso! Acho que a Sra. Flowers havia dito primeiro, e ele só repassou a mensagem, Elena retornou animadamente.
— Quando conseguirmos as fotos — A Sra. Flowers estava dizendo intensamente — podemos pedir às Saitou para traduzirem a escrita.
Finalmente, Meredith se afastou de Elena.
— E até lá, podemos rezar para que Bonnie não se meta em problemas. — Ela disse, e sua voz e rosto estavam calmos novamente. — Eu vou começar agora.

 * * *

Bonnie tinha certeza que podia ficar longe de problemas.
Ela havia tido um sonho estranho... Um, no qual, saía de seu corpo e ia com Elena para a Ilha da Desgraça. Felizmente, parecia ser uma real experiência fora do corpo, e não algo que ela tivesse de refletir e tentar encontrar um significado oculto. Isso não queria dizer que ela estava condenada ou coisa assim.
Além do mais, conseguira sobreviver outra noite no quarto marrom, e Damon viria buscá-la logo. Mas não antes de ela comprar um bombom. Ou dois.
Sim, ela havia sentido o gosto de um na história da noite passada, mas Marit era uma menininha tão boazinha que havia esperado até o jantar para comer mais. O jantar estava na próxima história dos Dustbins, que ela plugara em sua mente nesta manhã. Mas havia o horror ao ver a pequena Marit experimentando sua primeira caça: um pedaço de fígado cru, ainda fresco. Rapidamente, Bonnie tirou a Esfera Estelar de sua têmpora, e havia determinado a não fazer nada que pudesse levá-la ao canibalismo.
Mas então, compulsivamente, ela estaca contando o seu dinheiro. Ela tinha dinheiro. Sabia onde era a loja. E isso significava… Ir às compras!
Quando o horário de ir ao banheiro chegou, ela teve uma conversinha com o garoto que geralmente a levava ao banheiro externo. Dessa vez, ela o deixara bastante corado e após dar-lhe um puxão na orelha, implorou para que ele desse a chave para que ela fosse sozinha — como se já não soubesse o caminho. Ele cedeu e a deixou ir, só pedindo para que se apressasse.
E ela se apressou... Indo para o outro lado da rua, adentrando na lojinha, que cheirava a chocolate e caramelo puxado a mão, além de outros cheiros deliciosos que ela teria descoberto de olhos vendados.
Ela também sabia o que queria. Pôde imaginá-lo com base na história, sem falar no sabor daquele que Marit havia comprado.
O bombom era redondo como uma ameixa, e ela já havia experimentado tâmaras, amêndoas, algumas especiarias, mel... E algumas passas, também. Devia custar somente cinco dólares, de acordo com a história, mas Bonnie havia levado consigo quinze, no caso de alguma emergência.
Uma vez lá fora, Bonnie olhou cautelosamente à sua volta. Havia muitos clientes na loja, talvez seis ou sete. Uma menina com cabelo castanho estava usando os mesmos trapos que Bonnie, e parecia exausta. Disfarçadamente, Bonnie avançou em sua direção e colocou uma nota de cinco na mão rachada da garota, pensando: Aqui... Agora, ela poderá comprar um bombom também; isso deve animá-la.
E animou: a garota deu-lhe o tipo de sorriso que a Mãe Dustin muitas vezes teria dado à Marit, caso ela tivesse feito algo adorável.
Será que devo falar com ela?
— Aqui parece bem movimentado. — Ela sussurrou,
A garota sussurrou de volta:
— Tem estado mesmo. Ontem, fiquei esperando o dia todo, mas sempre aparecia um nobre quando outro saía.
— Quer dizer que você tem que esperar a loja estar vazia para...?
— Mas é claro... A menos que você esteja aqui comprar algo para seu amo.
— Qual o seu nome? — Bonnie sussurrou.
— Kelta.
— Sou Bonnie.
Nisso, Kelta explodiu em gargalhadas silenciosas e convulsivas.
Bonnie se sentiu ofendida.
Ela havia dado a Kelta um bombom... Ou ao menos, o preço de um, e agora a garota estava rindo dela.
— Desculpe. — Kelta disse quando sua crise passou. — Mas você não acha engraçado que, neste tempo, muitas garotas mudaram seus nomes para Alianas, Mardeths e Bonnas? Até alguns escravos tiveram permissão de mudar.
— Mas por quê? — Bonnie sussurrou com verdadeiro e espanto.
Kelta disse:
— Por quê? Para ficar igual à história, é claro. Para ser nomeada assim depois que mataram a velha Bloddeuwedd enquanto ela voava enlouquecida pela cidade.
— Isso foi importante?
— Você não sabe? Depois que ela morreu, todo o seu dinheiro foi para o quinto setor, onde viveu; e há tanto dinheiro que se pôde criar um feriado. Eu sou de lá. E costumava ter tanto medo quando era mandada para enviar uma mensagem ou coisa parecida depois de escurecer, porque ela poderia estar acima de você e você nem ao menos saber, até... — Kelta havia colocado todo seu dinheiro em um bolso e então imitou o com sua mão inocente uma garra.
— Mas você é uma Bonna de verdade. — Kelta disse, mostrando dentes branquíssimos ao invés de sujos. — Pelo menos, é o que diz.
— Sim, — Bonnie disse, sentindo-se vagamente triste. — Sou Bonna, isso aí!
A seguir, ela se iluminou.
— A loja está vazia! Vazia! Oh, você é sinônimo de boa sorte, Bonna! Estive aqui esperando por dois dias.
Ela se aproximou do balcão com uma falta de medo que fora encorajador para Bonnie. Então, pediu algo chamado gelatina de sangue que lembrava à Bonnie aqueles pacotinhos de Jell-O, com algo bem escuro dentro. Kelta sorriu para Bonnie embaixo de seus longos e despenteados cabelos e foi embora.
O homem que gerenciava a loja de doces continuava olhando para a porta, claramente esperando que alguém que fosse livre — um nobre — entrasse. Nenhum entrou, entretanto, e por fim ele virou-se para Bonnie.
— E o que você quer? — Ele exigiu.
— Só um bombom, por favor? — Bonnie tentou fazer com que sua voz não tremesse.
O homem estava entediado.
— Me mostro o seu passaporte. — Ele disse bem irritado.
Foi neste momento que Bonnie, de repente, soube que tudo estava indo muito errado.
— Vamos, vamos, me mostre! — Ainda olhando para seus livros de contabilidade, o homem estalou os dedos.
Enquanto isso, Bonnie corria sua mão pelos seus trapos, no qual sabia que não havia um bolso, quem dirá um passaporte.
— Mas pensei que não fosse preciso, exceto para atravessar os setores. — Ela balbuciou finalmente.
O homem, agora, inclinou-se sobre balcão.
— Então, me mostre o seu passaporte de liberdade. — Ele disse.
Então, Bonnie fez a única coisa que pôde pensar. Virou-se e correu, mas antes que pudesse chegar à porta sentiu uma ardência, seguida de uma dor, nas costas; então, tudo ficou embaçado e ela nunca soube quando deu de cara com o chão.

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