13 de novembro de 2015

Capítulo 14

Coruja branca... Ave de caça... Caçadora... Tigre. Brincando com você como um gato faz com um rato. Como um tigre... Um grande gato... Um gatinho. Um gatinho branco.
A morte está na casa.
E a gatinha, a gatinha tinha atacado Damon. Não por repulsa, mas sim por medo de ser descoberta. Como quando estivera no peito de Margareth e havia chiado ao ver Elena na janela.
Elena gemeu e quase emergiu da inconsciência, mas a névoa cinzenta a arrastou de volta antes que pudesse abrir os olhos. Seus pensamentos voltaram a ferver ao seu redor.
Amor envenenado... odiava Stefan antes de odiar Elena... Branco e dourado... Alguma coisa branca... Algo branco embaixo da árvore...
Nesse momento, quando lutou para abrir os olhos, conseguiu. E mesmo antes de poder enxergar sem a luz tênue, soube. Ela finalmente sabia.
A figura que se arrastava com o vestido branco pelo chão desviou o olhar da vela que estava acendendo, e Elena viu que podia ser o seu próprio rosto sobre os ombros da criatura. Mas era um rosto sutilmente distorcido, pálido e bonito como uma estátua de gelo, mas era como devia ser. Era como os intermináveis reflexos de si mesma que havia visto em seu sonho no corredor de espelhos. Retorcido, faminto e zombador.
— Olá, Katherine — murmurou.
Katherine deu um sorriso dissimulado e predador.
— Você não é tão estúpida quanto pensei — disse ela.
Sua voz era clara e doce... prateada, pensou Elena. Como seus cílios. Também haviam luzes prateadas em seu vestido quando se movia. Mas o cabelo era de um dourado quase tão pálido quanto o de Elena. Os olhos eram os olhos de uma gata: redondos e azuis como uma joia.
Elena sentia sua própria garganta dolorida, como se tivesse gritado muito. Também se sentia desidratada. Quando virou a cabeça lentamente para um lado, mesmo aquele leve movimento produzia dor.
Stefan estava junto a ela, caído em sua frente, amarrado pelos braços por cordas nas grades de ferro forjado. Tinha a cabeça tombada sobre o peito, e pelo o que pôde ver, seu rosto tinha uma palidez cadavérica. A garganta estava machucada e havia sangue sobre a gola da camisa, onde secado.
Elena voltou a dirigir o olhar para Katherine com tal rapidez que ficou tonta.
— Por quê? Por que fez isso a ele?
Katherine sorriu, mostrando afiados dentes brancos.
— Porque eu o amo — respondeu com um sorriso infantil. — Você também não o ama?
Foi então que Elena caiu em si sobre o motivo de não poder se mover e porque seus braços doíam. Estava atada assim como Stefan, presa firmemente como ele na grade. Um doloroso giro de cabeça para o outro lado revelou a presença de Damon.
Ele estava em pior estado que seu irmão. A jaqueta e o braço estavam abertos e a visão da ferida fez Elena sentir náuseas. A camisa dele estava retalhada, e Elena pôde ver os quase imperceptíveis movimentos de suas costelas ao respirar. Se não fosse por isso, teria pensado que estava morto. O sangue ensopava seus cabelos e corria para o interior de seus olhos fechados.
— Qual você gosta mais? — perguntou Katherine em um tom íntimo e confidente. — Pode me dizer. Qual você acha que é o melhor?
Elena a olhou enojada.
— Katherine — murmurou. — Por favor. Por favor, me escute...
— Diga-me. Vamos — aqueles olhos azuis como joias ocuparam a visão de Elena quando Katherine se inclinou muito perto dela, quase tocando seus lábios. — Acho que os dois são divertidos. Gosta de diversão, Elena?
Repugnada, Elena fechou os olhos e afastou o rosto. Se ao menos sua cabeça parasse de girar...
Katherine retrocedeu com uma gargalhada alta.
— Eu sei, é muito difícil escolher.
Fez uma pequena pirueta, e Elena viu que o que antes pensava ser a cauda do vestido de Katherine, na verdade, eram seus cabelos que desciam como ouro derretido por suas costas até cair no chão, arrastando-se atrás dela.
— Tudo depende do que cada uma goste — prosseguiu Katherine, dando alguns passos elegantes de dança e terminando em frente a Damon; olhou estudadamente para Elena, cheia de travessura. — Mas, claro, sou tão gulosa.
 Agarrou Damon pelos cabelos e ergueu sua cabeça, afundando os dentes no pescoço dele.
— Não! Não faça isso! Não o machuque mais...
Elena tentou balançar-se para frente, mas estava muito bem presa. A grade era de ferro maciço, incrustada nas pedras, e as cordas eram resistentes. Katherine fazia sons animalescos, roendo e mastigando a carne, e Damon gemeu mesmo estando inconsciente. Elena viu como seu corpo respondia como um reflexo por causa da dor.
— Por favor, pare! Por favor, pare...
Katherine levantou a cabeça. Corria sangue pelo seu queixo.
— Mas eu estou faminta, e ele é tão bom...
Foi para trás e voltou a atacá-lo, o corpo de Damon se contraiu espasmodicamente.
Elena gritou.
Eu fui assim, pensou. No princípio, naquela primeira noite no bosque, eu fui assim. Machuquei Stefan da mesma forma. Queria matá-lo...
A escuridão a envolveu, e Elena se entregou a ela, agradecida.


O carro de Alaric patinou sobre um trecho de neve ao chegar a escola, e Meredith quase bateu o carro no dele. Matt e ela saltaram para fora do veículo, deixando as portas abertas. Na frente deles, Alaric e Bonnie fizeram o mesmo.
— Mas e sobre o resto da cidade? — gritou Meredith correndo até eles; o vento aumentava, e a neve lhe queimava o rosto.
— Só a família de Elena – tia Judith e Margareth — gritou Bonnie de volta. A voz dela estava aguda e assustada, mas havia uma expressão focada em seu rosto. Inclinou a cabeça para trás, como se estivesse tentando se lembrar algo, e disse: — Sim, é isso. Alguns cachorros irão atrás delas. Faça-as fugirem para algum lugar… como o porão. Mantenha-las lá!
— Farei isso. Vocês três se ocupem do baile!
Bonnie girou para correr atrás de Alaric. Meredith voltou com uma exalação para o carro.


O baile estava quase no fim, e havia casais tanto dentro quanto fora, indo para o estacionamento. Alaric gritou enquanto Matt, Bonnie e ele se aproximavam da estrada:
— Voltem todos para dentro! Todo mundo para dentro e fechem as portas! — gritou aos agentes do xerife.
Mas não houve tempo. Eles alcançaram o refeitório justo quando a primeira forma que se aproximava da escuridão chegava. Um policial caiu sem nenhum som nem oportunidade de disparar a arma.
Outro foi mais rápido, e soou um disparo, amplificado pelo pátio de concreto. Os alunos gritaram e começaram a fugir dali para o interior do estacionamento. Alaric foi atrás deles, gritando, tentando conduzi-los de volta.
Outras figuras saíram da escuridão, dentre os carros estacionados por todos os lados. Sobreveio o pânico. Alaric continuou berrando ordens, tentando levar os alunos aterrorizados para dentro do edifício. Ali fora seriam presas fáceis.
No pátio, Bonnie se virou para Matt.
— Precisamos de fogo! — disse.
Matt entrou como uma flecha no refeitório e saiu com uma caixa meio cheia de cartazes do baile. Atirou-os no chão, remexendo os bolsos em busca dos fósforos que haviam usado antes para acender a vela.
O papel acendeu e ardeu com força, formando uma ilha de segurança. Matt continuou fazendo gestos para as pessoas cruzarem as portas do refeitório situadas atrás deles. Bonnie foi para dentro, encontrando uma cena tão caótica quanto a de fora.
Olhou a seu redor em busca de alguma autoridade, mas não viu adultos, só jovens aterrorizados. Então, os enfeites de crepom vermelhos e verdes atraíram sua atenção.
O som era estrondoso; nem sequer um grito se ouviria dali de dentro. Abrindo caminho entre as pessoas que tentavam sair, conseguiu chegar ao outro extremo da sala. Caroline estava ali, pálida sem seu bronzeado veraneio e luzindo com a coroa de Rainha da Neve. Bonnie a arrastou até o microfone.
— Você é boa falando. Diga a eles para entrar e permanecer aqui dentro! Mande que comecem a tirar os enfeites da parede. Precisamos de qualquer coisa que queime: cadeiras de madeira, lixo, qualquer coisa. Diga que é nossa única chance! — enquanto Caroline a encarava assustada e sem entender, continuou: — Você tem a coroa agora… Faça por merecer!
Não esperou para ver se Caroline lhe obedeceria. Voltou a submergir no furor do lugar. Em um instante, ouviu a voz de Caroline pelos alto-falantes, vacilante de início, e logo depois apressada.


O silêncio era absoluto quando Elena voltou a abrir os olhos.
— Elena?
Ao ouvir o sussurro rouco, tentou fixar a visão e se encontrou contemplando olhos verdes cheios de dor.
— Stefan — disse.
Ela se inclinou para frente, desejando poder se mover. Isso não fazia sentido, mas parecia que se pudessem se abraçar, aquilo não seria tão terrível.
Uma risada infantil soou. Elena não virou a cabeça para ela, mas Stefan sim. Elena viu sua reação, viu a sequência de expressões que passaram pelo rosto dele quase rápido demais para identificá-las. Perplexa comoção, incredulidade, um esboço de alegria… e então horror. Um horror que finalmente deixou seus olhos cegos e opacos.
— Katherine — ele falou. — Mas isso é impossível. Não pode ser. Você está morta…
— Stefan… — chamou Elena, mas ele não respondeu.
Katherine levou uma mão à boca e riu por trás dela.
— Você também acordou — disse, olhando para o outro lado de Elena.
Ela sentiu uma onda de poder e, depois de um momento, a cabeça de Damon se levantou lentamente e pestanejou.
Não houve surpresa em seu rosto. Ele inclinou a cabeça para trás, os olhos entrecerrados cansadamente, e contemplou durante um minuto, aproximadamente, a sua captora. Então sorriu. Foi um sorriso leve e dolorido, mas reconhecível.
— Nossa encantadora gatinha branca — cantarolou. — Eu deveria saber.
— Mas, não se deu conta, não é mesmo? — respondeu Katherine, tão ansiosa como uma criatura jogando um jogo. — Nem mesmo você adivinhou. Enganei todo mundo — voltou a rir. — Foi tão divertido vigiá-lo enquanto vigiava Stefan, e nenhum dos dois sabia que eu estava ali. Inclusive o arranhei uma vez! — curvando os dedos como se fossem garras, imitou o arranhar de uma gatinha.
— Na casa de Elena. Sim, eu me lembro — Damon respondeu lentamente; não parecia tão enraivecido, mas sim vaga e enigmaticamente divertido. — Bem, então, é uma caçadora. A dama e o tigre, como dizem.
— E joguei Stefan naquele poço — vangloriou-se Katherine. — Vi os dois brigando. Gostei disso. Segui Stefan até os limites do bosque, e então…
Juntou as mãos como quem captura uma mariposa. Então, abrindo-as devagar, vislumbrou em seu interior como se houvesse algo ali de verdade, e riu secretamente.
— Ia deixá-lo ali para brincar mais tarde — confidenciou, mas ao prosseguir, seu lábio inferior se projetou para fora e ela olhou Elena. — Mas você o levou. Isso foi mesquinho, Elena. Não deveria ter feito isso.
A espantosa malícia infantil havia desaparecido de seu rosto, e por um momento Elena vislumbrou o ódio virulento de uma mulher adulta.
— As garotas ambiciosas devem ser castigadas — disse Katherine, movendo-se por trás dela — e você é uma garota ambiciosa.
— Katherine! — Stefan despertara de seu ofuscamento e começou a falar a toda pressa. — Não quer nos contar o que mais tem feito?
Distraída, ela retrocedeu. Pareceu surpreendida, depois agradada.
— Bem… se realmente quer que eu conte… — concordou; abraçando seus cotovelos com as mãos e voltou a fazer uma pirueta, e a dourada cabeleira se retorceu no chão. — Não — disse então com alvoroço, dando uma volta e apontando-os com o dedo. — Vocês têm que adivinhar. Vocês advinham e eu direi “correto” ou “incorreto”. Vamos lá!
Elena tragou saliva, lançando um olhar de soslaio para Stefan. Não via motivo para entreter Katherine. Tudo acabaria da mesma forma. Mas um instinto lhe disse que protegesse sua vida por todo o tempo que pudesse.
— Você atacou Vickie — ela falou com cautela. Sua própria voz soou sem certeza a seus ouvidos, mas tinha certeza disso. — A garota da igreja em ruínas aquela noite.
— Muito bem! — exclamou Katherine, e fez outro gesto de gato com os dedos curvados em garra. — Bom, ela estava em minha igreja — disse de modo razoável. — E o que ela e aquele garoto estavam fazendo… Bom! Ninguém faz isso na igreja. Então a arranhei! — Katherine esboçou a palavra, fazendo uma demonstração, como alguém que conta uma história a uma criança pequena. — E… Lambi o sangue! — Lambeu os lábios pálidos com a língua; então sinalizou para Stefan. — Próximo!
— Você a tem perseguido desde então — disse Stefan, que não jogava o jogo: fazia uma áspera observação.
— Sim, já acabamos com isso! Próximo! — indicou Katherine em tom cortante.
Mas então começou a brincar com os botões da gola de seu vestido, os dedos brilhantes. E Elena pensou em Vickie com seus olhos de cervo assustado, tirando a roupa na cantina diante de todo mundo.
— Eu a obriguei a fazer coisas estúpidas — riu Katherine. — Foi divertido brincar com ela.
Elena tinha os braços tensionados. Notou que dava puxões rápidos, tão ofendida pelas palavras de Katherine que não podia permanecer parada. Obrigou-se a parar, tentando se encostar e devolver os sentidos às mãos dormentes. O que faria se se soltasse dali, não sabia, mas tinha que tentar.
— Próximo — induziu Katherine com uma voz ameaçadora.
— Por que falou que era sua igreja? — perguntou Damon, e sua voz continuava vagamente divertida, como se nada daquilo o afetasse. — E Honoria Fell?
— Ah, aquela fantasma velha! — respondeu Katherine com malícia.
Passou os olhos atentamente por trás de Elena, com os lábios franzidos e o olhar furioso, e Elena notou que estavam de frente para a entrada da cripta, com a tumba saqueada atrás deles. Talvez Honoria os ajudasse…
Mas logo se lembrou daquela voz sossegada que se desvanecia. “Esta é a única ajuda que posso lhes dar”. E soube que não viria auxílio dali.
Como se tivesse lido os pensamentos de Elena, Katherine falou:
— Ela não pode fazer nada. É um simples monte de ossos — as elegantes mãos fizeram gestos como se Katherine estivesse quebrando esses ossos. — Tudo o que pode fazer é falar, e em muitas ocasiões impedi que a ouvisse.
A expressão de Katherine voltava a ser sinistra, e Elena sentiu uma pontada ácida de temor.
— Você matou o cachorro de Bonnie, Yangtze.
Foi uma suposição lançada à sorte para distrair Katherine, mas funcionou.
— Sim! Isso foi divertido. Todas saíram correndo da casa e você começou a gemer e a chorar… — Katherine relembrou a história com uma pantomima: o cachorrinho jazendo na frente da casa de Bonnie, as garotas indo para fora e encontrando o corpo. — Senti muito, mas valeu a pena. Seguia Damon quando era um corvo. Estava acostumada a segui-lo pensando em barbaridades... De ter querido agarrar aquele corvo, e… — fez um violento movimento de torção.
O sonho de Bonnie, Elena disse para si mesma, enquanto uma gelada compreensão a inundava. Nem sequer se deu conta de que tinha falado em voz alta até que viu Stefan e Katherine a olhando.
— Bonnie sonhou com você — revelou. — Mas pensava que era eu. Contou que me viu de pé sob uma árvore com o vento soprando. E que sentiu medo de mim. Disse que eu tinha um aspecto diferente, pálido, mas quase reluzente. E um corvo passou voando e eu o agarrei e torci o seu pescoço — a fúria começou ascender pela garganta de Elena, mas ela a engoliu. — Mas era você.
Katherine parecia encantada, como se Elena houvesse dado razão de algum modo.
— As pessoas sonham muito comigo — replicou com ar presunçoso. — Sua tia… tem sonhado comigo. Digo que foi culpa dela você ter morrido. Acredita que é você quem diz.
— Meu Deus…
— Quem dera que tivesse morrido de verdade — prosseguiu Katherine, e seu rosto se tornou rancoroso. — Deveria ter morrido. Mantive você por tempo suficiente no rio. Mas foi tão desonesta, tirando sangue dos dois, que voltou. Ah, bom — sorriu dissimuladamente. — Agora posso brincar com você por mais tempo. Perdi os nervos naquele dia porque vi Stefan lhe dando meu anel. Meu anel! — sua voz se elevou. — Meu, que deixei para que se lembrassem de mim. E ele deu a você. Foi então que soube que não me limitaria a brincar com ele: tinha que matá-lo.
Os olhos de Stefan estavam entristecidos, desconcertados.
— Mas pensei que estivesse morta — ele falou. — Eu estava realmente morto há quinhentos anos. Katherine…
— Ah, essa foi a primeira vez que os enganei — respondeu, mas não havia alegria em sua voz agora, soava ressentida. — Organizei tudo com Gudren, minha dama de companhia. Vocês dois não queriam aceitar minha escolha — disse, passeado os olhos de Stefan para Damon com uma expressão furiosa. — Queria que fôssemos felizes, e os amava. Amava os dois. Mas isso não era o suficiente para vocês.
O rosto de Katherine tinha voltado a mudar, e Elena viu nele a criatura ferida de quinhentos anos atrás. Aquilo devia ser o aspecto que Katherine tinha então, percebeu surpresa. Os grandes olhos azuis estavam cheios de lágrimas.
— Queria que se amassem — prosseguiu Katherine em tom perplexo — mas não se amavam. E me senti mal. Pensei que se imaginassem que eu estava morta, amariam um ao outro. E sabia que tinha que ir embora, de todo modo, antes que papai começasse a suspeitar o que eu era. Então Gudren e eu armamos — disse em voz pausada, perdida nas recordações. — Tive que fazer outro talismã contra o sol e lhes dei meu anel. E ela pegou meu vestido branco… meu melhor vestido branco… e cinzas da chaminé. Queimamos gordura ali, de modo que as cinzas cheirassem como deviam. Não estava certa de que pudesse enganá-los, mas aconteceu. E então… — o rosto de Katherine se crispou entristecida. — Vocês dois fizeram mal um a outro. Supus que ficariam entristecidos, chorariam e consolariam um ao outro. Fiz isso por vocês. Mas em vez de fazer isso, correram e pegaram as espadas. Por que fizeram isso? — foi um grito surgido de seu coração. — Por que não aceitaram meu presente? Trataram como se fosse lixo. Na carta eu disse que queria que se reconciliassem. Mas não me escutaram e pegaram em espadas. Mataram um ao outro. Por que fizeram isso?
As lágrimas corriam pelas bochechas de Katherine, e o rosto de Stefan também estava úmido.
— Fomos estúpidos — disse, tão entretido nas recordações quanto ela. — Nos culpamos pela sua morte e fomos tão estúpidos… Katherine, escute. Foi culpa minha. Fui eu quem atacou primeiro. Não sabe quantas vezes pensei sobre isso e desejei que houvesse algo que eu pudesse fazer para mudar tudo. Daria qualquer coisa para voltar atrás… Qualquer coisa. Matei meu irmão… — a voz se quebrou, e as lágrimas brotaram de seus olhos.
Elena, com o coração partido pela dor, virou a cabeça com impotência para Damon e viu que ele nem sequer estava consciente de sua presença. A expressão divertida tinha desaparecido, os olhos estavam fixos em Stefan com total concentração.
— Katherine, por favor, me escute — Stefan continuou em tom trêmulo, recuperando a voz. — Já machucamos uns aos outros o suficiente. Por favor, nos deixe ir agora. Ou fique comigo, se você quiser, mas deixe que eles vão embora. Eu sou o culpado. Fique comigo, e farei tudo o que você quiser…
Os olhos de pedra preciosa dela estavam límpidos e de um azul incrível, inundados de uma pena infinita. Elena não se atreveu a respirar, temerosa de romper o efeito enquanto a esbelta jovem se aproximava de Stefan com o rosto doce e ansioso.
Mas então o gelo no interior de Katherine voltou a aflorar, gelando as lágrimas de suas bochechas.
— Devia ter pensado nisso há muito tempo — respondeu. — Eu poderia ter escutado então. Lamento um ter matado o outro no passado. Fugi, sem levar nem sequer Gudren. Mas então não tinha nada, nem sequer um vestido novo, e estava faminta e com frio. Poderia ter morrido de fome se Klaus não tivesse me encontrado.
Klaus. Em meio a seu desalento, Elena lembrou de algo que Stefan lhe havia contado. Klaus era o homem que tinha transformado Katherine em vampira, o homem que os aldeãos diziam ser malvado.
— Klaus me fez ver a verdade — explicou Katherine. — Me mostrou como é o mundo na realidade. Eu tinha que ser forte e pegar as coisas que quisesse. Pensar unicamente em mim mesma. E agora sou a mais forte de todas. Eu sou. Sabe como consegui? — deu a resposta sem sequer esperar que eles respondessem. — Vidas. Muitas vidas. Humanos e vampiros, e todos estão dentro de mim agora. Matei Klaus depois de um ou dois séculos. Ele se surpreendeu. Não sabia o quanto eu havia aprendido. Era muito feliz tomando vidas, me enchendo delas. Mas então me lembrei de vocês e do que fizeram. Com trataram meu presente. E sabia que tinha que castigá-los. E finalmente me ocorreu como fazer isso. Eu os trouxe aqui, os dois. Coloquei a ideia em sua mente, Stefan, do mesmo modo que você põe ideias nas mentes dos humanos. O guiei até aqui. E então me assegurei que Damon o seguisse. Elena estava aqui. Acho que deve ser minha parente de algum modo. Sabia que a veria e se sentiria culpado. Mas você tinha que se apaixonar por ela! — o ressentimento na voz de Katherine deu passo outra vez a ira. — Não devia me esquecer! Não devia lhe dar o meu anel!
— Katherine…
— Eu fiquei muito irritada — prosseguiu sem fazer caso. — E agora vou fazer que lamente, lamente de verdade. Sei quem odeio mais agora, Stefan, e é você.
Pareceu recuperar o controle de si mesma, secando os últimos rastros de lágrimas do rosto e erguendo-se com exagerada dignidade.
— Não odeio tanto Damon — declarou. — Inclusive posso deixar que viva — seus olhos se semicerraram e então se abriram totalmente com uma ideia. — Escuta, Damon — disse confidencialmente. — Você não é tão estúpido quanto Stefan. Sabe como são as coisas na realidade. Ouvi você dizer. Vi as coisas que fez — se inclinou para frente. — Me senti só desde a morte de Klaus. Você podia me fazer companhia. Tudo o que tem que fazer é dizer que ama mais a mim. Então, uma vez que eu os tenha matado, vamos embora para longe. Inclusive pode matar sua garota se quiser; deixarei que o faça. O que acha?
Meu Deus, pensou Elena, sentindo-se nauseada de novo. Os olhos de Damon estavam postos nos enormes olhos azuis de Katherine; parecia esquadrinhar o rosto dela. E a enigmática expressão divertida havia voltado para seu rosto. Meu Deus, pensou Elena. Por favor, não…
Lentamente, Damon sorriu.

5 comentários:

  1. Ela matou Klaus?
    Aquele Niklaus? Perai... De verdade ou de mentira??

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  2. vamos ter que ler pra saber...rs...lembrando que a série é apenas ''baseado'' no livro..há muitas diferenças

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  3. Pera ela matou Nicklaus micaelson o hibrido imortal ?

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  4. Acho que o klaus não morreu e vai voltar pra se vingar como a própria katherine o fez, ela se acha demais, como se fosse a criatura mais poderosa do universo haha aah se fosse!

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  5. Só eu que sinto uma enorme felicidade quando imagino a cara da Katherine quando o stefan deu o anel a elena e desse que a amava

    ~MIRELLE

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