20 de novembro de 2015

Capítulo 13

Muito mais tarde naquela noite, Elena não conseguia dormir. Ela não queria ficar encurralada dentro do Quarto Alto, disse. Secretamente, Stefan se preocupava que ela quisesse ir lá fora seguir o malach que tinha atacado o carro. Mas ele não achava que ela era capaz de mentir, e ela continuava batendo contra a janela fechada, sussurrando para ele que só queria ar. Ar exterior.
 Devíamos colocar uma roupa em você.
Mas Elena estava confusa – e cabeça-dura. É noite... Este é o meu vestido de noite, disse. Você não gostou do meu vestido de dia. Então ela bateu na janela novamente. Seu “Vestido de dia” tinha sido a camisa azul dele que, com um cinto, parecia uma camisola muito curta nela, indo até o meio das coxas.
Agora o que queria se encaixava com os próprios desejos dele tão completamente que ele se sentia... um pouco culpado sobre a perspectiva. Mas deixou-se convencer.
Se afastaram, de mãos dadas, Elena como um fantasma ou um anjo de camisola, Stefan todo de preto, sentindo-se quase desaparecer onde as árvores obscureciam o luar. De alguma forma, acabaram na floresta, onde esqueletos de árvores misturavam-se com os ramos vivos. Stefan esticou seus novos e melhorados sentidos para longe, mas só conseguiu encontrar os habitantes normais da floresta, lenta e hesitantemente retornando após terem sido assustados pelo ataque de Poder de Damon. Ouriços. Veados. Raposas de caça, e uma pobre raposa-fêmea com dois filhotinhos gêmeos, que não fora capaz de correr por causa de seus filhotes. Aves. Todos os animais que ajudavam a floresta a ser o lugar maravilhoso que ela era.
Nada que parecesse com malach ou que pudesse causar algum dano.
Ele começou a se perguntar se Damon tinha simplesmente inventado a criatura que o havia influenciado. Damon era um mentiroso tremendamente convincente.
Ele estava dizendo a verdade, Elena cantarolou. Mas ou estava invisível ou tinha ido embora agora. Por sua causa. Seu Poder.
Ele olhou para ela e encontrou-a devolvendo o olhar com um misto de orgulho e outra emoção que era facilmente identificada – mas assustadora de se ver do lado de fora.
Ela levantou o rosto, seus traços clássicos puros e pálidos sob o luar.
Seu rosto estava rosa, do rubor, e seus lábios estavam ligeiramente franzidos.
Ah... diabos, Stefan pensou descontroladamente.
 Depois de tudo o que você passou, — começou ele, e cometeu o seu primeiro erro.
Tomou posse dos braços dela. Ali, algum tipo de sinergia entre o seu Poder e o dela começou a levá-los, em uma espiral muito devagar, para cima.
E podia sentir o calor dela. A suavidade doce do seu corpo. Ela ainda estava à espera, de olhos fechados, por seu beijo.
Nós podemos começar tudo de novo, ela sugeriu esperançosamente.
E isso era verdade. Ele queria devolver para ela as sensações que tinha dado a ele em seu quarto. Queria abraçá-la fortemente; queria beijá-la até estremecer. Queria fazê-la derreter e desmaiar com isso.
Ele poderia fazer isso também. Não só porque se aprendia uma ou duas coisas sobre mulheres quando se é um vampiro, mas porque conhecia Elena. Eles realmente eram um só coração, uma alma.
Por favor?, Elena sussurrou.
Mas ela era tão jovem agora, tão vulnerável em sua pura camisola branca, com sua pele creme e a pele rosa do rubor, antecipando. Não poderia ser certo tirar proveito de alguém assim.
Elena abriu seus olhos azul-violeta, prateados pelo luar, e olhou diretamente para ele.
Você quer... Ela disse com sobriedade na boca, mas travessura em seus olhos... ver quantas vezes consegue me fazer dizer, por favor?
Deus, não. Mas isso soou tão maduro que Stefan impotentemente a puxou para seus braços. Beijou o topo de sua cabeça sedosa. Foi beijando para baixo, só evitando sua pequena boca de botão de rosa que ainda estava franzida em uma solitária súplica. Eu te amo. Eu te amo. Ele percebeu que estava quase esmagando suas costelas e tentou soltá-la, mas Elena segurava tão firmemente quanto podia, mantendo seus braços ao redor dela.
Você quer – o cantarolar era o mesmo, inocente e ingênuo – ver quantas vezes eu posso fazer você dizer “por favor”?
Stefan olhou para ela por um momento. Então, com uma espécie de selvageria em seu coração, caiu na pequena boca de botão de rosa e beijou-a sem fôlego, beijou-a até ele mesmo se sentir tão tonto que teve que soltá-la, apenas por dois ou cinco centímetros.
Então olhou nos olhos dela novamente. Uma pessoa podia se perder em olhos como esse, podia cair para sempre em suas profundezas violeta estrelada. Ele queria isso. Mas mais que isso, queria algo mais.
 Eu quero te beijar — ele sussurrou, bem na entrada de sua orelha direita, mordendo-a.
Sim. Ela estava certa sobre isso.
 Até você desmaiar em meus braços.
Ele sentiu o arrepio percorrer o corpo dela. Viu os olhos violetas ficarem nebulosos, fechando parcialmente. Mas para sua surpresa, recebeu de volta uma resposta imediata, mesmo que ligeiramente ofegante.
 Sim — disse Elena em voz alta.
E assim ele fez.
Bem perto de desmaiar, com pequenos calafrios passando por ela, e com gritinhos que ele tentava parar com sua própria boca, ele a beijou. E depois, porque estava na hora, e porque os calafrios estavam começando a ficar dolorosos para eles, e a respiração de Elena estava tão rápida e dura quando ele a deixava respirar que ele estava realmente com medo de que ela pudesse desmaiar, ele solenemente usou a sua unha para abrir uma veia em seu pescoço para ela.
E Elena, que já tinha sido apenas humana e teria ficado horrorizada com a ideia de beber sangue de outra pessoa, apertou-se a ele com um pequeno som abafado de alegria. E então ele pôde sentir sua boca quente, quente contra a carne de seu pescoço, e a sentiu estremecer fortemente, e sentiu a sensação inebriante de ter seu sangue retirado por aquela que ele amava. Ele queria derramar todo o seu ser em frente à Elena, dar a ela tudo o que ele era, ou tudo o que ele seria. E sabia que esta era a forma como ela tinha se sentido, deixando-o beber seu sangue.
Esse era o vínculo sagrado que compartilhavam.
Isso fez ele se sentir como se tivessem sido amantes desde o início do universo, desde o primeiro aparecer da primeira estrela da escuridão. Era algo muito primitivo, e muito profundo engrenado nele. Quando sentiu pela primeira vez o fluxo de sangue na boca dela, teve que sufocar um grito contra o cabelo dela. E então sussurrava para ela, coisas ferozes e involuntárias sobre como a amava e como nunca poderiam se separar, carinhos e absurdos arrancados dele em uma dúzia de línguas diferentes. E então não houve mais palavras, apenas sentimentos.
E assim eles lentamente foram para cima em espiral até a luz do luar, a camisola branca às vezes se agarrando em volta das pernas vestidas de preto dele, até que chegaram ao topo das árvores, vivos e de pé, mas mortos.
Era uma cerimônia muito solene e muito privada deles próprios, e estavam perdidos demais na alegria para ficar de olho no perigo. Mas Stefan já havia verificado isso, e sabia que Elena também. Não havia perigo; só havia os dois, flutuando e sacudindo com a lua brilhando por cima deles como uma bênção.


Uma das coisas mais úteis que Damon havia aprendido recentemente – mais útil do que voar, apesar de que isso tinha sido algo muito divertido – era esconder absolutamente a sua presença.
Teve que derrubar todas as suas barreiras, é claro. Elas apareceriam até mesmo em um escaneamento casual. Mas isso não importava, porque se ninguém pudesse vê-lo, ninguém poderia encontrá-lo. E, portanto, estava seguro.
Mas hoje à noite, depois de sair da pensão, ele tinha ido à floresta para encontrar uma árvore e descontar toda sua raiva.
Não é que se importasse o que o lixo humano pensava dele, pensou venenosamente. Seria como se preocupar com o pensamento de uma galinha logo antes de lhe apertar o pescoço. E, de todas as coisas com que menos se importava, a opinião de seu irmão era a número um.
Mas Elena tinha estado lá. E mesmo que ela tivesse compreendido – tinha se esforçado para conseguir que os outros compreendessem – era simplesmente muito humilhante ter sido expulso na frente dela.
Assim ele se retirou, pensou amargamente, para o único refúgio que poderia chamar de lar. Apesar de isso ser um pouco ridículo, pois ele poderia ter passado a noite no melhor hotel em Fell´s Church (o único hotel) ou com qualquer número de garotas doces que pudessem convidar um viajante cansado para beber... água. Uma onda de Poder para colocar os pais para dormir, e ele poderia ter tido abrigo, bem como um lanche quente e disposto, até amanhecer.
Mas ele estava com um humor cruel, e só queria ficar sozinho. Estava com medo de caçar. Não seria capaz de controlar a si mesmo com um animal em pânico em seu atual estado de espírito. Tudo em que conseguia pensar era rasgar e despedaçar e fazer alguém muito, muito infeliz.
Os animais estavam voltando, notou, porém cuidadoso para usar somente sentidos comuns e nada que traísse sua presença. A noite de terror havia acabado para eles, e eles tendiam a ter uma memória muito curta.
Então, bem quando ele estava se deitando em um galho, desejando que Mula, pelo menos, tivesse sofrido algum tipo de ferimento doloroso e duradouro, eles apareceram. Do nada, aparentemente. Stefan e Elena, de mãos dadas, flutuando como um par de amantes alados felizes de Shakespeare, como se a floresta fosse a casa deles.
Ele não tinha sido capaz de acreditar nisso de primeira.
E então, bem quando estava prestes a trazer a casa abaixo e começar com sarcasmo sobre eles, tinham iniciado a sua cena de amor.
Bem na frente de seus olhos.
Até mesmo flutuando até o seu nível, como se para esfregar na cara. Começaram a se beijar e a fazer carícias e... mais coisas.
Eles o tornaram em um voyeur relutante, apesar de Damon ter ficado mais irritado e menos relutante à medida que o tempo passava e carícias deles se tornaram mais passionais. Teve que cerrar seus dentes quando Stefan ofereceu seu sangue a Elena. Teve vontade de gritar que houvera um tempo em que esta menina estava facilmente à sua disposição, quando ele poderia tê-la drenado e ela teria morrido feliz em seus braços, quando ela o obedecera instintivamente ao som de sua voz e o gosto de seu sangue a fazia alcançar o céu em seus braços.
Como ela obviamente estava alcançando nos braços de Stefan.
Isso foi o pior. Ele teve que cravar as unhas em sua palma quando Elena se enrolou em torno de Stefan como uma serpente graciosa e comprida e prendeu a boca contra o pescoço dele, como o rosto de Stefan tinha virado em direção ao céu, os olhos fechados.
Pelo amor de todos os demônios no inferno, por que simplesmente não acabam logo com isso?
Foi quando percebeu que ele não estava sozinho em sua árvore bem-escolhida e cômoda.
Havia alguém mais ali, sentado calmamente ao seu lado no ramo grande.
Deve ter surgido enquanto ele estava absorto na cena de amor e em sua própria fúria, mas ainda assim, isso fazia dele muito, muito bom. Ninguém havia se esgueirado ao lado dele sem ele perceber por mais de dois séculos. Três, talvez.
O choque o fez cair do galho – sem usar a sua capacidade vampiresca de flutuar.
Um longo braço magro estendeu-se para pegá-lo, lançando-lhe para segurança, e Damon encontrou-se olhando um par de olhos dourados rindo.
Quem diabos é você?, ele enviou. Não se preocupou com isso sendo captado pelos amantes à luz do luar. Nada menos do que um dragão ou uma bomba atômica seria capaz de capturar a atenção deles agora.
Eu sou o diabo Shinichi, o outro garoto respondeu. Seu cabelo era o mais estranho que Damon havia visto ultimamente. Era liso, brilhante e preto em toda parte, exceto por uma franja vermelho escura desigual nas pontas. A franja jogada descuidadamente para longe de seus olhos terminava em rubro, assim como os fiozinhos por todo o colarinho – já que ele usava-o ligeiramente comprido. Parecia como se línguas de chamas dançantes e brilhantes estivessem lambendo as extremidades dele, e isso dava uma ênfase singular para a sua resposta: Eu sou o diabo Shinichi. Se alguém pudesse se passar como um diabo vindo direto do Inferno, era esse menino.
Por outro lado, seus olhos eram os olhos de ouro puro de um anjo. A maioria das pessoas me chama apenas de Shinichi, acrescentou sobriamente para Damon, deixando os olhos enrugarem um pouco para mostrar que era uma piada. Agora você sabe o meu nome. Quem é você?
Damon simplesmente olhou para ele em silêncio.

8 comentários:

  1. Tudo bem que eles são um casal e tal, mas esses momentos 'românticos' da Elena e do Stefan estão ficando irritantes!

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    1. Gente, achei que eu era a chata por achar eles irritantes rs

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  2. Adoro stefan e Elena, mas esse estado "anjo" da Elena já encheu

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  3. Já podem chamar os caçadores de sombras

    PMSS

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    1. GENTE GENTE <3 Pensei a mesma coisa Kkkkkkj

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  4. Sério na frente do damon e maldade:(

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  5. Engraçado ela beijou todo mundo para reconhecer e o Damon ela não beijou. Eu estava aguardando a cara de todos na hora que ela beijasse ele.kkkk
    E o casal está chato pra caramba neste livro

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