13 de novembro de 2015

Capítulo 13

— Você acha que deveríamos... olhar lá dentro? — Matt perguntou.
— Não sei — Elena respondeu miseravelmente. Não queria ver o que estava dentro da tumba agora mais do que quando Tyler tinha sugerido abri-la para vandalizá-la. — Talvez não sejamos capazes de abri-la — acrescentou. — Tyler e Dick não conseguiram. Só começou a deslizar quando eu me inclinei sobre ela.
— Incline-se sobre ela agora; talvez haja algum tipo de mecanismo escondido — sugeriu Alaric, e quando Elena o fez, sem resultado, ele disse: — Tudo bem, vamos todos segurar, e nos alinhar... assim. Vamos, agora...
Agachado, ele ergueu a cabeça e olhou para Damon, que estava parado próximo à tumba, parecendo ligeiramente divertido.
— Com licença — Damon pediu, e Alaric deu um passo para trás, franzindo a testa.
Damon e Stefan pegaram cada um, um lado da tampa de pedra e a levantaram.
A tampa deslizou, fazendo som de trituração enquanto Damon e Stefan a puxavam para o chão ao lado da tumba.
Elena não conseguia se forçar a ir para mais perto.
Ao invés de disso, lutando contra a náusea, concentrou-se na expressão de Stefan. Isso lhe diria o que havia a ser encontrado ali. Imagens explodiram em sua mente, de corpos mumificados cor de pergaminho, de cadáveres apodrecendo, de caveiras sorridentes. Se Stefan parecesse horrorizado ou enojado, desgostoso...
Mas à medida que Stefan olhava dentro da tumba aberta, seu rosto registrou apenas uma perturbadora surpresa.
Elena não conseguia mais suportar.
— O que é?
Ele deu-lhe um sorriso torto e respondeu, olhando para Bonnie:
— Venha e veja.
Elena avançou vagarosamente até a tumba e olhou para baixo. Então sua cabeça ergueu-se com tudo, e ela observou Stefan com espanto.
— O que é isso?
— Não sei — ele disse. Ele se virou para Meredith e Alaric. — Algum dos dois tem uma lanterna? Ou uma corda?
Após uma olhada na tumba de pedra, ambos se dirigiram aos seus carros. Elena permaneceu onde estava, encarando abaixo, forçando sua visão noturna. Ainda não conseguia acreditar.
A tumba não era uma tumba, e sim uma entrada.
Agora entendia porque tinha sentido um vento gelado soprar dali quando a tampa balançara sob sua mão aquela noite.
Ela estava olhando para algum tipo de catacumba ou porão. Só conseguia enxergar uma parede, a que estava diretamente embaixo dela, e que havia degraus de ferro se prendendo à pedra, como uma escada.
— Aqui está — Meredith disse a Stefan, retornando. — Alaric tem uma lanterna, aqui está a minha. E aqui está a corda que Elena colocou no meu carro quando fomos procurar por você.
O estreito feixe de luz da lanterna de Meredith varreu a sala escura abaixo.
 — Não consigo ver muito para dentro, mas parece vazio — Stefan observou. — Eu desço primeiro.
— Descer? — repetiu Matt; — Olha, tem certeza de que devemos descer? Bonnie, o que você acha?
Bonnie não tinha se movido. Ela ainda estava parada ali com aquela expressão de total distração em seu rosto, como se não visse nada ao seu redor. Sem uma palavra, passou uma perna pela beirada da tumba, se virou, e começou a descer.
— Epa — disse Stefan.
Ele enfiou a lanterna no bolso da jaqueta, colocou uma mão na beirada da tumba, e pulou para dentro.
Elena não teve tempo de apreciar a expressão de Alaric; inclinou-se e gritou:
— Você está bem?
— Ótimo — a lanterna piscou para ela lá debaixo. — Bonnie ficará bem, também. Os degraus vão até embaixo. É melhor trazer a corda de qualquer maneira, no entanto.
Elena olhou para Matt, que estava mais perto. Seus olhos azuis encontraram os dela com impotência e certa resignação, e ele acenou. Ela tomou um longo fôlego e colocou uma mão na entrada da tumba como Stefan fizera. Outra mão de repente segurou seu pulso.
— Acabei de pensar em algo — Meredith disse assustadoramente. — E se a entidade de Bonnie for o Outro Poder?
— Pensei nisso há muito tempo — devolveu Elena.
Deu um tapinha na mão de Meredith, olhou curiosamente para dentro, e pulou.
Caiu de pé nos braços apoiadores de Stefan e olhou ao redor.
— Meu Deus...
Era um lugar estranho. As paredes eram recobertas com pedra. Eram lisas e tinham um aspecto quase polido. Em intervalos, candelabros de ferro se prendiam à parede, alguns dos quais com restos de velas. Elena não conseguia ver o outro lado da sala, mas a lanterna mostrava um portão de ferro forjado relativamente perto, como os usados em algumas igrejas para separar o altar.
Bonnie estava terminando de alcançar o fim da escada de ferro. Esperou silenciosamente enquanto os outros desciam, primeiro Matt, então Meredith, depois Alaric com a outra lanterna.
Elena olhou para cima.
— Damon?
Conseguia ver sua silhueta contra o iluminado retângulo preto que era a entrada da tumba no céu.
— Sim?
— Você está conosco? — ela perguntou. Não “Você vem conosco?”, sabia que ele entenderia a diferença.
Esperou cinco batidas de coração no silêncio que se seguiu. Seis, sete, oito.
Houve uma precipitação de ar, e Damon pousou com destreza. Mas não olhou para Elena. Seus olhos estavam estranhamente distantes, e ela não conseguia ler nada em seu rosto.
— É uma cripta — Alaric percebeu com espanto, enquanto sua lanterna cortava a escuridão. — Uma câmara subterrânea debaixo de uma igreja, usada como um local de enterro. Elas geralmente são construídas sob grandes igrejas.
Bonnie andou diretamente até o portão com espirais e colocou uma pequena mão branca nele, abrindo-o. Ele balançou para dentro.
Os batimentos cardíacos de Elena estavam vindo rápido demais para contá-los agora. De alguma maneira, forçou suas pernas a moverem-se adiante, a seguirem Bonnie. Seus sentidos afiados estavam quase dolorosamente afiados, mas não lhe contavam nada sobre o onde entravam. O feixe de luz da lanterna de Stefan era tão estreito, mostrava só o chão de pedra a frente e a enigmática figura de Bonnie.
Bonnie parou.
É isso, pensou Elena, sua respiração ficando presa em sua garganta. Ah, meu Deus, é isso; é realmente isso. Ela teve uma intensa sensação repentina de estar no meio de um sonho lúcido, onde sabia que estava sonhando, mas não conseguia mudar nada ou acordar. Seus músculos congelaram.
Conseguia farejar o medo dos outros, e conseguia sentir Stefan atrás dela. A lanterna dele vagou por objetos além de Bonnie, mas de primeira os olhos de Elena não conseguiram achar sentido neles. Viu ângulos, superfícies lisas, contornos, e então algo saltou em foco. Um rosto branco lívido, pendurado grotescamente de lado.
O grito nunca saiu de sua garganta. Era somente uma estátua, e os traços eram familiares. Eram os mesmos da tampa da tumba acima. Essa tumba era a gêmea daquela por onde eles entraram. Exceto que esta fora saqueada, a tampa de pedra quebrada em dois pedaços e atirada contra a parede da cripta. Algo estava disperso no chão como frágeis varetas de marfim. Pedaços de mármore, Elena desesperadamente disse ao seu cérebro; é só mármore, pedaços de mármore.
Eram ossos humanos, estilhaçados e esmagados.
Bonnie se virou.
Seu rosto em formato de coração se moveu como se aqueles fixos olhos vazios estivessem vasculhando o grupo.
Acabou encarando diretamente Elena.
Então, com um tremor, ela tropeçou e se lançou violentamente para frente como uma marionete cujas cordas foram cortadas.
Elena mal conseguiu segurá-la, ela própria quase caindo.
— Bonnie? Bonnie?
Os olhos castanhos que olharam para ela, dilatados e desorientados, eram os olhos assustados de Bonnie.
— Mas o que aconteceu? — Elena exigiu. — Para onde foi?
— Eu estou aqui.
Acima da tumba saqueada, uma luz difusa aparecia. Não, não uma luz, Elena pensou. Estava sentindo com seus olhos, não era uma luz do espectro normal. Era algo mais estranho aos olhos humanos do que o infravermelho ou o ultravioleta, algo que os sentidos humanos não foram feitos para ver. Estava sendo revelado a ela, forçado em seu cérebro, por algum Poder exterior.
— O Outro Poder — sussurrou, seu sangue gelando.
— Não, Elena.
Essa voz não era um som, do mesmo modo que a visão não era luz. Era silencioso como um brilho de estrela, e triste.
Lembrava-a de algo.
Mãe?, pensou loucamente. Mas não era a voz de sua mãe. O brilho acima da tumba parecia rodopiar e redemoinhar, e por um momento Elena vislumbrou um rosto, um rosto gentil e triste. E então soube.
— Estive esperando por você — a voz de Honoria Fell falou suavemente. — Aqui finalmente posso falar com você na minha própria forma, e não através dos lábios de Bonnie. Me escute. Seu tempo é curto, e o perigo é grande.
Elena encontrou sua voz.
— Mas o que é esta sala? Por que nos trouxe aqui?
— Você me pediu. Eu não podia lhe mostrar até você perguntar. Esse é o nosso campo de batalha.
— Não entendo.
— Esta cripta foi construída para mim pelo povo de Fell’s Church. Um lugar de descanso para o meu corpo. Um lugar secreto para alguém que teve poderes secretos durante a vida. Como Bonnie, eu sabia de coisas que ninguém mais sabia. Via coisas que ninguém mais conseguia ver.
— Você era psíquica — Bonnie sussurrou roucamente.
— Naqueles tempos, chamavam de bruxaria. Mas nunca usei meus poderes para o mal, e quando morri, construíram este monumento para que meu marido e eu pudéssemos descansar em paz. Mas então, após muitos anos, nossa paz foi perturbada.
A luz sobrenatural vacilou e brilhou, a figura de Honoria vacilando.
— Outro Poder veio para Fell’s Church, cheio de ódio e destruição. Sujou meu lugar de descanso e espalhou meus ossos. Fez daqui seu lar. Foi semear o mal em minha cidade. Então eu despertei. Tentei alertá-la contra ele desde o início, Elena. Ele vive aqui sob o cemitério. Esteve esperando por você, observando-a. Às vezes na forma de uma coruja...
Uma coruja. A mente de Elena acelerou. Uma coruja, como a coruja que vira aninhando-se no campanário da igreja. Como a coruja que estivera no celeiro, a coruja na acácia preta em sua casa.
Coruja branca... pássaro de caça… comedor de carne… pensou. E então se lembrou de grandes asas brancas que pareciam se esticar de cada lado do horizonte. Um grande pássaro feito de névoa ou neve, indo atrás dela, focando-a, cheio de sede de sangue e ódio animal.
— Não! — gritou, a memória a engolfando.
Sentiu as mãos de Stefan em seus ombros, seus dedos afundando quase dolorosamente. Eles a trouxeram de volta para a realidade.
Honoria Fell ainda falava.
— E você, Stefan, esteve observando-o. O odiava antes de odiar Elena. Esteve atormentando-o e brincando com você como um gato faz com um rato. Odeia aqueles que você ama. Ele próprio está cheio de amor envenenado.
Elena olhou involuntariamente atrás dela. Viu Meredith, Alaric e Matt de pé congelados. Bonnie e Stefan estavam próximos a ela. Mas Damon... onde estava Damon?
— Seu ódio cresceu tanto que qualquer morte servirá, qualquer sangue derramado lhe dará prazer. Agora mesmo, os animais que ele controla estão escapando da floresta. Estão se movendo em direção à cidade, em direção às luzes.
— O Baile de Inverno!  — Meredith percebeu de repente.
— Sim. E desta vez irão matar até que o último deles caia.
— Nós temos que alertar aquelas pessoas — Matt disse. — Todos no baile...
— Vocês nunca estarão a salvo até que a mente que os controla seja destruída. A matança continuará. Devem destruir o Poder que odeia; foi por isso que eu os trouxe aqui.
Houve outra instabilidade na luz; parecia estar cedendo.
— Vocês tem a coragem, se puderem encontrá-la. Sejam fortes. Essa é a única ajuda que posso lhes dar.
— Espere... por favor... — Elena começou.
A voz continuou cruelmente, sem dar atenção a ela.
— Bonnie, você tem uma escolha. Seus poderes secretos são uma responsabilidade. Eles também são uma dádiva, e uma que pode ser tirada. Você escolhe abrir mão deles?
— Eu... — Bonnie balançou sua cabeça, assustada. — Não sei. Preciso de tempo...
— Não há tempo. Escolha.
A luz estava diminuindo, dobrando-se em si mesma.
Os olhos de Bonnie estavam estupefatos e incertos enquanto procuravam pelo rosto de Elena para pedir ajuda.
— A escolha é sua — Elena sussurrou. — Tem que decidir por si mesma.
Lentamente, a incerteza deixou o rosto de Bonnie, e ela concordou. Desviou o olhar de Elena, virando-se para a luz.
— Eu os manterei — disse roucamente. — Lidarei com eles de alguma maneira. Minha avó lidou.
Houve mais instabilidade na luz.
— Você escolheu sabiamente. Use-os dessa maneira também. Esta é a última vez que falarei com vocês.
— Mas...
— Mereci meu descanso. A luta é sua.
E o brilhou se dissipou, como as últimas chamas de um fogo moribundo.
Com ela partida, Elena conseguia sentir a pressão ao seu redor. Algo iria acontecer. Alguma força esmagadora estava vindo na direção deles, ou estava suspensa sobre eles.
— Stefan...
Stefan sentiu também; ela conseguia afirmar.
— Vamos — Bonnie disse, sua voz em pânico. — Temos que cair fora daqui.
— Temos que ir ao baile — Matt arfou. Seu rosto estava branco. — Temos que ajudá-los...
— Fogo — gritou Bonnie, parecendo assustada, como se o pensamento tivesse acabado de lhe ocorrer. — Fogo não irá matá-los, mas os segurará...
— Vocês não escutaram? Temos que encarar o Outro Poder. E ele está aqui, bem aqui, agora. Não podemos ir! — Elena exclamou.
Sua mente estava cheia de confusão. Imagens, memórias, e um mau presságio terrível. Sede de sangue... ela conseguia sentir…
— Alaric — Stefan falou com o som de comando. — Volte. Leve os outros; faça o que puder. Eu ficarei...
— Acho que todos deveríamos ir embora! — Alaric gritou. Ele teve que gritar para ser ouvido por sobre o barulho ensurdecedor que os estava cercando.
Sua lanterna mostrou algo que Elena não tinha notado antes. Na parede próxima a ela havia um buraco aberto, como se a pedra que a cobrisse tivesse sido arrancada. E além havia um túnel na terra dura, escuro e sem fim.
Para onde ele vai?, Elena se perguntou, mas o pensamento foi perdido entre o tumulto de seu medo. Coruja branca... pássaro de caça… comedor de carne… corvo, pensou, e de repente soube com uma claridade cega do que temia.
— Onde está Damon? — berrou, arrastando Stefan ao redor enquanto se virava, olhando. — Onde está Damon?
— Saiam! — gritou Bonnie, sua voz aguda com terror. Ela se jogou na direção do portão bem quando o som dividiu a escuridão.
Era um rosnado, mas não o rosnado de um cachorro. Não daria para ser confundido. Era muito mais profundo, mais pesado, mais ressonante. Era um som enorme, e cheirava a floresta, a sede de sangue caçadora. Ele reverberava no peito de Elena, estremecia seus ossos.
Paralisou-a.
O som veio novamente, faminto e selvagem, mas de algum jeito quase preguiçoso. Confiante demais. E com ele vieram passos pesados do túnel.
Bonnie tentava gritar, conseguindo somente um diminuto som de sua garganta. Na escuridão do túnel, algo se aproximava. Uma forma que se movia com um gingado felino.
Elena reconheceu o rosnado agora. Era o som do maior dos felinos caçadores, maior que um leão. Os olhos do tigre eram amarelos enquanto alcançava o fim do túnel.
E então tudo aconteceu de uma só vez.
Elena sentiu Stefan tentar puxá-la para trás para tirá-la do caminho. Mas os seus próprios músculos petrificados eram um obstáculo para ele, e ela sabia que era tarde demais.
O salto do tigre era a própria graça, músculos poderosos se lançando no ar. Naquele instante, como se estivesse presa na luz de um clarão, sua mente notou os magros flancos brilhantes e a espinha dorsal flexível. Mas sua voz gritou por conta própria:
— Damon, não!
Foi só quando o lobo preto saltou da escuridão para encontrar o tigre que percebeu que o tigre era branco.
O ataque do grande felino foi desviado pelo lobo, e Elena sentiu Stefan puxá-la com força para fora do caminho, puxando-a para o lado em segurança. Seus músculos tinham se derretido como flocos de neve. Recuou de forma entorpecida enquanto se colocava contra a parede. A tampa da tumba estava entre ela e a figura branca rosnante agora, mas o portão estava do outro lado da luta.
A própria fraqueza de Elena era parcialmente terror e parcialmente atordoamento. Não entendia nada; confusão rugia em seus ouvidos. Um momento atrás tivera certeza de que Damon estivera brincando com eles esse tempo todo, que ele fora o Outro Poder o tempo todo. Mas a malícia e a sede de sangue que emanavam do tigre era inconfundível. Era isso que a tinha perseguido no cemitério, e da pensão até o rio, provocando sua morte. Esse Poder Branco que o lobo lutava para matar.
Era uma competição impossível. O lobo negro, apesar de cruel e agressivo, não tinha chance.
Uma pancada das enormes garras do tigre rasgou o ombro do lobo até o osso. Sua mandíbula se abriu enquanto tentava agarrar o pescoço do lobo em aperto para quebrar a espinha.
Mas então Stefan surgiu, lançando a luz da lanterna nos olhos do gato, empurrando o lobo machucado para fora do caminho. Elena desejou gritar, desejou poder fazer algo para libertar aquela confusão que corria dentro dela. Não entendia; não entendia nadaStefan estava em perigo. Mas não conseguia se mover.
— Saiam! — Stefan estava gritando aos outros. — Façam isso agora; saiam!
Mais rápido do que qualquer humano, ele saiu do caminho de uma pata branca, mantendo a luz nos olhos do tigre. Meredith ultrapassava o portão de ferro agora. Matt estava parcialmente carregando e parcialmente arrastando Bonnie. Alaric havia passado.
O tigre disparou e o portão se fechou. Stefan caiu de lado, escorregando enquanto tentava se levantar novamente.
— Não deixaremos vocês... — Alaric gritou do outro lado.
— Vão! — interrompeu Stefan. — Vão para o baile; façam o que puderem! Vão!
O lobo atacava novamente, apesar dos ferimentos em sua cabeça e de seu ombro, onde o músculo e o tendão estava exposto e brilhando. O tigre lutou de volta.
Os sons dos animais subiram a um volume que Elena não conseguia suportar. Meredith e os outros tinham ido; a lanterna de Alaric desaparecera.
— Stefan! — gritou, vendo-o se levantar para voltar à luta novamente.
Se ele morresse, morreria também. E se tivesse que morrer, Elena queria que fosse junto dele.
A paralisia a deixou, e ela tropeçou até ele, soluçando, esticando as mãos para agarrá-lo firmemente.
Sentiu seus braços ao redor dela enquanto segurava-a com seu corpo entre ela e o barulho e a violência. Mas ela era teimosa, tão teimosa quanto ele. Se retorceu, e então eles encararam aquilo juntos.
O lobo tinha caído. Estava deitado de costas, e apesar de seu pelo ser escuro demais para mostrar sangue, uma piscina vermelha se formava debaixo dele. O felino branco estava acima dele, a mandíbula aberta a centímetros de sua garganta negra vulnerável.
Mas a mordida seladora da morte não veio. Ao invés disso, o tigre ergueu sua cabeça para olhar para Stefan e Elena.
Com uma estranha calma, Elena se pegou notando minúsculos detalhes de sua aparência.
Os bigodes eram retos e finos, como fios prateados. Seu pelo era de um branco puro, listrado com fracas marcas como um dourado claro. Branco e dourado, pensou, lembrando-se da coruja no celeiro. E isso incitou outra memória... de algo que tinha visto… ou algo que tinha ouvido…
Com uma pancada pesada, o tigre fez a lanterna voar da mão de Stefan. Elena escutou-o berrar de dor, mas não conseguia ver mais nada na escuridão. Onde não havia luz, até mesmo um caçador ficava cego. Agarrando-se a ele, esperou pela dor do golpe mortífero.
Mas de repente sua cabeça cambaleava; estava cheia de névoa cinzenta e giratória e Elena não conseguia se segurar em Stefan. Não conseguia pensar; não conseguia falar. O chão parecia estar abandonando-a. Turvamente, percebeu que o Poder estava sendo usando contra ela, que estava oprimindo sua mente.
Sentiu o corpo de Stefan cedendo, desmoronando, caindo para longe dela, e não conseguiu mais resistir à névoa. Ela caiu na imensidão da névoa e nunca soube quando atingiu o chão.

6 comentários:

  1. Katherine? É você? Que porra é essa?!

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  2. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk morri com seu comentario Léria rsr

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  3. Acho que pode ser Katherine... com o vestido branco e cabelos dourados

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  4. Sabia q era a coruja....

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  5. Será que ninguém pensa na gata da Margareth?

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    1. A gata estava sendo usada pelo Poder, assim como todosos outros animais... Pensa um poouco antes de escrever mer**

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