20 de novembro de 2015

Capítulo 12

Voltou para ele, tudo aquilo: os corredores apertados e as pequeninas janelas e o cheiro mofado de livros velhos. Tinha ido à Bélgica cerca de cinquenta anos atrás, e ficara surpreso ao encontrar um livro em inglês quando o assunto mal era existente. Mas ali estava, sua capa gasta até ficar com um bolor desenvolvido, sem o resto da escrita, se alguma vez já houve uma. Páginas faltavam em seu interior, então ninguém jamais soube quem era o autor ou o seu título, se alguma vez já fora impresso. Cada “receita” – fórmula, amuleto ou feitiço – dentro dele envolvia conhecimento proibido.
Damon poderia facilmente lembrar o feitiço mais simples de todos: “O Sangre de Samphire ou Vampyro é muito bom como remédio geral para todos os Malaches ou malfeitos causados por aqueles que Dançam na Floresta no Moonspire.”
Estes malach certamente haviam feito travessuras na floresta, e esse era o mês do Moonspire, o mês do “solstício de verão” na Língua Antiga. Damon não queria deixar Bonnie, e certamente não queria que Elena visse o que ele faria a seguir. Ainda apoiando a cabeça da Bonnie sobre a rosada água morna, abriu sua camisa. Havia uma lâmina feita em madeira preso a uma bainha em seu quadril. Ele a tirou, e em um rápido movimento, cortou-se na base da garganta.
Sangue saía em abundância agora.
O problema era como fazê-la beber. Guardando a adaga, ele a ergueu da água e tentou colocar os lábios dela no corte.
Não, isso era estupidez, pensou, desacostumado com autodesaprovação. Ela vai ficar com frio novamente, e você não tem nenhuma maneira de fazê-la engolir. Ele deixou Bonnie declinar de volta na água e pensou. Então puxou a faca novamente e fez outro corte: esse em seu braço, no punho. Seguiu pela veia até que o sangue não apenas pingasse, mas fluísse constantemente. Então colocou o corte na boca de Bonnie virada para cima, ajustando o ângulo de sua cabeça com a outra mão. Seus lábios estavam parcialmente abertos e o sangue vermelho escuro fluía lindamente. Periodicamente ela engoliu. Ainda havia vida nela.
Era como alimentar um pássaro bebê, pensou, extremamente satisfeito com a sua lembrança, sua engenhosidade, e... bem, simplesmente com si próprio.
Ele sorriu brilhantemente para nada em particular.
Agora se simplesmente funcionasse.
Damon alterou ligeiramente sua posição para ficar mais confortável e ligou a água quente de novo, todo o tempo segurando Bonnie, alimentando-a, tudo – ele sabia – graciosamente e sem desperdiçar um movimento. Isso era engraçado. Ele apelava para seu senso do ridículo. Aqui, agora, um vampiro não estava tragando um humano, mas sim tentando salvá-la de uma morte certa ao alimentá-la com sangue de vampiro.
Mais do que isso. Ele havia seguido todos os tipos de tradições e costumes humanos tentando tirar a roupa de Bonnie sem comprometer sua modéstia de donzela. Isso era excitante. Claro, havia visto o seu corpo de qualquer jeito; não houvera forma alguma de evitar isso. Mas era realmente muito mais emocionante quando ele estava tentando seguir as regras. Nunca havia feito isso antes.
Talvez fosse assim que Stefan se divertisse. Não, Stefan tinha Elena, que tinha sido humana, vampira, e um espírito invisível, e agora parecia ser um anjo vivo, se é que isso existia. Elena era divertida o bastante por si só. Ainda assim, ele não havia pensado nela em minutos. Podia até ser um recorde em ignorar Elena.
Era melhor ele chamá-la, talvez trazê-la aqui e explicar como estava funcionando para que não houvesse razão para ela esmagar o seu crânio.
Provavelmente seria melhor.
Damon de repente percebeu que não podia sentir a aura de Elena no quarto de Stefan. Mas antes que pudesse investigar, houve um barulho, em seguida pisadas martelantes, em seguida outro barulho, muito mais próximo. E então a porta do banheiro foi aberta com um chute pelo Mortal, Aborrecente, Troço...
Matt avançou ameaçadoramente, ficou com os pés embaraçados em algo e olhou para baixo para desemaranhá-los. Suas bochechas bronzeadas foram coradas por um fluxo rosa. Ele estava segurando o pequeno sutiã rosa de Bonnie. Soltou-o como se ele o tivesse mordido, e girou, só para colidir com Stefan, que estava entrando.
Damon assistiu, entretido.
 Como você os mata, Stefan? Só precisa de uma estaca? Pode segurá-lo enquanto... sangue! Ele estava dando sangue para ela!  Matt se interrompeu, parecendo prestes a atacar Damon sozinho.
Má ideia, pensou Damon.
Matt olhou nos olhos dele. Confrontando o monstro, Damon imaginou, ainda mais entretido.
 Solte... ela. ― Matt falou lentamente, provavelmente querendo transmitir uma ameaça, mas soando, Damon pensou, como se achasse que Damon fosse deficiente mental.
Moleque usa língua atravancada, Damon meditou. Isso formava...
― Mula ― ele falou em voz alta, balançando a cabeça ligeiramente. Talvez, contudo, isso o fizesse se lembrar no futuro.
 Mula? Você está me chamando de...? Deus, Stefan, por favor, ajude-me a matá-lo! Ele matou Bonnie.
As palavras saíram cuspidas de Matt em um único fluxo arrebatador, em uma única respiração. Lamentavelmente, Damon viu seu último acrônimo cair por terra.
Stefan estava surpreendentemente calmo. Colocou Matt atrás dele e falou:
 Vá e fique com Elena e Meredith ― de uma forma que não era uma sugestão, e virou-se de volta para seu irmão. ― Você não se alimentou dela ― continuou, e isso não era uma pergunta.
 Excesso de veneno? Não é o meu tipo de divertimento, irmãozinho.
Um canto da boca de Stefan se levantou. Ele não respondeu a isso, mas simplesmente olhou para Damon com olhos que tinham... Conhecimento. Damon se conteve.
 Eu falei a verdade!
 Vai fazer disso um passatempo?
Damon começou a soltar Bonnie, percebendo que deixá-la cair numa água manchada de sangue seria uma boa maneira de anunciar sua saída dessa porcaria, mas...
Mas. Ela era o seu passarinho. Engoliu o suficiente de seu sangue, mais agora começaria a fazê-la se Transformar seriamente. E se a quantidade de sangue que havia dado a ela não fosse o suficiente, simplesmente não era o remédio, em primeiro lugar. Além disso, o milagreiro estava aqui.
Ele fechou o corte em seu braço o suficiente para parar o sangramento e começou a falar...
A porta se abriu novamente.
Desta vez era a Meredith, e ela segurava o sutiã de Bonnie. Tanto Stefan quanto Damon se calaram. Meredith era, Damon pensou, uma pessoa muito assustadora.
Pelo menos tomou um tempo, o que a Mula não fez, para olhar as roupas esparramadas no chão do banheiro. Ela perguntou a Stefan: — Como ela está? — o que a Mula não tinha perguntado, tampouco.
 Ela vai ficar bem — Stefan respondeu, e Damon ficou surpreendido com o seu sentimento de... não de alívio, é claro, mas de um trabalho bem feito. Além disso, talvez pudesse evitar ser punido por Stefan até sobrar somente um fragmento de sua vida.
Meredith tomou um profundo fôlego e fechou seus olhos assustadores brevemente. Quando fez isso, todo o seu rosto brilhou. Talvez ela estivesse rezando. Havia séculos desde que Damon rezara; e ele nunca teve nenhum pedido realizado.
Então Meredith abriu seus olhos, estremeceu, e começou a parecer assustadora de novo. Cutucou a pilha de roupas no chão e disse, lenta e forçadamente:
 Se o item que combina com este não estiver mais no corpo de Bonnie, haverá um problema.
Ela balançou o agora infame sutiã como uma bandeira.
Stefan parecia confuso. Como podia não entender a pergunta sobre a poderosa lingerie desaparecida?, Damon se perguntou. Como alguém poderia ser um... um tolo tão desatento? Será que Elena não usava... nunca? Damon se sentou congelado, preso demais nas imagens do seu próprio mundo interior para poder se mover por um momento. Então falou. Tinha a resposta da charada de Meredith.
 Você quer vir aqui verificar? — ele perguntou, virando a cabeça virtuosamente para longe.
 Sim, eu quero.
Ele permaneceu de costas enquanto ela se aproximava da banheira, mergulhava a mão na água rosa e morna, e movimentava a toalha um pouco. Ele a ouviu soltar uma respiração de alívio.
Quando ele se virou, ela disse:
 Há sangue em sua boca. — Seus olhos escuros pareciam mais escuros do que nunca.
Damon ficou surpreendido. Não tinha ido e perfurado a ruiva, como de hábito, e então esquecido, tinha? Mas então percebeu o motivo.
 Você tentou sugar o veneno, não tentou? — Stefan perguntou, atirando-lhe uma toalha de rosto branca.
Damon limpou a lateral que Meredith estava olhando e encontrou uma mancha sangrenta. Não era de se admirar que sua boca estivesse pegando fogo. Aquele veneno era uma coisa muito desagradável, embora claramente não afetasse vampiros da maneira que afetava os humanos.
 E há sangue em sua garganta — Meredith continuou.
 Experiência malsucedida — disse Damon, e deu de ombros.
 Então você cortou seu pulso. Muito sério.
 Para um humano, talvez. A conferência de imprensa acabou?
Meredith deu as costas. Ele conseguia ler sua expressão e sorriu interiormente. Extra! Extra! MEREDITH ASSUSTADA. FRUSTRADA. Ele conhecia o olhar daqueles que tinham de desistir de conseguir derrubar Damon.
Meredith levantou-se.
 Há alguma coisa que eu possa trazer para parar o sangramento na boca dele? Algo para beber, talvez?
Stefan apenas pareceu chocado. O problema de Stefan – bem, uma parte de um dos muitos problemas de Stefan – era que ele pensava que se alimentar era pecaminoso. Mesmo apenas falar.
Talvez fosse realmente mais divertido desse jeito. As pessoas apreciam tudo o que pensam ser pecaminoso. Mesmo os vampiros. Damon estava incomodado. O que você fazia quando qualquer coisa era pecaminosa? Porque ele estava esgotando seus divertimentos, infelizmente.
Com as costas viradas, Meredith era menos assustadora. Damon arriscou uma resposta à questão do que queria beber.
 Você, querida... você, querida.
 Queridas demais — Meredith respondeu misteriosamente, e antes que Damon pudesse entender que ela estava simplesmente falando sobre linguística, e não comentando sobre sua vida pessoal, ela tinha ido embora. Com o sutiã viajante.
Agora Stefan e Damon estavam sozinhos. Stefan deu um passo mais próximo, mantendo os olhos longe da banheira. Você perde tanto, seu tolo, Damon pensou. Essa era a palavra que estava procurando mais cedo. Tolo.
 Você fez muito por ela — disse Stefan, parecendo achar tão difícil olhar para Damon quanto para a banheira. Isto o deixou com muito pouco para olhar. Ele escolheu encarar a parede.
 Você me disse que me daria uma surra se eu não o fizesse. Nunca gostei de surras.
Então mostrou sorriso deslumbrante para Stefan e o manteve até que Stefan começasse a virar para olhar para ele, aí desligou-o imediatamente.
 Você foi além do dever.
 Com você, irmãozinho, ninguém sabe direito onde o dever termina. Diga-me, como é a eternidade?
Stefan arfou um suspiro.
 Pelo menos você não é do tipo valentão que só aterroriza quando tem vantagem.
 Está me convidando para “dar uma voltinha”, como dizem?
 Não, estou te elogiando por ter salvado a vida de Bonnie.
 Não percebi que eu tinha uma escolha. Como, aliás, você conseguiu curar Meredith e... como você conseguiu?
 Elena os beijou. Você nem mesmo percebeu que ela tinha ido embora? Eu os trouxe de volta aqui, e ela desceu e soprou em suas bocas e os curou. Pelo que vi, ela parece estar lentamente voltando a ser uma completa humana, ao invés de espírito. Acho que vai demorar mais alguns dias, só de olhar para o seu progresso desde que ela acordou até agora.
 Pelo menos ela está falando. Não muito, mas você não pode querer tudo — Damon lembrou-se da vista do Porsche, com a capota abaixada e Elena flutuando como um balão. — Esta pequena ruiva não disse uma palavra — Damon acrescentou queixoso, e em seguida deu os ombros. — Mesma diferença.
 Por que, Damon? Por que você não admite simplesmente que se importa com ela, pelo menos o suficiente para mantê-la viva – e sem ao menos molestá-la? Sabia que ela não podia se dar ao luxo de perder sangue...
 Foi uma experiência — Damon explicou cuidadosamente. E tinha acabado agora. Bonnie acordaria ou dormiria, viveria ou morreria, nas mãos de Stefan – não nas dele. Ele estava molhado, desconfortável, estava longe o suficientemente da refeição dessa noite para se sentir faminto e traído. Sua boca doía. — Você segura a cabeça dela agora — disse bruscamente. — Estou saindo. Você e Elena e... Mula podem terminar...
 O nome dele é Matt, Damon. Não é difícil de lembrar.
 É, quando não se tem absolutamente nenhum interesse por ele. Existem muitas adoráveis senhoritas nesta vizinhança para me fazer esquecer qualquer coisa exceto minha última opção de lanche.
Stefan bateu com força na parede. Seu punho perfurou o revestimento antigo.
 Droga, Damon, isso não é tudo para que os seres humanos servem.
 É tudo o que peço deles.
 Você não pede. Esse é o problema.
 Isto é um eufemismo. É tudo o que eu pretendo tomar deles, então. É certamente tudo em que estou interessado. Não tente acreditar que é algo mais.
Não havia motivo para encontrar evidências para inventar uma mentirinha. Os punhos de Stefan se levantaram. Ele era canhoto, e Damon estava segurando a cabeça de Bonnie desse lado, então não pôde se afastar graciosamente como normalmente faria. Ela estava inconsciente; poderia engolir uma bocada de água e morrer imediatamente. Quem sabia sobre esses humanos, especialmente quando estavam envenenados?
Em vez disso, ele se concentrou em defender todo o lado direito do seu queixo. Acreditou que ele poderia tomar um soco, mesmo do Novo e Melhor Stefan sem soltar a garota – mesmo que Stefan quebrasse sua mandíbula.
O punho de Stefan parou a poucos milímetros de distância do rosto de Damon.
Houve uma pausa; os irmãos olharam um para o outro através de uma distância de sessenta centímetros.
Stefan tomou um fôlego profundo e se sentou.
 Agora você admite?
Damon estava verdadeiramente perplexo.
 Admite o quê?
 Que você se importa com eles. O bastante para tomar um soco e não deixar Bonnie se afogar.
Damon olhou fixamente, então começou a rir e descobriu que não podia parar.
Stefan encarou-o de volta. Então fechou os olhos e deu meia-volta em agonia.
Damon ainda não conseguia parar de rir.
 E você pe-pensou que eu me imp-importava com uma pequena hu-hu-hu...
 Por que você fez isso, então? — perguntou Stefan, cansado.
 Hahahaha. Eu di-disse pra v-vo-você. Só hahaha... — Damon teve um colapso, parecendo bêbado por falta de comida e de muitas emoções diferentes.
A cabeça de Bonnie caiu na água.
Ambos os vampiros mergulharam até ela, suas cabeças se batendo enquanto colidiam no centro da banheira. Ambos caíram para trás brevemente, tontos.
Damon não estava mais rindo. Ao invés disso, lutava como um tigre para tirar a menina fora da água. Stefan também, e com seus reflexos recém-aguçados, parecia perto de ganhar. Mas foi como Damon tinha pensado há uma hora, mais ou menos – nenhum deles sequer considerou em colaborar para pegar a menina. Cada um tentava fazer isso sozinho, e cada um impedia o outro.
 Saia do meu caminho, moleque  Damon rosnou, quase sibilando umameaça.
 Você não dá a mínima pra ela. Você que saia do caminho...
Houve algo parecido com um gêiser e Bonnie explodiu acima da água por conta própria. Ela cuspiu um bocado e gritou:
 O que está acontecendo? — em tons de derreter um coração de pedra.
Estava feito. Contemplando a sua desgrenhada passarinha, que agarrava a toalha junto a si instintivamente, com seu cabelo ardente grudado na cabeça e seus grandes olhos castanhos piscando entre mechas, algo se encheu em Damon. Stefan correra para a porta para contar aos outros as boas notícias. Por um momento, eram apenas os dois: Damon e Bonnie.
 Tem um gosto horrível — disse Bonnie lamentavelmente, cuspindo fora mais água.
 Eu sei — Damon respondeu, encarando-a.
A coisa nova que ele estava sentindo inchara sua alma até que a pressão era demais para aguentar. Quando Bonnie disse, “Mas eu estou viva!” com uma mudança de 180 graus em seu humor, seu rosto em formato de coração cheio de alegria repentina, o orgulho feroz que Damon sentiu em resposta foi intoxicante. Ele e somente ele a trouxera de volta da beira gélida da morte. Seu corpo cheio de veneno tinha sido curado por ele; foi o seu sangue que havia dissolvido e dispersado a toxina, o seu sangue...
E então a coisa do inchaço explodiu.
Havia, para Damon, um palpável, se não audível, estalo à medida que a pedra revestindo sua alma explodiu e um grande pedaço caiu.
Com alguma coisa dentro dele cantando, puxou Bonnie para si, sentindo a toalha molhada através de sua camisa de seda, e sentindo o corpo leve de Bonnie sob a toalha. Definitivamente uma donzela, e não uma criança, pensou vertiginosamente, independentemente do que a escrita naquele infame pedaço de nylon rosa alegasse. A agarrou como se precisasse de seu sangue – como se estivessem em um mar numa tempestade de furacões e soltá-la significaria perdê-la.
Seu pescoço doía ferozmente, mas mais rachaduras foram se espalhando por toda a pedra; explodiria completamente, deixando que o Damon que ela segurava fosse para fora – e ele estava bêbado demais com orgulho e alegria, sim, alegria, para ligar. Rachaduras estavam se espalhando em todas as direções, pedaços de pedra voando para longe...
Bonnie o empurrou para longe.
Ela tinha uma força surpreendente para alguém com uma estrutura tão frágil. Ela se empurrou completamente para fora de seus braços. Sua expressão tinha mudado radicalmente de novo: agora seu rosto mostrava apenas medo e desespero – e, sim, repulsa.
 Socorro! Alguém, por favor, ajude! — Seus olhos castanhos estavam enormes e agora o rosto estava branco novamente.
Stefan tinha se virado. Tudo o que viu foi o que Meredith viu, saindo em disparada do outro cômodo, ou o que Matt viu, tentando espiar no pequeno e superlotado banheiro: Bonnie agarrando ferozmente sua toalha, tentando se cobrir, e Damon de joelhos na banheira, seu rosto sem expressão.
 Por favor, ajudem. Ele me ouviu chamar – eu conseguia senti-lo do outro lado – mas só observou. Ele ficou parado e observou a todos nós morrendo. Ele quer todos os seres humanos mortos, com o nosso sangue caindo em degraus brancos em algum lugar. Por favor, tirem ele de perto de mim!
Então. A pequena bruxa era mais eficiente do que ele tinha imaginado.
Não era incomum reconhecer que alguém estava recebendo suas transmissões – você recebe respostas – mas identificar o indivíduo era preciso talento. Além disso, ela obviamente ouviu o eco de alguns de seus pensamentos. Ela era talentosa, a sua passarinha... não, não a sua passarinha, não com ela encarando-o com um olhar tão próximo do ódio quanto Bonnie conseguia.
Houve um silêncio. Damon teve uma chance de negar a acusação, mas por que se preocupar? Stefan seria capaz de avaliar a verdade daquilo. Talvez Bonnie, também.
Repulsa era transmitida de rosto para rosto, como se fosse uma rápida doença contagiosa.
Agora Meredith corria para frente, agarrando outra toalha. Ela tinha algum tipo de bebida quente na sua outra mão – chocolate quente, pelo cheiro. Era quente o suficiente para ser uma arma eficaz – não havia modo de se esquivar de tudo aquilo, não para um vampiro cansado.
 Aqui — ela disse para Bonnie. — Você está segura. Stefan está aqui. Eu estou aqui. Matt está aqui. Pegue essa toalha; vamos apenas colocá-la em torno de seus ombros.
Stefan tinha ficado de pé silenciosamente, assistindo tudo aquilo – não, assistindo o seu irmão. Agora, o seu rosto endurecendo definitivamente, ele falou apenas uma palavra.
 Fora.
Dispensado como um cão. Damon buscou seu casaco atrás dele, e desejou que ao procurar seu senso de humor, pudesse ser tão bem sucedido quanto. Os rostos em torno dele eram todos iguais. Eles poderiam ter sido esculpidos em pedra.
Mas não eram pedras tão duras como a pedra que estava se juntando novamente em torno de sua alma. Essa pedra era notavelmente rápida para se consertar – e uma camada extra foi adicionada, como as camadas de uma pérola, mas não cobria nada tão bonito assim.
Seus rostos ainda eram os mesmos enquanto Damon tentava sair do pequeno cômodo que comportava pessoas demais. Alguns deles falavam; Meredith com Bonnie, Mula – não, Matt – esbravejando um fluxo de puro ódio ácido... mas Damon não ouviu as palavras de verdade. Aqui ele podia sentir o cheiro de muito sangue. Todos tinham pequenos machucados. Seus aromas individuais – animais diferentes no rebanho – se fecharam sobre ele. Sua cabeça girava. Ele tinha de sair dali ou arrebataria a veia quente mais próxima e a drenaria até secar. Agora, estava mais do que tonto; estava muito quente, muito... sedento.
Muito, muito sedento. Tinha trabalhado por um longo período sem se alimentar e agora estava rodeado de presas. Elas estavam cercando-o. Como ele podia se impedir de agarrar apenas um deles? Um deles realmente faria falta?
E lá estava aquela que ele não tinha visto ainda, e que não queria ver. Testemunhar as feições amáveis de Elena retorcidas na mesma máscara de repulsa que ele vira no rosto de todos os outros aqui seria... desagradável, pensou, o seu velho sentimento de indiferença finalmente voltando a ele.
Mas isso não podia ser evitado. Enquanto Damon saía do banheiro, Elena estava bem na frente dele, flutuando como uma enorme borboleta. Seus olhos foram atraídos para exatamente o que ele não queria ver: a sua expressão.
As feições de Elena não eram iguais as dos outros. Ela parecia preocupada, chateada. Mas não havia um traço de nojo ou ódio que aparecia em todos os outros rostos.
Ela até falou, na estranha voz-mental que não era, de alguma forma, como telepatia, mas que a permitia ficar em dois níveis de comunicação de uma só vez.
 Da-mon.
Conte sobre os malach. Por favor.
Damon apenas levantou uma sobrancelha para ela. Contar a um bando de humanos sobre ele mesmo? Ela estava sendo deliberadamente ridícula?
Além disso, os malach não tinham feito nada realmente. Tinham-lhe distraído por alguns minutos, isso era tudo. Não havia propósito em culpar os malach quando tudo o que tinham feito era aprimorar sua própria visão brevemente. Ele se perguntou se Elena tinha qualquer noção do conteúdo de seu pequeno devaneio noturno.
 Da-mon.
Eu posso ver. Tudo. Mas, ainda, por favor...
Oh, bem, talvez espíritos se habituassem a ver os podres de todo mundo.
Elena não deu qualquer resposta àquele pensamento, então ele foi deixado no escuro.
No escuro. Que era ao que ele estava acostumado, de onde tinha vindo. Eles iriam para caminhos diferentes, os seres humanos para suas casas quentes e secas e ele para uma árvore na floresta. Elena ficaria com Stefan, é claro.
É claro.
 Nestas circunstâncias, não vou dizer au revoir — Damon falou, com o seu sorriso deslumbrante para Elena, que olhou para ele gravemente. — Vamos apenas dizer “adeus” e deixar por isso mesmo.
Não houve resposta dos humanos.
 Da-mon.  Elena estava gritando agora.
Por favor. Por favor.
Damon começou a ir para o escuro.
Por favor...
Esfregando seu pescoço, ele continuou.

3 comentários:

  1. Eu realmente amo o Damon. Sim eu adoro os ditos "vilões". Mas sério ele só é mal compleendido, tipo "o lobo sempre parecerá mal se vc apenas ouvir a versão da chapeuzinho vermelho" isso de certa forma me lembra o Damon, que mesmo estando sendo influênciado por algo dá o seu melhor. Pareçe que o Stefan ama mais a Elena, mas é diferente Damon ama ela da forma dele, como ele disse que havia quase como uma pedra em cima do seu coração, a forma que ele se priva da dor, (sim. Sou Delena. Me jugue, se jogar uma pedra eu jogo um tijolo, o espirito de Damon está em mim) mas é facil julgar uma pessoa ñ é? Ainda mas quando se baseia em tudo de errado que ela tenha feito, mesmo o mas forte que vc seja, se apoio ñ se pode realmente mudar.

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    1. Concordo com tudo dito a cima!Amo o Damon <3

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  2. Caramba, achei q a pedra dele iria embora dessa vez, mas um dia ela vai... Também amo o Damon e cnncordo com tudo o que disseram no comentário acima! <3

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