15 de novembro de 2015

Capítulo 12

Stefan ouviu uma voz sussurrar, macia com dor, — Oh, não.
Uma voz que nunca pensou ouvir novamente, que nunca esqueceria. Ondulações de frio verteram em cima de sua pele e podia sentir um começo de tremor dentro dele. Se dirigiu em direção à voz, sua atenção se fixando imediatamente, sua mente quase fechando porque não podia lidar com tantas emoções repentinas. 
Seus olhos estavam embaçados e podiam apenas distinguir uma lagoa de brilho como se fossem mil velas. Mas isso não importa. Ele podia senti-la lá. A mesma presença que havia sentido no primeiro dia que foi em Fell's Church, uma luz branca dourada que reluziu em sua consciência. Cheia de beleza fria, paixão ardente e vida vibrante. Exigindo que se movesse em direção à luz, que esquecesse de tudo mais. 
Elena. Realmente era a Elena. 
A presença dela o penetrou, preenchendo-o até as pontas de seus dedos. Todos seus sentidos famintos estavam fixados naquela lagoa de luminescência, enquanto a procurava. Precisando dela. 
Então ela saiu. 
Se moveu lentamente, indecisamente. Como se mal pudesse forçar-se a fazer isso. Stefan foi pego na mesma paralisia.
Elena. 
Ele a viu com todas as características como se fosse a primeira vez. O cabelo de ouro pálido que flutuava sobre sua face e seus ombros como se fossem auréolas. Sua pele branca, perfeita. Seu corpo esbelto, flexível, um pouco longe dele, levantando sua mão em protesto. 
— Stefan, — o sussurro veio e era a voz dela. A voz dizendo o nome dele.
Mas havia tal dor naquela voz que ele quis correr pra ela, a abraçar, prometer que tudo daria certo.
— Stefan, por favor. Não posso.
Ele podia ver os olhos dela agora. O escuro azul de um lápis-lazúli, mosqueado nesta luz com ouro. Arregalados com dor e molhados das lágrimas não derramadas. Rasgando os intestinos dele.
— Não quer me ver? — A voz dele estava seca como pó.
— Não quero que você me veja. Oh, Stefan, ele pode fazer qualquer coisa acontecer. E nos achará. Ele virá aqui. 
Alívio e alegria dolorida inundaram Stefan. Ele conseguia se concentrar escassamente nas palavras dela e isso lhe não importava. O modo que disse seu nome já era bastante. Aquele "Oh, o Stefan" lhe disse tudo com o que deveria se preocupar.
Se moveu quietamente até ela, sua mão indo alcançá-la. Viu o tremor protestando da cabeça dela, viu que os lábios dela foram separados com a respiração acelerada. De perto, a pele dela tinha um brilho interno, como uma chama que brilha pela translúcida vela de cera. Gotinhas úmidas capturadas nos cílios pareciam diamantes.
Embora mantivesse balançando sua cabeça, continuasse protestando, não tirou a mão. Nem mesmo quando os dedos estendidos dele tocarem ela, pressionando-os contra suas pontas do dedo serenamente como se estivessem em lados opostos de um painel de vidro.
E a esta distância os olhos dela não puderam evadir os olhos dele. Estavam olhando um para o outro, olhando e não desviando o olhar. Até que parou de sussurrar — Stefan, não — e só sussurrou o nome dele.
Não conseguia pensar. Seu coração estava ameaçando sair do peito. Nada importava exceto que ela estava aqui, que estavam aqui juntos. Não notou o estranho arredor, não se importava quem estava assistindo.
Lentamente, tão lentamente, fechou sua mão em torno dela, interligando seus dedos, da maneira como eles eram pra estar. Sua outra mão levantada para o rosto dela. 
Os olhos dela fecharam com o toque, a sua bochecha inclinada pra isso. Ele sentiu a umidade em seus dedos e uma risada ficou presa em sua garganta. Lágrimas de sonho. Mas eram reais, ela era real. Elena.
Doçura perfurou-o. Um prazer tão afiado que era uma dor, enxugou as lágrimas no rosto dela com o seu polegar. 
Toda a ternura frustrada dos últimos seis meses, toda a emoção que tinha mantido trancada em seu coração todo esse tempo, veio à tona, mergulhando-o. Afogando os dois. Levou apenas um pequeno movimento e, em seguida, estavam se abraçando. 
Um anjo em seus braços, fria e emocionada com vida e beleza. Um ser de fogo e ar. Ela se envolveu no abraço e, em seguida, ainda de olhos fechados, colocou seus lábios no dele.
Não havia nada de frio no beijo. Saíram faíscas dos nervos de Stefan, derretendo e se dissolvendo de todo lugar ao seu redor. Filtrou o controle de sua raiva, o controle que trabalhou tão arduamente para preservá-lo desde que ela foi embora. Tudo dentro dele estava sendo desligado, todos os laços sendo desfeitos, todas as comportas abertas. Ele podia sentir suas lágrimas sendo enxugadas por ela, tentando fundi-los em um só corpo. Então, nada jamais poderia separá-los novamente.
Ambos estavam chorando sem quebrar o beijo. Os braços esbeltos de Elena estavam em volta do pescoço dele, cada centímetro dela adaptando-se a ele como se nunca tivesse pertencido a outro lugar. Ele podia provar o sal de suas lágrimas em seus lábios e isso o encharcou com doçura.
Sabia, vagamente, que havia outra coisa que deveria pensar. Mas o primeiro contato elétrico de sua pele fria tinha conduzido razão a sua mente. Estavam no centro de um redemoinho de fogo; o universo podia explodir, se esmigalhar ou queimar até virar cinzas por ele, contanto que pudesse mantê-la segura.
Mas Elena estava tremendo.
Não apenas de emoção, mas da intensidade que ele estava fazendo-a ficar tonta e bêbada com o prazer. Medo. Podia sentir em sua mente e queria protegê-la, queria ampará-la, cuidá-la e matar tudo o que ousasse assustá-la. Algo parecido com um rosnado fez ele levantar o rosto para olhar ao redor.
— O que é isso? — disse, ouvindo o ruído estridente de predador em sua própria voz. — Qualquer coisa que tentar te machucar... 
— Nada pode me machucar. — Ela ainda prendendo à ele, mas se inclinou para trás para olhar para a cara dele. — Tenho medo por você, Stefan, pelo o que ele possa fazer. E pelo o que ele possa fazer você ver... — A voz dela tremida. — Oh, Stefan, vá agora, antes que ele venha. Pode encontrá-lo através de mim. Por favor, por favor, vá...
— Peça-me qualquer outra coisa e eu farei, — disse Stefan. O assassino teria que picá-lo em pedaços, nervo a nervo, músculos a músculo, célula a célula para ele deixá-la.
— Stefan, é só um sonho, — disse Elena desesperadamente, novas lágrimas caindo. — Não podemos realmente se tocar, não podemos estar juntos. Não é permitido. 
Stefan não se importava. Isso não parecia um sonho. Parecia real. E mesmo se fosse um sonho não iria desistir de Elena, não por ninguém. Nem as forças do céu ou do inferno poderia fazê-lo...
— Errado, garotinho. Surpresa! — disse uma nova voz, uma voz que Stefan nunca tinha ouvira. Ele a reconheceu instintivamente, porém, como a voz de um assassino. Um caçador entre caçadores. E quando se virou, lembrou-se de Vickie, pobre Vickie, tinha dito.
Ele parecia com o diabo.
Se o diabo fosse lindo e loiro.
Usava uma capa impermeável surrada, como Vickie tinha descrito. Suja e esfarrapada. Ele parecia qualquer pessoa comum de qualquer grande cidade, exceto que era tão alto e seus olhos eram tão claros e penetrante. Azul elétrico, como o céu fosco. Seu cabelo era quase branco, era levantado, como se fosse soprado por um sopro de vento frio. Seu sorriso largo fez Stefan se sentir mal.
— Salvatore, presumo eu, — disse, curvando-se com muito esforço. — E, obviamente, a bela Elena. A bela morta Elena. Veio se unir à ela, Stefan? Vocês simplesmente nasceram para ficar juntos.
Parecia jovem, mais velho que Stefan, mas ainda jovem. Ele não era.
— Stefan, vá agora, — sussurrou Elena. — Ele não pode me machucar, mas com você é diferente. Pode fazer algo acontecer que o seguirá para fora do sonho.
Os braços de Stefan permaneceram trancados em torno dela.
— Bravo! — o homem da capa aplaudiu, olhando ao redor, como se encorajasse uma audiência invisível. Cambaleou ligeiramente, e se fosse um humano, Stefan teria pensado que ele estava bêbado.
— Stefan, por favor, — sussurrou Elena.
— Seria indelicado sair antes de nos apresentarmos corretamente, — o homem loiro disse.
Mãos nos bolsos do casaco, caminhou um ou dois passos mais para perto. — Você não quer saber quem eu sou?
Elena balançou a cabeça, não em negação, mas em derrota, e ficou do lado dos ombros de Stefan. Ele fechou uma mão em torno de seus cabelos, querendo proteger cada parte dela desse homem louco.
— Quero saber, — disse ele, olhando para o homem loiro sobre a cabeça dela.
— Não sei por que não me perguntou, antes, — o homem respondeu, arranhando seu rosto com o dedo médio. — Em vez de perguntar a todo mundo. Sou o único que pode te dizer. Estou por aqui há um bom tempo.
— Quanto tempo? — disse Stefan, inexpressivo.
— Há muito tempo... — O olhar do homem loiro virou sonhador, como se olhasse pra trás, ao longo dos anos. — Estava rasgando bonitas gargantas brancas quando seus ancestrais construíam o Coliseu. Matei com o exército de Alexandre. Lutei na Guerra de Tróia. Estou velho, Salvatore. Sou um dos Originais. Nas minhas primeiras memórias eu transportava um machado de bronze.
Lentamente, Stefan inclinou a cabeça.
Ele ouviu falar dos Originais. Eles falavam sobre isso entre si, mas na verdade Stefan nunca tinha conhecido um. Todos os vampiros foram feitos por outro vampiro, mudado pela troca de sangue. Mas em algum lugar, voltando no tempo, tinha havido os Originais, os que haviam sido feitos por outros vampiros. Estavam onde a linha de continuidade parava. Ninguém sabia como eles viravam vampiros. Mas os seus poderes eram lendários.
— Ajudei a trazer abaixo o Império Romano, — o loiro homem continuou sonhadoramente. — Eles nos chamaram de bárbaros, simplesmente não entendiam! Guerra, Salvatore! Não há nada como isso. Europa foi emocionante. Decidi ficar no interior e me desfrutar. Estranho, você sabe, as pessoas nunca pareceram confortáveis perto de mim. Elas corriam ou seguravam seus crucifixos. — Ele agitou sua cabeça. — Mas, uma mulher veio e pediu minha ajuda. Era uma empregada de um barão, e sua pequena ama estava doente. Ela está morrendo, disse. Queria que eu fizesse alguma coisa para ajudá-la. E então... — O sorriso voltou mais alargado, ficando maior e mais amplo, — Eu ajudei. Ela era uma coisinha bonita.
Stefan tinha virado o corpo dele para afastar Elena do homem loiro, e agora, por um momento, virou a cabeça dele também para longe. Deveria ter reconhecido, devia ter adivinhado. E então tudo ficou claro para ele. A morte de Vickie, e Sue, eram no fim das contas culpa dele. Ele tinha começado a cadeia de eventos que terminou aqui.
— Katherine, — disse, levantando a cabeça para olhar para o rosto do homem loiro. — Você é o vampiro que transformou Katherine.
— Para salvar a vida dela, — disse o homem loiro, como se Stefan fosse um burro aprendendo uma lição. — Que a sua queridinha aqui tirou. 
Um nome. Stefan estava à procura de um nome em sua mente, sabendo que Katherine tinha dito para ele, tal como descreveu esse homem para ele uma vez. Podia ouvir as palavras de Katherine em sua mente: acordei no meio da noite e vi o homem que Gudren, minha empregada, tinha trago. Estava assustado. Seu nome era Klaus e ouvi as pessoas da aldeia dizerem que ele era mau...
— Klaus, — disse o loiro homem ligeiramente, como se concordasse com alguma coisa. — Isso foi como me chamou, de qualquer maneira. Veio a mim depois que dois meninos italianos rejeitaram-na. Ela fez de tudo para eles, transformou-os em vampiros, oferecendo-lhes a vida eterna, mas eles foram ingratos e não quiseram mais ela. Muito estranho.
— Isso não aconteceu assim, — disse Stefan através de seus dentes.
— O estranho foi que ela nunca esqueceu você, Salvatore. Você em especial. Estava sempre fazendo comparações desfavoráveis entre nós. Tentei colocar algum senso em sua cabeça, mas isso não funcionou. Talvez eu devesse ter matado-a, não sei. Mas nessa época eu tinha me acostumado a tê-la por perto. Ela nunca foi a mais brilhante. Mas era boa de se olhar, e sabia como se divertir. Eu mostrei a ela, como desfrutar de um assassinato. Eventualmente seu cérebro virou um pouco, mas e daí? Não era pelo seu cérebro que a mantinha.
Não havia mais nenhum vestígio de amor por Katherine em Stefan ou em seu coração, mas descobriu que poderia odiar o homem que tinha transformado ela naquilo.
— Eu? Eu, garotinho? — Klaus apontou para seu próprio peito na incredulidade. — Você fez Katherine ser o que ela é agora, ou melhor, a sua namorada. Agora, ela é poeira. Minhoca de carne. Mas a sua namorada está um pouco além do meu alcance no momento. Está vibrando em um plano mais elevado agora, não é isso que dizem os místicos, Elena? Por que não vem vibrar aqui com o resto de nós?
— Se eu pudesse, — sussurrou Elena, levantando a cabeça e olhando para ele com ódio.
— Ah, bem. Entretanto, tenho seus amigos. Sue era uma menina tão doce, eu acho. — Ele lambeu os lábios. — E Vickie foi deleitável. Delicada, mas encorpada, com um belo buquê. Mais parecida com uma de dezenove anos do que com dezessete.
Stefan deu um passo à frente, mas Elena o segurou. — Stefan, não! Este é o seu território, e os seus poderes mentais são mais fortes que o nosso. Ele controla aqui.
— Justamente. Este é o meu território. Irrealidade. — Klaus com seu olhar psicótico sorriu novamente. — Onde seus pesadelos mais selvagens se tornam realidade, gratuitamente. Por exemplo, — disse ele, olhando Stefan, — Como gostaria de ver o que o teu amor realmente parece agora? Sem maquiagem?
Elena fez um som suave, quase um gemido. Stefan a segurou mais forte.
— Faz quanto tempo desde que ela morreu? Cerca de seis meses? Sabe o que acontece com um corpo, uma vez que ele fica debaixo da terra durante seis meses? — Klaus lambeu os lábios novamente, como um cão.
Agora Stefan entendia. Elena tremeu, cabeça curvada, e tentou afastar-se dele, mas ele prendeu seus braços em torno dela.
— Está tudo bem, — disse para ela suavemente. E para Klaus: — Está se esquecendo de si mesmo. Não sou um humano que salta à vista de sombras e de sangue. Sei sobre a morte, Klaus. Ela não me assusta.
— Não, mas ela te empolga? — A voz de Klaus ficou baixa, intoxicante. — Não é excitante, o cheiro, a podridão, os fluidos da carne se decompondo? Não é um verdadeiro prazer?
— Stefan, deixe-me ir. Por favor. — Elena estava tremendo, empurrando-o com as mãos, o tempo todo mantendo a cabeça torta para que ele não pudesse ver seu rosto. A voz dela soava a beira de lágrimas. — Por favor. 
— O único Poder que tem aqui é o poder da ilusão, — disse Stefan para Klaus. Segurou Elena, pressionando a sua bochecha no cabelo dela. Podia sentir as mudanças em seu corpo, então a abraçou. O cabelo em sua bochecha pareceu se alterar e o corpo de Elena pareceu diminuir.
— Em alguns solos a pele pode queimar como couro, — Klaus garantiu a ele, com olhos brilhantes, e sorrindo.
— Stefan, não quero que olhe para mim...
Olhos sobre Klaus, Stefan gentilmente puxou os rudes cabelos brancos e acariciou o rosto de Elena, ignorando a rugosidade contra seus dedos.
— Mas é claro que na maior parte do tempo eles simplesmente se decompõem. Há um caminho a percorrer. Você perde tudo, pele, carne, músculos, órgãos internos – tudo de volta para a terra ...
O corpo nos braços de Stefan estavam diminuindo. Ele fechou os olhos e o apertou, o ódio por Klaus queimando dentro dele. Uma ilusão, era tudo uma ilusão...
— Stefan... — era um sussurro seco, fraco como o arranhão de um sopro de papel numa calçada. Pendurou-se no ar por cerca de minuto e depois desapareceu, e Stefan se encontrou segurando uma pilha de ossos. 
— E finalmente isso acaba assim, em mais de duzentos pedaços separados e fáceis de juntar. Vem vindo com a sua própria elegante caixa de transporte manual... — No outro lado do círculo de luz, houve um chiado. O caixão branco se abriu por conta própria, levantando a tampa. — Porque não vai fazer as honras, Salvatore? Vá colocar Elena onde ela pertence.
Stefan havia caído de joelhos, tremendo, olhando para os ossos finos brancos nas suas mãos. Foi tudo uma ilusão de Klaus para controlar o transe de Bonnie e mostrar a Stefan o que queria que Stefan visse. Ele não tinha ferido Elena na verdade, mas uma fúria quente e protetora dentro de Stefan não reconhecia isso. Cuidadosamente, Stefan colocou os frágeis ossos no chão e tocou-lhes mais uma vez, suavemente. Então olhou para Klaus, os lábios curvados com desprezo.
— Isso não é Elena, — disse.
— Claro que é. Eu a reconheceria em qualquer lugar. — Klaus estendeu suas mãos e declamou, — ‘Conhecia uma mulher, com ossos lindos...’
— Não. — Suor estava caindo sobre a testa de Stefan. Ele fez Klaus se calar e concentrado, apertou os punhos, os músculos estalando com esforço. Era como empurrar uma rocha ladeira acima, lutando contra a influência do Klaus. Mas onde estavam, os ossos delicados começaram a tremer, e uma luz dourada brilhou ao redor deles.
— 'Um trapo, um osso e uma madeixa de cabelo... o tolo, chamou sua dama de bela ...’
A luz foi andando, dançando, ligando os ossos juntos. Quente e dourada, ela recobria sobre eles, cobrindo-os com roupas enquanto subiam no ar. O que tinha lá agora era uma forma de radiância inexpressiva. Suor corria sobre os olhos de Stefan e ele sentiu como se seus pulmões iriam explodir.
— O corpo humano ainda reside, mas o sangue é um bandido... 
O cabelo de Elena, longo e ouro sedoso, se arranjou ao redor de seus brilhantes ombros. O aspecto de Elena, desfocada, primeiramente e em seguida bem focado, formando um rosto. Amorosamente, Stefan reconstruiu todos os detalhes. Cílios espessos, nariz pequeno, lábios separados como pétalas de rosa. Luz branca girou em torno da figura, criando uma fina bata.
— 'E a rachadura na xícara abre uma via para a terra dos mortos...’
— Não. — Tonturas varreram Stefan enquanto sentia a última onda de Poder sobre ele. Um suspiro levantou o peito da figura, e os seus olhos azuis como lápis-lazúli se abriram.
Elena sorriu, e ele sentiu o fulgor do arco do seu amor encontrá-lo. — Stefan. — Sua cabeça erguida, orgulhosa como a de qualquer rainha.
Stefan virou-se para Klaus, que tinha parado de falar e estava olhando furiosamente em silêncio.
— Esta, — disse Stefan distintamente, — é Elena. Não qualquer mudança de pele vazia deixada no chão. Esta é Elena, e não há nada que pode fazer para tocá-la.
Ele levantou a  mão, e Elena a segurou e foi até ele. Quando se tocaram, ele sentiu um choque, e então sentiu os Poderes dela fluírem para ele, apoiando-o. Ficaram juntos, lado a lado, de frente para o homem loiro. Stefan nunca se sentiu tão ferozmente vitorioso na sua vida, ou tão forte.
Klaus ficou parado por talvez vinte segundos e depois correu furioso.
Seu rosto torcido em ódio. Stefan podia sentir ondas de Poder malignas caindo sobre ele e Elena, e usou todas as suas forças para resistir a ela. O redemoinho de fúria estava tentando rasgá-los, separá-los, uivando através da enorme sala, destruindo tudo em seu caminho. Velas voaram para a atmosfera como se fossem capturadas em um furacão. O sonho foi se desmantelado ao seu redor, se estilhaçando.
Stefan deu a outra mão à Elena. O vento soprou o cabelo dela, chicoteando-a em torno de seu rosto.
— Stefan! — Ela estava gritando, tentando se fazer ouvir. Então ele ouviu a voz dela em sua mente. — Stefan, ouça-me! Há uma coisa que pode fazer para detê-lo. Precisa de uma vítima, Stefan encontre uma de suas vítimas. Apenas uma vítima saberá...
O nível de ruído era insuportável, como se o próprio tecido do espaço e do tempo estivesse se rasgando. Stefan sentiu Elena tirar suas mãos da dele. Com um grito de desespero, tentou alcançá-la de volta, mas não sentia nada. Já estava esgotado pelo esforço de combater Klaus, e não podia mais segurar sua consciência. A escuridão o levou para baixo.


Bonnie tinha visto tudo.
Foi estranho, mais uma vez que ficou para deixar Stefan ir para Elena, pareceu perder a presença física no sonho. Era como se fosse um jogador, mas parecia que o lugar de ação já estava ocupado. Podia ver, mas não podia fazer nenhuma outra coisa.
No final, ela estivera com medo. Não era forte o suficiente para segurar o sonho junto, e finalmente a coisa toda explodiu, jogando-a para fora do transe, de volta ao quarto de Stefan.
Ele estava deitado no chão, e parecia morto. Tão branco, tão parado. Mas quando Bonnie o puxou, tentando colocá-lo na cama, seu peito palpitou e ela ouviu um arquejo de respiração.
— Stefan? Você está bem?
Ele olhou selvagemente ao redor da sala, como se tentasse encontrar alguma coisa. — Elena! — disse, e então parou, sua memória claramente regressando.
Seu rosto retorceu. Por um instante medonho Bonnie pensou que ele ia chorar, mas só fechou os olhos e baixou sua cabeça.
— Stefan?
— Eu a perdi. Não podia aguentar.
— Eu sei. — Bonnie o olhou um instante, e então, reunindo coragem, ajoelhou na frente dele, tocando seus ombros. — Sinto muito.
Sua cabeça levantou, mas seus olhos verdes secos mas tão dilatados que pareciam pretos. Suas narinas estavam inflando, seus lábios mostrando os dentes.
— Klaus! — Ele cuspiu o nome como se fosse uma maldição. — Você o viu?
— Sim, — disse Bonnie, indo para trás. Engoliu, seu estômago agitado. — Ele é maluco, não é, Stefan?
— Sim. — Stefan se levantou. — E deve ser impedido.
— Mas como? — Desde que viu Klaus, Bonnie ficou mais assustada do que nunca, mais assustada e menos confiante. — O que poderia impedi-lo, Stefan? Nunca senti nada como aquele Poder.
— Mas você não...? — Stefan virou-se para ela rapidamente. — Bonnie, não ouviu o que Elena disse no final?
— Não. O que quer dizer? Eu não podia ouvir nada, havia um ligeiro furacão acontecendo no momento.
— Bonnie ... — Os Stefan ficaram distantes com especulação e ele falou como se para si mesmo. — Isso significa que ele provavelmente não pôde nos ouvir. Então, não sabe, e não vai tentar nos impedir.
— De quê? Stefan, do que tá falando?
— De encontrar uma vítima. Ouça, Bonnie, Elena me disse que se encontrarmos uma vítima que sobreviveu a Klaus, podemos encontrar uma maneira de detê-lo.
Bonnie estava completamente perdida. — Mas... por quê?
— Porque vampiros e seus doadores – suas presas – compartilham a mente enquanto o sangue está sendo trocado. Às vezes o doador pode aprender coisas sobre o vampiro que o mordeu. Nem sempre, mas ocasionalmente. Isso é o que deve ter acontecido, e Elena sabe disso.
— Isso tudo é muito legal – exceto por uma pequena coisa, — disse Bonnie sarcasticamente. — Quem no mundo teria sobrevivido a um ataque de Klaus?
Ela esperou Stefan deflacionar, mas isso não aconteceu. — Um vampiro, — disse simplesmente. — Um humano que Klaus transformou em vampiro pode se qualificar como uma vítima. Desde que tenham trocado sangue, eles trocam mentes.
— Oh. Oh. ... Então, se pudermos encontrar um vampiro que ele transformou... mas onde?
— Talvez na Europa. — Stefan começou a olhar ao redor da sala, os seus olhos se estreitando. — Klaus tem uma longa história, e alguns de seus vampiros devem estar lá. Talvez eu tenha de ir e procurar por um.
Bonnie estava quase desmaiando. — Mas, Stefan, não pode nos deixar. Você não pode!
Stefan parou de olhar ao redor, e ficou muito quieto. Então, finalmente, virou para encará-la. — Eu não quero, — disse calmamente. — E nós vamos tentar pensar em outra solução – talvez possamos pegar Tyler de novo. Vou esperar uma semana, até o próximo sábado. Mas eu talvez tenha que partir, Bonnie. Sabe disso tão bem quanto eu.
Houve um longo, longo silêncio entre eles.
Bonnie lutou contra o calor em seus olhos, determinada a crescer e a amadurecer. Não era um bebê e iria provar isso agora, de uma vez por todas. Olhou para Stefan e lentamente acenou.

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