13 de novembro de 2015

Capítulo 12

Stefan olhou para Elena, cristais de neve salpicados em seu cabelo escuro.
— O que tem Matt?
— Eu me lembro... de algo. Não está claro. Mas naquela primeira noite, quando não era eu mesma... vi o Matt? Eu...?
Medo e uma nauseante sensação de consternação passaram por sua garganta e interromperam suas palavras. Mas não precisou terminar, e Stefan não precisou responder. Viu isso em seus olhos.
— Era a única maneira, Elena. Você teria morrido sem sangue humano. Preferia ter atacado alguém relutante, machucado-o, talvez o matado? A necessidade pode levá-la a isso. É isso o que teria querido?
— Não — Elena respondeu violentamente. — Mas tinha que ser o Matt? Ah, não responda; não consigo pensar em mais ninguém, tampouco — tomou um fôlego instável. — Mas agora estou preocupada com ele, Stefan. Não o vi desde aquela noite. Ele está bem? O que ele disse a você?
— Não muito — Stefan falou, olhando para longe. — “Deixe-me em paz” foi o principal. Também negou que algo tenha acontecido naquela noite, e disse que você estava morta.
— Parece com uma dessas pessoas que não sabem lidar com as coisas — Damon comentou.
— Ah, cala a boca! — disse Elena. — Fique fora disso, e enquanto faz isso, podia pensar sobre a coitada da Vickie Bennett. Como você acha que ela está lidando com as coisas atualmente?
— Eu poderia ajudar se soubesse quem é essa Vickie Bennett. Você fica falando sobre ela, mas nunca conheci essa garota.
— Sim, você conheceu. Não brinque comigo, Damon – o cemitério, lembra? A igreja arruinada? A garota que você deixou vagando de lingerie?
— Desculpa, não. E geralmente me lembro de garotas que deixo vagando em lingerie.
— Creio que foi Stefan que fez, então — Elena disse sarcasticamente.
Raiva relampejou na superfície dos olhos de Damon, cobertos rapidamente por um sorriso perturbador.
— Talvez tenha feito. Talvez você tenha feito. É tudo igual para mim, exceto que estou ficando um pouco cansado dessas acusações. E agora...
— Espera — disse Stefan, com uma surpreendente brandura. — Não vá ainda. Nós deveríamos falar...
— Receio ter um compromisso marcado.
Houve um alvoroço de asas, e Stefan e Elena ficaram sozinhos.
Elena tocou os nós dos dedos em seus lábios.
— Droga. Não quis deixá-lo nervoso. Depois de ter sido realmente quase civilizado a noite toda.
— Deixa pra lá — disse Stefan. — Ele gosta de ficar nervoso. O que dizia sobre Matt?
Elena viu o desgaste no rosto de Stefan e colocou um braço ao redor dele.
— Não vamos falar sobre isso agora, mas acho que talvez amanhã devêssemos vê-lo. Para contar...
Elena ergueu sua outra mão desamparadamente. Não sabia o que queria contar a Matt; só sabia que precisava fazer algo.
— Acho — disse Stefan lentamente — que é melhor você ir vê-lo. Tentei falar com ele, mas não quis me ouvir. Consigo entender, mas talvez você tenha mais sucesso. E penso — pausou e então continuou resolutamente — penso que seria melhor você estar sozinha com ele. E você poderia ir agora.
Elena olhou para ele duramente.
— Tem certeza?
— Sim.
— Mas... você vai ficar bem? Devia ficar com você...
— Vou ficar bem, Elena — Stefan respondeu gentilmente. — Vá.
Elena hesitou, então concordou.
— Não vou demorar — prometeu a ele.


Sem ser vista, Elena deslizou pela lateral da casa com a tinta descascando e a caixa de correio torta com o nome Honeycutt. A janela de Matt estava destrancada. Que garoto descuidado, pensou desaprovadoramente. Não sabe que alguma coisa pode tentar entrar?
Abriu-a facilmente, mas obviamente era só até onde podia ir. Uma barreira invisível que se parecia com uma parede suave de ar solidificado bloqueava seu caminho.
— Matt — sussurrou.
O quarto estava escuro, mas conseguia ver uma forma vaga na cama. Um relógio digital com números verdes pálidos mostrava que era 00:15.
— Matt — sussurrou novamente.
A silhueta se moveu.
— Hein? 
— Matt, não quero assustá-lo — deixou sua voz suave, tentando acordá-lo gentilmente ao invés de matá-lo de susto. — Mas sou eu, Elena, e queria conversar. Só que você tem que me convidar para entrar primeiro. Pode me convidar?
— Hã? Entre.
Elena ficou maravilhada com a falta de surpresa em sua voz. Somente depois de ter passado pelo umbral foi que percebeu que ele ainda estava adormecido.
— Matt. Matt — sussurrou, com medo de chegar perto demais.
O quarto estava sufocante e superaquecido, o aquecedor à todo vapor. Conseguia ver um pé nu para fora do amontoado de cobertores na cama e cabelo loiro no topo.
— Matt?
Rapidamente, se inclinou e o tocou.
Isso provocou uma reação. Com um grunhido explosivo, Matt se sentou rigidamente, movendo-se com rapidez. Quando os olhos dele encontraram os dela, eles estavam arregalados e a encaravam.
Elena se pegou tentando parecer pequena e inofensiva, não-ameaçadora. Recuou contra a parede.
— Eu não quis te assustar. Sei que é um choque. Mas você pode conversar comigo?
Ele simplesmente continuou a encará-la. Seu cabelo loiro estava úmido de suor e desordenado como penas de frango molhadas. Conseguia ver a pulsação dele batendo em seu pescoço nu. Receava que ele se levantasse e se corresse para fora do quarto.
Então os ombros dele relaxaram, afundando, e ele lentamente fechou seus olhos. Respirava profunda mas irregularmente.
— Elena.
— Sim — ela sussurrou.
— Você está morta.
— Não. Estou aqui.
— Pessoas mortas não voltam. Meu pai não voltou.
— Não morri de verdade. Só me transformei.
Os olhos de Matt ainda estavam fechados em repúdio, e Elena sentiu uma onda gelada de desesperança inundá-la.
— Mas você queria que eu tivesse morrido, não queria? Vou embora agora — sussurrou.
A expressão de Matt caiu e ele começou a chorar.
— Não. Ah, não. Ah, não, Matt, por favor. — Ela se pegou acariciando ele, lutando para ela própria não chorar. — Matt, sinto muito; eu nem deveria ter vindo aqui.
— Não vá — ele soluçou. — Não vá embora.
— Não irei — Elena perdeu a batalha, e lágrimas caíram no cabelo úmido de Matt. — Eu não quis te machucar, nunca. Nunca, Matt. Todas aquelas vezes, todas aquelas coisas que fiz... nunca quis te machucar. De verdade…
Então parou de falar e simplesmente abraçou-o.
Após um tempo, a respiração dele se acalmou e ele se sentou para trás, enxugando o rosto com um pedaço do lençol. Seus olhos evitaram os dela. Havia um olhar em seu rosto, não só de vergonha, mas de desconfiança, como se estivesse se preparando para algo que temia.
— Certo, então você está aqui. Está viva — disse asperamente. — Então o que quer?
Elena ficou embasbacada.
— Vamos, deve haver algo. O que é?
Novas lágrimas surgiram, mas Elena engoliu-as de volta.
— Creio que mereço isso. Sei que sim. Mas uma vez na vida, Matt, não quero absolutamente nada. Vim me desculpar, dizer que sinto muito por ter usado você... não só aquela noite, mas sempre. Eu me preocupo com você, e me preocupo se você se machuca. Achei que talvez pudesse melhorar as coisas — depois de um silêncio pesado, acrescentou: — Acho que irei embora agora.
— Não, espera. Espera um segundo. — Matt esfregou seu rosto no lençol novamente. — Escuta. Isso foi estúpido, e sou um canalha...
— Isso não é verdade, você é um cavalheiro. Ou teria dito para eu me mandar há muito tempo.
— Não, sou um canalha estúpido. Deveria estar batendo a minha cabeça contra a parede de felicidade por você não estar morta. Baterei em um minuto. Escuta — agarrou o pulso dela e Elena olhou para ele com uma branda surpresa. — Não ligo se você é o Monstro do Lago Ness, o Coisa, Godzilla e o Frankenstein todos juntos. Eu só...
— Matt.
Entrando em pânico, Elena colocou sua mão livre em cima da boca dele.
— Eu sei. Você está noiva do cara da capa negra. Não se preocupe; eu me lembro dele. Até gosto dele, sabe-se lá por que — Matt tomou fôlego e pareceu se acalmar. — Olha, não sei se Stefan te contou. Ele disse um monte de coisas para mim... sobre ser malvado, sobre não estar arrependido sobre o que fez a Tyler. Sabe do que eu estou falando?
Elena fechou os olhos.
— Ele quase não se alimentou desde aquela noite. Acho que ele caçou uma vez. Esta noite ele quase se matou por estar tão fraco.
Matt concordou.
— Então é isso. Eu deveria saber.
— Bem, é e não é. A necessidade é forte, mais forte do que você consegue imaginar — Elena estava começando a perceber que não tinha se alimentado hoje e que estivera faminta antes de saírem atrás de Alaric. — Na verdade... Matt, é melhor eu ir. Só uma coisa... se houver um baile amanhã a noite, não vá. Algo vai acontecer, algo ruim. Nós vamos tentar tomar conta, mas não sei o que podemos fazer.
— Quem é “nós”? — Matt disse severamente.
— Stefan e Damon...  eu acho que Damon.. e eu. Meredith, Bonnie... e Alaric Saltzman. Não pergunte sobre Alaric. É uma longa história.
— Mas contra o que vocês estão tomando conta?
— Esqueci; você não sabe. Essa é uma longa história, também, mas... bem, a resposta curta é, a coisa que me matou. O que fez aqueles cachorros atacaram as pessoas no memorial. É algo ruim, Matt, que tem estado por Fell’s Church faz um tempo. E vamos tentar impedir de fazer qualquer coisa amanhã à noite — ela tentou não tremer. — Olhe, sinto muito, mas eu realmente deveria ir embora.
Os olhos dela vagaram, involuntariamente, para a veia azul no pescoço dele.
Quando conseguiu afastar seu olhar e focar no rosto dele, viu choque cedendo o caminho para um entendimento repentino. Então para algo inacreditável: aceitação.
— Tudo bem — Matt disse.
Ela não teve certeza se ouvira bem.
— Matt?
— Eu disse: “tudo bem”. Não me machucou antes.
— Não. Não, Matt, sério. Não vim aqui pra isso... 
— Eu sei. É por isso que quero. Quero te dar algo que você não pediu. — Após um momento ele acrescentou: — Pela amizade.
Stefan, Elena pensou.
Mas Stefan tinha lhe dito para ir, e ir sozinha.
Stefan sabia, percebeu. E estava tudo bem. Era o seu presente para Matt... e para ela.
Mas vou voltar para você, Stefan, pensou.
Enquanto se inclinava na direção dele, Matt disse:
— Vou ajudar você amanhã, sabe. Mesmo se eu não for convidado.
Então os lábios dela tocaram a sua garganta.


13 de dezembro, sexta-feira
Querido Diário,
Esta noite é noite.
Sei que já escrevi isso antes, ou pensei, pelo menos. Mas esta noite é a noite, a grande, quando tudo vai acontecer. É isso.
Stefan sente, também. Voltou da escola hoje para me dizer que o baile ainda vai acontecer – o Sr. Newcastle não queria causar pânico ou algo assim ao cancelá-lo.
O que eles vão fazer é deixar “seguro” o lado de fora, o que significa policiais, acho. E talvez o Sr. Smallwood e alguns de seus amigos com rifles. O que quer que aconteça, não acho que conseguirão parar.
Não sei se nós conseguiremos, tampouco.
Esteve nevando o dia todo. A passagem está bloqueada, o que quer dizer que nada sobre rodas entra ou sai da cidade. Até que o trator para limpar a neve chegue lá, o que não acontecerá até de manhã, será tarde demais.
E o ar carrega uma sensação estranha. Não é só a neve. É como se algo ainda mais frio do que ela estivesse esperando. Recuou do jeito que o oceano recua antes de uma onda excepcionalmente grande. Quando voltar...
Pensei sobre o meu outro diário hoje, o que está sob o piso de madeira do armário do meu quarto. Se ainda possuo algo, é aquele diário. Pensei em pegá-lo, mas não quero ir para casa novamente. Não acho que consiga lidar com isso, e sei que a tia Judith não conseguiria se me visse.
Estou surpresa por terem sido capaz de lidar com isso. Meredith, Bonnie – especialmente Bonnie. Bem, Meredith, também, considerando o que sua família já passou. Matt.
Eles são amigos bons e leais. É engraçado, eu costumava pensar que sem uma galáxia inteira de amigos e admiradores eu não sobreviveria. Agora estou perfeitamente feliz com três, muito obrigada. Porque eles são amigos de verdade.
Não sabia o quanto me importava com eles antes. Ou com Margaret, ou tia Judith, até. E todos na escola... sei que há algumas semanas eu dizia que não ligava se toda a população da Robert E. Lee morresse, mas isso não é verdade. Hoje à noite farei o meu melhor para protegê-los.
Sei que estou pulando de um assunto para outro, mas só estou falando sobre coisas que são importantes para mim. Meio que os reunindo na minha mente. Só por precaução.
Bem, está na hora. Stefan está esperando. Vou terminar essa última linha e então ir.
Acho que vamos vencer. Espero que sim.
Nós vamos tentar.


A sala de história estava quente e claramente iluminada. Do outro lado do prédio da escola, a cantina estava ainda mais clara, brilhando com as luzes e decorações do Natal. Assim que chegou, Elena a tinha examinado de uma distância segura, observando os casais chegando para o baile e passando pelos policiais na porta. Sentindo a silenciosa presença de Damon atrás dela, apontou uma garota de cabelo castanho claro comprido.
— Vickie Bennett — disse.
— Confio em você — ele replicou.
Agora, olhava ao redor do quartel temporário deles essa noite. A mesa de Alaric tinha sido limpa, e ele estava inclinado sobre um esboço do mapa da escola. Meredith se inclinou ao lado dele, seu cabelo escuro batendo em sua manga. Matt e Bonnie estavam fora, no estacionamento, misturando-se com os convidados do baile, e Stefan e Damon estavam rondando o perímetro do terreno da escola. Iam se revezar.
— É melhor você ficar aqui dentro — Alaric dissera a Elena. — Tudo o que precisamos é que alguém te veja para começar a caçá-la com uma estaca.
— Estive andando pela cidade a semana toda — Elena respondeu, entretida. — Se eu não quiser ser vista, você não me verá. — Mas concordara em ficar na sala de história e coordenar as ações.
É como um castelo, pensou, enquanto observava Alaric organizar as posições da ronda, o relógio chato na parede sinalizando os minutos.
Observava isso enquanto deixava as pessoas entrarem e depois saírem. Serviu café quente de uma garrafa térmica para aqueles que queriam. Escutou os relatos chegando.
— Tudo está quieto no lado norte da escola. 
— Caroline acabou de ser coroada Rainha da Neve. Grande surpresa.
— Alguns brutamontes no estacionamento – o policial acabou de segurá-los...
A meia-noite chegou e se foi.
— Talvez estivéssemos errados — Stefan disse mais ou menos uma hora depois.
Era a primeira vez que todos estavam juntos do lado de dentro desde o começo da noite.
— Talvez esteja acontecendo em algum outro lugar — Bonnie sugeriu, esvaziando uma bota e espiando dentro dela.
— Não tem jeito de saber onde vai acontecer — Elena disse firmemente. — Mas não estávamos errados sobre acontecer.
— Talvez — disse Alaric pensativamente — haja um jeito. De descobrir onde vai acontecer, digo. — Quando as cabeças se levantaram questionadoramente, ele falou: — Precisamos de uma predição.
Todos os olhos se voltaram para Bonnie.
— Ah, não. Estou cheia de tudo isso. Eu odeio.
— É um grande dom... — começou Alaric.
— É um grande porre. Olha, vocês não entendem. As previsões comuns são ruins o bastante. Sinto que na maior parte do tempo estou descobrindo coisas que não quero saber. Mas ser tomada por completo – isso é terrível. E depois nem me lembro do que disse. É horrível.
— Ser tomada por completo? — Alaric repetiu. — O que é isso? 
Bonnie suspirou.
— Foi o que aconteceu comigo na igreja — explicou pacientemente. — Consigo fazer outros tipos de previsões, tipo achar água ou ler palmas — ela olhou para Elena, e então desviou o olhar — e coisas assim. Mas aí há vezes quando – alguém – me possui e apenas me usa para falar por eles. É como ter outra pessoa no meu corpo.
— Como no cemitério, quando você disse que havia algo lá esperando por mim, — disse Elena. — Ou quando me avisou para não chegar perto da ponte. Ou quando você veio jantar e disse que a Morte, a minha morte, estava na casa.
Ela olhou automaticamente para Damon, que devolveu o olhar impassivelmente. Ainda assim, isso tinha sido errado, pensou. Damon não havia sido a sua morte. Então o que a profecia significava? Por um instante algo se surgiu em sua mente, mas antes que ela pudesse captá-lo, Meredith a interrompeu.
— É como outra voz que fala pela Bonnie — Meredith explicou para Alaric. — Ela até mesmo fica diferente. Talvez você não estivesse perto o bastante na igreja para ver.
— Mas por que não me contaram isso? — Alaric estava animado. — Isso pode ser importante. Essa... entidade, o que quer que seja, pode nos dar informações vitais. Pode esclarecer o mistério do Outro Poder, ou pelo menos nos dar uma dica de como lutar contra ele.
Bonnie estava balançando a cabeça.
— Não. Não é algo que eu possa convocar, e não responde perguntas. Simplesmente acontece comigo. E eu odeio.
— Você quer dizer que não consegue pensar em nada que possa acioná-lo? Nada que levou isso a acontecer antes?
Elena e Meredith, que sabiam muito bem o que poderia acioná-lo, olharam uma para a outra.
Elena mordeu o interior de sua bochecha. Era a escolha de Bonnie. Tinha que ser a escolha de Bonnie.
Bonnie, que segurava sua cabeça nas mãos, disparou um olhar através dos cachos vermelhos para Elena. Então fechou seus olhos e gemeu.
— Velas — disse.
— O quê?
— Velas. Uma chama de vela deve bastar. Não tenho certeza, entenda; não estou prometendo nada...
— Alguém vá saquear o laboratório de ciência — pediu Alaric.


Era uma cena que lembrava a primeira aula de Alaric na escola, quando pedira a todos que dispusessem suas cadeiras em um círculo. Elena olhou para a roda de rostos iluminados estranhamente pela chama da vela. Ali estava Matt, com sua mandíbula trincada. Ao lado dele, Meredith, seus cílios escuros fazendo sombra para cima. E Alaric, inclinando-se para frente com avidez. Então Damon, luz e sombra dançando sobre a superfície do seu rosto. E Stefan, as maçãs do rosto elevadas dando-lhe aparência severa aos olhos de Elena. E finalmente Bonnie, parecendo frágil e pálida até mesmo na luz dourada da vela.
Nós estamos conectados, Elena pensou, inundada pelo mesmo pressentimento que tivera na igreja, quando segurara as mãos de Stefan e Damon. Lembrou-se de um pequeno círculo branco de cera flutuando na vasilha de água. Conseguiremos se ficarmos juntos.
— Só vou olhar para a vela — Bonnie falou, sua voz tremendo ligeiramente. — E não pensar em nada. Vou tentar... me abrir a isso.
Ela começou a respirar profundamente, encarando a chama da vela.
E então aconteceu, exatamente como foi antes. O rosto de Bonnie se aplainou, toda a expressão sumindo. Seus olhos ficaram vazios como um querubim de pedra do cemitério.
Ela não disse uma palavra.
Foi quando Elena percebeu que eles não tinham decidido o que perguntar. Buscou em sua mente uma questão antes que Bonnie perdesse contato.
— Onde podemos encontrar o Outro Poder? — disse, bem quando Alaric perguntou:
— Quem é você?
As vozes deles se misturaram, suas perguntas entrelaçando-se.
O rosto vazio de Bonnie se moveu, varrendo o grupo com olhos que não enxergavam. Então a voz que não era de Bonnie falou:
— Venha e veja.
— Espera um minuto — Matt disse, enquanto Bonnie se levantava, ainda em transe, e foi para a porta. — Onde ela está indo?
Meredith pegou seu casaco.
— Vamos com ela?
— Não a toque! — disse Alaric, pulando enquanto Bonnie ia para a porta.
Elena olhou para Stefan, e então para Damon. Com um acordo, eles saíram, perseguindo Bonnie pelo corredor vazio e ecoante.
— Onde nós estamos indo? Qual das perguntas ela está respondendo? — Matt exigiu.
Elena só podia balançar sua cabeça. Alaric estava correndo para alcançar a passada deslizante de Bonnie.
Ela diminuiu quando eles emergiram na neve, e para o espanto de Elena, andaram até o carro de Alaric no estacionamento dos funcionários e ficaram parados perante ele.
— Não cabemos todos; seguirei com o Matt — Meredith disse rapidamente.
Elena, sua pele gelada tanto pela apreensão quando pelo ar frio, foi para o banco traseiro do carro de Alaric quando ele abriu a porta, com Damon e Stefan a ladeando. Bonnie sentou-se no banco do passageiro. Estava olhando diretamente para frente, mas não falou. Quando Alaric saiu do estacionamento, levantou uma mão branca e apontou. À direita na rua Lee e então à esquerda na Arbor Green. Passando pela casa de Elena e então virando à direita na Thunderbird.
Dirigindo-os para a Estrada Old Creek.
Foi aí que Elena percebeu aonde estavam indo.
Eles pegaram a outra ponte para o cemitério, aquela que todos sempre chamavam de “ponte nova” para distingui-la da Ponte Wickery, que agora se fora. Estavam se aproximando dos portões, o lado pelo qual Tyler dirigira quando levou Elena à igreja arruinada.
O carro de Alaric parou bem onde Tyler tinha estacionado. Meredith encostou atrás deles.
Com uma sensação horrível de déjà vu, Elena percorreu a trilha até a colina e passou pelo portão, seguindo Bonnie para onde a igreja em ruínas estava, com seu campanário apontando para o céu como um dedo tempestuoso. No buraco vazio que uma vez fora a entrada, ela hesitou.
— Aonde você está nos levando? — perguntou. — Me escute. Você poderia simplesmente nos dizer qual pergunta está respondendo?
— Venha e veja.
Desamparadamente, Elena olhou para os outros. Então passou pela moldura da porta.
Bonnie andou vagarosamente até as tumbas de mármore branco e parou.
Elena olhou para elas, e então para o rosto fantasmagórico de Bonnie. Cada pelo em seus braços e em sua nuca estavam de pé.
— Ah, não… — ela sussurrou. — Isso não.
— Elena, do que você está falando? — Meredith indagou.
Tonta, Elena olhou para baixo, para os semblantes de mármore de Thomas e Honoria Fell, deitados na tampa de pedra de suas tumbas.
— Esse negócio abre — sussurrou.

Um comentário:

  1. A diferença de ququando vc lê um livro e quando vc assiste uma série é que quando vc vê a série vc vê as pessoas e compara as cm a da vida real cm se pode-se velas somente por fora, mas quando vc lê vc sente que pôde velas por dentro tbm. Eu amo velos por esse outro lado, principalmente o matt

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