10 de novembro de 2015

Capítulo 12

Uma voz falou enquanto Elena pegava uma lata da prateleira da loja.
— Molho de oxicoco, já?
Elena olhou para cima.
— Oi, Matt. Sim, tia Judith gosta de fazer uma prévia no domingo antes do Dia de Ação de Graças, lembra? Se ela pratica, tem menos chance de fazer algo horrível.
— Como esquecer de comprar o molho de oxicoco até que falte apenas quinze minutos para o jantar?
— Até que faltem cinco minutos para o jantar — corrigiu Elena, consultando seu relógio, e Matt riu.
Era um som gostoso, um que Elena não ouvia há muito. Moveu-se em direção ao caixa, mas depois de ter pago por sua compra hesitou, olhando para trás.
Matt estava parado ao lado da prateleira das revistas, aparentemente absorto, mas havia algo na inclinação de seus ombros que a fez querer ir até ele.
Ela deu um cutucão na revista.
— O que você vai fazer no jantar?  disse.
Quando ele olhou incertamente em direção a frente da loja, ela acrescentou:
— Bonnie está esperando no carro; ela estará lá. Fora isso, é só a família. E Robert, é claro; ele deve estar lá a essa hora. — Quis dizer que Stefan não estava indo. Ainda não estava certa de como as coisas estavam entre eles esses dias. Pelo menos falavam um com o outro.
— Estou evitando perguntas diretas esta noite; mamãe não está se sentindo muito bem — ele disse. Mas então, como se para mudar de assunto, continuou: — Onde está Meredith?
— Com a família dela, visitando alguns parentes ou algo assim — Elena foi vaga porque a própria Meredith fora vaga; ela raramente falava sobre sua família. — Então o que acha? Quer se arriscar com a comida da tia Judith?
— Pelos bons e velhos tempos?
— Pelos bons e velhos amigos — disse Elena após um momento de hesitação, e sorriu.
Ele pestanejou e desviou o olhar.
— Como posso recusar um convite desses?  disse em uma voz estranhamente atenuada. Mas quando colocou a revista de volta e a seguiu para fora, ele estava sorrindo, também.
Bonnie o cumprimentou alegremente, e quando chegaram em casa, tia Judith pareceu satisfeita por vê-lo entrar na cozinha.
— O jantar está quase pronto — ela falou, tomando a sacola de compras de Elena. — Robert chegou há alguns minutos. Por que vocês não vão direto para a sala de jantar? Ah, e pegue outra cadeira, Elena. Com Matt são sete.
— Seis, tia Judith — disse Elena, divertida. — Você e Robert, eu e Margaret, Matt e Bonnie.
— Sim, querida, mas Robert trouxe um convidado, também. Eles já estão sentados.
Elena registrou as palavras enquanto entrava na sala de jantar, mas houve um atraso instantâneo antes de sua mente reagir a elas. Mesmo assim, sabia; passando por aquela porta, de algum jeito sabia o que estava esperando por ela.
Robert estava lá, ocupando-se com uma garrafa de vinho branco e parecendo jovial.
E sentado na mesa, no lado mais distante do enfeite de outono e das altas velas acesas, estava Damon.
Elena percebeu que parara de se mover quando Bonnie deu um encontrão por trás dela. Então forçou suas pernas a se moverem. Sua mente não estava tão obediente; ela permaneceu congelada.
— Ah, Elena — Robert disse, estendendo uma mão. — Essa é Elena, a garota de quem eu estava te falando  disse para Damon. — Elena, esse é Damon... hã…
— Smith  lembrou Damon.
— Ah, sim. Ele é da minha alma mater, William and Mary, e eu simplesmente esbarrei nele do lado de fora da farmácia. Já que ele estava procurando algum lugar para comer, convidei-o para cá para uma refeição caseira. Damon, esses são alguns amigos da Elena, Matt e Bonnie.
— Oi — disse Matt.
Bonnie simplesmente encarou-o; então, olhou com os olhos arregalados para Elena.
Elena estava tentando se segurar. Não sabia se berrava, marchava para fora da sala ou atirava o copo de vinho que Robert servia na cara de Damon. Ficou nervosa demais, no momento, para ficar assustada.
Matt foi trazer uma cadeira da sala de estar. Elena ficou curiosa com a aceitação casual dele com Damon, e então percebeu que ele não estivera na festa de Alaric. Não sabia o que tinha acontecido entre Stefan e o “visitante da faculdade.”
Bonnie, contudo, parecia pronta para entrar em pânico. Estava olhando para Elena suplicantemente.
Damon tinha ficado de pé e puxava uma cadeira para ela.
Antes que Elena pudesse bolar uma resposta, escutou a vozinha aguda de Margaret na entrada.
— Matt, você quer ver a minha gatinha? Tia Judith disse que posso ficar com ela. Eu vou chamá-la de Bola de Neve.
Elena se virou, excitada com uma ideia.
— Ela é bonitinha — Matt estava dizendo gentilmente, inclinando-se sobre o pequeno amontoado de pelos branco nos braços de Margaret. Ficou assustado quando Elena agarrou sem cerimônia a gatinha debaixo de seu nariz.
— Aqui, Margaret, vamos mostrar a sua gatinha para o amigo do Robert  disse, e enfiou a bola fofa na cara de Damon, fazendo tudo exceto jogá-la nele.
O pandemônio se seguiu. Bola de Neve inchou duas vezes o seu tamanho normal quando seu pelo se eriçou. Fez um barulho como água derrubada em uma frigideira em brasas e então rosnou, cuspiu e arranhou Elena, golpeou Damon, e ricocheteou nas paredes antes de escapar da sala.
Por um instante, Elena teve a satisfação de ver os olhos negros como a noite de Damon ligeiramente mais arregalados que o normal. Então as pálpebras se abaixaram, cobrindo-as novamente, e Elena virou-se para encarar a reação dos outros ocupantes da sala.
Margaret estava justamente abrindo sua boca para um gemido de máquina a vapor. Robert tentava evitar isso, empurrando-a para fora para achar a gata. Bonnie estava com suas costas pressionadas contra a parede, parecendo desesperada. Matt e tia Judith, que estavam espiando da cozinha, pareciam simplesmente chocados.
— Acho que você não leva jeito com animais  disse para Damon, e tomou seu lugar na mesa.
Acenou para Bonnie, que relutantemente se descolou da parede e correu para seu próprio assento antes que Damon pudesse tocar a cadeira. Os olhos castanhos de Bonnie o seguiram enquanto se sentava.
Após alguns minutos, Robert reapareceu com uma Margaret manchada de lágrimas e franziu a testa severamente para Elena. Matt empurrou sua própria cadeira em silêncio apesar de suas sobrancelhas estarem quase no cabelo, de tanto que as erguia.
Enquanto tia Judith chegava e a refeição começava, Elena olhava de um lado para o outro na mesa.
Uma neblina brilhante pareceu deitar sobre tudo, e teve uma sensação de irrealidade, mas a própria cena quase parecia inacreditavelmente benéfica, como algo saído de um comercial. Simplesmente uma família comum sentada para comer peru, pensou. Uma tia solteirona ligeiramente confusa, preocupada que as ervilhas tivessem ficado moles e os pãezinhos queimados, um confortável futuro tio, uma sobrinha adolescente de cabelo dourado e sua irmãzinha de cabelos claríssimos. Um garoto comum de olhos azuis, uma amiga com vivacidade, um lindo vampiro passando as batatas-doces. Uma típica família americana.
Bonnie passou a primeira metade da refeição telegrafando mensagens do tipo “O que eu faço?” para Elena com seus olhos. Mas quando tudo que Elena telegrafava de volta era “Nada,” ela aparentemente decidiu abandonar-se ao seu destino e começou a comer.
Elena não tinha ideia do que fazer. Ficar presa desse jeito era um insulto, uma humilhação, e Damon sabia disso. Ele tinha encantado tia Judith e Robert, contudo, com elogios sobre a refeição e uma conversa leve sobre a Faculdade William and Mary. Até mesmo Margaret sorria para ele agora, e logo Bonnie entraria nessa.
— Fell’s Church celebrará o Dia do Fundador semana que vem — tia Judith informou Damon, suas magras bochechas levemente rosas. — Seria tão bom se você pudesse voltar para isso.
— Eu gostaria — disse Damon afavelmente.
Tia Judith pareceu satisfeita.
— E esse ano Elena fará uma grande participação nele. Foi escolhida para representar o Espírito de Fell’s Church.
— Você deve estar orgulhosa — opinou Damon.
— Ah, estamos — tia Judith disse. — Então você virá?
Elena interrompeu, passando manteiga em um pãozinho furiosamente.
— Escutei novidades sobre Vickie  disse. — Você se lembra, a garota que foi atacada.
Ela encarou Damon furiosamente.
Houve um curto silêncio. Então Damon disse:
— Receio que não a conheça.
— Ah, tenho certeza que conhece. Mais ou menos da minha altura, olhos castanhos, cabelo castanho claro... de qualquer jeito, ela está piorando.
— Ah, céus — disse tia Judith.
— Sim, aparentemente, os médicos não conseguem entender. Ela simplesmente fica pior e pior, como se o ataque ainda estivesse acontecendo — Elena manteve seus olhos no rosto de Damon enquanto falava, mas ele mostrou apenas um interesse cortês. — Coma mais recheio  terminou, empurrando uma tigela para ele.
— Não, obrigado. Quero mais disso, contudo — ele levantou uma colher cheia de molho de oxicoco gelatinoso até uma das velas para que a luz brilhasse por ela. — É uma cor tão tentadora.
Bonnie, como o resto das pessoas a mesa, olhou para a vela quando ele fez isso.
Mas Elena notou que ela não olhou para baixo novamente. Continuou olhando para as chamas dançantes, e lentamente qualquer expressão desapareceu de seu rosto.
Ah, não, pensou Elena, um latejar de preocupação arrepiando seus membros. Tinha visto aquele olhar antes. Tentou conseguir a atenção de Bonnie, mas a outra garota parecia não ver nada além da vela.
— ... e então as crianças do ensino básico fazem uma cerimônia sobre a história da cidade — tia Judith estava dizendo para Damon. — Mas a cerimônia de encerramento é feita por estudantes mais velhos. Elena, quantos veteranos vão fazer a leitura esse ano?
— Só três — Elena teve que se virar para se dirigir a sua tia, e foi enquanto olhava para o rosto sorridente da tia Judith que ouviu a voz.
— Morte.
Tia Judith arfou. Robert parou com seu garfo a meio caminho de sua boca. Elena desejou, selvagem e absolutamente sem esperança, que Meredith estivesse ali.
— Morte — disse a voz novamente. — A morte está nessa casa
Elena olhou ao redor da mesa e viu que não havia ninguém para ajudá-la. Todos estavam encarando Bonnie, imóveis como as pessoas em uma fotografia.
A própria Bonnie encarava a chama da vela. Seu rosto estava vazio, seus olhos arregalados, como eles tinham estado antes quando essa voz falava por ela. Agora, esses olhos incapazes de ver se viraram na direção de Elena.
— A sua morte — a voz disse. — Sua morte está esperando, Elena. É...
Bonnie pareceu engasgar. Depois inclinou-se para frente e quase bateu em seu prato.
Houve uma paralisia instantânea, e então todos se moveram. Robert levantou-se e puxou Bonnie pelos ombros, levantando-a. A pele de Bonnie tinha ficado branco azulada, seus olhos estavam fechados. Tia Judith agitou-se ao redor dela, dando tapinhas em seu rosto com um guardanapo úmido. Damon observou com olhos pensativos e estreitos.
— Ela está bem — Robert disse, olhando para cima com alívio óbvio. — Acho que simplesmente desmaiou. Deve ter sido algum tipo de ataque histérico.
Mas Elena não respirou novamente até Bonnie abrir olhos grogues e perguntar o que todos estavam encarando.
Isso deu um fim efetivo no jantar. Robert insistiu que Bonnie fosse levada direto de volta para casa, e na atividade que se seguiu, Elena encontrou tempo para sussurrar palavras para Damon.
— Caia fora!
Ele ergueu suas sobrancelhas.
— O quê?
— Eu disse, caia fora! Agora! Vá. Ou contarei a eles que você é o assassino.
Ele pareceu acusativo.
— Não acha que um convidado merece um pouco mais de consideração?  disse, mas com a expressão dela deu de ombros e sorriu.
— Obrigado por me convidar para jantar — ele disse em voz alta para tia Judith, que estava andando por ele carregando um cobertor para o carro. — Espero poder retribuir o favor algum dia — para Elena ele acrescentou, — Te vejo por aí.
Bem, isso foi esperto o bastante, Elena pensou, enquanto Robert dirigia com um Matt lúgubre e uma Bonnie sonolenta. Tia Judith estava no telefone com a Sra. McCullough.
— Não sei o que essas garotas têm, tampouco. Primeiro Vickie, agora Bonnie... e Elena não tem sido ela mesma ultimamente… 
Enquanto tia Judith falava e Margaret procurava pela sumida Bola de Neve, Elena marchava.
Teria que ligar para Stefan. Era tudo o que tinha a fazer. Não estava preocupada com Bonnie; nas outras vezes que isso tinha acontecido não pareceu ter feito um dano permanente. E Damon tinha coisas melhores a fazer do que assediar os amigos de Elena esta noite.
Ele viera para cobrar o “favor” que fizera. Ela sabia sem dúvidas que era esse o significado de suas palavras finais. E isso significava que teria que contar tudo a Stefan, porque precisava dele esta noite, precisava da sua proteção.
Só que, o que Stefan podia fazer? Apesar de todos os seus pedidos e discussões da semana anterior, ele tinha se recusado a tomar o sangue dela. Insistia que seus Poderes voltariam sem ele, mas Elena sabia que estava vulnerável agora. Mesmo se estivesse aqui, conseguiria parar Damon? Conseguiria fazer isso sem ele mesmo ser morto?
A casa de Bonnie não era um refúgio. E Meredith tinha ido embora. Não havia ninguém para ajudá-la, ninguém em quem pudesse confiar. Mas o pensamento de esperar aqui sozinha durante a noite, sabendo que Damon estava vindo, era insuportável.
Ouviu tia Judith desligar o telefone. Automaticamente, se moveu na direção da cozinha, o número de Stefan correndo em sua mente. Então parou, e lentamente virou-se para olhar para a sala de estar que tinha acabado de deixar.
Olhou do chão para as janelas e o teto para a lareira elaborada com suas lindas curvas moldadas. Essa sala era parte da casa original, aquela que fora quase queimada completamente na Guerra da Secessão. Seu próprio quarto era bem acima.
Uma luz notável estava começando a surgir. Elena olhou para a moldura ao redor do teto, onde se juntava a sala de jantar mais moderna. Então quase correu em direção à escada, seu coração batendo rápido.
— Tia Judith? — sua tia parou na escada. — Tia Judith, me diga uma coisa. Damon entrou na sala de estar?
— O quê? — Tia Judith pestanejou para ela com distração.
— Robert levou Damon na sala de estar? Por favor, pense, tia Judith! Preciso saber.
— Ora, não, acho que não. Não, ele não levou. Eles entraram e foram diretamente para a sala de jantar. Elena, o que diabos...?
Essa última frase foi interrompida quando Elena jogou seus braços impulsivamente ao redor dela e a abraçou.
— Desculpa, tia Judith. Simplesmente estou feliz — disse.
Sorrindo, se virou para descer as escadas.
— Bem, estou feliz que alguém esteja feliz, depois de como o jantar saiu. Apesar de que aquele garoto bacana, Damon, pareceu ter se divertido. Sabe, Elena, pareceu bem impressionado com você, apesar do jeito como você estava agindo.
Elena virou-se.
— E?
— Bem, achei que você poderia dar-lhe uma chance, só isso. Achei-o bem agradável. O tipo de jovem que eu gostaria de ver por aqui.
Elena revirou os olhos por um momento, então engoliu para impedir a risada histérica de escapar.
Sua tia estava sugerindo que ela ficasse com Damon ao invés de Stefan... porque Damon era mais seguro. O tipo de jovem bacana que minha tia gostaria.
— Tia Judith  começou, arfando, mas então percebeu que era inútil.
Balançou a cabeça sem falar, jogando suas mãos para cima em defesa, e observou sua tia subir as escadas.


Geralmente Elena dormia com sua porta fechada. Mas esta noite ela a deixou aberta e deitou na cama olhando para o corredor escuro. De vez em quando olhava para os números luminosos do relógio na cabeceira ao seu lado.
Não havia perigo de cair no sono. Enquanto os minutos se arrastavam, quase começou a desejar que conseguisse. O tempo movia-se com uma lentidão agonizante. Onze horas... onze e meia… meia noite. Uma da manhã. Uma e meia. Duas.
Às 2:10 ela ouviu um som.
Escutou, ainda deitada em sua casa, o fraco sussurro de um barulho vindo da escada abaixo. Sabia que ele encontraria um jeito de entrar se quisesse. Se Damon estivesse determinado, nenhuma tranca o manteria fora.
A música do sonho que tivera naquela noite na casa da Bonnie tocou em sua mente, um punhado de notas plangentes e ressonantes. Acordou com sentimentos estranhos. Ela própria quase em um atordoamento ou sonho, levantou-se e foi para o solado da porta.
O corredor estava escuro, seus olhos tiveram um longo tempo para se ajustarem. Conseguia ver a silhueta escura subindo a escada. Quando alcançou o topo, viu o reflexo rápido e mortal de seu sorriso.
Esperou, sem sorrir, até que a alcançasse e ficasse de frente para ela, com somente um metro de chão de madeira entre eles. A casa estava completamente silenciosa. Do outro lado do corredor, Margaret dormia; no final dele, tia Judith deitava-se coberta por sonhos, alheia ao que estava acontecendo fora de sua porta.
Damon não disse nada, mas olhou para ela, seus olhos tomando a grande camisola branca com uma gola alta e de laço.
Elena a tinha escolhido porque era a mais modesta que possuía, mas Damon obviamente achou-a atraente. Ela se forçou a permanecer quieta, mas sua boca estava seca e seu coração estava golpeando vagarosamente.
Agora era a hora. Em mais um minuto saberia.
Recuou, sem uma palavra ou gesto de convite, deixando a entrada vazia.
Viu a chama rápida nos olhos abismáveis dele, e observou-o vir avidamente na direção dela. Observou-o parar.
Ficou simplesmente fora do quarto dela, claramente desconcertado. Tentou novamente dar um passo para frente, mas não conseguiu. Algo parecia estar impedindo-o de se mover mais. Em seu rosto, surpresa cedeu lugar para perplexidade e então raiva.
Olhou para cima, seus olhos varrendo o beiral, escaneando o teto dos dois lados do solado da porta. Então, quando a percepção total o acertou, seus lábios se separaram de seus dentes em um rosnado animal.
Salva deste lado da casa, Elena riu suavemente. Tinha funcionado.
— Meu quarto e a sala de estar abaixo são tudo o que sobrou da casa antiga  disse para ele. — E, é claro era uma residência diferente. Uma a qual você não está convidado, e nunca será.
O peito pesava com raiva, suas narinas dilatadas, seus olhos selvagens. Ondas de raiva negra emanavam dele. Ele  parecia como se fosse rasgar as paredes com suas mãos, que estavam torcendo e apertando com fúria.
Triunfo e alívio fizeram Elena ficar volúvel.
— É melhor você ir agora — ela disse. — Não tem nada aqui para você. 
Por mais um minuto aqueles olhos ameaçadores queimaram os dela, e então Damon virou-se. Mas não foi para a escada. Ao invés disso, deu um passo para o outro lado do corredor e colocou sua mão na porta do quarto de Margaret.
Elena foi para frente antes de saber o que estava fazendo. Parou na entrada, segurando o batente ornamentado, sua própria respiração saindo dificilmente.
A cabeça dele girou rapidamente e ele sorriu para ela, um sorriso lento e cruel. Girou a maçaneta ligeiramente sem olhá-la. Seus olhos, como piscinas de ébano líquido, permaneceram em Elena.
— Sua escolha  ele disse.
Elena ficou muito quieta, sentindo como se todo o inverno estivesse dentro dela. Margaret era apenas um bebê. Ele não podia estar falando sério; ninguém podia ser tão monstro para machucar uma criança de quatro anos.
Mas não havia pista de suavidade ou compaixão em seu rosto. Era um caçador, assassino e os fracos eram sua caça. Ela lembrou-se do rosnado animal apavorante que havia transfigurado seus lindos traços, e sabia que nunca poderia deixar Margaret com ele.
Tudo parecia estar acontecendo em câmera lenta. Ela viu a mão de Damon na maçaneta; viu aqueles olhos sem misericórdia. Estava ultrapassando a entrada, deixando para trás o único lugar seguro que conhecia.
A Morte estava na casa, Bonnie tinha dito. E agora Elena tinha ido encontrá-la de livre e espontânea vontade. Curvou sua cabeça para esconder lágrimas impotentes que vieram aos seus olhos. Estava acabado. Damon tinha vencido.
Não olhou para cima para vê-lo avançar. Mas sentiu o ar rodopiar ao redor dela, fazendo-a tremer. E então foi envolvida em uma escuridão suave e sem fim, que a envolveu como as asas de um grande pássaro.

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