29 de novembro de 2015

Capítulo 11

Depois da M. le Princess Jessalyn D’Aubigne ter bebido do sangue de Damon — e ela estava muito sedenta — foi a vez de Damon.Ele fez um esforço para continuar paciente quando Jessalyn vacilou e franziu a testa ao ver a faca pontuda. Mas Damon brincava e a gracejava, correndo atrás dela naquela imensa cama para cima e para baixo, e quando finalmente a pegou, ela mal sentiu o ferrão da faca em sua garganta.
Ele estava com a boca sobre o sangue vermelho escuro, porém, tirou-a imediatamente. Tudo que tinha feito, desde dar Black Magic à Bonnie até derramar o líquido da Esfera Estelar nos quatro cantos do Portal para chegar até as defesas desta pequena jóia, foram para chegar a este momento. Este momento, quando seu paladar humano pudesse saborear o néctar que era o sangue de um vampiro.
E era... Divino!
Era a segunda vez na vida que ele havia experimentado como humano. Katerina — Katherine, como ele pensava nela, em inglês — havia sido a primeira, é claro. E como ela pôde ter ido embora e fingido ter morrido, vestindo apenas seu pequeno vestido de musselina, que deixava de olhos arregalados aquele garotinho que fora seu irmão, ele jamais compreenderia.
Sua inquietação se espalhou para Jessalyn. Isso não devia acontecer. Ela tinha que ficar calma e tranquila, enquanto ele tirava o máximo possível de seu sangue. Nem ao menos a machucava, e isso fazia toda a diferença para ele.
 Afastando sua consciência do puro prazer elementar que estava fazendo, ele começou, com muito cuidado, muito delicadamente, a se infiltrar em sua mente.
Não foi difícil de chegar bem fundo. Quem quer que arrancara esta delicada, frágil e ossuda menina do mundo humano e a dotado com a natureza de um vampiro, não havia lhe feito favor algum. Não que ela tivesse alguma objeção moral ao vampirismo. Ela tinha levado a vida bem boa, aproveitando de tudo. Ela teria sido uma boa caçadora da natureza. Mas neste castelo? Com estes servos? Era como ter cem garçons arrogantes e duzentos profissionais especializado e encarregado em conhecer os vinhos e todos os assuntos relacionados,condescendentes, olhando-a sempre que ela abrisse a boca para dar uma ordem.
Este quarto, por exemplo. Ela queria um pouco de cor nele — apenas um respingo de violeta aqui, um pouco de malva ali — naturalmente, ela percebeu que o dormitório de uma princesa vampira tinha que ser, em sua maioria, preto. Mas quando timidamente mencionou o tema de cores para uma das empregadas, a garota havia fungado e abaixado a narina perante Jessalyn, como se ela tivesse pedido para que um elefante fosse instalado ao lado de sua cama. A princesa não havia tido coragem de mencionar o assunto com a governanta, e dentro de uma semana, três cestos cheios de almofadas pretas brilhantes e pretas neutras haviam chegado. Essa era sua “cor”. E, no futuro, será que a Sua Alteza seria boa o bastante para consultar sua governanta antes de uma equipe viesse aqui para fazer seus caprichos?
Sério, ela havia dito “caprichos ”, Jessalyn pensou enquanto arqueava o pescoço para trás e corria as unhas afiadas pelo cabelo grosso e macio e Damon. E... Oh, isso não é bom. Não sou boazinha. Sou uma princesa vampira, e posso olhar as peças, mas não posso escolher.
Cada parte sua é de uma princesa, Sua Alteza. Damon a acalmou. Você precisa de alguém que faça com que cumpram suas ordens. Alguém que não tenha dúvidas sobre a sua superioridade. Seus servos são escravos?
Não, são todos livres.
Bem, isso torna as coisas um pouquinho mais complicado, mas você sempre pode gritar mais alto com eles.
Damon se sentiu inchado com sangue de vampiro. Dois dias com mais disto e ele seria, se não o seu antigo eu, então, ao menos, algo parecido: um vampiro completo, livre para caminhar sobre a cidade, como gostava. E com o Poder e status de um príncipe vampiro. Era quase o bastante para equilibrar os horrorres que tinha passado nos últimos dias. Pelo menos, ele poderia dizer a si mesmo que tentou e acreditou.
— Escuta — Ele disse abruptamente, soltando o corpo ligeiro de Jessalyn, olhando-a nos olhos na melhor forma possível. — Vossa Gloriosa Alteza, deixe-me fazer um favor a você antes de eu morrer de amor, ou antes de me matar por imprudência. Deixe-me trazer “cor”... E então, deixe-me ficar ao seu lado, se algum de seus lacaios não reclamar.
Jessalyn não estava acostumada a este tipo de decisão repentina, mas não podia deixar de ser levada junto com o entusiasmo ardente de Damon. Ela arqueou a cabeça para trás novamente.
Quando ele finalmente saiu do palácio de jóias, Damon foi pela porta da frente. Tinha um pouco do dinheiro que sobrou ao penhorar as jóias, mas isso foi mais que suficiente para o propósito que tinha em mente. Ele estava certo que da próxima vez que saísse, seria voando.
Ele parou numa dúzia de lojas e gastou até que o seu último tostão se fosse. Pretendia fazer uma visitinha à Bonnie também enquanto estava fazendo seu serviço, mas o mercado era do lado oposto ao que ele a havia deixado, e no fim, não havia tempo. Ele não se preocupou muito enquanto andava de volta ao castelo de jóias. Bonnie, pequena e frágil como parecia, tinha um núcleo duro que ele tinha certeza que faria com que ela ficasse dentro do quarto por três dias. Ela podia aguentar. Damon sabia que podia.
Ele bateu no pequeno portão do castelo até que um guarda carrancudo a abriu.
— O que você quer? — O guarda cuspiu.

* * *

Bonnie estava entediada. Tinha se passado apenas um dia desde que Damon a tinha deixado — ela só conseguia contar por causa do número de refeições tragas para ela, uma vez que o enorme sol vermelho ficava para sempre no horizonte e a luz vermelho-sangue nunca variava, a menos quando chovia.
Bonnie queria que estivesse chovendo. Desejava estar nevando, ou que houvesse um incêndio ou um furacão ou um pequeno tsunami. Ela tinha dado uma chance a uma das Esferas Estelares e achou um novela ridícula que mal conseguia entender.
Agora, ela queria que nunca tivesse tentado impedir Damon de vir aqui. Desejou que ele tivesse jogado-a longe antes que tivessem caído no buraco. Desejou que tivesse pego a mão de Meredith e tivesse deixado Damon ir.
E esse havia sido só o primeiro dia.

* * *

Damon sorriu para o guarda carrancudo.
— O que eu quero? Só o que eu já tenho. Uma porta aberta.
Ele não havia entrado, entretanto. Perguntou o que M. le Princess estava fazendo e ouviu que ela estava almoçando. Um doador.
Perfeito.
Logo bateu diferentemente no portão, no qual Damon exigiu que fosse aberto. Os guardas claramente não gostavam dele, pois tinham juntado o desaparecimento daquele que parecia ser o capitão da guarda com a intrusão deste homem estranho. Mas logo havia algo ameaçador nele, mesmo estando neste mundo.
Eles obedeceram.
Logo depois, houveram várias outras batidas calmas e mais outras e mais outras e assim sucessivamente até que doze homens e mulheres, com os braços cheios de papel pardo e perfumado, seguiram discretamente Damon até o sombrio quarto de M. le Princess.
Jessalyn, entretanto, teve uma longa e abafada reunião pós-almoço, entretendo alguns de seus consultores financeiros, que pareciam velhos demais para ela, apesar de terem sido transformados em seus vinte anos. Seus músculos eram suaves e com falta de uso, ela se viu pensando. E, naturalmente, vestiam mangas compridas e calças pretas, exceto por um babado em suas gargantas, com interior escarlate por causa do eterno Sol vermelho-sangue.
A princesa tinha acabado de vê-los se retirar de sua presença quando perguntou, ainda mais irritada, onde o humano Damon estava. Vários empregados, com malícia por trás de seus sorrisos, explicaram que ele tinha ido com uma dúzia de... Seres humanos... Até o seu dormitório.
Jessalyn quase voou para a escada e subiu muito rapidamente, deslizando, pois sabia que este era um movimento esperado de uma boa vampira. Ela chegou às portas góticas e ouviu sons abafados de despeito, indignados por terem de esperar. Mas antes mesmo que a princesa pudesse perguntar o que estava acontecendo, ela estava envolta em uma grande onda quente de odores. Não o odor gostoso e cheio de sustância de sangue, mas algo mais leve, mais doce e, no momento, enquanto sua sede por sangue fora saciada, mais deliciosa. Ela empurrou a porta dupla. Deu um passo em seu dormitório e depois parou, espantada.
O quarto que lembrava a uma catedral negra estava cheio de flores. Havia bancos de lírios, vasos cheios de rosas, tulipas de todas as cores e tons, vários abróteas e narcisos, enquanto as perfumadas madressilvas e os morango silvestres estavam em arvoredos.
Os vendedores de flores tinham convertido a sombria e convencional sala negra neste espetáculo fantástico. Os mais sagazes e perspicazes fixadores de M. le Princess haviam ajudado, trazendo grandes vasos ornamentados.
Damon, ao ver Jessalyn entrar no quarto, foi imediatamente se ajoelhar aos seus pés.
— Você tinha ido embora quando eu acordei! — A princesa disse, irritada, e Damon sorriu, fracamente.
— Perdoe-me, Vossa Alteza. Mas já que estou morrendo, de qualquer modo, pensei que poderia trazer-lhe estas flores. As cores e os aromas são satisfatórios?
— Os aromas?— O corpo inteiro de Jessalyn parecia derreter. — Parece... Uma orquestra para o meu nariz! E essas cores não se comparam com o que eu já tenha visto antes!
Ela deu uma gargalhada, os olhos verdes iluminados, com o cabelo ao redor dos ombros, como se fossem cachoeiras. Então, levou Damon a um canto escuro. Damon teve que se controlar para não rir, mas isso parecia muito com um gatinho perseguindo uma folha de outono.
Mas uma vez que chegaram no canto, enrolados na cortina, próximos a uma janela, Jessalyn assumiu uma expressão muito séria.
— Eu ganharei um vestido, da mesma cor que aqueles profundos e escuros cravos roxos. — Ela sussurrou. — Ele não é preto.
— Sua Alteza vai estar maravilhosa nele. — Damon sussurrou em seu ouvido. — Tão impressionante, tão ousado...
— Posso até usar meu espartilho dentro do vestido. — Ela olhou para ele através de seus pesados cílios. — Ou... Isso seria demais?
— Nada é demais para você, minha princesa. — Damon sussurrou de volta. Ele parou um momento para pensar seriamente. — O espartilho... Combinaria com o vestido, ou seria preto?
Jessalyn considerou.
— Que tal da mesma cor? — Ela se aventurou.
Damon assentiu, satisfeito. Ele mesmo não seria pego em qualquer outra cor a não ser preta, mas estava disposto a aturar — até mesmo a incentivar — as esquisitices de Jessalyn. Elas poderiam levá-lo a se transformar em um vampiro mais rapidamente.
— Eu quero o seu sangue. — A princesa sussurrou, como se para provar que ele estava certo.
— Aqui? Agora? — Damon sussurrou de volta. — Na frente de todos os seus servos?
Então, Jessalyn o surpreendeu. Ela, que havia sido tão tímida antes, saiu das cortinas e bateu palmas, pedindo silêncio. Ele veio imediatamente.
— Todo mundo para fora! — Ela disse imperiosamente. — Vocês fizeram um belo jardim no meu quarto, e sou grata. O mordomo — Ela apontou para um jovem que estava todo vestido de preto, mas que sabiamente colocara uma rosa escura sobre a lapela — dará algo para que vocês possam comer... E beber... Antes de irem!
Nisto, houve um murmurinho de elogios que fez com que a princesa corasse.
— Eu tocarei a campainha, caso precise de você. — Disse ao mordomo.
Na verdade, somente dois dias depois que ela chegou a alcançar e, com uma pequena relutância, a tocar a campainha. E isso foi meramente para dar a ordem de que fosse feito um uniforme para Damon o mais rápido possível. Um uniforme de capitão da guarda.

* * *

No segundo dia, Bonnie teve que se virar com as Esferas Estelares enquanto procurava por entretenimento. Depois de ver suas vinte e oito esferas, descobriu que vinte e cinco delas eram sobre novelas, do primeiro ao último capítulo, e duas eram de experiências tão assustadoras e tão hediondas que ela as rotulou em sua mente como Nunca Mais Lembrar. As últimas se chamavam Quinhentas Histórias Para Crianças, e Bonnie rapidamente descobriu que essas histórias poderiam ser úteis, para denominar as coisas que uma pessoa poderia encontrar ao redor da cidade. O conteúdo das esferas eram sobre uma família de lobisomens chamada Düz-Aht-Bhi’iens. Bonnie prontamente os apelidou de Dustbins. A série, composta por episódios, mostrava como a família vivia dia-a-dia: como compraram um novo escravo no mercado para substituir um que havia morrido, e onde foram caçar presas humanas, e como Mers Dustbin jogava um importante torneio de bashik na escola.
Hoje, a última história era quase feliz. Mostrava a pequena Marit Dustbin indo à Sweetmeat Shop e comprando um bombom. O doce custava exatamente cinco dólares. Bonnie teve a experiência de comer parte dele com Marit, e estava bom.
Depois de ler a história, Bonnie, com muito cuidado, espiou pela borda da janela e viu um letreiro numa loja que ela já havia visto muitas vezes. Então, ela segurou a Esfera Estelar em sua têmpora.
Sim! Era exatamente o mesmo letreiro. E ela não só sabia o que queria, mas também o quanto iria custar.
Ela estava morrendo de vontade de sair de seu quarto e tentar o que acabara de aprender. Mas diante de seus olhos, a luz da loja de doces ficou escura. Deve ter fechado.
Bonnie jogou a Esfera Estelar pelo quarto. Desligou um pouco a lâmpada de gás para que somente brilhasse fracamente, e depois deitou-se sobre a cama cheia de pressa, puxou as cobertas... E descobriu que não conseguia dormir. Tateando no crepúsculo rubi, ela encontrou uma Esfera Estelar com os dedos e a colocou na têmpora novamente.
Intercaladas com o conjunto de histórias sobre a família Dustbin, haviam contos de fadas. A maioria deles eram tão horríveis que Bonnie não conseguia experimentá-los sempre, e quando era hora de dormir, ela deitava tremendo sobre a cama. Mas desta vez a história parecia ser diferente. Após o título, A Casa de Portais dos Sete Tesouros Kitsune, ela ouviu uma pequena rima:

Em meio a uma planície de neve e gelo
Aí reside o paraíso kitsune.
E bem ao lado, um prazer proibido:
Mais seis portais de tesouros kitsune .

A palavra kitsune era assustadora. Mas, Bonnie pensou, a história poderia ser pertinente, de alguma forma.
Eu posso fazer isso, pensou e colocou a Esfera Estelar em sua têmpora.
A história não começou com alguma coisa horripilante. Era sobre uma garota e um garoto kitsune que foram encontrar o mais sagrado e secreto dos “sete tesouros kitsune”, o paraíso kitsune. Um tesouro, Bonnie aprendera, poderia ser algo tão pequeno quanto uma jóia; ou tão grande quanto um mundo inteiro. Este, com o passar da história, estava na média, porque o “paraíso” era uma espécie de jardim, com flores exóticas florescendo por toda parte, e pequenos riachos borbulhantes abaixo de pequenas cachoeiras, piscinas clãs e profundas.
Era tudo maravilhoso, Bonnie pensou, vivenciando a história como se ela mesma estivesse vendo um filme torno dela, mas um filme que incluía as sensações de tato, paladar e olfato. O paraíso era um pouco como a Warm Springs, onde, às vezes, havia piqueniques em volta das casas.
Na história, os kitsune tiveram que ir ao “topo do mundo”, onde houve algum tipo de ruptura na crosta que ia para o lugar mais alto da Dimensão das Trevas — onde Bonnie estava neste momento. Eles, de alguma forma, conseguiram descer, descendo cada vez mais baixo, passando por vários testes de coragem e inteligência antes de chegarem à seguinte e mais baixa dimensão: o Mundo Inferior.
O Mundo Inferior era completamente diferente da Dimensão das Trevas. Era um mundo de gelo e neve escorregadia, de geleiras e fendas, tudo banhado em um crepúsculo azul de três luas que brilhavam acima.
As crianças kitsune quase morreram de fome no Mundo Inferior, porque havia muito pouco para uma raposa caçar. Sobreviveram graças a pequenos animais do frio: ratos e pequenas ratazanas brancas, e até insetos ocasionais (Ai, eca, Bonnie pensou). Eles sobreviveram até que, através da névoa e neblina, viram um muro muito alto e preto. Seguiram a parede até que finalmente chegaram à frente da Casa que tinha grandes torres altas escondidas nas nuvens. Escrito em cima da porta, em uma lígua antiga e quase ilegível, eles viram as palavras: Os Sete Portais.
Eles entraram em uma sala em que havia oito entradas ou saídas. Uma deles era a porta pela qual haviam acabado de entrar. E enquanto observavam, cada Portal brilhou para que eles pudessem ver que os sete Portais levavam para sete mundos diferentes, um dos quais era o paraíso kitsune. No entanto, outro Portal levava para um campo de flores mágicas, e outro mostrava borboletas que voavam em volta de uma fonte que jorrava água. Outro ia para uma caverna escura e cheia de garrafas de vinho Clarion Loess Black Magic. Um Portal conduzia a uma mina profunda, com jóias do tamanho de um punho. E então, um Portal mostrou a mais estimada de todas as flores: a Radhika Real. Ela mudava de momento a momento, indo de rosas para cravos, e depois para orquídeas.
Através do último Portal, eles só conseguiram ver uma árvore gigantesca, onde havia rumores de que o tesouro final seria uma imensa Esfera Estelar.
Agora, o menino e a menina se esqueceram de tudo sobre o paraíso kitsune. Cada um deles queria algo dos outros Portais, mas eles não conseguiram concordar sobre qual. A regra era que qualquer pessoa ou grupo poderia entrar em apenas um e depois voltar. Mas enquanto a garota queria um raminho da Radhika Real, para mostrar que tinha completado sua missão, o menino queria um pouco do vinho Black Magic, para sustentá-los no caminho de volta. Não importava o quanto discutissem, eles não conseguiam chegar a um acordo. Então, finalmente, decidiram trapacear. Eles iriam, simultaneamente, abrir uma porta e saltar para dentro, pegar o que queriam e sair antes que pudessem ser capturados.
Quando eles estavam prestes a fazer isso, uma voz os advertiu, dizendo: “Um Portal somente os dois devem entrar, e depois voltar de onde vieram.”
Mas o menino e a menina optaram por ignorar a voz. Imediatamente, o menino entrou no Portal que dava para as garrafas de vinha Black Magic e, no mesmo instante, a menina entrou na porta que dava para a Radhika Real. Mas quando cada um se virou, já não havia mais nenhuma porta ou portal. O menino tinha muita coisa para se beber, mas ele fora deixado para sempre na escuridão e no frio, e suas lágrimas congelaram em suas bochechas. A garota tinha uma linda flor para admirar, mas nada para comer ou beber, e assim, sob o Sol amarelo brilhante, ela definhou.
Bonnie estremeceu; aquele arrepio delicioso que um leitor tinha quando conseguia o que esperava. O conto tinha uma moral: “Não seja ganancioso”, assim como ela havia ouvido daqueles velhos livros de contos de fada, quando se sentava no colo de sua avó.
Ela sentiu muita falta de Elena e Meredith. Ela tinha uma história para contar, mas ninguém para ouvi-la.

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