26 de novembro de 2015

Capítulo 11

O Arizona era um estado tão quente e árido quanto Elena tinha imaginado. Ela e Damon se dirigiram diretamente para o Juniper Resort, e Elena estava deprimida, e nada surpresa, ao ver que Matt não tinha chegado.
— Ele não pode ter levado mais tempo do que nós para chegar até aqui, — disse ela, logo que tinham sidos levados até seus quartos. — A menos... oh, Damon, Deus! A menos que Shinichi tenha pegado-o de alguma forma.
Damon sentou na cama e olhou para Elena severamente. — Acho que esperava não ter que lhe dizer isto - que o idiota tivesse pelo menos a cortesia de lhe dizer ele mesmo. Mas eu estive rastreando a sua aura, desde que ele nos deixou. Ela foi ficando cada vez mais distante, na direção de Fell's Church. Às vezes, más notícias realmente levam um tempo para digerir.
— Você quer dizer, — disse Elena, — que ele não vai aparecer aqui, afinal?
 Quero dizer que, em linha reta, está tão longe de nós quanto estamos de carro até Fell´s Church. Ele foi nessa direção. E não voltou.
— Mas por quê? — Elena exigiu, como se a lógica pudesse de alguma forma mudar os fatos. — Por que ele iria sair e me deixar? Especialmente, porque iria para Fell's Church, onde eles estão procurando-o?
— Quanto à razão dele partir: acho que ele tem uma ideia errada sobre mim e você - ou talvez uma ideia certa um pouco antes da hora, — Damon ergueu as sobrancelhas para Elena e ela jogou um travesseiro nele — e decidiu nos deixar ter um pouco de privacidade. Quanto ao porquê Fell´s Church... — Damon deu de ombros. — Olha, você conhece o cara mais do que eu. Mas até mesmo eu posso dizer que ele é do tipo Galahad. O gentil cavalheiro, sem medo e sem censura. Se eu tivesse que dizer, diria que ele foi ao encontro da acusação de Caroline.
— Oh, não — Elena disse, indo até a porta como se tivesse ouvido uma batida. — Não depois do que eu disse a ele e eu disse...
— Oh, sim— Damon disse, agachando-se.  Mesmo com o seu sábio conselho soando em seus ouvidos...
A porta se abriu. Era Bonnie. Bonnie, com sua pequena estrutura, com os cabelos encaracolados de morango, seus largos e expressivos olhos castanhos.
Elena, em uma situação de desacreditar nas evidências de seus próprios olhos, e ainda mais depois do argumento de Damon, fechou a porta sobre ela.
— Matt vai ser linchado, — Elena quase gritou, vagamente irritada por causa de batidas vindo de algum lugar.
Damon levantou. Ele passou por Elena no caminho até a porta, dizendo: — Acho que é melhor você se sentar, — e então a sentou, colocando-a em uma cadeira e segurou até que ela parou de tentar se levantar novamente.
Então ele abriu a porta.
Desta vez, era Meredith que estava batendo. Alta e esguia, com os cabelos caindo em nuvens escuras ao redor dos ombros, Meredith irradiava a intenção de continuar a bater até que a porta se abrisse. Algo aconteceu dentro de Elena, e ela achou que poderia colocar a sua mente em torno de mais de um assunto de uma vez. Era Meredith. E Bonnie. Em Sedona, Arizona!
Elena pulou da cadeira onde Damon a tinha colocado e jogou os braços ao redor de Meredith, dizendo coisas incoerentes, — Você veio! Você veio! Sabia que eu não poderia chamá-la, assim que você veio!  Bonnie parou em torno do abraço e disse a Damon em um tom baixo.
— Será que ela voltou a beijar todo mundo que conhece?
— Infelizmente, — disse Damon, — não. Mas esteja preparada para ser espremida até a morte.
Elena se voltou contra ele. — Eu ouvi isso! Oh, Bonnie! Simplesmente não posso acreditar que vocês duas estão realmente aqui. Eu queria muito falar com vocês! — Enquanto isso, ela estava abraçando Bonnie, Bonnie estava abraçando Elena, e Meredith estava abraçando as duas. Sinais sutis da irmandade velociraptor estavam sendo passados de uma para a outra ao mesmo tempo - uma sobrancelha arqueada aqui, um ligeiro aceno lá, um franzir de testa e ombros terminando com um suspiro. Damon não sabia, mas tinha acabado de ser acusado, julgado, absolvido e restaurado ao dever - com a conclusão de que a vigilância extra seria necessária no futuro.
Elena separou-se primeiro. — Devem ter encontrado com Matt ele deve ter dito a vocês sobre este lugar.
— Ele disse, e em seguida vendeu o Prius e nós tipo que nos preparamos correndo e conseguimos bilhetes de avião para cá e estávamos esperando... não queremos perder você! — Bonnie disse sem fôlego.
— Não acredito que isso tenha acontecido há apenas dois dias, desde que você comprou seus ingressos para cá, — Damon questionou para o teto cansado enquanto ele descansava com um cotovelo na cadeira de Elena.
— Deixe-me ver... — Bonnie começou, mas Meredith disse categoricamente:
— Sim, foi. Por quê? Isso faz com que algo aconteça com você?
— Estávamos tentando manter as coisas um pouco ambíguas para o inimigo, — disse Damon. — Mas como ele caiu fora, isso provavelmente não tem importância.
Não, pensou Elena, porque Shinichi pode chegar dentro de seu cérebro quando ele quiser e tentar tirar as suas memórias e tudo que você pode fazer é tentar combatê-lo.
— Mas isso significa que Elena e eu devemos tomar a estrada agora mesmo.  Damon continuou. — Tenho que fazer uma coisa primeiro. Elena deve embalar as coisas. Pegue o minimo que você puder, apenas o absolutamente essencial - mas inclua comida para dois ou três dias.
— Você disse... agora? — Bonnie respirou, e então sentou-se abruptamente no chão.
— Isso faz sentido, se nós já perdemos o elemento surpresa, — Damon respondeu.
— Não posso acreditar que vocês duas vieram dizer adeus para mim enquanto Matt vigia a cidade, — disse Elena. — Isso é tão doce! — Ela sorriu radiantemente antes de acrescentar, em sua própria mente, e tão burro!
— Bem...
— Bem, eu ainda tenho uma missão, — disse Damon, acenando enquanto se virava. — Digamos que vamos sair daqui a meia hora.
— Mesquinho, — Bonnie reclamou, quando a porta foi fechada com segurança atrás dele. — Isso pode ter nos dado apenas alguns minutos para falar, antes de começarmos.
— Posso me preparar em menos de cinco minutos, — disse Elena tristemente, e então ficou enroscada na frase anterior de Bonnie. 'Antes de nós começarmos'?
— Não posso empacotar apenas essencial, — Meredith estava calmamente angustiada. — Não posso guardar tudo no meu celular, e não tenho ideia de quando vou poder recarregar as baterias. Tenho uma mala de coisas em papel. — Elena estava olhando para trás e para frente para elas nervosamente.
 Hum, tenho certeza que eu sou a única que supostamente tem que preparar a mala, — disse ela. — Porque eu sou a única que vai... certo? — Outro olhar para trás e para frente.
— Como se nós fossemos deixá-la partir para algum outro universo, sem nós! — disse Bonnie. — Você precisa de nós!
— Não é outro universo, apenas uma outra dimensão, — disse Meredith.
— Mas o mesmo princípio se aplica.
— Mas,... eu não posso deixar vocês virem comigo!
— É claro que você não pode. Eu sou a mais velha, — disse Meredith. — Você não precisa me 'deixar' fazer coisa alguma. Mas a verdade é que temos uma missão. Queremos encontrar Shinichi ou a Bola Estrela de Misao se pudermos. Se conseguirmos fazer isso, achamos que podemos parar a maioria das coisas que estão acontecendo em Fell's Church imediatamente.
— Bola Estrela?  Elena disse inexpressivamente, enquanto em algum lugar nas profundezas de sua mente, uma imagem se agitava inquieta.
— Vou explicar mais tarde.
Elena estava sacudindo a cabeça. — Mas... você deixou Matt lá para lidar com qualquer coisa sobrenatural que esteja acontecendo? Quando ele está foragido e tem que se esconder da polícia?
— Elena, até mesmo a polícia tem medo de Fell's Church agora e, francamente, se o colocarem sob custódia em Ridgemont, esse pode ser o lugar mais seguro para ele. Mas eles não vão fazer isso. Ele está trabalhando com a Sra. Flowers e são bons juntos, é um time sólido — Meredith parou para tomar fôlego, e parecia estar pensando em como dizer alguma coisa.
Bonnie disse para ela em uma voz muito pequena. — E eu não era boa, Elena. Comecei... bem, comecei a ficar histérica e ver e ouvir coisas que não estavam lá, ou pelo menos imaginá-las e talvez até mesmo torná-las realidade. Eu estava me assustando pelo lado de fora da minha mente, e acho que na verdade estava colocando pessoas em perigo. Matt é muito prático para fazer isso. — Ela enxugou os olhos. — Sei que a Dimensão Sombria é muito ruim, mas pelo menos eu não vou colocar casas cheias de pessoas inocentes em perigo.
Meredith assentiu. — Estava tudo... ficando pior com Bonnie lá. Mesmo que não quiséssemos ir com você eu teria que tirá-la de lá. Não quero ser dramática, mas acredito que os demônios foram atrás dela. E já que Stefan se foi, Damon pode ser a única pessoa que pode mantê-los longe. Ou talvez você possa ajudá-la, Elena?
Meredith... dramática? Mas Elena podia ver os tremores finos atravessando a pele de Meredith, e o leve brilho de suor na testa de Bonnie que estava umedecendo seus cachos.
Meredith tocou o pulso de Elena. — Nós não deserdamos ou coisa assim. Fell's Church é uma zona de guerra agora; é verdade, mas não deixamos Matt sem aliados. Tem a Dra. Alpert - ela é lógica - é a melhor médica do país e pode até convencer alguém que Shinichi e Malach são reais. Mas além de tudo isso, os pais assumiram. Pais e psiquiatras e detetives. E eles tornam quase impossível trabalhar abertamente de qualquer maneira. Matt não está em qualquer desvantagem.
— Mas... em apenas uma semana...
— Dê uma olhada no jornal de domingo dessa semana.
Elena pegou o Ridgemont Times de Meredith. Era o maior jornal na área de Fell's Church. A manchete dizia: POSSESSÃO NO SÉCULO 21?
Sob o título haviam muitas linhas de impressão cinza, mas o que realmente chamava a atenção era uma foto de uma luta entre as garotas, as quais pareciam estar sofrendo convulsões ou contorções impossíveis para o corpo humano. As expressões de duas das garotas eram apenas os de dor e terror, mas a da terceira menina gelou o sangue de Elena nas veias. Seu corpo era corcunda de modo que seu rosto estava de cabeça para baixo, e ela estava olhando diretamente para a câmera com os lábios esfolados em volta de seus dentes. Os olhos dela - não havia outra forma de explicar isso - eram demoníacos. Não estavam revirados em sua cabeça ou malformados ou qualquer coisa assim. Não estavam brilhando assustadoramente em vermelho. Era apenas uma expressão. Elena nunca tinha visto olhos fazerem-na sentir mal do estômago antes.
Bonnie disse baixinho, — Você já sentiu uma sensação de deslize e começou a sentir como, 'Oh, ops, lá se vai todo o universo'?
— Constantemente, desde que conheci Stefan, — disse Meredith. — Sem querer ofender, Elena. Mas o ponto é que tudo isso aconteceu em apenas um par de dias; desde o minuto em que os adultos que sabiam que algo estava acontecendo se reuniram.
Meredith suspirou e correu os dedos com unhas perfeitamente cuidadas pelos cabelos dela antes de continuar. — Essas meninas são o que Bonnie chama de possuídas, no sentido moderno. Ou talvez estejam possuídas por Misao, a fêmea kitsune é a suspeita de provocar isso. Mas, se pudéssemos encontrar essas coisas chamadas de Bolas Estrela, ou até mesmo se pudéssemos obrigá-los a limpar tudo isso.
Elena colocou o jornal para baixo para que ela não tivesse que ver aqueles olhos de cabeça para baixo olhando para os dela. — E enquanto tudo isso está acontecendo, o que o seu namorado está fazendo durante a crise?
Pela primeira vez, Meredith parecia genuinamente aliviada. — Ele pode estar a caminho enquanto falamos. Escrevi para ele sobre tudo o que está acontecendo, e ele foi realmente o único que disse para tirar Bonnie de lá. — Ela lançou um olhar de desculpas para Bonnie, que simplesmente levantou as mãos e o rosto para o céu. — E assim que ele terminar o seu trabalho em uma ilha chamada Shinmei no Uma, ele vem para Fell's Church. Esse tipo de coisa é a especialidade de Alaric, e ele não se assusta com facilidade. Assim, mesmo se ficarmos longe por semanas, Matt terá um reforço.
Elena jogou suas próprias mãos em um gesto semelhante ao de Bonnie.
— Há apenas uma coisa que é melhor vocês saberem antes de começarmos. Não posso ajudar Bonnie. Se vocês estão contando comigo para fazer uma das coisas que fiz quando lutamos contra Shinichi e Misao da última vez, bem, eu não posso. Tentei várias vezes, tão forte quanto eu pude, fazer todos os meus ataques de asas. Mas nada acontece.
Meredith disse lentamente: — Bem, então, talvez Damon saiba de alguma coisa...
— Talvez ele saiba, mas, Meredith, não force-o agora. Não neste exato minuto. Tudo o que sabemos é que Shinichi pode alcançar e tirar suas lembranças e, quem sabe, talvez até possuí-lo novamente...
— Aquela kitsune mentirosa! — Cuspiu Bonnie, soando quase dona.
Como se, pensou Elena, Damon fosse seu namorado. — Shinichi jurou que não iria...
— E jurou que ia deixar Fell‘s Church em paz, também. A única razão para eu ter fé nas pistas que Misao me deu sobre a chave da raposa, é que ela estava me provocando. Ela nunca pensou que faríamos um acordo, e sendo assim ela não estava tentando mentir ou ser mais inteligente, eu acho.
— Bem, é por isso que estamos aqui com você, para livrar Stefan, — disse Bonnie. — E se tivermos sorte, para encontrar as Bolas Estrela que nos permitirá controlar Shinichi. Certo?
— Certo! — Elena disse fervorosamente.
— Certo, — Meredith disse solenemente.
Bonnie concordou. — Irmandade Velociraptor para sempre! — Elas puseram as mãos por cima uma da outra rapidamente, formando um circulo com três raios. Isso lembrou Elena dos dias em que havia quatro raios.
— E Caroline?  perguntou ela.
Bonnie e Meredith consultaram uma a outra com os olhos. Então Meredith abanou a cabeça. — Você não quer saber. Sério, — ela disse.
— Posso aguentar. Sério, — Elena disse quase em um sussurro. — Meredith, eu estive morta, lembra? Duas vezes.
Meredith ainda estava sacudindo a cabeça. — Se você não pode olhar para essa imagem, não deve ouvir falar sobre Caroline. Fomos vê-la duas vezes...
— Você foi vê-la duas vezes, — Bonnie interrompeu. — A segunda vez que eu desmaiei e você me deixou na porta.
— E percebi que eu poderia ter te perdido para sempre, e eu me desculpei... — Meredith parou quando Bonnie colocou uma mão em seu braço e deu-lhe um pequeno empurrão.
— De qualquer forma, não era exatamente uma visita, — disse Meredith.
— Fui correndo para a sala de Caroline à frente de sua mãe e a encontrei dentro de seu ninho - nunca tente imaginar o que é isso - comendo alguma coisa. Quando ela me viu, apenas riu e continuou a comer.
— E?  Elena disse, quando a tensão começou a ser demais para ela. — O que era?
— Eu acho, — disse Meredith friamente, — que eram vermes e lesmas. Ela tinha que esticá-los e esticá-los e eles enrolavam pouco antes dela mordê-los. Mas isso não era o pior. Olha, você tinha que ter estado lá para apreciá-la, mas ela apenas sorriu para mim e disse com uma voz grossa: 'Quer uma mordida?' e de repente minha boca se encheu com esta massa se contorcendo  e estava descendo pela minha garganta. Então eu estava doente, ali mesmo em seu tapete. Caroline apenas começou a rir, e eu corri para baixo novamente e peguei Bonnie e corri para fora e nunca mais voltamos. Mas... a meio caminho de casa, percebi que Bonnie estava sufocando. Ela tinha - minhocas e coisas - em sua boca e seu nariz. Eu sei CPR; Consegui tirar a maioria deles antes que ela acordasse vômitando. Mas... Essa foi uma experiência que eu realmente prefiro não ter de novo. — A mesma falta de expressão na voz de Bonnie disse mais do que qualquer tom de horror poderia. Meredith disse: — Ouvi dizer que os pais de Caroline se mudaram daquela casa, e não posso culpá-los. Caroline tem mais de dezoito anos. Tudo o que posso acrescentar é que todo mundo reza para que de alguma forma o sangue do lobisomem ganhe do seu, porque parece, pelo menos, ser menos terrível do que o do Malach ou o... o demoníaco.
 Mas se não vencer... — Elena descansou o queixo sobre os joelhos. — E a Sra. Flowers pode lidar com isso?
— Melhor do que Bonnie pode. Sra. Flowers ficou grata por ter Matt por  com a raça humana do século vinte e um, acho que ela gostou. E ela está praticando artesanato constantemente.
— Artesanato? Oh...
— Sim, é o que ela chama de feitiçaria. Não tenho ideia se ela é boa nisso ou não, porque não tenho nada com o que comparar seu com...
— Suas cataplasmas funcionam como mágica! — Bonnie disse firmemente enquanto Elena dizia:
— Seus sais de banho certamente funcionam.
Meredith sorriu levemente. — Pena que ela não está aqui, em vez de nós.
Elena balançou a cabeça. Agora que ela tinha se reconectado com Bonnie e Meredith ela sabia que nunca poderia ir para a escuridão sem elas. Elas eram mais do que suas mãos; eram muito mais para ela... e aqui estavam, cada uma preparada para arriscar sua vida por Stefan e Fell's Church.
Naquele momento, a porta da sala abriu. Damon entrou, carregando um par de sacos de papel pardo na mão.
— Então todo mundo disse tchau-tchau legal? — perguntou ele. Parecia ter dificuldade em olhar para qualquer uma das duas visitantes, então olhou particularmente forte para Elena.
— Bem... não realmente. Não é assim, — disse Elena. Ela se perguntava se Damon era capaz de jogar Meredith pela janela do quinto andar.  Melhor tornar isso fácil para ele, aos poucos....
— Porque nós vamos com você, — disse Meredith e Bonnie disse:
 Esquecemos de nos preparar, no entanto.
Elena deslizou rapidamente para ficar entre Damon e as outras. Mas Damon só olhava para o chão.
— É uma má ideia, — disse ele baixinho. — Uma muito, muito, muito má ideia.
— Damon, não as Influencie! Por favor! — Elena balançou as duas mãos para ele, num gesto de urgência, e Damon levantou uma das mãos em um gesto de negação e de alguma forma suas mãos se tocaram e enroscaram.
Choque elétrico. Mas um bom, pensou Elena, embora realmente ela não tenha tido tempo para pensar nisso. Ambos estavam tentando desesperadamente trazer suas mãos de volta para si, mas não pareciam ser capazes de fazer isso. Pequenas ondas de choque estavam correndo da palma de Elena através de todo o seu corpo.
Finalmente, eles se soltaram, e, em seguida, ambos voltaram, em um uníssono culpado, a olhar para Bonnie e Meredith, que estavam olhando para eles com olhos enormes. Olhos desconfiados. Olhos que pertenciam a rostos que diziam: — Aha! O que temos aqui?
Houve um longo momento em que ninguém se moveu ou falou.
Em seguida, Damon disse a sério, — Isto não é algum tipo de viagem de prazer. Vamos, porque não há outra escolha.
— Não sozinhos, vocês não estão, — Meredith disse em um tom neutro.
— Se Elena vai, todos nós vamos.
— Sabemos que é um lugar ruim, — disse Bonnie, — mas estamos definitivamente indo com você.
— Além disso, temos a nossa própria agenda, — acrescentou Meredith.
— Uma maneira de limpar Fell's Church do dano que Shinichi fez e ainda está fazendo.
Damon balançou a cabeça. — Vocês não entendem. Vocês não vão gostar, — disse ele firmemente. Balançou a cabeça para seu celular. — Não há energia elétrica lá dentro. Mesmo possuir um desses é crime. E o castigo para qualquer crime é tortura e morte. — Ele deu um passo em sua direção.
Meredith se recusou a ir para trás, seu escuro olhar fixo no dele.
— Olha, você nem percebe o que tem que fazer só para entrar, — disse Damon friamente. — Primeiro, você precisa de um vampiro e tem sorte de ter um. Então você tem que fazer todos os tipos de coisas que não vai gostar...
— Se Elena pode fazer isso, podemos fazer também — Meredith interrompeu calmamente.
— Não quero que nenhuma de vocês se machuque. Estou indo por causa de Stefan, — Elena disse apressadamente, falando em parte aos seus amigos e, em parte, ao núcleo mais profundo do seu ser, onde as ondas de choque e os pulsos da eletricidade chegaram finalmente. Como uma fusão estranha, uma doçura latejante por algo que tinha começado como um choque. Um choque feroz causado pelo simples toque da mão de outra pessoa.
Elena afastou seus olhos do rosto de Damon e voltou para o argumento do por que estava indo.
— Você está indo por Stefan, sim, — Meredith estava dizendo a ela, — e nós vamos com você.
— Estou dizendo, você não vai gostar. Vai se arrepender por... por sua vida, isso sim, — Damon estava falando sem rodeios, a sua expressão sombria.
Bonnie simplesmente olhou para Damon com seus largos e suplicantes olhos castanhos em seu rosto pequeno em formato de coração. Suas mãos estavam entrelaçadas na base da sua garganta. Ela parecia uma fotografia em um cartão Hallmark, Elena pensou. E seus olhos valiam mais do que mil argumentos lógicos.
Finalmente, Damon olhou para Elena. — Você provavelmente está levando-as para a morte, você sabe. Você, eu provavelmente poderia proteger. Mas você e Stefan, e suas duas pequenas amigas adolescentes... Eu não posso.
Ouvir isso dessa forma foi um choque. Elena não havia pensado nisso dessa forma. Mas ela podia ver a determinação na mandíbula de Meredith e na forma que Bonnie tinha subido um pouco na ponta dos pés para tentar parecer maior.
— Acho que já foi decidido, — disse ela calmamente, consciente de que sua voz tremeu.
Houve um longo momento, enquanto olhava para os olhos escuros de Damon, e então de repente ele mostrou seu sorriso de 250 quilowatts para todas elas, fechou-o tão rápido quanto tinha começado, e disse: — Estou vendo. Bem, nesse caso, tenho que fazer outra coisa. Posso não estar de volta por um bom tempo, então sintam-se à vontade para usar o quarto.
— Elena deveria vir para o nosso quarto, — disse Meredith. — Tenho muito material para mostrar a ela. E se não podemos levar muito com a gente, vamos ter ver tudo isso esta noite.
— Então, vamos dizer que nos encontramos novamente aqui de madrugada, — disse Damon. — Partiremos para o Portal do Demônio daqui. E lembrem-se: não tragam dinheiro; isso não é bom lá. E isso não são férias, mas perceberão isso em breve.
Com um gesto irônico e gracioso, ele entregou a bolsa de Elena a ela.
— O Portal do Demônio? — Bonnie disse enquanto elas iam para o elevador. Sua voz tremeu.
— Calma, — disse Meredith. — É apenas um nome.
Elena desejou não perceber tão bem quando Meredith estava mentindo.

4 comentários:

  1. To sentido falta do Stefan....

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    Respostas
    1. também estou sentindo falta dela

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    2. Tbm sinto falta do stefan e to odiando essa afinidade toda da Elena com o Damon

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