13 de novembro de 2015

Capítulo 11

Elena contemplou como o rifle do Sr. Smallwood girava na terra. Desfrutou a expressão no rosto do homem quando este girou ao seu redor para procurar o que o havia arrebatado. E sentiu a aprovação de Damon do outro lado da zona iluminada, feroz e ardente como o orgulho de um lobo ante a primeira presa de seu filhote. Mas quando viu Stefan caído no chão, esqueceu de tudo. Uma fúria imensurável a deixou sem alento e Elena começou a avançar para ele.
— Parem! Parem todos agora, exatamente onde estão!
O grito chegou junto ao guinchar de pneus. Alaric saltou do carro praticamente antes que este parasse de se mover.
— O que está acontecendo aqui? — exigiu, avançando a grandes passos até os homens.
Ao ouvi-lo, Elena retrocedeu automaticamente para as sombras, e naquele momento contemplou os rostos dos homens enquanto eles se viravam para o recém-chegado. Além do Sr. Smallwood, reconheceu o Sr. Forbes e o Sr. Bennett, pai de Vickie Bennett. Os outros deviam ser os pais dos outros dois garotos que estiveram com Tyler no barracão.
Foi um dos desconhecidos que respondeu a pergunta, com uma enunciação lenta que não conseguia ocultar todo o nervosismo subjacente.
— Bem, nós cansamos de continuar esperando. Decidimos acelerar um pouco as coisas.
O lobo grunhiu. Foi um som grave que se elevou até se converter em um grunhido parecido ao de uma motosserra. Todos os homens retrocederam com um estremecimento e os olhos de Alaric se moveram ao notar a presença do animal pela primeira vez.
Outro som, mais pausado e continuado, vinha de uma figura junto a um dos carros. Caroline Forbes choramingava sem parar.
— Pensei que só queriam falar com ele. Eles não me disseram o que iam fazer.
Alaric, um olho posto no lobo, apontou para ela com um gesto.
— E iam deixar que ela presenciasse-se isto? Uma menina? Vocês se dão conta dos danos psicológicos que isso lhe poderia causar?
— O que o dano psicológico importa quando arrancarem sua garganta? — replicou o Sr. Forbes, e houveram gritos de concordância. — É isso o que nos preocupa.
— Nesse caso, é melhor que se preocupem em encontrar o homem certo — devolveu Alaric. — Caroline — acrescentou, se virando para ela. — Quero que pense. Não chegamos a finalizar nossa sessão. Sei que quando paramos, você pensou ter reconhecido Stefan. Mas tem certeza que foi ele? Pode ter sido outra pessoa, alguém que se parecesse com ele?
Caroline se levantou, apoiando-se no carro e levantando o rosto manchado de lágrimas. Olhou Stefan, que acabava de se sentar no chão, e então para Alaric.
— Eu...
— Pense, Caroline. Tem que ter certeza absoluta. Existe alguma outra pessoa que pudesse ter sido, como...?
— Como aquele garoto que disse se chamar Damon Smith — Elena ouviu a voz de Meredith; a garota era uma sombra esbelta de pé junto ao carro de Alaric. — Lembra, Caroline? Ele veio no primeiro encontro de Alaric. Parece com Stefan em alguns aspectos.
A tensão manteve Elena em perfeita imobilidade enquanto Caroline arregalava os olhos, perplexa. Então, lentamente, a garota de cabelos cor de mel começou a assentir.
— Sim... pode ter sido, acho. Tudo aconteceu tão depressa... Mas pode ter sido.
— E você não pode ter certeza de qual foi? — perguntou Alaric.
— Não... não com absoluta certeza.
— Viram — disse Alaric. — Eu disse a vocês que ela precisava de mais sessões, que não podíamos ter certeza de nada ainda. Ela ainda está muito confusa.
Ele avançava, com cuidado, até Stefan. Elena notou que o lobo voltava a retroceder para as sombras. Podia vê-lo, mas os homens provavelmente não.
O desaparecimento do animal os tornou mais agressivos.
— Do que está falando? Quem é esse Smith? Nunca o vi.
— Mas sua filha, Vickie, provavelmente o viu, Sr. Bennett — respondeu Alaric. — Isso poderia aparecer na próxima sessão com ela. Falaremos disso amanhã; podemos esperar esse tempo. Agora creio que o melhor será que levem Stefan a um hospital.
Alguns dos homens se mostraram inconformados.
— Oh, certamente, e enquanto nós esperamos alguma coisa acontecer — começou a dizer o Sr. Smallwood. — A qualquer momento, em qualquer lugar...
— Então vocês simplesmente farão justiça com as próprias mãos? — indagou Alaric, e sua voz se tornou dura. — Mesmo que tenham o suspeito certo ou errado? Onde estão as provas que esse garoto possui poderes sobrenaturais? Que provas vocês têm? Quanta resistência sequer ele impôs? 
— Tem um lobo por aqui que se opôs com muita resistência — replicou o Sr. Smallwood com o rosto ruborizado. — Além do mais, está junto com ele.
— Não vejo nenhum lobo. Vi um cachorro. Talvez um dos cachorros que escaparam da quarentena. Mas o que isso tem a ver? Eu lhes digo que em minha opinião profissional, vocês pegaram o homem errado.
Os homens titubearam, mas ainda existia alguma dúvida em seus rostos.
Meredith tomou a palavra.
— Creio que deveriam saber que houve ataques de vampiros neste condado anteriormente — disse. — Muito tempo antes de Stefan chegar aqui. Meu avô foi uma vítima. Talvez alguns de vocês tenham ouvido falar disso — olhou em direção a Caroline.
Aquilo pôs fim a questão. Elena viu como os homens trocaram olhares inquietos e retornaram para seus carros. De repente todos eles pareciam ansiosos para estar em outro lugar.
O Sr. Smallwood foi o único que ficou para trás para dizer:
— Disse que falaríamos sobre isso amanhã, Saltzman. Quero ouvir o que meu filho dirá na próxima vez que o hipnotizarem.
O pai de Caroline puxou sua filha e a empurrou para dentro do carro com pressa, murmurando algo sobre aquilo ser um erro e que ninguém o levava a sério.
Quando o último carro foi embora, Elena correu para junto de Stefan.
— Você está bem? Eles te machucaram?
Ele se afastou do braço de Alaric que o sustentava.
— Alguém me golpeou por trás enquanto eu conversava com Caroline. Estou bem. Agora... — dirigiu um olhar veloz para Alaric. — Agradeço. Mas por quê?
— Ele está do nosso lado — explicou Bonnie, reunindo-se a eles. — Eu disse a vocês. Então, Stefan, você está bem de verdade? Por um segundo pensei que eu fosse desmaiar aqui. Eles não falavam sério. Quero dizer, eles não pensavam realmente em...
— Sério ou não, não acho que devamos permanecer aqui — apontou Meredith. — Precisa realmente ir a um hospital?
— Não — respondeu Stefan enquanto Elena examinava com ansiedade o corte em sua cabeça. — Só preciso descansar. De algum lugar para me sentar.
— Tenho minhas chaves. Vamos para a sala de história — disse Alaric.
Bonnie passava os olhos pela escuridão com apreensão.
— O lobo também? — perguntou, e logo tomou um susto quando uma sombra adquiriu solidez e se transformou em Damon.
— Que lobo? — perguntou ele.
Stefan se virou levemente, fazendo uma careta de dor.
— Obrigado a você também — disse friamente.
Mas os olhos de Stefan permaneceram em seu irmão com algo parecido com perplexidade enquanto se encaminhavam ao edifício da escola.


No corredor, Elena se encostou ao lado dele.
— Stefan, como é que não notou que eles se aproximavam pelas suas costas? Por que estava tão fraco?  — Stefan sacudiu a cabeça evasivamente, e ela continuou: — Quando foi a última vez que você se alimentou? Stefan, quando foi? Sempre dá alguma desculpa quando ando por aí. O que está tentando fazer? 
— Estou bem — disse. — De verdade, Elena. Caçarei mais tarde.
— Promete?
— Prometo.
Naquele momento, não ocorreu a Elena que não tinham dito o que era “mais tarde”. Deixou que ele a conduzisse ao corredor adiante.
A sala parecia diferente durante a noite aos olhos de Elena. Havia uma atmosfera estranha nela, como se as luzes fossem fortes demais. Naquele momento, todas as mesas estavam colocadas de lado e haviam cinco cadeiras diante da mesa de Alaric. Ele, que acabara de organizar os móveis, convenceu Stefan a ocupar seu próprio assento acolchoado.
— Bem, por que vocês também não se sentam?
Todos se limitaram a olhá-lo. Em um instante, Bonnie se deixou cair em uma cadeira, mas Elena permaneceu junto a Stefan, Damon ficou encostado na metade do caminho entre o grupo e a porta, e Meredith empurrou alguns papéis até a parte central da mesa de Alaric e se acomodou em um canto dela.
O olhar de professor desapareceu de Alaric.
— Muito bem — disse, e se sentou em uma das cadeiras para alunos. — Bem. 
— Bem — repetiu Elena.
Um olhou para o outro. Elena pegou um pedaço de algodão da caixa de primeiros socorros que arrumara na entrada da escola e começou a dar ligeiros toques na cabeça de Stefan.
— Creio que é hora da explicação — disse.
— Certo. Sim. Bem, todos parecem ter adivinhado que não sou um professor de historia...
— Nos primeiros cinco minutos — apontou Stefan.
A voz dele soou tranquila e perigosa, e com um estremecimento, Elena percebeu que ela se parecia com a de Damon.
— Então, o que você é? 
Alaric fez um gesto de desculpas e respondeu quase com timidez:
— Um psicólogo. Não do tipo que usa um divã — disse apressadamente quando os outros trocaram olhares. — Sou um investigador, um psicólogo experimental. Da Universidade Duke. Vocês sabem, onde iniciam os experimentos sobre percepção extras sensorial.
— Onde eles fazem você adivinhar o que há na cartolina sem ver? — perguntou Bonnie.
— Sim, bom, tem ido mais longe do que isso agora. Ainda que não me importaria de fazer uma prova com as Cartas de Rhine, em especial quando se está em uma dessas confusões — o rosto de Alaric se iluminou com um interesse científico. Então limpou a garganta e continuou. — Mas... ah... como dizia, começou há dois anos, quando fiz um trabalho sobre parapsicologia. Eu não tentava demonstrar que existiam poderes sobrenaturais, só queria estudar qual seu efeito psicológico nas pessoas que o possuem. Bonnie, aqui presente, é um desses casos — a voz de Alaric adotou um tom de confidência. — O que lhe provoca mentalmente, emocionalmente, ter que lidar com esses poderes?
— É terrível — interrompeu Bonnie com veemência. — Não os quero. Eu os odeio.
— Bem, então — disse Alaric. — Tinha proporcionado um estudo fantástico. Meu problema era que eu não tinha ninguém com autênticos poderes para examinar. Havia uma grande quantidade de farsantes: curadores com cristais, videntes, canalizadores, tudo o que se pode pensar. Mas não pude encontrar nada genuíno até que recebi uma informação de um amigo do corpo de polícia. Havia uma mulher na Carolina do Sul que afirmava ter sido mordida por um vampiro e que desde então padecia de pesadelos psíquicos. Até então eu estava tão acostumado com os farsantes que esperava que fosse só mais um. Mas não era, não ao menos a respeito da mordida. Jamais pude provar que tivesse poderes psíquicos. 
— Como você podia ter certeza de que havia sido mordida? — perguntou Elena.
— Havia provas médicas. Restos de saliva nas feridas que eram similares à saliva humana... mas não eram. Continha um agente anti-coagulante similar ao que se encontra na saliva das sanguessugas... — Alaric parou e então prosseguiu a toda pressa. — Em todo caso, eu tinha certeza. E foi assim que começou. Uma vez que me convenci de que algo havia realmente acontecido a ela, comecei a procurar outros casos como o dela. Não havia uma grande quantidade deles, mas existia. Pessoas que tinham tropeçado com vampiros. Abandonei todos meus estudos e me concentrei em localizar vítimas de vampiros e examiná-las. E, modéstia a parte, tornei-me o especialista mais importante nesse campo — concluiu. — Escrevi vários trabalhos...
— Mas nunca tinha visto um vampiro de verdade — interrompeu Elena. — Até agora, quero dizer. Não é?
— Bom... não. Não, em carne e osso. Mas escrevi monografias... e coisas — sua voz foi se apagando.
Elena mordeu o lábio.
— O que fazia com os cachorros? — perguntou. — Na igreja, quando agitava as mãos na direção deles.
— Ah... — Alaric pareceu envergonhado — aprendi algumas coisas aqui e ali, sabe como é. Eram gestos que um velho da montanha me ensinou para afastar o mal. Pensei que podia funcionar.
— Você tem muito o que aprender — comentou Damon.
— Evidentemente — respondeu friamente, e então se deu de ombros. — Na realidade, imaginei isso quando cheguei aqui. Seu diretor, Brian Newcastle, tinha ouvido falar de mim. Conhecia os estudos que realizo. Quando mataram Tanner e o Dr. Feinberg e não se encontrou sangue no corpo, mas lacerações feitas por dentes no pescoço... Bom, me chamaram. Pensei que podia ser uma grande oportunidade para mim... um caso com um vampiro na área. O único problema foi que quando cheguei aqui, me dei conta que esperavam que eu desse um jeito no vampiro. Não sabiam que eu só havia lidado com as vítimas. E, bom, talvez isso me superasse. Mas fiz todo o possível para justificar sua confiança...
— Fingiu — disse Elena — Isso foi o que você fez quando o ouvi falando com eles na sua casa sobre encontrar nosso suposto covil e tudo mais. Simplesmente improvisava.
— Bom, não exatamente — disse. — Teoricamente, sou um expert — então percebeu as palavras de Elena. — A que se refere quando diz que me ouviu falar com eles?
— Enquanto você estava fora procurando um covil, ela dormia em seu sótão — lhe informou Damon secamente.
Alaric abriu a boca e logo voltou a fechá-la.
— O que gostaria de saber é como Meredith entra nisso tudo — interveio Stefan, e não sorria.
Meredith, que contemplava pensativamente a bagunça de papéis que estava na mesa de Alaric durante todo aquele tempo, levantou os olhos. Falou sem se alterar, sem emoção.
— Eu o reconheci, sabe? Não conseguia me lembrar de onde no início, porque já fazia três anos. Então compreendi que foi no hospital onde estava meu avô. O que contei a esses homens é a verdade, Stefan. Meu avô foi atacado por um vampiro — houve um curto silêncio, e ela continuou falando. — Aconteceu há muito tempo, antes que eu nascesse. Não houve muitas sequelas, mas ele jamais se recuperou completamente. Se tornou... Bom, algo parecido com o que aconteceu a Vickie, só que mais violento. Chegou a tal ponto que tiveram medo que fizesse mal a si mesmo ou a alguma outra pessoa. E foi assim que o levaram a um hospital, um lugar onde estaria a salvo.
— Um hospital para doentes mentais — disse Elena, e sentiu uma pulsada de compaixão pela garota de cabelos escuros. — Ah, Meredith. Por que você não disse nada? Podia ter nos contado.
— Eu sei. Deveria ter contado... mas não podia. A família o manteve em segredo por muito tempo; ou tentou, pelo menos. Pelo que Caroline escreveu em seu diário, evidentemente ouviu algo sobre isso. A questão é que ninguém jamais acreditou nas historias do meu avô sobre o vampiro. Simplesmente pensaram que era outro de seus delírios, e ele tinha muitos. Nem eu sequer acreditava... até que Stefan chegou. E então... não sei, minha mente começou a encaixar coisas sem importância. Mas realmente não acreditava de verdade até que você voltou, Elena.
— Me surpreende que não me odiasse — Elena falou em voz baixa.
— Como podia odiá-la? Eu a conheço e conheço Stefan. Sei que não são malvados — Meredith não olhou para Damon; o ignorava, como se nem ao menos estivesse ali. — Mas quando lembrei de ter visto Alaric falando com meu avô no hospital, soube quem ele era. Não sabia exatamente como reunir todos vocês e mostrar isso.
— Nem eu a reconheci — disse Alaric. — Ele a chamava de outra forma; o pai de sua mãe, não é? E pode ser que eu a tenha visto rondando a sala de espera alguma vez, mas você não era mais do que uma garotinha de pernas finas. E então mudou — disse como um elogio.
Bonnie tossiu com um som muito significativo.
Elena tentava organizar as coisas em sua mente.
— Então o que os homens faziam lá fora com uma estaca se você não lhes disse para estar ali?
— Tive que pedir permissão aos pais de Caroline para hipnotizá-la. E os informei sobre o que descobri. Mas se você pensa que tive algo a ver com o que aconteceu esta noite, está errada. Eu nem sequer sabia.
— Contei a ele o que temos feito, como temos estado procurando o Outro Poder — explicou Meredith. — E ele quer ajudar.
— Disse que poderia ajudar — Alaric disse com cautela.
— Errado — disse Stefan. — Ou está conosco ou contra nós. Agradeço pelo o que fez lá fora, ao falar com eles, mas continuo de pé. Para começar, você deu início a grande parte disso. Agora tem que decidir: está do nosso lado... ou do deles?
Alaric olhou para cada um deles, observou o firme olhar de Meredith e as sobrancelhas arqueadas de Bonnie, Elena sentada no chão e a cabeça de Stefan que já cicatrizava. Então desviou os olhos para Damon, que estava encostado contra a parede, sombrio e taciturno.
— Eu ajudarei — disse por fim. — Demônios, é o estudo definitivo.
— Então está certo — concordou Elena. — Você está dentro. Agora, o que acontecerá com o Sr. Smallwood amanhã? E se ele quiser que você volte a hipnotizar Tyler?
— Vou enrolá-lo — respondeu. — Não funcionará eternamente, mas nos dará tempo. Direi que terei que ajudar no baile...
— Espere — disse Stefan. — Não deveria haver um baile, não se há um modo de evitá-lo. Você está tendo boas relações com o diretor; pode falar com o Conselho Escolar. Faça com que o cancelem.
Alaric pareceu sobressaltado.
— Acha que vai acontecer algo?
— Sim — respondeu Stefan. — Não só pelo o que aconteceu nas festividades anteriores, mas porque algo esta sendo preparado. Há algo se formando a semana toda; posso notar.
— Eu também — disse Elena.
Não tinha reparado nele até aquele momento, mas a tensão que sentia, a sensação de emergência, não estavam simplesmente dentro dela. Estava fora, em todas as partes. Diferenciava o ambiente.
— Algo vai acontecer, Alaric.
Alaric soltou o ar com um suspiro pausado.
— Bem, posso tentar convencê-los, mas... não sei. O diretor está empenhado em manter um aspecto de normalidade o tempo todo. E não é como se eu pudesse dar uma explicação racional para querer evitá-lo.
— Se esforce — respondeu Elena.
— Tentarei. E você deveria tentar se proteger. Se o que Meredith me disse está correto, então a maioria dos ataques tem sido a você e às pessoas próximas a você. Jogaram seu namorado em um poço; perseguiram seu carro até atirá-lo num rio; arruinaram seu funeral. Meredith disse que até sua irmã mais nova foi ameaçada. Se algo for acontecer amanhã, será melhor que saia da cidade.
Foi então que Elena se tocou. Nunca tinha pensado nos ataques desse modo, mas ele estava certo. Olhou como Stefan respirava com força e sentiu que os dedos dele se fechavam com mais força sobre os seus.
— Tem razão — disse Stefan. — Deve ir, Elena. Posso ficar até que...
— Não. Não vou sem você. E... — Elena prosseguiu lentamente, considerando com cuidado — não vou a lugar algum até que encontremos o Outro Poder e o detenhamos — levantou os olhos para ele muito séria, falando depressa agora. — Stefan, você não se dá conta, ninguém mais tem sequer uma possibilidade contra ele. O Sr. Smallwood e seus amigos não tem nem ideia. Alaric pensa que pode combatê-lo agitando as mãos. Nenhum deles sabe o que enfrentamos. Somos os únicos que podem ajudar.
Via a resistência nos olhos de Stefan e sentia a tensão em seus músculos. Mas à medida que continuava encarando-o, viu suas objeções caírem uma a uma. Pelo simples motivo de que era a verdade e Stefan odiava mentir.
— Tudo bem — disse por fim, com pesar. — Mas quando isso acabar, nós vamos embora. Não vou deixar que fique em uma cidade que grupos vigilantes correm com estacas.
— Sim — concordou ela, devolvendo a pressão de seus dedos nos dele. — Quando isso acabar, vamos embora.
Stefan virou a cabeça para Alaric.
— E se não houver um modo de dissuadi-los a impedir o baile de amanhã, acho que devemos manter uma vigilância sobre ele. Se finalmente acontecer algo, talvez possamos detê-lo antes que saia do controle.
— Essa é uma boa ideia — concordou Alaric, se animando. — Podíamos nos reunir amanhã depois do escurecer, aqui, na sala de aula de historia. Ninguém vem aqui. Poderíamos vigiar a noite. toda
Elena dirigiu um duvidoso olhar para Bonnie.
— Bom... significa perder o baile em si; para aqueles de nós que poderiam ter ido, quero dizer.
Bonnie se ergueu completamente.
— Bom, quem se importa de perder um baile? — respondeu indignada. — O que importa um baile para alguém?
— Tudo bem — disse Stefan em tom sério. — Então está decidido. 
Um espasmo de dor pareceu percorrê-lo e ele fez uma careta, olhando o chão. Elena se sentiu imediatamente preocupada.
— Você precisa ir para casa descansar. Alaric, pode nos levar no carro? Não é muito longe.
Stefan declarou que era perfeitamente capaz de andar, mas acabou cedendo. Uma vez na hospedaria, depois que Stefan e Damon saíram do carro, Elena se inclinou por sobre a janela de Alaric para fazer uma última pergunta. Era algo que estava atormentando sua mente desde o momento em que Alaric havia lhes contado sua história.
— A respeito dessas pessoas que haviam tropeçado com vampiros — disse. — Quais eram os efeitos psicológicos? Quero dizer, todos ficavam loucos ou tinham pesadelos? Algum deles seguiram adiante normalmente?
— Depende do indivíduo — respondeu. — De quantos encontros tenham tido e que tipo de contato foi. Mas em sua maioria, depende da personalidade da vítima, do quão bem pudessem lidar com isso em sua mente.
Elena assentiu e não disse nada até que os faróis do carro de Alaric tivessem sido engolidos pelo ar inundado de flocospedaços de neve. Então, se virou para Stefan.
— Matt.

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