7 de novembro de 2015

Capítulo 11 - Embora fosse criar uma ferida dentro de si que doeria pela eternidade, Nyx sabia que Kalona devia ser parado...


E assim as eras passaram. No início, tudo estava bem no Outromundo. A Deusa não estava mais sozinha. Ela tinha um guerreiro e amante, um companheiro e amigo. Nyx prosperou e, assim fez o Outromundo.
Os filhos de Nyx, criados pela Mãe Terra antes de se retirar para dormir dentro de si mesma, prosperaram bem, apesar de ambos os imortais estarem bem. Muitos não eram fortes o suficiente para sobreviver à Mudança, mas aqueles que o fizeram eram o melhor da humanidade, os mais bravos e mais fortes, os mais brilhantes e talentosos. Em solidariedade, eles nomearam-se vampiros, os filhos de Nyx, e desenvolveram uma sociedade de mulheres honradas como Deusas, e homens de valor para seus papéis de guerreiro e amante, companheiro e amigo. Nyx estava tão satisfeita com os seus filhos que às vezes lhes dava dons com base nos cinco elementos sobre os quais a amiga tinha concedido seu domínio. Mas não importava o quanto eles a agradassem, ou quantas vezes Nyx concedesse dons aos vampiros, a Deusa tinha certeza de que não apareceria com muita frequência na vida deles. A Mãe Terra lhe ensinara uma valiosa lição. O amor não pode prosperar se for estritamente controlado. Nyx prometeu que não controlaria seus amados filhos, que eles sempre teriam livre-arbítrio, eles escolhendo usar essa liberdade com sabedoria ou não.
Apesar de ela por vezes sentir muito por ter feito essa promessa, a Deusa nunca quebrou seu juramento.
Nyx às vezes também se arrependia de terem prometido nunca mais falar daquela noite, quando a primeira de seus filhos havia sido criada. O voto tinha boas intenções de proteger seus filhos. O que a Deusa não tinha percebido então era que naquela noite de silêncio ela também perdera a oportunidade de explicar muitas coisas para Kalona, ​​e em retorno lhe pedir uma explicação para muitas outras coisas também.
Eles nunca falaram sobre o que aconteceu quando Kalona tinha aparecido no gêiser, ou da superstição estranha que fizera o xamã realizar o sacrifício de sangue para Kalona.
Em sua mente, Nyx frequentemente repetia o canto que o xamã tirecitara antes de sacrificar a menina.
“O que eu faço, eu faço para dois
Um para ela
E um para você”
O que o velho queria dizer? Nyx acreditava que o “você” de quem ele havia cantado era Kalona. O “ela” poderia não ter significado a donzela, mas sim se referido à própria deusa?
Não saber assombrava Nyx, especialmente já que, obrigada por seu próprio juramento, ela não poderia falar suas dúvidas para ninguém, muito menos para Kalona, ​​que parecia cada vez mais não querer conversar com ela sobre muitas coisas.
Nyx tentou falar com Kalona sobre Mãe Terra, a quem ela sentia falta terrivelmente. Kalona evitara o tema de sua mãe postiça e ficou em silêncio.
Quando Nyx perguntou em voz alta o que poderia ter acontecido com a pequena L’ota, que desapareceu na mesma noite que Erebus e Kalona entraram no Outromundo, Kalona tinha só o silêncio como resposta.
O silêncio de Kalona começou a alongar e se estender, até que havia pouco que ele e Nyx eram capaz de conversar, e que a única coisa que não era estranha entre eles era a chama que queimava quando seus corpos estavam unidos.
Mas Nyx precisava de mais do que paixão sem palavras para ser feliz, e ela se viu mais e mais frequentemente se voltando para Erebus como companheiro.
O imortal dourado não era seu amante, mas ele incorporou o papel de Consorte mais completamente do que Kalona. Erebus falava com ela facilmente; não havia nada escondido entre eles. Erebus realmente a ouvia, sem orgulho ou inveja, e tinha a capacidade de fazê-la rir.
Quanto mais Nyx se aproximava de Erebus, mais afastado Kalona se tornava, até que ele parou de buscar consolo junto ao corpo da Deusa. No silêncio maligno que cresceu entre eles, Kalona foi preenchido com um ciúme que nunca tinha realmente acabado, e o ciúme gerou a raiva.
Foi então que a Escuridão começou a atacar o Outromundo.
Na primeira vez em que isso aconteceu, Nyx estava ao sol na varanda de Erebus, aproveitando a luz da manhã. Lembrou-se que Erebus tinha feito um brinquedo de pena para o gato selvagem que seguia Nyx por todo o Outromundo, e que ela estava rindo como uma menina pela obsessão do gato com a pena quando algo escuro e terrível deslizara por sobre a borda da varanda e envolveu-se em torno de perna traseira do gato, fazendo com que ele uivasse de dor.
Nyx gritara em temor, e Kalona apareceu de repente como um deus vingador, asas e olhos em âmbar brilhante. Ele espetara a criatura rastejante com sua lança de obsidiana. Nyx pegou o gato e correu para os braços de Kalona. Ele a abraçou, afagando o cabelo dela, sussurrando promessas, até que ela parara de tremer.
— O que foi isso? — Nyx lhe perguntara.
— A Escuridão — Kalona respondeu com a voz cheia de raiva.
— Como ela entrou aqui? — Erebus perguntara enquanto enfaixava delicadamente o sangramento na perna do gato.
— Você que me diz, irmão. Foi você quem estava sozinho com a Deusa quando tudo aconteceu.
Erebus não tinha resposta para seu irmão, e nem Nyx. Mas o que começara naquele dia continuou a ocorrer com mais frequência até que quase todos os dias Kalona lutava contra algum tipo de Escuridão.
No início, os ataques aproximaram Kalona e Nyx mais uma vez. Eles tornaram-se amantes novamente por um breve e belo tempo. A Deusa solicitava sua companhia, e eles encontraram uma maneira de falar um com o outro.
Kalona até mesmo concordou alegremente em visitar o reino mortal com Nyx enquanto ela fazia uma aparição para seus filhos prediletos, os vampiros, enquanto eles batizavam a primeira House of Night em homenagem à sua Deusa da Noite.
Mas a visita terminou em ciúme e raiva quando Nyx comentou alegremente:
— Olhe, Kalona, há tantos gatos aqui! Eles são algum tipo de familiares amorosos dos meus filhos.
— Sim, tenho certeza de que Erebus ficará excitado com a alegria que seu presente ainda traz a você — Kalona brincara, em seguida, ficou em silêncio.
Nyx não podia dizer nada, não sobre o presente Kalona lhe dera naquela noite, e como esse presente a agradava mais do que qualquer criatura mortal podia. Não, Nyx não podia dizer nada. Seu próprio juramento a silenciou. Ela só podia ver como ciúme e a raiva lutavam dentro Kalona enquanto eles voltavam para o Outromundo, quando uma grande criatura de muitas cabeças com chifres e dentes como punhais os atacou.
Kalona a destruiu, escoltou Nyx até sua câmaras e, em seguida, sem falar, a deixou lá sozinha, enquanto procurava mais inimigos para matar.
Naquela noite, Nyx chorou amargamente enquanto o aviso da Mãe Terra ecoava em sua memória: “Observe Kalona. Se ele começa a mudar, será porque sua raiva cresceu mais do que o seu amor. Se ele permitir que a raiva o consuma, também consumirá você e seu reino.”
Nyx percebeu o que estava acontecendo. A raiva de Kalona estava consumindo o seu amor e o Outromundo, também. Embora fosse criar uma ferida dentro de si que doeria pela eternidade, Nyx sabia que Kalona devia ser parado.

* * *

— Você me chamou?
Nyx se vestira com cuidado, escolhendo o vestido que usara naquele dia, há muito tempo quando o seu amor era algo novo e Kalona criara a cachoeira para ela, e eles compartilharam seus corpos pela primeira vez.
Ao som de sua voz, Nyx virou-se para ele, enchendo o seu sorriso com todo o amor que ela sentiria eternamente por ele, e desejando desesperadamente que ele sorrisse igualmente, a pegasse em seus braços e colocasse a raiva de lado.
— Você não deveria estar aqui sozinha, especialmente tão perto do limite de nosso reino — Kalona disse, caminhando ao redor da Árvore do Desejo que estava no pedaço de terra vermelha que era a entrada do Outromundo. Quando ele finalmente olhou para ela, seus olhos âmbar eram duros.
— Será que meu guerreiro derrotou completamente o meu amante? — Nyx perguntou a ele.
Ele piscou em surpresa.
— Não entendi o que quis dizer — ele se aproximou dela, obviamente tentando guiá-la de volta para o palácio.
Nyx balançou a mão e caminhou propositadamente na terra batida na borda de seu reino. Kalona simplesmente cruzou os braços sobre o peito e a observou.
— Você entende o que eu te amo? — ela perguntou.
Mais uma vez, a surpresa cintilou através de seu olhar âmbar. Ele acenou com a cabeça, sem falar.
— Não. Que não haja mais silêncio entre nós. Responda-me, filho da lua. Você entende que eu te amo?
— Sim — ele respondeu. Depois acrescentou sem emoção na voz: — Você ama todos os seus subordinados.
— E você realmente acha que não há diferença entre o que sinto por você e o que sinto pelos outros?
— De que outros estamos falando? De seus vampiros ou seu Consorte? —
— Vejo as minhas respostas em suas perguntas. Você não entende que eu te amo, e que meu guerreiro derrotou meu amante.
Nyx inclinou a cabeça, preparando-se.
— Eu não entendo a entendo mais — Kalona comentou.
Nyx levantou a cabeça e encontrou seus olhos.
— Kalona, ​​meu guerreiro e amante, eu não mudei. Você sim.
— Não! Eu sou como sempre fui! — ele quase cuspiu as palavras para ela. — Eu nunca quis compartilhá-la Erebus.
— Ele não é meu amante!
— É o que você disse, repetidas vezes. No entanto, você sempre se volta para ele e se afasta de mim.
— Kalona, ​​sua mente está tão cheia de ciúme e raiva que você não consegue mais pensar claramente.
— Você já pensou que talvez eu apenas tenha começado a pensar com clareza?
— Oh, Kalona, ​​não! Você não pode ver a si mesmo? Onde está sua alegria, foi embora?
— Você a matou quando o escolheu ao invés de mim!
— Eu nunca fiz isso — disse Nyx. — Diga-me o que posso fazer para ajudá-lo a se livrar da raiva que o está destruindo e para encontrar a sua alegria em nosso amor novamente.
— Livre-se de Erebus.
Embora ela tivesse criado expectativas em relação à Kalona, eventualmente, pedir isso era demais para dela. Ainda assim, Nyx sentiu o choque no centro de seu ser.
— Seu irmão foi criado para ser meu amigo e companheiro, como você foi criado para ser o meu guerreiro e amante.
— Eu não posso suportar isso por mais tempo. Não vou compartilhá-la! — Kalona caminhou na direção de Nyx e ficou de joelhos, sua emoção transbordando com lágrimas que lavaram seu rosto. — Como seu guerreiro e amante, eu peço. Me escolha. Exile Erebus para que você e eu possamos passar a eternidade juntos sem essa Escuridão entre nós. Se não fizer isso, juro que deixarei este reino e o desespero que ele provocou em mim.
Nyx olhou para ele com igual medida de tristeza e resignação.
— Kalona, eu não exilarei Erebus. Nem agora, nem nunca!
As lágrimas de Kalona secaram e sua expressão ficou dura como pedra.
— Se você acha que estou simplesmente blefando, você está errada.
— Eu acredito em sua escolha. Sei que você tomou a sua decisão — disse Nyx. — Saiba que onde quer que esteja, o que você fizer, eu o amarei eternamente, mas eu fiz a minha escolha também. Não vou banir Erebus. Por sua própria vontade, Kalona, ​​você deve ir.
— Não faça isso! Você é minha!
— Eu não faço nada, Kalona. Você tem uma escolha nisso. Eu permito que meus guerreiros partam, embora eu não os obrigue a aproveitar essa liberdade sabiamente.
As lágrimas correram pelo rosto de Nyx, sendo absorvidas pelo vestido que ela escolhera com tanto carinho.
— Eu não tenho escolha nisso. Fui criado para sentir isto. Não é o livre-arbítrio. É predestinação — ele disse, com a voz rancorosa.
— No entanto, como sua Deusa, eu digo que você não está mais predestinado. Sua vontade foi formada por você.
Embora desse de ombros com desgosto, Nyx estava preenchida com o poder de uma Deusa inflexível.
— Eu não posso fazer nada em relação ao que sinto! Não posso fazer nada em relação ao que eu sou!
As palavras de Nyx embargaram-se, mas o comando nelas não foi diminuído.
— Você, meu guerreiro, está enganado; portanto, você deve pagar pelas consequências de seu erro.
Inundada por pesar, lágrimas e desespero, Nyx reuniu sua Energia Divina e arremessou as consequências de sua própria escolha para ele, empurrando-o para trás com tanta força que Kalona foi erguido do chão e arremessado para baixo, para baixo, para o negro do éter que separava os reinos.
E Kalona caiu.
Lenta e infelizmente, Nyx andou de volta para seu palácio e fez todo o caminho até seu quarto antes de cair no chão, soluçando como se sua alma estivesse partida.

* * *

O gato trouxe Erebus para ela. Ele levantou Nyx em seus braços como se ela não pesasse mais do que uma criança. Erebus a levou para a cama, onde lavou seu rosto com um pano frio e a persuadiu a beber um pouco de vinho. Só depois que ela parou de chorar, foi que ele perguntou:
— Ele foi embora?
Nyx balançou a cabeça, olhos escuros com tristeza.
— Ele foi embora.
Erebus tomou-lhe as mãos.
— Eu a ajudarei a reconquistá-lo.
— Obrigado, meu amigo — ela respondeu com a voz trêmula. — Mas eu não permitirei que ele retorne até ganhar o perdão pelos erros que ele cometeu e pelos erros que vai cometer.
— Concordo — disse Erebus. — Algum dia no futuro eu vou ajudá-lo a ganhar o seu perdão.
— Ele não vai deixar você ajudá-lo.
— Então ele não vai saber o que eu faço.
Nyx virou a cabeça e olhou para fora da janela com a beleza exuberante que o Outroundo possuía e enxugou a única lágrima que escapara dos seus olhos.
Muito abaixo, a mão de Kalona espelhou perfeitamente o gesto da Deusa, mas seu rosto não estava molhado de lágrimas. Em vez disso, ele teve um vislumbre seu nas águas plácidas do riacho preguiçoso, e viu que suas asas cor do luar tinham mudado para o preto da Escuridão. Ele tinha permitira a sua entrada no Outromundo de Nyx.
Cheio de raiva insaciável, Kalona rugiu a sua ira para o céu da noite e se perdeu completamente.

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