26 de novembro de 2015

Capítulo 10

Na manhã seguinte, Elena levantou-se e vestiu-se rapidamente no quarto do hotel, grata pelo espaço extra. Damon tinha ido embora, mas ela já esperava isso. Ele normalmente toma o seu café-da-manhã cedo quando estão na estrada, devorando garçonetes em paradas noturnas de caminhão ou em lanchonetes.
Ela pensava em discutir sobre isso com ele algum dia, pensou enquanto colocava o pó de café na cafeteira que foi providenciada pelo hotel. Tinha um cheiro bom.
Mas ela precisava urgentemente falar com alguém sobre o que tinha acontecido na noite passada. Obviamente, Stefan era a sua primeira opção, mas descobriu que, experiências fora do corpo não acontecem simplesmente quando ela queria. O que ela precisava fazer era ligar para Bonnie e Meredith. Tinha que conversar com elas – era seu direito – mas agora, justo agora, ela não podia. Intuitivamente, sentia que qualquer contato entre ela e Fell's Church poderia ser ruim.
E Matt não tinha chegado. Ela não tinha ideia de onde ele estava na estrada, mas era melhor ele estar em Sedona a tempo, era isso que importava. Ele deliberadamente tinha cortado o contato com eles. Certo.
Contanto que ele apareça onde prometeu.
Mas... Elena ainda precisava conversar. Se expressar.
É claro! Ela era uma idiota! Ainda tinha o seu fiel companheiro, que nunca disse uma palavra, e nunca a manteve esperando. Servindo-se de uma xícara de café preto pelando, Elena desenterrou o seu diário do fundo de sua mochila, e o abriu em uma página em branco. Não havia nada tão bom como uma caneta e uma página em branco para ela escrever.
Quinze minutos depois, houve um rangido na janela, e um minuto depois Damon passava por ela. Tinha vários sacos de papel com ele e Elena se sentiu inexplicavelmente feliz e acolhida. Ela tinha providenciado o café, que estava muito bom apesar de ter substituído o creme, por um em pó e Damon tinha fornecido...
— Gasolina — ele disse triunfantemente, erguendo seus olhos castanhos para ela, enquanto colocava as sacolas em cima da mesa.  Apenas para o caso de eles tentarem usar plantas contra nós. Não obrigado — ele acrescentou quando viu a xícara cheia de café que ela estendia para ele. — Encontrei uma mecânica enquanto estava comprando isso. Vou lavar as mãos — E então ele desapareceu passando na frente de Elena.
Passando por ela, sem a olhar, apesar dela estar vestindo o único conjunto de roupa limpa que sobrou: uma calça jeans sutil, e um top colorido que de primeira vista parecia branco, mas em luz mais forte, revelava que tinha delicadas sombras de um arco-íris.
Sequer uma olhadinha, Elena pensou, sentindo uma estranha sensação de que a sua vida rodava em torno de si mesma.
Ela começou a jogar o café fora, mas decidiu que precisava dele, e o bebeu em escaldantes goles. Então foi até o seu diário, e começou a ler as últimas duas ou três páginas.
— Você está pronta para partir? — Damon gritava por sobre o som de água corrente no banheiro.
— Sim... apenas em um minuto — Elena leu as introduções nas páginas de seu diário, e depois deu uma rápida olhada nos textos depois disso.
— Podemos muito bem seguir na direção oeste daqui — Damon gritou.  Poderemos fazer isso em um dia. Eles vão pensar que é uma farsa para chegar a um portal em particular, e buscarão por outros menores. E enquanto isso continuaremos seguindo para o Portal Kimon, com dias a frente de qualquer um que possa estar nos seguindo. É perfeito.
— Aham — Elena disse, lendo.
— É provável que nós encontremos com Mutt amanhã... Talvez esta noite, dependendo do tipo de problemas que eles nos causarem...
— Aham...
— Mas primeiro eu queria te perguntar: você acha que é uma coincidência nossa janela estar quebrada? Por que eu sempre coloquei proteções nela todas as noites, e eu tenho certeza que... — Ele passou a mão na testa. — Tenho certeza de que eu devo ter feito isso ontem à noite, também. Mas algo quebrou a janela e saiu sem deixar nenhum rastro. Foi por isso que eu comprei toda a gasolina. Se tentarem algo com as árvores, eu vou golpeá-los de volta a Stonehenge...
E metade dos moradores inocentes do estado, Elena pensou sombriamente. Mas ela estava tão chocada, que não conseguia se expressar melhor sobre isso.
— O que você está fazendo agora? — Damon estava obviamente pronto para se levantar e partir.
— Livrando-me de algo que eu não preciso — Elena disse, correndo ao banheiro, observando pedaços do seu diário girando e girando, até por fim desaparecer.
— Eu não me preocuparia com a janela, porém — ela disse, voltando para o quarto e tirando os seus sapatos. — E fique ai por um minuto Damon, preciso falar com você sobre uma coisa...
— Ah, por favor. Isso pode esperar até estarmos na estrada, não pode?
— Não, não pode, por que temos que pagar por essa janela. Você a quebrou na noite passada, Damon. Mas não se lembra de tê-la quebrado, não é?
Damon a encarou. Ela podia dizer que ele estava tentado rir. Mas o que ele fez foi pensar se ela tinha enlouquecido.
— Estou falando sério, — disse ela, uma vez que ele havia se levantado e começou a andar em direção a janela parecendo que desejava que um corvo a tivesse atravessado.
— Não se atreva a ir a qualquer lugar, Damon, porque eu ainda não acabei...
— Fiz mais coisas do que não me lembro? — Damon encostou na parede, em sua conhecida postura arrogante. — Talvez tocado algumas guitarras, e deixado o rádio ligado até as quatro da manhã?
— Não. Não necessáriamente coisas... da noite passada — Elena disse, olhando para longe. Ela não podia olhar para ele. — Outras coisas, de outros dias...
— Como tentar sabotar toda a viagem— ele disse, sua voz lacônica. Ele olhou para o teto e suspirou profundamente. — Talvez eu tenha feito isso, só para ficar sozinho com você...
— Cala a boca, Damon !
De onde isso vinha? Bem, ela sabia, é claro. De seus sentimentos da noite passada. O problema era que ela também tinha que conseguir determinadas coisas – sério, se ele fosse levá-los. Pensando nisso, parecia haver um jeito melhor de fazer isso.
— Você acha que seus sentimentos por Stefan - bem, mudaram recentemente? — Elena perguntou.
— O quê?
— Você acha que... — ah, era tão dificil de olhar nos seus profundos olhos escuros. Especialmente quando a noite passada tinha sido cheia de miríades de estrelas — Você acha que chegou a pensar nele de maneira diferente? Para honrar os desejos dele mais do que você costumava fazer?
Agora Damon estava examinando-a abertamente, tal como ela estava examinando-o.
— Você está falando sério? — disse.
— Completamente — ela respondeu, e com um esforço supremo mandou as lágrimas para onde supostamente elas deveriam ir.
— Alguma coisa aconteceu na noite passada, — disse ele. Ele estava olhando fixamente para o rosto dela.  Não é?
— Alguma coisa, aconteceu, sim — Elena disse.
— Foi... mais uma..— ela tinha que soltar a respiração, e quase deixou tudo sair.
— Shinichi! Shinichi, che bastardo! Trapaceiro! Ladrão! Eu vou matá-lo lentamente! — De repente, Damon estava em todo o lugar. Ele estava ao lado dela, suas mãos nos ombros dela; no minuto seguinte, estava gritando imprecações na janela, então ele estava de volta segurando ambas suas mãos.
Mas somente uma palavra importava para Elena. Shinichi. O kitsune com seu cabelo preto com pontas escarlates, que os fez ceder tanto apenas para a localização da prisão de Stefan.
— CanalhaRude...  Elena perdeu novamente a noção das maldições de Damon. Então era verdade. A noite passada foi completamente roubada de Damon, tirada de sua mente completa e simplesmente, no intervalo que ela tinha usado as Asas da Salvação e as Asas da Purificação nele.
Anteriormente ele tinha concordado. Mas noite passada... Que outras coisas a raposa vinha tomando? Para arrancar todo o anoitecer e a noite – e aquele entardecer e noite em particular, implica que...
— Ele nunca encerrou a conexão entre a minha mente e a dele. Ele ainda pode possuir minha mente sempre que quiser — Damon finalmente tinha parado de praguejar, e parado de se mover. Estava sentado no sofá em frente à cama com as mãos pousadas nos joelhos.
Ele parecia muito desamparado.
— Elena, você tem que me dizer. O que foi roubado de mim da noite passada? Por favor! — Damon parecia que ia cair de joelhos na frente dela, sem exagero. — Se... se... foi o que eu acho...
Elena sorriu, embora as lágrimas ainda corressem por sua face. — Não foi algo que alguém pudesse imaginar, exatamente, eu acho — ela disse.
— Mas...!
— Vamos apenas dizer que este momento... foi meu,  Elena disse. — Se ele roubou qualquer outra coisa de você, ou se tentar roubar no futuro, então o jogo dele é justo. Mas isso... será o meu segredo — Ou até você abrir o seu rochedo de segredos, ela pensou.
— Até eu arrancar ele de mim, junto com a sua língua e a sua cauda! — Damon rosnou, e o que parecia mesmo um rosnado de animal. Elena estava feliz que a fúria dele não estava dirigida a ela. — Não se preocupe — Damon acrescentou em uma voz tão gélida que era mais assustadora do que a fúria selvagem. — Eu o encontrarei, não importando aonde ele tente se esconder. E eu pegarei isso dele. Eu podia pegar toda a pele peluda em que ele se esconde. E eu lhe farei um par de luvas, que tal?
Elena tentou sorrir, e fez um bom trabalho. Ela estava tentando chegar em termos sobre o que aconteceu com ela, embora ela tivesse certeza de que Damon não pararia de importuná-la sobre esse assunto, até que forçasse Shinichi a lhe devolver a memória. Ela percebeu que punia Damon em algum nível, pelo o que Shinichi tinha feito, e isso era errado. Eu prometo que ninguém saberá de nada da noite passada, ela disse a ela mesma. Não até que Damon saiba. Eu sequer direi a Bonnie e Meredith.
Isso tornou as coisas muito mais difíceis para ela e, portanto, provavelmente mais equitativa.
Enquanto eles limpavam os destroços consequentes da recente fúria de Damon, ele de repente se aproximou e enxugou uma lágrima da bochecha de Elena.
— Obrigada...! — Elena começou. Então ela se interrompeu. Damon tocava os lábios dele com os seus dedos.
Ele olhou para ela, surpreso e um pouco decepcionado. Então encolheu os ombros. — Ainda uma isca para unicórnio, — disse ele.  Por acaso eu disse isso na noite passada?
Elena hesitou, mas percebeu que as palavras dele não eram cruciais ao seu segredo.
— Sim, você disse. Mas... Mas não vai me ignorar, não é? — acrescentou, subitamente ansiosa. — Eu prometi que nem aos meus amigos direi algo. — Damon estava olhando fixamente para ela.
— Por que eu deveria dizer algo sobre alguém? A menos que você esteja falando da pequena ruiva?
— Eu te disse, eu não estou dizendo nada. Só que Caroline, obviamente, não é uma virgem. Bem, com toda a confusão sobre ela estar grávida.
— Mas você se lembra, — Damon interrompeu, — Eu vim para Fell's Church antes de Stefan; eu só me escondia mais nas sombras. A maneira como você falou...
— Oh, eu sei. Nós gostamos de meninos e meninos gostam de nós, e já tivemos reputações. Então conversamos e de alguma maneira, sentimos vontade de falar. Algumas delas podem ser verdadeiras, mas muito daquilo você poderia tomar de duas maneiras.... e depois é claro que você sabe como os meninos falam... — Damon sabia. Ele concordou.
— Bem, e assim logo todos estavam falando como se estivéssemos fazendo tudo e com todos. Eles ainda escreveram isso no jornal e no anuário e nas paredes do banheiro. Mas tivemos um pequeno poema, também, e às vezes o assinávamos. Como era? — Elena fez a mente dela voltar um ano, dois anos, mais. Então, ela recitou: — Só porque você ouviu, não significa que seja verdade. Apenas por que você leu, também não o faz verdade. Dá próxima vez que ouvir isso, talvez possa ser sobre você. Não pense que você pode mudar as suas mentes, apenas por que você sabe... você sabe!  Assim que Elena terminou, ela olhou para Damon, de repente sentindo uma urgência para resgatar Stefan. —  Estamos quase lá — ela disse.  Melhor nos apressarmos.

Um comentário:

  1. Sacanagem Damon esquecer esse momento maravilhoso que teve com Elena, a autora realmente odiava Damon quando escreveu esse livro, porque né..

    ResponderExcluir

• Não dê SPOILER!
• Para comentar sem conta, escolha a opção Nome/URL. Escreva seu nome/apelido e deixe URL em branco

Os comentários estão demorando alguns dias para serem aprovados... a situação será normalizada assim que possível. Boa leitura!