30 de outubro de 2015

Vinte

Quando eu cheguei à casa de Miles, eu estava um pouco nervosa, sem ter ideia do que esperar. Mais quando eu o vejo fora de casa esperando na frente na saída de carros, eu tive um pouco de paz em perceber que as coisas não estavam tão ruins quanto eu pensava que estavam. Eu parei na sua garagem, abri a janela e chamei:
— Hey Miles, entra aí.
Então eu o vejo olhar seu telefone, sacudindo a cabeça e diz:
— Desculpe, eu pensei que havia lhe avisado, mais eu vou pegar carona com Craig.
Eu fiquei pasma, meu sorriso congelado no rosto em quando eu processava suas palavras.
Craig? Como o namorado de honra Craig? O sexualmente confuso, pró-Magno jogador de futebol, cujo as preferências sexuais eu descobri pelas bordas vazando da sua cabeça ? A pessoa que praticamente vive para fazer piadas sobre Miles para se sentir seguro – porque ele não é um “Deles”. Aquele Craig?
— Desde quando você é amigo de Craig? — Eu perguntei, mexendo minha cabeça e franzindo os olhos para ele. Miles veio relutante ao meu lado.
Ele para de digitar tempo o bastante para dizer:
— Desde quando eu decidi ter uma vida, sair e expandir meus horizontes. Talvez você devesse tentar isso também. Ele é bem legal uma vez que você o conhece.
Eu vejo seus dedos voltando ao trabalho, como eu me esforço para me controlar depois das suas palavras. Sentindo como se eu tivesse caído em um mundo incrivelmente louco, implausível e alternativo universo, aonde líderes de torcida fofocam com os góticos, e jogadores saem com os esquisitos do clube de teatro. Um lugar tão não-natural que nunca poderia existir.
Exceto que um lugar com esse existe. Em um lugar chamado Bay View High.
— Esse é o mesmo Craig que te deu um cansaço e lhe deu uma surra no primeiro dia de aula?
Miles deu de ombros.
— As pessoas mudam.
Eu ia dizer. Exceto que elas não mudam. Ou pelo menos eles não mudam de um dia para o outro sem ter um motivo muito bom para fazer isso – ao menos que alguém, alguém por trás das cenas, está solicitando-lhes a engenharia de falar, por assim dizer. Manipulando eles contra o seu modo casual de dizer às coisas que são totalmente contra a sua verdadeira natureza – tudo isso sem a sua permissão, sem eles saberem que isso está sendo feito.
— Desculpe, eu pensei que havia lhe dito, eu acho que fiquei ocupado. Mais você não precisa vir mais de qualquer jeito, eu tenho tudo planejado. — Ele disse, negando a nossa amizade como um tapete de cinzas, como se isso importasse menos que uma carona para a escola.
Eu respirei fundo, resistindo a urgência de pegar ele pelos ombros e exigir saber o que aconteceu – porque ele está agindo assim – porque todo mundo está agindo assim- e porque eles decidiram ficar contra mim. Mas não. De algum jeito eu consigo me conter.
Primeiramente porque eu tenho a terrível suspeita que eu já sei. E se isso mostrar que eu estou certa, Miles não é responsável por isso de qualquer modo.
— Certo, bem, bom saber — eu aceno com a cabeça, forçando um sorriso que eu não sinto. — Eu acho que vejo você por aí — eu falei, meus dedos batendo contra o cambio da marcha, esperando por uma resposta que não veio tão cedo. Ele só saiu da garagem quando Craig parou atrás de mim buzinando duas vezes, fazendo menção para eu me mexer.
A aula de Inglês foi pior do que eu imaginei. Eu não estava nem na metade do corredor quando eu notei que Damen está sentado com Stacia. E eu estou falando de mãos-dadas e tudo, só para constar. Enquanto eu continuo sentada de costas como uma completa rejeição. Eu pressiono meus lábios juntos enquanto eu faço meu caminho até minha mesa, ouvindo todos os meus colegas falando:
— Esquisita, cuidado esquisita! Não caia esquisita!
As mesmas palavras eu que escuto desde o momento em que eu sai do meu carro. E mesmo que eu não tenha ideia do que isso significa, eu não posso dizer que estava totalmente entediada por isso – até Damen se juntar.
Porque no momento que ele começa a rir e fofocar com os outros, tudo o que eu quero fazer é voltar. Voltar para o meu carro, para minha casa, aonde é seguro – Mas eu não faço isso. Eu não posso. Eu preciso ser forte. Asseguro a mim mesmo que isso é temporário – que logo eu vou chegar ao começo disso – Não é possível o jeito que eu perdi Damen, pelo amor.
E, de algum modo, isso me ajuda a passar por tudo. Bom isso e o Sr. Robins falando para todos calarem a boca, então quando o sinal finalmente toca, e todo mundo sai da sala, que quase saio quando eu escuto:
— Ever, posso falar com você por um instante? — Eu parei na porta, meus dedos fechados e prontos para empurrar a porta. — Eu não vou demorar muito.
Eu respirei fundo me rendendo, meus dedos abaixando o som do meu iPod, e no segundo que eu vi a sua cara.
Sr. Robins nunca me prende depois da aula. Ele não é o tipo de gente que para e conversa. E todo esse tempo eu tinha certeza que havia terminado meu dever de casa e fazia meus testes, me prevenindo exatamente desse tipo de coisa.
— Eu não tenho certeza de como dizer isso, eu não quero me intrometer aqui – mais eu realmente acho que eu devo dizer alguma coisa. É só sobre –
Damen.
Isso é sobre o meu par perfeito. Meu amor eterno. Meu maior fã pelos 400 anos, que agora está completamente repulsivo sobre mim. E nessa manhã ele pediu para mudar de lugar, porque ele acha que eu sou uma perseguidora. E agora Sr. Robins, meu recente separado, mais bem intencionado professor de inglês que não a menor ideia sobre mim, sobre Damen, sobre qualquer coisa a não ser nas novelas escritas por autores mortos a muito tempo, quer me explicar como um relacionamento funciona.
— Eu sei que o amor jovem é forte. Como é muito intenso, é como se fosse a coisa mais importante no mundo quando está acontecendo – só que não é. Haverá um monte de outros amores, você só tem que se permitir seguir em frente é hiperativo. Principalmente porque, perseguir não é a resposta. — Ele disse. — É um crime. Um crime muito sério, com consequências sérias. — Ele enrugou a testa para mostrar o quão sério era tudo isso.
— Eu não estou perseguindo ele. — Eu disse, percebendo que era tarde demais de me defender das últimas 5 palavras, passando pelos passos usuais como : O que ele disse? Porque ele faria isso? O que ele queria fazer? como uma pessoa normal, mais incluída faria, me fez parecer culpada. Então eu respirei fundo e disse.
— Escute, Sr. Robins, com todo o respeito, e usei que sua intenção é boa, e eu não sei o que Damen te falou, mas –
Eu olhei nos seus olhos, vendo exatamente o que Damen lhe disse: que eu estou obcecada por ele, que eu sou louca, que eu vou a casa dele dia e noite, que eu ligo pra ele de novo e de novo, deixando mensagens assustadoras, obsessivas e patéticas mensagens – o que pode ser parcialmente verdade, mais mesmo assim. Mais o Sr. Robins não vai deixar eu terminar, ele só balança a cabeça e diz:
— Ever, a única coisa que eu quero é escolher lados ou ficar entre Damen e você, porque francamente, isso não é da minha conta, e é uma coisa que você vai ter que trabalhar sozinha. E tirando a sua suspensão, e o fato que você raramente presta atenção nas aulas, e escuta seu Ipod mesmo quando eu mando você desligar – Você continua sendo uma das minhas alunas mais brilhantes. E eu odeio ver você desperdiçando o que pode se tornar um futuro brilhante – por um garoto.
Eu fechei meus olhos e respirei fundo. Sentindo-me tão humilhada que eu queria ser engolida por um buraco – desaparecer. Não, na verdade é muito pior que isso – Eu me sinto mortificada, desgraçada, horrorizada, desonrada e tudo mais que defina querer desaparecer.
— Não é o que você pensa. — Eu digo encontrando o seu olhar e pedindo mentalmente que ele acredite em mim. — Eu não sei que histórias Damen lhe contou, mais não é só isso que aparenta ser — eu adiciono, Sr. Robins suspira junto com os pensamentos em sua cabeça. Como ele desejava poder partilhar o quão perdido ele se sentiu quando sua esposa e filha o deixaram, como ele nunca pensou que ele precisasse passar por isso algum dia – mais ele sente que é inapropriado, o que é.
— Se você desse a você mesma algum tempo, se focar em outras coisas — ele disse, sinceramente querendo me ajudar, e ainda com medo de passar dos limites. — Você logo vai descobrir que — o sino tocou. Eu atirei minha bolsa nos ombros, e pressionei meus lábios olhando para ele. Assistindo ele balançar a cabeça e dizer:
— Certo. Eu vou lhe escrever um passe tardio. Você está livre para ir.

8 comentários:

  1. Fernanda Boaventura10 de novembro de 2015 21:14

    Damen ACORDA! Por favor... Ever salva ele, não sei como mais tenho certeza que só você pode fazer isso!

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    1. concordo com vc fernanda .DAMEN ACORDA POR FAVOR!!!TO MORRENDO AQUI

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  2. Ela tem que agir rápido!

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  3. MDS damen acorda, acho que tudo isso só está acontecendo por causa desse garoto novo.
    Pelo amor de deus, Ever cura Damen.
    MDS que doença é essa que deixou Damen assim.

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  4. Que dó... Isso deve ser HORRÍVEL.

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