31 de outubro de 2015

Vinte e sete

— Como vai entrar? — Romy sussurra, chegando até meu lado e olhando à porta, uma expressão de cuidado atravessando seu rosto.
— Duh! — Rayne sacode a cabeça. — É fácil para eles. Tudo o que têm que fazer é abrir a porta com suas mentes.
— É verdade. — Sorrio. — Mas ter uma chave também é muito útil. — Tilintando-a de modo que possam vê-la antes de introduzi-la na fechadura. Cuidadosamente evito o olhar de Damen, embora não seja necessário vê-lo para saber que me desaprova.
— Assim aqui é onde trabalha — diz Romy, entrando e olhando ao redor. Movendo-se ligeiramente, com cautela, como se ela tivesse medo de sujar algo.
Aceno, pondo meu dedo contra meus lábios no sinal internacional para calar enquanto os levo para quarto de trás.
— Mas se a loja está fechada, e nós somos os únicos aqui, então por que temos que nos calar? — Rayne pergunta, sua voz aguda virtualmente ricocheteando contra as paredes, querendo que saiba que embora esteja contente de que vou mostrar-lhe o Livro das Sombras não se estende muito além disso.
Abro a porta do escritório dos fundos e lhes indico que entrem, lhes dizendo que se sentem, enquanto Damen e eu nos falamos no corredor.
— Eu não gosto disto — ele diz, seus olhos escuros, centrando-se nos meus. Aceno, muito consciente disso, mas determinada a manter minha causa.
— Ever, é sério. Não tem ideia de onde está se metendo. Este livro é poderoso e em mãos equivocadas também é perigoso.
Movo a cabeça, dizendo:
— Escuta, as gêmeas estão familiarizadas com este tipo de magia, muito mais que você e eu. E se elas não estão preocupadas, então que mal poderia haver?
Me olha, negando-se a ceder.
— Há melhores formas.
Suspiro, com vontade de começar e frustrada para lutar com isto.
— Você age como se fosse lhes fazer mal ou as fazer bruxas más com verrugas e chapéu negro, quando a única coisa que quero é que obtenham seu poder de novo. — Cuidadosa em proteger minha mente para que ele não descubra que passei a maior parte de ontem no trabalho lutando para dar sentido ao livro sem êxito e que necessito de ajuda se tiver alguma esperança de convencer Roman a me entregar o antídoto. Sabendo que é melhor não dizê-lo. Damen não concordaria com isso.
— Há melhores formas de fazer isto — diz, sua voz paciente, mas firme. — Tenho suas lições preparadas, e se só me desse tempo para...
— Quanto tempo? Semanas, meses, um ano? — Sacudo a cabeça. — Talvez nós não podessamos nos permitir perder tanto tempo, alguma vez pensou nisso?
— Nós? — Suas sobrancelhas se uniram quando seu olhar estudou a meu, um pingo de compreensão formando-se em seus olhos.
— Nós, elas, o que seja. — Encolho os meus ombros, sabendo que será melhor seguir em frente. — Me permita te mostrar o livro e veja inclusive se é autêntico. Quero dizer, nem sequer sabemos se realmente funciona, talvez minha reação fosse só minha energia. Vamos, Damen, por favor? O que poderia nos prejudicar?
Ele me olha, convencido de que poderia prejudicar a muitos.
— Só um olhar rápido para determinar se é real ou não. Logo devemos voltar para casa e retornaremos com a lição delas, de acordo?
Mas não diz nada. Só assente e manda entrar.
Dirijo-me à cadeira no outro lado do escritório, me instalando e me inclinando para a gaveta quando Rayne diz:
— Para que saibam, ouvimos tudo. Nossa audição é excepcional. Talvez deveriam seguir com a telepatia nesse lugar.
Decidida a ignorá-la, ponho minha mão sobre a fechadura, fechando meus olhos enquanto a abro com minha mente, piscando para Damen enquanto mexo em seu interior. Cavo além da pilha de papéis, as pastas, e ponho a calculadora de lado, antes de chegar ao fundo falso, agarrando o livro, e colocando-o na mesa. Meus dedos formigam, meus ouvidos zumbem da energia que contém.
As gêmeas se precipitam para frente, olhando o antigo livro com mais respeito do que alguma vez vi nelas antes.
— Então, o que lhes parece? É real? — Meu olhar passando velozmente entre elas, tão sem fôlego logo que posso formar as palavras.
Romy inclina sua cabeça, com cara curiosa, até que Rayne chega adiante e abre na primeira página. As duas ofegam, enquanto seus olhos se ampliam e tomam tudo dentro.
Rayne se encarapita sobre a beirada da mesa, pescando o livro frente a ela e sua irmã, Romy se inclina sobre seu colo, riscando seus dedos ao longo da série de símbolos e marcas que são totalmente indecifráveis para mim, embora pelo modo com que seus lábios se movem, tenha muito sentido para elas.
Olho Damen de pé justo detrás delas, seu rosto desmentindo qualquer emoção quando observa às gêmeas murmurando e rindo, empurrando uma à outra com emoção enquanto folheiam as páginas.
— Então? — Digo, incapaz de aguentar o suspense e necessitando de qualquer forma verbal.
— Real. — Rayne assente, seus olhos ainda centrados na página. — Quem alguma vez poria isto junto a suas coisas se soubesse.
— Quer dizer que há mais de um? — Eu entrecerro os olhos, olhando para elas, apenas capaz de me encontrar com seus olhos sob sua exuberante franja de corte irregular.
— Claro. — Romy assente. — Há toneladas. O Livro das Sombras é simplesmente um título genérico para um livro de feitiços. Acreditam que o nome se originou do fato dos livros terem de ser mantidos em segredo, nas sombras por assim dizê-lo, devido a seu conteúdo.
— Sim —diz Rayne — mas alguns também dizem que é porque frequentemente eram lidos e escritos a luz de velas, o que provoca sombras como sabe.
Romy encolhe os ombros.
— De qualquer maneira, estão escritos em código para evitar cair em mãos equivocadas. Mas os verdadeiramente poderosos, como este, — ela apunhala a página com o dedo indicador, — que está recém pintado de cor-de-rosa são extremamente estranhos e difíceis de encontrar. Escondidos pela mesma razão.
— Então é poderoso? É verdadeiro? — Repito, necessitando que o confirmem uma vez mais.
Rayne me olha, sacudindo a cabeça como se eu fosse muito estúpida para acreditar, enquanto que sua irmã assente com a cabeça, dizendo:
— A gente pode sentir a energia das palavras na página. É muito poderoso, asseguro-lhe isso.
— Acreditam que será útil, então? Crê que poderia ajudá-las com suas necessidades? — Meu olhar penetrante para elas, com a esperança de que vão dizer que sim, enquanto evito cuidadosamente o olhar de Damen.
— Estamos um pouco enferrujadas — Romy começa. — Assim não podemos dizer com segurança.
— Fale por si mesma — diz Rayne, folheando o livro até encontrar a página que ela quer. Repete uma sequência de palavras que não posso nem sequer começar entender como se fora sua língua materna. — Vê isso? — Ela agita sua mão no ar, rindo quando as chamas piscam a intervalos. — Eu não chamaria isso exatamente enferrujada.
— Sim, mas já que eles pretendem estalar em chamas, ainda está muito longe do caminho — diz Romy, os braços cruzados, a fronte levantada.
— Estalar em chamas? — Olho Damen. Ele tinha razão, isto é perigoso nas mãos equivocadas, em suas mãos.
Mas Romy e Rayne só riem, caindo quando dizem:
— Lhe enganeI! Nós totalmente lhe enganamos! Já!
— É muito ingênua para acreditá-lo! — Acrescenta Rayne, aproveitando qualquer oportunidade para zombar de mim.
— E vocês garotas estiveram vendo muita televisão — eu digo, fechando o livro com um golpe e afastando-o.
— Espera! Não pode nos tirá-lo! Necessitamos dele! — Dois pares de mãos freneticamente o alcançam e agarram.
— Não me pertence. Assim não podemos levá-lo a casa nem nada — digo, mantendo-o fora de seu alcance.
— Mas como vamos obter nossa magia de novo se o esconde assim? — A cara de Romy zangada.
— Sim — acrescenta Rayne, sacudindo a cabeça. — Primeiro nos faz sair de Summerland e agora — detendo-se só quando Damen levanta a mão para fazê-las calar.
— Acredito que é melhor por isso longe — diz ele, seus olhos nos em meus, a mandíbula firmemente apertada. — Agora — acrescenta, com nova urgência.
Aceno, pensando que ele está mais resistente do que pensava, adotando uma postura e insistindo para que cumpra nosso acordo. Até que sigo seu olhar para o monitor e vejo quando uma figura imprecisa e escura entrando.

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